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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

QUINTA DO ROL ESPUMANTE EXTRA BRUTO GRANDE RESERVA ROSÉ 2010

Quinta do Rol situa-se na Lourinhã, pertencendo por isso à região de Lisboa, uma região que merece cada vez mais a nossa atenção.

Este espumante é 100% pinot noir e estagia no minimo 7 anos em cave, antes do 'degorgement'. Está um espumante muito bom.
 
De cor salmão, nariz delicado com alguma fruta, biscoito e um lado vegetal que acompanha a boca. Seco (extra bruto), com boa mousse, bolha fina, final longo com finesse e esse toque vegetal a puxar para a mesa.
 
A um preço muito convidativo que facilmente se encontra por exemplo na loja do produtor. Pvp 16eur.
É este o caminho dos grandes espumantes portugueses. Estágio prolongado em cave prior ao degorgement e as castas apropriadas ao terroir certo. É preciso tempo...

terça-feira, 7 de setembro de 2021

RUBIGO BRANCO 2017

Ora aí está um vinho que me foi apresentado pelo amigo Bruno @vinhonobigode

100% arinto, de Bucelas, com passagem por madeira. O rótulo fez-me lembrar o "full metal jacket" 
🤣🤣😁😁
 até porque sou um fã acérrimo de Stanley Kubrick. Talvez tenha sido um devaneio.

Quanto ao vinho, gostei bastante e fez me lembrar imediatamente o Morgado Sta. Catherina, pré aquisição Sogrape (ainda não provei os novos).

Nariz bonito com citrino em evidência, especiaria e alguma presença de barrica. Boca com bom volume, untuoso, gordo, muita frescura, barrica está lá mas não incomoda. Final longo e com uma belissima acidez que o faz brilhar à mesa.

Provavelmente a madeira deve estar mais marcada em jovem. Contudo agora (o vinho é de 2017) deu-me bastante prazer e "cheira-me" que o caminho das novas colheitas irá por diminuição da barrica. Pvp 10eur. Excelente rqp by the way.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

TROVISCAL GRANDE RESERVA BRANCO e TINTO

De Sobral de Monte Agraço surgem os vinhos produzidos pela Quinta do Cerrado da Porta, do médico Dr. @nunomonteiropereira

A gama peripécia suscitou grande interesse, com monocastas internacionais - pinot, merlot e chardonnay. Gostei particularmente.

Faltava provar os Troviscal que são blends das melhores uvas da quinta. Há um colheita branco e um colheita tinto, mas a coisa torna--se realmente interessante nos grande reserva.

O branco é feito de Arinto e Chardonnay, num registo elegante, untuoso qb e leve. 12eur. O tinto ainda gostei mais, feito de syrah e touriga nacional, num registo mais potente, com fruta carnuda, bom volume de boca, taninos presentes e com uma boa acidez, terminando longo e a pedir algo com substância à mesa. Um tinto para comida de conforto. 15eur.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Em Prova: Criatura Private Selection Tinto 2019

Ora aí está uma bela surpresa da região de Lisboa e ainda para mais um tinto. Sendo esta uma região com uma diversidade de sub-regiões, onde procuro sobretudo brancos, é bom encontrar um tinto tão porreiro e sobretudo diferenciador. E bom!
Produzido a partir de uma vinha com mais de 50 anos, da zona de Alenquer, onde está presente maioritariamente Tinta Miúda e algum Jaen e Castelao. Estagiou em barrica usada e cubas de cimento.
O resultado é um tinto muito fresco e bem complexo com boa profundidade. Algo fechado nesta fase, com um nariz com notas vegetais em primeiro plano, especiaria, notas terrosas e fruta madura bem definida em pano de fundo. Boca de volume médio, seco, taninos firmes a puxar o lado vegetal, final longo, especiado com travo de fruta.
Deu muito gozo a beber. Para a mesa, completamente - para assados ou uma carne vermelha, dado o seu caráter vegetal. Pvp 15eur.
É o topo de gama do produtor e enólogo @franciscoamacieira cujos vinhos Barca do Inferno serão provavelmente as referências mais conhecidas.

 Sérgio Lopes

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Em Prova: Tic-Tac Merlot 2015


@montebluna é o nome do novo projecto que pretende colocar a sub-região de Arruda dos Vinhos (Lisboa) nos holofotes, trazendo vinhos de elevada qualidade. Vinhos produzidos com todo o detalhe e que de certa forma expressem a excelência de um terroir de forte influência marítima e atlântica.

O projecto nasce com 2 vinhos: o topo de gama Bluníssima e este Tic-Tac 100% Merlot, de uma vinha com apenas 23ha, que tem 920 cepas com pouco mais de 20 anos. Encontra - se a 7 km do Oceano Atlântico e em solo de natureza argilo-calcária.

O rótulo é lindíssimo! O vinho estagiou 2 anos em barricas velhas e mais 2 anos em depósitos de inox, antes do engarrafamento. De facto, produzido sem pressas e com tranquilidade e... tempo (tic tac).

O resultado, um vinho delicioso.

Nariz com fruta silvestre, leve pimento, rama de tomate, balsâmico e especiarias. Boca muito elegante, mineral, fresca, salina, com taninos redondos. Corpo médio, final longo, delicado e muito guloso. Um grande Merlot. Pvp 35eur.

Ligou brilhantemente e até à última gota com um risoto de cogumelos e costeletão de vitela arouquesa na brasa.


Sérgio Costa Lopes

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Em Prova: Bluníssima Tinto 2017

Monte Bluna é o nome do novo projeto que pretende colocar a sub-região de Arruda dos Vinhos (Lisboa) nos holofotes, trazendo vinhos de elevada qualidade. Vinhos produzidos com todo o detalhe e que de certa forma expressem a excelência de um terroir de forte influência marítima e atlântica.

O Blunissima 2017 é um tinto produzido 100% da casta Aragonez (ou tinta roriz), com fermentação em deposito de cimento, estágio de 12 meses em barrica e posteriores 6 meses em inox, antes do engarrafamento. Pretende ser o topo de gama do projeto, a um PVP de 60eur. Arriscado, sim, para uma primeira edição, este valor, mas o vinho está excelente!

Nariz super complexo, com fruta vermelha e preta madura, especiaria, notas balsâmicas, tudo num registo fino, harmonioso e de enorme frescura no primeiro impacto. Boca com muita frescura, de novo proveniente do lado de "bosque". Optimo volume de boca, harmoniosa, seco, com finesse. Barrica bem integrada, taninos redondos e final longo, persistente e guloso, sempre com a fruta em bom plano.
Um verdadeiro topo de gama numa estreia de sucesso. Muito bem.

Se o mote é: "O melhor vinho, do melhor lugar, apenas quando a natureza quiser. É o nosso compromisso". Está muito bem lançado.


Sérgio Costa Lopes

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Em Prova: Gandim Tinto 2016

 
@artisansterroir é um recente produtor de vinhos, de edições limitadas, que rondam as 260 a 300 garrafas, sendo que por ano produz uma barrica de cada uma das suas referências.

Das mãos deste jovem Enólogo Mauro Azóia, resultam vinhos realizados com a mínima intervenção, não filtrados e estabilizados de forma natural.

São vinhos provenientes da região de Lisboa, em solos argilo-calcários, apesar de serem vendidos como vinho de mesa sem ano e casta.

O Gandim Tinto 2016 á um 100% Syrah e passa 18 meses em barricas usadas.

O nome é em homenagem ao pai de Mauro que era conhecido pelo Gandim.

Este vinho é num registo de mais volume e estrutura. Mais maduro e "redondinho", sem perder frescura. Nariz bonito entre fruta preta, notas balsâmicas, pimenta e especiarias. Na boca apresenta um bom corpo, taninos aveludados e final longo, com notas de cacau e especiaria. Pvp 30eur. Bom vinho neste registo.

facebook.com/contrarotulo

Sérgio Costa Lopes


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Em Prova: Raspanete Branco 2019

 
@artisansterroir é um recente produtor de vinhos, de edições limitadas, que rondam as 260 a 300 garrafas, sendo que por ano produz uma barrica de cada uma das suas referências.

Das mãos do jovem Enólogo Mauro Azóia, resultam vinhos realizados com a mínima intervenção, não filtrados e estabilizados de forma natural.

São vinhos provenientes da região de Lisboa, em solos argilo-calcários, apesar de serem vendidos como vinho de mesa sem ano e casta.

O Raspanete resulta em homenagem à filha de Mauro Azoia - lol. Há Branco e tinto.

O branco é 100% Sauvignon Blanc, com estágio de 9 meses em barricas usadas e com battonage.

Nariz complexo e algo austero, com os marcadores da casta relva cortada e espargos, mas também notas apimentadas a fazer lembrar curiosamente pimento padron. Alguma mineralidade e leve fruto seco. Na boca, fresco, com uma boa acidez, de novo especiado e a surgir fruta branca madura a envolver um conjunto com untuosidade e bom comprimento, com os 13.5 graus de alcool a contribuir para um final cheio . Pvp 17eur.


Sérgio Costa Lopes

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Prova dos vinhos Quinta da Lapa

A Quinta da Lapa situa se em Manique do Intendente, na margem Norte do rio Tejo, em solos maioritariamente argilo-calcários. Provados os seus vinhos, o meu destaque vai claramente para o Fernão Pirão, para mim o melhor vinho e com direito a post à parte.

Sobre os restantes:

O clarete é um vinho bem curioso, mistura das castas Trincadeira das Pratas e Castelão. Leve (12 graus de alcool), com alguma fruta e ligeiramente vegetal, corpo e final médio. Bom companheiro para grelhados de verão. 6eur.

Da gama reserva, o branco tem uma receita que o torna comercial - frutado, levemente mineral e austero, envolto em barrica para lhe conferir um equilíbrio de doçura. Agradável por 7eur. Já o reserva tinto está carregado de fruta compotada e madeira bem evidente. Um registo que não é do meu agrado, mas que ainda tem muitos adeptos. E custa 14eur.
Finalmente, o Quinta da Lapa Reserva Cabernet Sauvignon, apesar de considerar que também tem um pouquinho de madeira / baunilha a mais, resulta num bom exemplar da casta, para quem se quer iniciar na mesma. Algum pimento, mas também fruta e especiarias num tinto com corpo médio, taninos suaves e final equilibrado com leve perceção de doçura bem disfarçada pela casta. 8eur.

São vinhos num registo mais compotado/maduro, talvez mais internacional. Fiquei com a sensação que o potencial é bastante elevado.
Os vinhos podem ser adquiridos em PMT Wines ou online no site do produtor.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

P de Penélope

@artisansterroir é um recente produtor de vinhos, de edições limitadas, que rondam as 260 a 300 garrafas, sendo que por ano produz uma barrica de cada uma das suas referências.

Das mãos deste jovem Enólogo Mauro Azóia, resultam vinhos realizados com a mínima intervenção, não filtrados e estabilizados de forma natural.

São vinhos provenientes da região de Lisboa, em solos argilo-calcários, apesar de serem vendidos como vinho de mesa sem ano e casta.

O P de Penélope é 100% Viosinho, em homenagem à sua sobrinha Penélope . Passa 9 meses em barrica usada, com Battonage. Nariz muito bonito e delicado com nuances florais, leve amêndoa e muita mineralidade. Na boca, é fino e de corpo médio, bem texturado, crocante, com optima acidez e final longo, de novo carregado de mineralidade e com salinidade. Gostei muito. Acompanhou brilhantemente uma massada de peixe. Pvp 15eur.

Este é o primeiro de 4 vinhos deste produtor que vale bem a pena acompanhar e dos quais falaremos nos próximos dias!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

QUINTA DA LAPA FERNÃO PIRÃO 2019

Vinho surpreendente. Proveniente de Manique do Intendente, trata-se de um branco de uvas de Fernão Pires, colhidas em estado de sobrematuração, sujeitas depois a uma breve curtimenta. O objectivo é homenagear os brancos tradicionais da região, os "Fernão Pirão", brancos que se bebem como um tinto.

O nariz é um misto de fruta citrina cristalizada e notas claras de pedra molhada e silex. Sente se alguma austeridade no nariz. Na boca, boa acidez - controlada, corpo médio, leve tanino e final longo com um travo da doçura da fruta cristalizada, amparado por uma secura marcante que lhe dá um toque agridoce eminentemente gastronómico. Estranha se e depois entranha se! Bela surpresa da região do Tejo. Pvp 8eur.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Video Prova: Ramilo Vital 2017 e Ramilo Vinhas Velhas Castelão 2016

Dois vinhos de um projecto situado algures entre a Serra de Sintra e Colares. A frescura atlântica está bem patente e define claramente o perfil salino de ambos. Uma delicia. Para assistir ao vídeo da prova de ambos, abaixo:

 

 Sérgio Costa Lopes

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Video Prova: Kopke Winemaker's Collection Tinto Cão Rosé 2019 vs Quinta S. Sebastião Dona Aninhas Rosé 2019

 O caminho que no meu entender os Rosés em Portugal devem seguir passa também por este perfil. Mais "classy", secos, complexos, para a mesa. Dois rosés em Video Prova: Kopke Winemaker's Collection Tinto Cão Rosé 2019 vs Quinta S. Sebastião Dona Aninhas Rosé 2019, num duelo em que ambos saem vencedores. Para assistir ao video da prova de ambos, abaixo:

Sérgio Costa Lopes

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Em Prova: S.Sebastião Sauvignon Blanc 2018

Arruda dos Vinhos, onde se localiza a Quinta de S. Sebastião, produtor da região de Lisboa que acompanho com muito gosto. Este S. Sebastião Sauvignon Blanc 2018 é mais um branco bastante interessante para o dia-a-dia e sobretudo para o Verão que se avizinha, dada a sua frescura e aptidão para a mesa. Sem marcadores em excesso da casta, tem um nariz mais contido do que eu estaria à espera, com notas de fruta tropical, herbáceas, de espargos e alguns citrinos. Na boca, é mais intenso do que no nariz (ótimo como diria o prof. Virgílio Loureiro), com bastante frescura, acidez crocante que lhe confere frescura, terminando com boa persistência, num conjunto bem equilibrado, repito, sem exageros. Boa surpresa. PVP: 6,99€ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Em Prova: Quinta de Pancas Chardonnay Reserva Branco 2017

Novo lançamento deste branco, depois do sucesso da edição de 2015. O Quinta de Pancas Chardonnay Reserva 2017 é um vinho que passa uma parte por barrica. O vinho reflecte o ano quente de 2017, mostrando um perfil um pouco mais cheio, mas pleno de equilíbrio. O resultado é um vinho com fruta de caroço e algum tropical à mistura, com notas amanteigadas. Na boca, mostra-se untuoso, com as notas da barrica bem integradas, com elegância e bom volume de boca, fresco e de final longo, eminentemente gastronómico, num conjunto muito harmonioso. Um belíssimo exemplar de chardonnay a reflectir o terroir de Pancas, num vinho que brilhará à mesa. PVP: 13€. Garrafeiras.

Sérgio Costa Lopes

sábado, 30 de maio de 2020

Em Prova: Quinta de Pancas Special Selection Merlot 2016

A gama special selection é a designação conferida aos vinhos monovarietais que melhor representam o carácter de uma casta e o teroir da Quinta de Pancas. São vinhos que depois sofrem estágio em barricas usadas e são lançados para o mercado com algum tempo de garrafa, para garantir a complexidade necessária. Apesar de escassearem em Portugal vinhos da casta Merlot com notoriedade e a casta ter sido violentamente atacada no filme "sideways", este Quinta de Pancas Merlot mostra um vinho super atractivo e perfeitamente adequado ao selo de qualidade de um special selection. Por um lado, mostrando a frescura da Quinta de Pancas, por outro resultando um vinho cheio de caracter varietal, com forte presença de pirazina (pimento padron sobretudo), muita especiaria, cacau, um lado balsâmico, fruta madura intensa - enfim um nariz super complexo. Na boca, apresenta um equilibrio notável, com taninos firmes mas redondos, bom volume de boca, barrica bem integrada, boa acidez e um final longo, nunca se fazendo pesar os seus 14,5 graus de álcool. Um vinho altamente apelativo e muito vibrante, sobretudo nesta fase. Ligou perfeitamente com uma picanha. PVP 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Em Prova: Cepa Pura Fernão Pires 2019

A Quinta do Montalto, pertencente à mesma família há 5 gerações, localiza-se em Ourém - perto de Fátima. Inserida na vasta região vitivinícola de Lisboa. Os cerca de 15,5 ha de vinhas implantadas em encostas de solos argilo-calcários com excelente exposição solar, produzem vinhos com direito à Denominação de Origem Encostas D’Aire. Possui uma grande variedade de castas, sendo a Aragonez e a Fernão Pires as mais representativas das uvas tintas e brancas, respectivamente. Produzem tintos, brancos, um espumante, vinhos de talha pezgada e o famoso Medieval de Ourém. Tudo em modo de produção biológica e sem adição de produtos animais, aptos a uma dieta Vegan.

Cepa Pura é a gama de monocastas. O Cepa Pura Fernão Pires 2019 fermenta em barricas de carvalho francês e americano com posterior estágio sobre borras finas por 5 meses. Trata-se de um branco com um nariz bonito e complexo, com as notas aromáticas do Fernão Pires, mas nada exageradas como por vezes acontece com esta casta, juntamente com notas especiadas. Na boca é fresco, com bom volume, com a madeira nada impositiva, a conferir apenas untuosidade a um conjunto equilibrado e que se bebe com muito agrado. Acompanha peixe no forno ou grelhado. Vinho biológico a rondar os 8,90€. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Radar do Vinho: Quinta de São Bartolomeu

A Quinta de São Bartolomeu situa-se em Alenquer. A tradição na produção de vinho remonta há décadas, tendo sido inclusive fonte de uvas fornecidas para a Quinta de Pancas, até à compra desta pela Companhia das Quintas, em 2006. Com essa aquisição, dá-se assim inicio à produção própria mais em força, contando com diversas gamas no seu portfolio - Olissipo, Bartolo, QSB e os topo de gama Quinta de Bartolomeu, entre outras referências soltas, como Marquês de Olhão ou Alenquer Valley. 
As gamas Olissipo branco e tinto, com pvp a 4,95€ são a porta de entrada para o projecto - vinhos correctos e equilibrados. A gama seguinte denomina-se Bartolo, também branco, rosé e tinto. Vinhos bem desenhados, com alguns anos de garrafa, o que não é usual nestas gamas mais entry level, frescos e equilibrados. A um PVP de 6,50€. Há ainda o Bartolo Sauvignon Blanc, um pouco acima dos restantes - 7,5€ que pretende aportar a identidade da casta francesa ao terroir de Alenquer. Está muito interessante. 
Na gama média, o Marquês de Olhão, com Touriga Nacional, Touriga Franca e Merlot está muito interessante, com taninos polidos, corpo elegante e bom volume de boca, numa combinação muito prazerosa. O QSB  apresenta a mesma combinação de castas, mas com os taninos um pouco mais maduros, mantendo a matriz de elegância e boa acidez de conjunto. Ambos muito gastronómicos, frescos e será uma questão de opção pessoal qual deles escolher. Ambos a rondar os 10€. Muito boas RQP.
A gama Quinta de São Bartolomeu apresenta um branco feito de Chardonnay e Arinto fermentados e estagiados em barricas de 2º e 3º ano, com battonage regular. Um branco untuoso, com os amanteigados do Chardonnay e a acidez do Arinto a resultar num vinho muito gastronómico, com uma bela gordura de boca. 10,5€. O Quinta de São Bartolomeu Tinto é feito de Merlot e Cabernet Suavignon. Apresenta-se complexo, com fruta preta evidente, corpo maduro, taninos firmes mas com polimento e final fresco e apetecivel. Muito interessante. 14,50€. Para finalizar, o Quinta de São Bartolomeu Cabernet Sauvignon, com as notas de pimento tão características em primeiro plano, mas de uma forma contida e que conferem frescura olfactiva ao primeiro impacto. A boca é elegante e fresca, com taninos firmes, mas sedosos, terminando com bom comprimento de boca. Um Cabernet que não cansa e mostra toda a frescura atlântica patente de uma forma geral nos vinhos da Quinta de São Bartolomeu. Apenas lhe falta um pouco mais de "punch" final, na minha opinião. 16,50€

Um projecto para acompanhar a sua evolução, sendo que neste momento penso que existem demasiadas referências e acredito que as gamas média e topo ainda poderão ser mais afinadas, conseguindo assim produzir vinhos que ombreiem com os grandes da região. Todos os vinhos podem ser adquiridos AQUI.

Sérgio Lopes 

sábado, 30 de novembro de 2019

Fora do Baralho: Serra Oca Castelão 2018

A Quinta do Olival da Murta é um projeto de natureza familiar, que vai na sua quarta geração. Situada na Estremadura, a 80 Km da cidade de Lisboa, possui terrenos de grande influencia Atlântica e um micro clima da vertente norte da Serra de Montejunto, caracterizado pela grande amplitude térmica. Pertence à Sub região de Óbidos.

Para além dos famosos brancos de curtimenta que produz, este ano lançou um novo vinho tinto, o Serra Oca Castelão 2018. Como seria de esperar é um vinho "fora da caixa", desde logo apresentando uma vertente desta casta com pouca extração a começar pela cor pouco carregada. Depois, é claramente "bio" no primeiro impacto olfativo, com notas evidentes de redução no nariz e a fazer lembrar o lagar. Na boca é surpreendentemente fresco e fácil de beber, de corpo médio, com uma acidez acutilante e apenas 12,5 graus de alcool, para acompanhar pratos não muito fortes, ou condimentados mas leves, ou simplesmente a conversar entre amigos. Um vinho muito diferente e que seguramente não será para todos os gostos. Cerca de 1220 garrafas produzidas.

Sérgio Lopes

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Em Prova: Adega Mãe Chardonnay 2018

Pertencente ao grupo Riberalves, Adega Mãe trata-se de um projeto muito interessante, localizado em Torres Vedras, com enologia de Anselmo Mendes e Diogo Lopes. Produz várias referências, entre as quais diversos monocastas, tintos e brancos, procurando tirar partido da influência da proximidade atlântica. O Adega Mãe Chardonnay 2018 é assim um branco com fermentação em barrica ,apresentando leves notas amanteigadas, laivos citrinos e alguma marmelada. Tudo muito suave. Na boca tem bom corpo, é envolvente e cremoso, terminando fresco, harmonioso e apelativo. Um Chardonnay nada pesado, ao contrário de algumas imitações tugas que se veem por aí. Bem desenhado e a um preço porreiro. PVP: 8,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes