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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Radar do Vinho: Prior Lucas

Rui Lucas, actualmente ao leme do projecto Prior Lucas dá continuidade à tradição familiar do seu bisavô - José Francisco Prior, pequeno agricultor da freguesia de Souselas, que cultivava a vinha e que no seu tempo vendia todo o seu Vinho nas tabernas boémias da academia de Coimbra, bem como de seu pai, José Prior Lucas, que foi cultivando as parcelas que eram do seu avô, produzindo vinho que partilhava à mesa com a família e os amigos. Hoje o desafio é o de manter a pequena produção, entre vinha antiga e vinha nova, reagrupando os cerca de 5ha divididos por 7 parcelas onde se preserva a identidade e o carácter das castas tradicionais como a Baga, Maria-Gomes e Bical, acrescentado um toque de modernidade com a Tinta-Roriz, Syrah, Merlot e Chardonnay.

O Prior Lucas Espumante Baga@Bairrada Rosé 2017 foi o meu preferido dos quatro vinhos provados. Um espumante com bolha suave, mousse envolvente, bom corpo e muita frescura, com uma acidez capaz de lhe conferir uma enorme versatilidade à mesa. Um espumante com um lado algo vinoso, capaz de acompanhar uma refeição de inicio ao fim, inclusive ombrear, sem qualquer problemas com o Leitão à Bairrada. Ou como welcome drink, ou até sobremesas. Adorei. 10,50€.
O Espumante Falala Bruto Blanc des Noirs 2017 trata-se de um espumante muito fácil de beber. Daqueles que "escorregam" muito bem. Tem uma bolha agradável, mousse boa, apresentando-se muito correto, de novo muito fresco e com aromas florais e maçã verde, com um final mais frutado, o que o torna bem apelativo. Ideal para quem pretende se iniciar no mundo dos espumantes, com um produto de qualidade. 9,90€ Falala é o nome da filha de Rui Lucas.
Prior Lucas Tinto 2016. Cada ano é diferente para este vinho que representa o blend das parcelas que o constituem, resultante do comportamento das castas naquele ano. Baga, Tinta Roriz e Syrah,  num vinho de introdução à Baga e à Bairrada. Tem uma acidez equilibrada e é bastante leve. Descomplicado e fácil de beber por qualquer um. Elegante, fresco e versátil à mesa. Um vinho para se ter sempre em casa. 8,90€
Prior Lucas Branco 2018. Bical, Maria Gomes e Chardonnay. Discreto de aroma, elegante, salino e com boa estrutura. Um branco para comida. Apenas lhe falta um pouco mais de nervo, que tanto caracterizam os brancos bairradinos de que tanto gosto. Contudo tem uma acidez boa e versatilidade para se comportar bem à mesa. 10€.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Radar do Vinho: Quinta de São Bartolomeu

A Quinta de São Bartolomeu situa-se em Alenquer. A tradição na produção de vinho remonta há décadas, tendo sido inclusive fonte de uvas fornecidas para a Quinta de Pancas, até à compra desta pela Companhia das Quintas, em 2006. Com essa aquisição, dá-se assim inicio à produção própria mais em força, contando com diversas gamas no seu portfolio - Olissipo, Bartolo, QSB e os topo de gama Quinta de Bartolomeu, entre outras referências soltas, como Marquês de Olhão ou Alenquer Valley. 
As gamas Olissipo branco e tinto, com pvp a 4,95€ são a porta de entrada para o projecto - vinhos correctos e equilibrados. A gama seguinte denomina-se Bartolo, também branco, rosé e tinto. Vinhos bem desenhados, com alguns anos de garrafa, o que não é usual nestas gamas mais entry level, frescos e equilibrados. A um PVP de 6,50€. Há ainda o Bartolo Sauvignon Blanc, um pouco acima dos restantes - 7,5€ que pretende aportar a identidade da casta francesa ao terroir de Alenquer. Está muito interessante. 
Na gama média, o Marquês de Olhão, com Touriga Nacional, Touriga Franca e Merlot está muito interessante, com taninos polidos, corpo elegante e bom volume de boca, numa combinação muito prazerosa. O QSB  apresenta a mesma combinação de castas, mas com os taninos um pouco mais maduros, mantendo a matriz de elegância e boa acidez de conjunto. Ambos muito gastronómicos, frescos e será uma questão de opção pessoal qual deles escolher. Ambos a rondar os 10€. Muito boas RQP.
A gama Quinta de São Bartolomeu apresenta um branco feito de Chardonnay e Arinto fermentados e estagiados em barricas de 2º e 3º ano, com battonage regular. Um branco untuoso, com os amanteigados do Chardonnay e a acidez do Arinto a resultar num vinho muito gastronómico, com uma bela gordura de boca. 10,5€. O Quinta de São Bartolomeu Tinto é feito de Merlot e Cabernet Suavignon. Apresenta-se complexo, com fruta preta evidente, corpo maduro, taninos firmes mas com polimento e final fresco e apetecivel. Muito interessante. 14,50€. Para finalizar, o Quinta de São Bartolomeu Cabernet Sauvignon, com as notas de pimento tão características em primeiro plano, mas de uma forma contida e que conferem frescura olfactiva ao primeiro impacto. A boca é elegante e fresca, com taninos firmes, mas sedosos, terminando com bom comprimento de boca. Um Cabernet que não cansa e mostra toda a frescura atlântica patente de uma forma geral nos vinhos da Quinta de São Bartolomeu. Apenas lhe falta um pouco mais de "punch" final, na minha opinião. 16,50€

Um projecto para acompanhar a sua evolução, sendo que neste momento penso que existem demasiadas referências e acredito que as gamas média e topo ainda poderão ser mais afinadas, conseguindo assim produzir vinhos que ombreiem com os grandes da região. Todos os vinhos podem ser adquiridos AQUI.

Sérgio Lopes