quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Em Prova: Vinha da Ordem Tinto 2017

O Vinho da Ordem era feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”. É na aldeia de Valhelhas situada no coração da Região da Beira Interior que se procura replicar este conceito. Depois de provadas as colheitas de 2016 AQUI, eis que chega ao nosso copo o Vinha da Ordem Tinto 2017

Com intervenção minimalista e pouquíssima adição de sulfuroso, é feito a partir da mistura de castas tintas do antigamente, tais como Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco, entre outras. Em relação à edição anterior, de 2016 considero que o vinho está mais ligado, ou seja, mais polido, mas por outro lado, perde um pouco a tipicidade da Beira, apresentando-se mais redondo e tendo sido um ano quente, isso sente-se no vinho. Atenção que o vinho tem frescura, mas o volume e o terroir quente denunciam o ano 2017. Continua a ser um belo vinho, para a mesa e que dá muito gozo a beber, nunca caindo no erro da extração em demasia ou sobre maturação. Apenas está menos rústico e mais volumoso. PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Em Prova: Quinta de São Lourenço Espumante Bruto 2008

Ainda na memória do grande evento que foi o "Aqui na Bairrada", o destaque vai inteirinho para o espumante Quinta de São Lourenço Bruto Branco 2008, das Caves São Domingos, que foi considerado o melhor vinho em prova no Concurso de Espumantes e Vinhos da Bairrada, sendo por isso agraciado com a Grande Medalha de Ouro. Bravo. Não seria provavelmente o melhor de todos os vinhos a concurso, pois haviam também brancos e tintos de grande qualidade - seria sempre relativo, mas chegou à final e venceu! dignificando assim um produto tão conotado com a Bairrada, o seu espumante. Curiosamente, o topo foi alcançado pelo espumante com mais tempo de estágio em concurso, o que diz muito do caminho que os espumantes podem e devem seguir... 

Quanto ao espumante, é feito de  Baga , Maria Gomes e Arinto, sendo que as duas últimas, as uvas brancas, estagiam por 3 meses em barricas de carvalho francês. Seguidamente, estagia em cave pelo menos 6 anos, antes do engarrafamento final, sendo que o provado por nós, teria cerca de 10 anos de garrafa antes de degorgement, pois é degorjado faseadamente.... O resultado é um espumante complexo e sedutor. Apesar de ser de 2008, a bolha é elegante mas muito presente. Gastronómico, apresenta uma mousse deliciosa e notas de bolo inglês, terminando com bela persistência.

A edição deste espumante de 2007 já tinha feito um enorme furor e deu enorme prazer (comprei caixas). O 2008, apesar de ligeiramente abaixo, na minha opinião, continua a ser uma pequena "pérola", a confirmar-se pelo belo resultado conseguido no certame "Aqui na Bairrada". Parabéns à equipa das Caves São Domingos! PVP: 9,50€. Garrafeiras.

*Foto cortesia de Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)

Sérgio Lopes

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Em Prova: Regateiro Vinha d'Anita Tinto 2015

Invocando a proximidade do evento "Aqui na Bairrada – Beber & Saborear" que decorre amanhã e domingo, no pavilhão dos desportos da Anadia, onde será possível provar dezenas de grandes vinhos da Bairrada, destaco este tinto, feito da casta Baga, de entre outros, naturalmente que poderia destacar, tal é a qualidade dos vinhos produzidos na região. O Regateiro - Vinha d'Anita 2015 é feito 100% de Baga, pois claro e tem a particularidade de servir como homenagem à matriarca desta casa familiar. Trata-se de um tinto com pouca extracção, elegante, muito fresco e com boa acidez, com taninos polidos e apenas 12,5 graus de alcool. Com corpo médio é certo, mas  muito equilibrado e cheio de sabor, Na linha dos Baga mais prontos a beber, que se deixam beber com prazer. Produzido tal e qual Anita gostava e os antepassados bairradinos produziam - "à moda francesa". Belíssimo. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Em prova: Tiago Cabaço Verdelho 2018

Tiago Cabaço já deixou de ser um valor emergente do Alentejo para se afirmar hoje como um dos nomes mais sólidos e marcantes da nova geração dos produtores alentejanos. Os seus vinhos em nome próprio são assim designados por terem algum um significado especial para o produtor. Nos brancos tinha provado o Encruzado e o Vinhas Velhas, e agora o Tiago Cabaço Verdelho 2018, que o George do restaurante Villamar me serviu para acompanhar os seus petiscos. Um branco redondo, com predominância de notas florais, fresco qb, elegante e delicado, que se portou bem â mesa. Um branco alentejano equilibrado e bastante agradável que combina com comidas mais leves ou consumido por si só. Eu que estou mas numa "onda" de brancos com elevada acidez e "nervo" gostei do equilíbrio e leveza de conjunto. Está porreiro.  PVP: 9,90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Em Prova: Adega Mãe Chardonnay 2018

Pertencente ao grupo Riberalves, Adega Mãe trata-se de um projeto muito interessante, localizado em Torres Vedras, com enologia de Anselmo Mendes e Diogo Lopes. Produz várias referências, entre as quais diversos monocastas, tintos e brancos, procurando tirar partido da influência da proximidade atlântica. O Adega Mãe Chardonnay 2018 é assim um branco com fermentação em barrica ,apresentando leves notas amanteigadas, laivos citrinos e alguma marmelada. Tudo muito suave. Na boca tem bom corpo, é envolvente e cremoso, terminando fresco, harmonioso e apelativo. Um Chardonnay nada pesado, ao contrário de algumas imitações tugas que se veem por aí. Bem desenhado e a um preço porreiro. PVP: 8,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Fora do Baralho: Turra Tinto 2018

Deste projeto novo, localizado em Celorico de Basto , na região dos Vinhos Verdes, com enologia de Constantino Ramos (Anselmo Mendes, Zafirah, Afluente), nascem as marcas Fonte da Cobra (vinhos brancos colheita e Alvarinho) e Turra (tinto). A marca Turra foi a primeira a surgir em homenagem ao animal de estimação que tem acompanhado o projeto desde o início. Entretanto a cadelinha Turra faleceu e os proprietários decidiram doar os valores das garrafas estampando o simbolismo da acção numa raspadinha por cima da letra "A" indicando o valor da doação de forma subtil, homenageando assim a companheira Turra. Gesto bonito, ainda para com a doação ta ser efetuada para a associação Midas, uma associação sem fins lucrativos que alberga e cuida de animais abandonados, sobretudo cães.

Quanto ao vinho Turra Tinto 2018 é de facto fora do baralho. 100% produzido da casta Vinhão é a antítese daquilo que estamos habituados a provar neste tipo de vinho. A começar pela cor muito menos carregada do que o habitual nos verdes tintos, aliás bem discreta até. O nariz apresenta uma fruta fresca bonita, tipo morango ou cereja e apenas com o passar do tempo de copo para copo vai timidamente se aproximando dos aromas típicos da casta, de fruta vermelha mais intensa e próxima do lagar. Mas sem nunca chegar profundamente aos aromas típicos do vinhão. Na boca não esperem aspereza ou dureza, daqueles taninos de "arrancar pelos do peito" e "pintar malgas" dos verdes tintos. Nada disso, são taninos bem redondos, mas firmes e elegantes., numa boca fresca e de final médio. Um vinho sui generis, muito "giro" e de agradável consumo, para a mesa. PVP: 6,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Em Prova: Hugo Mendes Lisboa 2018

Nova edição do vinho Lisboa, do enólogo Hugo Mendes, acabadinha de chegar à minha mesa. Quem me segue nestas lides sabe que acompanho o projeto desde a sua génese, em 2016, com o lançamento do primeiro vinho (que adorei) ao contrário do ano seguinte, a edição de 2017, que não deixando de ser um vinho porreiro, mudou ligeiramente de perfil e apesar de genericamente mais afinado, não foi tanto do meu agrado, considerando-o um pouco mais "doce" e com menos tensão. Ora a terceira edição deste vinho, o Hugo Mendes Lisboa 2018 sofre nova afinação, desta feita, com 70% do lote a sofrer fermentação malolática e com a adição de 10% da uva vital ao lote usual de Fernão Pires - Arinto. O resultado é muito bom, num perfil algures entre a edição de 2016 e 2017.

Um vinho com apenas 11 graus de álcool, mas com estrutura suficiente proveniente da malolática para apresentar bom volume, bem como uma acidez crocante que nos transmite frescura e tensão no palato. Um vinho refrescante, onde a madeira utilizada apenas lhe confere um pouco mais de untuosidade e gordura de boca, sendo bastante versátil à mesa, e que me está a dar muito prazer e voltando a (re)conquistar-me. Provavelmente a melhor edição deste vinho e quiçá, aquela mais próxima do que o enólogo procura fazer nos seus clássicos da Quinta da Murta, em Bucelas. À terceira, foi de vez, ao que parece. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes