terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Radar do Vinho: Titan of Douro

Luis Leocádio é um jovem e talentoso enólogo cuja notoriedade se começou a mostrar sobretudo no excelente trabalho desenvolvido na Quinta do Cardo, onde conseguiu colocar a Beira Interior com o merecido destaque, desenhando um conjunto de vinhos surpreendentes e de extrema qualidade. E diferenciadores. Adicionalmente Luis atua também como consultor em vários projetos (Quinta do Estanho, Quinta da Cuca, entre outros) onde o seu cunho pessoal qualitativo é evidente por onde passa, sempre respeitando as particularidades do terroir.
Recentemente, decidiu lançar o seu projecto pessoal intitulado Titan of Douro, em homenagem ao seu fiel cão, cuja imagem se encontra bem marcada sobretudo nos vinhos colheita do projecto. A ideia por trás do mesmo foi desde o início o foco pela procura de vinhas velhas nos lugares mais genuínos e menos explorados no Douro, onde existissem novas histórias para contar em forma de vinho. O local escolhido foi o Sopé da Serra do Reboredo (1.000 mts Alt), em Paredes da Beira, no ponto a maior altitude do Douro. Rodeada com abundância de afloramentos graníticos, a zona tem solos de granito areno entremeados por filões de quartzo, altitude entre 700 - 1.000 mts, encontra-se nas encostas do Rio Távora e possui um invejável património de vinhas centenárias, intocáveis ao longo do tempo e mantidas pelas mãos curtidas de anos de trabalho duro durante gerações. Resultam por isso vinhos de grande frescura, caracter e identidade!
Para além dos Titan colheita tinto e branco (PVP 9,90€), muito equilibrados e agradáveis, o projeto contempla os  singulares Vale dos Mil Single Vineyard Branco e Tinto (PVP 29€), provenientes de uma vinha muito velha e ainda um tinto fermentado e estagiado parcialmente em ânfora de barro, o Titan of Douro Estágio em Barro (PVP 35€). 

O Vale dos Mil Single Vineyard Branco 2016 é feito de vinhas velhas, logo, com uma enorme diversidade de castas brancas do antigamente. Essa diversidade (mais de 30 castas diferentes), a altitude e maturidade de uma vinha tão velha aportam a este vinho uma potencia contida invejável. Complexo, intenso, profundo, fresco e vibrante, dá já uma grande prova, mas crescerá muito em garrafa. A boca é untuosa, sem que a madeira se note, resultando num conjunto elegante e harmonioso. Notas citrinas e minerais complementam um vinho riquíssimo aromaticamente e que deve ser bebido com muito atenção. Termina longo. Um grande branco. Para a mesa. 1600 garrafas produzidas.

O Vale dos Mil Single Vineyard Tinto 2016 provém de uma vinha com mais de 180 anos, plantada em pé franco. Pisado em lagares, foi feito para respeitar os grandes tintos clássicos durienses, mas com o polimento característico que Luis Leocádio imprime nos seus vinhos. Muito complexo, cheio de fruta vermelha, alguma especiaria, um lado balsãmico a conferir enorme frescura. Na boca é potente, com taninos firmes mas macios. Aqui não há espaço para extrações. Termina longo e muito fresco. Um digno exemplar de um vinhas velhas duriense de altitude! 1000 garrafas produzidas.


Finalmente, o Titan of Douro Estágio em Barro 2016, elaborado com uma variedade de castas de uma parcela da vinha centenária. Pisadas em lagar de pedra onde decorre dois terços da fermentação, sendo que o último terço fermenta e estagia em pequenas talhas de barro, por 16 meses. O resultado é um vinho sui-generis, super fresco e puro. O que perde em potência e corpo para o Vale dos Mil ganha em elegância, mantendo uma invejável complexidade. Eu achei-o delicioso e acompanhou de forma brilhante um risotto de cogumelos selvagens. Um daqueles vinhos que se bebe com muito prazer. Talvez o menos consensual do projeto, mas seguramente o mais diferenciador. Apenas 890 garrafas produzidas.

Um projecto de vigneron, de terroir e de paixão que mostra a (primeira) aventura a solo de Luis Leocádio, distinguido enólogo revelação do ano by revista de vinhos!

Sérgio Lopes

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Em Prova: Lés-A-Lés Sério de Siria 2016


O projecto “Lés-a-lés” nasce da vontade dos enólogos Rui Lopes e Jorge Rosa Santos em recuperar castas antigas e estilos de vinhos quase extintos em Portugal. O resultado é uma coleção de vinhos exclusivos de edição limitada.

“Lés-a-lés” é uma expressão portuguesa que significa “de uma extremidade à outra”, já que esta marca representa mais de 10 anos de viagens a percorrer Portugal, em busca de regiões apaixonantes e castas esquecidas. Cada vinho é por isso uma viagem, cada rótulo um bilhete para a descoberta dum património esquecido.

O Lés-a-Lés Sério de Siria é feito 100% da casta Siria, de vinhas a 650m de altitude, da Beira Interior. 

As barricas utilizadas são neutras e velhas o que não marcam nada o vinho. O resultado é um vinho  muito fresco, mineral, elegante, untuoso qb e cheio de personalidade. Gostei muito, de novo como é apanágio neste projeto, do equilibrio e prazer que dá a beber. A par do Quinta do Cardo Reserva Siria, talvez dos melhores da região. Ainda gosteium pouco mais deste pela elegância e pureza. PVP: 14,90€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Em prova: Lés-a-Lés Arinto de Pedra e Cal 2016

O projecto “Lés-a-lés” nasce da vontade dos enólogos Rui Lopes e Jorge Rosa Santos em recuperar castas antigas e estilos de vinhos quase extintos em Portugal. O resultado é uma coleção de vinhos exclusivos de edição limitada.

“Lés-a-lés” é uma expressão portuguesa que significa “de uma extremidade à outra”, já que esta marca representa mais de 10 anos de viagens a percorrer Portugal, em busca de regiões apaixonantes e castas esquecidas. Cada vinho é por isso uma viagem, cada rótulo um bilhete para a descoberta dum património esquecido.

O Lés-a-Lés Arinto de Pedra e Cal é feito 100% de Arinto, de Bucelas, de uma vinha com mais de 80 anos. 

Bucelas, às portas de Lisboa, é o "terroir" de eleição da uva Arinto. Quase que se pode afirmar que não é possivel fazer maus brancos de Arinto nesta sub-região, da mesma forma, que em Monção-Melgaço, não há como fazer um mau branco de Alvarinho. Só mesmo, quem estragar...

Agora fazer um vinho que se destaque, isso já é outra coisa. E é o que acontece neste vinho cujo nome remete também para os solos calcários de região. A vinha velha e o ano de estágio em barrica, seguido de mais um ano em garrafa, resulta num vinho de aroma contido, com as notas citrinas tipicas do Arinto, muito bonitas e puras, em primeiro plano e algumas notas minerais à mistura. A boca é equilibrada, com a madeira perfeitamente integrada, aportando um volume de boca perfeito, e muito elegante. Termina longo e com a acidez tipica da casta em solo calcário, a conferir uma enorme frescura e muito gozo a beber. Vai crescer em gararfa. Um belíssimo exemplar do que a sub-região de Bucelas é capaz de apresentar utilizando a casta rainha Arinto. Muito bem. PVP: 14,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.


Sérgio Lopes

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Em Prova: Lés-a-Lés L'Immigrant Sauvignon Blanc 2017

O projecto “Lés-a-lés” nasce da vontade dos enólogos Rui Lopes e Jorge Rosa Santos em recuperar castas antigas e estilos de vinhos quase extintos em Portugal. O resultado é uma coleção de vinhos exclusivos de edição limitada.

“Lés-a-lés” é uma expressão portuguesa que significa “de uma extremidade à outra”, já que esta marca representa mais de 10 anos de viagens a percorrer Portugal, em busca de regiões apaixonantes e castas esquecidas. Cada vinho é por isso uma viagem, cada rótulo um bilhete para a descoberta dum património esquecido.

O Lés-a-Lés L'immigrant 2017 é 100% Sauvignon Blanc, uma casta imigrante como muitos dos portugueses que emigraram pelo mundo fora. 

O nariz do vinho é muito cativante~e complexo, com notas tropicais leves, espargos, pendor mineral e muita frescura e salinidade. Sempre contido. Na boca, confirma-se a salinidade e o caracter fresco, do Sauvignon Blanc plantado em Lisboa e da sua proximidade maríritma. . A barrica utilizada mostra-se muitissimo bem integrada, conferindo apenas volume e alguma untuosidade.  Termina longo e sempre em crescendo. 

Adorei, pois não apresenta os excessos aromáticos que a casta pode aportar sobretudo no Novo Mundo. Pelo contrário, o vinho é complexo o suficiente para se destacar, sobretudo por se tratar de um Sauvignon Blanc "tuga" e mostra-se muitíssimo equilibardo e a dar grande prazer. Muito bem. PVP: 14,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Em Prova: Chapeleiro

Originário de Marco de Canaveses, o projeto Chapeleiro nasce de forma descomprometida em 2007 com a plantação da primeira vinha. Inicialmente tudo se tratou de reestruturar património rural, não havendo tradição familiar na vinha, nem no vinho. Começaram por plantar um pouco de tudo: Azal, Trajadura, Fernão Pires e Alvarinho. Mas o Chapeleiro plantou em 90% da área disponível Arinto e Loureiro, tudo num patamar com pouco mais do que meio hectare. Hoje há mais área de vinha com Avesso, e também mais duas parcelas de Loureiro. Por trás deste jovem projeto está Carlos Gabriel Fernandes que foi buscar o nome do vinho ao Avô Belmiro, conhecido como “Chapeleiro”. A enologia está a cargo de António Sousa.

Neste momento existem dois vinhos no mercado, o Chapeleiro Arinto-Loureiro 2017 (5€), um vinho fresco, com notas tropicais, um pouco de gás, ainda que não em demasia e algum açúcar residual, num perfil que ainda representa a região e que é extremamente comercial; E o Chapeleiro Reserva 2016 (14€), feito de Avesso (70%) e Alvarinho (30%) e com um ano de estágio em barrica nova de carvalho francês. Este perfil é mais sério e mais do meu agrado, num vinho de aroma contido, com a barrica ainda em primeiro plano, mas já muito mais integrada. A boca tem untuosidade, frescura e termina longo e bom companheiro à mesa. Abri pela altura das festividades de fim-de-ano e acompanhou um bacalhau na perfeição. Vai crescer ainda em garrafa. Apenas 650 garrafas produzidas, numa experiência que tem pernas para continuar. Aiás, espera-se um ano cheio de novidades com o lançamento de um 100% avesso, entre outars surpresas...

Sérgio Lopes

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Em Prova: Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017

Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. 

O Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017, "partiu do carácter intenso, aguerrido e doce do seu filho António Martin". 

São 1300 garrafas de um vinho feito na Magnum Wines de Carlos Lucas, no Dão, composto por 50% Touriga Nacional, Tinta Roriz 20%, Alfrocheiro 20% e Jaen 10%.

O blend típico do Dão mostra um vinho repleto de fruta fresca, algum toque floral, e leve especiaria. Todo o conjunto transpira jovialidade e frrescura. 

A boca é macia, o corpo é médio e o final sumarento e focado na fruta. Sempre com a frescura em pano de fundo e uma certa contenção a mostrar que o tempo de garrafa lhe vai fazer bem. Excelente companheiro à mesa. 

Mais um vinho desenhado para se beber com prazer. 

Menos impactante que o irmão branco (Identidade OM), mas muito prazeroso e um digno exemplar da região, onde frescura e jovialidade imperam. 

PVP: 13,50€. Dipsonibilidade: Martin Boutique Wines.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Em Prova: Identidade OM Grande Reserva Branco 2017


Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. O Identidade OM Grande Reserva Branco 2017 é em homenagem ao seu filho Oliver Martin e reflecte a sua personalidade -  "sorriso fácil e longevidade". É uma edição muito limtada de apenas 1000 garrafas de um lote de 85% Arinto e o restante Chardonnay, de solos argilo-calcários, feito na Quinta do Poço do Lobo, na Bairrada. 

Trata-se de um vinho de aroma contido, com nuances citrinas, mas com uma boca vibrante, onde as notas calcárias e de maresia são evidentes. A boca tem volume, é fresca, crocante e com um final longo. E com apenas 11º de alcool e pendor gastronómico. Um vinho desenhado para se gostar de beber. Um vinho de sommelier? Pois, adorei. E logo na sua primeira edição, com selo de Grande reserva. Muito bem.  PVP: 15€. Disponibilidade: Martin Boutique Wine

Sérgio Lopes