sábado, 30 de maio de 2020

Em Prova: Quinta de Pancas Special Selection Merlot 2016

A gama special selection é a designação conferida aos vinhos monovarietais que melhor representam o carácter de uma casta e o teroir da Quinta de Pancas. São vinhos que depois sofrem estágio em barricas usadas e são lançados para o mercado com algum tempo de garrafa, para garantir a complexidade necessária. Apesar de escassearem em Portugal vinhos da casta Merlot com notoriedade e a casta ter sido violentamente atacada no filme "sideways", este Quinta de Pancas Merlot mostra um vinho super atractivo e perfeitamente adequado ao selo de qualidade de um special selection. Por um lado, mostrando a frescura da Quinta de Pancas, por outro resultando um vinho cheio de caracter varietal, com forte presença de pirazina (pimento padron sobretudo), muita especiaria, cacau, um lado balsâmico, fruta madura intensa - enfim um nariz super complexo. Na boca, apresenta um equilibrio notável, com taninos firmes mas redondos, bom volume de boca, barrica bem integrada, boa acidez e um final longo, nunca se fazendo pesar os seus 14,5 graus de álcool. Um vinho altamente apelativo e muito vibrante, sobretudo nesta fase. Ligou perfeitamente com uma picanha. PVP 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Em Prova: Sabicos Tinto 2018

A Casa de Sabicos situa-se em Montoito, na sub-região Alentejana de Reguengos. As castas utilizadas são as tradicionais na família e nos vinhos Alentejanos. O projecto contempla 3 marcas - Casa de Sabicos (Reserva, Touriga Nacional / Syrah e Syrah / Aragonez); Joaquim Madeira - Branco e Tinto e finalmente o Avó Sabica Tinto que apenas é lançado em anos excepcionais (2004, 2011 e 2013). E agora, o novíssimo entrada de gama Sabicos Tinto 2018, a peça que faltava no portfolio da Casa de Sabicos e que tivemos oportunidade de provar.

Trata-se de um vinho produzido das castas Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah, vindimadas à noite e com posterior estágio de 6 meses em madeira. Com ADN tipicamente alentejano, apresenta um aroma a frutos vermelhos e notas especiadas. Na boca, como é apanágio da casa, é um vinho fresco, de taninos redondos e muito equilibrado, com final de boa persistência. Um vinho para a mesa, bem gastronómico e que por uns extraordinários 6,5€ nunca é chato, posicionando-se numa das melhores rqp da região, dentro do seu segmento. 

Sérgio Lopes

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Em Prova: Os Reserva da Quinta dos Avidagos

A Quinta dos Avidagos é o quartel general do produtor Duriense que explora quatro quintas com vinhas, localizadas num raio de 5 quilómetros da Régua, pertencentes à família Nunes de Matos, das quais a mais antiga é a Quinta da Varanda adquirida em 1695, sendo uma das mais antigas da região. É na Quinta dos Avidagos que se encontra a "Casa da Quinta", os armazéns para as alfaias e tractores, a adega e os armazéns do envelhecimento dos vinhos de mesa e do Vinho do Porto. São diversas as referências no mercado, sendo que tivemos oportunidade de provar com mais detalhe os reserva branco, rosé e tinto. A enologia encontra-se a cargo de Rui Cunha.
O Quinta dos Avidagos Reserva Branco 2018, aqui na sua terceira ediçãotem passagem parcial por madeira e nesta fase sente-se um pouco desse lado "abaunilhado", que é propositado. Um branco cremoso qb na boca, com notas florais e uma pitada de fruta, boa frescura e um equilibrio que faz deste vinho bem afinado e versátil a mesa. PVP 10€
O Quinta dos Avidagos Reserva Rosé 2017, apenas na sua segunda edição apresenta fruta vermelha fresca no nariz, alguma groselha e leve vegetal. Na boca. apesar de seco e com boa acidez, termina com sensação de sucrosidade, sobretudo se o bebermos demasiado fresco. Aumentando a temperatura, ganha volume e vai para um lado um pouco mais sério e vegetal, bem mais do meu agrado. PVP: 10€.

Finalmente, o Quinta dos Avidagos Reserva Tinto 2017 (10€), claramente o meu favorito e uns degraus acima do tinto e branco reserva. Potente, com fruta deliciosa do Douro e bastante fresco. A dar muito mais do que podemos esperar para um vinho deste preço. Para assistir ao video da prova deste vinho, abaixo:


Sérgio Costa Lopes

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Radar do Vinho: Dona Matilde

A Quinta Dona Matilde chegou à família Barros pelas mãos de Manoel Moreira de Barros, em 1927.  Em 2006, a família Barros vendeu o grupo Porto Barros e, com ele, a quinta Dona Matilde. O neto do fundador, Manuel Ângelo Barros, sentiu que 30 anos de trabalho na região deixam raízes e procurou vinhas no Douro para comprar. Quis o acaso – e a intuição da mulher de Manuel Ângelo – que a Quinta Dona Matilde acabasse por regressar às mãos da família, no final de 2006. Localizada na margem norte do rio Douro, entre a Régua e o Pinhão, a quinta possui 28 hectares de vinha, instalada entre as cotas 50 e 300 metros e com grande frente de rio. Tem vinhas velhas tradicionais do Douro, com idades entre 60 e 80 anos, e plantações mais recentes, com cerca de 20 anos. Para alem dos vinhos de mesa que descrevemos abaixo, produz também, naturalmente, Vinho do Porto. 
O Fartote Tinto 2018 é o entrada de gama da casa, um vinho com um rótulo muito giro e que se traduz num tinto super equilibrado, leve, versátil e gastronómico, representando uma porta de entrada para o que vem aí em termos de perfil transversal da marca - elegância, pouca extracção e vinhos feitos para a mesa. 5€
O Dona Matilde Branco feito de Arinto, Viosinho, Rabigato e Gouveio não passa por madeira. A edição de 2018 mostra um perfil fresco, leve, de corpo médio e muito consensual, com apenas 12,5 graus de álcool. A mais recente edição no mercado, a de 2019, reflexo de um ano mais seco, apresenta já 14 graus de álcool, o que muda um pouco o perfil do vinho, apresentando-se no nariz, com notas florais e alguma fruta tropical nesta fase. Na boca, mostra-se untuoso, com bom volume de boca, sempre amparado por excelente acidez, que lhe confere imensa frescura. Um branco de 2019 mais gordo que o 2018, também mais versátil a mesa para acompanhar pratos mais elaborados. 9€
O Dona Matilde Tinto 2017 é um excelente exemplar do Douro até 10€, sem extracção, mantendo uma matriz de elegância, amparado na fruta tão tipica do Douro. Gostei bastante. 9€.
O Dona Matilde Reserva Branco 2018 fermenta e estagia em barricas de madeira de 300 litros. É uma delicia, pouco alccol, madeira super bem integrada, muito fino e delicado, mas com uma acutilante acidez e um final longo que permite grandes voos a mesa. 22,90€.
O Dona Matilde Reserva Tinto 2015 produzido a partir das castas tradicionais Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Amarela e vinificado em lagares de granito. Estagia 18 meses em barricas novas de carvalho francês. É um vinho com um aroma intenso e complexo a frutos maduros vermelhos, algum balsâmico e especiaria. Na boca tem bom volume, taninos firmes, mas muito elegantes, seco e complexo, resultando num final de boca longo e intenso. Muito bom. 19,90€

Para o final, um vinho fora da caixa, produto da vinha mais velha da casa, com mais de 70 anos, a Vinha dos Calços Largos, um vinho sem qualquer passagem por madeira, ou seja, "unoaked" , um excelente vinho, Dona Matilde Vinha dos Calços Largos Unoaked 2017 (28€), que resulta na expressão da fruta deliciosa do Douro, cujo video de prova completo, pode ser visualizado abaixo:


Dona Matilde, um projecto de inegável qualidade, na região Duriense.

Sérgio Costa Lopes

sábado, 9 de maio de 2020

Em Prova: Casa do Capitão-Mor Reserva Maceração Alvarinho 2018

O Casa do Capitão-Mor Reserva Maceração Alvarinho 2018 é um vinho proveniente da sub-região de Monção e Melgaço. Feito 100% de Alvarinho, de uma vinha com mais de 30 anos de idade, de solos graníticos, de calhau rolado. Está uma delícia, cheio de frescura e complexidade nesta fase. No nariz, com notas citrinas e leve tropical e muita pederneira (mineralidade). Na boca, mostra-se  seco, tem bom volume, untuosidade e um final longo e muito apetecível. Uma das melhores edições deste vinho, na minha opinião! PVP: 13€.

Video prova abaixo:

Perdão pela má qualidade de imagem - foi o primeiro video. O vinho merecia mais, pois esse tem MUITA qualidade!

Sérgio Costa Lopes

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Novidade: Grande Rocim Reserva Branco 2018

Lançamento da primeira edição do Grande Rocim, versão branco. (O tinto existe há alguns anos e é o resultado da melhor casta tinta daquele ano - normalmente tem sido Alicante Bouschet) Trata-se do topo de gama da Herdade do Rocim (que apenas sairá em anos especiais), nesta estreia é proveniente de uma vinha de Arinto com 20 anos de idade. Viticultura cuidada, fermentação em cubas de cimento com posterior estágio em barricas de carvalho francês, por 16 meses. As 3 melhores barricas seleccionadas resultaram num branco cheio de detalhe, precisão e finura, com a casta a mostrar toda a frescura característica. Um branco maravilhoso e complexo do qual foram produzidas apenas 2000 garrafas, com um PVP recomendado de 65€ e cuja descrição completa pode ser visualizada no video abaixo:



Sérgio Costa Lopes

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Radar do Vinho: Casas Altas

José Madeira Afonso nasceu em Coimbra, mas desde cedo se enamorou por Souropires, perto de Pinhel, onde passava longas temporadas em casa da avó materna. Médico de profissão, as viagens lá fora permitiram o convívio com grandes connaisseurs, que provavam e estudavam tudo o que de melhor se fazia no mundo. Em 1990 surge assim o projecto Casas Altas, com 15 ha de vinhas dispersas por várias parcelas, entre as quais a quinta de Vale Ruivo com 10 ha de vinha com mais de 100 anos. As castas dominantes são a Rufete, Touriga Nacional, Tinta Roriz nas tintas; Síria, Fonte Cal, Verdelho e Arinto, nas brancas. Mas também e fruto da paixão do produtor pelos vinhos brancos da Borgonha e alemães, há duas pequenas parcelas com as castas Chardonnay e Riesling, resultado das tais viagens e experiências vividas. Um dos projectos mais consistentes e excitantes da Beira Interior que é obrigatório conhecer!
Os Quinta Vale do Ruivo Vinhas Velhas são produto da vinha que lhes dá o nome, portanto um field blend de uma vinha bastante antiga que produz um branco mineral, seco, fresco, com elevada tensão e pendor gastronómico. Um excelente branco que evolui de forma muitíssimo nobre em garrafa e é vê-lo a vencer concursos com 4 a 5 anos de garrafa em cima...!  O tinto apresenta o calor da Beira Interior, com bom volume de boca e aptidão para a mesa, mostrando-se contudo elegante e com boa acidez. Apesar de não tão brilhante como o branco, é uma excelente referência para a região. Ambos custam cerca de 8,90€.
Entrando nos monocastas e deixando o Rufete para o final, o Casas Altas Touriga Nacional 2017 mostra claramente a casta com notas de frutos vermelhos e pretos bem evidentes. A boca tem volume, apesar da matriz de elegância, terminando longo e para a mesa. PVP: 10,90€.
O Casas Altas Verdelho Reserva do Doutor 2017 deve o seu nome por ser um dos vinhos preferidos do Doutor José Afonso. Muito mineral, resulta num vinho com uma acidez acutilante, com notas de macã ácida e citrinos, enorme frescura, tensão, incisivo e de final crocante. Uma delicia. PVP: 14€
O Casas Altas Riesling 2017 apresenta os pergaminhos desta casta de amor-ódio com algumas notas petroladas e citrinas, algo delicado, seco e de corpo médio, com final longo. Seguramente um dos melhores exemplares nacionais da casta Riesling, PVP: 10€.

Finalmente, em terra de grandes brancos, não podia de deixar de destacar também a casta tinta rainha da região, o Rufete, aqui num vinho que se bebe copo após copo, sem cansar. Convido, assim a assistir ao video da prova do Casas Altas Rufete 2017 (10€), abaixo:


Casas Altas, um projecto obrigatório na Beira Interior!

Sérgio Costa Lopes