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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Em Prova: Quinta Vale D'Aldeia Reserva Tinto 2015

A Quinta Vale D’Aldeia tem cerca de 200 hectares – sendo 120ha de vinha, 40ha de olival e 10ha de amendoal, na freguesia de Longroiva, na Meda, e a produção atual ronda os 700 a 800 mil litros. 

O portfolio é vasto e assenta na premissa de vinhos de qualidade, provenientes de um Douro Superior, de vinhas de altitude. Enologia a cargo do meu amigo José Eduardo Conceição.

O Quinta Vale D'Aldeia Reserva Tinto 2015 é feito de 50% Touriga Nacional, 20% Touriga Franca, 20% Sousão, 5% Tinta Roriz e 5% Tinta Amarela, com posterior estágio de 14 meses em barricas de carvalho francês de 400L (2º ano). 

Esse estágio em barricas usadas resulta num vinho equilibrado, com nariz de fruta vermelha jovem e fresca e notas especiadas. A boca apresenta corpo médio, taninos redondos, elegante, com boa acidez e final de boca longo. 

Um reserva extremamente bem conseguido que se augura uma belíssima evolução em garrafa. PVP: 17,5€. Garrafeiras.


Sérgio Lopes

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Em Prova: Gerações de Xisto Branco 2018

Proveniente do Douro Superior, mais propriamente de Muxagat, Gerações do Douro é o resultado da união e vontade de duas familias, que por amor à sua terra, produzem azeite e vinho. O Gerações de Xisto Branco 2018 (13,95€) é produzido 90% de Rabigato com uma pitada de Arinto e resulta num branco fresco, frutado e com uma boca seca e com belíssima acidez como é apanágio da casta Rabigato. Um branco que brilhou à mesa com um linguadinho grelhado. Para assistir à prova completa, em video, deste vinho, abaixo:



Sérgio Costa Lopes

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Em Prova: Muxagat Tinta Francisca 2016

Proveniente da Meda, Douro Superior, acompanho o produtor Muxagat há vários anos. Produtor de brancos extraordinários - minerais, brilha também nos tintos, sobretudo nos monovarietais - Tinta Barroca e Tinta Francisca, vinhos elegantes e de corpo médio, mas muito sabor, resultado da visão conjunta da produtora Susana Martins e do talentoso enólogo Luis Seabra. O Muxagat Tinta Francisca 2016 (22€) é um vinho que simultaneamente mostra aquele lado típico e algo rústico de um douro com pisa a pé e posterior estágio de 20 meses em cuba de cimento, com uma elegância suprema e uma fruta que imediatamente associamos à região. Um vinho extraordinariamente fresco e que mostra um perfil de classe e finesse pouco visto na região Para assistir ao video da prova do vinho, abaixo:



Sérgio Costa Lopes

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Em Prova: Os Reserva da Quinta dos Avidagos

A Quinta dos Avidagos é o quartel general do produtor Duriense que explora quatro quintas com vinhas, localizadas num raio de 5 quilómetros da Régua, pertencentes à família Nunes de Matos, das quais a mais antiga é a Quinta da Varanda adquirida em 1695, sendo uma das mais antigas da região. É na Quinta dos Avidagos que se encontra a "Casa da Quinta", os armazéns para as alfaias e tractores, a adega e os armazéns do envelhecimento dos vinhos de mesa e do Vinho do Porto. São diversas as referências no mercado, sendo que tivemos oportunidade de provar com mais detalhe os reserva branco, rosé e tinto. A enologia encontra-se a cargo de Rui Cunha.
O Quinta dos Avidagos Reserva Branco 2018, aqui na sua terceira ediçãotem passagem parcial por madeira e nesta fase sente-se um pouco desse lado "abaunilhado", que é propositado. Um branco cremoso qb na boca, com notas florais e uma pitada de fruta, boa frescura e um equilibrio que faz deste vinho bem afinado e versátil a mesa. PVP 10€
O Quinta dos Avidagos Reserva Rosé 2017, apenas na sua segunda edição apresenta fruta vermelha fresca no nariz, alguma groselha e leve vegetal. Na boca. apesar de seco e com boa acidez, termina com sensação de sucrosidade, sobretudo se o bebermos demasiado fresco. Aumentando a temperatura, ganha volume e vai para um lado um pouco mais sério e vegetal, bem mais do meu agrado. PVP: 10€.

Finalmente, o Quinta dos Avidagos Reserva Tinto 2017 (10€), claramente o meu favorito e uns degraus acima do tinto e branco reserva. Potente, com fruta deliciosa do Douro e bastante fresco. A dar muito mais do que podemos esperar para um vinho deste preço. Para assistir ao video da prova deste vinho, abaixo:


Sérgio Costa Lopes

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Radar do Vinho: Dona Matilde

A Quinta Dona Matilde chegou à família Barros pelas mãos de Manoel Moreira de Barros, em 1927.  Em 2006, a família Barros vendeu o grupo Porto Barros e, com ele, a quinta Dona Matilde. O neto do fundador, Manuel Ângelo Barros, sentiu que 30 anos de trabalho na região deixam raízes e procurou vinhas no Douro para comprar. Quis o acaso – e a intuição da mulher de Manuel Ângelo – que a Quinta Dona Matilde acabasse por regressar às mãos da família, no final de 2006. Localizada na margem norte do rio Douro, entre a Régua e o Pinhão, a quinta possui 28 hectares de vinha, instalada entre as cotas 50 e 300 metros e com grande frente de rio. Tem vinhas velhas tradicionais do Douro, com idades entre 60 e 80 anos, e plantações mais recentes, com cerca de 20 anos. Para alem dos vinhos de mesa que descrevemos abaixo, produz também, naturalmente, Vinho do Porto. 
O Fartote Tinto 2018 é o entrada de gama da casa, um vinho com um rótulo muito giro e que se traduz num tinto super equilibrado, leve, versátil e gastronómico, representando uma porta de entrada para o que vem aí em termos de perfil transversal da marca - elegância, pouca extracção e vinhos feitos para a mesa. 5€
O Dona Matilde Branco feito de Arinto, Viosinho, Rabigato e Gouveio não passa por madeira. A edição de 2018 mostra um perfil fresco, leve, de corpo médio e muito consensual, com apenas 12,5 graus de álcool. A mais recente edição no mercado, a de 2019, reflexo de um ano mais seco, apresenta já 14 graus de álcool, o que muda um pouco o perfil do vinho, apresentando-se no nariz, com notas florais e alguma fruta tropical nesta fase. Na boca, mostra-se untuoso, com bom volume de boca, sempre amparado por excelente acidez, que lhe confere imensa frescura. Um branco de 2019 mais gordo que o 2018, também mais versátil a mesa para acompanhar pratos mais elaborados. 9€
O Dona Matilde Tinto 2017 é um excelente exemplar do Douro até 10€, sem extracção, mantendo uma matriz de elegância, amparado na fruta tão tipica do Douro. Gostei bastante. 9€.
O Dona Matilde Reserva Branco 2018 fermenta e estagia em barricas de madeira de 300 litros. É uma delicia, pouco alccol, madeira super bem integrada, muito fino e delicado, mas com uma acutilante acidez e um final longo que permite grandes voos a mesa. 22,90€.
O Dona Matilde Reserva Tinto 2015 produzido a partir das castas tradicionais Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Amarela e vinificado em lagares de granito. Estagia 18 meses em barricas novas de carvalho francês. É um vinho com um aroma intenso e complexo a frutos maduros vermelhos, algum balsâmico e especiaria. Na boca tem bom volume, taninos firmes, mas muito elegantes, seco e complexo, resultando num final de boca longo e intenso. Muito bom. 19,90€

Para o final, um vinho fora da caixa, produto da vinha mais velha da casa, com mais de 70 anos, a Vinha dos Calços Largos, um vinho sem qualquer passagem por madeira, ou seja, "unoaked" , um excelente vinho, Dona Matilde Vinha dos Calços Largos Unoaked 2017 (28€), que resulta na expressão da fruta deliciosa do Douro, cujo video de prova completo, pode ser visualizado abaixo:


Dona Matilde, um projecto de inegável qualidade, na região Duriense.

Sérgio Costa Lopes

sábado, 18 de abril de 2020

Em Prova: Mãos Signature Rodolfo Miranda

Projecto duriense de cariz totalmente familiar, em que 4 irmãos que encabeçam o projecto, decidiram dar continuidade ao legado do seu pai, que produzia vinho maioritariamente para consumo próprio, criando assim uma empresa produtora de vinhos, na região Duriense. São eles Roberto, Ricardo, Rafael e Rudolfo, com o primeiro nome começado por "R", daí o nome adoptado de R4 Vinhos. Os 4 IRMÃOS deram as MÃOS em prole da continuidade e expansão do projecto familiar e assim naturalmente nasceram as marcas Irmãos e Mãos, em analogia ao trabalho laborioso dos vinhedos à garrafa, ao conceito que norteia a constituição da empresa familiar e de mãos dadas rumo ao futuro e à excelência. Este Signature, da autoria do "mano" Rodolfo Miranda é um branco de 2015, feito de Cerceal da Bairrada, plantado no Douro na década de 90. Um branco untuoso e cheio de garra (19,90€), para assistir à prova completa, no video a seguir:

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Em Prova: Cinetica Branco 2017

O enólogo Henrique Cizeron viajou e trabalhou em várias regiões, incluindo por exemplo a Nova Zelândia, onde ainda produz a marca Toroa. Mas hoje falo-vos sobre a marca Cinetica, vinhos do Douro produzidos há algum tempo e que são lançados, supostamente, quando estão num bom momento. Em breve a marca sairá do Douro para os verdes, mas isso fica para uma outra publicação. O Cinetica Branco 2017 é proveniente de vinhas velhas, de altitude, fermentando e estagiando em barrica de carvalho francês. Um branco gordo, untuoso e cheio de frescura. PVP:13€: Garrafeiras.

Para ver a descrição completa em video abaixo:



Sérgio Costa Lopes

sexta-feira, 27 de março de 2020

Em Prova: Gradual Tinto 2015

Um dos vinhos que mais gozo me dá a beber é o duriense Gradual, proveniente da Quinta da Costa do Pinhão. Na sua segunda edição, o Gradual 2015 mantém a composição de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. Já não o provava há algum tempo, parecendo-me nesta fase com um pouco mais de estrutura do que o 2014 e também um pouco mais longo, talvez reflexo do ano? De resto, mantém a característica de elegância e easy drinking que tanto gozo me dá. Com meio corpo, taninos redondos, mas firmes, um vinho elegante, com boa cidez,  amplitude e profundidade, apesar da sua aparente facilidade de prova. O decanter até parecia estar furado... PVP 12.90€. Garrafeiras.

Aqui fica a apreciação do vinho em video:



Sérgio Lopes

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Radar do Vinho: Alta Pontuação

Alta Pontuação é um projecto de Jorge Coutinho, maioritariamente com vinhos do Douro e também com um vinho produzido na região de Trás-os-Montes. A quinta que dá corpo a este projecto data do ano de 1876 e tem cerca de 5.5 ha. Sendo uma área reduzida, não permite a produção de grandes quantidades, embora a qualidade esteja já comprovada. A quinta situa-se na freguesia de Celeirós do Douro, concelho de Sabrosa, com altitudes compreendidas entre os 385 e os 450 m, com encostas expostas, na sua maioria, a nascente e a sul. A vinha é composta por parcelas de vinha velha com mais de 50 anos e mais de 20 castas, e uma área que foi reestruturada, com 9 anos de idade. Provamos as mais recentes colheitas no mercado.
O Alta Pontuação é um vinho equilibrado, com taninos polidos e que dá muito prazer à mesa. Um verdadeiro best value, altamente gastronómico (14€). O Alta Pontuação Touriga Nacional já é um pouco mais complexo, com taninos mais ásperos, que escondem um pouco a casta nesta fase, mas mostra-se muito elegante e guloso, desde já. (17€)
Para o final os dois vinhos que mais gostei. Por um lado o Galelo (18€), vinho feito por Jorge Coutinho na região de Trás-os-Montes, capaz de juntar a potência e volume de boca, com uma grande frescura e alguma rusticidade, o que dá muito gozo a beber. Mesmo típico da região. Gostei particularmente. Finalmente, o Alta Potuação Vinhas Velhas 2018 (20€), acabadinho de chegar ao mercado. Super jovem, mas a mostrar todo o potencial das vinhas velhas, complexo, com pouca extracção, fresco e de final longo a precisar de tempo em garrafa para abrir um pouco mais. 

Um projecto a acompanhar.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Radar do Vinho: Quinta do Couquinho

A Quinta do Couquinho está localizada em Torre de Moncorvo, sub-região do Douro Superior. São 70 hectares entre olival, mato e vinha, vinha essa plantada em socalcos, com as castas autóctones da região.  A produção anual da quinta é de aproximadamente 100.000 litros de vinho (pouco mais do que 130.000 garrafas - vinho de mesa e Porto) e 15.000 litros de azeite. A enologia está a cargo da dupla João Brito e Cunha (Quinta de S.José) / Victor Rabaçal (Quinta da Bulfata). Provamos os seguintes três vinhos:

O Couquinho Superior Branco 2018, resulta de um lote que integra cerca de 40% de Vinhas Velhas, com predominância de Rabigato, 40% de Viosinho e 20% de Gouveio. 20% do lote fermentou parcialmente em barricas de Carvalho Francês. Trata-se de um vinho que apesar de vir de uma região quente surpreende pela sua frescura. Notas florais e cítricas e um bom volume de boca, com boa acidez, contribuem para um branco bastante interessante, perfeito para comidas mais leves. PVP: 12€.

O Quinta do Couquinho Colheita Tinto 2016 tem na sua origem Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (45%) e Sousão (5%), com estágio de 12 meses em barrica. Um tinto que mostra de onde vem, com fruta vermelha evidente e uma boca com taninos firmes mas com elegância, traduzindo-se num tinto bem equilibrado e competente. PVP: 12€. 

Finalmente, o Quinta do Couquinho Reserva Tinto 2016, com 60% do lote proveniente de vinhas velhas e estágio em barrica de Carvalho. Um vinho complexo, profundo e potente, com taninos maduros. Carnudo, sem no entanto perder a frescura.. Bom volume de boca, com a fruta combinada ainda com presença da madeira, num tinto claramente para a mesa e que precisa de tempo e atenção a degustar. PVP: 25€.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Em Prova: Espumante Vértice Gouveio Bruto 2011

Este espumante é elaborado rigorosamente de acordo com o método clássico, a partir de uma selecção de uvas da casta Gouveio, plantadas nas encostas frescas e elevadas do Cima Corgo, sub-região do Douro. O Vértice Gouveio Bruto 2011 é um espumante que deve ao tempo a sua complexidade, passando por um estágio em garrafa de 60 meses no mínimo– uma exigência do produtor, Celso Pereira. A mais recente edição no mercado, de 2011, o degorgement foi efetuado em Janeiro de 2019, como mencionado de forma bem visível na parte traseira da garrafa (o que se saúda!). Estagiou, por isso, em garrafa, 8 anos (96 meses) antes de ser colocado no mercado!

O resultado é um espumante de classe mundial, brilhante em todos os sentidos. Com uma mousse super envolvente e uma bolha fina, mas explosiva. A minha mulher descrevia a bolha de forma visual como "as ondas que batem nas rochas e fazem abundante espuma branca". Parece-me uma analogia perfeita. A boca é de facto muito complexa com alguma panificação, citrinos em abundância e muita muita frescura, terminando bem longo, com uma tensão enorme. Delicioso! PVP: 25€

Sérgio Lopes

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Radar do Vinho: Cinetica

O enólogo Henrique Cizeron viajou e trabalhou em várias regiões, incluindo por exemplo a Nova Zelândia, onde ainda produz a marca Toroa. Mas hoje falo-vos sobre a marca Cinetica, vinhos do Douro produzidos há algum tempo e que são lançados, supostamente, quando estão num bom momento. Em breve a marca sairá do Douro para os verdes, mas isso fica para uma outra publicação. 

Cinetica Douro Tinto unoaked 2013, composto pelo trio habitual Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, oriundas do vale do Rio Pinhão. Fermentou em lagar e passou para cuba de inox após maceração mais ou menos longa, mas sem remontagens ou pisa "abusiva". Sem qualquer passagem por madeira, permaneceu quase três anos em cuba de inox. O resultado é vinho puro e fresco, sem maquilhagens, com taninos suaves e fruta arredondada e que dá muito gozo. Para se beber de uma forma simples e agradável, mas não simplista. PVP: 11€
Cinetica Douro Branco 2016, fermentado em barrica, oriundo de cepas com 90 anos. Trata-se de um branco com untuosidade, no qual a madeira se sobrepõe ainda um pouco à fruta, sobretudo o lado especiado. É contudo leve (apenas 12,5 graus de álcool), de corpo médio e final agradável, sem ser muito longo. PVP: 11€
Cinetica Douro Tinto Reserva 2012, o vinho que mais gostei do projeto. Vinhas velhas, algum engaço e estágio prolongado em barrica de 2 anos. Engarrafado sem colagem nem filtração e seguiu-se estágio de quase 5 anos até ser lançado agora. Um grande tinto, concentrado mas sem ser em demasia, com estrutura mas elegante, boa acidez, com taninos firmes mas sem chatear e final longo e gastronómico, sempre com boa fruta em primeiro plano. Provavelmente irá ainda crescer mais em garrafa, mas está num excelente momento de consumo. Muito bem. PVP: 16€

Sérgio Lopes

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Em Prova: Trilho em pormenor Tinto 2016

Tenho o prazer de acompanhar o projeto do Pedro Coelho praticamente desde o inicio. Ainda me lembro quando o conheci, numa pequena feira de vinhos no Porto, num piso inferior para os lados do Bolhão. Gostei imediatamente do projeto - diferenciador para a região, e fico muito feliz em vê-lo chegar a um patamar de consistência de qualidade, que culmina com este magnifico vinho tinto, topo de gama, dos melhores vinhos que provei este ano - Trilho em Pormenor Tinto 2016. Desfazendo o nome TRILHO temos a explicação do vinho: TRILHO TRIO TRI. Assim, o nome indica que, seguindo um TRILHO (caminho) feito por um TRIO (os 3 sócios deste projeto) em 3 vinhas, fermentadas em TRI (3 ) tipos de fermentações diferentes. Uvas provenientes de vinhas muito velhas (+80 anos), com predominância de Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca. Duas das vinhas, plantadas no planalto de Alijó a 700mts de altitude e a terceira de uma vinha perto de S. João da Pesqueira. Vinho vinificado com leveduras indígenas, seguindo a linha Pormenor. Fermentação com 80% de engaço, maceração leve e pouco extrativa durante 8 semanas.

Apesar dos seus 24 meses de estágio em barricas e pipas usadas de Carvalho Francês de 225lts e 500lts, a madeira não se sente, apenas aportando complexidade a um conjunto tenso, mas com uma elegância suprema. Bom tanino, Fruta vermelha muito boa, boca muito fresca, com uma acidez salivante e álcool moderado, que torna o vinho delicioso e sumarento, gole após gole. 

Um vinho atual, de futuro, elaborado com premissas dos antepassados Durienses. Que seguramente irá envelhecer bem em garrafa. Cerca de 600 garrafas produzidas. PVP: 40€. Garrafeiras Selecionadas.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Radar do Vinho: Quinta da Bulfata

A Quinta da Bulfata é um projeto agrícola pertencente à Família Rabaçal, com uma área total de 35ha e situa-se na pequena Aldeia de Pinhal do Douro, no Concelho de Carrazeda de Ansiães. Na sua vasta amplitude de Altitude, que varia entre os 300 e os 600 metros, possui solos Xistosos, de transição entre granito e Xisto e ainda solos Arenosos (esta última desanexada das restantes). Com a Viticultura e a Enologia a cargo de Victor Rabaçal, a quinta possui hoje 10ha de vinha. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Barroca, Fernão Pires, Rabigato, Gouveio, Viosinho e Alvarinho perfazem o leque de castas plantadas e cada uma está localizada consoante o tipo de solo, altitude e exposição solar. Provamos as três referências atualmente no mercado.

O Quinta da Bulfata Tinto 2015 é um vinho feito de Touriga Nacional e Touriga Franca com estágio parcial em barricas usadas e uma parte em aduelas de longa extração, o que lhe confere um lado mais "doce" no conjunto, tornando-o mais comercial e uma porta de entrada para o projeto. PVP: 8€.
O Quinta da Bulfata Reserva Branco 2015 é feito com Gouveio, Viosinho e Alvarinho. Não é normal um branco duriense no mercado ser de 2015, quando estamos pleno final de 2019, o que se saúda. O resultado é vinho fora do comum com algumas notas oxidativas, mas muita frescura e aptidão gastronómica. Fruta citrina, notas herbáceas e alguma mineralidade, conplementadas com uma excelente acidez, fazem deste vinho uma pérola escondida da região. Gostei muito.  PVP: 14,55€
Finalmente, também de 2015, o Quinta da Bulfata Reserva Touriga Nacional. Aqui estamos na presença de um vinho que tenta expressar a casta no Douro Superior, no sub-terroir de Carrazeda de Ansiães. Apresenta bonitas notas florais, de violeta tão características da Touriga Nacional e alguma especiaria. Na boca apresenta taninos sedosos e envolventes, com bom volume de boca e a madeira a conferir ao conjunto um certo lado guloso que vai muito bem à mesa com a nossa gastronomia portuguesa. Porreiro. PVP:19,5€

Vinhos muito interessantes, a descobrir no fabuloso terroir do Douro Superior.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Radar do Vinho: Morvalley

A Quinta da Capela, localizada em Marvão, Loureiro, Peso da Régua, está na família Monteiro Pinto há mais de 70 anos. José Carlos Pinto, 4ª geração, decidiu avançar com o projeto de vinhos nos últimos 20 anos. São 10 hectares de vinha sob a marca MorValley, com enologia  do próprio José Carlos Pinto, com a colaboração do enólogo Luís Rodrigues. 

A marca Vallis Dulcis é a gama de entrada do projeto. São vinhos que não sofrem qualquer estágio em barrica e cujas uvas são provenientes também de produtores criteriosamente selecionados. São vinhos muito frescos e com uma enorme facilidade de prova, todos eles, pautando-se por uma excelente relação qualidade preço. Valem bem a pena, a um PVP recomendado de 7,5€ cada. 
O Morvalley Reserva Branco 2017 foi provavelmente o meu preferido de todos os vinhos provados, com belas notas florais e citrinas, num fundo de barrica bem integrada a dar complexidade ao conjunto e alguma untuosidade de boca. Um branco bem gastronómico, para quem gostar de um perfil com um pouquinho de madeira, sem aborrecer. O Morvalley Reserva Tinto 2015, segue a mesma receita do branco, com um pouquinho de madeira a amparar a fruta vermelha bem característica Duriense. Boca com taninos macios e uma boa acidez a conferir aptidão para a mesa. Ambos os reserva a um PVP Recomendado de 9,5€. 
O Morvalley Touriga Nacional 2015 foi provavelmente o meu preferido dos tintos provados. Mostrou-se bastante complexo, cheio de fruta madura, algumas notas florais e um lado balsãmico, muito porreiro. Na boca é denso e com taninos vivos, de novo, optimo para a mesa. PVP 17,5€. 
Finalmente, os Grande Reserva. O Morvalley Grande Reserva Branco 2017 estagia 9 meses em barrica de carvalho francês. É um branco muito delicado, amanteigado e cremoso, num perfil onde a madeira nesta fase está ainda um pouco a sobrepor-se , apesar da boa acidez que equilibra o conjunto. Um belo branco duriense. O MOrvalley Grande Reserva Tinto 2015 estagia 11 meses em barricas de carvalho francês e americano. Não sou propriamente fã do Carvalho americano que marca sempre um pouco o vinho., tornando-o mais "doce", o que é caso, Contudo é um tinto muito complexo, com fruta, especiarias e algum abaunilhado que precisa de comida para brilhar. Um tinto focado um pouco na madeira que beneficiará de mais uns anos em garrafa provavelmente. PVP: 37,95€

Em suma, um projecto em ascensão com vinhos muito apelativos. Na minha opinião pessoal, apenas moderava um pouco mas o uso da madeira, sobretudo nos Grande Reserva. Mas é apenas a minha opinião pessoal...

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Sérgio Lopes

sábado, 23 de novembro de 2019

Em Prova: Ensemble Tinto 2015

Vinho produzido no Douro Superior com 85% de Sousão e 15% de vinhas velhas, sendo o projecto pessoal de dois enólogos, Victor Rabaçal (Quinta do Couquinho / Quinta da Bulfata) e Pedro Ribeiro (Quinta da Terrincha).

Chama-se Ensemble e é de 2015. 

Fruta vermelha e preta carnuda no nariz a denunciar imediatamente de onde vem, com notas especiadas e da madeira ainda um bocadinho evidentes. A boca é potente, atirando-nos de imediato para o Douro Superior. Contudo há frescura a equilibrar o conjunto Os taninos são firmes, a conferir tensão ao vinho. Termina longo e muito gastronómico.

Um vinho que precisa de mais tempo de garrafa, mas que à mesa dá já um enorme prazer.

Acompanhou uma carne grelhada maturada de forma muito competente.

PVP:30€

Sérgio Lopes

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Em Prova: os Tintos da Quinta da Gricha

A Churchill´s foi fundada em 1981 por John Graham, representando a 5ª geração da sua família a fazer vinho no Douro. Foi a primeira empresa de vinho do Porto a ser fundada em mais de 50 anos e mantém-se atualmente como um produtor familiar e independente. Dedicada inicialmente só aos vinhos do Porto, desde a aquisição da Quinta da Gricha em 1999, a Churchill’s também produz vinhos DOC Douro, além de vinhos do Porto e tranquilos de qualidade premium unicamente desta propriedade.

De uvas exclusivas da Quinta da Gricha, são produzidos três vinhos tintos: o Gricha 2017 é feito através de um lagar robótico e pretende preservar os aromas primários das uvas, promovendo uma menor extração. O resultado é um vinho cheio de fruta fresca - bonita, com destaque para mirtilos e ameixa. Bem perfumado - apetece logo provar. A boca apresenta a madeira bem integrada, corpo médio, notas minerais, bom volume e final vibrante e texturado. Elegante e seco, num registo de menor corpo, mas muito sabor. PVP: 30€. O Quinta da Gricha Touriga Nacional Talhão 8 é produzido exclusivamente de uvas plantadas de Touriga Nacional no talhão 8, no ano 2000. Trata-se de um excelente exemplar da casta, com um nariz muito floral, cheio de violeta e algumas notas especiadas. Tudo num registo limpo e fresco, de grande finesse. Na boca apresenta-se sedoso e envolvente, com taninos suaves, terminando longo e com grande tensão. Um belo exemplar da casta no Douro. PVP: 40€. Finalmente, o Quinta da Gricha 2017 é vinificado em lagar, de forma tradicional, sendo essa a principal diferença para o Gricha. Trata-se de um vinho que precisa de tempo em garrafa, mas que já mostra todos os atributos de um grande vinho: Complexidade aromática, com notas especiadas, florais e de fruta vermelha e preta. Na boca, mostra-se denso e carnudo, mas sempre num registo de elegância de conjunto. Termina longo e muito tenso, focado numa fruta deliciosamente apetitosa. Adorei. PVP: 55€.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Da Minha Cave: Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015

Os vinhos Mirabilis nascem na vindima de 2011 no “Atelier do Vinho”, uma pequena adega com capacidade para 17.800 litros. “No ‘Atelier do Vinho’ a produção é 100% manual e vinificamos pequenas parcelas e subparcelas da quinta que se mostram excecionais, ensaiando diferentes sistemas de maceração e maturação, com o objetivo de alcançar vinhos de detalhe, com uma filosofia de interpretação territorial e com uma profundidade única e fora de série” Por Luisa Amorim.

De facto a descrição acima assenta que nem uma luva ao perfil do Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015, provado e claro, bebido com enorme prazer no restaurante Vilamar. Trata-se realmente de um vinho repleto de classe, com aroma muito fino, centrado na fruta duriense, mas muito delicado e profundo. A boca é de uma elegância suprema, com a barrica super integrada nesta fase, taninos macios e muita frescura e um final longuíssimo. Daqueles vinhos cheios de precisão, mas com intensidade, acidez e textura no ponto. Que grande vinho, que dá grande prazer a beber já, mas vai ainda melhorar com o tempo em garrafa! PVP:90€

Sérgio Lopes

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Novidade: Retrovisor Tinto 2017

Carolina GRAVIna e Paulo TrinDADE são os rostos por trás do projeto Gravidade, cujo tinto com o mesmo nome tem sido muito falado entre a comunidade enófila. O Retrovisor 2017 é o novíssimo vinho, lançado pelo casal, feito de vinhas velhas com mais de 80 anos, junto ao Rio Douro. De aroma muito complexo, com destaque para fruta preta e vermelha, especiarias e chocolate, mas tudo num registo fino e contido. Na boca apresenta-se muito fresco, com taninos firmes mas elegantes, mostrando-se aveludado e surpreendentemente muito mineral. Termina longo e sumarento. Um vinhas velhas muito interessante, que apenas se tem de ter algum cuidado quando sobe a temperatura, pois os seus 14,5 levam-no-no para um lado mais apelativo e comercial e menos mineral. 1333 garrafas a um PVP de 19,95€, disponível nas melhores garrafeiras do país- 

Sérgio Lopes

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Em Prova: Pacheca Grande Reserva Branco 2017

Num jantar recente em Lisboa tive o privilégio de provar este vinho, trazido por um dos comensais. 

Trata-se do vinho branco topo de gama do produtor duriense Quinta da Pacheca, Pacheca Grande Reserva Branco 2017, produzido de Viosinho e Rabigato a 350 metros de altitude, de uma vinha com quase 60 anos.

Fermenta em barricas novas de carvalho francês e estagia sobre borras finas por 12 meses.

Nariz complexo, com madeira de enorme qualidade, ainda assim discreta, apesar de se notar nesta fase. Notas citrinas muito giras a acompanhar e leve especiaria. Boca untuosa, mas com frescura para lhe conferir uma leveza de conjunto muito interessante. Termina atrativo e longo, mas a precisar de tempo de garrafa. A acompanhar a sua evolução nos próximos anos.

Ao beber este vinho, surgiu de imediato à memória, outros brancos Durienses, do mesmo estilo, provados recentemente, como o Quinta da Sequeira Grande Reserva, Extrema Edição I ou o Soulmate, por exemplo. Vinhos onde a madeira está em primeiro plano, mas de alguma forma discreta, num estilo untuoso e apelativo que tem os seus adeptos. Eu procuro por este preço mais nervo e tensão, mas admito que estamos na presença de um belíssimo vinho, neste registo. PVP: 30€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes