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terça-feira, 2 de junho de 2020

Fora do Baralho: Conde de Anadia Branco 2018

O Palácio dos Condes de Anadia é uma propriedade histórica na cidade de Mangualde pertencente a família Paes do Amaral. Dos 10 hectares de vinha, as uvas brancas são as que existem em menor quantidade. A solução encontrada pelo talentoso enólogo Luis Leocádio (Quinta do Cardo, Titan.,Quinta da Cuca) passou por fazer um branco de... Touriga Nacional. Temos portanto um branco feito de uvas tintas, neste Conde de Anadia 2018. De cor acobreada, o vinho tem um aroma muito giro, com algumas notas citrinas, florais e vegetais. Na boca, é fresco, com bom volume (até com uma ligeira sensação de tanino), descomplicado e com um final refrescante. Confesso não ser fá de blanc des noirs, excepto em espumantes. mas este vinho resulta muito bem, sendo claramente tema de conversa dado o seu perfil fora da caixa na região no Dão. PVP: 8€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Fora do Baralho: Arundel Petit Tinto 2012

Joaquim Arnaud é sinonimo de um Alentejo diferente. Situado em Pavia, produz vinhos secos, frescos, com base num Alicante Bouschet muito particular, lançando os seus vinhos para o mercado, mais tarde, quando considera estarem prontos para o perfil de consumo que pretende. O Arundel Petit Tinto 2012 mostra-nos um misto de um vinho ainda com fruta bem patente, mas também com alguns aromas terciários, num registo de elgância e muita complexidade. Um vinho que custa a volta de 12€ - uma pechincha, que ligou muito bem com umas bochechas de porco estufadas e cujo video completo da prova, pode ser assistido, abaixo:



Sérgio Costa Lopes

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Fora do Baralho: Vinha da Ordem Peregrino Tinto 2018

O Vinho da Ordem Peregrino, resulta da vontade de manter vivas algumas das mais antigas vinhas que se encontrem na proximidade da Vinha da Ordem e por conseguinte tenham uma elevada representatividade de castas antigas. Assim sendo ao produzir este vinho com as mesmas técnicas que o Vinho da Ordem, pretende-se dar a conhecer o vasto património vitícola e ao mesmo tempo ajudar a preservar estas vinhas. Nasceu assim este peregrino de uma vinha monocasta Jaen com mais de 63 anos de idade e que este ano se apresenta como colheita Vinho da Ordem Tinto, Peregrino 2018.

Peregrino pois tal como o Peregrino, caminha. Neste caso de vinha em vinha, com a missão de não a deixar morrer. Tal como os peregrinos, este é um conceito itinerante, que vai de vinha em vinha, à distancia de uma pequena caminhada. Que ano após anos visita algumas das mais antigas vinhas e que num trabalho conjunto, tenta que estas pequenas vinhas possam continuar vivas e sã.

Com pouquíssima intervenção e sem passagem por madeira, é um vinho puro, com fruta vermelha e um lado vegetal vincado que lhe confere muita frescura. Elegante, com taninos firmes, mas totalmente domados, bom volume de boca e final longo a pedir novo copo, fazem, deste vinho, uma delícia. São apenas 399 garrafas vendidas em exclusivo na Garrafeira Campo de Ourique, a partir de Março deste ano. PVP: 27€

Sérgio Lopes

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Fora do Baralho: Quinta de Sanjoanne Espumante Grande Reserva Brut Nature 2011

Este foi o espumante que acompanhou a passagem de ano para 2020. Blend de Avesso e Arinto, oriundo de Amarante, com 4 anos de estágio em cubas de inox mais 4 anos em garrafa, com o degorgement a ser efetuado apenas em Setembro de 2019. Trata-se de um espumante que é a "cara" do produtor, ou seja, super fresco, extremamente seco e com uma acidez acutilante. A bolha é fina e o espumante é muito elegante e complexo, com uma mousse boa, com cremosidade (preferia um pouquinho mais). Para mim, é claramente um espumante para a mesa, para acompanhar a refeição, dada a sua acidez e frescura minhota. Fora do baralho para a região, mas totalmente em linha com aquilo que o produtor nos tem habituado! PVP: 27€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Fora do Baralho: Indígena Tinto 2018

Repito-me constantemente ao elogiar a qualidade e consistência em cada referência que a Herdade do Rocim lança para o mercado. E este vinho não foge a essa batuta. Chama-se Indígena e é o primeiro vinho biológico produzido no Rocim. 100% Alicante Bouschet, com fermentação em depósitos de cimento e posterior estágio nos mesmos por 9 meses. Um vinho desconcertante, que apesar dos seus 14 graus de álcool apresenta uma enorme frescura e concentração. Fruta preta e notas mentoladas fazem com que apeteça beber, sem cansar. Muito atraente e com uma acidez invulgar, que se aplaude. Que bela surpresa. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 30 de novembro de 2019

Fora do Baralho: Serra Oca Castelão 2018

A Quinta do Olival da Murta é um projeto de natureza familiar, que vai na sua quarta geração. Situada na Estremadura, a 80 Km da cidade de Lisboa, possui terrenos de grande influencia Atlântica e um micro clima da vertente norte da Serra de Montejunto, caracterizado pela grande amplitude térmica. Pertence à Sub região de Óbidos.

Para além dos famosos brancos de curtimenta que produz, este ano lançou um novo vinho tinto, o Serra Oca Castelão 2018. Como seria de esperar é um vinho "fora da caixa", desde logo apresentando uma vertente desta casta com pouca extração a começar pela cor pouco carregada. Depois, é claramente "bio" no primeiro impacto olfativo, com notas evidentes de redução no nariz e a fazer lembrar o lagar. Na boca é surpreendentemente fresco e fácil de beber, de corpo médio, com uma acidez acutilante e apenas 12,5 graus de alcool, para acompanhar pratos não muito fortes, ou condimentados mas leves, ou simplesmente a conversar entre amigos. Um vinho muito diferente e que seguramente não será para todos os gostos. Cerca de 1220 garrafas produzidas.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Fora do Baralho: Vinhos Antítese

Os vinhos Antítese são um projecto pessoal de dois amigos enólogos, que decidiram juntar duas castas aparentemente difíceis de resultar em blend, daí a designação "antítese". São eles Ricardo Santos - Malo Tojo (Setúbal) / Mestre Daniel (Vinho de talha no Alentejo) e Gilberto Marques (Quinta de Pancas). Existem duas referências atualmente no mercado ambas de 2016, ambas com alguma estrutura, com barrica e um ano em garrafa e vinificadas pelos dois amigos. O Antítese Pinot Grigio / Arinto é de uvas provenientes da Quinta do Carneiro (Alenquer) e mostra-se um vinho fresco, equilibrado, com um aroma muito sui-generis, provavelmente do Pinot Grigio, com notas de pêssego e mel, apoiado pela acidez de um Arinto que segura o conjunto. O Antítese Fernão Pires / Chardonnay, é feito com uvas provenientes da Quinta de Catralvos (Setúbal). É um vinho com madeira mais notória e também um pouco mais de álcool, o que o torna mais volumoso e menos fresco que o anterior, ou seja um branco de perfil mais maduro. Duas curiosidades do mundo do vinho, fruto da amizade destes dois enólogos, ainda disponíveis para quem quiser provar. PVP : 6€. Disponibilidade Reduzida.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Fora do Baralho: Vinho da Ordem

A Aldeia de Valhelhas situa-se no coração da Região da Beira Interior e do Parque Natural da Serra da Estrela e é o berço da Vinha da Ordem, num escondido vale na margem esquerda do Rio Zêzere. Os monges de várias ordens religiosas aqui produziram vinho, ao longo dos séculos, desde a fundação de Portugal, justificando o nome por que é conhecida a “Vinha da Ordem” que deu origem a um vinho peculiar, um clarete (ou rosado), que foi o grande mote para este projecto peculiar, entretanto adicionando um tinto e um branco de curtimenta. Todos os vinhos têm uma intervenção minimalista e a utilização mínima de sulfuroso, sendo por isso, o mais naturais possivel. A vinha é centenária e resulta numa mistura de castas tão diversificadas – brancas, tintas e rosadas, precoces e tardias, temporãs e serôdias, de onde se destacam as mais conhecidas: rufete, folgosão rosado, síria, fonte cal, baga....entre outras. A enologia encontra-se a cargo do professor Virgilio Loureiro, que muito tem contribuido para a identificação das castas presentes na vinha muito antiga.

O Vinho da Ordem era feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”.
O Vinha da Ordem Rosado foi o vinho que Pedro Jeronimo, o homem por trás do projecto me sugeriu provar primeiro e que nas suas palavras "melhor faz jus ao projecto". Totalmente de acordo. Trata-se de um desconcertante clarete feito com uvas de cepas centenárias com 50% Tintas (Rufete, Marufo) e as restantes Brancas (Síria, Fonte Cal) e Rosadas (Folgosão Rosado). A cor do vinho é vermelho (como feito no tempo dos templários - Sangue de Cristo) No nariz apresenta fruta vermelha fresca, com destaque para a cereja e a romã. Na boca é sedoso, fresco e envolvente, com alguma rusticidade, mas uma facilidade de prova e um sabor delicioso que é impossivel não se gostar! . Um vinho diferente, original, invulgar. Viciante. Produzidas apenas 1200 garrafas.


O Vinho da Ordem Tinto segue a mesma linha do rosado, ou seja, intervenção minimalista e pouquíssima adição de sulfuroso. Feito a partir da tal mistura de castas tintas do antigamente, tais como Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco, entre outras. Na linha do Rosado é um vinho de aroma moderado, com uma fruta muito bonita e um caracter mineral, A boca apresenta taninos macios, mas firmes e envolventes. A acidez que contém confere-lhe uma tensão muito interessante que o faz brilhar à mesa. Um tinto muito elegante e sui-generis com uma boca muito fresca e com pouca extracção, mas com um lado rústico que lhe confere essa diferenciação acentuada. Adorei também. 700 garrafas produzidas. 

O Vinho da Ordem Branco é um "orange wine", como se pode ver pela sua cor, ou seja, um branco de curtimenta. As uvas brancas fermentam 7 dias em lagar aberto apenas com movimentação manual duas vezes ao dia com um rodo, das massas do topo para o fundo, para permitir controlo de temperatura e alguma oxigenação - daí a cor laranja. É um vinho também ele original, onde predomina por um lado a laranja cristalizada e algum fruto seco ao primeiro impacto. A boca é poderosa, com grande volume e algum "peso" devido ao ano quente, mas não quer dizer com isso que o vinho não seja fresco. Um branco para apreciar com calma e se provar pela sua diferenciação. Um belo orange wine. menos de 600 garrafas produzidas.


Os vinhos encontram-se à venda em garrafeiras seleccionadas (Garrafeira Nacional, Wines 9297,  Garrafeira Campo de Ourique, entre outras) a um PVP de 19€.


Um projecto dos mais desconcertantes que conheci recentemente. O facto de serem quase vinhos naturais permite apreciá-los ainda melhor!


Sérgio Lopes

terça-feira, 21 de maio de 2019

Fora do Baralho: Monte Meão Vinha da Cantina Tinto 2016

Da memorável visita efetuada à Quinta do Vale Meão, onde o vinho com o mesmo nome é já uma referencia mundial no que um grande tinto do Douro é capaz de oferecer - tantas camadas de complexidade, num registo de homenagem pela história da região, no entanto, há também espaço no Vale Meão para a experimentação e modernidade. 

É o caso dos Monte Meão, ensaios, de Touriga Nacional, ou Tinta Roriz, ou por exemplo e especificamente neste Vinha da Cantina, 100% feito da casta... Baga, casta que imediatamente asssociamos à Bairrada. 

No Douro, penso que são pioneiros aa utilização da Baga e confesso que o primeiro ensaio que provei deste vinho, o da edição de 2014, não me agradou por aí além. 

Ora em 2016, esta segunda edição deixou-me positivamente impressionado. Adorei!

O registo é de um vinho leve na cor e na estrutura, com apenas 12,5º de alcool, pouca extracção, fresco, elegante, com acidez, mas MUITO sabor. Simplesmente, não cansa!

Uma baga de estilo borgonhês que me apaixonou imediatamente e da qual se produziram apenas 1500 garrafas...

PVP:25€. Garrafeiras.


Sérgio Lopes

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Fora do Baralho: Gradual Marufo Tinto 2015

A Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios,  é um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. É precisamente o vinho Gradual de 2014 que tenho bebido com frequência e que comentei AQUI

Desta feita, falo-vos de uma novidade totalmente fora da caixa, nomedamente o Gradual Marufo 2015, um tinto feito com a casta Mourisco, que o IVDP chama agora de Marufo. Trata-se de uma experiência com uma casta que todos rejeitam na região, para fazer vinho, uma vez que é uma das castas recomendadas para Porto e está presente nas vinhas velhas. O mourisco fermentou com cacho inteiro, teve pisa a pé e estagiou 8 meses numa barrica de 500 litros usada. Foi por isso um ensaio - uma experiência de apenas uma barrica que necessitou de 2 anos para ser aprovado como Douro Doc. O primeiro Mourisco tinto com selo. 

O resultado é um vinho desconcertante a começar desde logo pela cor, a parecer um rosa escuro  acastanhado (?). O aroma é de fruta fresca e muita profundidade. A boca é elegante, leve mas com taninos redondos, de corpo médio, acidez vibrante e muito sabor. Um vinho que se bebe com enorme prazer, num registo elegante e com pouco alcool, como é apanágio na casa, com uma leveza desconcertante, mas sério e com complexidade suficiente para se tornar viciante, copo após copo! PVP: 15€. Disponibilidade muito reduzida.

PS: Rótulo provisório. Mas o vinho é tão bom que merece definitivamente este preview.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Fora do Baralho: Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017

Numa altura em que o Alentejo parece querer recuperar a tradição milenar do vinho da talha, destaco este exemplar, o Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017. Apesar de eu não ter provado muitos vinhos de talha, sobretudo brancos, e apesar da polémica sobre o que é realmente uma talha (com ou sem tratamento de impermeabilização), confesso que este vinho chamou-me a atenção no jantar da gala da revista Grandes Escolhas, onde foi prémio de excelência e onde tive a oportunidade de o provar à mesa e adore. Feito de Verdelho, Viosinho e Alvarinho, é pisado a pé em lagar de pedra, com o seu engaço, apenas com leveduras indigenas (como se de um tinto se tratasse), com posterior estágio de 9 meses em talhas de barro de 140 litros. Talhas essas, fruto da colaboração com uma universidade francesa para criar pequenas ânforas de apenas 140 litros, feitas de argila de sua própria propriedade, especialmente projetadas para serem usadas sem forro, permitindo taxas semelhantes de micro-oxigenação como as barrricas novas de carvalho francês. O resultado é um vinho desconcertante. De cor ambar, fruto da "curtimenta", apresenta um aroma profundo mas subtil, com notas de pedra molhada, alguma fruta cristalizada, mas tudo num registo de contenção e muita complexidade. A boca é de taninos finos, com estrutura, fresca e muita texturada. Termina austero qb, com muita tensão e um final longo e ceroso. Um vinho com delicadeza, apesar da curtimenta e do estágio em talha. Acompanhou em dois momentos um cozido à portuguesa e um anho assado na brasa, de forma brilhante. Sempre a uma temperatura a rondar os 14 grausa para tirar o máxiumo partifdo da sua estrutura e complexidade. Um digno representante de um topo de gama - branco, do... Alentejo, para apreciar vagarosamente! PVP: 35€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 29 de março de 2019

Fora do Baralho: Quinta Olival da Murta (Serra Oca)

A Quinta do Olival da Murta é um projecto de natureza familiar, que vai na sua quarta geração. Situada na Estremadura, a 80 Km da cidade de Lisboa, possui terrenos de grande influencia Altlântica e um micro clima da vertente norte da Serra de Montejunto, caracterizado pela grande amplitude térmica. Pertence à Sub região de Óbidos, uma das nove denominações de origem da “Região de Vinhos Lisboa”, que se caracteriza por vinhos tintos aromáticos, ricos em tanino e com grande capacidade de envelhecer em garrafa, e uma grande diversidade de brancos frescos e equilibrados. O projecto contempla um tinto e dois brancos, ambos muito originais, quer nas castas utilizadas, quer no método de produção, com recurso a alguma "curtimenta".
O Serra Oca Tinto (13€) é um vinho composto por Aragonez, Touriga Nacional e Castelão, com fermentação em lagar e passagem por madeira, por 18 meses. Há duas edições no mercado, atualmente, 2014 e 2015, sendo que preferi esta última, onde achei a madeira um pouco menos presente (embora não se sinta em demasia no 2014). São ambos tintos suaves, frescos e fáceis de beber, bem ao estilo da região de Lisboa. As grandes joias da coroa, na minha opinião, são os brancos, ambos de curtimenta e por isso, originais. O Serra Oca Branco 2017 (12,5€) é composto por Arinto (50%), Fernão Pires(45%) e Moscatel Graúdo (5%), fermentadas em separado em lagar com leveduras espontâneas. O Arinto e Fernão Pires com maceração pelicular e fermentação em barrica. Moscatel com curtimenta completa (estilo orange wine). Parte do lote estagia em barricas usadas de carvalho francês e restante parte do lote com estágio em inox. O resultado é um vinho mineral, com notas de laranja cristalizada e algum fruto seco. A boca é austera, com uma secura impressionante e uma acidez que marca este estilo de vinhos "orange", terminando intenso. Um vinho realmente original e "duro". Mais original ainda e o meu preferido de todos, o Serra Oca Moscatel Graúdo 2017 (12,5€), um branco de curtimenta completa, de uma casta também pouco usual. O aroma é muito complexo, com notas florais, fruta exuberante e toques melados. Tudo muito fresco. No entanto, a boca é algo mais contida de intensidade - elegante, mas a acidez lancinante que apresenta, fá-lo brilhar. Quase que parece um vinho que ameaça ser "bonito"  e exuberante pelo nariz, mas que na boca "arrasa" pela sua acidez. Apenas 12,5º de alcool e 600 garrafas produzidas, num ensaio que tem tudo para continuar. Mesmo "sui-generis".

Serra Oca (onde se diz que se ouve o mar)

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de março de 2019

Fora do Baralho: D. Graça Samarrinho Branco 2016

Dona Graça é uma marca de vinhos do produtor Vinilourenço, projecto situado do Douro Superior, mais propriamente na Meda. Com enologia do professor Virgilio Loureiro o projecto tem um portfolio vasto de referências, apostando em também apresentar o que cada casta pode aportar em termos de identidade aos vinhos produzidos. É assim no D. Graça Viosinho ou no D. Graça Rabigato, por exemplo, brancos que são escolha frequente cá em casa e que demonstram bem o terroir da Meda - com muita frescura e mineralidade. 

O D. Graça Samarrinho Branco 2016 é um branco que pretende homenagear uma uva branca do antigamente e que embora pouco conhecida e trabalhada hoje em dia produziu aqui um vinho que de facto é diferenciador. Um vinho de aroma contido mas muito mineral e com algum perfume suave. Boca cheia de acidez, sensação de lousa molhada, muito texturado e crocante. Termina muito fresco, cítrico, longo e de enorme aptidão gastronómica. Um branco de altitude, seco e com muito "nervo". mesmo ao nosso gosto. Apenas 900 garrafas produzidas! PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Fora do Baralho: Vulpes Vulpes Branco 2016

A adega Entre os Ríos localiza-se em Pobra do Caramiñal, nas encostas da península de Barbanza, no lado norte da Ria de Arosa, no centro geográfico das Rías Baixas. A filosofia é do máximo respeito pela paisagem e natureza, evitando o uso de tratamentos desnecessários, tais como herbicidas ou inseticidas. Também apenas são utilizadas leveduras indigenas, para preservar a autenticidade de cada ano de colheita. É por isso uma vitucultura totalmente natural e biológica, onde a influência do solo rochoso da peninsula de Barbanza, o clima e a enorme proximidade com o mar, marcam significativamente o perfil dos vinhos. 

Apesar do Albariño ser a casta dominante, nos vinhos produzidos por José Crusat, provamos um vinho produzido da uva 100% Raposo (também conhecidas por Blanco Legítimo ou Albarín) chamado Vulpes Vulpes. 

Quando abri a garrafa cheirava um pouco a enxofre, pois é  um vinho que para além de produzido em modo natural, apresenta um perfil reduzido. Confesso que guardei a garrafa do meio-dia para a noite. À noite o vinho abriu, perdendo aquele toque a enxofre, mas mantendo uma acidez desconcertante e um lado salino que pede comida, seguramente. Então apareceram notas florais, leve balsamico, canela, mas sempre com o lado "bio" a fazer-se sentir. Na boca, muito seco, cheio de garra e muito "fora do baralho". Um belíssimo vinho que se estranha no inicio e depois... entranha-se. Temos claro de estar "in the mood for it"...! PVP: 12,50€. Disponibilidade: V'Idi.

Sérgio Lopes

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Fora do Baralho: Czar

Se há vinho totalmente distinto e peculiar é o vinho Czar da Ilha do Pico - Açores. Após a revolução Russa em 1917, foi encontrado vinho licoroso da ilha do Pico nas caves do palácio do último Czar, Nicolau II. Este vinho era embarcado em barricas na ilha do Pico e enviado propositadamente pelos Czares para os seus banquetes reais. 

Chegou a constar de receitas médicas como cura para certos males e até Tolstoi o menciona no seu livro “Guerra e Paz”. Daí se ter considerado que o nome mais apropriado para este vinho seria “Czar”. As vinhas onde é produzido o CZAR, são centenárias e localizam-se na zona dos lajidos da Criação Velha, da ilha do Pico.

Por se tratar de um vinho totalmente natural, sem adição de qualquer tipo de álcool, açúcar ou leveduras, a sua composição varia de acordo com o grau de maturação e as condições climatéricas incertas de cada ano, podendo aparecer como seco, meio seco, meio doce ou doce. É um vinho que naturalmente atinge 18% de graduação, e às vezes mais. 

Essa virtude, deve-se às características peculiares das uvas de que é feito, ao tipo de solo vulcânico e à vindima tardia, ajudando na sobre maturação das uvas. Em alguns anos simplesmente não aparece, por não atingir a qualidade necessária para ser chamado Czar. 


As castas utilizadas são o verdelho, o arinto dos Açores e o terrantez. Nos anos em que saiu Czar, até 2008 eram mencionadas as castas (nem sempre todas faziam parte do lote), sendo que a partir de 2008, passa a designar-se "superior". O 2011 é "private collection". Fizemos uma prova vertical dos vinhos Czar no evento Enóphilo no Porto (2009, 2008, 2006, 2003, 2002, 2000), podendo comprovar que se tratam de vinhos muito secos (apesar do açúcar presente), devido à elevada acidez e que aguentam muito bem a passagem do tempo. Reforço que não são vinhos aguardentados como os Porto ou Madeira, por exemplo, mas sim fortificados mais próximos de um colheita tardia. A colheita mais recente no mercado é a de 2011 e pode ser encontrada nas melhores garrafeiras, com um PVP a rondar os 50€. Está muitíssimo equilibrada, entre doçura e acidez, cheia de nervo, muito iodo e salinidade, sendo um vinho "perigoso" a beber e muito versátil. Czar - uma verdadeira curiosidade no mundo vínico. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes

sábado, 6 de outubro de 2018

Fora do baralho: Alberto Nanclares Albariño 2015

Mais um Albariño que conheci, graças ao meu amigo André Antunes. Mas não é um Albariño qualquer... Impressionou-me pela elevada acidez, estrema salinidade e muita complexidade e frescura. 

Trata-se de um vinho, das Rias Baixas, proveniente de vinhedos de Val de Salnes, de vinhas com idades entre os 30 a 40 anos. A proximidade com o mar e a intervenção minimalista tornam este vinho realmente sui-generis. Confesso, que às cegas não o identificaria como Albariño sobretudo, por se tratar de um vinho tão vivo e com tanta frescura e salinidade (elevada mesmo) que não é propriamente para todos os gostos. 

A passagem de 9 meses em barrica usada, com battonage constante ainda contribui mais para lhe dar complexidade e muito gozo, a beber copo após copo. 

Fiquei mesmo fã. Muito mineral e salgado! Totalmente fora do baralho! PVP: 15€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Fora do Baralho: Sem Mal 2017

Novo vinho lançado por João Camizão, cujo projeto Sem Igual é já uma das novas referências na região dos Vinhos Verdes. Com este vinho, Camizão procura a experimentação e quase como um agitar a região com o seu "Sem Mal". Sem Mal é uma abreviatura de Sem Málico, pois neste vinho o ácido málico que é transformado em ácido lático, por via da fermentação Malolatica, desenrola-se na garrafa, com o gás a surgir assim naturalmente dessa fermentação. (Não há adição de CO2). Acresce o facto de os niveis de sulfuroso acrescentados serem muito reduzidos. No fundo,  Camizão tenta replicar provavelmente como o Vinho Verde seria feito antigamente (na década de 70) com o gás a surgir naturalmente e sem filtração e minima intervenção.

O resultado: Vinho de aspeto turvo, devido a não ser filtrado. Muito leve no nariz, com notas de panificação quase que a lembrar um espumante. A boca tem leve gás, uma espécie de "mousse" crocante e uma belíssima acidez como é apanágio dos vinhos do produtor. De corpo médio, o final não é muito longo, mas é seco e com um alcool a rondar os 11º, o nectar desaparece num instante.

Não será um vinho para toda a gente, mas também são apenas 333 garrafas de um "branco de antigamente"...! Leve, seco e fresco. PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Fora do Baralho: Anselmo Mendes Tempo 2015

Anselmo Mendes, o Sr. Alvarinho, eterno experimentalista da casta Alvarinho, fez este vinho, com uma vinificação muito especial, a partir de uma vinha com mais de 15 anos e de baixa produção, com níveis elevados de acidez e boa maturação.

É um vinho feito à antiga com curtimenta total, com mais cor e mais taninos. Explicando de uma forma mais simples, a fermentação total ocorre com as peliculas (casca da uva) o que não é usual. Acresce ainda que parte dessa fermentação ocorre com o cacho inteiro não desengaçado por várias semanas - curtimenta total. No final, efetua um estágio de 6 meses em barricas usadas de 400 litros de carvalho francês com bâttonage regular.

O resultado é uma espécie de "orange wine", com cor dourada, com um nariz onde sobressaem as notas citrinas, com predominância da casca de laranja carmelizada e até algum fruto seco. È extremamente complexo no aroma. A boca é volumosa, potente, com alguns "taninos", apoiados por uma acidez forte e vincada. Enche a boca por completo. Termina muito, muito longo, complexo e de enorme persistência. 

Um branco de enorme potência e que acompanha qualquer comida, forte. Totalmente fora do baralho, mas absolutamente delicioso! PVP: 60€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 14 de março de 2018

Fora do Baralho: Bajardão Reserva Branco 2013


Proveniente de Sabrosa, nas margens do Rio Pinhão chega um vinho "fora do baralho", a começar pelo nome - Bajardão e pelo rótulo, ambos disruptivos. Em termos de vinificação, é produzido com uvas das tipicas castas durienses Viosinho, Rabigato, Gouveio e Malvasia Fina, fermenta sobre borras, com batonage e estagia em barricas novas de Carvalho Francês, durante 12 meses. Depois, seguem-se mais 12 meses de estágio de garrafa antes de ser comercializado. 

Neste momento, com 4 anos de idade apresenta uma cor palha e mostra um nariz extremamente mineral, floral com boa evolução, com complexidade. Na boca surpreende pela enorme acidez, que lhe confere frescura e mostra também um lado untuoso muito interessante. Com apenas 12,5º de alcool, termina longo e persistente. Um vinho cuja acidez e diferença entre nariz e boca não é para todos os palatos, mas que se traduz num vinho muito interessante de descobrir, situando-se fora do registo habitual na região do Douro. PVP: 13€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fora do baralho: Post-Quercus Baga 2015


Post-Quercus significa, “depois do carvalho” e é um vinho de Filipa Pato, produzido da casta Baga, em modo biodinâmico e cuja fermentação e estágio acontece em ânforas de barro.  Segundo Filipa Pato, defensora do mínimo de intervenção possivel nos vinhos, isto é, "sem maquilhagem", se a Bairrada é terra de solos argilo-calcários, nada melhor do que colocá-la em contacto com ânforas de  barro de 300 litros. O resultado é um vinho onde a baga aparece bem amaciada, mais delicada, focada na fruta fresca e com uma boca mais suculenta, onde se vai bebendo copo após copo, com muito prazer. Um vinho que se bebe "sem dar conta", com bom volume de boca, final persistente e totalmente fora da caixa, no que à baga diz respeito. E à região. Apresentado em garrafas de meio litro e 1 litro. PVP: 10,90€ (garrafas de meio litro). Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes