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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

BARÃO RODRIGUES EDIÇÃO LIMITADA BAGA 2020

Vinho produzido na @herdade_do_menir pela dupla @diogowinemaker / @fabio.wines.pt

É um monocasta Baga (casta rainha da Bairrada), plantada no Alentejo em solos de xisto e em encosta. Fermenta e estagia em cuba de cimento.

É de facto um tinto bastante original.

Pouco extraído, o que se nota logo na cor, descola-se imediatamente do típico tinto alentejano. Nariz povoado de fruta fresca - cereja, framboesa, mas também ervas do tipo aromáticas. Muito giro. Na boca, o corpo é médio, os taninos redondos e continua com boa fruta. Termina de bom comprimento e muito agradavel.

Difícil às cegas apontar para Baga e muito menos para o Alentejo, exceto no final de boca onde evidencia um pouco mais o calor do Terroir.

Boa estreia e parabéns pelo lançamento de um vinho com diferenciação. Pvp 16eur.


Sérgio Costa Lopes

terça-feira, 14 de setembro de 2021

SEM IGUAL TINTO 2019

Mais uma estreia, o primeiro tinto Sem Igual.

Touriga Nacional e Baga em partes iguais, temperadas com 10% de vinhão para dar mais cor ao conjunto e um pouco mais de estrutura.

Resulta num tinto imensamente fresco, cheio de fruta fresca vermelha e com grande bebilidade. Seco, apenas com passagem por inox para destacar a fruta e a leveza, tem corpo final de média intensidade mas dá grande gozo a beber de forma descomprometida.

Para quem afirma não gostar de tintos, aposto que vai gostar deste. 1000 garrafas produzidas a um Pvp de 12,5eur.

Contrarotulo.blogspot.com
Facebook.com/contrarotulo
@semigual100

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Em Prova: Sem Igual Espumante Pet Nat Rosado 2019

 

O casal João Camizao e Leila estão por trás do projecto 100 Igual, localizado em Meinedo - Lousada, a apenas 40 minutos do Porto. Vinhos secos, muito frescos e gastronómicos que precisam de tempo em garrafa.
O Sem Igual Espumante Pet Nat Rosado 2019 é produto das castas Touriga Nacional e... Baga! Das vinhas mais novas. O resultado um vinho desconcertante. A cor é de um laranja claro, turvo no copo, uma vez que este tipo de vinho não tem filtração (nem adição de sulfuroso). Nariz com explosão de frescura e notas leves perfumadas de fruta vermelha (morango/framboesa) e pedra molhada. Na boca é fresco, seco, com bolha presente mas nada agressiva nesta fase, terminando com uma acidez deliciosa que nos faz querer beber mais um copo.
Um vinho altamente versátil à mesa, que pode acompanhar entradas, pratos leves e até sobremesas.
Numa altura em que começam a sair para o mercado os pet nat 2020, impressiona a forma magnífica em que este 2019 se apresenta. Uma primeira edição de sucesso. Pvp 18eur

facebook.com/contrarotulo

Sérgio Costa Lopes

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Em Prova: Prior Lucas Espumante Baga@Bairrada Bruto Rosé 2017

Rui Lucas, actualmente ao leme do projecto Prior Lucas dá continuidade à tradição familiar do seu bisavô - José Francisco Prior, pequeno agricultor da freguesia de Souselas, que cultivava a vinha e que no seu tempo vendia todo o seu Vinho nas tabernas boémias da academia de Coimbra, bem como de seu pai, José Prior Lucas, que foi cultivando as parcelas que eram do seu avô, produzindo vinho que partilhava à mesa com a família e os amigos. Hoje o desafio é o de manter a pequena produção, entre vinha antiga e vinha nova, reagrupando os cerca de 5ha divididos por 7 parcelas onde se preserva a identidade e o carácter das castas tradicionais como a Baga, Maria-Gomes e Bical, acrescentado um toque de modernidade com a Tinta-Roriz, Syrah, Merlot e Chardonnay.

O Prior Lucas Espumante Baga@Bairrada Rosé 2017 foi o meu preferido dos quatro vinhos provados. Um espumante com bolha suave, mousse envolvente, bom corpo e muita frescura, com uma acidez capaz de lhe conferir uma enorme versatilidade à mesa. Um espumante com um lado algo vinoso, capaz de acompanhar uma refeição de inicio ao fim, inclusive ombrear, sem qualquer problemas com o Leitão à Bairrada. Ou como welcome drink, ou até sobremesas. Adorei. 10,50€.

Ver o video completo abaixo:


Prova dos restantes vinhos Prior Lucas, AQUI.

Sérgio Costa Lopes

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Em Prova: Drink Me Nat Cool Bairrada Tinto 2017

Nat Cool, naturalmente “cool and funky”, é um conceito inovador criado pela Niepoort, um movimento de união entre diversos produtores com o objectivo de criar vinhos leves e fáceis de beber. 

Na Bairrada foi criado o DrinkMe, o primeiro NatCool, com o objetivo de mostrar um lado diferente e elegante da casta Baga, mais fácil e direto.

Proveniente de vinhas velhas, passa apenas por Inox.

Leve na cor, o Drink Me Nat Cool Tinto 2017, 2ª edição desta referência,  apresenta-se levemente frutado e floral e sobretudo muito fresco ao primeiro impacto.

A Baga está lá com a fruta vermelha, algumas notas calcárias e um tanino civilizado, que lhe dá uma boca macia, mas muito interessante.

Ainda que num perfil fresco, direto e até sedutor, tem estrutura qb para aguentar alguns pratos, sobretudo entradas, deixando-se beber com muita facilidade, inclusivé a solo, convidando sempre a mais um copo.

Vendido em garrafas de 1 litro e servido ligeiramente fresco, foi a companhia idela para as entradas e pizza do restaurante Vila Mar. E o vinho entre os convivas, desapareceu por completo, com sucesso.  Naturalmente (cool). PVP:11,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Radar do Vinho: Novas collheitas do vinho Giz

Com um passado ligado à bioquímica, Luís Gomes decidiu dar novo rumo à sua vida, para se dedicar a uma das suas grandes paixões - o vinho. Após o MBA em gestão e marketing seguiu-se o mestrado em Viticultura e Enologia no Instituto Superior de Agronomia, que lhe permitiu desenvolver competências nas áreas da concepção, planeamento e gestão das melhores práticas vitícolas e enológicas, em função dos vinhos que idealiza e recria. Nasce assim o projeto a solo, em solo de natureza calcária, fazendo lembrar Giz! 

Trata-se de um projeto muito recente, que assenta na recuperação de vinhas velhas centenárias, repletas de castas autóctones, onde predominam a Baga e a Maria Gomes. Os vinhedos estão plantados em solos pobres de natureza calcária e proporcionam a construção de vinhos únicos e inconfundíveis que vão na sua quarta edição. O nome Giz, é muito feliz, pois tem tudo a ver com esse lado calcário presente e o projeto é altamente moderno em termos de imagem e com um perfil de vinhos com muita elegância e finesse. Provamos há poucos dias as novas colheitas e adoramos!


Giz Vinhas Velhas Branco 2017 - Maria Gomes e Bical | 1800 garrafas. Vinho com nariz muito complexo, cheio de mineralidade e com um toque citrino e floral. Mantém o perfil de contenção aromática, ainda que se mostre mais exuberante que a edição anterior, de 2016.  Na boca, a passagem em parte por madeira americana usada conferiu-lhe um lado mais untuoso, em contraponto com o 2016, que era mais tenso e crocante. De corpo médio, é fresco, com madeira bem integrada e final muito apelativo. Vai crescer em garrafa e será um sucesso garantidamente. Gastronómico! PVP: 19€

Giz Vinhas Velhas Tinto 2016 -  Baga | 3600 garrafas | Um upgrade na minha opinião em relação à edição anteriot. Muito complexo, entre notas de frutas silvestres, especiarias, tabaco, calcário, cheio de frescura e intensidade. Na boca, taninos elegantes, mas sem deixar de ter alguma opulência. Um Baga a meio caminho entre a tradição e a modernidade (?), com adstrigência qb e que vai evoluir brilhantemente em garrafa. Muito equilibrado entre nariz e boca. PVP: 19€

Giz Vinha das Cavaleiras Tinto 2016 - Baga | 1400 garrafas. Produzido de uma vinha centenária, muito velha, a Vinha das Cavaleiras de apenas 2 hectares. Aroma ultra fino, muito complexo, contido, com laivos de calcário, fruta, especiaria, tudo com grande classe. Na boca, muito sedoso e envolvente, quase mastigável, com enorme elegância. Corpo médio, enorme acidez e frescura e um enorme prazer. Um vinho em constante mutação no copo, com final muito longo e de potencial enorme em garrafa. Rivaliza seguramente com um grande Borgonha. Delicioso e diferenciador! PVP: 27€

Sérgio Lopes

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Da Minha Cave: Quinta das Bageiras Reserva Tinto 2011

Este vinho veio literalmente da minha cave em Foz Coa, onde o descobri este fim-de-semana e decidi trazer. Era garrafa única, guardada antes de o Diogo nascer. É verdade que compro muito mais a referência Garrafeira das Bageiras, (branco e tinto), e menos o Reserva Tinto, mas comprovei que mesmo sendo produzido para um consumo mais imediato, o vinho evolui de forma agradável. 

O Quinta das Bageiras Reserva 2011 é feito de Baga 60% e Touriga Nacional 40%, fermentado em pequenos lagares, sem desengace e com posterior estágio em tonel de madeira avinhada. 

Apanhei-o numa fase determinante da sua evolução, onde a fruta primária começa a dar lugar a aromas terciários. Continua com uma boca com óptimo volume, bastante frescura e aquele lado calcário tão giro que os solos aportam aos vinhos bairradinos. Parece-me que entre a Baga e a Touriga anda aqui uma luta, nesta fase, na garrafa, o que deu um gozo enorme a beber. Penso ter sido consumido no momento certo, quiçá, até um ou 2 anos mais cedo fosse melhor. 

De qualquer das formas, acompanhou muito bem a feijoada de casulas e deu muito gozo a beber. PVP: 8,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 22 de maio de 2018

Em Prova: Foral de Cantanhede Gold Edition Grande Reserva Baga 2009

Não é todos os dias que temos o privilégio de almoçar com o arquitecto deste vinho, partilhando duas de letra, sempre com a simpatia cativante de Osvaldo Amado. Aconteceu este sábado. 

Um dos vinhos escolhidos por ele foi o Foral de Cantanhede Gold Edition Grande Reserva Baga 2009, topo de gama tinto da Adega de Cantanhede. Apenas é produzido em anos excepcionais. Cerca de 5000 garrafas. O nome do vinho presta justa homenagem aos viticultores e ao Conselho de Cantanhede que alcançou o Foral em 20 de Maio de 1514, concedido pelo Rei D. Manuel I, o Venturoso. 

Feito 100% da casta rainha da Bairrada - a Baga, é fruto de um lote com a selecção das melhores barricas, onde estagia por 18 meses. O resultado é um vinho poderoso, como a Baga produz, mas muito "limpo" e cheio de elegância. Fresco, encorpado, com taninos redondos, domados pela idade, termina longo e de pendor altamente gastronómico. Quem disse que as Adegas Cooperativas não eram capazes de produzir grandes vinhos? PVP: 40€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fora do baralho: Post-Quercus Baga 2015


Post-Quercus significa, “depois do carvalho” e é um vinho de Filipa Pato, produzido da casta Baga, em modo biodinâmico e cuja fermentação e estágio acontece em ânforas de barro.  Segundo Filipa Pato, defensora do mínimo de intervenção possivel nos vinhos, isto é, "sem maquilhagem", se a Bairrada é terra de solos argilo-calcários, nada melhor do que colocá-la em contacto com ânforas de  barro de 300 litros. O resultado é um vinho onde a baga aparece bem amaciada, mais delicada, focada na fruta fresca e com uma boca mais suculenta, onde se vai bebendo copo após copo, com muito prazer. Um vinho que se bebe "sem dar conta", com bom volume de boca, final persistente e totalmente fora da caixa, no que à baga diz respeito. E à região. Apresentado em garrafas de meio litro e 1 litro. PVP: 10,90€ (garrafas de meio litro). Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Da minha cave: Valdarcos Garrafeira Tinto 1990

As caves Valdarcos são uma instituição, entretanto desaparecida, que na segunda metade do século passado constituiu uma referência na Bairrada, produtor de vinhos, clássicos da região, da casta Baga, é claro. 

Tive a felicidade de provar, há uns dias, o Caves Valdarcos Garrafeira 1990, que me foi oferecido, no meu aniversário. Estamos a falar de um vinho com quase 30 anos... E se há casta que aguenta a passagem do tempo é a Baga. 

O vinho ainda está vivo e pasmem-se, até tem alguma fruta. Decantei-o e com o passar do tempo foi evoluindo rapidamente, como é apanágio dos vinhos com bastante idade. Mas sempre diferente de copo para copo, com as consequentes notas de evolução (couro, algum animal, terroso), contudo elegante e com frescura. 2500 garrafas de um vinho com apenas 12º de alcool.

Foi o melhor vinho que provei? Não. Mas estava em forma e acompanhou muito bem uns grelhadinhos.  Foi uma bela experiência. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Em Prova: Outrora Clássico Baga 2013

A casta Baga é conhecida por produzir vinhos de grande longevidade - décadas mesmo, mas que usualmente demoram alguns anos a estarem prontos a beber. Ora ultimamente, temos vindo a assistir ao surgimento de uma abordagem à baga mais "pronta" para consumo, o que se aplaude, sobretudo se tiver a qualidade ímpar, como a de este Outrora de João Soares e Nuno do Ó. Curiosa a menção a "clássico" no rótulo, quando na prova nos atira imediatamente para um estilo mais moderno da casta, se compararmos com os grandes nomes e embaixadores da casta, famosa sobretudo na região da Bairrada, tais como, Mário Sérgio, Luís Pato, ou Sidónio de Sousa, entre outros.

Produzido a partir de uvas da casta Baga, de vinhas com idade superior a 100 anos, estagiou 2 anos em barricas de carvalho. Apresenta uma enorme profundidade e complexidade aromáticas, logo ao primeiro impacto olfactivo, com notas vegetais, especiaria e alguma fruta, que se confirma na boca Taninos poderosos, mas já amaciados, numa boca cheia e com muita tensão, mas ao mesmo sem se impor em demasia, aportando uma elegância que lhe confere classe. Termina muito longo e gastronómico. Um grande vinho. PVP: 30€. Diponibilidade: Garrafeiras.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Da minha cave: Casa de Saima Garrafeira Tinto 1991

Grande Vinho! São experiências sensoriais como a que este vinho proporcionou que fazem valer a pena o risco, a paciência e toda a logística que envolve guardar garrafas de vinho tanto tempo!

Às vezes fico trémulo quando vou abrir um vinho com alguma idade... principalmente quando há convidados e as expectativas são elevadas... como se estivesse a fazer uma grande aposta em frente a uma mesa de jogo!

Mostrou no nariz um perfil clássico, apanágio da casa! Provei ao abrir... começou austero mas deu sinal de afabilidade!
Decantei durante 2 horas! Este Baga estava simplesmente delicioso, harmonioso, sedutor... final longo!

Um daqueles vinhos que desejaríamos não ver acabar na garrafeira!

Este ainda não tem enologia de Paulo Nunes, mas é um excelente exemplar do que a casa pode produzir. provem também as novas colheitas, pois o regresso da Casa de Saima está anunciado.

Jorge Neves (Wine Lover)

terça-feira, 21 de março de 2017

Em Prova: Sidónio de Sousa Reserva Tinto 2009


17/20. Numa das minhas incursões semanais a Lisboa, passei no Supercor e comprei este Sidónio de Sousa Reserva 2009. Os vinhos de topo deste produtor, consoante o ano serão reserva ou Garrafeira. Ora, os garrafeira são simplesmente sublimes e cada vez estão mais afinados (se bem que os antigos são deslumbrantes - por exemplo o raro 2005). Mas por menos de metade do preço, o reserva mostra-se igualmente delicioso e vale bem a pena comprar, beber umas quantas e guardar umas tantas outras garrafas. E este 2009 está no ponto. Cor bonita, aroma dominado por fruta silvestre e algum vegetal. Na boca taninos sedosos de uma baga já arredondada, mostrando-se encorpado , mas macio, Termina longo e muito saboroso. Acompanhou... nada, ou seja beberiquei-o a solo com ENORME prazer. PVP: 9€. Disponibilidade: El Corte Ingles.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Em Prova: Messias Espumante Baga Bairrada Grande Reserva 2012


16,5/20. O projeto Baga@Bairrada vai-se consolidando e começa a ter o reconhecimento merecido além fronteiras, com criticas muito favoráveis aos espumantes 100% produzidos da casta rainha da Bairrada, a Baga, pois claro. Na última edição da revista Wine Advocate, de Robert Parker, o destaque foi para um dos mais recentes a ser lançado, o ‘Messias Baga@Bairrada Grande Reserva Bruto 2012’, com 90 pontos em 100, classificação também alcançada pelo ‘Quinta do Poço do Lobo Baga@Bairrada Bruto Natural 2013’. O ‘Aliança Baga@Bairrada Reserva Bruto 2013’, conseguiu 89 pontos.

Provei recentemente o Messias Baga@Bairrada e de facto é muito bom: Bolha fina e consistente, mousse de qualidade, amparada por boa fruta fresca e ligeiro brioche. Ingredientes perfeitos para um espumante de complexidade superior a um preço imbativel. PVP: 9€

Sérgio Lopes

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Opinião: Os Bagófilos

No nosso país poucas castas despertam tantas emoções como a Baga. Existem alguns enófilos que não percebem o fascínio que esta casta exerceu, e continua a exercer, sobre muitos outros que, simplesmente, a adoram. De facto, a Baga, quando jovem, é difícil e frequentemente apresenta tantos taninos que fazem qualquer um lançar uma série de esgares muito feios, tal é a sensação na boca. A elevada acidez associada à Baga, principalmente àquela oriunda da Bairrada, também afasta o consumir em geral que pretende um vinho mais adocicado e redondo para acompanhar as refeições. Estes dois fatores associados tendem a delinear uma imagem um pouco negativa da casta.

Vinhos do evento Bairrada 3 vindimas de excelência
No entanto, para os amantes da Baga nada disto os detém. Eles sabem que o fator tempo é decisivo. O ato de guardar as garrafas por 10, 15 ou mais anos faz parte de uma longa espera que culminará na degustação de um vinho que, provavelmente, será sumptuoso e inigualável. A maioria dos enófilos guardam histórias de um amigo “bagófilo” que, nas prateleiras dos supermercados e das garrafeiras onde está escrita a palavra Bairrada, afasta as primeiras garrafas da fila em busca de uma ou outra muito mais antiga que, eventualmente, terá ficado esquecida.

Os fãs da Baga são capazes de cometer absolutas loucuras, aos olhos do comum dos mortais, para obter uma garrafa desta casta. Os “Bagófilos” apresentam uma incansável capacidade para fazerem centenas de quilómetros só para comprar um exemplar de um determinado ano ou produtor. Nos leilões são capazes de disputar um lote de garrafas até ao bater do martelo só porque este era constituído por algumas garrafas da casta com dezenas de anos.

Mesmo depois de esgotado o conteúdo de uma garrafa, o “Bagófilo” é capaz de guardar indefinidamente o recipiente como recordação. É comum preservarem, por exemplo: um Gonçalves Faria Especial Tonel 5 de 1990 ; um Frei João dos anos 60; a primeira colheita de Luís Pato; um Casa de Saima dos anos 80 ou 90; a primeira garrafa dos “Baga Friends”; um Buçaco antigo, entre outros.

Os “bagófilos” têm nas suas garrafeiras (termo lato que pode significar a superfície que fica por baixo da cama ou outro espaço mais ou menos adequado para o longo estágio a que a casta obriga) dezenas de garrafas de produtores que guardam religiosamente.

Se, por acaso, um dia tiverem uma dúvida sobre a casta basta perguntar a um “Bagófilo” para ficarem esclarecidos e informados sobre quase tudo: produtores de referência, anos de excelência, solos argilo-calcários, Ancas, Aguim, Cantanhede, Cordinhã, Ourentã, São Lourenço do Bairro, Baga com e sem engaço, capacidade de envelhecimento da casta, Gonçalves Faria, Dores Simões, plasticidade da Baga, Buçaco, dinastia Pato, grupo dos oito, toneis preferidos por produtor, armazenistas do passado, Frei João, Marquês de Pombal, etc.

Em suma, o “Bagófilo” é um verdeiro apaixonado pela casta Baga e por tudo o que a ela está relacionada.

Recentemente, na Bairrada ocorreram dois eventos, no mesmo dia, que fariam, a qualquer apaixonado pela casta Baga, perder a cabeça: a prova “Bairrada – Três vindimas de excelência: 1991, 2001 e 2011” e o jantar vínico com os “Baga Friends”.

BAGA Friends

Bairrada – Três vindimas de excelência: 1991, 2001 e 2011

No primeiro evento, que durou mais de duas horas, desfilaram vinhos há muito fora do circuito comercial, verdadeiras preciosidades, muito procuradas por qualquer conhecedor: Sidónio de Sousa Reserva 1991; Quinta das Bágeiras Garrafeira 1991; Adega Cooperativa de Cantanhede Confirmado 1991; Casa de Saima Garrafeira 1991; Quinta de Baixo Garrafeira 1991; Casa de Saima Garrafeira 2001; Sidónio de Sousa Reserva 2001; Luís Pato Vinha Barrosa 2001; Quinta das Bágeiras Garrafeira 2001; Casa de Saima Grande Reserva 2011; Sidónio de Sousa Garrafeira 2011; Kompassus Private Selection 2011; Quinta das Bágeiras Garrafeira 2011 e Luís Pato Vinha Barrosa 2011.

Jantar vínico com os “Baga Friends”.

A quem restou fôlego, reserva e pé ligeiro ainda ia a tempo de participar no jantar vínico “Baga Friends” que decorreu na adega do produtor Luís Pato. Aqui ocorreu um evento muito concorrido (esgotou no próprio dia em que foi anunciado), com ementa elaborada por Carlos Fernandes, “chef” no restaurante Rei dos Leitões.

No jantar foram bebidos os vinhos Luís Pato Vinha Pan 2005; Quinta da Vacariça Garrafeira 2008; Sidónio de Sousa Garrafeira 2009; Quinta das Bágeiras Garrafeira 2011; Baga Friends 2011 magnum (foram bebidas as primeiras garrafas de um total de 80); Buçaco Reservado 2013; Filipa Pato Nossa 2013 e Niepoort Poeirinho 2013.

Antes de terminar o jantar foram ainda bebidos os vinhos Buçaco 2001 e Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2001 em magnum!

Não vale a pena acrescentar mais nada, foi um dia perfeito para qualquer “Bagófilo”.

Este dia ficará na minha memória para sempre.



Paulo Pimenta (Wine & Stuff)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Opinião: Para onde vai a Baga?

O país vinícola tem vindo a apresentar muitas e grandes transformações. Uma região que, num passado recente, perdeu algum do seu brilhantismo mas atualmente está a recuperar, encontrando-se em franco desenvolvimento e transformação é, sem dúvida, a Bairrada. No fulcro desta recuperação podemos encontrar múltiplos fatores: novas formas de vinificação das diferentes castas, introdução de novos produtores que apostam na qualidade dos vinhos, conjugação de sinergias (“Baga Friends” e movimento espumante Baga Bairrada), etc. Nos últimos anos têm vindo a instituir-se na Bairrada novos produtores que, juntamente com os já estabelecidos, têm estimulado um novo fôlego a esta região. Alguns têm apostando em castas menos usadas, outros na já conhecida, e há muito usada, Baga. No entanto, a Bairrada está longe de se cingir apenas a uma casta ou a um “blend” particular de castas, mas não será menos verdade que a Baga é a casta rainha desta região.


As mudanças que se vão operando estão mais ligadas às técnicas usadas na adega do que na vinha. Em traços gerais, temos de um lado os produtores “clássicos” e os produtores “modernos” da Baga. No entanto, a distinção, na maioria das vezes, não é clara. Há alguns produtores que têm no seu portefólio referências que podem encaixar nas duas tendências. Os primeiros apostam na extração, no menor ou maior uso de engaço no mosto, originando um vinho mais rústico com taninos muito duros que necessitam de 15 ou 20 anos de estágio em garrafa para que sejam domados antes de se atingirem o apogeu. Os segundos arriscam em macerações mais curtas, temperaturas controladas e fermentações em cubas de aço inoxidável ou em madeira nova. Esta forma de trabalho ocasiona vinhos prontos ou quase prontos a beber no ano em que são lançados no mercado.

Com o passar dos anos têm aumentado as referências de grande qualidade provenientes da casta Baga que, surpreendentemente, estão prontas ou quase prontas a beber. Os exemplos mais expressivos dessa mudança são os vinhos Nossa e Poeirinho produzidos por Filipa PatoDirk Niepoort, respetivamente. Outros produtores há que, muito embora tenham vinhos com um perfil mais "tradicionalista", já lançaram no mercado referências de contorno mais “moderno”, são exemplos disso as últimas referências do Avô Fausto e Vinha Barrosa produzidos pela Quinta das Bágeiras e Luís Pato, respetivamente.

No último ano tenho provado algumas amostras de cuba e de barrica que apontam claramente nesta direção. Esperemos calmamente pelo desenrolar das tendências oriundas da Bairrada.

Paulo Pimenta (Wine & Stuff)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Em Prova: Aliança Baga Bairrada Espumante Reserva Rosé Bruto 2014

Sem hesitações, diria que os espumantes Baga jovens são os vinhos perfeitos para o Verão, pois, não há outra casta que confira tanta frescura e energia. Na senda do pioneirismo que lhe é habitual, as Caves Aliança lançaram, em boa hora, o primeiro espumante Rosé que ostenta a logomarca BAGA BAIRRADA.  Derrubando preconceitos - "o ROSÉ é bebida para meninas",  Francisco Antunes criou um espumante que tem todos os predicados para ser um sucesso de vendas. 

Cromaticamente carregado, este Rosé preserva os aromas do terroir bairradino, não hesitando na complexidade aromática e de sabores. Mas é na boca que este espumante ganha todo o seu esplendor. Enérgico, fresco, este Baga Bairrada é um fogo de artifício que nos explode na boca e nos preenche com uma cremosidade intensa. 

É, a partir de hoje, o meu espumante Rosé de eleição.

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Em Prova: Primavera Espumante Baga Bairrada Extra Bruto 2014


16/ 20. O projecto Baga Bairrada junta um conjunto de produtores com base na criação de um espumante da casta rainha da Bairrada, a Baga, e que tenham um perfil muito próximo entre si, pretendendo assim conquistar os consumidores e consolidar a marca Baga Bairrada. De entre o grupo, naturalmente que uns estão mais avançados do que outros e na minha opinião este exemplar Primavera Espumante Baga Bairrada Extra Bruto 2014 (a par do São Domingos) está muito bem conseguido. Trata-se de um espumante de cor pérola, bolha bem desenhada e abundante e com uma bela acidez. Fresco, gastronómico e com complexidade qb, tanto brilha a solo como para acompanhar refeições, devido ao seu pendor gastronómico. Muito bem! PVP:8€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes