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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Da minha cave: Aphros Aether Branco 2013

De Ponte de Lima chega este vinho, uma experiência do produtor enologo Vasco Croft @aphros_wine. Há época com a colaboração do @rui_cunha_winemaker .

Combinação de Loureiro e Sauvignon Blanc.

Impressionante vivacidade, um vinho com quase 8 anos, chegado a 2021, este branco da região dos vinhos verdes.

Não se deixem enganar pela cor carregada. Este vinho está tudo menos cansado. Nariz obviamente com notas de evolução, entre favos de mel, flores e algum leve herbaceo. Mas tudo num registo de vivacidade. Boca com a frescura e "acidez" Aphros. Corpo médio e "crispie". Final também médio e muito refrescante que apetece curtir mais um gole.

E o melhor é que ainda se pode comprar...! Pvp 13eur.

facebook.com/contrarotulo

Sérgio Costa Lopes

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Da Minha Cave: Quinta do Perdigão Reserva Tinto 2006

A Quinta do Perdigão é um projecto localizado em Silgueiros, na região do Dão. Liderado pelo carismático arquitecto José Perdigão, juntam arte (nos rótulos desenhados por Vanessa e nos ContraRotulos bem descritivos) à arte de fazer vinho, da forma mais natural possível, privilegiando o terroir. O Quinta do Perdigão reserva tinto 2006 está um vinho adulto, cheio de vivacidade. A definição de evolução nobre no Dão! Ainda com muita fruta e notas balsâmicas deliciosas! Veludo na boca.(19,90€). Para assistir à prova completa deste vinho, no vídeo a seguir:



Sérgio Costa Lopes

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Da Minha Cave: Munda Encruzado 2006

A Quinta do Mondego é talvez um dos produtores familiares do Dão não tão conhecido, mas cujos vinhos respeitam o terroir e resultam de produções reduzidas e de elevada qualidade. Entre tinto, rosé e branco, hoje falo-vos de um branco de Encruzado - casta rainha da região, o Munda Encruzado 2006, provado no restaurante Vilamar. Um vinho que demonstra bem a longevidade e potencial da casta encruzado e que se mostra com quase 15 anos numa belíssima forma. È certo que em novo deveria estar carregado de madeira pois esta ainda se sente, embora já amaciada pelo tempo, amparada por notas untuosas e meladas muito interessantes, mantendo uma agradável frescura de conjunto e sobretudo uma boca poderosa e muito seca. Já terá passado o seu apogeu, mas ainda dá muito prazer. ´Bora comprar as novas colheitas a um PVP de 13,90€ nas melhores garrafeiras do país. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Da Minha Cave: Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015

Os vinhos Mirabilis nascem na vindima de 2011 no “Atelier do Vinho”, uma pequena adega com capacidade para 17.800 litros. “No ‘Atelier do Vinho’ a produção é 100% manual e vinificamos pequenas parcelas e subparcelas da quinta que se mostram excecionais, ensaiando diferentes sistemas de maceração e maturação, com o objetivo de alcançar vinhos de detalhe, com uma filosofia de interpretação territorial e com uma profundidade única e fora de série” Por Luisa Amorim.

De facto a descrição acima assenta que nem uma luva ao perfil do Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015, provado e claro, bebido com enorme prazer no restaurante Vilamar. Trata-se realmente de um vinho repleto de classe, com aroma muito fino, centrado na fruta duriense, mas muito delicado e profundo. A boca é de uma elegância suprema, com a barrica super integrada nesta fase, taninos macios e muita frescura e um final longuíssimo. Daqueles vinhos cheios de precisão, mas com intensidade, acidez e textura no ponto. Que grande vinho, que dá grande prazer a beber já, mas vai ainda melhorar com o tempo em garrafa! PVP:90€

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Da Minha Cave: Primus 2011

Ser convidado, com o mote de provar, entre outros vinhos, um branco do melhor que se faz em Portugal, ainda por cima, de 2011, num restaurante delicioso, como o Vilamar, em Vila Nova de Gaia... O que é que se pode pedir mais? O vinho - Primus 2011 que significa "primeiro", trata-se de um branco, do Dão, feito por Álvaro de Castro (Quinta de Saes / Pellada), sob predominância da casta Encruzado, entre várias outras castas plantadas na vinha velha da Pellada, fermentou parcialmente em barricas, seguindo-se batonage de 3 meses e engarrafamento. Com 8 aninhos mostrou-se de aroma contido, mas muito complexo, com evidência de notas minerais, citrinas e algum floral. A boca estava espantosa, cheia de frescura e tensão - vibrante, parecendo um vinho até mais novo do que 2011. Termina longo e com uma acidez salivante que acompanhou na perfeição o prato preparado pelo George Carvalho. Um dos melhores brancos nacionais, sem sombra de dúvida, num momento de prova extraordinário, mas ainda com muitos anos pela frente. A garrafa foi toda,  naturalmente, entre os convivas presentes... PVP: 30€.

Sérgio Lopes

terça-feira, 12 de março de 2019

Da Minha Cave: Vinha Formal Branco 2009

Luís Pato, o Sr. Baga, dispensa apresentações. É um verdadeiro embaixador da casta Baga na Bairrada e sobretudo da região, região essa que é capaz de produzir brancos de enorme nível, com capacidade notável de evolução e envelhecimento positivo, que tipos tido o privilégio de provar (felizmente), talvez cujo maior exemplo sejam os vinhos brancos das Caves São João (Quinta do Poço do Lobo; Frei João), que por serem provenientes da década de 90 do ano passado, surpreendem grandemente por chegarem a 2019 ainda cheios de energia e vivacidade.

Por isso, é apenas natural que este Vinha Formal do ano de 2009, se apresente de uma forma soberba, no copo, 10 anos depois. Eu diria mais, foi seguramente um dos melhores brancos que bebi até à data. Feito da uva bical e com fermentação e posterior estágio de 9 meses em barrica, chega até nós incivelmente fresco. O aroma é inebrainte e desafiador, com notas quimicas e petroladas muito interessantes (quase a lembrar um muito bom riesling), entre tantos outros descritores aromáticos que nos remetem para uma sensação dominante de frescura. A boca tem uma tensão impressionante e um volume que torna o vinho mastigável e untuoso. Cheio na boca e pleno de acidez, termina muito longo e vibrante. Simplesmente desconcertante. PVP: 17€. Garrafeiras (Colheitas de 2014 em diante).

Sérgio Lopes

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Deu-la-Deu Colheita 2015


A Adega de Monção é uma produtora de vinhos de referência na região dos vinhos verdes, em particular da sub-região de Monção e Melgaço, quer pela relação preço/qualidade, quer pela quantidade que consegue atingir anualmente. Marcas como Muralhas de Monção ou Deu-la-Deu são já "clássicos" em qualquer grande superfície e escolhas seguras para o dia-a-dia. E as colheitas do ano "desaparecem" rápido (deve estar a sair a 2018), pois são vinhos de alta rotação nas grandes superficies.

Por sorte "esqueci-me" de uma Deu-la-Deu do ano de 2015 na minha garrafeira e pude apreciá-la agora. Ainda extremamente jovem, surpreendeu pela sua pureza de citrino (um dos marcadores da casta), a sua frescura e acidez crocante, para além de corpo médio e um final bem refrescante. Um digno exemplar de Alvarinho. Vindo de uma Adega Cooperativa, cada vez mais com o selo de qualidade. Muito bem.

Sérgio Lopes

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Aneto Grande Reserva Tinto 2007


Este vinho é o topo de gama do produtor / enólogo Francisco Montenegro, que para além de diversos trabalhos como consultor (Quinta do Pôpa, Quinta do Arcossó, entre vários outros) tem o seu próprio projeto com a marca Aneto, e que já é uma referência no que de melhor se faz no Douro. Creio que as principais características de todos os seus vinhos são a harmonia e a finesse. A paixão que emprega na feitura dos seus vinhos, está completamente espelhada nos mesmos. O Aneto Grande Reserva Tinto 2007 é um vinho composto pelas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, em iguais partes, que estagia em barricas novas de carvalho cerca de 18 meses em 6 meses em garrafa. 

Foi seguramente dos primeiros projetos que me fez transportar para o univeros dos vinhos, corria o ano de 2011. E foi por isso com muitissimo agrado que bebei esta garrafa no passado sábado no restaurante Vilamar. Que belo regresso! Está um vinho na idade adulta, cheio de taninos amaciados pelo tempo, ainda com fruta, mas também com aromas terciários, que em nada aborrecem, antes enaltecem o vinho. A boca é envolvente, cheia de finura e seda. Termina longo e deliciosso. Acompanhou 3 harmonizações muitíssimo bem: Bacalhau com puré de grão, uma carne maturada e ainda uma coxa de pato assada. Elevando cada um dos pratos. Foi até à última gota. Bravo Francisco Montenegro. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Da Minha Cave...: Luís Pato Vinhas Velhas Branco 2011

Da minha cave não é bem verdade, pois este vinho veio diretamente da cave de Sir Luis Pato, cortesia do produtor que quis que eu passase um verão "bem regado". O vinho é um misto de uvas de 3 castas - Bical (50%) em solo argilo-calcário, Cerceal (25%) e Sercialinho (25%), em solos arenosos. Fermentou em cubas de inox durante 4 meses. Em tempos passou por madeira, mas nos útlimos anos, por razões comerciais, só vai ao Inox.

Trata-se de um vinho branco com 7 anos que começa agora a entrar na idade adulta. É fresco e intenso e com notas petroladas / terpénicas, quase a lembrar um riesling, em prova cega. E esta, hein?! Depois é leve, de corpo médio e versátil, tanto dando prazer a solo, como acompanhando umas entradas ou uma refeição leve. Termina longo e persistente.

Para quem diz que os brancos são para beber novos. Eu contraponho. São para beber entre os 5 e 10 anos e apreciar todas estas notas de evolução, boas, é claro. Ainda por cima um branco da Bairrada. E de Luis Pato. Quw evoluem tão bem. PVP: 8,99€. Disponibilidade: Garrafeiras (coheitas mais recentes)

Sérgio Lopes

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Da minha cave: Quinta do Vesúvio Vintage 2003

A Quinta do Vesúvio, na posse actualmente da família Symington, é uma daquelas quintas lendárias do Douro Superior. Não só pela sua beleza ímpar, mas pelo carácter único que empresta aos seus Porto vintage, cuja fruta de qualidade é imagem de marca e os torna desconcertantes. 

Em tempo de Verão, é comum falar de brancos e rosés, mas este Porto serviu para fechar em grande um jantar onde estive com o meu amigo Hildérico Coutinho, de férias por cá. E fechou o jantar com chave de ouro!

Ele decidiu abri-lo quando vislumbrou o delicioso bolo de chocolate húmido que a foto documenta...

Quanto ao vinho, está num grande momento, aos 15 anos de vida. Com muita fruta vermelha e preta, fresca, de qualidade, como é apanágio dos vintage do Vesúvio. Quase uma imagem de marca. Também o lado balsâmico / mentolado em grande evidencia, que lhe confere uma frescura ímpar. Termina longo e dá grande prova!

Deliciosamente frutado, redondo, equilibrado, a dar muito prazer agora e a mostrar ter muitos anos de vida em garrafa pela frente. Diretamente da cave do Hildérico e não da minha. Obrigado meu "kamba". Ah e do ano 2003 que nem foi como os lendários 2007 ou 2011, por exemplo. Mas é um Vesúvio...! PVP: 60€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes


sexta-feira, 27 de julho de 2018

Da Minha Cave: Quinta da Fata Touriga Nacional 2009

A Quinta da Fata situa-se às portas de Nelas, concelho de Viseu, epicentro da região vinícola do Dão. Trata-se de uma casa secular, um projecto liderado por Eurico Ponces de Amaral, que aposta nas castas autóctones da região, sendo que nos tintos a Touriga Nacional é rainha, enquanto que nos brancos reina, como não podia deixar de ser, o Encruzado.

Este monovarietal de Touriga Nacional, de 2009, foi a última sobrevivente da visita que efetuamos há uns anso atrás e onde fomos tão bem recebidos, como sempre, por sir Eurico Ponces de Amaral.

Neste momento está delicioso, com taninos sedosos, notas de pinho e resina, mas também florais e alguma fruta. Muita frescura na boca, bom corpo e final longo, com os taninos macios e envolventes. 

Acompanhou muito bem um perú estufado. Um vinho que expressa o seu "terroir", mais rústico, mas tão típico da Fata. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Da Minha Cave: Dona Berta Reserva Especial Tinto 2008

Esta magnum veio diretamente da minha cave, direitinha para partilhar com uns amigos no passado domingo. Foi adquirida, em 2011, na visita à Quinta do Carrenho em Vila Nova de Foz Coa, onde são produzidos os vinhos Dona Berta. O malogrado Hernâni Verdelho, descendente da local Dona Berta, que empresta o nome aos seus vinhos, reabilitou a vinha no final do século passado. São 10 hectares de vinha (e 3 de olival) onde predominam as castas tradicionais do Douro, plantadas individualmente, com principal incidência no Rabigato e Verdelho - nos brancos, sendo que nos tintos, Touriga Nacional, Franca, Barroca, Tinto Cão e Sousão são as escolhidas. As vinhas apresentam uma idade média de 15 anos.

Este vinho aparece 10 anos depois num momento de prova formidável refletindo o ano fresco de 2008 que no Douro produziu vinhos que tão boa prova estão a dar neste momento.

Muito complexo e fresco, com a fruta do Douro e um lado químico muito giro, tudo amparado com taninos sedosos e sumarentos. Termina longo e gastronómico. Foi um vinho de grande apreço pelos comensais, acompanhando na perfeição um entrecôte com arros de enchidos, superiormente confeccionado no restaurante Avô Arnaldo.

Um dos produtores mais interessantes do Douro Superior. PVP: 18€ (0,75cl). Garrafeiras.

Sérgio Lopes


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Da minha cave: Lima Mayer Petit Verdot 2008


Lima Mayer é um produtor proveniente do Alentejo, mais propriamente localizado em Monforte - Portalegre, do qual poucos vinhos conheço ou tenho provado - confesso. Tive, contudo, a oportunidade de degustar o seu topo de gama, recentemente e às cegas num jantar proporcionado pelo meu amigo Duarte, que também serviu o vinho. Trata-se do Lima Mayer Petit Verdot, no caso específico, de 2008. Penso que este vinho é apenas produzido em anos excepcionais e quando produzido, será sempre em poucas quantidades. Adorei o vinho. Numa combinação de frescura e potência, a reflectir por um lado o ano de 2008, fresco, por outro lado a casta Petit Verdot no terroir Alentejano .Cor carregada, aroma super complexo entre fruta madura, algum balsâmico e especiaria. Boca cheia, com taninos maduros e os seus 10 anos de garrafa a dar-lhe um equilibiro notável. Termina fresco, muito longo e naturalmente gastronómico. Um exemplar do melhor que o Alentejo pode produzir. Grande vinho. PVP: 33€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Da minha cave: Valdarcos Garrafeira Tinto 1990

As caves Valdarcos são uma instituição, entretanto desaparecida, que na segunda metade do século passado constituiu uma referência na Bairrada, produtor de vinhos, clássicos da região, da casta Baga, é claro. 

Tive a felicidade de provar, há uns dias, o Caves Valdarcos Garrafeira 1990, que me foi oferecido, no meu aniversário. Estamos a falar de um vinho com quase 30 anos... E se há casta que aguenta a passagem do tempo é a Baga. 

O vinho ainda está vivo e pasmem-se, até tem alguma fruta. Decantei-o e com o passar do tempo foi evoluindo rapidamente, como é apanágio dos vinhos com bastante idade. Mas sempre diferente de copo para copo, com as consequentes notas de evolução (couro, algum animal, terroso), contudo elegante e com frescura. 2500 garrafas de um vinho com apenas 12º de alcool.

Foi o melhor vinho que provei? Não. Mas estava em forma e acompanhou muito bem uns grelhadinhos.  Foi uma bela experiência. 

Sérgio Lopes

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Da minha cave: Gouvyas Reserva Branco 2003

Há vinhos e há "o vinho"... Este Gouvyas Reserva 2003 é apaixonante e nunca mais se esquece. 

Disponível agora apenas em garrafas magnun, é mais um pormenor a agradecer ao produtor, além da coragem de manter este vinho retido por tantos anos, que lhe permitiu atingir um nível fantástico e único. 

De uma cor amarelo dourado intenso e cativante, mostra um nariz de grande complexidade, fruto do casamento da fruta madura com a madeira. Nesta fase sobrepõem-se as notas de frutos secos como alperce, envolvido em algum fumo do estágio em barrica. Na boca é untuoso, cheio, com uma acidez vibrante mas equilibrada, a dar vida e frescura ao conjunto e um final intenso, prolongado e em crescendo... 

Um vinho enorme e único, que tanto vai com o bacalhau de natal, como pode ir com uns enchidos ou um queijo da serra amanteigado ou curado. Obrigatório! 

PVP: 55€. Disponibilidade: Garrafeira 5 Estrelas

Paulo Duarte (Wine Lover)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Da minha cave: Duas Quintas Reserva Tinto 2000

A casa Ramos Pinto dispensa apresentações, bem como a marca Duas Quintas, icónica marca do Douro e associada a consistência e qualidade, ano após ano. Tive a oportunidade de provar este Duas Quintas Reserva Tinto de 2000, que o Alirio trouxe para mais uma jantarada. O vinho tem algumas particularidades -  uvas provenientes da Quinta da Ervamoira e da Quinta dos Bons Ares (não sei se agora continua assim), feito de Touriga Nacional (70%) e Tinta Barroca (30%), 6 meses de estágio em barrica e dois anos de repouso em cave na Quinta dos Bons Ares, tudo sinais e formas de fazer este vinho, quase como que a prepará-lo para uma digna e prolongada guarda.

E é isso mesmo que sucedeu, o vinho evoluiu e muito bem, apresentando-se 17 anos depois muito fresco, com a boca macia e ainda com bastante fruta presente, associada a notas deliciosas de evolução que lhe dão uma complexidade acrescida. Um prazer à mesa. 

O Douro também é capaz disto: Fazer vinhos que desafiam a passagem do tempo.  Ainda se encontra este vinho na Garrafeira Nacional. Esta garrafa veio da cave do Alirio e não da minha cave, como o título pode sugerir erradamente...

Sérgio Lopes

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Da Minha Cave: Inconnu Reserva Tinto 2010

Mais um vinho retirado da minha garrafeira, o saudoso Inconnu 2010 , produzido pelos simpáticos Christelle e Casimir da Silva e com enologia de António Narciso. Saudades da Christelle e do Casimir e dos seus Fonte de Gonçalvinho... Muitas.

Este vinho tem a particularidade de o nome ter surgido após uma prova conjunta em que os produtores e o enólogo ficaram surpreendidos com o que estavam a provar... exclamando "mas o que é isto?" Por brincadeira, ficou "?????", o que deu origem ao nome "Inconnu", que significa desconhecido em francês, a origem dos produtores. 

Golpe de marketing, ou não, o certo é que ninguém sabe o que compõe o vinho, nem como é feito. Sabemos que é feito de uvas da quinta e pouco mais, o que também adensa o mistério e interesse à volta do mesmo...

Voltado a provar agora, o Fonte de Gonçalvinho Inconnu Reserva Tinto 2010, continua complexo e desafiador, naquele momento dos vinhos do Dão, que provados entre os 5 e 10 anos de vida, tudo aparece mais ligado e mais pronto a beber. Destaco a elegância, a frescura e a fruta de qualidade aliada a aromas e sabores terciários (cacau, pinho e especiarias) que tornam este vinho desafiante e desafiador à mesa. De copo para copo. Acompanhou muito bem umas coxas de frango grelhadas!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Da Minha Cave: Quinta da Fata Encruzado 2010

A Quinta da Fata tem vindo a afinar o perfil dos seus brancos, produzidos 100% da casta encruzado, tornando-os mais apelativos, mas sem perder o lado longevo tão característico dos mesmos. 

Da minha cave, descobri uma garrafa do Quinta da Fata Encruzado do ano de 2010 que abri agora e acompanhou muito bem um Arrozinho de Pato. 

Lembro-me que quando provei este vinho, pela primeira vez, era um branco austero e mineral, duro mesmo. Algo rústico até. 

Neste momento está com notas florais de evolução bem evidentes, portanto menos austero, mas profundamente mineral e com uma belíssima acidez refrescante, a limpar o palato e a pedir companhia à mesa. 

Para mim encontra-se no momento ideal de prova, apresentando uma evolução notória, mas sem perder a frescura. Foi melhorando de copo para copo entre o almoço e o jantar. Penso que ainda ficaram na garrafeira mais duas garrafas deste 2010 para beber em breve. PVP: 7,5€.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Da minha Cave: Quinta de Saes Tinto 2002

Continuando no Dão - parece que este fim-de-semana passado foi assim, o que até faz sentido estando a decorrer a Feira de Nelas - resgatei da minha garrafeira este Quinta de Saes 2002

2002, ano considerado "maldito", mas um vinho - não esquecer, proveniente de um produtor altamente conceituado, de produção sólida e consistente e de enorme qualidade ano após ano - Álvaro de Castro.

O vinho: Ainda bastante vivo no copo como se pode verificar pela bonita cor, com fruta, taninos completamente sedosos e claro notas de evolução como seria de esperar. Este vinho é um(A) prova de que o Dão, mesmo em anos maus, quando proveniente de produtores de referência continua a produzir vinhos de qualidade. 

E não se tratando de um topo de gama, ainda mais impressiona a sua vivacidade 15 anos depois. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Da minha cave: Casa de Saima Garrafeira Tinto 1991

Grande Vinho! São experiências sensoriais como a que este vinho proporcionou que fazem valer a pena o risco, a paciência e toda a logística que envolve guardar garrafas de vinho tanto tempo!

Às vezes fico trémulo quando vou abrir um vinho com alguma idade... principalmente quando há convidados e as expectativas são elevadas... como se estivesse a fazer uma grande aposta em frente a uma mesa de jogo!

Mostrou no nariz um perfil clássico, apanágio da casa! Provei ao abrir... começou austero mas deu sinal de afabilidade!
Decantei durante 2 horas! Este Baga estava simplesmente delicioso, harmonioso, sedutor... final longo!

Um daqueles vinhos que desejaríamos não ver acabar na garrafeira!

Este ainda não tem enologia de Paulo Nunes, mas é um excelente exemplar do que a casa pode produzir. provem também as novas colheitas, pois o regresso da Casa de Saima está anunciado.

Jorge Neves (Wine Lover)