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terça-feira, 2 de junho de 2020

Fora do Baralho: Conde de Anadia Branco 2018

O Palácio dos Condes de Anadia é uma propriedade histórica na cidade de Mangualde pertencente a família Paes do Amaral. Dos 10 hectares de vinha, as uvas brancas são as que existem em menor quantidade. A solução encontrada pelo talentoso enólogo Luis Leocádio (Quinta do Cardo, Titan.,Quinta da Cuca) passou por fazer um branco de... Touriga Nacional. Temos portanto um branco feito de uvas tintas, neste Conde de Anadia 2018. De cor acobreada, o vinho tem um aroma muito giro, com algumas notas citrinas, florais e vegetais. Na boca, é fresco, com bom volume (até com uma ligeira sensação de tanino), descomplicado e com um final refrescante. Confesso não ser fá de blanc des noirs, excepto em espumantes. mas este vinho resulta muito bem, sendo claramente tema de conversa dado o seu perfil fora da caixa na região no Dão. PVP: 8€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

domingo, 31 de maio de 2020

Em Prova: Conde de Anadia Reserva Branco 2017

O Palácio dos Condes de Anadia é uma propriedade histórica na cidade de Mangualde pertencente a família Paes do Amaral. O Conde de Anadia Reserva Branco 2017 é resultante de vinhas velhas com predominância da casta encruzado, sofrendo estágio em barricas de carvalho francês usadas. O vinho está uma delicia, cheio de classe, com uma boca elegante e vibrante, com cremosidade e um equilíbrio notável. Um vinho que entrega bastante mais para os 15€ que custa. Ligou de forma brilhante com um Bacalhau à Gomes de Sá. Um grande branco do Dão. Para assistir ao video da prova completa, abaixo:



Sérgio Costa Lopes

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Da Minha Cave: Quinta do Perdigão Reserva Tinto 2006

A Quinta do Perdigão é um projecto localizado em Silgueiros, na região do Dão. Liderado pelo carismático arquitecto José Perdigão, juntam arte (nos rótulos desenhados por Vanessa e nos ContraRotulos bem descritivos) à arte de fazer vinho, da forma mais natural possível, privilegiando o terroir. O Quinta do Perdigão reserva tinto 2006 está um vinho adulto, cheio de vivacidade. A definição de evolução nobre no Dão! Ainda com muita fruta e notas balsâmicas deliciosas! Veludo na boca.(19,90€). Para assistir à prova completa deste vinho, no vídeo a seguir:



Sérgio Costa Lopes

sábado, 11 de abril de 2020

Em Prova: Quinta do Perdigão Rosé 2017

A Quinta do Perdigão é um projecto localizado em Silgueiros, na região do Dão.  Liderado pelo carismático arquitecto José Perdigão, juntam arte (nos rótulos desenhados por Vanessa e nos ContraRotulos bem descritivos) à arte de fazer vinho, da forma mais natural possível, privilegiando o terroir. O Quinta do Perdigão Rosé 2017 e um vinho seco, elegante e muito versátil a mesa (8,90€) Por favor assistam à prova completa deste vinho, no video abaixo:



Sérgio Costa Lopes

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Da Minha Cave: Munda Encruzado 2006

A Quinta do Mondego é talvez um dos produtores familiares do Dão não tão conhecido, mas cujos vinhos respeitam o terroir e resultam de produções reduzidas e de elevada qualidade. Entre tinto, rosé e branco, hoje falo-vos de um branco de Encruzado - casta rainha da região, o Munda Encruzado 2006, provado no restaurante Vilamar. Um vinho que demonstra bem a longevidade e potencial da casta encruzado e que se mostra com quase 15 anos numa belíssima forma. È certo que em novo deveria estar carregado de madeira pois esta ainda se sente, embora já amaciada pelo tempo, amparada por notas untuosas e meladas muito interessantes, mantendo uma agradável frescura de conjunto e sobretudo uma boca poderosa e muito seca. Já terá passado o seu apogeu, mas ainda dá muito prazer. ´Bora comprar as novas colheitas a um PVP de 13,90€ nas melhores garrafeiras do país. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Em Prova: Identidade AM Tinto 2018

Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. O Identidade AM Edição Limitada Tinto 2018, na sua segunda edição, de apenas 2000 garrafas, volta a ter enologia de Carlos Lucas, com o blend seleccionado pelo próprio Pedro Martin, composto pelas castas tradicionais da região do Dão.

Se na estreia se mostrava um vinho repleto de fruta, esta edição apresenta um vinho mais maduro, talvez em sintonia com o próprio crescimento do pequeno António Martin, quem sabe. A fruta está lá, mas também notas evidentes de grafite e alguma especiaria, num registo com mais corpo e um pouquinho mais de alcool, embora mantendo sempre a frescura como pano de fundo, como é apanágio da região. De novo, resulta num vinho desenhado para se beber com prazer, quiçá um pouco mais complexo e adulto que a edição do ano passado, que era mais jovial, irrequieta e sumarenta. Disponível: Martin Boutique Wines. PVP: 13,5€.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Radar do Vinho: Quinta do Escudial

A Quinta do Escudial é uma propriedade localizada em Seia, com pouco mais do que 6 hectares de vinha, plantada com as castas tradicionais do Dão (Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen, Tinta Roriz) e Encruzado). O projecto tem a particularidade de apostar na produção exclusiva de vinhos sem qualquer passagem por madeira (unoaked), sendo o estágio dos mesmos unicamente feito em cubas de aço inoxidável e garrafa de vidro.

O Quinta do Escudial Colheita Branco 2018 é um vinho cítrico e mineral, jovem e frutado, muito equilibrado. O Quinta do Escudial Rosé 2018 é feito 100% de touriga nacional, apresenta uma cor casca de cebola muito bonita, traduzindo-se num rosé seco, com leve fruta vermelha e perfume floral, num fundo mineral e fresco. O Quinta do Escudial Tinto 2013, blend tipico das castas da região, um tinto ainda bem jovem para um colheita com 6 anos, de corpo médio, com taninos macios e boa componente mineral, amparado numa fruta bem presente. Três vinhos nesta gama, muito equilibrados e fáceis de gostar. PVP: 6,5€
Com o Quinta do Escudial Reserva Tinto 2014 (11,5€) começamos a subir nos patamares de qualidade e complexidade. Trata-se de um  vinho onde as características do Dão estão bem patentes, desde logo, um aroma com fruta preta, mas também notas de pinho, uma boca muito fresca com taninos firmes, mas domados, bom volume de boca e final longo e gastronómico. Um dos vinhos que mais gostei a par do Touriga Nacional. 
O Quinta do Escudial Touriga Nacional 2015 é um vinho onde a casta, sem qualquer passagem por madeira mostra o seu lado perfumado de violeta, bem como alguma fruta limpa e aromas a bosque, mas tudo sem excessos. A boca é sedosa e envolvente, muito macia, com final prolongado e prazeroso. Um belo exemplar da casta rainha do Dão. Excelente à mesa. PVP: 14,5€
Finalmente, a novidade Quinta do Escudial Encruzado 2018 que mesmo apesar de não passar por madeira, acompanhei com um bacalhau (combinação arriscada). E não é que ligou bem? O estágio em borras finas conferiu-lhe estrutura e alguma untuosidade. Um vinho mineral e com fruta de caroço, muito fresco e que provavelmente irá evoluir bem em garrafa, dada a sua textura e complexidade. PVP: 11,5€

Em suma, um projeto diferente (onde não existem vinhos com estágio em madeira), em que cada referência ocupa o seu espaço, de forma muito competente! Vinhos com uma excelente RQP.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Da Minha Cave: Primus 2011

Ser convidado, com o mote de provar, entre outros vinhos, um branco do melhor que se faz em Portugal, ainda por cima, de 2011, num restaurante delicioso, como o Vilamar, em Vila Nova de Gaia... O que é que se pode pedir mais? O vinho - Primus 2011 que significa "primeiro", trata-se de um branco, do Dão, feito por Álvaro de Castro (Quinta de Saes / Pellada), sob predominância da casta Encruzado, entre várias outras castas plantadas na vinha velha da Pellada, fermentou parcialmente em barricas, seguindo-se batonage de 3 meses e engarrafamento. Com 8 aninhos mostrou-se de aroma contido, mas muito complexo, com evidência de notas minerais, citrinas e algum floral. A boca estava espantosa, cheia de frescura e tensão - vibrante, parecendo um vinho até mais novo do que 2011. Termina longo e com uma acidez salivante que acompanhou na perfeição o prato preparado pelo George Carvalho. Um dos melhores brancos nacionais, sem sombra de dúvida, num momento de prova extraordinário, mas ainda com muitos anos pela frente. A garrafa foi toda,  naturalmente, entre os convivas presentes... PVP: 30€.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Radar do Vinho: Chão de São Francisco

O projeto Chão de São Francisco é um projeto familiar iniciado em 1996. No entanto, apenas nos últimos anos tem tido maior projeção. Produz vinhos DOP Dão provenientes da Quinta Chão de São Francisco, a 5kms da cidade de Viseu com cerca de 8 hectares de vinha, que foi totalmente renovada em 1996 com vinhas novas com castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen,  Desta quinta são produzidos os vinhos DOP Dão Chão da Quinta mas também das vinhas de Lafões, da Quinta da Colemia são produzidos os vinhos Chão do Vale, com o desafio de  de manter e atualizar um vinho com tanta história, trazendo para a modernidade do séc. XXI. Provamos alguns vinhos deste projeto.

O Chão da Quinta colheita Tinto 2015 é feito de Touriga Nacional e Tinta Roriz e é um Dão robusto e bem acima do que estamos à espera de um colheita, com estrutura e boa fruta, num conjunto equilibrado e a precisar de algum tempo de garrafa (o que é bom). 7€. 
O Chão da Quinta Reserva 2015 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen, sendo naturalmente mais complexo que o colheita. Gostei do conjunto, apesar de a madeira o mascarar um pouco e torna-lo um vinho mais comercial e internacional, retirando a tipicidade do Dão na minha opinião. 10€. O  Chão da Quinta Premium Touriga Nacional 2016 é um tinto mais sedoso, cheio e redondo, com taninos civilizados. Contudo, para mim a madeira continua a retirar-lhe um pouco da tipicidade Touriga Nacional. Gostava de ver este vinho com menos madeira, porque o potencial está lá. 13€
O topo de gama Chão da Quinta Signature 2015 revelou-se um grande vinho. Aqui temos um 100% Touriga Nacional a fazer jus à casta e região. Complexo, cheio de fruta preta e violeta, especiaria, num aroma muito bonito. Curiosamente, na boca a madeira aparece muito subtil, a conferir dimensão ao vinho. Bons taninos, sedoso, fruta bonita, conjunto harmonioso e final longo. Muito fresco, apesar dos seu 14 graus de alcool, que não se notam, mostrando-se perfeito para a mesa. 25€.
Finalmente o branco da região de Lafões, Chão do Vale Vinhas Velhas 2017, o que mais gostei juntamente com o "signature" tinto. Vinho contido no nariz, numa primeira fase, com bastante mineralidade e um lado citrino. Alguma austeridade até. Boca com estrutura e muita tensão, apesar da sua elegância. Um vinho com uma excelente acidez e final longo e refrescante. Mais um daqueles casos de excelente companheiro à mesa, até para harmonizações mais arriscadas. Uma interpretação fiel do terroir! Muito bem!10€

Sérgio Lopes

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Em Prova: Rosa da Mata Alfrocheiro 2017

Segunda edição do vinho que é o projeto pessoal da enóloga Patrícia Santos, que colabora com Anselmo Mendes nos projetos dois.ponto.cinco (Beira Interior) e Quinta da Silvares (Dão). Trata-se do Rosa da Mata 2017, um vinho tinto, do Dão, feito 100% de Alfrocheiro. Quem figura no rótulo é a sua avó Rosa, em seu tempo de vida conhecida como Rosa da Mata, por na mata ter a sua casa e lá cuidar da sua neta, "uma criança irrequieta que aí se ligou à terra e às árvores".

É um vinho claramente de vigneron, sem artifícios de qualquer espécie, aparecendo na edição de 2017 com um nariz complexo e muito apelativo, com notas abundantes de mata, pinho e eucalipto, tão típicas do Dão, apoiadas por uma fruta vermelha fresca muito bonita e delicada- A boca é toda ela fresca, com taninos macios, mas presentes e um bom volume e acidez. Cheira e sabe mesmo a vinho !, sem cacaus e baunilhas e outros aromas que tantas vezes nada fazem lembrar vinho. Sempre com elegância e leveza - mas corpo, termina persistente e com uma certa rusticidade que lhe confere um carácter muito próprio. Gostei muito É gastronómico e muito versátil à mesa, tendo acompanhado ao almoço um bacalhau confitado e ao jantar uns filetes de polvo. Muito bem. Uma justa e certeira homenagem à avó Rosa da Mata. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Em Prova: Casa da Passarela 'O Enólogo' Encruzado 2017

A Casa da Passarella é uma propriedade histórica da região do Dão, cuja origem remonta ao final do século XIX. São 100 hectares, dos quais 45 hectares são de vinha, localizados na frescura do sopé da Serra da Estrela. Após muitos anos de estagnação, em 2008 assiste-se ao renascer do projeto com a entrada de novos proprietários e do enólogo Paulo Nunes, primeiro como enólogo consultor, depois como residente (a partir de 2012). 

O Casa da Passarella 'O Enólogo' 2017 é um vinho branco feito da casta rainha da região, o Encruzado. Trata-se provavelmente de um dos melhores brancos na faixa de preço até 15€. O nariz pauta-se por contenção, com notas citrinas delicadas e muita mineralidade. Na boca é muito fresco, sentindo-se ainda mais essa mineralidade, amparada por um lado herbáceo que lhe confere um caráter muito interessante. A boca tem volume e ligeira untuosidade dada pela passagem em madeira usada, impercetível. Termina longo, tenso e seco, com uma acidez claramente a pedir comida. Belo branco. PVP: 12,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 3 de agosto de 2019

Em Prova: Tretas Tinto 2018

Mais um tinto com pouco alcool perfeito para ser degustado este Verão. Trata-se do novo vinho de João Tavares de Pina, o Tretas Tinto 2018. O rótulo é giríssimo, como podemos constatar pela foto acima. O vinho é feito de 70% Jaen e 30% Touriga Nacional, de vinhas jovens e foi provado pela primeira vez no simplesmente... Vinho! Segundo o produtor o nome advém de se tratar de um vinho "produzido sem tretas", ou seja, tudo o mais natural possível - fermentação espontânea, cuba fechada com remontagem, estagio sobre borras 6 meses, sulfuroso ao engarrafamento.

O resultado: um vinho com um lado vegetal e de fruta bem bonita, amparado por uma boa acidez que o torna muito fresco e perfeito para a mesa. Muito equilibrado, de corpo médio e seco como deve ser, para se beber despreocupadamente com os seus moderados 12 graus de álcool. Bem porreiro! PVP: 8,75€. Disponibilidade: Goliardos

Sérgio Lopes

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Radar do Vinho: Casa da Carvalha

Casa da Carvalha encontra-se localizada no concelho de Arganil, estando as suas vinhas situadas na zona mais a Sul da região do Dão. São três hectares de vinha, com exposição Sul e solo predominatemente xistoso, o que lhe confere um caracter peculiar, sobretudo numa zona onde reina o granito. As castas utilizadas são as típicas da região, nomeadamente Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz e Alfrocheiro. Trata-se de uma vinha replantada em 2000, com o primeiro ano de produção apenas a ocorrer em 2005. O rosto por trás do projecto é Rita Andrade que trabalha em Lisboa, mas que aplica, juntamente com o seu marido, todo o o empenho no marketing e divulgação do seu querido projecto. 

Tivemos oportunidade de fazer uma mini-vertical dos vinhos Casa de Carvalha Tinto 2006, 2010, 2013 e 2014, para além da novidade 100% Jaen de 2015. Para além do tinto, está na forja o lançamento de um reserva titno e já no mercado, encontra-se disponivel, o primeiro rosé.
Da prova vertical, conclui-se que se tratam de vinhos muito elegantes e equilibrados, de corpo médio, e com uma longevidade comprovada. Vinhos que não apresentam um final muito longo (talvez seja o único ponto menos forte), mas plenos de sabor, que brilham à mesa e onde o solo xistoso do Dão lhes confere uma identidade peculiar. O Casa da Carvalha 2006 já com aromas terciários, mais complexo, mas mantendo a frescura; O 2010 (o meu favorito) um tinto na idade adulta, com todos os elementos em equilibrio, os 2013 e 2014 a entrarem na idade adulta, mas com vida pela frente, cada um reflectindo o ano - um com mais estrutura que o outro; e finalmente, na lógica de diversificação do projecto, o Jaen 2015 de uma vinha com 15 anos , também um dos meus favoritos, cheio de frescura, balsâmico e mentolado, com uma fruta muito bonita, mas também algum vegetal, a lembrar um pouco o estilo praticado no bierzo. Muito bem.
Os vinhos encointram-se disponiveis no El Corte Ingles a rondar os 7€, à excepção do Jaen que se aproxima dos 15€ e do qual foram produzidos apenas 1000 litros.
Sérgio Lopes

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Em prova: Quinta da Ponte Pedrinha Touriga Nacional 2015

A região do Dão é constituída maioritariamente por produtores de pequena e média dimensão, cada um com a sua autenticidade e identidade, face a um terroir de eleição para vinhos elgantes, ácidos e longevos. A Quinta da Ponte Pedrinha é um projecto talvez dos menos conhecidos, mas com grande qualidade. O seus colheita são excelentes relação qualidade-preço, dando prazer, por vinhos a rondar os 5€ e este Touriga Nacional, 100%, abaixo de 10€ é também um belo exemplar da casta rainha na região e do perfil do produtor: Aroma complexo e profundo, com fruta madura bonita em primeiro plano, especiaria e algum floral. Boca com taninos firmes, mas redondos, corpo médio e belíssima acidez, a terminar longo e para a mesa, dada a sua vocação gastronómica.

Foi no retaurante Páteo do Guincho que o apreciei com um pica-pau à maneira, entre outros petiscos deliciosos. PVP: 9€. garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Novidade: Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016

A Quinta e Hotel Rural Madre de Água situam-se em Vinhó, Gouveia em plena Serra da Estrela, um projeto recente, iniciado em 2008, com abertura do Hotel em Janeiro de 2013 que pretende reavivar as artes e tradições da região.
Os vinhos são por isso também recentes e contam com a enologia de Paulo Nunes (Casa da Passarela, Casa de Saima) que tem feito um trabalho notável também em Madre de Água, projetando os seus vinhos para a ribalta.

Da gama completa falaremos num outro texto, pois hoje venho destacar a mais recente "estrela da companhia", o Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016.

Proveniente de uma vinha com 50 anos, é naturalmente um blend de castas entre as quais se destacam por exemplo a Tinta-Pinheira, Jaen ou Baga... entre outras. É vinificado em lagar de granito, com engaço parcial e estagia em barrica usada por um ano.

Esta conjugação de castas muito frescas de uma vinha velha e a passagem comedida por madeira usada, resultam num vinho muito elegante e distinto, bem ao jeito de Paulo Nunes. Aqui temos claramente assinatura do enólogo.

Muito focado na fruta vermelha fresca, com alguns apontamentos florais e especiados, impressiona pelo equilibrio e finesse de boca, com uma fruta muito suculenta. Taninos macios, mas firmes, meio corpo, belíssima acidez seca e final longo e guloso. Altamente versátil à mesa. Uma grande surpresa! PVP: 13,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Em Prova: Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017

Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. 

O Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017, "partiu do carácter intenso, aguerrido e doce do seu filho António Martin". 

São 1300 garrafas de um vinho feito na Magnum Wines de Carlos Lucas, no Dão, composto por 50% Touriga Nacional, Tinta Roriz 20%, Alfrocheiro 20% e Jaen 10%.

O blend típico do Dão mostra um vinho repleto de fruta fresca, algum toque floral, e leve especiaria. Todo o conjunto transpira jovialidade e frrescura. 

A boca é macia, o corpo é médio e o final sumarento e focado na fruta. Sempre com a frescura em pano de fundo e uma certa contenção a mostrar que o tempo de garrafa lhe vai fazer bem. Excelente companheiro à mesa. 

Mais um vinho desenhado para se beber com prazer. 

Menos impactante que o irmão branco (Identidade OM), mas muito prazeroso e um digno exemplar da região, onde frescura e jovialidade imperam. 

PVP: 13,50€. Dipsonibilidade: Martin Boutique Wines.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Em Prova: Tazem Encruzado 2016

As Adegas Cooperativas estão cada vez mais apostadas em aumentar o nivel qualitativo dos seus vinhos. Isso tem-se visto com maior relevo em casas como a Adega de Cantanhede na Bairrada ou a Adega de Monção na região dos vinhos verdes, através da criação de novas referências, uma nova imagem e muita qualidade nos seus vinhos, sobretudo nos topos de gama. 

A Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem, da região do Dão é lendária sobretudo em tintos antigos, como por exemplo os garrafeira Jaen do principio dos anos 2000, entre outros e agora também procura se modernizar e criar uma imagem mais apelativa e atual. 

Provei recentemente não um topo de gama da casa (nem sei se existem), mas sim o Tazem Encruzado 2016, um vinho feito 100% da casta branca rainha da região, sem passagem por madeira, e que prouxe para casa abaixo dos 5€. 

Por esse valor, é um vinho muito correto, seco, boa acidez, com volume de boca médio, gastronómico qb e que dá gozo beber. Vale a pena. PVP: 4,5€. Garrafeira Vinigandra.

Sérgio Lopes

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Em Prova: Dão Meia Encosta Branco 2017

Por vezes temos a tendência para escrever notas de prova e textos sobre vinhos mais conceituados ou especiais e assim, não ao alcance das bolsas do consumidor comum, que procura um bom vinho a um melhor preço. Ora, hoje falo de um clássico dos Vinhos Borges, o Dão Meia Encosta Branco 2017. Provado na Feira de Nelas, no concurso de vinhos da mesma, foi galardoado com uma medalha de Ouro, ficando entre os 10 melhores a concurso. Bravo. Já sei que muitos vão dizer, "não liguem âs medalhas", é certo (também o digo muitas vezes), mas com um júri tão heterogéneo como o que participou nesta prova, o resultado é extremamente positivo, pois ficou lado a lado com alguns colossos da região que decidiram enviar os seus vinhos a concurso..

Provado  no passado domingo à noite, fora do contexto de um concurso e acompanhando umas entradas domingueiras, confirma-se um vinho super equilibrado. Nariz com notas limonadas e florais. A boca é suave e fresca, frutada, mas com fruta de qualidade. Termina com boa acidez e mostra versatilidade à mesa ou a solo. Confirmei o que tinha vivenciado como júri da feira de Nelas - Trata-se de uma excelente relação preço-qualidade. Um valor seguro, disponível facilmente um pouco por todo o país. PVP: 3,29€. Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Fora do Baralho: Opta Grande Reserva Tinto 2015

A Opta Wines nasceu em 2013, quando Camilo Leite, estabeleceu uma parceria com o enólogo Nuno Cancela de Abreu, com o objetivo de promover os vinhos portugueses no estrangeiro. Em 2018, a empresa pretende reforçar a aposta também no mercado nacional. O portfolio da marca Opta tem crescido, com a inclusão de novos vinhos. Para além dos Opta colheita branco, rosé e tinto, do Opta Encruzado e do Reserva Tinro, de um espumante e de um colheita tardia, surge, este ano, o ex-libris da marca, o Opta Grande Reserva Tinto 2015.

Feito de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, o blend típico do Dão, estagia 18 meses em barricas de carvalho francês. A vinha de onde provêem as uvas está rodeada por um manto de eucaliptos. De tal forma que algumas folhas de eucalipto, as menos persistentes, podem ser encontradas no solo, conferindo uma conjugação "explosiva" entre as castas e o solo granítico da região.

O resultado é um vinho extremamente fresco, com um incrível aroma a eucalipto e seiva.  Servido à temperatura certa, como foi o caso na apresentação do mesmo, no restaurante Oxalá, na boca confirma a frescura, quase como se estivessemos a "trincar" folhas de eucalipto. De taninos sedosos,  uma fruta muito bonita e muita elegância, termina longo e persistente, de pendor gastronómico, como um grande vinho do Dão normalmente o é. 

Um vinho verdadeiramente sui-generis e que seguramente não será consensual. Um vinho em que a temperatura será um fator chave para tirar o máximo partido do mesmo. Destaque para a garrafa bordalesa (em contraste com a típica borgonha do Dão), a embalagem em tubo com a representação de folhas de eucalipto e o lacre verde. Tudo para o tornar ainda mais distinto. PVP: 35€. Garrafeiras Selecionadas

Sérgio Lopes

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Em Prova: Barão de Nelas Reserva Encruzado 2014

Retomei contacto com o enólogo António Narciso a propósito do Garrafeira Timto Barão de Nelas 2008 de que falarei, muito em breve, acabando por voltar a provar o branco, que tinha provado há alguns anos atrás, creio do ano 2011, o primeiro ano da produção do mesmo.

Feito 100% de encruzado, através da implantação de clones de encruzado em vinhas velhas Jaen, oriundos da Quinta da Fata. A vinificação é exactamente a mesma que utilizada na Fata, incluíndo o processo de battonage de 15% do mosto em barrica usada.

Ontem, bebido ao jantar, acompanhando um Bacalhau com Boroa, o Barão de Nelas Reserva Encruzado 2014 foi um pairing perfeito. Nariz muito mineral e contido, introvertido como é apanágio da casta. Boca com volume e untuosidade, fresca, boa estrutura e uma acidez que fazia salivar e potenciava o bacalhau. De final longo, foi crescendo de copo para copo. Muito bom, e do ano 2014, quando só andam por aí vinhos de 2017 que de tão jovens não se conseguem beber. E a um preço bem interessante também. Fiquei fã. De novo. PVP: 7,5€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes