quinta-feira, 16 de junho de 2016

Em Prova: Espumante Montanha Prestige Bruto


14,5/20. O que mais me impressionou no evento que ocorreu em Coimbra com 20 produtores de espumantes da Bairrada a mostrar os seus "bolhinhas" foi sobretudo a consistência e RQP dos espumantes entrada de gama. Hoje em dia, pode-se beber um "bolhas" por menos de 5€, com qualidade e prazer. Esta intro serve de mote para falar do Montanha Prestige Bruto, um espumante produzido pelas Caves da Montanha, correcto e despretensioso que se pode encontrar nos Pingo Doce, abaixo do 4€. Certo, não é um champagne, mas também não é esse o campeonato a que se propõe. E dentro dos entrada de gama, é consensual, barato e festivo!. PVP: 3,99€. Disponibilidade: Pingo Doce (exclusivo).

Sérgio Lopes

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Da minha cave: Quinta de Camarate Branco 1999

Esta cor só pode significar que o vinho está estragado... Mentira. É a chamada evolução, ou oxidação. Pode é ser boa ou má oxidação (contacto com o oxigénio). Neste caso, apesar da cor "assustadora" para alguns a evolução foi boa. Temos para além dessa cor dourada, aromas melados e florais acentuadas. A boca é ainda fresca, embora o final se fosse mais comprido seria óptimo. Mas creio que o perfil deste vinho é eminentemente para beber nos primeiros anos e é mesmo assim. 

Estamos na presença do Quinta de Camarate 1999, produzido pela José Maria da Fonseca, das castas Loureiro, Alvarinho e Moscatel de Setúbal, um vinho com 17 anos - perdão, um vinho branco com 17 anos, ainda em forma. Uma curiosidade da região da península de Setúbal. Eu já disse que a JMF não sabe fazer vinhos maus?

16/20.

Sérgio Lopes

terça-feira, 14 de junho de 2016

Em Prova: Torre de Tavares Jaen 2008


17/20. Se há casta que é utilizada em lote na região do Dão há muitos anos é o Jaen. Já em Espanha (que dizem ter sido a sua proveniência), também conhecida por Mencia, tem sido bastante melhor tratada dando origem a grandes vinhos, especialmente em Bierzo. Timidamente vão aparecendo vinhos produzidos em Portugal 100% com a casta Jaen, embora não sendo consensuais quer entre produtores, que não arriscam em sair da zona de conforto, quer entre consumidores, pois os poucos exemplares existentes, variam imenso de estilo. Contudo, quando se prova este Torre de Tavares Jaen de 2008, quer tenhamos historial de provas de Bierzos ou Jaens, ou não, é indifirente - É um grande vinho. Jovem, mas com todas as nuances que fazem um vinho delicioso em evidência. Potência, elegância, frescura, fruta e vegetal, pendor gastronómico, a dar uma prova maravilhosa à mesa. Uma belo exemplar produzido pelo irreverente João Tavares de Pina, que exporta quase toda a sua produção. Será difícil de arranjar, mas se o conseguirem obter, bebem já algumas garrafas e vão guardando outras. PVP: 15€.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Fora do Baralho: Encostas do Enxoé Branco 04, 08 e 10

Tenho para mim que o Alentejo não é a primeira região que me vem à memória, quando penso em vinhos Brancos. Ainda que, claro, como um pouco por todo o Portugal, haja belos brancos, cada vez mais concisos e bem feitos. Mas quando temos um branco de 2004 e outro de 2008 em tão boa forma, da região de Pias, não deixa de ser surpreendente certo? A imagem que acompanha este texto é bastante sugestiva, mostrando a evolução de ambos os vinhos. O 2008  ainda mais evoluído que o 2004 (quando deveria ter sido o contrário), este último, que se mostrou notavelmente fresco - um vinho com 12 anos, que em prova cega iria seguramente baralhar o maior dos provadores!. Um verdadeiro case study. Ambos foram feitos da casta Roupeiro (Siria, certo?) e mostram aqui um carácter maduro, mas sobretudo de uma enorme longevidade. Quem quiser ter a experiência, pode ir ao hipermercado Jumbo e por menos de 4€ tem lá o Encostas do Enxoé branco 2010. Já não é feito de Roupeiro, mas sim das castas mais consensuais Arinto e Antão Vaz, também provado e não tão deslumbrante como os feitos de Siria, mas sem deixar de ser admirável vermos nas prateleiras do Jumbo um vinho branco do Alentejo, de 2010. Estarão os tempos a mudar?

Sérgio Lopes

domingo, 12 de junho de 2016

BairraDão, Festa de Vinhos da Bairrada e do Dão

O Hotel Quinta das Lágrimas, em Coimbra, está a organizar um evento que vai reunir as duas principais regiões vitivinícolas da região. BairraDão é o nome da iniciativa que se quer afirmar como um festival para os amantes do vinho, já que serão apresentados os melhores vinhos das duas regiões que se inserem em pleno coração da região das Beiras - Bairrada e Dão. A iniciativa, terá lugar no dia 18 de Junho. Toda a informação relativa ao evento, incluindo lista de produtores pode ser encontrada na página do facebook do evento:

https://www.facebook.com/events/1750555321858166/



Sérgio Lopes


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Arena de Baco: Luís Pato a grande nível


A rubrica Arena de Baco pretende colocar frente a frente vários vinhos e só um sairá vencedor... embora isso pouco interesse tenha. O importante é falarmos mesmo de todos os vinhos, à sua maneira, pois no confronto,  com maior ou menor Knock Out, estiveram todos MUITO bem. Os sólidos que acompanharam o festim foram: 

Entrada bola de bacon; Queijinhos Franceses. Um Frango na Púcura (não houve Pato). Sobremesa Torta de Chila.

BATALHA

  • Vinha Formal Branco Cerceal 2014  - Diz-se que apenas foram produzidas 600 garrafas deste vinho... Mais uma das experiências do Engº Químico Luis Pato com a casta Cerceal. E que bela maneira de iniciar o jantar com um vinho com uma frescura brutal e que se avizinha uma enorme longevidade. Começamos em grande.
  • Vinha Formal Branco 2003 - Que branco tão bem envelhecido... de facto com uma frescura tal que está "jovem". O grande branco da noite que dá enorme prazer a beber. 100% Bical de vinhas plantadas em solo argilo-calcário . Passa 9 meses por madeira nova. Um grande branco.
  • Vinhas Velhas Branco 2000 - Depois do Formal 2003, não seria fácil passar a outro branco... E de facto este vinhas velhas 2000 pareceu-nos mais evoluido, sem ser chato, mas talvez já tenha passado o seu melhor momento. Contudo, num nivel muito bom, comparativamente com os demais brancos provados com a mesma idade. Mas é Luis Pato e nós exigimos sempre um pouco mais, né?
  • Vinhas Velhas Tinto 1994. Entramos nos tintos e confesso que o 1994 Vinhas Velhas teve reacções contrárias. È um facto que foi o único tinto que se afastou da linha condutora dos restantes. Talvez já não tenha a força e potência de outrora, mas também não lhe demos muito tempo, pois vinham aí mais "Patos" a caminho...
  • Quinta do Ribeirinho 1ª Escolha Tinto 1996 - Baga e Touriga Nacional. Um vinho que dá muito prazer a beber e ainda em grande forma. Foi bem armazenado e devemos bebê-lo já. Uma prova de que o mix entre Baga e Touriga funciona bem. O produtor diz que em média dura 10 anos. Este já vai nos 20...!
  • Quinta do Moinho 1998 - Vinho produzido exclusivamente da casta Baga com monda em verde no início de Agosto. Estagiou em cascos de carvalho Allier durante 12 meses. Mais um vinho em grande forma a dar grande prazer na prova.
  • Vinha Barrio Tinto 2000 e 2001 - De uma vinha arrancada em 2004, em virtude de não estar alinhada, por ser uma vinha com mais de 80 anos. Tanto o 2000 como o 2001 em grande grande forma. Gostei muito das notas especiadas e até quimicas, com a fruta ainda bem presente num conjunto deliciosamente fresco. 2001 melhor que o 2000, mas ambos fantásticos!
  • Vinha Barrosa Tinto 2001 - O vinho da noite. Uma combinação de todas as partes em harmonia. Fruta, especiaria, volume de boca, elegância, frecura, um vinho de nivel mundial. Provavelmente um dos melhores Barrosa de sempre. EU, se tivesse mais garrafas não esperaria mais para as beber, com enooooooorme prazer!
  • Luis Pato Espumante Bruto 1995 - Terminamos com um espumante de 95 que o próprio Luis Pato nos fez chegar. Com uma evolução já muito grande. Mais vinho que espumante, quase sem bolha. Não deslumbrou.
Resumindo, será muito dificíl repetir tal line-up, com vinhos de anos tão distintos  (e antigos) de um só produtor. Praticamente estivemos na década de 90... O nível dos vinhos foi de uma qualidade muito muito alta, o que vem comprovar que Luis Pato é um dos grandes embaixadores de Portugal, da Bairrada e da casta Baga!

May the Wine be with you...!

Sérgio Lopes

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Bairrada Refresh Meets Coimbra - Bolhas de Sucesso


Este ano, foram 20 produtores que foram à procura de novos consumidores, novos mercados e apostas. Não deixando os créditos em mãos alheias, quase todos os produtores trouxeram bolhinhas deliciosos. Embora não estivessem alguns dos emblemáticos (não podem estar todos) tais como Luis Pato, Filipa Pato, ou Sidónio de Sousa, foi possível provar muitos espumantes de produtores mais ou menos desconhecidos (entre outros históricos), todos com uma qualidade e relação qualidade - preço invejáveis! Alguns a envergonharem alguns champagnes...

Num espaço convidativo à beira Mondego, o REFRESH - BAIRRADA MEETS COIMBRA foi um êxito de casa cheia que deve deixar orgulhosa a Comissão Vitivinícola da Bairrada. Para o ano há mais, com certeza. Aqui ficam algumas das estrelas que brilharam no evento:





Sérgio Lopes