segunda-feira, 13 de maio de 2013

2.º Festival do Vinho do Douro Superior

É já nos dias 24, 25 e 26 de Maio que Vila Nova de Foz Côa acolhe a 2.ª edição do ‘Festival do Vinho do Douro Superior’, um evento multifacetado que vai decorrer no ExpoCôa - Pavilhão de Exposições e Feiras.  No certame, estarão presentes mais de 60 produtores desta sub-região do Douro, representando 6 concelhos vinícolas (Vila Nova de Foz Côa, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo, Figueira de Castelo Rodrigo, São João da Pesqueira, Carrazeda de Ansiães e Mêda), somando mais de 200 marcas de vinhos expostas e servidas!

À feira (exposição e prova) de vinhos e sabores da região – onde se vai poder degustar e comprar vinhos, azeites, amêndoas, doces, queijos e enchidos a preços especiais – juntam-se a segunda edição do ‘Concurso de Vinhos do Douro Superior’; um colóquio para profissionais; provas de vinhos e azeite do Douro Superior comentadas por especialistas; e visitas a quintas produtoras de vinho. Integrado também no programa do festival, está agendada uma ação de formação do IVDP para promover o serviço de vinho do Porto – “Saber servir; vender melhor” – destinada a profissionais do canal horeca e agentes turísticos.

O 2.º ‘Festival do Vinho do Douro Superior’ tem entrada gratuita. À disposição dos visitantes, para que possam provar os vinhos em exposição, a organização disponibiliza um copo no valor de € 2,00.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa é a entidade organizadora do Festival. A produção e direcção deste certame, que este ano conta com o apoio do IVDP, está a cargo da Revista de Vinhos.

Programa do Festival:



Sérgio Lopes

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Alves de Sousa Vintage 2009


Ano: 2009

Produtor: Domingos Alves de Sousa

Tipo: Porto Vintage

Região: Douro

Castas: Várias

Preço Aprox.: 35€

Veredicto: Domingos Alves de Sousa é sobretudo reconhecido pelo seus excelentes vinhos do Douro, é um facto. Chega o momento de apostar igualmente nos vinhos do Porto, tal como nos informou o enólogo Tiago Alves de Sousa. Parece-me lógico. Este vintage 2009 é pois o primeiro da gama "Alves de Sousa" a que se pretende dar continuidade, juntamente com o natural surgimento dos tawnie com indicação de idade.

Relativamente ao vintage 2009, trata-se de um vinho de cor retinta. No nariz, aroma complexo, mas algo contido, com a natural presença da fruta vermelha e preta bem madura que se sente muito mais na boca. Apresenta uma boa estrutura, terminando longo e apetecível.

Mais consensual na boca do que no nariz, trata-se de um vintage bem conseguido, diferente. Diferente, pois Tiago Alves de Sousa utiliza uvas da Gaivosa e também das zonas mais quentes (Quinta das Caldas; Quinta da Estação). Assim temos um nariz a lembrar o universo Gaivosa - menos exuberante e mais terroso e uma boca mais próxima do perfil clássico de um Vintage.

Classificação: 16

Sérgio Lopes

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Pingo Doce, vinhos anti-crise



Ligamos a televisão e é só austeridade e mais austeridade... Folheamos os jornais ou navegamos na internet e a crise está sempre no topo das notícias. E por isso, decidi partilhar algumas opções, vinhos verdadeiramente anti-crise. São 3 vinhos distintos, sob a chancela da marca Pingo Doce, dois brancos, um do Dão, outro da região dos vinhos verdes, ambos abaixo dos 2€ e ainda um espumante rosé, bairradino, pois claro, abaixo dos 3€. Nice! A cadeia do grupo Jerónimo Martins inteligentemente juntou esforços com alguns dos produtores em larga escala, de cada região, produzindo assim vinhos acessíveis a todas as bolsas. E atenção, tratam-se de vinhos bem feitos e capazes de agradar.

Do Dão, o branco, que ilustra a figura acima, tem enologia de Osvaldo Amado, enólogo da Dão Sul (Cabriz, Santar) e é engarrafado pela empresa em exclusivo para o Pingo Doce. Produzido das castas brancas da região, nomeadamente encruzado, malvasia fina, bical e cerceal branco, trata-se de um vinho onde no nariz predomina um conjunto de notas frutadas (citrinas e tropicais) e florais, típicas da mistura de castas, num conjunto aromático bem agradável. Na boca, a frescura é o mote. Embora o corpo e o final de boca sejam obviamente algo curtos, termina com uma acidez interessante (quiçá um pouco marcante - não nos podendo esquecer que o vinho custa menos que 2€) que lhe confere um carácter gastronómico interessante.

Da Bairrada, um espumante bruto rosé, produzido pelas Caves da Montanha em exclusivo para o Pingo Doce. Embora de Rosé tenha pouco, aromaticamente falando (falta fruta), o conjunto funciona globalmente bem, graças a uma bolha fina e uma acidez correcta, traduzindo-se num vinho borbulhoso bem conseguido, gastronómico qb.

Finalmente resgato aqui o vinho verde, 100% Loureiro, produzido pela Quinta da Lixa em exclusivo para o Pingo Doce. Apesar de existir igualmente um branco blend eu prefiro este Loureiro. Apresenta alguma agulha típica dos "verdes" ao primeiro vislumbre. Fresco, floral, citrino e suave. Simples, mas bastante bem conseguido, terminando curto mas agradável.

Todos os vinhos têm a marca Pingo Doce e podem ser opções viáveis como verdadeiras bombas anti-crise!



Sérgio Lopes

segunda-feira, 6 de maio de 2013

1 branco e 1 rosé, para o Verão.

Periquita Branco 2012
Monte da Ravasqueira Rosé 2012

Está a chegar o verão... timidamente é certo, uma vez que no momento em que escrevo este texto, está a chover, embora já se sinta uma temperatura bem mais primaveril. Mas, anntecipando os dias de calor que aí vêm e o aumento substancial no consumo de vinhos brancos e também de rosés, venho vos falar de dois exemplares que serão escolhas acertadas para a estação quente (assim se espera). Dois vinhos - um branco e um rosé- que se encontram com facilidade nas grandes superfícies, ambos com uma relação qualidade-preço bastante acertada.

O branco. Periquita, emblemática marca da José Maria da Fonseca (Península de Setúbal), aqui na versão branca, produzido das castas 53% de Verdelho, 25% de Viosinho, 20% de Viognier e apenas 2%, Moscatel de Setúbal. Aqui reside a grande diferença relativamente ao lote do ano passado, onde o Moscatel tinha um peso de cerca de 30% no lote. O resultado, relativamente ao 2011 é por isso um pouco diferente, notando-se uma componente aromática menos acentuada na versão de 2012. No geral, temos um vinho, equilibrado, com notas limonadas, algumas flores e frutas de caroço, talvez com maior leveza e um pouco mais fino que o 2011. Perde-se a exuberância aromática, mas acresce uma maior leveza de conjunto, num perfil mais versátil. Simples e bem feito, capaz de dar prazer. PVP 3,99€ 

Classificação: 15


O Rosé. Monte da Ravasqueira, do produtor alentejano com o mesmo nome. Feito de 55% Touriga Nacional e 45% Syrah, foi galardoado muito recentemente com a medalha de prata no concurso internacional de Bordéus. Trata-se de um Rosé muito fresco e apelativo, com fruta fresca mas também algumas nuances de rebuçado. Na boca, confirma o registo de frescura e fruta fresca apresentados no nariz. Com bom volume de boca, termina seco e bem agradável. PVP 5,49€ 

Classificação: 15


Nota: Amostras gentilmente cedidas pelos produtores, ao quais agradecemos.


Sérgio Lopes

domingo, 5 de maio de 2013

Herdade Grande Tinto 2008

Ano: 2008

Produtor: António M. Lança

Tipo: Tinto

Região: Alentejo

Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Touriga Franca

Preço Aprox.: 7,5€

Veredicto: Herdade Grande é uma propriedade agrícola localizada a cerca de 5Km de Vidigueira/Alentejo, com área total de 350 hectares dos quais 60 hectares de vinha, 40 de olival e o restante destinado ao pastoreio de ovinos. Na pertença da mesma familia desde 1920, o projecto vitivinícola iniciou-se com a instalação de vinhas em 1980 e a vinificação em 1997, pretendendo-se produzir e comercializar 350.000 a 400.000 garrafas de vinho, das quais 30% Branco e 70% Tinto.

Comprado no hipermercado Continente, este vinho estava há já algum tempo meio esquecido na garrafeira...

Com 9 meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano, apresenta uma cor ruby carregada com rebordo violáceo. No nariz, notas de fruta compotada e leve especiaria. Bom volume de boca, taninos redondos, equilíbrio de conjunto com madeira bem integrada. Termina de agradável persistência, sentindo-se o calor do terroir alentejano (14,5º de álcool), mas sem ser maçador.

Tipicamente Alentejano, gastronómico, acompanhou curiosamente e na perfeição, uma bela carne de porco...à alentejana, tendo sido de agrado geral.


Classificação: 15,5



Sérgio Lopes

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Hexagon 2008


Ano: 2008

Produtor: José Maria da Fonseca.

Tipo: Tinto

Região: Setúbal

Castas: Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão, Touriga Franca e Tannat

Preço Aprox.: 40€

Veredicto: Topo de gama do produtor, produzido apenas em anos de qualidade excepcional, o hexágono (hexagon) presta homenagem às 6 gerações da família Soares Franco. Por outro lado o vinho é também composto por 6 castas seleccionadas: Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão, Touriga Franca e Tannat. Este mesmo vinho foi considerado o 8º melhor vinho tinto do ano, pela revista Wine. Foi por isso, com enorme curiosidade que tive o privilégio de o provar.

Quando provamos um vinho de topo, distinguido, há sempre aquela sensação: Será que realmente vai cumprir ou até superar as expectativas criadas? Por vezes tratam-se de vinhos um pouco fechados, a necessitarem de garrafa e em que os sentidos na prova têm de estar astutamente alerta para entender o que ali se prova. Contudo, não nos podemos esquecer que o enólogo é apenas Sir Domingos Soares Franco... enólogo brilhante que empresta uma identidade bem marcada a qualquer vinho produzido do enorme portfolio da José Maria da Fonseca.

E o vinho foi de facto um deleite para os sentidos. Extremamente complexo, elegante e de final interminável.

De cor granada, bem opaca, no nariz começou por mostrar fruta madura e especiaria de qualidade. Foi abrindo, surgindo chocolate, um toque mentolado, flores, enfim, grande complexidade aromática, apoiada sempre numa grande elegância. Na boca, madeira integrada de primeiríssima qualidade, carácter vegetal, taninos bem redondos, muita frescura, num final extraordinariamente fino e longo.

Longevidade prevista de 16 anos. Não dá para aguentar esse tempo...!

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Classificação Pessoal: 18

Sérgio Lopes

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2009


Ano: 2009

Produtor: Domingos Alves de Sousa

Tipo: Tinto

Região: Douro

Castas: Sousão, 10% Tinta Amarela, 10% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz 30% e outras 30%

Preço Aprox.: 40€

Veredicto: Esta pequena pérola nasceu da vontade de Tiago Alves de Sousa em vinificar a parte pelo todo. Passo a explicar: A Vinha de Lordelo da emblemática Quinta da Gaivosa é a mais velha das vinhas. Vinha quase centenária que faz parte do Quinta da Gaivosa, icon apenas vinificado em anos de colheita excepcional. Tiago pretendeu assim partilhar a particularidade de tal vinha tão importante no contexto global da Gaivosa.

A colheita de 2009 é de uma extraordinária harmonia de conjunto e facilidade de prova que nos desarma por completo.

De cor ruby, o aroma é extremamente complexo, com notas de frutos pretos, especiado e algo balsámico. Tudo está com uma elegância e finesse abismais. Na boca, o mesmo registo elegante e fresco, com taninos completamente domados. Termina muito longo e extremamente persistente.

Um grande vinho em qualquer parte do mundo. Um Douro fino e elegante. Viciante.


Classificação: 17,5

Sérgio Lopes