segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Em Prova: Malo Moscatel 5 Anos

Já há algum tempo que não bebia um Moscatel de Setúbal. Estava com saudades. Escolhi experimentar o Malo Moscatel 5 anos, que não conhecia. Trata-se, na realidade, de um lote de vinhos entre 2006 e 2013, perfazendo o perfil 5 anos. A vinificação é efetuada em Cuba, com adição de aguardente de armagnac, com as uvas a macerar 4 meses com a aguardente. Posteriormente estagia em barrica por um período de 5 anos. (Se fosse pela legislação do vinho do Porto seria quase um 10 anos. mas sendo moscatel define-se pela idade do moscatel mais novo) 

O resultado é um moscatel muito interessante para a sua gama de preço, com uma excelente acidez, textura aveludada e muita frescura, As notas de casca de laranja cristalizada e o fruto seco, estão lá, mas é no equilíbrio que surpreende. Com um bom volume de boca, fui bebendo um pouquinho durante a semana e ao fim de vários dias tinha "evaporado" (Nem tirei foto da garrafa!). Bom sinal, não? Excelente rqp, numa belíssima surpresa da Malo Tojo. PVP: 13,90€. Loja Online.

PS: Este vinho foi galardoado com a Grande Medalha de Ouro e vinho mais pontuado na 17ª edição do concurso vínico Selezione del Sindaco.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Fora do Baralho: Vinhos Antítese

Os vinhos Antítese são um projecto pessoal de dois amigos enólogos, que decidiram juntar duas castas aparentemente difíceis de resultar em blend, daí a designação "antítese". São eles Ricardo Santos - Malo Tojo (Setúbal) / Mestre Daniel (Vinho de talha no Alentejo) e Gilberto Marques (Quinta de Pancas). Existem duas referências atualmente no mercado ambas de 2016, ambas com alguma estrutura, com barrica e um ano em garrafa e vinificadas pelos dois amigos. O Antítese Pinot Grigio / Arinto é de uvas provenientes da Quinta do Carneiro (Alenquer) e mostra-se um vinho fresco, equilibrado, com um aroma muito sui-generis, provavelmente do Pinot Grigio, com notas de pêssego e mel, apoiado pela acidez de um Arinto que segura o conjunto. O Antítese Fernão Pires / Chardonnay, é feito com uvas provenientes da Quinta de Catralvos (Setúbal). É um vinho com madeira mais notória e também um pouco mais de álcool, o que o torna mais volumoso e menos fresco que o anterior, ou seja um branco de perfil mais maduro. Duas curiosidades do mundo do vinho, fruto da amizade destes dois enólogos, ainda disponíveis para quem quiser provar. PVP : 6€. Disponibilidade Reduzida.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Em Prova: Herdade do Rocim Touriga Nacional 2017

O Herdade do Rocim Touriga Nacional é um tinto Alentejano lançado juntamente com o Herdade do Rocim Alicante Bouschet e o Herdade do Rocim Reserva. Apesar de todos serem naturalmente diferentes entre si, têm em comum a imagem cravada no rótulo de um pássaro (apenas muda a cor consoante o vinho) como referência à apologia da biodiversidade e à missão de não deixar extinguir a planta linaria, que se encontra na propriedade. Este vinho é, claro está, produzido 100% de Touriga Nacional, fermentando e estagiando em barrica de carvalho francês, por 11 meses. Está um vinho ainda bastante jovem, marcado no nariz pelas notas florais características da casta e pela presença forte de especiarias, do contacto com a barrica. Na boca apresenta- se equilibrado, de taninos macios mas firmes, fresco e com uma boa estrutura, com a presença especiada a fazer-se sentir bem, nesta fase, a necessitar de algum tempo para amaciar. Um exemplar bem conseguido do que a casta pode aportar no terroir Alentejano. PVP: 10€. Grandes Superfícies/ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Em Prova: Quinta da Murta Clássico 2015

A Quinta da Murta situa-se em Bucelas, às portas de Lisboa, "coração" da casta Atinto e tem enologia de Hugo Mendes, que até acaba por ser curiosamente a única figura a que identificamos o projeto. Laboratório para a casta Arinto há mais de 10 anos, Hugo tem tentando aperfeiçoar o perfil e estilo que esta casta consegue aportar no terroir tão particular de Bucelas e em particular na localização idílica da própria Quinta da Murta (vale a pena visitar - fez-me lembrar Constância). A menção clássico apenas ocorre em anos onde as condições assim o permitem. Foi assim em 2009, 2012 e 2013 e volta a sê-lo em 2015. 

O vinho está delicioso, sendo provavelmente o melhor Murta clássico até à data. Tem um equilíbrio notável e é cheio de nuances que lhe conferem complexidade, desde logo a começar pelo nariz com notas citrinas inebriantes, casadas com uma madeira de qualidade , totalmente integrada (como Hugo gosta), mas que lhe dá um lado sedutor. A boca é cheia, redonda, untuoso e de novo super equilibrada, no binómio fruta-acidez. Com bom volume, termina crocante e de final longo, a dizer-nos que ainda irá crescer mais em garrafa, apesar dos seus 4 aninhos de vida. Sim, um branco com 4 anos de vida, que agora, só agora se começa a mostrar...Que belo vinho. PVP: 15€. Disponibilidade Muito Reduzida.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Em Prova: Herdade das Servas Colheita Seleccionada Branco 2018

Projeto da família Serrano Mira, do Alentejo, que foi ganhando o seu espaço e hoje se encontra consolidado, com várias referências no Mercado. Os vinhos de entrada são da gama Monte das Servas. No patamar a seguir surge o Herdade Das Servas Colheita Seleccionada, cujo branco tive a oportunidade de apreciar à mesa, com uma posta de garoupa na brasa. É um vinho muito competente e interessante, blend de 4 castas - normalmente Roupeiro, Viognier, Verdelho e Alvarinho e que fruto de algum trabalho de batonnage ganha uma estrutura e gordura de boca muito interessantes. Nunca fugindo à sua origem Alentejana, mostra-se contudo, fresco e equilibrado, de corpo e final de boca médios, tendo sido o pairing perfeito para o peixinho na brasa. PVP: 8,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Novidade: Olho do Mocho Single Vineyard Reserva Branco 2018


Chega ao mercado e à nossa mesa a nova colheita do vinho Olho de Mocho Single Vineyard Reserva branco 2018, produzido pela Herdade do Rocim. Trata-se de um branco alentejano, 100% Antão Vaz, de uvas da vinha mais velha (65 anos) e que se chama precisamente Olho de Mocho porque contém muitas flores de olho de Mocho (flor que está no rótulo). Com fermentação em barricas de carvalho francês e em depósitos de cimento, por um período de 21 dias e submetido a uma battonage diária durante cinco meses. 

Estamos na presença de um branco complexo, de carácter mineral, com uma boca elegante e alguma untuosidade. A madeira não se sente e por isso torna-se muito apelativo e apto para mesa. A boca é redonda, com taninos suaves e bastante frescura, traduzido-se num vinho polido, mas que precisa de algum tempo para se mostrar na sua plenitude (muito jovem). Foi abrindo ao longo dos 2 dias de prova, mostrando um perfil delicado e suave que nada tem a ver com os brancos da região (por vezes algo pesados). Só lhe falta, na minha opinião, um final um nadinha mais potente / crispie, um pouco mais de garra - a meu gosto, mas certamente que o tempo em garrafa o poderá apurar um pouco mais. PVP:15€. Garrafeiras.


Sérgio Lopes

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Em Prova: Pai Albariño 2018

Pai 2018 é um vinho branco produzido na Galiza pelo produtor Albamar, um dos grandes desta região. Esta referência é 100% Albariño, feito com a mistura de várias parcelas, e com um tempo de estágio sobre borras um pouco maior que o vinho Albamar, procurando assim um pouco mais de complexidade e volume. O resultado é um vinho com uma afinação brutal, super equilibrado entre as notas minerais e citrinas, com aquele toque de salinidade tão característico da zona e repleto de frescura. Complexo, mas muito redondo, feito com elevada precisão como normalmente são os grandes vinhos das Rias Baixas. Se em Portugal por vezes se encontram Alvarinhos demasiado exuberantes ou pouco crocantes, aqui temos um belo exemplar de como se trabalha a casta de uma forma precisa e super afinada. PVP: 14,50€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes