terça-feira, 2 de agosto de 2016

Em Prova: Quinta do Carmo Branco 2015

15/20. Produzido pela Bacalhoa o Quinta do Carmo Branco 2015 é um vinho branco do Alentejo, feito de Roupeiro (50%), Antão Vaz (30%), e Arinto (20%). Trata-se de um vinho bem feito, com boa acidez, notas leves de fruta tropical, misturado com algum citrino, num conjunto equilibrado e de média complexidade. Sem defeitos, mas também sem grandes virtudes que justifiquem o seu preço algo desajustado, pelo menos na minha opinião. PVP: 7,90€; Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Arena de Baco: 13 à Sexta (14 por sinal)


13 à sexta, porque seriam 13 pessoas a provar vinhos na passada 6ª feira. Fomos 14, mas fica o nome pois faz sentido e até para se repetir esta magnífica experiência, mais vezes, por sinal. O evento foi promovido por amantes do vinho e alguns enólogos do setor o que o tornou ainda mais divertido e sobretudo muito didático, sempre num ambiente totalmente descontraído, como se pretende. O local de degustação vínica e também de grandes iguarias italianas foi a casa do, quiçá, italiano mais português do mundo dos vinhos, o Marco Giorgetti. Marco e sua esposa prepararam um autêntico manjar de iguarias italianas que foram sendo acompanhadas por vinhos brancos, espumantes e tintos. No final tivemos o ENORME privilégio de provar 3 vinhos italianos de outra galáxia. Bravo! 

A foto acima ilustra a quantidade de vinhos provados e também a enorme qualidade, sobretudo nos brancos. Todos os vinhos provados às cegas... Eu diria que os espumantes, que foram apenas 3, serviram de entrada, seguiu-se a maratona dos brancos em grande forma e terminamos com os tintos que infelizmente na sua maioria já tinham passado o seu momento, pois eram bastante antigos, embora prometedores. Uma pena. Mas já sabemos que num vinho antigo, cada garrafa é... uma garrafa. Pode daí advir boas ou más surpresas. É essa também a piada e o gozo de os provar. 

Aqui ficam as fotos de alguns dos vinhos que mais impressionaram em prova:



Destaques Brancos:
- Permitido de Márcio Lopes, um branco de altitude, da Meda, com mineralidade e frescura brutais. Muito delicado e com um potencial de envelhecimento bastante elevado. Delicioso.
- Muros de Melgaço Loureiro 2005, um branco da região dos vinhos verdes deliciosamente evoluído, com uma estrutura fabulosa e notas de mel, passas, frutos secos, tudo num registo de enorme frescura. O Loureiro a envelhecer muito bem!
- Anselmo Mendes Curtimenta, Tempo, Parcela Única e Expressões. O que dizer novamente destes grandes brancos feitos pelo Constantino Ramos? Cada um muitíssimo bom, dentro do seu estilo.
- Portal da Azenha Grande reserva 2013, um branco Duriense que agradou bastante de uma forma geral. Um perfil mais maduro, com madeira, muito gastronómico.
- Quinta das Bageiras Garrafeira 2014, um vinho de Mário Sérgio que não gerou consensos. Houve quem adorasse e houve quem achasse o garrafeira branco do produtor mais "estranho" e fora do perfil habitual. Eu que sou um grande fã do seu trabalho, não fiquei deslumbrado com este vinho...

Destaques Tintos:
- O mau estado de quase todos os tintos provados, já fora de prazo. Infelizmente, foi azar...Ainda assim destacaria:
- Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 97, em grande forma para quem gostar do estilo.
- Adega de Borba Reserva 92, ainda vivo, o que é deveras surpreendente!
- Sarmassa 2010, um Barolo, claramente o vinho vencedor (também o mais jovem dos tintos em prova cega).

Para o final estavam reservados, pelo anfitrião (na foto abaixo querendo anonimato :-)), 3 vinhos italianos... Mas não foram 3 vinhos quaisquer. Foram 3 grandes vinhos! 


2005 La Spinetta Vursu Vigneto Campe, o VINHO DA NOITE. Um Barolo que o Marco teve a gentileza de nos dar a provar. Eu diria a honra e privilégio de degustar! Tudo em grande nível: Complexidade, elegância, frescura, boca, enfim... Deixou toda a gente boquiaberta!
- 2006 Tenuta Pianpolvere Barolo Riserva, Barolo também, mas um reserva, num perfil mais tânico e "rude". Outro grande vinho.
2004 La Spinetta Sezzana Sangiovese Toscana. terminando em grande com este magnifico Sangiovese, de novo com uma elegância e complexidades ímpares, para um vinho com mais de 10 anos. Bela casta, que permite fazer igualmente os mundialmente famosos Chianti!

NOTA:
- O Barolo é um vinho produzido no noroeste da Itália, Província de Cuneo, região do Piemonte, com a casta Nebiolo.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Um copo com... Sofia Soares Franco

Sofia Soares Franco é responsável de comunicação e enoturismo da José Maria da Fonseca. Oriunda de uma família com forte tradição nos vinhos da Península de Setúbal, Sofia pertence à 7ª geração, num produtor de referência no panorama nacional e internacional e cujo tio, Domingos Soares Franco, responsável pela enologia, “não sabe fazer vinhos maus”. Natural de Azeitão, licenciada em Ciência Política, vive em Lisboa.

1. Olá Sofia. Com um portfolio tão vasto que a JMF possui, por vezes deve ser complicado identificar preferências. Se lhe dessem a escolher 3 vinhos da casa, quais seriam as suas escolhas por favor? Agora no Verão sou uma grande fã de BSE, tanto em registos informais para um copo ao fim do dia como para acompanhar peixe grelhado, marisco e saladas. O nosso espumante de Moscatel Roxo, da Colecção Privada Domingos Soares Franco, é também uma das minhas escolhas mais frequentes e também dos vinhos que mais ofereço, pela sua originalidade e irreverência. Ao nível de vinhos de sobremesa não posso deixar de referir o Moscatel de Setúbal, mais propriamente o Alambre 20 Anos, por ser extremamente versátil e por ter umas das melhores relações qualidade preço.

2. Lembra-se da primeira vez que pensou “eu vou trabalhar nos vinhos”? Desde sempre que vivo a realidade do mundo dos vinhos, sempre brincámos nos jardins da José Maria da Fonseca ou nas vinhas e acompanhámos de perto as vindas para “o armazém”, como lhe chamávamos quando éramos pequenos, tanto do nosso avó como do nosso Pai. Também desde muito cedo realizámos estágios de verão na empresa, o que nos permitiu conhecer a realidade da José Maria da Fonseca de outra perspectiva, no entanto estava longe de imaginar que viria trabalhar aqui. O meu percurso académico foi direccionado para outras áreas, assim como as minhas primeiras experiências profissionais, no entanto em 2007 recebi o convite para gerir o Enoturismo e a área de relações públicas, e como única mulher da minha geração, achei que tudo estava alinhado para aceitar este (enorme) desafio.

3. O que gosta de fazer nos tempos livres? Gosto de passar tempo com os meus filhos, infelizmente actualmente passamos muito tempo dos nosso dias a trabalhar pelo que gosto muito de aproveitar o tempo livre que tenho para passear com eles, ir ao parque, brincar. Também adoro ir jantar fora com amigos.

4. Descreva as férias dos seus sonhos, onde vai, por quanto tempo e porquê? Adoro férias de neve. Sempre gostei mais de Inverno do que de praia, pelo que não dispenso uma semana de férias de neve em Espanha. Desde que fui Mãe tive que me render à praia e gosto muito de estar pela Arrábida e pelo Algarve e aproveitar uns dias de merecido descanso em família.

5. Qual o seu prato preferido? Sou um bom garfo, gosto muito de sushi mas também do bom peixe grelhado aqui de Setúbal.

6. Conte-nos uma peripécia que tenha vivido no mundo dos vinhos.
Um dia cheguei com a minha família a um restaurante bem conhecido em Lisboa e pedimos um vinho nosso, e o empregado, sem nos conhecer obviamente, disse-nos que não recomendava porque não era um “bom vinho”. Pedimos o vinho na mesma e um decanter, decantámos o vinho e estava belíssimo. Demos a provar ao empregado que se rendeu às evidências e que ficou muito “encavacado” quando nos apresentámos J J – de acrescentar que o preço do vinho estava erradamente marcado na carta a 10 vezes mais...

7. O que considera diferenciador da região da Península de Setúbal em relação a outras regiões do país? A Península de Setúbal é uma região ímpar. Combina solos de areia e argilo-calcários, e sendo uma região com influência marítima oferece-nos vinhos com as qualidades de uma região a sul mas com mais frescura e acidez. 

8. Como é trabalhar com o grande Domingos Soares Franco? Trabalhar com o meu Tio é muito bom. Trabalho em família há quase 10 anos, com o meu Pai, tio e o meu irmão mais velho, o António, e mais recentemente com o meu primo Francisco. Temos muitas vezes perspectivas diferentes sobre vários temas, mas conseguimos sempre encontrar pontos de convergência e conciliar perspectivas de duas gerações diferentes e de personalidades muito distintas. Esse é um dos factores que acho que têm sido fundamentais para levarmos a empresa a bom porto, sabermos respeitar as opiniões uns dos outros e aproveitar o melhor de cada um. 

9. Momento: Refira uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer.  Gosto muito de música brasileira, uma das minhas músicas preferidas é da Ana Carolina com o Seu Jorge, “É Isso aí”. O local, a Serra da Arrábida com o mar ao fundo, a companhia do meu marido, o vinho, o Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho. Sou uma romântica, está visto!

10. Qual o melhor vinho que alguma vez provou? Esta também é uma pergunta difícil, na realidade acho que foram dois, e ambos da José Maria da Fonseca . Um Periquita 1938 e um Moscatel de Setúbal 1900.


Sérgio Lopes



quinta-feira, 28 de julho de 2016

Em prova: Marquês de Marialva Espumante Bruto Rosé 2014

14,5/20. Produzido pela Adega de Cantanhede e pelas mãos de Osvaldo Amado, o Marquês de Marialva Espumante Rosé Bruto é feito exclusivamente da casta Baga. Trata-se de um vinho leve, com uma cor bem rosada, notas aromáticas de rosas e framboesas, boca com boa mousse e sobretudo harmonia de conjunto. Termina com ligeira doçura compensada pela boa acidez. No entanto, há que ter cuidado com a temperatura para não se tornar um pouco chato. PVP: 5,99€. Disponibilidade: Grandes Superfícies. Beber bem fresco.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Em Prova: Miogo Espumante Reserva Bruto 2011

16/20. Produzido pela Vinhos Norte, mais conhecida pelas marcas Tapada dos Monges, ou Cruzeiro, tem contudo no seu portfolio uma gama de espumantes denominada Miogo, do qual existe um branco, um espadeiro e um tinto. O que provamos trata-se do reserva branco 2011, composto pelas castas Loureiro e Arinto e que estagia 12 meses em garrafa (após 2ª fermentação) antes de saír para o mercado.

De cor citrina, é um espumante que apresenta uma bolha fina e uniforme. No nariz, notas citrinas e de frutos secos. Muita frescura. Na boca, apresenta uma mousse de bela estrutura, muito agradável no palato, saboroso e prazenteiro. Termina com uma bela persistência e final longo. Só precisava de menos um pouco de doçura final, ainda que a acidez compense de forma muito eficaz.

Um espumante de "vinho verde" reserva bruto, gastronómico e versátil, pois tanto acompanha uma boa refeição, como pode ser o companheiro de momentos de celebração. Recomendado. PVP: 13€. Disponiblidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de julho de 2016

WHITE WINE PARTY em Setúbal pretende encher a cidade de "brancos"!

Setúbal vai receber a primeira ‘Festa Branca’ dedicada aos vinhos e espumantes: White Wine Party realiza-se no próximo sábado, dia 30 de Julho, das 17 às 23H, no Hotel do Sado Business & Nature.

Num cenário absolutamente divinal, com vistas sobre a cidade de Setúbal, Tróia, o rio Sado, toda a zona ribeirinha, Serra da Arrábida... A revista Paixão pelo Vinho reúne produtores de vinhos e espumantes brancos, de todas as regiões de Portugal e também algumas referências de Champagnes e de espumantes de outros países. Serão provas inesquecíveis, promovendo a troca de conhecimentos, o contacto direto com enólogos e, claro, muitos brindes ao longo da tarde e noite, ao som da música do DJ Monchike.

Não faltarão saborosos petiscos para acompanhar as provas de vinhos, como sanduiches de porco no espeto (2,5€); pratos de enchidos, de queijos ou mistos (5€); rissóis de leitão ou croquetes de carne (5 unid. /5€); e para os mais gulosos salame de chocolate (3 fatias para partilhar / 2,5€) ou uma queijada de leite (1€), por exemplo.

A entrada poderá ser adquirida antecipadamente na recepção do Hotel do sado ou no próprio dia, tendo um custo de 10 Euros com oferta de duas tapas no valor de 2,5€ cada entre as várias possibilidades do menu disponível para ‘Festa Branca’, incluindo também a oferta do copo de prova que dá acesso livre à prova de todos os vinhos e espumantes do evento.

Sempre em ambiente de festa, a White Wine Party pretende ser um evento descontraído, elegante e com muito glamour, tendo Dress Code obrigatório de uma peça de roupa branca (ou acessório). 

Sérgio Lopes (in Press Release)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Da minha cave: Quinta do Ameal Escolha 2003

17/20O Quinta do Ameal Escolha é um vinho extreme da casta Loureiro, com a particularidade de sofrer um estágio em madeira usada, por 6 meses, que lhe proporciona uma complexidade ímpar, permitindo adquirir aromas terciários com o tempo em garrafa.

Provamos o 2003 e a rolha assustou um bocadinho, pois por pouco não entrava para a garrafa e quando retirada tinha uns laivos negros... Mas cheirava bem e o vinho também, por isso foi falso alarme.

13 anos preso em garrafa, demorou um pouco a abrir até que foi mostrando todo o seu esplendor:  Notas de boa oxidação, mel, passas e flores. Tudo num registo leve. Na boca, curiosamente parece ter ume leve mousse que quase se diria em prova cega se tratar de um espumante antigo com muito pouca bolha...! Bom corpo, untuoso, termina com uma acidez muito viva e crocante.

Mais um grande Loureiro do Ameal, talvez no seu momento de prova ideal?

Sérgio Lopes