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terça-feira, 31 de julho de 2018

Um copo com... Ana Urbano

Ana Urbano é a winemaker das caves Messias no que a vinhos do Porto diz respeito. Foi das primeiras pessoas que recebeu de braços abertos um grupo de winelovers em Vila Nova de Gaia para dar a provar as maravilhas que repousam nesta casa familiar e secular, repleta de tesouros em Gaia, mas também na sua sede na Mealhada, onde está a ser terminado um magnifico centro de visitas. Natural de Sangalhos, licenciada em Engenharia Agrícola, vive em Vila Nova de Gaia. 

Olá Ana, temos-te visto em provas nacionais e internacionais, onde tens provado muita coisa diferente, presumo. Inclusive provas de café… Como têm sido essas experiências? Têm sido experiencias incríveis, são oportunidades únicas de perceber perfis completamente diferentes, castas diferentes, terroirs diferentes e até perceber o perfil de alguns consumidores. Ficamos com a ideia dos vinhos que se fazem por esse mundo fora e ficamos também a conhecer melhor algumas das regiões do nosso país que é tão diverso no panorama vínico. 

Como caracterizas o vinho do Porto como bebida? Achas que poderia estar mais democratizado o seu consumo? O vinho do Porto é uma bebida de excelência, por vezes o que acontece é que está muito associado a elites e não existe um conhecimento grande das várias categorias de vinho do porto, nem o hábito de consumo está enraizado nos portugueses, é muito comum estar num restaurante, em que as únicas pessoas que consomem o vinho do porto são estrangeiras. 

Lembras-te da primeira vez que pensaste “eu quero trabalhar nos vinhos”. Sinceramente não, acho que foi um processo natural. 

O que gostas de fazer nos tempos livres? Gosto de viajar, de conhecer novos lugares, estar com a família, amigos, gosto basicamente de estar descontraída. 

Qual o estilo de vinho do Porto que mais aprecias? Gosto imenso de Colheitas, mas gosto de beber um bom Vintage. 

Qual a região do país que consideras possuir maior potencial para se fazer vinho? Existem grandes tantas e tão diferentes regiões vitícolas, algumas com mais aptidão para brancos outras com mais aptidão para tintos, acho que uma região que tem imensa aptidão é a Bairrada, não fosse eu de lá. 

E qual o vinho que te falta fazer, de alguma região, casta, ou estilo, por exemplo? Aí muitos, gostaria muito de fazer um Madeira, mas existem tantos estilos de vinho que gostaria de experimentar. 

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos. Lembro-me que numa apresentação de Vinho, um senhor dirigiu-se a mim antes da prova ter começado a dizer que não gostava de vinhos de lote, porque achava que os vinhos de lote eram de qualidade inferior, só comprava monocasta, gostava de ter a expressão de uma só variedade e não entendia porque os portugueses misturavam tantas variedades que era uma confusão, agradeci a opinião e expliquei que Portugal era conhecido essencialmente pelas regiões e não só pelas variedades e como temos um grande património vitícola, utilizamos as diversas variedades e ele muito cético dizia que era porque as nossas uvas eram muito más, eu perdi os argumentos e disse vamos então começar a prova, a prova foi decorrendo com os vinhos da Messias e pelas DO’s onde temos propriedades e no final ele veio ter comigo e pediu desculpa, mas realmente eram muito melhores os vinhos de lote e que tinha entendido a filosofia de usar várias variedades de uvas além de ter ganho um cliente, ganhei também um amigo. 

Momento: Refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer… Agora como estamos à espera do verão, nada como um fantástico pôr-do-sol na praia com um chill out, na companhia dos amigos a beber um champanhe, assim algo bem tranquilo. 

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? Não sei se será o melhor vinho do Mundo, mas foi com certeza o vinho que mais me marcou, um borgonha Gran Cru de Richebourg, pela frescura e elegância, tinha um perfume e uma boca inesquecível, mas existem outros que me foram marcando ao longo da vida.

Sérgio Lopes

sábado, 31 de março de 2018

Um copo com... Paulo Ramos

A Quinta de Paços é uma empresa familiar detida pela mesma família há mais de 500 anos que explora um património agrícola de 200 hectares, dos quais cerca de 20 ha de vinhas. Procura produzir vinhos de alta qualidade com uma personalidade distinta, colocando um especial ênfase no seu caracter natural e autêntico. As suas duas principais explorações são a Quinta de Paços (Barcelos) e a Casa do Capitão-mor (Monção). Paulo Ramos é um dos rostos por trás do projecto, em conjunto com o seu pai.. Natural do Porto, mas minhoto de coração, licenciado em Relações Internacionais. Vive entre o Porto e Barcelos. 

Olá Paulo, o que consideras diferenciador nos vinhos da Casa de Paços?  O nosso lema é fazer “Vinhos autênticos com uma personalidade distinta”. Aliamos isso a alguma inovação, como termos sido um dos pioneiros no uso de barricas na fermentação e estágio de técnicas como a batonnage na região ainda nos anos 90. Fizemos, em 1996, o primeiro lote de Alvarinho e Loureiro na região, agora muito em voga. Mas o nosso ainda é diferenciado por ser um blend de Alvarinho de Monção com Loureiro de Barcelos. Fazemos um monocasta de Fernão Pires no Minho, e um vinho verde Loureiro “novo” para o Japão. Este ano teremos algumas novidades de que falaremos mais à frente. 

E na região dos Vinhos Verdes? Nós produzimos vinho desde o séc. XVI e ganhamos prémios internacionais (1876, EUA dos vinhos de Barcelos e em 1888 na Alemanha dos vinhos de Monção) antes de sequer existir a designação “Vinho Verde”. Esta é das poucas regiões que adoptam uma designação de um tipo/perfil de vinho por oposição a um nome de um território. Isto ainda é difícil de explicar a muitos estrangeiros. Na DOC Vinho Verde, o que se tem proposto é um conceito de vinho leve, jovem, para beber cedo, que é a antítese da maior parte dos vinhos da Quinta de Paços. Os vinhos verdes têm uma boa notoriedade e posicionamento claro em muitos mercados, mas que leva a que se esperem da região, vinhos baratos de consumo rápido. Isso torna-os perigosamente próximos de vinhos como o Lambrusco. Seria bom vermos o que aconteceu com os vinhos brancos alemães e austríacos em termos de posicionamento de qualidade/preço para vinhos com perfis semelhantes aos nossos. O grande desafio é a criação de valor e o aumento progressivo e sustentado dos preços. Acho que a CVRVV já assumiu que esse é o caminho. Mas já existe um bom número de produtores que tentam acrescentar valor aos vinhos da região. A recente valorização da sub-região Monção-Melgaço é igualmente um excelente exemplo. Espero que possa ser esse o caminho, agora alargado às demais sub-regiões. Até porque em regiões como Bordéus, o que aparece no rótulo são as suas sub-regiões. Um Chateau Mouton-Rothschild apenas indica “Paulliac” (a sub-região) no rótulo. 

Os teus vinhos assentam também em monocastas. Qual a casta rainha em Portugal, na tua opinião? Só para falar das brancas, temos várias “Rainhas” e muitas “Princesas”, mas depende da região, ou do território (ou terroir). Obviamente que em Monção-Melgaço será a Alvarinho. No resto do Minho para além desta temos a Loureiro, a Avesso em Baião, só para nomear algumas. Temos também excelentes castas como a Antão Vaz no Alentejo ou o Encruzado no Dão. Depois algumas são transversais a quase todo o país quase sempre com bons resultados como a Arinto, a Fernão Pires/Maria Gomes. Uma casta de que gosto muito e que é, por vezes, pouco valorizada é a Moscatel Galego Branco da qual vou lançar dois vinhos este ano (um branco seco e uma vindima tardia). Vão ter de sair com selo do IVV porque, apesar de ser uma casta portuguesa, não é admissível nem para “Vinho Regional Minho” (enquanto que a Sauvignon Blanc e a Semillon são permitidas). 

Os teus vinhos são quase todos gastronómicos, sem gás e com uma acidez elevada. Belos brancos. Como coabitam numa região que produz também vinhos fáceis, leves e por vezes muito baratos? Por vezes com dificuldade. Tentamos explicar que são “verdes” diferentes, com outra abordagem. Por isso classificamos muitos dos vinhos que até podiam ser “DOC Vinho Verde” como “Vinho Regional Minho”. A questão do gás é das poucas coisas em que não transijo. Já nos anos 70 os nossos vinhos que eram feitos para consumo familiar não tinham gás. Adicionar gás artificial é que não faz sentido para nós. Em relação à acidez dos nossos vinhos, esta até nem pode ser considerada elevada. Os nossos vinhos andam entre os 5.5g a maior parte anda nos 6.5g e é raro ultrapassarem os 7g de acidez fixa. Temos inclusive vinhos com uma acidez mais baixa, como o Fernão Pires, dirigido para um mercado que prefere vinhos mais macios. Até porque existe a falsa noção que os vinhos verdes são muito ácidos, o que já não é assim. Temos sim é características de frescura e mineralidade dadas pelos solos graníticos (ricos em quartzo em Barcelos e de Calhau rolado em Monção). Os nossos vinhos são gastronómicos, e pensados enquanto tal. A maior parte do consumo de um vinho ainda é feito para acompanhar uma refeição. Mas também fazemos uma linha de vinhos que se bebem bem sozinhos, como o Rosé, o Fernão Pires, e o a que chamamos o Loureiro “Novo”. Este vinho foi feito inicialmente só para o Japão para chegar lá na altura do Beaujolais Nouveau, e que sido agora alargado a outros mercados. 

O que gostas de fazer nos tempos livres?  Responder a perguntas interessantes como estas sobre os nossos vinhos (aqui estou a dar graxa ;-) . Mas igualmente sou um melómano e cinéfilo e também adoro ler romances (por oposição ao que tenho de ler para preparar aulas). 

Se tivesses possibilidade de jantar com uma personalidade, levando um vinho dos teus, quem seria? Talvez o Francis Ford Coppola, assim falava de vinho e de cinema ao mesmo tempo (e a ver se me dá dicas de como passar de produtor de vinho/professor universitário a realizador de cinema). 

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? É sempre difícil dizer. Os que bebi enquanto adolescente que me marcaram: Barca Velha ou Vega Sicilia Único. Nos finais dos anos 90 fui algumas vezes com o meu pai à Vinexpo em visita de estudo só para provar coisas diferentes e abrir horizontes. Depois tenho a sorte de, na Pós-Graduação em Enologia da UCP-ESB onde dou aulas, me “colar” às sessões de provas do meu colega e amigo Bento Amaral onde se provam coisas muito interessantes. 

Bebes vinho de outras regiões? Não sou “enoxenófobo”. Bebo sobretudo para experimentar coisas diferentes, não só de Portugal, mas também estrangeiros. 

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos. A minha iniciação ao mundo do álcool. Foi feita pelo meu padrinho e tio-avô, que era o dono da Quinta de Paços, que me disse para molhar o dedo e provar a aguardente acabada de destilar. Obviamente não quis dar parte de fraco, fiz uma expressão de satisfação, e tentei logo voltar a molhar o dedo… mas ouvi logo um “nem penses!!!”. E nem vou revelar que idade tinha. 

Momento: Refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer. Música: não consigo escolher uma, gosto demasiado de música para escolher só uma. Local: na Quinta de Paços. Companhia: família e amigos e convidados nossos. Vinho: os meus porque é sempre bom poder explicar a abordagem por detrás de cada um deles e ouvir a opinião sobre os mesmos. 

O vinho verde é só para beber no Verão ;-) ? O “Verão” é quando o homem quiser… Mas bebam Vinho Verde, Vinho Regional Minho, Monção-Melgaço, Cávado… Quando lhes apetecer e souber bem, e com a comida que acharem melhor!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Um copo com... Ivone Ribeiro

Ivone Ribeiro é a proprietária da Garrafeira Garage Wines. No mundo vínico é uma cara bem conhecida de todos nós, com passagem por espaços como a Vinho e Coisas ou a Wine O’Clock. Após uma experiência na distribuição, abriu o seu espaço dedicado aos vinhos de garagem. As suas provas temáticas são já lendárias, sempre num ambiente descontraído e de partilha de sensações. Natural do Porto, licenciada em gestão de marketing, vive no Porto.

Olá Ivone. Tenho que começar pelas tuas provas vínicas, que continuam a ter casa cheia, e despertaram várias pessoas para este mundo dos vinhos, eu incluído. Foi o inicio, o despertar da paixão á volta do vinho. Como te sentes nesse papel pedagógico e de influência tão marcante para alguns de nós? O meu papel no mundo dos vinhos é simples…. Não sei se sou uma referência, a única coisa que sei é que adoro vinho, adoro o meu trabalho e adoro partilhar essas experiências com os meus clientes e amigos. O mundo do vinho é por defeito, para muitos consumidores, algo complicado, elitista… mas para mim o vinho tem que ser aquilo que tenho vindo a defender nos últimos anos: 1. Algo maravilhoso, que deve ser partilhado, com uma linguagem mais simplista e que permita com maior tranquilidade cativar mais e mais consumidores. 2. As provas GW e que temos vindo a fazer é criar experiências e momentos que representem o que defendemos… temos tido algum sucesso. 

Das dezenas de provas, qual a que destacarias por um motivo especial que te tenha marcado?  Não consigo destacar nenhuma… mas há que referir que o Aniversário da GW é sempre a grande prova do ano, onde não olhamos às marcas, aos vinhos que estamos a beber (bem… são todos bons claro..), mas sim ao momento que criamos para presentear todos os nossos clientes e amigos…

Lembras-te da primeira vez que pensaste “eu vou trabalhar nos vinhos”? Não imaginava que um dia chegaria até aqui…. Tudo foi acontecendo e a paixão começou a crescer… é um mundo apaixonante, ao mesmo tempo competitivo e sempre com novos desafios

O que gostas de fazer nos tempos livres? Estar com os meus filhos… eles sofrem com o facto de ter uma loja, horários muitos cheios e claro…. Estou sempre a ouvir frases como esta “mãe porque não tens um emprego normal?”.

Se tivesses possibilidade de jantar com uma personalidade, levando um vinho da Garage Wines, quem seria? Marcelo Rebelo de Sousa… gosto muito dele, acho-o um verdadeiro “SENHOR”, um homem muito inteligente e sei que gosta de bons vinhos!

Qual o teu prato preferido? Só um…. Gosto de tanta coisa…. Passando a publicidade, O Empadão de Carne da minha mãe, o Arroz de Pato uma bela Sopa de pedra…

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos.  Tenho muitas, mas estava eu à pouco mais de 1 ano a trabalhar na “Vinho & Coisas” a primeira garrafeira onde trabalhei e um cliente “homem” ali na meia idade recusava-se a aceitar as minhas sugestões, ao ponto de ter que ligar ao António Nora, na altura meu administrador e o Antonio recomendar os mesmos vinhos. Confesso… eu adorei… o cliente ficou um pouco à rasca!!!

O que consideras diferenciador no nosso país em termos vínicos, vs. resto do mundo? As nossas castas sem sombra de duvidas… o nosso terroir poderá em algumas regiões ter características próprias, as barricas são iguais em todo o mundo, a enologia, um toque ou outro, mas as nossas castas são nossas…

Momento: Refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer?  Estilo música: Chill Out; local: a minha casa; vinho: Champagne…. 

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? Não consigo dizer….  Todos os grandes vinhos que provei tiveram o seu momento e foram sempre partilhados, porque para mim os grandes vinhos têm de ser partilhados...

Sérgio Lopes

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Um copo com... Gabriel Alves

Gabriel Alves, homem de uma voz imediatamente reconhecível e que nos remonta para aqueles momentos nostálgicos em que um comentário a um jogo de futebol na televisão era emoção que acompanhava a Ação - quem não se recorda desses grandes momentos da RTP? O que muita gente desconhece é que Gabriel é também um grande wine lover, com quem tenho o privilégio de partilhar esses momentos à volta de um copo. Jornalista de profissão, wine lover por paixão, natural de Moçambique, vive em Lisboa.

Viva Gabriel, como é que nasceu a sua paixão pelo vinho? Deixei de fumar e abracei os aromas e sabores vinicos. Comecei pala Adega Cooperativa de Mesão-Frio. Em 1980 tinha um Branco Notável e um Clarete Elegante. Levado pela mão dum amigo iniciei me por aí. O dinheiro que gastava em três maços de tabaco por dia passou a ser investido na nova e em novas descobertas. Feliz por tão bons aromas e sabores ao longo de tantos anos de então para cá. E a construção de novos e óptimos amigos à volta de néctares inesquecíveis

Qual o melhor jogo de futebol que assistiu? E o melhor jogador que viu jogar? Difícil referenciar... Fiz de tudo um pouco em vários e diversos países e continentes. Só não fiz a Copa América. As Finais da Taça de Inglaterra foram especiais. Fiz meia dúzia qual delas a mais épica. A Utopia do Futebol Renasce Ali. Quanto a Jogador vi muitos e bons de Pelé para cá. De Pele para lá também em celulóide. Pelé é uma Referência Eterna. Trouxe algo de novo transversal no Tempo. Eusébio foi e será a figura maior dum Tempo em que se procurava termos de comparação em relação a Pelé. Artistas Distintos e também porque ambos falavam Português foram marcantes no seu tempo em estilos diversos. Marcantes são na História do Futebol que se renova a cada instante para gáudio dos seus fans. Johan Cruijff a Inteligência sobre a Relva. A era moderna do futebol assenta em grande parte nas suas ideias quer enquanto futebolista, quer como treinador e, enquanto pensador do futebol. Conheci os três com os três contactei com os três privei. Maradona - um caso sério do futebol mundial. Saíamos dos Anos Setenta... Cesar Menotti, no Rio de Janeiro, em 1980 numa entrevista excelente que me concedeu, travou nele o perfil do Jogador Mago do Futuro. Não se enganou numa só vírgula! Tem na História um Cadeirão de Ouro. Messi. Ronaldo. Enormes - os maiores do Tempo que corre. Símbolos dum Futebol Espectáculo Vertiginoso. Marcas dum Tempo Fronteira do Futuro. Referências: Di Stefano Anos 60/70, Luís Suarez 60/70, Ronaldinho Gaucho, Ronaldo o Fenómeno Luís Figo, Ibraimovic, Del Piero, Van Basten, Rud Gullit, Rykard marcam também o futebol dos tempos modernos. Destaco mais um: Zinedine Zidane Um Deus da Elegância a Jogar Futebol!

O que gosta de fazer nos tempos livres? Música, Ler, Fotografar ,Viajar, Conhecer, Ver Conversar Descobrir.

Sente que é um privilégio viver em Portugal e ter acesso a tanto vinho de qualidade? Qual a sua região preferida? Sinto-me feliz por conhecer alguns dos jovens de 2000 que entraram a trabalhar no vinho num país bonito com condições naturais raras para a sua produção. Feliz por poder olhar a grandeza desse trabalho sequenciado por outros e ter reconhecimento mundial. Feliz por poder ter acesso a tão excelentes Néctares com a informação pedagógica de quem os desenha e de quem os produz. A Minha Região Preferida é um Vinho de Qualidade. 

Gosta de cozinhar? Qual o seu prato preferido? Não cozinho. Gosto de boa comida - Portuguesa, Espanhola. Indiana, Africana. Gosto de provar o resto do Mundo... Prato preferido? Porque é raro encontra lo óptimo, e apenas óptimo é delicioso: Um Polau de Cabrito.

A sua voz é inconfundível. E está na memória de muitos de nós. O que recorda com mais nostalgia desses tempos? Nostálgico? Não. Há Memórias e História mas acima de Tudo Presente e Futuro.

Se tivesse oportunidade de jantar com uma figura do mundo do futebol, qual seria? Que vinho lhe serviria? Pepe Guardiola. A sua inteligência e postura são base dum bom encontro com um copo de vinho de permeio. Até nisso conversaríamos. Certamente surpreender me ia.. Depois, seria eu a surpreende lo. Talvez com um vinho PVP de uns 8€... :-)

O que o faz realmente tirar do sério? A Estupidez

Momento: refira uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer. Sabe, tenho andado a escutar o Elvis. Um dos meus contemporâneos e que partiu tão cedo. Julgava Conhece lo muito bem até porque como homem da rádio que fui anos e anos com paixão o estudei e ouvi. Afinal não o conhecia. Comecei a conhecê-lo melhor. My Way que é um hino em The Voice Frank Sinatra, nele agora descubro-o no seu caminho que o matou tão Jovem. E gosto de o ouvir. Mas um Jazz lounge é sempre companhia para um encontro com uma mulher bonita e inteligente entre um copo de vinho namoradeiro...
Qual o melhor vinho que alguma vez provou? Ainda não provei...

Sérgio Lopes

sábado, 22 de abril de 2017

Um copo com... Filipe Castela

Filipe Castela é o sommelier e responsável de compras do restaurante “Pedro dos Leitões” na Mealhada. Para além do leitão de excelente qualidade servido no restaurante, Pedro garante que também os melhores vinhos são disponibilizados e provados pelos seus clientes, tornando a refeição num momento de puro prazer. Natural de Santa Cruz, Coimbra. Vive na Mealhada.

Olá Filipe, há quantos anos trabalhas no Pedro dos Leitões? Sempre te interessaste por vinho? 
Olá Sérgio. Trabalho no Pedro dos Leitões há sensivelmente 15 anos. Sim, sempre achei piada ao mundo do vinho (andei a estudar Viticultura e Enologia) mas só há 7 anos para cá me comecei a inteirar mais pelo vinho mais ao pormenor.

Sendo um bairradino de “gema”, consideras esta a melhor região vitivinícola do país?
Certamente que tanto para mim, como para qualquer Bairradino a nossa terra será A TERRA!!! O nosso vinho será O VINHO, mas com a experiência de prova que tenho asquirido nos últimos anos, posso dizer mais politicamente correto que todas as regiões são óptimas, cada uma à sua maneira. Todas têm os seus ícones e as suas riquezas. Mas a Bairrada será sempre BAIRRADA, aqui e em qualquer parte do Mundo irei fazer questão de o dizer alto e bom som

O que gostas de fazer nos tempos livres?
Os meus tempos livres são passados com os amigos, filhas e muito dele também passado no meu restaurante. Mas gosto muito de andar de mota e ver jogos do meu Sporting... eh eh eh

Quantas referências de vinho existem no Pedro dos Leitões? 
O número de referências já perdi a conta, mas penso que ultrapassam as 1300 referências, incluindo Portos, Madeiras, Destilados e Licores.

Qual o teu prato preferido? Comes leitão todos os dias?
O meu prato preferido é Bife com Ovo estrelado batatas fritas e arroz... como isto todos os dias durante 20 anos... eh eh eh... até que o meu corpo criou alergia à gema do ovo... agora como igual, mas sem o ovo. Eh eh eh . Sim, tenho que comer nem que seja uma pata ou uma orelha de leitão todos os dias.

Já tiveste algum momento caricato no restaurante que possas partilhar connosco?
Tive uma vez um cliente que pediu espumante murganheira o mais novo que havia. A funcionária levou Reserva de 2012, que era o ano que estava no mercado... o sr olhou para o rótulo, depois de se servir e disse logo que o espumante estava passado... que estava velho e pediu para lhe levarem um murganheira mais novo, ao qual eu respondi que o mais novo era precisamente o de 2012. Depois como estava tão desejoso de beber espumante, pediu um automático branco do Carlos Lucas (caí no balcão aos risos) para acompanhar o leitão. No final no acto do pagamento ainda me foi perguntar como era possível eu não ter Murganheira de 2015, ao qual eu respondi que a Murganheira não lança espumantes assim para a rua. O mais novo era mesmo o Reserva de 2012... ficou indignado.

Qual a figura pública com a qual gostarias de comer um leitão à moda da Bairrada? E que vinho selecionarias?
A figura pública que gostaria de convidar para comer um leitão à moda da Bairrada seria Alvaro Pedro , mais conhecido pelo Pedro dos Leitões.. O meu AVÔ. Não tive tempo para o conhecer muito bem, mas por tudo o que ouço de amigos e dos mais velhos da terra, é que ele era um SR, um HOMEM COM H HIPER GRANDE. O vinho seria algo que fosse como ele. Um vinho simples mas que marcasse a região. Um bom BAGA... Branco ou Tinto, CHEIO. eh eh eh

O que te faz realmente tirar do sério?
O Sporting perder... fico perdido pá... nem como. Meu Deus

Momento: refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer.
Alive dos Pearl Jam. Qualquer sítio do Mundo desde que tivesse com os meus amigos, pois foi uma banda e uma música que nos marcou bastante na juventude. Vinho, um Baga Bairrada fresquinho e com bolhaaaaaaaas.

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste?
Não te consigo dizer qual o melhor pois não estaria a tratar todos de igual modo, mas o Qta do Soque 2008 VV... MEU DEUS

Sérgio Lopes

quarta-feira, 1 de março de 2017

Um copo com... Isa Sousa

Isa Sousa é uma das caras bonitas da Garrafeira Tio Pepe, no Porto, espalhando simpatia e beleza contagiantes. Quem entra no espaço de Luis Cândido sabe que terá sempre um atendimento de luxo quer por uma das duas meninas quer pelo anfitrião. Isa é natural do Porto, técnica de Produção Enológica e vive no Porto.

Olá Isa. Como nasceu a tua paixão pelo vinho e se iniciou a tua entrada neste meio? 

Olá Sérgio, a minha infância foi passada entre o Douro, mais concretamente Lamego, terra dos meus avós maternos, e Cabeceiras de Basto, terra dos avós paternos. Lembro-me como se fosse hoje de ir com os meus tenros 5 anos, para os campos com os meus avós ajudar (pensava eu).

Desde cedo convivi com a produção de vinho, ainda que de forma artesanal, o “ bichinho” ficou.

Quando chegou a hora de decidir qual a área profissional a seguir tomei conhecimento do Curso de Produção Enológica, na ETGI e nem hesitei. Terminado o curso comecei por colaborar com alguns pequenos produtores do Douro, na venda e promoção dos seus vinhos e posteriormente tive a oportunidade de trabalhar na loja do IVDP onde realizava aconselhamento, provas e visitas guiadas para explicar o processo de certificação. 

Em 2012 surgiu a oportunidade de fazer parte da equipa da Garrafeira Tio Pepe, onde permaneço, com muito orgulho, desde então.

Como é trabalhar numa garrafeira com tanta tradição, como a Garrafeira do Tio Pepe?

Um privilégio. A Garrafeira Tio Pepe, prima pela organização, pela alargada selecção de produtos nacionais e estrageiros, pelas provas temáticas que se distinguem das demais, pelo atendimento personalizado e simpatia. 

Somos uma equipa que todos os dias “veste a camisola” com o objectivo de dar o seu melhor.

O que gostas de fazer nos tempos livres?

Nos meus tempos livre gosto de fazer desporto (crossfit), caminhadas na praia, ir ao parque da cidade, voluntariado, estar com os amigos, aproveitar a família.

Descreve as férias dos seus sonhos, onde vais, por quanto tempo e porquê?

Para mim as verdadeiras férias de sonho seriam, partir sem destino e sem data de regresso. 

Qual o teu prato preferido? Bebes vinho com regularidade?

Seria muito redutor eleger apenas um prato, eu adoro comer. Gosto imenso de comida tradicional portuguesa, adoro mariscos, massas… relativamente a vinho, sim bebo, principalmente brancos. 

Se tivesses oportunidade de jantar com uma figura pública, qual seria? Que vinho lhe servirias? 

Teria imenso gosto de convidar para jantar o Dr. Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto (gostaria de lhe agradecer o excelente trabalho que tem vindo a desenvolver na cidade) e serviria o vinho Quinta da Carolina Reserva Especial Tinto 2012, um Douro genuíno que é produzido apenas nos melhores anos. Elegante, fresco, com taninos aveludados e um final de boca volumoso e persistente.

O que te faz realmente tirar do sério? 

Abomino a falta de educação, a crueldade e o egoísmo.

Momento: Refere uma música preferida, local de eleição, companhia e claro vinho a condizer.

Wave de Tom Jobim, numa praia qualquer a ver o pôr do sol…, acompanhada dos meus amigos mais próximos.Quanto ao vinho, desculpa Sérgio mas devias querer dizer “ vinhos a condizer”. :-) Sabes bem que os aficionados, como eu, incorrem inevitavelmente no crime da “poligamia vínica” por isso aqui vai a minha selecção, curta prometo; Billecart - Salmon Brut Sous Bois, Quinta da Pellada Primus branco, Louis Latour Chassagne-Montrachet, Zambujeiro tinto 2011 e Dalva colheita 1968.

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? Já provei vinhos fantásticos, uma das grandes benesses de trabalhar na Garrafeira Tio Pepe, mas aquele que mais me marcou foi sem dúvida o vinho do porto Quinta do Vallado Adelaide Tributa 1866. Acho que me faltam adjectivos para qualificar de forma justa a grandiosidade deste vinho.

Foi uma experiencia única.

Como diria Fernando Pessoa “ Boa é a vida, mas melhor é o vinho”

À nossa Sérgio ;-)

Sérgio Lopes

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Um Copo com... Pedro Nunes

Pedro Nunes é a face que reconhecemos do programa “Imperdiveis”, do Porto Canal, responsável por levar até às nossas casas o que de melhor a gastronomia e o vinho, em Portugal, têm para apresentar. Pedro Miguel dos Santos Nunes, Natural de Sé Nova - Coimbra, licenciado em Jornalismo e Ciências da Comunicação na FLUP, vive no Porto.

Olá Pedro, conta-nos por favor como nasceu a paixão pelo vinho e a ideia de participares em os “imperdíveis”?

Curiosamente a paixão pelo vinho embora desenhada ao longo da minha vida de forma ténue e social desenvolveu-se essencialmente quando há 6 anos comecei a colaborar com a equipa dos Imperdíveis. A partir daí foi uma viagem ao mundo dos vinhos e da gastronomia nacionais e mais do que tudo com as histórias das pessoas que criam os néctares. A relação com a natureza, a transformação em vinho, a sua reserva e a forma de o provar, à mesa e em grupo fez-me ligar muito ao universo do vinho. O resto veio naturalmente.

De tantas visitas por este país fora, durante estes nove anos de “Imperdiveis”, qual a que te marcou mais?

Sou muito “marcado” :) Por todo o país há vinhas incríveis, vinhos estonteantes e pessoas que me fizeram gostar cada vez mais da área. A família Nicolau de Almeida, do Mateus à Mafalda, aos João pai e filho ( sem fazerem a mais pequena ideia de tal facto!!!!) foram os primeiros a fazer-me perceber que a paixão pelo vinho e respeito pela natureza e cultura do mesmo são os valores báquicos fundamentais.

O lado espiritual do vinho é muito importante para mim, por isso tenho de falar do Domingos Soares Franco da José Maria da Fonseca em Setúbal, o Álvaro Castro no Dão, Dirk Niepoort no Douro, o Luís Cerdeira nos Vinhos Verdes e pessoas como o Vasco Avillez por exemplo da CVR de Lisboa, Jorge Alves e Raul Riba D´Ave e muitas mais, marcaram-me profundamente de uma forma mais filosófica se calhar. 

Ah… e todos eles me deram a provar vinhos doutro mundo 

O que gostas de fazer nos tempos livres?

Viajar, estar com a família e conhecer restaurantes maravilhosos, sempre com boa música, bons vinhos e a fazer a digestão a ver um filme ou uma série se não der para viajar mais :)

Descreve as férias dos teus sonhos, onde vais, por quanto tempo e porquê?

Sou muito existencialista nesse aspecto, gosto de viver o momento, “Carpe Diem”, daí não ser muito “sonhador” nesta área da vida, vou querendo e vou fazendo. Deixo o sonho para a arte e a política.

Qual o teu prato preferido?

Neste momento não sei… mas envolve trufas, cogumelos, carne, algo crocante, muita vivacidade, também cremoso e com muita fantasia :) mas também pode envolver marisco, peixe, ervas aromáticas e um puré delicioso de pastinaca ;) ou então um delírio doce… enfim… são muitos.

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido ao gravar os “Imperdiveis”.

Bom o mais caricato e cansativo foi estar a gravar, eu e a Sónia Balieiro, na Quinta dos Carvalhais no Dão com a Beatriz Cabral de Almeida e na última entrevista as duas baterias que nos restavam estavam viciadas… Era uma peça fundamental da história e tivemos de voltar no dia seguinte, do Porto para Nelas, só para gravar 5 minutos… bastante “perdível” :)

Qual a figura pública com a qual gostarias de fazer uma “prova cega”?

Dirk Niepoort… não sei se conta :)

O que te faz realmente tirar do sério?

Pessoas sonsas ou com falta de civismo… entre outras acções que violam a Declaração Universal dos Direitos do Homem

Momento: refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer.

“Uma tarde em Itapuã” de Vinícius de Moraes e Toquinho com a minha mulher - as minhas filhas vinham lá ter no dia seguinte :) - pode ser precisamente em Itapuã e com um espumante espectacular como muitos que há no Mundo… lembro-me de dezenas… mas tipo “Lopo de Freitas” bruto das Caves de São Domingos ou o rosé “Colinas de São Lourenço” para exaltar o produto nacional. Mas podiam ser milhares de combinações !!!!!

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste?

Provavelmente o “1900” da Andresen, um vinho do Porto branco incrível… ah… e o “Ne Oblie” da Symington Family Estates outro Porto memorável…. Tenho muitos mais amores, mais “tranquilos” digamos, mas não quero parecer imoral :)

Sérgio Lopes

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Um copo com... Hugo Mendes

Hugo Mendes é o enólogo da Quinta da Murta, na região de Bucelas (Lisboa), onde desde 2005 mostra o que melhor a casta Arinto pode proporcionar na sua região de origem. Carismático, colabora nos projetos (Quinta das Carrafouchas e Vale das Areias) para além de ser o criador do blogue The Wizard Apprentice, onde assume a vocação para “winemaking evangelist” Natural e residente na cidade de Santarém, fugiu à investigação cientifica que a sua formação em Engenharia Biotecnologia faria antever, para se refugiar na pacatez das adegas e no mundo mágico da enologia.


1. Olá Hugo, conta-nos por favor o teu percurso no mundo dos vinhos. Como tudo nasceu e quais os planos para o futuro.Resumidamente. Sempre fui um entusiasta da ciência, sempre quis ser cientista. Talvez por isso sempre me tenha sentido mais atraído para perceber a forma como as coisas funcionam do que pelo apreço das coisas em si. No vinho foi diferente, atraem-me as duas partes. Gosto das coisas do vinho desde a adolescência, mas tratava disso como um hobby, nunca tive pretensões a trabalhar na área. O meu objectivo era ganhar um prémio nobel pela descoberta da cura para o cancro.

Contudo, já entrei para a faculdade com 23 anos e quando estava a terminar comecei a pensar que talvez fosse velho para iniciar uma carreira científica séria. Também não estava com muita vontade de trabalhar fora de Portugal, por isso olhei em volta e a hipótese óbvia foi o vinho. Um facto curioso desse tempo, todos os livros da minha eno biblioteca (nesses dias ainda muito parca em títulos) eram técnicos, não tinha nenhum sobre prova ou apreciação de vinho. Todos eram sobre os segredos da arte.

Decidi fazer uma vindima para ver se realmente gostava daquilo. Fui para a Quinta da Alorna. O primeiro ano da Martta Simões lá (2004) que, juntamente com o Nuno Cancela de Abreu me fizeram perceber que era nisto que queria trabalhar. Além disso, tinha a real sensação de que há muito ainda por fazer neste meio. Sou um tipo de desafios. Adoro pegar em coisas difíceis e leva-las a bom porto. Sou viciado nas fazes de desenvolvimento e crescimento de uma empresa. 

Depois foi rápido. Vim para a Murta como adegueiro/analista e fui aprendendo o que podia, ensaiando e testando muito e naturalmente fui ganhando o meu espaço. Com o tempo e os vinhos (julgo) foram aparecendo as oportunidades de me juntar a outros projecto enquanto consultor de enologia. 

Estou numa fase de mudança. A Quinta da Murta atingiu a fase de cruzeiro no que às questões de enologia diz respeito. È hoje um produtor maduro com conhecimentos muito sólidos do seu terroir, da sua uva e da sua filosofia de produção. Desta forma, no futuro próximo vejo-me a dar uma ajuda mais efectiva na consolidação dos outros produtores onde estou envolvido. Estou também a preparar vinhos para dois projectos, um em nome individual e outro em parceria com o meu bom amigo Ricardo Ramos. Possivelmente aceitarei mais um ou dois projectos que sejam igualmente desafiantes. Há ainda o Inspira Portugal que se prepara para arrancar com um fôlego novo e uma cadência certa.

Para já é isso. Logo que tudo esteja a andar, há muita ideia ainda para sair da gaveta!

2. Tenho bebido ultimamente vinhos produzidos de Arinto, com alguns anos e com uma notável boa evolução e complexidade. Não apenas em Bucelas, mas por exemplo na região dos vinhos verdes ou na Bairrada, entre outros. Achas que é a melhor e mais versátil uva branca do país?Não gosto desses títulos. São muito perigosos. È uma casta muito versátil e fiável sem dúvida. É muito amiga do viticólogo e do enólogo e pode originar vinhos maravilhosos ou ser uma peça chave na sua composição. Merece ser tratada com respeito e tem a sua máxima expressão quando não se força a ter aromas inexistentes ou a fazer vinhos prontos a beber de imediato. 

3. O que gostas de fazer nos tempos livres?
Lêr é a minha paixão. Se alguém me pagasse só para ler… Gosto de fazer desporto (ténis e corrida). À parte da companhia da família, desfruto cada vez mais do prazer de estar à mesa com os amigos. Não tenho tempo ou disponibilidade financeira para muito mais. Adoro viajar, escrever e fotografar.

4. Descreve as férias dos teus sonhos, onde vais, por quanto tempo e porquê?
Não tenho algo que se possa apelidar de férias de sonho, mas tenho algumas ideias que passam por ai e que gostaria de as ver cumpridas um dia. Gostaria de percorrer o pais todo a pé. Gostaria de fazer visitas de estudo a todos os produtores mencionados no livro “In Search of Bacchus” do George Taber. Gostava de conhecer o Nepal e escalar a montanha. Gostaria de visitar os locais mais isolados e ermos da Terra.

… por ai!

5. Qual tem sido na tua opinião o papel dos bloggers e enófilos apaixonados nos últimos anos para o sector? Presumo que chamas enófilo apaixonado à malta que vai para as redes sociais mostrar o que está a beber (enófilo já pressupõe paixão). Choco-te se te disser que não têm papel nenhum? Ou melhor, têm! Têm tido o papel de tranquilizantes a custo zero para produtores que não entenderam ainda o que é esta coisa da comunicação.

Continuo a ver muito barulho (e cada um está no direito de fazer aquele que quiser, não critico, apenas menciono o facto) mas nada de concreto. Tirando aqueles que apostaram para acções mais concretas e quiseram adicionar algum valor à sua actuação, com a criação de pequenos eventos (para dar um exemplo mais palpável), continuamos com o formato do início. Críticos de vinho “por conta própria” que massajam o ego do enólogo ou do produtor (e eu agradeço todas as massagens que me fazem), mas que não adicionam real valor ao sector. Que se entenda, não estou aqui a defender ou a atacar ninguém. Respeito tudo e quase todos, mas acho que anda tudo “fora de jogo”. No limite concorrem com os críticos profissionais pela atenção dos produtores e não dos consumidores que é quem interessa à produção.

Malta porreira na sua maioria. Fazem com gosto. Mas honestamente… trabalho inócuo. Espero que tenham muito prazer no que fazem, assim não se perde tudo.

6. Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos. Há muitas, talvez as “melhores” ainda não as possa contar. Sou um tipo de humor mordaz e com tendência a estar no local errado à hora certa. Meto-me em sarilhos com facilidade. J

Que tal esta?: http://www.twawine.com/search/label/Est%C3%B3rias


7. Como vês o panorama vínico em Portugal, quais os desafios e oportunidades?
È indiscutível que temos hoje um conhecimento técnico que não tínhamos no passado. Enólogos e Viticólogos estão ao nível do que de melhor se faz no mundo.

Contudo, continua por definir uma estratégia e caminho comum para a identidade de Portugal enquanto produtor de vinho. Precisamos de ser associados a uma ideia.

Nem todos os vinhos que França produz são de grande qualidade (apenas 5% o são), no entanto são o porta estandarte da elevada qualidade e do estilo velho mundo.
No passado achei que não definíamos isso por ignorância. Hoje percebo que é por conivência com a incompetência. Uma estratégia e um caminho iriam exigir responsabilização, tomadas de decisões e criaria bases para uma coisa que os portugueses não gostam. Avaliação. Esta questão varre todos desde a produção à crítica. Para mim, ultrapassar esta pedra no caminho é o grande e primeiro desafio.

Quanto às oportunidades, obviamente saliento a nossa geografia, que nos permite vinhos completamente diferentes mas com muita identidade em locais muito próximos entre si. Há muito tempo que defendo que o turismo de qualidade e de luxo aliado ao enoturismo são o caminho natural para a economia do sector florescer e ajudar à exportação. Quantos mais embaixadores fizermos em nossa casa mais procura os vinhos terão nos mercados de destino. 

8. O que te faz realmente tirar do sério?
Incompetência militante, falta de rigor, molezas em tempos de stress, indecisões, mentira, acções desajustadas da missão e visão dos projectos, facilitismos, malta que acho que a borla é o preço justo para um vinho …

… gente a comer maçã ao pé de mim!

9. Momento: refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer. Lá está… Também aqui não posso afirmar que tenho uma música preferida, a música do momento requer sempre harmonização.

Fim de um dia de verão, aquela hora do sol laranja que pinta o céu. Quintal da minha casa na mesa grande de verão. Família e alguns amigos. Estivemos a cozinhar qualquer coisa (os meus amigos têm de ajudar na minha cozinha) e agora estamos sentados à mesa. Ouve-se Mark Knopler, Buika ou alguma outra coisa que tenha assim umas guitarras cruas, mas sem ruido e bebe-se Quinta da Murta colheita 2012 fresquinho.

Tiro muito prazer das combinações simples com carga emocional.

10. Qual o melhor vinho que alguma vez provaste?
Não sei. Sabes que não guardo referências de marcas. Guardo perfis e desconstruções de vinhos. Os vinhos mais icónicos (aqueles cromos de caderneta) provo-os na companhia de outros enófilos e sempre com a pressão de ter de achar qualquer coisa. Não é nesses que encontro aquele que mais prazer me dão. Lembro-me no entanto de uma garrafa de champagne Cristal que me deixou a pensar durante vários dias. Num sentido diferente, a primeira vez que provei um Fernão Pires do Tejo com 20 anos e gostei também me fez repensar muita coisa. Um Cos d'Estournel na sala de prova da adega. Estás a ver a ideia? Vinho ligados a momentos ou que me façam pensar em como são feitos.

Contudo, consigo apontar-te os piores. Numa feira em Londres provei vinhos da India e da Mongólia feitos com castas francesas. Ainda são o top das coisas que menos gostei. 

Sérgio Lopes

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Um copo com... Sofia Soares Franco

Sofia Soares Franco é responsável de comunicação e enoturismo da José Maria da Fonseca. Oriunda de uma família com forte tradição nos vinhos da Península de Setúbal, Sofia pertence à 7ª geração, num produtor de referência no panorama nacional e internacional e cujo tio, Domingos Soares Franco, responsável pela enologia, “não sabe fazer vinhos maus”. Natural de Azeitão, licenciada em Ciência Política, vive em Lisboa.

1. Olá Sofia. Com um portfolio tão vasto que a JMF possui, por vezes deve ser complicado identificar preferências. Se lhe dessem a escolher 3 vinhos da casa, quais seriam as suas escolhas por favor? Agora no Verão sou uma grande fã de BSE, tanto em registos informais para um copo ao fim do dia como para acompanhar peixe grelhado, marisco e saladas. O nosso espumante de Moscatel Roxo, da Colecção Privada Domingos Soares Franco, é também uma das minhas escolhas mais frequentes e também dos vinhos que mais ofereço, pela sua originalidade e irreverência. Ao nível de vinhos de sobremesa não posso deixar de referir o Moscatel de Setúbal, mais propriamente o Alambre 20 Anos, por ser extremamente versátil e por ter umas das melhores relações qualidade preço.

2. Lembra-se da primeira vez que pensou “eu vou trabalhar nos vinhos”? Desde sempre que vivo a realidade do mundo dos vinhos, sempre brincámos nos jardins da José Maria da Fonseca ou nas vinhas e acompanhámos de perto as vindas para “o armazém”, como lhe chamávamos quando éramos pequenos, tanto do nosso avó como do nosso Pai. Também desde muito cedo realizámos estágios de verão na empresa, o que nos permitiu conhecer a realidade da José Maria da Fonseca de outra perspectiva, no entanto estava longe de imaginar que viria trabalhar aqui. O meu percurso académico foi direccionado para outras áreas, assim como as minhas primeiras experiências profissionais, no entanto em 2007 recebi o convite para gerir o Enoturismo e a área de relações públicas, e como única mulher da minha geração, achei que tudo estava alinhado para aceitar este (enorme) desafio.

3. O que gosta de fazer nos tempos livres? Gosto de passar tempo com os meus filhos, infelizmente actualmente passamos muito tempo dos nosso dias a trabalhar pelo que gosto muito de aproveitar o tempo livre que tenho para passear com eles, ir ao parque, brincar. Também adoro ir jantar fora com amigos.

4. Descreva as férias dos seus sonhos, onde vai, por quanto tempo e porquê? Adoro férias de neve. Sempre gostei mais de Inverno do que de praia, pelo que não dispenso uma semana de férias de neve em Espanha. Desde que fui Mãe tive que me render à praia e gosto muito de estar pela Arrábida e pelo Algarve e aproveitar uns dias de merecido descanso em família.

5. Qual o seu prato preferido? Sou um bom garfo, gosto muito de sushi mas também do bom peixe grelhado aqui de Setúbal.

6. Conte-nos uma peripécia que tenha vivido no mundo dos vinhos.
Um dia cheguei com a minha família a um restaurante bem conhecido em Lisboa e pedimos um vinho nosso, e o empregado, sem nos conhecer obviamente, disse-nos que não recomendava porque não era um “bom vinho”. Pedimos o vinho na mesma e um decanter, decantámos o vinho e estava belíssimo. Demos a provar ao empregado que se rendeu às evidências e que ficou muito “encavacado” quando nos apresentámos J J – de acrescentar que o preço do vinho estava erradamente marcado na carta a 10 vezes mais...

7. O que considera diferenciador da região da Península de Setúbal em relação a outras regiões do país? A Península de Setúbal é uma região ímpar. Combina solos de areia e argilo-calcários, e sendo uma região com influência marítima oferece-nos vinhos com as qualidades de uma região a sul mas com mais frescura e acidez. 

8. Como é trabalhar com o grande Domingos Soares Franco? Trabalhar com o meu Tio é muito bom. Trabalho em família há quase 10 anos, com o meu Pai, tio e o meu irmão mais velho, o António, e mais recentemente com o meu primo Francisco. Temos muitas vezes perspectivas diferentes sobre vários temas, mas conseguimos sempre encontrar pontos de convergência e conciliar perspectivas de duas gerações diferentes e de personalidades muito distintas. Esse é um dos factores que acho que têm sido fundamentais para levarmos a empresa a bom porto, sabermos respeitar as opiniões uns dos outros e aproveitar o melhor de cada um. 

9. Momento: Refira uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer.  Gosto muito de música brasileira, uma das minhas músicas preferidas é da Ana Carolina com o Seu Jorge, “É Isso aí”. O local, a Serra da Arrábida com o mar ao fundo, a companhia do meu marido, o vinho, o Colecção Privada Domingos Soares Franco Verdelho. Sou uma romântica, está visto!

10. Qual o melhor vinho que alguma vez provou? Esta também é uma pergunta difícil, na realidade acho que foram dois, e ambos da José Maria da Fonseca . Um Periquita 1938 e um Moscatel de Setúbal 1900.


Sérgio Lopes



quinta-feira, 30 de junho de 2016

Um copo com… Márcio Lopes

Márcio Lopes é responsável pelo projecto Pequenos Rebentos, na sub região de Monção e Melgaço, onde desde 2010 mostra o que melhor a casta Alvarinho pode proporcionar. Desde 2010, também produz os seus vinhos Proibido, provenientes de vinhas velhas da Região do Douro Superior, desde 2015 com produção de uvas próprias. Discípulo de Anselmo Mendes, Natural do Porto, licenciado em Engenharia Agronómica pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, divide a sua vida por Vila Nova de Gaia, Melgaço e Vila Nova de Foz Côa.


Olá Márcio, conta-nos por favor o teu percurso no mundo dos vinhos. Como tudo nasceu e quais os planos para o futuro. A minha paixão pelos vinhos, foi introduzida pela minha querida avó paterna, que literalmente, me meteu num lagar a pisar uvas com 8 anos. A agricultura sempre me cativou, e em 2001 entrei na FCUP, para tirar o curso de Eng. Ciências Agrárias. Em 2005 fiz o meu primeiro estágio com Eng Anselmo Mendes, em Melgaço, e com ele me mantive até 2008. Altura esta, que fui até a Austrália e trabalhei em duas regiões completamente diferentes, nomeadamente na famosa região de fortificados, Rutherglen, e na ilha da Tâsmania. Em 2009 comecei a trabalhar na promoção e venda de vinhos de pequenos produtores, e desde 2010, que desenvolvo os meus projectos, no tempo que sobra. 

O futuro passa por aprofundar os meus conhecimentos, explorar uma vinha velha recentemente adquirida em VN Foz Côa e trabalhar para continuar a manter o que gosto de fazer… Vinhos!!

Qual para ti a casta rainha de Portugal? Não consigo responder objectivamente. Entre rainhas e reis :-) , gosto muito do Alvarinho, Loureiro, Touriga Nacional e Sousão.

O que gostas de fazer nos tempos livres? Quando tenho tempo livre, gosto de praticar desporto, sobretudo ciclismo. 

Descreve as férias dos teus sonhos, onde vais, por quanto tempo e porquê? Já estive na Austrália, e se pudesse era la que voltava, pelo menos durante um mês, para rever velhos amigos.

Qual o teu prato preferido? Cabritinho Assado.

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos. Em 2008, quando estive na Tasmania, fiz 5 pipas, supostamente, de Alvarinho… Mais tarde “rebentou a bomba”, que afinal não era Alvarinho o que havia sido plantado na Austrália e Nova Zelandia, mas sim Savignin, uma casta francesa, que por sinal, foi levada da Galiza…

Se tivesses a possibilidade de escolher uma região (fora ou dentro de Portugal) e uma casta para fazeres o TEU vinho, qual seria a escolha?  Gosto muito de brancos. Se pudesse fazia um Terrantez na Madeira, embora não a conheça tecnicamente, e deixava envelhecer.

O que te faz realmente tirar do sério? Perder tempo sem necessidade.

Momento: refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer.  Magic de Cold Play no Geres com a minha família e Proibido de preferência.

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? Português: Abandonado 2011. Estrangeiro: Romani Conti La Tache 2009. Fortificado: Madeira Barbeito 1880 (por sinal: usado para melhorar lotes)

Sérgio Lopes


sábado, 21 de maio de 2016

Uma taça com... Alexandrino Amorim

Alexandrino Amorim é o diretor comercial das Caves Solar de São Domingos. Entusiasta da região Bairradina e das “bolhas” (espumante cada vez mais consistente), é uma constante vê-lo com o seu carisma, como o rosto desta casa emblemática, nos diversos eventos vínicos; Sempre disponível para partilhar uma tacinha de bom espumante da Bairrada, pois claro. Natural de Anadia, vive em Anadia.


Olá Alexandrino. Conte-nos por favor como nasceu a sua participação no projeto das Caves São Domingos. Após casamento com Eugénia Freitas entrei para a empresa fez este mês 19 anos.

Como bom bairradino, consome espumante numa base diária, isto é, qualquer ocasião é boa para beber uma taça de “bolhinhas”? De facto nasci na Bairrada e desde sempre estive muito de perto das bolhinhas, pois, meu Pai tinha o famoso Café Anadia e por lá passaram os proprietários de todas as Caves da região. Aliás o próprio estabelecimento tinha publicidade lindíssima no exterior, alusiva às inúmeras caves da Bairrada. O espumante faz parte do quotidiano de qualquer bairradino. Não é por acaso que se costuma dizer que o espumante só se bebe em duas ocasiões “por tudo e por nada”!...

Qual o seu prato preferido? Inevitavelmente o Leitão assado à Bairrada. E que vinho acompanha? Espumante Bairrada, claro. Mas, não devemos esquecer a Chanfana, Negalhos, Caldeirada de Cabrito, os diversos pratos de bacalhau e caldeiradas de peixes do nosso mar sempre tão próximo e que acompanham os magníficos vinhos brancos e tintos marcados pelos ares do Atlântico.

O que gosta de fazer nos tempos livres? Andar a pé e pratico (muito pouco) BTT, aprecio desportos motorizados e acompanho o rugby local, modalidade que pratiquei quando jovem.

Qual é para si a principal diferença dos espumantes da Bairrada para as restantes regiões do país e até mesmo para o “Champagne”? Acho que os espumantes Bairrada são muito mais minerais, mesmo mais frescos e jovens que os champanhes, estes tem mais complexidade, mais aromas de panificação proporcionado pelo longo estágio em cave que se pode prolongar por mais de 10 anos. Os das restantes regiões e referindo-me aos de reconhecida qualidade apresentam-se com fruta mais madura e não tão secos quanto os da Bairrada.

O que pensa sobre o estado atual dos espumantes do nosso país e em particular do projeto “Baga Bairrada”? Em todo o país produz-se espumante o que tem provocado um despertar para este tipo de vinho que se aplaude. Mas, nem todo o espumante tem qualidade. Hoje a palavra ESPUMANTE aparece em imensos rótulos uns de qualidade duvidosa, outros que não são feitos pelo “Método Clássico” mas em cuba fechada que o consumidor ignora por completo comendo gato por lebre!...

Quanto ao projeto “Baga Bairrada” há muito que a região ansiava por uma logomarca que pudesse aglutinar um conjunto de particularidades que mostrasse a técnica, a qualidade e o prestígio de um tipo de Espumante que se produz nesta região há 125 anos. Juntar o nome da região Bairrada à Baga foi um golpe de génio da Comissão Vitivinicola da Bairrada e promete trazer muitas alegrias aos consumidores, produtores e à região. Espero dentro de poucos anos que a palavra “BagaBairrada” seja sinónimo de Espumante de qualidade e haver um número significativo de produtores desta região a produzir grande qualidade para o mercado nacional e em especial para o mercado externo mostrando um estilo único e diferente.

Partilhe uma peripécia que tenha vivido no mundo dos vinhos. São inúmeras as histórias que não cabem neste espaço. O que posso descrever é o espanto de quem visita as nossas caves, impressionam a grandeza e beleza das nossas instalações, bem como, a cordialidade com que são recebidos os milhares de visitantes anuais.

Qual será a ligação perfeita com o famoso Leitão à moda da Bairrada? Leitão sem molho, certo…? Como já referido anteriormente o Leitão é servido sempre com Espumante, mas, destaco mesmo o Baga Bairrada porque tem um estilo muito gastronómico. Quanto ao molho é um ingrediente que quando colocado em pequena quantidade sobre a batata cozida com a pele fica deliciosa. Tradicionalmente não comemos o leitão com batata frita e a laranja também não é um bom acompanhante deste prato porque “mata” o espumante ou o vinho.

Se tivesse um almoço com o presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa, que vinho ou vinhos escolheria? O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa foi entronizado Confrade de Honra pela Confraria dos Enófilos da Bairrada em 30.11.2002 e sabe perfeitamente que o vinho da Bairrada é seguramente o vinho mais aconselhável para acompanhar uma refeição e claro que o Vinho Tinto merece destaque à sua mesa. Destacaria o vinho tinto São Domingos Garrafeira 2009 e claro o Espumante São Domingos Baga Bairrada 2009 bruto. Tanto um como outro já com 6 anos de garrafa que mostra a robustez e a frescura de vinhos que perduram no tempo.

Qual o melhor espumante que alguma vez provou? Espumante Lopo de Freitas 2010 que obteve a Grande Medalha de Ouro no último Concurso de Espumantes Bairrada. E vinho? Ainda hoje mantenho na memória o tinto São Domingos Garrafeira 1985.

Obrigado!


Sérgio Lopes

sábado, 30 de abril de 2016

Um copo com... Miguel Barreiros

Miguel Barreiros é o diretor comercial dos vinhos Alves de Sousa. Se estamos habituados a ver o patriarca Domingos Alves de Sousa ou o seu filho, Tiago, responsável pela Enologia, como os rostos principais nos media, a simpatia da presença de Miguel nos diversos eventos de provas de vinhos é também uma constante.Natural do Porto, licenciado em Economia pela Faculdade de Economia do Porto (FEP), e vive no Porto.


Olá Miguel. Como é que nasceu o interesse pelos vinhos e a tua participação na “família” Alves de Sousa? O interesse pelos vinhos sempre foi uma paixão familiar, desde cedo comecei a provar vinhos de diversas regiões...e por um feliz acaso conheci o Tiago, numa prova em Lisboa em 2003 (e confesso ter ficado totalmente deslumbrado com os vinhos e com a forma cuidada dele os apresentar) e em 2005 reuni com o Eng. Domingos e... cá estamos, que Família fantástica e que vinhos extraordinários!

És homem de beber vinhos no dia-a-dia? De que região? Sim, claro! Todas as regiões portuguesas fazem bons vinhos, mas prefiro os do Douro.

O que gostas de fazer nos tempos livres? Viajar, jogar ténis e ler. Tudo muito!

Descreve as férias dos teus sonhos, onde vais, por quanto tempo e porquê? Sou grande fã dos Açores. Da natureza e das suas gentes 

Qual o teu prato preferido? Adoro comer, mas um prato só é muito redutor! Faço quilómetros para cabrito, leitão, filetes de polvo, açorda, ovas e mariscos!

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos, por favor. Já houve várias! Lembro-me numa feira na Alemanha, a aliciar um potencial importador, já ao final do dia...só faltava mesmo provar os nossos topos, mas a prova já ia longa e animada!, assim decidimos interromper e deixar esses vinhos para a manhã seguinte. E então na tal manhã seguinte, mal chego ao stand reparo que essas garrafas haviam desaparecido “cirurgicamente”. Que desilusão! E agora?? 

O importador chega, todo motivado e... vinhos de topo, zero! No entanto, a prova das gamas mais competitivas do dia anterior tinha sido tão satisfatória, que o negócio acabou por ser feito, mesmo apenas através das Fichas Técnicas dos vinhos! :-) 

Se não tivesses enveredado pela carreira ligada aos vinhos, que outra profissão gostarias de ter tido? Ui., gosto muito do meu trabalho! Mas ainda penso terminar a minha tese e aprofundar conhecimentos numa nova vertente económica: a “Economia da Felicidade”.

O que te faz realmente tirar do sério? A falha dos compromissos profissionais assumidos.

Momento: Refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer. “Echoes” dos Pink Floyd, Live at Pompeii. The Kozue Restaurant, no Hotel Park Hyatt em Tokio. A minha Namorada e as nossas duas cadelas, que alguém abandonou e nós adoptamos. 
Neste momento ando deliciado com o “Memórias Alves de Sousa”, o primeiro DOC Douro sem ano de colheita (é um blend das 6 melhores colheitas da Alves de Sousa, de 2000 a 2012...incrível!)

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? Já passou mais de uma década, mas talvez o vinho que mais me marcou tenha sido o “Reserva Pessoal tinto 2000”, que o meu futuro chefe, o Eng. Domingos Alves de Sousa e eu, provamos no nosso primeiro jantar. Imaculado!


Sérgio Lopes