sábado, 29 de dezembro de 2018

Os Meus Vinhos Provados em 2018 - por Duarte Silva

Este ano provei os dois melhores vinhos da minha vida, tanto em branco como em tinto numa grandiosa prova no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão. Esses foram os inigualáveis Branco 1963 – que tinha um aroma incrivelmente jovem e uma boca descomunal de citrina e mineral com uma acidez brutal mas perfeitamente saudável e o Tinto 1958 – com um aroma fresco e cativante e com uma boca de classe em estado puro e com uma vivacidade inacreditável. Qualquer um destes vinhos parecia muito mais novo do que era e podia-se bater com qualquer grande vinho do mundo. Claro que estes vinhos são ultra-raros e muito difíceis de conseguir provar. 

Vinhos mais facilmente disponíveis e que me surpreenderam foram em brancos o Kompassus Private Collection Branco 2014 com meio corpo, madeira quase imperceptível, só a dar um pouco mais de complexidade, com uma acidez brutal e um lado salino também muito cativante e viciante (vinho um pouco difícil mas grandioso para quem gosta deste estilo). Estou também ansioso por beber o novo Vale dos Ares Vinha da Coutada, pois foi o vinho que mais me surpreendeu na White Experience, a par do Pequenos Rebentos Selvagem

Ao nível de tintos, os que mais gostei foi o Barca Velha 2008, vinho muito fresco com potência e muito longo e incrivelmente também o Mouchão Tonel 3-4 2011 pois, ao contrário do que previa ano passado, já dá uma grande prova, desde que decantado com antecedência. Bem mais barato do que estes dois, posso destacar o Pape 2008, Sidónio de Sousa Garrafeira 2005 e o Mouchão 2007. E não podia acabar sem falar do Colares da Real Companhia Vinícola de 1964 que estava monumental e com uma frescura surpreendente para os seus 54 anos. 


Nos licorosos, o meu destaque vai para o Madeira Blandys Terrantez 1980 que se aproximava de um meio doce a meio seco com bastante acidez e classe. Um mais barato e acessível e que me deu um grande prazer foi o Barbeito Tinta Negra 2004, que é um meio seco incrivelmente fresco e cativante. 

Nos espumantes é que foram poucos os provados, sendo que em Portugal continuo a preferir o Vértice Gouveio, desta vez a colheita de 2008 e claro que também adorei o Pinot Noir 2008. Em champanhes o que mais gostei foi o Collet vintage 2008 com um equilíbrio muito bom entre potência e elegância com frescura.

Duarte Silva (Cegos por Provas)

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