sexta-feira, 8 de julho de 2016

Radar do Vinho: 100 igual

João Camizão é o rosto por detrás dos vinho 100 igual. Fazendo parte da 4ª geração de uma família produtora de vinhos na região dos Vinhos Verdes, a ideia do Sem Igual surge em 2010, em Bangalore - Índia, quando João esteve a trabalhar como expatriado, numa multinacional de telecomunicações, na Índia durante dois anos e meio.

Durante esse período sentiu o potencial por explorar que existia na família, mais de 10hA de vinha (grande parte com mais de 40 anos), o know how. o domínio das práticas culturais, o terroir, etc. O que faltaria então para tornar tudo mais estimulante? Um projeto diferente, um projeto Sem Igual... Tendo por base o grande desafio de mostrar a versatilidade de castas autóctones da região dos Vinhos Verdes (Amarante), tentando sempre contornar o preconceito de vinho barato. Assim com as castas Arinto (Pedernã, como é chamado na região) e Azal, surge o Sem Igual 2012, com apenas 600 garrafas produzidas, que se tornou de imediato uma referência de nicho em restauração e garrafeiras de referência na cidade do Porto, 

A génese está no Arinto a contribuir com o corpo e estrutura, e o Azal com a elegância e o nervo. Claro está, sem a utilização de barricas, pelo menos para já. Tinha nascido o projecto 100 igual. Mais tarde o Sem igual 2012 é considerado um dos Melhores de Portugal, no ano 2014 pela revista de vinhos, tal como o Sem Igual 2014 que obteve a mesma distinção pela revista de vinhos, em 2016. Uma das colheitas mais promissoras, tudo indica a melhor é o Sem Igual 2015, ainda muito jovem mas apresentando-se já com uma prova muito interessante. Foram engarrafadas 3500 garrafas de 0,75l e 150 Magnuns. Entre 2011 e 2016, foram instalados mais cerca de 10hA de vinha, portanto é um projeto que tem margem para crescer.

Tivemos oportunidade de provar os vinhos 100 igual 2012, 2014 e 2015. De facto, o 2015 está muito promissor, enquanto o 2014 está mais consensual e num bom momento para ser apreciado neste Verão. Embora eu considere que o 2015 vai ser top. Mas o mais impressionante é mesmo o 2012, do qual o produtor apenas tem meia dúzia de caixas. Impressiona pela forma como evoluiu tão bem, com uma acidez desconcertante e notas meladas e petroladas, sem perder a fruta e o lado floral, num conjunto fantástico. Que grande vinho e que grande privilégio o ter provado. 

São vinhos da região dos vinhos verdes mas que na verdade são grandes vinhos brancos: a linha condutora ou perfil é o de pouca exuberância, bastante acidez, e muito secos. Depois estrutura e complexidade vêm com uns meses/anos de garrafa. A descobrir.

Como nota final, o projecto 100 igual insere-se no grupo Vinho Verde Young Projects, um grupo de produtores que se uniram na promoção da região e da qual fazem parte também os projectos Vale dos Ares, Quinta de Santiago e Cazas Novas.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Em Prova: Verdelho da Peceguina 2015



16/20. Assim que cheguei à Herdade da Malhadinha Nova, no Alentejo, a seguir ao almoço, estava um clima tão abafado com os seus 35 graus que logo questionei o enólogo Nuno Gonzalez: Como é possível ter frescura aqui neste local e sobretudo para brancos?! A resposta será mais explanada num próximo artigo. O facto é que foi este vinho, o Verdelho da Peceguina de 2015 que Nuno foi buscar para eu provar e para me provar que ali há frescura. E há mesmo! Belo vinho, de cor citrina, aroma refrescante de fruta verde, com notas também de leve citrino. Bela acidez, tudo bem composto, num branco crocante e muito saboroso. Gostei mesmo. PVP: 10€; Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Vinhos de Trás-os-Montes à prova no Porto

No passado sábado, decorreu no espaço Prova Wine Food & Pleasure, no Porto, uma prova de vinhos da região de Trás-Os-Montes, com a presença de 14 produtores. A prova foi organizada pelo grupo Cegos por Provas que tinham o desejo de dar à prova também a história da região, que apresenta ainda hoje vestígios de lagares cravados na rocha de origem Romana e Pré-Romana, que podem ser encontrados ao longo das suas 3 sub-regiões: Chaves, Valpaços e Planalto Mirandês.

Da prova, conclui-se que a região apresenta grande potencial e ainda se encontra à procura do seu caminho num mundo tão competitivo, como é este mundo dos vinhos. Gente da terra, transmontanos de gema, cada um apresentando o seu projecto pessoal, com enorme carinho e apreço. Os vinhos tintos são poderosos, de grande estrutura, gastronómicos e a mostrar o calor de uma região contudo recheada de microclimas, e a fazer jus aos tão famosos enchidos da zona, que tão bem harmonizam com estes vinhos! Os brancos muito marcados, regra geral, pela casta códega de larinho, aqui mostrando um lado mais herbáceo e a lembrar hortelã - frescos, de altitude, bem feitos e claro está... gastronómicos.

Para mim, existem dois produtores, nesta fase, bem à frente dos restantes: Valle Pradinhos, um produtor com enorme tradição vinícola e habituado aos grandes palcos e Quinta do Arcossó, onde a junção da visão do produtor Amilcar Salgado e do enólogo Francisco Montenegro (Aneto, Quinta Nova, Pôpa) tornaram este projecto num trás-os-montes fino e elegante, sem perder a identidade da região, de grande nível. Existiram, no entanto, algumas belas surpresas que necessitam apenas de uma melhor promoção para sair da zona regional e com os meios adequados se mostrar ao resto do país, uma vez que muitos deles ainda vendem a sua produção na região de origem. Aqui ficam alguns dos melhores vinhos provados:






Sérgio Lopes









terça-feira, 5 de julho de 2016

Em Prova: Quinta das Bageiras Grande Reserva Espumante Bruto Natural 2011


17,5/20. Depois de falar ontem do Vértice Millésime produzido por Celso Pereira no Douro, decidi falar hoje do espumante ex-libris de Mário Sérgio Nuno, o bairradino Quinta das Bageiras Grande Reserva Espumante Bruto Natural 2011. São 2 espumantes magníficos, mas tão diferentes entre si... o que demonstra claramente a versatilidade do nosso país em termos de regiões vinícolas, bem como a visão dos produtores, ambos homens carismáticos e defensores da sua ideia para a sua região e sua respectiva marca. Este espumante é produzido apenas em anos especiais e nesta edição composto por Maria Gomes e Bical, com um toque de Chardonnay. Foram produzidas pouco mais do que 3500 garrafas. Trata-se de um espumante de grande impacto, estruturado, muito muito fresco, austero e com enorme boca, de pendor gastronómico. O que o Vértice tem em delicadeza e sofisticação, o Bageiras tem em potência e frescura. Muito bom! PVP: 18€; Diponibilidade: Garrafeiras Sellecionadas.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Em Prova: Espumante Vértice Millésime Bruto 2009


17,5/20. Vértice é sinónimo de espumantes de alta qualidade. Não são baratos, é certo, mas para o que estes espumantes durienses oferecem, algumas das suas referências batem-se mano a mano com alguns champagne. Este Millésime, que apenas é produzido em anos de excecional qualidade, pretende enaltecer os aromas primários das castas cuidadosamente selecionadas para o efeito como Gouveio, Malvasia Fina, Rabigato, Viosinho e Touriga Franca, sendo que 71% corresponde a castas brancas.  O resultado é um espumante champanhês, de cor citrina, bolha muito fina, notas leves de panificação, com uma enorme harmonia de conjunto e uma finesse que o torna sério, cheio de classe e sedutor. Um grande espumante! PVP: 22.5€; Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

domingo, 3 de julho de 2016

Em Prova: Planalto Reserva Branco 2014



15,5/20. Planalto é um dos vinhos brancos secos, portugueses mais consistentes, mantendo o seu perfil de qualidade ano após ano, sendo por isso, uma aposta sempre segura. Produzido pelo gigante Sogrape, este vinho proveniente do Douro é composto por 25% Viosinho, 20% Malvasia Fina, 15% Gouveio, 15% Códega, 15% Arinto, 5% Rabigato, 5% Moscatel - um blend de sucesso. Trata-se de um vinho frutado e mineral, sem exageros, fresco e versátil, sempre, sempre bem feito agradando a um sem número de consumidores desde o iniciado ao apreciador de vinhos. O seu preço anda a rondar os 4,5€, mas por vezes existem promoções que o colocam abaixo dos 4€. Quando assim acontece, e para mais tratando-se de um reseerva, é aproveitar, comprar às caixas e desfrutar! PVP: 4,5€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Em Prova: D. Graça Viosinho Reserva Branco 2010


16/20. Vinho da sub-região da Meda, provavelmente o local no Douro Superior mais propicio para brancos, ou pelo menos, onde geralmente são mais frescos e crocantes, dependendo das castas, é claro. Este vinho, produzido pela Vinilourenço é 100% produzido da casta Viosinho, passando por madeira. Trata-se de um vinho delicado, com forte mineralidade, combinando nuances leves de fruta verde com notas fumadas da madeira. Bem gastronómico, todo ele é fino e com final bem crocante. Acho que está num belo momento este 2010 e bem equilibrado nas suas componentes. Não será por ventura um vinho consensual, but who cares? Acompanhou salmão grelhado na brasa com batata a murro e brócolos, na perfeição. PVP: 10€. Disponibilidade: El Corte Ingles. 

Sérgio Lopes