sábado, 13 de abril de 2013

Sogevinus declara Vintage 2011


Depois da Sogrape, é agora a vez da Sogevinus Fine Wines  declarar igualmente Vintage 2011 para as suas quatro casas – KOPKE, BURMESTER, CÁLEM E BARROS. Os Vintage Clássicos da Sogevinus são provenientes de uma seleção dos melhores talhões e das melhores uvas da Quinta de S. Luiz e da Quinta do Arnozelo.  Serão engarrafados em junho de 2013 e chegarão ao mercado em julho deste ano. 

Após mais esta notícia, tudo aponta para termos um ano 2011 declaradamente Vintage, o primeiro da década. 

Sérgio Lopes

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Prova dos Vinhos Vale Barqueiros


A Herdade de Vale Barqueiros com cerca de 800 ha, situa-se no Alentejo, a poucos quilómetros de Alter do Chão. São 122 ha de vinhas, das quais grande parte das uvas se destina à venda a terceiros. Contudo,  a Herdade de Vale Barqueiros selecciona uma quantidade reduzida, que ronda anualmente as 70 toneladas, das suas principais castas: Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, que vinifica para produção dos vinhos de marca própria. A enologia está a cargo de Paulo Laureano.

Confesso que apesar da inegável qualidade no trabalho de Paulo Laureano, a verdade é que os poucos vinhos que provei com a sua assinatura... não me fascinaram. Se calhar é problema meu, dado que pelo menos aqui na zona do Porto e em particular o Vale Barqueiros está presente em diversas garrafeiras e wine bares. Quis portanto provar os vinhos. Aqui fica o comentário:

Monte das Seda Tinto 2011

Ano: 2011

Produtor: Vale Barqueiros

Tipo: Tinto

Região: Alentejo

Castas: Aragonês, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Syrah

Preço Aprox.: 3,99€

Veredicto: 100% cuba de inox. Cor granada. Aromas a frutos vermelhos, alguma especiaria, corpo médio, franco e directo. Excelente para o dia-a-dia.

Classificação: 14,5



Vale Barqueiros Colheita Seleccionada Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Vale Barqueiros

Tipo: Branco

Região: Alentejo

Castas: Arinto e Antão Vaz

Preço Aprox.: 6,99€

Veredicto: Também 100% Inox. De cor citrina, o aroma é maioritariamente a fruta madura (tropical e citrina). Na boca apresenta corpo médio e final relativamente curto, de alguma persistência. Alguma sobrematuração no conjunto.

Classificação: 14,5


Vale Barqueiros Colheita Seleccionada Tinto 2008

Ano: 2008

Produtor: Vale Barqueiros

Tipo: Tinto

Região: Alentejo

Castas: Alicante Bouschet e Trincadeira

Preço Aprox.: 6,99€

Veredicto: 9 meses de estágio em carvalho francês. De cor granada, no aroma apresenta notas de fruta silvestre em compota, especiarias, café e a tosta da madeira. Na boca, sente-se o "calor" do terroir alentejano. Apresenta uma estrutura interessante e um final de médio comprimento.

Classificação: 14,5


Vale Barqueiros Reserva Tinto 2008

Ano: 2008

Produtor: Vale Barqueiros

Tipo: Tinto

Região: Alentejo

Castas: Alicante Bouschet e Trincadeira

Preço Aprox.: 11,99€

Veredicto: 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês. De cor granada, o aroma é dominado por frutos pretos bem maduros, com notas de especiarias e tosta da madeira. Na boca, confirma os aromas apresentados no nariz.. Apresenta uma boa estrutura, taninos redondos, terminando com uma boa persistência.

Classificação: 15,5



Vale Barqueiros Garrafeira Tinto 2007

Ano: 2007

Produtor: Vale Barqueiros

Tipo: Tinto

Região: Alentejo

Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Alicante Bouschet.

Preço Aprox.: 21,99€

Veredicto: Produzido das castas Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, estagia um ano em barricas de carvalho francês, seguido de mais um ano em garrafa. É designado de "Garrafaeira". Trata-se de um vinho de cor granada. No nariz, notas vegetais bem evidentes, fruta preta compotada, especiarias, cacau. Na boca é elegante, complexo e de taninos bem redondos, terminando longo e persistente, embora algo "morno". Claramente o melhor vinho, dos aqui provados e aquele que mais se destaca.

Classificação: 16


De uma forma geral, os vinhos são um pouco "mornos", talvez reflexo do terroir, ou então da vinificação. Não sei. De qualquer das formas, foi uma prova de pólos opostos. Gostei particularmente do Monte da Seda, que considero ideal para o dia-a-dia e sobretudo do Garrafeira, que apenas peca por um preço que em confronto com outros vinhos da mesma gama de valores poderá saír a perder (mesmo se tratando de uma edição limitada).



Sérgio Lopes

terça-feira, 9 de abril de 2013

Monte Cascas Reserva Branco Douro 2010



Ano: 2010

Produtor: Monte Cascas

Tipo: Branco

Região: Douro

Castas: Rabigato.

Preço Aprox.: 9,95€

Veredicto: Back to Monte Cascas. Ainda me recordo quando tive contacto pela primeira vez com este projecto na Wine O'Clock de Matosinhos, um projecto diferente e arrojado no qual a dupla de enólogos se lançou a produzir vinhos por diversas regiões de Portugal (Minho, Douro, Alentejo, Colares) sem possuir adega própria. Desafiador e interessante. Entretanto, o projecto tem-se consolidado e foi com curiosidade que decidi regressar ao seu resreva branco do Douro.

100% Rabigato, casta Duriense conhecida pela sua elevada acidez e alguma rusticidade, fermenta e estagia em barricas novas de carvalho francês, durnte 8 meses, com battonage.

De cor limão, no nariz apresenta notas de fruta madura, mineralidade evidente e tosta da madeira bem presente. A boca é marcada por uma elevada acidez, com a tosta da madeira ainda a dominar bastante o conjunto, embora aqui e além se identifiquem notas limonadas. Termina de agradável persistência.

Um vinho eminentemente gastronómico, diria até que, nesta fase, impossível de apreciar por si só, uma vez que está bem presente a acidez marcante do Rabigato, bem como a tosta da madeira . Na minha opinião, necessita de um pouco mais de tempo para se perceber realmente para onde vai o conjunto. Parece-me no entanto um branco claramente diferente e que valerá a pena quiçá provar mais tarde, com mais algum tempo de garrafa. Actualmente, talvez não seja o melhor momento para a prova do vinho.

Classificação: 15,5

Sérgio Lopes

sábado, 6 de abril de 2013

BSE 2012


Ano: 2012

Produtor:
 José Maria da Fonseca

Tipo: 
Branco

Região: Península de Setúbal

Castas: Antão Vaz, Arinto e Fernão Pires

Preço Aprox.: 3,5€

Veredicto: Chegou ao mecado a nova colheita do "clássico" BSE (Branco seco especial). Feito de Antão vaz, Arinto e Fernão Pires, é daqueles brancos "todo o terreno", com "tudo no sítio".

Mais do que falar na fruta leve e frescura que o caracterizam, apraz-me saudar que se trata de um branco para o Verão, para beber jovem, como aperitivo, acompanhando refeições leves ou simplesmente regando uma conversa animada entre amigos.

Directo e aprazível, muito bem feito, disponível nas grandes superfícies comerciais.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor, ao qual agradecemos.

Classificação Pessoal: 15

Sérgio Lopes

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Casa de Canhotos Alvarinho 2010

Ano: 2010

Produtor:
 Fernando Rodrigues

Tipo: 
Verde

Região: Sub-Região de Monção e Melgaço

Castas: Alvarinho.

Preço Aprox.: 5,5€ (em Melgaço)

Veredicto: Sei que estamos em 2013 e não tarda nada começa toda a gente a beber os brancos de 2012. No entanto, estava uma garrafa de 2010 do Casa de Canhotos esquecida na minha garrafeira e decidi experimentar. Talvez por ter estado nas vindimas em Melgaço este ano ou pelas saudades do excelente restaurante Jardim, propriedade do produtor Fernando Rodrigues, onde conheci pela primeira vez este vinho, me tenha influenciado a regressar a ele e verificar a sua evolução.

Como qualquer alvarinho, apenas 30 minutos depois de abrir a garrafa se começa a mostrar. Mas neste caso, o vinho foi abrindo, mas mostrando um comportamento diferente do que seria expectável. Menos componente citrina, mais complexo, mas muito mais próximo dum grande branco seco, onde a componente aromática é agora muito mais ténue, quiçá mais harmonizada. Na boca mantém aquela boa estrutura, mostrando-se bem gastronómico (ainda mais) e com final bem agradável.

A evoluir muito bem. 

Classificação Pessoal: 16

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Quinta de Lemos

Localizada em Silgueiros, um dos berços da região do Dão no que toca à produção de vinhos, a Quinta de Lemos possui 25 hectares de vinha, toda ela plantada com as castas nativas do Dão - Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen e Encruzado, em solos arenosos e de natureza granítica entre os 350 e os 400 metros de altitude. Viticultura cuidada, vindima manual, adega em inox e madeira para vinificação e estágio dos vinhos, são as condições indispensáveis para se atingir o objectivo bem claro de produzir vinhos Premium. Aliás ficou totalmente clara a missão e a meta a atingir por parte da Quinta de Lemos, através da visita que efectuei à propriedade, onde fui recebido pelo rosto mais comercial da empresa, Eduardo Figueiral e também pelo enólogo, Hugo Chaves, mais um homem da nova geração de enólogos que tal como outros da sua geração trabalha todo o ano na vinha, com afinco, dedicação e respeitando o terroir e o comportamento de cada casta individualmente, para que na Adega consiga obter um vinho de excelência.

A propriedade é de uma beleza ímpar, ampla, rodeada por vinhedos e com um hotel de charme, praticamente concluído que funcionará maioritariamente para receber parceiros, fornecedores e amigos. Enfim, até aqui a filosofia é diferenciadora. Celso Lemos, o patriarca da empresa, conceituado empresário da indústria textil, tem um objectivo muito claro: Criar vinhos Premium, nem que para isso tenha de esperar no mínimo 5 anos para colocar os vinhos em comercialização. É uma filosofia muito própria, talvez até um pouco arriscada, mas que lentamente vai dando os seus frutos. A Quinta de Lemos é já um produtor conceituado do Dão, tendo inclusivé o seu topo de gama Dona Georgina 2007, entre outras menções honrosas, sido pontuado com 18 valores, pela revista da especialidade Wine.


Mas voltando um bocadinho atrás, importa explicar que para o conseguir obriga a um conjunto de cuidados e tarefas muito específicas., aliadas a um rigor quase científico. Em primeiro lugar, a monda  - processo onde se retiram os cachos em excesso para obter uma maior qualidade no produto final - é levada mesmo a sério... quando digo a sério significa que de 7kg de uva, aproveitam-se 700gr, ou seja, apenas 10%. Para alguns produtores, seria quase como "cortar os pulsos". mas é o preço a pagar para se obter a qualidade desejada. Depois, tal como explicou Hugo Chaves, cada casta tem a sua maturação e as suas particularidades e por isso tem de haver intervenção na altura certa, para maximizar aquilo que a vinha e cada casta pode dar e reduzir ao máximo as eventuais surpresas negativas à posteriori. Apenas a título de exemplo, a Tinta Roriz é tão produtiva que se tem de cortar mesmo MUITO para se obter o desejado. O Alfrocheiro por vezes apresenta uvas verdes por dentro do cacho já maduro, não visível a um primeiro olhar e esta situação tem de ser atacada de prevenção para não prejudicar no momento da entrada na adega e posterior vinifcação. As vindimas são efectuadas à noite, para as uvas serem colhidas numa temperatura baixa e não sofrerem o choque térmico assim que entram na adega, o que obriga a um "vistoria" prévia na vinha um ou dois dias antes da respectiva vindima... Enfim, muito rigor e um cuidado diria triplicado, para obter o máximo proveito do terroir...!

Todos os vinhos estagiam em barricas de carvalho, maioritariamente de 1º ano. Para além de vinificarem as monocastas em separado - Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen, os restantes blends têm o nome de familiares de Celso Lemos - Dona Louise, Dona Santana e o topo de gama Dona Georgina. Este ano, sairá para o mercado o primeiro branco da casa, feito de Encruzado, é claro. São vinhos comercializados apenas no 5º ano após a vindima, o que significa que neste momento no mercado a colheita é a de 2008.


Após a visita, almoçamos um óptimo cabrito grelhado na brasa em torno de alguns dos vinhos da Quinta de Lemos. São de facto vinhos que não são para todos os dias e que se destacam claramente na região pela claro posicionamento. São vinhos ainda muito jovens, apesar dos 5 anos de espera. Só vão melhorar em garrafa, embora se consigam beber desde já com enorme satisfação. Na visita tive o privilégio de provar as amostras de casco do vinho que vai formar os Dona Georgina 2009 e 2010 e fiquei deveras impressionado. Estão ainda melhores, o que por um lado significa uma afinação no processo, mas sobretudo a afirmação de uma vinha jovem que começa a aproximar-se da consistência desejada e seguramente levará a Quinta de Lemos a patamares de excelência, quer nacional, quer internacionalmente, confirmados desde já pela excelente menção obtida pelo Dona Georgina 2008.


Quinta de Lemos
Passos do Silgueiros | 3500-541
Silgueiros | Portugal
T. 00351 232 951 748
F. 00351 232 951 495
E. info@quintadelemos.com
GPS
latitude 40°33’27.27”N
longitude 7°57’32.55”W


Sérgio Lopes

terça-feira, 2 de abril de 2013

Porta dos Cavaleiros Tinto 1997


Ano: 1997

Produtor: Caves S. João

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro

Preço Aprox.: 5€

Veredicto: Isto de provar vinhos antigos, tem o que se lhe diga... Feitos em tempos de outrora, nada parecidos com o que se produz hoje em dia, para o bem ou para o mal, nunca se sabe o que esperar. Mas como ando nestas coisas por gosto e como diz o ditado "quem anda por gosto não cansa" decidi experimentar o Porta dos Cavaleiros de 1997, adquirido na garrafeira Tio Pepe (que ainda vai tendo umas coisitas mais antigas que vale a pena espreitar, sobretudo do Dão).

Marca emblemática e amplamente difundida nas grandes superfícies, o Porta dos Cavaleiros talvez tenha perdido muito do prestígio granjeado, quiçá resultado do apagamento das Caves S.João, entretanto felizmente renascidas. As Caves S. João, apesar de ser um produtor localizado na região da Bairrada, produz este vinho de uvas compradas na região do Dão.


De cor granada. com traços acastanhados, no nariz o primeiro impacto é a madeira bem evidente. Notas de alguma fruta preta, torrefacção e couro, também se foram evidenciando. Na boca, a madeira comanda, com a tosta a sobrepor-se no conjunto. Estruturado, picante e fresco, termina de média persistência.



Confesso que o achei um pouco "agressivo", duro mesmo, mas de salientar a frescura que ainda possui para um vinho de 1997. No segundo dia, infelizmente já se encontrava em declínio, não tendo por isso sobrevivido à oxidação. 



Para quem quiser experimentar um vinho à maneira antiga.

Classificação: 14,5

Sérgio Lopes