quinta-feira, 29 de junho de 2017

Em Prova: Valle de Passos Branco 2015

Vinho de enorme carácter e identidade peculiar! É fresco! Muito fresco! A primeira impressão que me surgiu, foi aroma a pedras marinhas cobertas de algas durante a maré vaza! 
Parece estranho!? 
A mim também!

Após algum tempo no copo e depois de alguns rodopios, deixa soltar subtis notas de folha de limoeiro... Exprime-se na boca com crepitante frescura onde uma mistura de vegetal com limão verde teima em prevalecer no palato mesmo depois de o líquido já ter sido bebido. É vinho que não tem medo a qualquer prato rico em gordura! 

Feito pelas mãos de Manuel Vieira e Carloto Magalhães e com viticultura de José Manso com as castas Viosinho, Côdega do Larinho e Malvasia Fina, é vinho para beber, ir bebendo e ver crescer! Por isso, convém guardar algumas garrafas! Não foi fácil de encontrar aqui! Tive que "importar" de Lisboa!! Mas valeu bem a pena!!

PVP:10€; Disponibilidade: Garrafeira Nacional

Jorge Neves (Wine Lover)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A abertura do garrafão de Colares "Genuíno" - (parte 3)

Ao fim de cerca de oitenta anos o vinho do garrafão chegava, finalmente, ao copo de prova! O branco ia começar a revelar os seus segredos e o primeiro felizardo a conhecê-los, por deferência do anfitrião José Baeta, foi Virgílio Loureiro. Habituado a estas andanças o sortudo não se deslumbrou com o privilégio evitando levar, de pronto, o copo à boca! Um momento destes tinha de criar expectativa entre todos os presentes e ser desfrutado com a elevação que um vinho octogenário merecia, mesmo correndo-se o risco de ouvir reclamações dos mais impacientes. 

Assim, a primeira medida a tomar foi apreciar detalhadamente a cor e aspecto do vinho, cujos pormenores intrigaram todos os assistentes. Para surpresa de todos o aspecto do vinho era absolutamente cristalino, que se podia justificar por o garrafão estar há décadas na vertical, ornamentando o hall de entrada da Adega Viúva Gomes. Já a cor motivava muitas interrogações, pois era acobreada e não dourada, como era suposto. As tonalidades avermelhadas permitiam especular quanto à cor do vinho original, que podia ser tinto, pois sabe-se que os tintos vão perdendo a cor até ao ponto de ficarem tão claros como os brancos, cujo processo de envelhecimento, por sua vez, os faz escurecer. 

Em suma, ao fim de muitos anos é difícil saber-se se um vinho é branco ou tinto, sendo necessário procurar a tonalidade avermelhada das antocianinas para identificar o tinto. O vinho do garrafão seria, então, tinto, como denunciava o matiz avermelhado? Alguns dos presentes acharam que sim, mas acontece que o garrafão estava rotulado e indicava que era branco "genuíno"!? Ter-se-ia dado o caso da empresa que o engarrafou - "Viúva José Gomes da Silva & Filhos" - ter trocado os rótulos? A primeira etapa estava cumprida e como grande vinho que parecia ser, deixou o primeiro enigma a pairar entre todos os presentes.

A segunda etapa da apreciação do vinho foi a prova de nariz, sendo tempo de cheirar o copo sem o agitar. A primeira impressão foi verdadeiramente emocionante, pois revelou uma fragrância intensa onde imperava uma complexidade deliciosa. A emoção sentida convidava a descrever o aroma com descritores sensoriais, como é norma quando o vinho impressiona. Porém, VL resistiu a essa tentação, pois sabe que os ditos "descritores" devem ser designados mais apropriadamente "metáforas" sensoriais, pois dependem da emoção que o vinho causa no provador, sendo muito subjectivos. 

Por isso, cada provador descreve o vinho como lhe vem à cabeça e de forma diferente dos outros todos. A fragrância do vinho convidava a cheirá-lo muitas vezes, mas o perigo de saturar os receptores olfactivos exigia moderação. Passou-se, por isso, à segunda etapa olfactiva, cheirando o vinho após agitação intensa. E eis que surge, como por encanto, uma explosão aromática surpreendente, que começou a espalhar-se pela adega. Os atentos espectadores começaram, então, a impacientar-se, pois sentiram as notas aromáticas que saíam do copo! Havia, pois, que acelerar a prova e não fazer sofrer mais os presentes. Ia, finalmente, fazer-se a prova de boca - a prova real - para que o vinho segredasse o que tinha dentro!

Fotos cortesia de Rui Viegas

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Professor Virgilio Loureiro

terça-feira, 27 de junho de 2017

Feira do Alvarinho, Monção, 30 de Junho a 2 de Julho

A Feira do Alvarinho de Monção, realiza-se no próximo fim-de-semana, dias 30 de Junho e 1 e 2 de Julho. No Campo da Feira, vai localizar-se uma tenda gigante, onde ao todo, marcam presença na feira 112 expositores, com destaque para 31 produtores de vinho Alvarinho, diversas tasquinhas, fumeiros/queijaria ou doçaria tradicional. 

A edição deste ano disponibiliza também, uma área dedicada à degustação da gastronomia de Monção - o Cordeiro à Moda de Monção, conhecido como Foda à Monção, com apresentação daquele prato típico da região. 

Alvarinho e gastronomia de excelência no próximo fim-de-semana, no Minho! A entrada é gratuita.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vinho ao Vivo & Adegga WineMarket Summer, no próximo fim-de-semana!

O Adegga WineMarket Summer 2017, acontece no Lisbon Marriot Hotel no próximo dia 1 de Julho, entre as 14h e as 21h. O Adegga WineMarket é um conceito inovador, criado pelo Adegga e organizado por André Ribeirinho, André Cid e Daniel Matos, com o objectivo de aproximar consumidores e produtores de vinho. O visitante tem a possibilidade de provar e comprar, em ambiente descontraído, 500 vinhos, entre os 5€ e os 50€, de 60 produtores seleccionados pela equipa do Adegga.

Informações gerais:
Data: Sábado, 1 de Julho de 2017
Local: Lisbon Marriott Hotel
Horário: 14h às 21h
Bilhete Prova: 15€
Bilhete Loja: 40€ (inclui entrada e vale de compras de 40€)
Bilhete Loja Duplo: 60€ (inclui entrada para duas pessoas e vale de compras de 60€)


O Vinho ao Vivo é um encontro de 35 produtores de vinho europeus em Lisboa que vão dar a descobrir ao público os seus vinhos. Uma selecção muito especial de produtores independentes que trabalham os seus vinhos com respeito pelo local de origem, pela cultura, tradição e paisagem locais. 

Organizado pela garrafeira Os Goliardos, o evento, que vai na sua 8ª edição, ocorre dias 30 de Junho e 1 de Julho, das 19h00 às 24h00, ao ar livre, à beira do Tejo, na esplanada À Margem em Belém. Os produtores estarão situados no cais, mesmo em frente à Esplanada À Margem. Cada participante circula de mesa em mesa de cada produtor para provar os seus vinhos, conhecer a sua história e o seu projeto. Ao longo do serão haverão concertos de música ao vivo de estilos variados, desde a música clássica, ao jazz, música do mundo. Cozinheiros de vários estilos e países prepararão ao vivo as suas especialidades, que acompanham o bom vinho que pode ser provado e comprado no local.

Os bilhetes podem ser adquiridos à entrada do evento ou na bilheteira on-line através do link http://goliardos.bol.pt/. Bilhete de 1 dia: 25€; Bilhete de 2 dias: 40€.

Site Oficial do evento: http://www.vinhoaovivo.com/


Sérgio Lopes

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A abertura do garrafão de Colares "Genuíno" (parte 2)

Retemperados com a visita às vinhas de chão-de-areia, em Fontanelas, chegámos a Almoçageme por volta das 19 h tendo o anfitrião José Baeta à nossa espera no Largo do Coreto. O calor apertava, pois a famosa brisa marítima estava de férias, mas o entusiasmo crescia à medida que os "felizardos" iam entrando para a monumental adega Viúva Gomes. O cenário estava preparado a preceito, com todas as velas dos candelabros gigantes acesas, com as mesas preparadas para o repasto e com os célebres garrafões - um de branco e um de tinto - perfilados lado a lado.

José Baeta não se tinha esquecido de nada. Havia decantadores, saca-rolhas de palhetas, saca-rolhas helicoidal, funil de rede fina, guardanapos e 60 copos de prova bem alinhados.O primeiro momento alto, com todos os felizardos a fazer meia-lua em frente aos garrafões, foi a extracção da rolha, do de vinho branco. Sabíamos que da facilidade com que a rolha fosse extraída e do seu estado de conservação dependeria grande parte do sucesso da noite. 

A tensão era, por isso, grande e a expectativa estava estampada nos olhares de todos. José Baeta, habituado a estes momentos, empunhou o saca-rolhas de palhetas e avançou resoluto para o garrafão de branco, disposto a sacar-lhe a rolha e a desvendar-lhe os segredos que tinha dentro. A primeira dificuldade surgiu quando constatou que as palhetas do saca-rolhas tinham sido feitas para garrafas e não para garrafões, não permitindo a extracção da rolha! José Baeta, que nunca tinha aberto um garrafão desta forma, contentou-se em tentar descolar a cortiça do vidro do gargalo, que conseguiu com alguma arte e ao som de alguns suspiros de admiração dos presentes. Foi, então, o momento para entrar em cena o outro saca-rolhas. 

A perfuração da cortiça fez-se com todo o cuidado, mas rapidamente se percebeu que não iria ser tarefa fácil, pois a rolha esfarelava devido à secura extrema que tinha à superfície. Cada pedaço de rolha que se destacava do conjunto causava burburinho na adega e as câmaras fotográficas e os telemóveis não paravam de registar esses momentos. Por fim, José Baeta tornou-se (ainda) mais afoito e perfurou a rolha de lado a lado, convicto que chegava para ela. Puxou e conseguiu vencê-la, brandindo-a, na ponta do saca-rolhas, à frente de todos como se de um troféu de caça se tratasse! Escusado será dizer que o entusiasmo cresceu exponencialmente na adega.

A segunda etapa do ritual consistia na decantação do vinho, pois desconhecíamos se tinha sedimentos. Foi a vez de VL pegar no garrafão, enquanto José Baeta segurava o decantador e o funil de rede fina. Logo que o vinho viu a luz do dia soltou-se uma exclamação, em uníssono, de todos os felizardos, pois apresentava um aspecto brilhante e uma linda cor acobreada. Tudo apontava, por isso, para uma noite de glória. A operação foi morosa e ocupou quatro decantadores, pois havia 5 L para decantar, numa operação que se pode chamar inédita, pelo menos para todos os presentes. Entretanto, começou a sentir-se o cheiro forte e delicioso que exalava do vinho, aumentando o entusiasmo de toda a gente.

Ao fim de muitos anos, que José Baeta estimou em cerca de oitenta, o vinho do garrafão ia começar a revelar os seus segredos...

Fotos cortesia de Rui Viegas

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Professor Virgilio Loureiro

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A abertura do garrafão de Colares "Genuíno" (parte 1)

Como estava aprazado há mais de um mês,cerca de metade dos felizardos inscritos no histórico evento apresentou-se no Parque Eduardo VII às 16 h, para rumarem a Colares. 

Não obstante a terrível canícula (de má memória para todos os portugueses) só dois chegaram ligeiramente atrasados, retidos nas filas da ponte 25 de Abril. O entusiasmo era, portanto, enorme e o calor não fazia desfalecer ninguém! Os restantes felizardos aguardavam em Almoçageme - cerca de 10 graus a menos do que em Lisboa - a chegada do autocarro. Criou-se, então, um grupo de 56 felizardos, que se dirigiu às vinhas de chão-de-areia, em Fontanelas. 

O objectivo era dar a conhecer a paisagem vitícola de Colares, todo o processo de produção de uvas e uma viticultura heróica, única no mundo, que teima em resistir aos efeitos devastadores da globalização. Havia a convicção que após esse périplo muitos dos presentes sentiriam, por certo, a alma do vinho de Colares e estariam emocionalmente preparados para o grande acontecimento na Adega Viúva Gomes. 

Muitos dos estrangeiros que nos acompanharam (americanos, ingleses, eslovenos e asiáticos) não conseguiram disfarçar a sua imensa surpresa com as "vinhas" de chão-de-areia, sorrindo, fotografando, filmando e chegando ao ponto de perguntar se "davam uvas"! Depois de vermos as vinhas velhas (e muito velhas), quiçá as produtoras das uvas que deram o vinho que estava no célebre garrafão, rumámos a Janas, onde visitámos a mais nova vinha de chão-de-areia da região, que vai dar uvas pela primeira vez este ano. 

O nosso guia foi o Nuno Ramilo, que eu convenci a deixar de projectar pontes e barragens para transformar os pinhais da família em vinhas de Colares! Os mais de dois hectares que plantou torná-lo-ão, em breve, o maior "latifundiário" de Colares e um dos guardiões de saberes antigos, pois já o avô dele era grande vinhateiro e famoso negociante de vinhos. Estava feito, com o agrado de todos e a surpresa de muitos, o trabalho de campo. Havia, pois, que rumar a Almoçageme, para mais emoções fortes.

Fotos cortesia de Rui Viegas

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Professor Virgilio Loureiro

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Em Prova: Vila Real Touriga Nacional Rosé 2016

Mais uma aposta da Adega de Vila Real na recente linha de monovarietais. De cor salmão intensa, no nariz exprime-se com predominância de frutos vermelhos. 

Na boca é seco, mas os seus 13.5° de álcool proporcionam-lhe um agradável volume glicerinado deixando prevalecer agradáveis notas dos frutos vermelhos que ao mesmo tempo conferem uma remanescente sensação de doçura e acidez.

É vinho para a mesa. Por exemplo para sushi, saladas mais complexas (com proteína animal), pizza...

Tem a vantagem de não precisar de saca rolhas, pois a rolha de aglomerado de cortiça, é de abertura manual fácil!

Confesso-me surpreendido! Não sendo o meu estilo de rosé, revelou-se uma agradável surpresa! Um vinho muito bem feito, equilibrado, agradável, que dá prazer a beber e a preço cordato. Os meus parabéns à Adega de Vila Real que vinho após vinho, tem marcado presença com uma qualidade exemplar num segmento de mercado de afirmação extremamente difícil, e extremamente competitivo!

Jorge Neves (Wine Lover)