sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Em Prova: Herdade do Rocim Branco 2018

O alentejano Herdade do Rocim Branco 2018 é elaborado com as castas Antão Vaz, Arinto e Viosinho, plantadas em terrenos pouco produtivos, de origem granítica e xistosa. É um vinho que me surpreendeu grandemente pela positiva. Nariz contido, de pendor mineral e levemente floral / citrino. Tudo muito delicado. Na boca é fresco, e seco confirmando a mineralidade, com alguns apontamentos vegetais. Com apenas 12,5 graus de álcool, apresenta um bom volume de boca e nervo suficiente para se revelar muito versátil à mesa. Acompanhou de forma perfeita uns filetes de peixe espada fritos com arroz de legumes ao almoço; e ao jantar uma massa com frango, queijo e cogumelos. Que bela surpresa. PVP: 8€. Garrafeiras.

Sèrgio Lopes

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Em Prova: Deu la Deu Alvarinho 2018

Nova edição deste vinho, amplamente acessível nas grandes superfícies. Proveniente da Adega de Monção, onde há um par de anos fiz uma prova vertical. E se dúvidas houvesse, provou-se a qualidade e longevidade desta referência. O Deu la Deu 2018 é um alvarinho que aparece nesta edição com um nariz mais contido do que habitual e também bastante complexo, entre notas tropicais suaves, predominância do citrino puro e alguma fruta de caroço. Tudo muito apetecível e sem exageros. A boca mostra uma boa acidez, apresentando-se bastante fresco e com bom volume, equilibrado e a dar muito prazer copo após copo. Um vinho que ronda os 6€, mas que por vezes no Pingo Doce se consegue comprar abaixo de 5€. É aproveitar e ir desfrutando. Acompanhou lindamente uma carne de porco rugida, feita como só a minha mãe a sabe cozinhar. Eu e o meu pai, demos conta desta garrafinha... PVP:6€. Grandes Superficies.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Em Prova: Malo Moscatel 5 Anos

Já há algum tempo que não bebia um Moscatel de Setúbal. Estava com saudades. Escolhi experimentar o Malo Moscatel 5 anos, que não conhecia. Trata-se, na realidade, de um lote de vinhos entre 2006 e 2013, perfazendo o perfil 5 anos. A vinificação é efetuada em Cuba, com adição de aguardente de armagnac, com as uvas a macerar 4 meses com a aguardente. Posteriormente estagia em barrica por um período de 5 anos. (Se fosse pela legislação do vinho do Porto seria quase um 10 anos. mas sendo moscatel define-se pela idade do moscatel mais novo) 

O resultado é um moscatel muito interessante para a sua gama de preço, com uma excelente acidez, textura aveludada e muita frescura, As notas de casca de laranja cristalizada e o fruto seco, estão lá, mas é no equilíbrio que surpreende. Com um bom volume de boca, fui bebendo um pouquinho durante a semana e ao fim de vários dias tinha "evaporado" (Nem tirei foto da garrafa!). Bom sinal, não? Excelente rqp, numa belíssima surpresa da Malo Tojo. PVP: 13,90€. Loja Online.

PS: Este vinho foi galardoado com a Grande Medalha de Ouro e vinho mais pontuado na 17ª edição do concurso vínico Selezione del Sindaco.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Fora do Baralho: Vinhos Antítese

Os vinhos Antítese são um projecto pessoal de dois amigos enólogos, que decidiram juntar duas castas aparentemente difíceis de resultar em blend, daí a designação "antítese". São eles Ricardo Santos - Malo Tojo (Setúbal) / Mestre Daniel (Vinho de talha no Alentejo) e Gilberto Marques (Quinta de Pancas). Existem duas referências atualmente no mercado ambas de 2016, ambas com alguma estrutura, com barrica e um ano em garrafa e vinificadas pelos dois amigos. O Antítese Pinot Grigio / Arinto é de uvas provenientes da Quinta do Carneiro (Alenquer) e mostra-se um vinho fresco, equilibrado, com um aroma muito sui-generis, provavelmente do Pinot Grigio, com notas de pêssego e mel, apoiado pela acidez de um Arinto que segura o conjunto. O Antítese Fernão Pires / Chardonnay, é feito com uvas provenientes da Quinta de Catralvos (Setúbal). É um vinho com madeira mais notória e também um pouco mais de álcool, o que o torna mais volumoso e menos fresco que o anterior, ou seja um branco de perfil mais maduro. Duas curiosidades do mundo do vinho, fruto da amizade destes dois enólogos, ainda disponíveis para quem quiser provar. PVP : 6€. Disponibilidade Reduzida.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Em Prova: Herdade do Rocim Touriga Nacional 2017

O Herdade do Rocim Touriga Nacional é um tinto Alentejano lançado juntamente com o Herdade do Rocim Alicante Bouschet e o Herdade do Rocim Reserva. Apesar de todos serem naturalmente diferentes entre si, têm em comum a imagem cravada no rótulo de um pássaro (apenas muda a cor consoante o vinho) como referência à apologia da biodiversidade e à missão de não deixar extinguir a planta linaria, que se encontra na propriedade. Este vinho é, claro está, produzido 100% de Touriga Nacional, fermentando e estagiando em barrica de carvalho francês, por 11 meses. Está um vinho ainda bastante jovem, marcado no nariz pelas notas florais características da casta e pela presença forte de especiarias, do contacto com a barrica. Na boca apresenta- se equilibrado, de taninos macios mas firmes, fresco e com uma boa estrutura, com a presença especiada a fazer-se sentir bem, nesta fase, a necessitar de algum tempo para amaciar. Um exemplar bem conseguido do que a casta pode aportar no terroir Alentejano. PVP: 10€. Grandes Superfícies/ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Em Prova: Quinta da Murta Clássico 2015

A Quinta da Murta situa-se em Bucelas, às portas de Lisboa, "coração" da casta Atinto e tem enologia de Hugo Mendes, que até acaba por ser curiosamente a única figura a que identificamos o projeto. Laboratório para a casta Arinto há mais de 10 anos, Hugo tem tentando aperfeiçoar o perfil e estilo que esta casta consegue aportar no terroir tão particular de Bucelas e em particular na localização idílica da própria Quinta da Murta (vale a pena visitar - fez-me lembrar Constância). A menção clássico apenas ocorre em anos onde as condições assim o permitem. Foi assim em 2009, 2012 e 2013 e volta a sê-lo em 2015. 

O vinho está delicioso, sendo provavelmente o melhor Murta clássico até à data. Tem um equilíbrio notável e é cheio de nuances que lhe conferem complexidade, desde logo a começar pelo nariz com notas citrinas inebriantes, casadas com uma madeira de qualidade , totalmente integrada (como Hugo gosta), mas que lhe dá um lado sedutor. A boca é cheia, redonda, untuoso e de novo super equilibrada, no binómio fruta-acidez. Com bom volume, termina crocante e de final longo, a dizer-nos que ainda irá crescer mais em garrafa, apesar dos seus 4 aninhos de vida. Sim, um branco com 4 anos de vida, que agora, só agora se começa a mostrar...Que belo vinho. PVP: 15€. Disponibilidade Muito Reduzida.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Em Prova: Herdade das Servas Colheita Seleccionada Branco 2018

Projeto da família Serrano Mira, do Alentejo, que foi ganhando o seu espaço e hoje se encontra consolidado, com várias referências no Mercado. Os vinhos de entrada são da gama Monte das Servas. No patamar a seguir surge o Herdade Das Servas Colheita Seleccionada, cujo branco tive a oportunidade de apreciar à mesa, com uma posta de garoupa na brasa. É um vinho muito competente e interessante, blend de 4 castas - normalmente Roupeiro, Viognier, Verdelho e Alvarinho e que fruto de algum trabalho de batonnage ganha uma estrutura e gordura de boca muito interessantes. Nunca fugindo à sua origem Alentejana, mostra-se contudo, fresco e equilibrado, de corpo e final de boca médios, tendo sido o pairing perfeito para o peixinho na brasa. PVP: 8,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes