segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Da minha cave: Quinta da Ponte Pedrinha Branco 2006

14,5/20.

Se há uma região que me orgulho de dizer que dificilmente apresenta vinhos maus, é a região do Dão. Tintos e brancos. Com idade. Aliás, até melhoram, com alguns anos em cima... Ainda se encontra na memória uma magnifica prova de brancos com largas dezenas de anos, ocorrida no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, em Nelas, simplesmente do outro mundo.

Assim, comprei duas garrafas de Quinta da Ponte Pedrinha branco 2006 num leilão. esperando uma boa surpresa. O produtor apresenta vinhos simpáticos com uma excelente relação qualidade-preço, mas nunca tinha provado vinhos mais antigos desse produtor.

O resultado não foi muito satisfatório. O vinho apresentava sinais de cansaço, com notas de fruta cozida e não se mostrou muito agradável. Estava estragado? Não. mas já tinha passado o seu melhor momento. Terá sido da garrafa? tenho mais uma para comprovar, mas parece-me que 10 anos para este branco, poderá ser um bocado a mais. O que é pena.

Sérgio Lopes

domingo, 7 de agosto de 2016

Bairrada: vinhos da região eleitos para representar Portugal nos Jogos Olímpicos Rio 2016




Começados os Jogos Olímpicos Rio 2016, evento que se prolonga até dia 21 e que vai contar com uma entusiasta comitiva portuguesa. Na bagagem, o Comité Olímpico de Portugal (COP) leva uma mostra do que de melhor o nosso país tem para oferecer: bons vinhos! A Bairrada foi a região eleita para fazer representar e promover os néctares de Portugal além fronteiras.

Espumante, branco e tinto: são três os vinhos que envergam a marca ‘Comité Olímpico de Portugal Bairrada’ e vão estar à prova nos momentos gastronómicos e de celebração da Missão Portuguesa nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Em Portugal estão à venda nos dois espaços da Rota da Bairrada – na Cúria e em Oliveira do Bairro – e na loja on-line. Oito, cinco e seis euros são os preços de cada garrafa. O pack dos três vinhos, todos eles de lote e, por isso, compostos por mais do que uma casta, pode ser adquirido por €16,00. 

O ‘Comité Olímpico Bairrada Grand Cuvée Bruto 2012’ (PVP = €8,00); ‘Comité Olímpico Bairrada branco 2015’ (€5,00), ‘Comité Olímpico Bairrada tinto 2011’ (€6,00), 

Sérgio Lopes (in press release)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Em Prova: Espumante Murganheira Super Reserva Bruto 2009

16,5/20. Este espumante e a marca Murganheira não necessitam de grandes apresentações. São sinónimo de qualidade e consistência, ano após ano. Este Murganheira Super Reserva Bruto 2009, produzido na região de Távora Varosa é composto pelas uvas das castas Malvasia Fina, Cerceal e Tinta Roriz. Estágio de 4 anos nas caves após a 2ª fermentação. Tem tudo o que um bom espumante deve ter: Bolha fina e presente; notas abaunilhadas e sabor delicado e muita frescura. Equilibrado e prazenteiro. PVP: 9,99€; Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Em Prova: Primavera Espumante Baga Bairrada Extra Bruto 2014


16/ 20. O projecto Baga Bairrada junta um conjunto de produtores com base na criação de um espumante da casta rainha da Bairrada, a Baga, e que tenham um perfil muito próximo entre si, pretendendo assim conquistar os consumidores e consolidar a marca Baga Bairrada. De entre o grupo, naturalmente que uns estão mais avançados do que outros e na minha opinião este exemplar Primavera Espumante Baga Bairrada Extra Bruto 2014 (a par do São Domingos) está muito bem conseguido. Trata-se de um espumante de cor pérola, bolha bem desenhada e abundante e com uma bela acidez. Fresco, gastronómico e com complexidade qb, tanto brilha a solo como para acompanhar refeições, devido ao seu pendor gastronómico. Muito bem! PVP:8€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Opinião: Aprendendo e Partilhando - O Vale do Rio Ródano




Aproveitando duas crónicas antigas sobre esta região resolvi aqui fazer uma só, dado o espaço generosamente oferecido pelo nosso amigo Sérgio. 

Há uns anos atrás tive a rara oportunidade de participar numa apresentação de vinhos da região de Côtes du Rhône que decorreu na Quinta de Nápoles, navio almirante da casa Niepoort e organizado por este incansável e apaixonado do vinho chamado Dirk van der Niepoort, que aproveitou e muito bem para, mais uma vez, promover o grupo de produtores autodenominado de Douro Boys (isto apesar de alguns terem idade para serem meus pais… ou quase!) que produzem dos melhores vinhos que se fazem na região ano após ano.

Mas esta crónica não é para aclamar este grupo que bem o merece, mas sim para falar de uma região quase desconhecida dos portugueses, mas que foi o berço de duas das mais aclamadas castas a nível mundial, a Viognier nos vinhos brancos e a muito mais elogiada e conhecida Syrah (muitas vezes escrita Shiraz) nos vinhos tintos. 

A Viognier é uma casta que origina vinhos encorpados e que aceita bem o estágio em barricas de carvalho, apesar de o não exigir, com uma propensão elevada para ter um teor alcoólico elevado, não é fácil encontrar vinhos desta casta com menos de 13% de vol. de álcool e que tem a particularidade de ser muito sensível na fase final da maturação, dado que com facilidade perde os sabores característicos a fruta (alperce, pera, flores…) e se a uva for colhida demasiado cedo pode perder esses mesmos aromas, se for colhida demasiado tarde perde a acidez e dará origem a vinhos desinteressantes! A região onde melhor esta casta se expressa é uma pequena área na zona norte da região chamada Condrieu onde apenas se produzem vinhos brancos. Analogamente existe também uma pequena região nessa zona que só produz tintos com a casta Syrah e se designa Côte-rôtie, mesmo se por vezes apresentem uma pequena quantidade de Viognier, sendo estes provavelmente os vinhos mais caros da região, com valores a superar com facilidade a centena de euros.

Quero antes de mais, falar de algo que durante a prova me deixou chocado dada a estonteante semelhança apresentada com os vinhos verdes tintos e a custarem acima dos quarenta euros! É verdade que essa característica só se mantém enquanto jovens, mas ainda assim fiquei estupefacto! Nunca me passaria pela cabeça que estes vinhos pudessem ser tão difíceis enquanto novos. Apresentam uma acidez impressionante, com taninos muito evidentes e adstringentes, deixando-nos a boca a saber a papel de música, como se costuma dizer quando ela fica seca. Paradoxalmente, depois de termos acabado de beber…

Nesta apresentação, um produtor, consciente dessa característica apresentou uma série de vinhos de diferentes anos que nos permitiu fazer uma prova vertical verdadeiramente educativa ainda que não entusiasmante. Ele sabe que o marketing ajuda, mas tem uma clara noção de como os vinhos dele evoluem e não se coíbe, mesmo gastando algumas centenas de euros de o mostrar. Não é por acaso que os franceses, mesmo não tendo os vinhos mais entusiasmantes do planeta são claramente os melhores vendedores acrescentando-lhe uma auréola de exclusividade difícil de resistir… é que não deixa de ser notável que sendo a casta Syrah uma casta tão fácil de apresentar de uma forma harmoniosa e de gosto consensual eles não sigam esse caminho, porventura por saberem que esse campeonato estaria perdido à partida para a Austrália, Estados Unidos ou Chile.

Mas debrucemo-nos um pouco sobre esta velha região, Côtes du Rhône, de vinhos essencialmente tintos. 

De uma forma um pouco simplista devemos começar por separar a região em duas, a zona norte (ou septentrionale como os franceses lhe chamam), mais montanhosa, que começa pouco abaixo de Lyon e a zona sul (ou méridionale) onde o rio Rhône se espraia pelas planícies da Provença.

A zona norte produz apenas uns dez por cento do total, mas é aqui que estão os vinhos mais caros da região. Aqui temos uma política de quase casta única. De facto nesta região a Syrah (ou Shiraz como os anglófonos gostam de dizer) reina de uma forma absoluta e os tintos ou são 100% da casta ou têm uma pequena percentagem de uma casta branca, a Viognier. Algo estranho, mas não tão incomum assim, até por terras portuguesas num passado não muito remoto. Mas ficarão por certo surpreendidos se vos disser que o objetivo é o de fixar a cor e não, como inicialmente pensei, o de amaciar um pouco o vinho dado o caráter untuoso da Viognier. Nas brancas a Viognier é usada a solo em Condrieu mas junta-se à Marsanne e à Roussanne quando descemos um pouco em direção ao sul. As duas outras regiões muito famosas desta zona norte, produzindo apenas vinho tinto, são Côte-Rôtie e Hermitage, onde um hectare de vinha pode vale qualquer coisa como um milhão de euros. Coisa pouca não andassem os euros tão arredios…

Já falamos um pouco do carácter dos vinhos da região norte e por isso vou agora concentrar-me na zona sul, onde são produzidos a grande maioria dos vinhos desta zona. A primeira vez que me lembro de ter bebido um vinho desta zona veio quase de certeza desta sub-região e lembro-me que me foi particularmente agradável pois apesar de ser muito jovem na altura, memorizei para sempre o nome da região. Teria provavelmente 20 anos e bebi-o na casa de uns simpáticos emigrantes portugueses em Saint-Etiénne, onde era consumido diariamente. Mais tarde percebi o porquê da escolha. Bom preço e muito provavelmente com os tintos mais parecidos com os vinhos portugueses.

Nesta região o número de castas passíveis de serem utilizadas é muito maior que o permitido nas mais reputadas regiões francesas, com destaque nas tintas para a Grenache Noir, Syrah, Mourvèdre, Terret Noir, Carignan e Cinsault e nas brancas para a Grenache Blanc, Clairette Blanche, Marsanne, Roussanne, Bourboulenc e Viognier. Assim, não é de estranhar que existam uma grande variedade de estilos na região e inclusive um dos mais famosos rosés de França, produzido numa pequena sub-região chamada Tavel. De todas as sub-regiões, e são bastantes, a mais famosa é sem sombra de dúvidas Châteauneuf-du-Pape, não só por ter sido aqui que o Papa dissidente assentou arraiais, mas porque sistematicamente alguns destes vinhos são classificados pelas melhores revistas mundiais com pontuações acima dos 96 pontos em 100 possíveis. Nos últimos tempos tenho consolidado a ideia de ser aqui que se produzem os meus vinhos preferidos da região, sejam eles tintos sejam brancos, que ao contrário dos que são feitos exclusivamente com Viognier, têm uma capacidade impressionante de evolução em garrafa originando vinhos que me deixam absolutamente extasiado. A Grenache ocupa já mais de 40% dos vinhedos em Châteauneuf-du-Pape e não é de admirar pois que seja ela que está por detrás de quase todos os vinhos tintos desta região dando, no entanto, origem a vinhos muito diferentes entre si. De vinhos leves e aromáticos a vinhos encorpados e fechados, de tudo é possível encontrar, talvez por a legislação nesta zona ser muito pouco apertada e permitirem grandes produções por hectare.

Já agora, se quiserem provar bons vinhos desta última casta, bastará ir ao norte de Espanha, de preferência ao Priorat se o bolso assim o permitir, e provar os vinhos feitos de Garnacha Tinta.

Hildérico Coutinho (Escanção / Sommelier)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Em Prova: Quinta do Carmo Branco 2015

15/20. Produzido pela Bacalhoa o Quinta do Carmo Branco 2015 é um vinho branco do Alentejo, feito de Roupeiro (50%), Antão Vaz (30%), e Arinto (20%). Trata-se de um vinho bem feito, com boa acidez, notas leves de fruta tropical, misturado com algum citrino, num conjunto equilibrado e de média complexidade. Sem defeitos, mas também sem grandes virtudes que justifiquem o seu preço algo desajustado, pelo menos na minha opinião. PVP: 7,90€; Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Arena de Baco: 13 à Sexta (14 por sinal)


13 à sexta, porque seriam 13 pessoas a provar vinhos na passada 6ª feira. Fomos 14, mas fica o nome pois faz sentido e até para se repetir esta magnífica experiência, mais vezes, por sinal. O evento foi promovido por amantes do vinho e alguns enólogos do setor o que o tornou ainda mais divertido e sobretudo muito didático, sempre num ambiente totalmente descontraído, como se pretende. O local de degustação vínica e também de grandes iguarias italianas foi a casa do, quiçá, italiano mais português do mundo dos vinhos, o Marco Giorgetti. Marco e sua esposa prepararam um autêntico manjar de iguarias italianas que foram sendo acompanhadas por vinhos brancos, espumantes e tintos. No final tivemos o ENORME privilégio de provar 3 vinhos italianos de outra galáxia. Bravo! 

A foto acima ilustra a quantidade de vinhos provados e também a enorme qualidade, sobretudo nos brancos. Todos os vinhos provados às cegas... Eu diria que os espumantes, que foram apenas 3, serviram de entrada, seguiu-se a maratona dos brancos em grande forma e terminamos com os tintos que infelizmente na sua maioria já tinham passado o seu momento, pois eram bastante antigos, embora prometedores. Uma pena. Mas já sabemos que num vinho antigo, cada garrafa é... uma garrafa. Pode daí advir boas ou más surpresas. É essa também a piada e o gozo de os provar. 

Aqui ficam as fotos de alguns dos vinhos que mais impressionaram em prova:



Destaques Brancos:
- Permitido de Márcio Lopes, um branco de altitude, da Meda, com mineralidade e frescura brutais. Muito delicado e com um potencial de envelhecimento bastante elevado. Delicioso.
- Muros de Melgaço Loureiro 2005, um branco da região dos vinhos verdes deliciosamente evoluído, com uma estrutura fabulosa e notas de mel, passas, frutos secos, tudo num registo de enorme frescura. O Loureiro a envelhecer muito bem!
- Anselmo Mendes Curtimenta, Tempo, Parcela Única e Expressões. O que dizer novamente destes grandes brancos feitos pelo Constantino Ramos? Cada um muitíssimo bom, dentro do seu estilo.
- Portal da Azenha Grande reserva 2013, um branco Duriense que agradou bastante de uma forma geral. Um perfil mais maduro, com madeira, muito gastronómico.
- Quinta das Bageiras Garrafeira 2014, um vinho de Mário Sérgio que não gerou consensos. Houve quem adorasse e houve quem achasse o garrafeira branco do produtor mais "estranho" e fora do perfil habitual. Eu que sou um grande fã do seu trabalho, não fiquei deslumbrado com este vinho...

Destaques Tintos:
- O mau estado de quase todos os tintos provados, já fora de prazo. Infelizmente, foi azar...Ainda assim destacaria:
- Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 97, em grande forma para quem gostar do estilo.
- Adega de Borba Reserva 92, ainda vivo, o que é deveras surpreendente!
- Sarmassa 2010, um Barolo, claramente o vinho vencedor (também o mais jovem dos tintos em prova cega).

Para o final estavam reservados, pelo anfitrião (na foto abaixo querendo anonimato :-)), 3 vinhos italianos... Mas não foram 3 vinhos quaisquer. Foram 3 grandes vinhos! 


2005 La Spinetta Vursu Vigneto Campe, o VINHO DA NOITE. Um Barolo que o Marco teve a gentileza de nos dar a provar. Eu diria a honra e privilégio de degustar! Tudo em grande nível: Complexidade, elegância, frescura, boca, enfim... Deixou toda a gente boquiaberta!
- 2006 Tenuta Pianpolvere Barolo Riserva, Barolo também, mas um reserva, num perfil mais tânico e "rude". Outro grande vinho.
2004 La Spinetta Sezzana Sangiovese Toscana. terminando em grande com este magnifico Sangiovese, de novo com uma elegância e complexidades ímpares, para um vinho com mais de 10 anos. Bela casta, que permite fazer igualmente os mundialmente famosos Chianti!

NOTA:
- O Barolo é um vinho produzido no noroeste da Itália, Província de Cuneo, região do Piemonte, com a casta Nebiolo.

Sérgio Lopes