sexta-feira, 15 de julho de 2016

Opinião: 6 manias de um apaixonado por vinhos (ou enochato)

O apaixonado pelo vinho, categoria à qual eu orgulhosamente pertenço, é uma espécie rara em Portugal. Quase que merecia um documentário dedicado pela National Geographic. Agora um pouco mais a sério, diria que a grande franja dos consumidores de vinho em Portugal faz as suas compras nas grandes superfícies e bebe sempre a mesma coisa. Ou quase sempre. Poucas são as excepções. E nós, esses seres raros, como qualquer apaixonado pela "coisa" criamos uma série de manias, umas mais ou menos manifestadas de forma mais vincada, no mínimo curiosas. Manias e rituais à volta do prazer que conseguimos extrair do nectar dos deuses. Então vejamos:

1. Diversidade e Variedade
O Winelover não gosta de beber o mesmo vinho todos os dias. Eu iria até mais longe. Varia entre tinto, rosé, branco, espumante, generoso, consoante a disposição. E varia de região. A explicação é simples. O vinho é um prazer e uma espécie de ritual. Uma paixão que desenvolve uma constante aprendizagem e a busca de novas sensações.

2. A garrafeira não chega!
"Não me apetece beber nada do que tenho na garrafeira". Às vezes mesmo com uma garrafeira recheada de dezenas e dezenas de garrafas variadas, de qualidade elevada, só porque o momento pede um outro vinho, lá saímos nós a comprá-lo. Deve ser a tal busca de novas sensações, não?

3. Temperatura e copo
Ui... O vinho tem de estar à temperatura certa e ser bebido no copo certo. Faz toda a diferença. E quando se fala nestes dois vectores, há boas indicações que facilmente se encontram perguntando ao Sr. Google, mas para mim, há sempre variações de acordo com o tipo de vinho e copo. Ou seja, caso a a caso, respeitando o máximo possível o que queremos extrair. Não é fácil encontrar nem a temperatura ideal, nem o copo certo. Mas com treino, chegamos lá...

4. Espreita aí, mano!
"Maluquinhos" nos supermercados e garrafeiras à procura de garrafas de vinho mais antigas. Sim somos nós, pois os vinhos com alguns anos tendem a estar mais prontos a beber e até em melhores condições. Então, ao contrário da população em geral é ver os tipos à procura das garrafas mais atrás da prateleira... Quando virem isso, é um winelover, por sinal!

5. Tenho uma grande coleção!
Orgulhosamente mostrando a sua garrafeira aos amigos (mesmo os que não gostam de vinho) e ainda as caixas do vinho que não cabem na garrafeira. E mostramos com todo orgulho, sem muitas vezes nos apercebemos que do outro lado esta alguém que vai ao supermercado comprar um vinho para ocasiões especiais...

6. PROVAturismo
Fazer longos kms para uma prova especial ou evento. Para provar vinhos... ou visitar produtores. É preciso gostar-se muito disto, não? Ainda por cima para provar vinhos e não bebê-los, isto é, cuspir, para depois não perder pontos na carta de condução. Lindo!

Estas são algumas das situações que me lembrei. Se quiserem acrescentar mais, óptimo!

Sérgio Lopes


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Open Day Niepoort 16 Julho

A Niepoort Vinhos realiza no próximo sábado, dia 16 de Julho, um evento de portas abertas, onde irá  partilhar todos os vinhos do universo Niepoort. 

Um momento único para conhecer toda a família e equipa Niepoort bem como alguns produtores nossos amigos. 


ENTRADA LIVRE MEDIANTE INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA 
Enviar e-mail para niepoortportasabertas@gmail.com  indicando Nome, Mail e Telefone.

Sérgio Lopes

Finalmente um português vai colaborar com o guia de vinhos mais vendido do mundo!

André Ribeirinho, um dos fundadores da plataforma de vinhos Adegga, será o primeiro português a recomendar os vinhos nacionais no Hugh Johnson's Pocket Wine Book, o guia de vinhos mais vendido do mundo (cerca de 12 milhões de cópias). Anteriormente, a responsabilidade da seleção dos vinhos portugueses era da escritora e crítica de vinhos britânica Sara Ahmed, que continuará a trabalhar com Portugal, mas noutra vertente. André Ribeirinho será a partir de agora o responsável pela seleção dos vinhos e produtores nacionais que entram no guia, sendo que em cada ano tem de alterar 25% das propostas, ou seja, todos os anos tem de incluir esta mesma quota de novidades. Nas edições anteriores, Portugal entrava em conjunto com a Espanha, enquanto que agora terá uma secção exclusiva e um maior número de referências nacionais.

Parabéns ao André Ribeirinho!

André Ribeirinho foi considerado, em 2010, a Personalidade do Ano na área do vinho pelo jornal Diário de Notícias, participa regularmente no painel de jurados do Concurso Mundial de Bruxelas e é co-fundador da #winelover, comunidade com 21 000 membros.

Sérgio Lopes (in press release)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Fora do Baralho: Quinta de Lourosa "Vinha do Avô"

16,5/20

Arinto, Essa casta que existe por todo o Portugal e que pelas suas características, quer em lote, quer a solo, tem carácter e sobretudo transmite aos vinhos uma acidez natural (entre outras características) que lhes confere frescura. 

O Quinta de Lourosa "Vinha do Avô" é 100% feito de Arinto, Uma edição limitada de um vinho que resulta de 3 colheitas (2013, 2014 e 2015) feito com uvas de uma vinha com mais de 30 anos, o que na região dos Vinhos Verdes se pode considerar de "vinha velha". Com fermentação em barrica usada, é comercializado numa imponente garrafa de 1,5L (único formato disponivel).

Apresenta uma cor com ligeira evolução, talvez do estágio em madeira. Mostra-se contudo muito fresco, com notas limonadas, alguma mineralidade e os fumados da madeira. Na boca é fresco e untuoso, com final firme e a pedir tempo em garrafa para crescer e mostrar todo o seu potencial. Claramente não será um vinho consensual, mas será muito interessante prová-lo dentro de alguns anos para verificar o seu crescimento. Um vinho "fora do baralho". PVP: 30€

Sérgio Lopes

terça-feira, 12 de julho de 2016

Em Prova: Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2008


17/20. Já lá vão mais de 4 anos que visitamos pela primeira vez a Quinta das Marias, de Peter Eckhert, casa onde se funde o Dão com um carácter mais internacional, no que concerne ao estilo pretendido pelo produtor. Este Touriga Nacional de 2008, provado no passado domingo (de tão boa memória!), podia fazer parte da rubrica "Da minha cave..."... mas e um vinho do Dão e por essa razão os seus singelos oito anos, fazem dele ainda um jovem... 

Com 14º de álcool, algo que não é usual na região, mostrou uma cor opaca, bem carregada, a prenunciar a sua ainda juventude. Foi um vinho que nos foi dando grande luta de copo para copo, ora mostrando-se mais fechado, com notas de especiarias, fumados e notas herbáceas, ora querendo mostra o lado floral e maduro da Touriga de Peter Eckert. Acho que só estabilizou ao último suspiro aka último copo, mostrando toda a sua elegância e frescura, aliada a uma potência que reforço é invulgar na região. Um grande vinho, de pendor gastronómico, embora não seja à primeira vista um "Dão", pelo menos em prova cega. Mas é uma grande vinho, seguramente com traços do Dão. PVP: 18,5€. Disponibilidade: Raro de encontrar. Comprado na garrafeira Estado D'alma ,em Lisboa.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Da minha cave: Carvalha do Assento Branco 2000


16,5/20Comprei este vinho recentemente num leilão. O que sei do vinho Carvalha do Assento é que pertence à Fundação Dr. António Vieira de Tovar de Magalhães e Albuquerque, proprietária da Casa de Repouso de Nossa Senhora do Socorro, de Folhadosa, Seia, sendo que estamos na presença da colheita experimental, que foi feita em 2000. Ao que parece para rentabilizar a quinta, uma vez que a casa do Repouso de Folhadela fundada em 1922, tratando-se de uma instituição de solidariedade, precisava dos fundos que os seus utentes não podiam naturalmente pagar.

O vinho é feito das uvas brancas tradicionais do Dão. Pela cor que apresenta na foto à esquerda, pode-se comprovar que está em óptima forma. A cor é de facto muito bonita. A evolução é também muito boa, pois mantém ainda uma enorme frescura pelo que dá um grande prazer a beber. E acompanhou um anho assado na perfeição, esgrimindo belos argumentos gastronómicos a favor. Quem diria? Muito bem. E custou-me apenas 3€...!

PS: Não sei se esta fundação ainda existe e se o vinho é ainda produzido. Caso fosse, gostava de ver como está nos dias de hoje, pois pela amostra do primeiro vinho feito pela fundação, merece ser conhecido.

Sérgio Lopes

domingo, 10 de julho de 2016

Dão Capital. Vinhos do Dão em Lisboa.

A Comissão Vitivinícola Regional do Dão e a Rota dos Vinhos do Dão trazem novamente até Lisboa os melhores vinhos e sabores da região.
A mostra terá lugar nos dias 15 e 16 de Julho no Pátio da Galé, na Praça do Comércio e os visitantes poderão provar e comprar os produtos expostos e participar em provas de vinhos comentadas por especialistas da Revista de Vinhos.

Este ano a grande novidade é apresentação dos primeiros vinhos que alcançaram a designação qualitativa mais ambicionada da região demarcada do Dão - DÃO NOBRE. São eles o Fonte do Ouro Dão Nobre branco 2015 e o Casa de Santar Dão Nobre tinto 2013.

A entrada é livre.


Sérgio Lopes