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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

TURRA TINTO 2019

De Celorico de Basto e com enologia de @constantinoramos , este é um vinho que desarma qualquer um, desde logo por se tratar de um 100% Vinhão, mas por não ser um típico Vinhão, daqueles que "pintam a malga" e estremecem as nossas gengivas.

É sim o que para mim poderá se designar como um típico tinto da região dos vinhos verdes - leve, fresco, com pouca extração e uma enorme bebilidade.

Acresce o facto de 1 ano de garrafa depois se apresentar muito melhor, o que deita por terra a teoria de que os verdes tinto são para beber no ano. Bem, este também não é um tinto típico da região (embora devesse passar a ser).

Está num momento de prova absolutamente delicioso, carregado de fruta fresca e com um leve tanino vegetal a alegrar o conjunto. Versátil à mesa e de enorme gozo a beber, vai desaparecendo naturalmente copo após copo. Acompanhou, por exemplo e com grande valia, um cozido à portuguesa.

A um PVP inacreditável de apenas 6,5eur, oferece muito mais do que o valor pode aparentar.

sábado, 30 de janeiro de 2021

APHROS SILENUS TINTO 2016

Vinhão... essa uva difícil na região dos vinhos verdes. Vinhos normalmente bebidos jovens e cheios de vigor e "que pintam a malga".

Ora aqui temos um vinhão de 2016, cultivado em modo biodinamico, que passa 9 meses em barrica e que estou a abrir em... 2021.

É claro que tem os marcadores da casta, desde logo pela cor carregada. A pisa em lagar confere lhe um nariz com alguma rusticidade, com bagas maceradas e algum couro. Na boca, super fresco, intenso, taninos vivos nesta fase arredondados pela madeira. De novo couro e alguma estrebaria, num final com optima acidez que limpa completamente o palato. 12.5 graus.

Não é vinho para todos os dias. Não é "limpo" e não será consensual. Mas, caramba deu me um enorme gozo a acompanhar as costelinhas de porco assadas pela minha mamã! Deve funcionar também lindamente com um bacalhau à Braga, por exemplo. Pvp 17eur.

Uma coisa vos digo: este vinho é tudo menos monótono. "But you got to be in the mood for it". E com a correta comida a acompanhar.

Contrarotulo.blogspot.com

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Cegos por... Vinhão!

No passado dia 18 de Fevereiro, decorreu mais um evento organizado pelo grupo "cegos por provas". Desta feita o desafio foi provar vinhos produzidos da casta vinhão, conhecida por gerar vinhos duros e que "pintam a malga". Sim, para quem não conhece, é tradição na região dos vinhos verdes beber este tipo de vinho em malgas, acompanhando a cozinha minhota. No Douro esta casta também existe mas tem o nome de Sousão e confere alguma estrutura e taninos aos vinhos. Foram colocados alguns exemplares de Sousão em prova cega, também para se perceber o perfil da casta em ambas as regiões e tentar identificar isso mesmo. O evento decorreu no restaurante "O Prato" em Famalicão, onde foram provados 36 vinhos, acompanhados pela gastronomia característica da região superiormente servida pelo restaurante, nomeadamente uns rojões com arroz de sarrabulho e uma lampreia à bordaleza.

 

Os participantes foram distribuídos em dois grupos, para provarem 18 vinhos cada. Tivemos vinhos para todos os gostos e estilos, desde o tradicional vinhão agreste, passando por vinhões mais civilizados e modernos, alguns deles inclusivé, com passagem por madeira, vinhos de vinicultura biodinâmica e claro os Sousão para baralhar um pouco.

Eis o top 3 e a lista dos melhores classificados de entre os 36 vinhos em prova:


Curiosamente os vinhos de Sousão, ou seja, com a casta plantada no Douro foram os grandes vencedores, talvez porque estamos mais habituados a esse registo de vinhos. Mas também porque os vinhos em prova de Sousão eram realmente muito bons! No entanto, ficou clara a plasticidade da casta vinhão que de uma forma geral se comportou muito bem, na prova cega, desde produtores conhecidos a referências completamente desconhecidas, mas de grande qualidade. Ainda há muito trabalho para fazer com esta casta, pois não é unânime e consistente, mas saí da prova com a convicção de que compraria alguns destes vinhos e seriam bebidos, com prazer. E isso é o mais importante.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tapada dos Monges Vinhão 2010

Ano: 2010

Produtor: Manuel da Costa Carvalho Lima & Filhos, Lda.

Tipo: Tinto

Região: Vinhos Verdes (Sub-região do Ave)

Castas: Vinhão

Preço Aprox.: 6,30€

Veredicto: Eis a difícil tarefa de provar um Vinhão. Não estou habituado e por isso posso dizer que não conhecendo, poderia não ser justa a avaliação. Por isso, provei-o com uma especialista, a minha mãe, que gosta bastante de vinhos "verde" tinto.

E que bela surpresa. Trata-se de um vinho de cor vermelho ruby carregada. Espesso, "a pintar o copo" (ou a "malga") como se diz aqui para as bandas do Norte. No nariz, carregado de frutos vermelhos maduros. Na boca, acompanhando a fruta experimentada no nariz, é um vinho robusto, forte, mas não agressivo, com boa estrutura, terminando com uma persistência muito agradável.

Para apreciadores (como a minha mãe) foi um sucesso. E eu também apreciei. Muito agradável, a fazer jus à casta, sem agressividade para o estômago, o que por vezes acontece nos vinhos verde tintos mais correntes. Pede comidas fortes, tais como lampreia, ou cabidelas.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Classificação Pessoal: 15,5

Sérgio Lopes