domingo, 24 de julho de 2016

Opinião: Alquimia (ou a cor dourada de uma casta mineral)

Na Idade Média, os alquimistas reuniam várias ciências e crenças na tentativa de encontrar a Pedra Filosofal e o Elixir da Vida Eterna. Tudo nos leva a crer que nunca tenham conseguido transformar ferro em ouro ou criado o néctar que lhes trouxesse a eternidade. O certo é que na Bairrada há quem consiga transformar uma casta mineral em ouro e proporcionar-nos momentos que, não nos trazendo a imortalidade, serão, certamente, eternos.

POÇO DO LOBO ARINTO COLHEITA DE 1995 é um daqueles vinhos que merecem que conversemos com eles demoradamente, prestando atenção à sua evolução logo que começa a respirar. Observando os seus tons dourados somos levados a sorrir. Levando-o lentamente ao nariz percebemos a sua originalidade e identidade tão própria, num vinho com o qual não nos cruzamos diariamente. Por fim, colocamo-lo na boca e apreciamos a sua elegância, complexidade e acidez viva.


Há uns anos, Fátima Flores, em conversa com Sarah Ahmed, dizia que beber vinhos velhos era como "driving an old Cadillac". Não queiramos bebê-lo com pressas. Basta abrir-lhe o tejadilho e apreciar todos os prazeres que ele já traz consigo.

*PVP: 9,00 €, nas Caves São João.

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)

sábado, 23 de julho de 2016

Em Prova: Colecção Privada Domingos Soares Franco Sauvignon Blanc 2015


16/20. Confesso que já estava com saudades do provar os vinhos que traduzem a visão e espírito criador do enólogo Domingos Soares Franco. É sempre excitante perceber o que vai lançar de novo ou em continuidade nestes seus projectos mais pessoais e de produção mais reduzida, dentro do universo José Maria da Fonseca. Nasce assim em 2015 o Sauvignon Blanc, da sua coleção privada, com um toque (15%) de Verdejo. Trata-se de um vinho fiel à casta com notas de espargos verdes, algum herbáceo e tropical. Na boca é elegante e crocante, com bom corpo e bom final. Um Sauvignon Blanc mais contido e nada exuberante, muito agradável. Foram produzidos 9100 litros. PVP: 9,90€; Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Em Prova: Monte Mayor Tinto 2007


15,5/20. A Adega Mayor é fruto da visão do Comendador Rui Nabeiro e da sua grande paixão pelos vinhos e pela sua terra - Campo Maior. Inaugurada em 2007 mas a produzir vinhos desde 2002, pelo que não sei se este será o primeiro Monte Mayor Tinto produzido, entretanto renovado com uma imagem muito mais moderna e apelativa, e creio que sem a enologia de Paulo Laureano, mas sim Rui Reguinga. Provei os anos mais recentes em Angola e gostei da gama Monte Mayor que passou a reserva, o que pressupõe aumento da qualidade. O 2007 e que não é reserva vale pela curiosidade, pois encontra-se num momento em que está bem interessante, pois não se identifica claramente com um vinho do Alentejo, pelo menos logo de caras. Está mais suave mas ainda com fruta e toques de madeira, chocolate e baunilha, sem perder o calor do terroir alentejano. Encontra-se neste momento no Continente a metade do preço, pelo menos na loja de Gaia, a cerca de 4,50€. E por esse preço vale a pena experimentar, mesmo sendo de 2007.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Opinião: Vinhos com história e com estórias...

De vez em quando tenho a oportunidade de provar vinhos com história e com estórias, uns comprados por mim, outros oferecidos e ainda outros provados à mesa com amigos, como foi o caso do vinho que provei num jantar com alguns companheiros de longa data, a propósito de uma prova cega de vinhos antigos.
O vinho em questão foi o Quinta da Aguieira 1998 e apresentou-se ainda com uma forma extraordinária tanto no nariz como na boca, apesar da bonita idade de 19 anos. A desconcertante frescura, acidez e o travo a pimentos verdes impressionaram todos aqueles que o provaram.
É um vinho histórico por diversas razões. Em primeiro lugar foi, provavelmente, um dos primeiros vinhos lançados para o mercado depois da aquisição levada a cabo pela Quinta da Aveleda em 1997.
Em segundo lugar, mostra, mais uma vez, que a Bairrada tem vinhos que envelhecem com elevada elegância tendo por base outras castas para além da Baga. Neste caso, o vinho foi feito com Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional.
Também sei que estarão a pensar que provavelmente terá sido obra do acaso, um ano bom sem repetição, pois a Bairrada e os seus produtores não têm pergaminhos na produção desta casta. No entanto, não podiam estar mais enganados.
A Bairrada da década de noventa tinha vários produtores a lançar bons “Cabs” estremes ou em lote para o mercado. Como exemplo podemos apresentar várias colheitas da marca Galeria e Quinta das Baceladas sob a chancela das Caves Aliança; os Cabernet Sauvigon do Poço do Lobo produzidos pelas Caves S. João ou até os vários exemplares de João Pato, neste caso o lote era composto por Baga e Cabernet. Todos os vinhos referidos anteriormente podem ainda ser encontrados, em maior ou menor número, em alguns espaços comerciais.
Verão que depois de abertos e provados comprovarão o que escrevi anteriormente. Acham que não? Então experimentem...

Paulo Pimenta (Wine and Stuff)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Em Prova: Casa de Canhotos Alvarinho 2015


16/ 20.
O Sr. Fernando Rodrigues, produtor do Casa de Canhotos, é proprietário de um restaurante em Penso, Melgaço, o restaurante Jardim. Lá tudo é recomendável, desde o Bacalhau assado, Cozido à portuguesa, Cabrito, uma feijoada fenomenal e claro, no tempo dela e para quem gosta, a famosa Lampreia. Foi lá que experimentei este Casa de Canhotos pela primeira vez, há pelo menos 5 anos, a acompanhar um belo Bacalhau Frito à moda da casa e posso-vos confessar que a harmonização estava deliciosa. 

E é com certa nostalgia e muita alegria que vejo a marca a comemorar 10 anos de existência e já com espumante de Alvarinho na sua gama de produtos. Muito bem! 

Trata-se de um Alvarinho de caracter citrino e mineral, leve e de fácil prova, daqueles que escorregam sem se dar conta... ! Recomendo vivamente este vinho, quer pelo seu equilíbrio, quer pela sua excelente relação qualidade-preço. PVP: 5€ (Em Penso - Melgaço). Disponibillidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

terça-feira, 19 de julho de 2016

Arena de Baco: O magnifico universo de Anselmo Mendes!

Não é todos os dias que se tem a oportunidade de provar a gama completa dos vinhos do universo de Anselmo Mendes. Eu diria mesmo que é algo muito raro. Pois o grupo Cegos Por Provas conseguiu esta proeza e tivemos a possibilidade de usufruir de um momento inesquecível. Lá nos deslocamos a Melgaço, mais propriamente a Penso onde o enólogo Constantino Ramos, que trabalha com Anselmo Mendes desde 2012, tinha preparado para nós uma monumental prova com 24 vinhos, incluindo algumas mini-verticais...!

Foram provados os seguintes vinhos:


- Espumante 2009 de Alvarelhão - Uma curiosidade. Fez a 2ª fermentação em cuba e por isso resultou um pouco doce. Mas a acidez até que compensa bem. 
- Muros Antigos Escolha 2015 - O entrada de gama da casa. Feito de 40% Loureiro, 40% Avesso e 20% Alvarinho. Muito equilibrado e aromático. A resultar num vinho muito consensual e perfeito para o Verão.
- Muros Antigos Escolha Loureiro 2015 vs. 2011 - Feito apenas de Loureiro. O 2015 muito aromático como é apraz da casta. O 2011 já com uma evolução com notas petroladas, meladas e de frutos secos. Com uma estrutura superior. A demonstrar claramente que o Loureiro evolui muito bem, aliás como Anselmo Mendes defende.
- Muros Antigos Escolha Avesso 2015 - O mais gastronómico dos Muros Antigos. Notas de flores brancas, num vinho com bom corpo e com o "avesso" civilizado. Excelente acidez.
- Muros Antigos Escolha Alvarinho 2015 vs. 2011 - Cítrino como deve ser e elegante o 2015. Fiel à casta nesse registo mais leve. O 2011, fora do baralho, com uma evolução boa, estrutura e acidez. Não diria que seria um Alvarinho em prova cega...
Muros Antigos Escolha Alvarinho 2009 vs. 2007 - Os dois primeiros grandes vinhos provados.  O 2007 fantástico, com uma acidez crocante e uma boca impressionante. O meu favorito. O 2009 num registo de maior complexidade e elegância. Não gerou consensos pois ambos foram considerados grandes vinhos. E eu estou de acordo.


- Contacto Alvarinho 2015 -  Floral, citrino, mas também algo tropical, com mineralidade. Um vinho que é um verdadeiro blockbuster de Anselmo Mendes, provavelmente um dos responsáveis pela consolidação da marca. E está disponível em "todo o lado" o que é óptimo.
- Muros de Melgaço - Alvarinho com contacto em madeira por 6 meses. E com aquela garrafa estranha, de cor negra. Fizemos algumas mini-verticais:
2015 vs. 2011 - 2015 com grande facilidade de prova, mas também um elevado potencial. Provavelmente o melhor alvarinho de 2015 provado por mim até à data. 2011 achei o um pouco fechado. Eu guardava mais uns anos, pois tem muito para dar.
2008 - merece um lugar de destaque. Simplesmente fabuloso em todas as suas componentes. Provavelmente o vinho da prova!
2002 vs. 1999 - Ambos evoluidos mas muito muito bons. O 2002 apresentando já alguns sinais de cansaço, contrariamente ao 1999 com uma vida e frescura desconcertantes. Muito bem!
Desta mini vertical, seleccionaria sem dúvida os 99, 08 e 15!
- Expressões 2014 - Eu gostei muito. Um Alvarinho a pretender mostrar como se faziam os Alvarinhos de outrora. A expressão do terroir de Monção e Melgaço, claro que com Alvarinho. Anselmo Mendes considera este vinho a conjugação da mineralidade e elegância do Parcela ùnica com o corpo e volume do curtimenta. Que grande, grande vinho!
- Curtimenta 2014 - Menos "direto" que o Expressões. Aqui Anselmo procura mais volume, corpo e untosidade, sem perder de vista a tipicidade da casta. Outro grande vinho, diferente do anterior, mas diria que no mesmo patamar de qualidade.
- Parcela ùnica 2014 - Como o próprio nome indica proveniente de uma única parcela de vinha onde Anselmo considera que o Alvarinho se exprime de forma mais pura e original. O resultado é um vinho com forte mineralidade, frescura crocante onde a apologia da elegância e delicadeza é o pretendido. Fabuloso!

Provamos ainda os seguintes vinhos:
- Tempo 2015 - Um branco produzido como se um vinho tinto se tratasse, sem grande intervenção exterior.
- 100% Vinhão - Verde tinto produzido com a casta rude vinhão, aqui bastante civilizada.
- Pardusco - Uma espécie de palhete (mistura de uvas tintas e brancas) bastante interessante e direto.
- Private - terminamos com este vinho que mistura o pardusco com alvarinho, com um toque de barrica. Sui generis.

Foi uma prova memorável a provar que Anselmo Mendes é um dos grandes embaixadores dos vinhos verdes e em particular das castas Loureiro e Alvarinho, sendo que da prova se conclui a excelente evolução e longevidade que ambas as castas possuem. Um obrigado muito especial ao Constantino Ramos pela condução da prova. 1 abraço.

Fotos cortesia de Daniel Campos do grupo Cegos Por Provas

Sérgio Lopes

segunda-feira, 18 de julho de 2016

3ª edição do Vinho Verde Wine Fest


A terceira edição do Vinho Verde Wine Fest, realiza-se entre 21 e 24 de Julho, mais uma vez na Alfândega do Porto. Organizado pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o festival terá "mais de 150 vinhos em prova de 33 produtores" e do seu programa consta um dia dirigido às famílias, no dia 23.

Estão igualmente previstas atividades para as crianças, que, segundo a CVRVV, "permitem primeiras experiências com a gastronomia e descoberta de sabores".O festival terá lugar no parque nascente da Alfândega, com o rio Douro como vizinho próximo, e este ano ocupara uma área maior do que a do ano passado, com sacrifício do espaço que era reservado ao estacionamento automóvel.

A entrada no festival custará dez euros, com direito a um copo, oito senhas de provas e a uma prova comentada.

Mais informações, incluindo o programa do festival em http://www.vinhoverdewinefest.com/pt

Sérgio Lopes