Na semana passada fui ao Dão e fui confrontado com a necessidade de se retomarem garrafas de vinho branco de 2015, que alguns clientes de restaurantes de Viseu acham que está velho! Disseram-me que é uma reacção frequente, logo que sabem que a nova colheita está para sair. Claro está que os reclamantes imputam a situação aos seus clientes, que só gostam de brancos jovens, clarinhos e muito frutados! Quando provei o vinho em causa achei que estava excelente e a entrar na idade adulta, fruto da complexidade que começava a ganhar com o estágio de garrafa. Reconheci o inconfundível estilo dos brancos do Dão, cujo lema é: "Quanto mais velhos melhores!" Achei que não se justificava a retoma das garrafas, mas logo me disseram que "O cliente tem sempre razão", acresecentando que a solução mais pragmática seria colocar o vinho em saldo, para não se correr o risco de ficar com alguns "monos" por vender: Lembrei-me, então, que várias cartas de vinhos de restaurantes da Capital do Dão têm a originalidade de começar pelos tintos (com uma lista imensa de marcas e preços), remetendo os brancos para o fim da lista (meia-dúzia de referências) para os clientes "esquisitos"!
Perante os factos interrogo-me de quem será a culpa de tal situação e tenho de reconhecer que é, em primeiro lugar, dos produtores, que não conseguem explicar convenientemente o estilo dos seus vinhos aos consumidores...e aos donos dos restaurantes. Haverá, por certo, mais responsáveis, mas quem tem de escoar o vinho são os produtores...

NOTA FINAL:
Nunca me esqueço do orgulho que tive quando jantei com um amigo americano num restaurante do centro histórico de Viseu, há anos atrás. Ele ficou verdadeiramente extasiado com a carta de vinhos do restaurante, pois tinha o preço de venda ao público e, também, o preço a que o dono do restaurante os tinha comprado. Ao fim de minutos a fotografia da carta estava no facebook dele e os enófilos da Califórnia encheram-no de comentários altamente elogiosos.
Professor Virgilio Loureiro
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