terça-feira, 23 de outubro de 2018

Em Prova: Vale dos Ares Alvarinho 2017

Integrado no grupo Vinho Verde Young Projects, juntamente com os vinhos Quinta de Santiago, Sem Igual e Cazas Novas, o projeto Vale dos Ares encabeçado por Miguel Queimado é proveniente da região de Monção, sendo que naturalmente aposta na casta Alvarinho, casta de excelência da sub-região de Monçao e Melgaço. 

Lançado o primeiro vinho apenas em 2012 e depois de alguma afinação e consolidação do projeto, Miguel Queimado lança o que é, na minha opinião, o seu mais bem conseguido Vale dos Ares, o de 2017.

Nariz predominantemente mineral e focado no lado citrino da casta Alvarinho, com notas de casca de laranja e toranja, muito frescas. A boca tem uma acidez crocante, mesmo ao meu gosto, com cremosidade e o tal lado citrino em evidência. Com bom volume de boca, é seco, de final longo, intenso e sério, sem deixar de ser deliciosamente apelativo e equilibrado. Muito bem. PVP: 9,90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Arena de Baco: Almoço #Murgafriends

O mote era provar um espumante muitissimo especial, criado pela Murganheira, uma produção limitada a apenas 500 garrafas, que sairá mais próximo do Natal e será um produto Super Premium. Para já, não podemos divulgar muito sobre o mesmo, pois encontra-se no "segredo dos deuses". Mas tivemos o privilégio de o provar "en primeur" este passado sábado e está tão fino, guloso e cheio de classe, que efetivamente promete! Mas antes de falarmos do almoço do passado sábado, contextualizemos os #Murgafriends - um grupo de enófilos esclarecidos que visitou as Caves Murganheira, tendo em comum a enorme admiração pelo projeto e os seus fabulosos  e consistentes espumantes,  e desde então tem-se juntado para diversos eventos e visitas. Assim, com o privilégio de degustar o espumante Super Premium da Murganheira, decidimos marcar um almoço onde se também se provaram outros espumantes, de grande nível. Às cegas, pois claro.


O almoço decorreu no restaurante Dona Júlia, em Braga, onde o serviço foi exemplar. É um restaurante com nível, intimista, family friendly e onde os produtos são bem tratados, bem como o vinho, o espumante e muito champanhe, que se pode ver exposto um pouco pelas paredes. A vista também é lindíssima, para além de possuir 3 salas distintas, a sala principal - airosa, outra no primeiro andar, com foco no Sushi e uma última mais recatada e intimista, talvez mais propicia para um jantar ou evento privado. O menu que foi seleccionado para acompanhar os espumantes continha uma série de entradas tradicionais, em modo petisco, tais como favas com grão, pataniscas de bacalhau, tripas à moda do porto ou folhado de queijo de cabra com doce. Para pratos principais, um bem conseguido Bacalhau à Braga e um Naco de carne grelhadinho na perfeição. Para a sobremesa, naturalmente... Pudim Abade de Priscos, que estava delicioso.


Para além do Murganheira Super Premium (não posso revelar a designação oficial), houve 7 espumantes às cegas e 3 vinhos brancos no inicio , o Sem Mal 2017 de João Camizão, de que gosto muito e 2 vinhos da Herdade Papa Leite, do Alentejo, totalmente novidade para mim. Neste fartote de espumantes de qualidade que se seguiu, reinou a qualidade: Para começar, um Afros Loureiro 2009, um espumante dos vinhos verdes que foi uma surpresa, apresentando notas meladas de evolução, mas com muita frescura ainda, Ninguém estava à espera, às cegas que fosse este espumante. Os Kompassus Rosé 2011 e 2012, um pouco abaixo do que haviamos provado recentemente, mas a mostrarem ser espumantes rosés bem feitos e amigos da mesa; O São Domingos Velha Reserva Vintage 2004, impressionou pela sua juventude, apesar de alguma rusticidade típica desta referência, bem conhecida e que consumimos com regularidade cá em casa. Com 14 anos e ainda cheio de vida pela frente. Sem Igual 2015, ainda não saíu para o mercado mas apresenta a acidez, frescura e lado seco que João Camizão tanto gosta nos seus vinhos. Um espumante diferenciador da região dos vinhos verdes. Vértice Milésime 2009, com 4 anos de estágio antes de degorgement, mais 4 anos de estágio em garrafa, fizeram deste espumante distinto um dos preferidos em prova; Finalmente, o meu espumante preferido e que me encheu totalmente as medidas, o Familia Hehn Velha Reserva 2006, tem tudo aquilo que aprecio num grande espumante, com alguma evolução, cheio de fruto seco, notas de panificação, mousse cheia de classe, muita frescura . Uma delicia. Está num momento de prova extraordinário. Um produtor que tal como a Murganheira pertence à sub-região da Távora Varosa. 


Foi de facto um grande almoço que se prolongou pela tarde fora e culminou com uma visita à nova loja de Agostinho Peixoto, a Espumanteria Portuguesa onde se podem comprar mais de 100 referências de espumantes. Bravo!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Em Prova: Kompassus Branco 2017

Há felizes coincidências... Na segunda-feira passada assisti à apresentação dos novos vinhos Kompassus, com o mote do lançamento do super topo tinto Kompassus Gene. Foi uma grande apresentação, confirmando a qualidade dos vinhos de João Póvoa, sob a chancela do enólogo Anselmo Mendes

Pois, hoje, em trabalho em Lisboa, acabei por jantar num restaurante chamado Masstige, que combina tapas com pratos de autor, num conceito um pouco estranho (pelo menos no resultado. De entre as 2 ou 3 opções a copo, tinha este Kompassus branco 2017 (anteriormente chamava-se eskuadro kompassu), o "entrada" de gama da casa e que ligou brilhantemente com as tapas que escolhi - Ovos rotos e uns mirabolantes e estranhos croquetes de risoto de bacalhau (!). 

Este vinho (que não esteve em prova na paasada 2ª feira), feito de Maria Gomes, Bical, Arinto e Cerceal, fermenta com leveduras indigenas e tem apenas 12º de alcool. É um vinho muito mineral, citrico e vibrante, com alguma salinidade, bastante fresco, seco, com acidez crocante, volume e finais médios e que dá prazer a beber. Vai seguramente crescer em garrafa. Uma extraordinária relação qualidade-preço, para um vinho a ter em casa. PVP: 5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Em Prova: Quinta do Cardo Caladoc Rosé Reserva 2015

Na "ressaca" da festa do quinto aniversário da garrafeira Garage Wines, trouxe este rosé, que gosto particularmente, para acompanhar uma noite de sushi. O sushi era competente. O vinho, superior. 

Caladoc é uma uva tinta resultante da mistura entre a Grenache e a Malbec, produzida em pequena quantidade, especialmente na região francesa da Provence, região de excelência na produção de Rosés. 

E esta casta na Beira Interior, cultivada em dois hectares experimentais na vinha da Encosta, na Quinta do Cardo, a 770 metros de altitude, deu origem a um rosé desconcertante, nas sábias mãos do jovem e promissor enólogo Luis Leocádio.

De cor salmão, é um vinho muito fino aromaticamente, com fruta vermelha e rosas, mas tudo num registo muito suave. Tão leve e mineral que até poderia passar por um branco. A boca então pode nos levar a isso mesmo, pois o estágio de dez meses em carvalho deu-lhe, estrutura, untuosidade e muita profundidade. Aliado a uma cor  bonita e pouco marcada. Poderia ser um branco às cegas! È rosé distinto, gastronómico, fresco e muito seco, cheio de classe. Delicioso. E acredito que possa ser de guarda...  PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Da Minha Cave: Quinta das Bageiras Reserva Tinto 2011

Este vinho veio literalmente da minha cave em Foz Coa, onde o descobri este fim-de-semana e decidi trazer. Era garrafa única, guardada antes de o Diogo nascer. É verdade que compro muito mais a referência Garrafeira das Bageiras, (branco e tinto), e menos o Reserva Tinto, mas comprovei que mesmo sendo produzido para um consumo mais imediato, o vinho evolui de forma agradável. 

O Quinta das Bageiras Reserva 2011 é feito de Baga 60% e Touriga Nacional 40%, fermentado em pequenos lagares, sem desengace e com posterior estágio em tonel de madeira avinhada. 

Apanhei-o numa fase determinante da sua evolução, onde a fruta primária começa a dar lugar a aromas terciários. Continua com uma boca com óptimo volume, bastante frescura e aquele lado calcário tão giro que os solos aportam aos vinhos bairradinos. Parece-me que entre a Baga e a Touriga anda aqui uma luta, nesta fase, na garrafa, o que deu um gozo enorme a beber. Penso ter sido consumido no momento certo, quiçá, até um ou 2 anos mais cedo fosse melhor. 

De qualquer das formas, acompanhou muito bem a feijoada de casulas e deu muito gozo a beber. PVP: 8,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Em Prova: Tazem Encruzado 2016

As Adegas Cooperativas estão cada vez mais apostadas em aumentar o nivel qualitativo dos seus vinhos. Isso tem-se visto com maior relevo em casas como a Adega de Cantanhede na Bairrada ou a Adega de Monção na região dos vinhos verdes, através da criação de novas referências, uma nova imagem e muita qualidade nos seus vinhos, sobretudo nos topos de gama. 

A Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem, da região do Dão é lendária sobretudo em tintos antigos, como por exemplo os garrafeira Jaen do principio dos anos 2000, entre outros e agora também procura se modernizar e criar uma imagem mais apelativa e atual. 

Provei recentemente não um topo de gama da casa (nem sei se existem), mas sim o Tazem Encruzado 2016, um vinho feito 100% da casta branca rainha da região, sem passagem por madeira, e que prouxe para casa abaixo dos 5€. 

Por esse valor, é um vinho muito correto, seco, boa acidez, com volume de boca médio, gastronómico qb e que dá gozo beber. Vale a pena. PVP: 4,5€. Garrafeira Vinigandra.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Em Prova: Murganheira Espumante Vintage 2007

Por qualquer razão, nunca tinha escrito umas palavras sobre este espumante; talvez por ter tanta classe que é dificil de descrever, assemelhando-se claramente a um (bom) champagne. Melhor do que muitos!

É feito 100% de Pinot Noir, na Távora Varosa, região onde se localizam as Caves Murganheira. O método de vinificação champanhês recolhe da casta Pinot Noir o "le coueur de cuvée", ou seja literalmente, o coração da primeira prensagem, a porção de maior qualidade do meio da prensagem, excluindo a primeira e última prensagem. Depois repousa em cave por cerca de 10 anos, antes de degorgment.

O resultado é um espumante cheio de classe, muito complexo e fino, com mousse perfeita e as notas de panificação e frutos secos tão apelativas de um bom champanhe - perdão grande espumante. Tudo num equilibrio e com um finesse, impressionantes. Nas garrafeiras encontra-se disponivel entre os 25€ a 30€. Apenas 15.000 garrafas produzidas. Imperativo ter em casa para, no minimo, brindar a uma celebração especial. Destaquei o Murganheira Vintage 2007 apenas porque é o que tenho em casa, mas bebi às cegas recentemente o 2006 e estava igualmente fabuloso, pois estes espumantes aguentam largos anos em garrafa.


Fabulosa e inacreditável foi a prova que a foto acima documenta - uma prova vertical desta referência, dos anos 2000 a 2012 e com uma qualidade monumental, impossivel de descrever por palavras. A prova foi proporcionada por Marta Lourenço, enóloga da Murganheira, e que desde que se encontra à frente dos destinos enológicos da companhia, revolucionou a Murganheira, garantindo a entrada de novas referências e um elevado standard de qualidade e consistência, ano após ano. 

A mais recente colheita no mercado do Murganheira Vintage é o 2009 (2008 esgotou no produtor), mas ainda se encontram os anos 2008 e 2007 em algumas garrafeiras. Eu sugiro, começem por comprar (e beber) o 2007 e depois seguindo para os outros, pois só ganhamc om o tempod e garrafa!

Sérgio Lopes