segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Em Prova: Paraje Mina 2016

Alberto Nanclares é um nome seriamente a reter entre os produtores de vinho da Galiza, mais propriamente das Rias Baixas. Mestre do Albariño, tem neste vinho Paraje Mina 2016, um vinho com uma força e acidez descomunais. 

As uvas provêm de uma parcela com mais de 30 anos. Estas fermentam com as suas proprias leveduras, sendo que uma parte vai a Inox e a restante metade passa por madeira usada. Finalmente fica cerca de 9 meses sobre borras, sujeito a battonage semanal.

O resultado é um vinho surpreendente em complexidade, profundidade e muita muita frescura. No copo, passou entre o citrino, o herbáceo, a fruta branca, mas sempre com um fundo super mineral e muita salinidade. A boca é super crocante, com uma acidez de "partir os dentes", untuosidade, belissimo corpo e um final que nunca mais acaba. Um vinho que me deixou completamente rendido. Provavelmente o melho exemplar de Albariño que bebi até à data. 

9,0 g/l de acidez total e um pH de 3,04 não é para "meninos". Cerca de 1300 garrafas produzidas. PVP: 15,90€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Em Prova: Tyto Alba Vinhas Protegidas Branco 2016

É inquestionável que ao nos depararmos com os vinhos Tyto Alba nos supermercados nos salte de imediato à vista a bonita imagem da coruja-das-torres (Tyto Alba) presente no rótulo dos seus vinhos. Esse habitante frequente no estuário do Tejo encontra refúgio nos habitats da Companhia das Lezírias. 

O branco Tyto Alba Vinhas Protegidas (há também um tinto), que comprei no Jumbo, é feito de Fernão Pires (60%) e Arinto (40%) e fermenta e estagia em barricas de Carvalho Francês por 2 meses. 

O resultado é um vinho muito harmonioso onde o lado floral / aromático da Fernão Pires casa na perfeição com a acidez do Arinto. Na boca apresenta alguma untuosidade, corpo médio, final prazenteiro e apenas 12,5ª de alcool o que o torna muito versátil, permitindo começar com o vinho antes da refeição e acompanhar a mesma com o vinho, desde que ligeira. Gostei.

PVP: 6,90€. Disponibilidade: Jumbo.

Sérgio Lopes 

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Fora do Baralho: Vulpes Vulpes Branco 2016

A adega Entre os Ríos localiza-se em Pobra do Caramiñal, nas encostas da península de Barbanza, no lado norte da Ria de Arosa, no centro geográfico das Rías Baixas. A filosofia é do máximo respeito pela paisagem e natureza, evitando o uso de tratamentos desnecessários, tais como herbicidas ou inseticidas. Também apenas são utilizadas leveduras indigenas, para preservar a autenticidade de cada ano de colheita. É por isso uma vitucultura totalmente natural e biológica, onde a influência do solo rochoso da peninsula de Barbanza, o clima e a enorme proximidade com o mar, marcam significativamente o perfil dos vinhos. 

Apesar do Albariño ser a casta dominante, nos vinhos produzidos por José Crusat, provamos um vinho produzido da uva 100% Raposo (também conhecidas por Blanco Legítimo ou Albarín) chamado Vulpes Vulpes. 

Quando abri a garrafa cheirava um pouco a enxofre, pois é  um vinho que para além de produzido em modo natural, apresenta um perfil reduzido. Confesso que guardei a garrafa do meio-dia para a noite. À noite o vinho abriu, perdendo aquele toque a enxofre, mas mantendo uma acidez desconcertante e um lado salino que pede comida, seguramente. Então apareceram notas florais, leve balsamico, canela, mas sempre com o lado "bio" a fazer-se sentir. Na boca, muito seco, cheio de garra e muito "fora do baralho". Um belíssimo vinho que se estranha no inicio e depois... entranha-se. Temos claro de estar "in the mood for it"...! PVP: 12,50€. Disponibilidade: V'Idi.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Em Prova: Transdouro Express Cima Corgo 2017

Projeto de Mateus Nicolau de Almeida, o Transdouro Express pretende mostrar a expressão das três sub-regiões do Douro: Cima Corgo, Baixo Corgo e Douro Superior. 

As uvas são compradas a viticultores seleccionados e acompanhados todo o ano e depois Mateus faz os vinhos, de acordo com o perfil que considera fazer jus à região. 

Provei e comentei AQUI a edição de 2016 daquela que foi a minha referência preferida das três , o  TransDouro Express Cima Corgo, um vinho fresco, elegante, pouco extraído, mas muito "fácil" e versátil. 

A edição de 2017, claramente "um menino", a precisar de mais uns bons meses em garrafa para se mostrar na plenitude, dá para perceber que provém de um ano mais quente e isso reflecte-se no perfil do vinho, com mais corpo e estrutura, mas também mais densidade, ou seja, sem ser extraído, sente-se um perfil de fruta mais madura, ainda que o trabalho de enologia de Mateus Nicolau de Almeida mantenha o vinho sempre num equilibrio notável. Veremos como evoluirá em garrafa, sendo certo que não estamos na presença de uma "receita", mas sim da influência do ano no cima corgo. PVP: 10€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Em Prova: Vale dos Ares Alvarinho Limited Edition 2016

Versão com passagem por madeira do Alvarinho Vale dos Ares de Miguel Queimado. 

Limited Edition (LE) pois foram feitas apenas 600 garrafas deste vinho. A edição de 2016 do LE, à semelhança da colheita do seu Alvarinho mais recente no mercado (2017), provado aqui, é para mim também a melhor edição até à data.

O LE sempre foi um vinho que finaliza a fermentação em barrica onde depois permanece mais ou menos 6 meses. E este ano, a madeira aparece superiormente integrada, aportando ao vinho apenas aquilo que interessa - uma outra dimensão, respeitando totalmente a casta. 

Começou no copo muito tímido e fechado, embora muito complexo - sempre. Passou pelo lado citrino, pelo herbáceo, pelo salino, terminando cheio de maresia. Fresco, com acidez acutilante, bom volume de boca e final muito longo. Refrescante, mineral e muito prazeroso, contudo a precisar do precioso tempo de garrafa para se mostrar na sua plenitude. É dar-lhe mais 3 ou 4 anos... Ou então, apreciar desde já, pois está um belíssimo vinho. PVP: 14,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Em Prova: Fazenda Prádio Tinto 2016

A adega Fazenda Prádio localiza-se na Ribeira Sacra, na vila abandonada de O Pacio de Carracedo, A Peroxa. São 5 hectares de vinhas, das variedades Merenzao, Brancellao, Caiño Longo, Espadeiro, Sousón, Mencía, Loureira e Dona Branca,  a 500 metros de altitude, em solo granítico e Xistoso. A produção é biodinâmica. Também é possivel usufruir de Turismo Rural na propriedade.

O Fazenda Prádio é 100% produzido da casta Mencia (Jaen) enxertado nas videiras de castas autóctones da região. 

12 graus. Focado na fruta fresca de qualidade, com grande salinidade, corpo médio. Muito fresco. Pouco extraído. Só apetece beber de tão fácil que é, sem cansar. Tudo características que aprecio num tinto. So lhe falta um pouco mais de profundidade, mas a garrafa desaparece num instante...! 

Um Mencia fora do Bierzo, mas que mostra todas as qualidades da casta e que se bebe com grande agrado.

PVP: 12€. Disponibilidade: Delicatum / Online.

Sérgio Lopes

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Fora do Baralho: Czar

Se há vinho totalmente distinto e peculiar é o vinho Czar da Ilha do Pico - Açores. Após a revolução Russa em 1917, foi encontrado vinho licoroso da ilha do Pico nas caves do palácio do último Czar, Nicolau II. Este vinho era embarcado em barricas na ilha do Pico e enviado propositadamente pelos Czares para os seus banquetes reais. 

Chegou a constar de receitas médicas como cura para certos males e até Tolstoi o menciona no seu livro “Guerra e Paz”. Daí se ter considerado que o nome mais apropriado para este vinho seria “Czar”. As vinhas onde é produzido o CZAR, são centenárias e localizam-se na zona dos lajidos da Criação Velha, da ilha do Pico.

Por se tratar de um vinho totalmente natural, sem adição de qualquer tipo de álcool, açúcar ou leveduras, a sua composição varia de acordo com o grau de maturação e as condições climatéricas incertas de cada ano, podendo aparecer como seco, meio seco, meio doce ou doce. É um vinho que naturalmente atinge 18% de graduação, e às vezes mais. 

Essa virtude, deve-se às características peculiares das uvas de que é feito, ao tipo de solo vulcânico e à vindima tardia, ajudando na sobre maturação das uvas. Em alguns anos simplesmente não aparece, por não atingir a qualidade necessária para ser chamado Czar. 


As castas utilizadas são o verdelho, o arinto dos Açores e o terrantez. Nos anos em que saiu Czar, até 2008 eram mencionadas as castas (nem sempre todas faziam parte do lote), sendo que a partir de 2008, passa a designar-se "superior". O 2011 é "private collection". Fizemos uma prova vertical dos vinhos Czar no evento Enóphilo no Porto (2009, 2008, 2006, 2003, 2002, 2000), podendo comprovar que se tratam de vinhos muito secos (apesar do açúcar presente), devido à elevada acidez e que aguentam muito bem a passagem do tempo. Reforço que não são vinhos aguardentados como os Porto ou Madeira, por exemplo, mas sim fortificados mais próximos de um colheita tardia. A colheita mais recente no mercado é a de 2011 e pode ser encontrada nas melhores garrafeiras, com um PVP a rondar os 50€. Está muitíssimo equilibrada, entre doçura e acidez, cheia de nervo, muito iodo e salinidade, sendo um vinho "perigoso" a beber e muito versátil. Czar - uma verdadeira curiosidade no mundo vínico. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes