sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Em Prova: Valados de Melgaço Vinificação Natural 2016


Chegou ao mercado a nova referência Valados de Melgaço, com a designação Vinificação Natural. O objectivo do produtor Artur Meleiro foi o de lançar para o mercado um Alvarinho que mostrasse a expressão genuína da região de Monção e Melgaço. Com estágio sobre borras finas em madeira, durante 8 meses, não foram utilizados sulfitos durante a vinificação. O resultado é um vinho complexo e fino, bem acima do seu Alvarinho colheita, já de si muito bom. O aroma é profundo com notas delicadas citrinas e um balsâmico que lhe dá um carácter bem interessante a potenciar a frescura. Na boca, é fresco e elegante, com madeira bem integrada e um bom corpo, terminando persistente. Com potencial de envelhecimento. PVP: 15€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Em Prova: Triunvirato Nº 4


Messias não é apenas sinónimo de vinhos do Porto. Longe disso. Cada vez produz mais e melhores vinhos de mesa. A empresa está presente em 3 das mais importantes regiões vitivinicolas do país, Bairrada, Dão e Douro. Triunvirato significa Aliança e a quarta edição deste vinho alia as melhores uvas das 3 regiões, Baga (da Bairrada), Alfrocheiro (do Dão) e Tinto Cão (do Douro). Feita a aliança (blend), o vinho estagia 24 meses em barricas novas de carvalho francês. O aroma é imediatamente sedutor e extremamente complexo, fino, vegetal e muito fresco. A boca enche completamente com taninos firmes e potentes, mas com muito requinte. O final é muito prolongado. Ainda muito novo e com muito para mostrar. Um grande vinho. PVP: 30€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Em Prova: Anselmo Mendes Não Convencional Tinto 2012


A menção "não convencional" advém, por um lado, do teor alcoólico que apresenta, mais baixo que o habitual no Douro (12,5º), por outro lado, da escolha das castas, também pouco usual para a região. O mais comum encontrar é o blend TTT - Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz. Ora, este vinho é produzido de uvas de cepas seleccionadas provenientes de uma vinha centenária, onde sim podem ser encontradas com frequência as castas que lhe deram origem, nomeadamente Tinta Carvalha, Tinta da Barca, Rufete, Tinta Francisca, ou Cornifesto, entre outras. Em vinhas velhas é assim... O estilo do vinho é pois o reflexo dessas características, um vinho simultaneamente leve mas com tensão, isto é, sem quaisquer excessos, antes fresco, elegante, com alguma "rusticidade" da tipicidade duriense das vinhas velhas que lhe confere carácter. Sem maquilhagem e claramente um estilo diferente para a região. PVP: 16€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Radar do Vinho: Quinta do Mouro

O final da tarde do 4.º dia do grupo (meu 2.º) no Alentejo foi passado na Quinta do Mouro com o Miguel Louro, produtor excêntrico e um inigualável contador de histórias. Atualmente conta com a ajuda dos filhos, principalmente do Luís Louro, na enologia mas por vezes não lhes liga nenhuma e aparecem vinhos fantásticos como os Erros, fruto do acaso ou da teimosia do produtor. 

Já agora, os Erros da Quinta do Mouro são para quem gosta de vinhos diferentes e os que mais dizem da personalidade do seu produtor, não serão do agrado de todos, tal como o Miguel Louro, mas para mim, são dos mais interessantes que há no Alentejo.

A visita do nosso grupo ocorreu em simultâneo com a visita de um pequeno grupo de belgas e que até foi interessante, aumentando a interação, e se por um lado para eles foi um pouco mais difícil, pois às vezes, o Miguel Louro começava a falar em inglês mas depois entusiasmava-se e acabava a falar em Português, para desespero da sua assistente. 

Por outro lado, a dinâmica que se estabeleceu, fez que em vez de se abrir meia dúzia de vinhos, acabou por abrir todos os vinhos que estavam disponíveis ;) A adega é pequena e artesanal mas não impede de saírem grandes vinhos de lá, à imagem do Miguel Louro, muito irreverentes, completamente fora da caixa, mas de grande qualidade. Quando me dizem que não gostam de vinhos alentejanos porque são muito redondinhos e com pouca acidez, eu digo sempre, já provaste um Quinta do Mouro?

Bem, seguem as minhas notas de prova (sintéticas e pessoais, mais úteis a pessoas com gostos semelhantes):


- Vinha do Mouro Branco 2015 – equilibrado e seco (15,5);
- Apelido 2015 – mais intenso e ácido (16);
- 1.º Nome 2015 – com mais estrutura e equilibrado (17);
- Erro B 2015 – muito intenso e com grande acidez, precisando desesperadamente de comida e devendo melhorar com a idade, vinho de curtimenta total por causa de uma prensa avariada e que depois foi loteado com arinto para o tornar um pouco mais leve e fresco (17, por agora);
- Vinha do Mouro Tinto 2013 – um pouco adstringente e com acidez pronunciada que requer comida, é um bom vinho mas não é um entrada de gama fácil (16);
- Zagalos 2012 – mais elegante e do agrado geral (16,5);
- Quinta do Mouro 2010 – Encorpado e com taninos notórios mas já suficientemente polidos para dar uma boa prova (17,5);


- Erro 2 2011 – encorpado, muito intenso e com acidez a condizer e um sabor fabuloso, este é proveniente de umas barricas que deviam ir para o Rótulo Dourado mas ficaram esquecidas (18);
- Erro 3 2013 – meio corpo mas muito exuberante quer de aroma quer de sabor, com acidez elevada que resultou de um lote com Brett (que no produto final não se nota) de uma casta híbrida que um professor trouxe de Espanha, combinado com 50% de Trincadeira (18-18,5);
- Quinta do Mouro Touriga Nacional 2014 – aroma e sabor fabulosos com taninos ainda muito notórios e boa acidez, um vinho que diria que com mais uns 3 anos de garrafa pode bater-se com qualquer Touriga Nacional, mesmo agora, se decantada com tempo e acompanhar comida, já dá uma grande prova (18-18,5);
- Quinta do Mouro Cabernet Sauvignon 2011 – encorpado e muito intenso, com um aroma intrigante e um dos melhores Cabernets de Portugal, só perdeu por estar no meio de vinhos fabulosos (17,5);
- Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2011 – encorpado, muito intenso com taninos já domados, com madeira de qualidade, aroma e sabor fabulosos (18,5).

Duarte Silva (Wine Lover)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Opinião: O prazo de validade do vinho

Possivelmente já se questionou porque é que o vinho não trás no seu rótulo um prazo de validade, uma vez que os alimentos embalados trazem todos uma data expressa. Realmente, com o vinho a questão é bem mais complexa, mas nada que não tenha uma explicação.Para se saber até quando um alimento ou uma bebida mantêm boas condições de consumo, as amostras desses produtos são enviadas para laboratório onde são realizadas análises que avaliam a velocidade e as condições que levam à sua deterioração. Essa avaliação é chamada de “teste de vida de prateleira” e é com base nela que se determina o prazo de validade. Mas então, como é que se fazem análises ao vinho quando sabemos que (nalguns casos) podem manter-se em condições de serem apreciados por muitos e longos anos? Uma vez dentro d7a garrafa, existem vários factores que influenciam o tempo que um vinho vai permanecer apto até ser apreciado. As diferentes intensidades da acção de factores físicos como a luz, temperatura e movimento (vibrações); e químicos, como a oxidação (alterações que ocorrem em contacto com o oxigénio) ou a redução (alterações que ocorrem na ausência do oxigénio) irão influenciar a evolução e/ou deterioração de cada vinho. Cada um deles vai reagir de forma diferente a essas influências e, por isso, não há como fazer com os vinhos o tal “teste de vida de prateleira”. 

Como a validade é uma informação obrigatória nos alimentos embalados e os vinhos evoluem de diferente maneira uns dos outros, dependendo da sua constituição e forma de armazenamento, os rótulos podem ostentar a informação “válido por tempo indeterminado” ou “consumir de preferência antes de…” sempre e desde que embalados em vasilhame de vidro. Embora este pormenor não se aplique, para já, na União Europeia. Neste caso, o risco de perda do produto por motivos de excessivo tempo de armazenamento é avaliado pelo consumidor e controlado pelos estabelecimentos da especialidade. Para orientar o consumidor, os produtores costumam indicar no contra-rótulo as condições ideais para prolongar a vida útil do vinho. Mas então, se o vinho não tem prazo de validade, porque é que se fala em tempo de guarda? Com base no facto de cada vinho evoluir de maneira diferente, o chamado tempo de guarda é uma estimativa que os produtores e especialistas sugerem para o limite de tempo até ao qual, possivelmente, o vinho manterá características dignas de serem apreciadas. Passado esse tempo, ele entrará em deterioração, mas sem nunca trazer riscos para a saúde. Porém, não existem garantias precisas para que essa estimativa se concretize, pois é impossível prever com exactidão como o vinho irá evoluir em garrafa, mesmo que esteja armazenado nas melhores condições. Por isso, o vinho é um produto que tem uma “estimativa de guarda” e não um “prazo de validade” Saúde…!
Fernando Sousa (www.global-satisfaction.com)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Radar do Vinho: Herdade da Maroteira

No 4.º dia do grupo (meu 2.º) fomos visitar a Herdade da Maroteira com 540 hectares, no sopé da Serra d’Ossa, a 20km a sul de Estremoz. É nesta propriedade onde se produzem os afamados Syrah Cem Reis e Mil Reis (quando a colheita é excepcional) que desaparecem a um ritmo impressionante. A enologia está desde o início do projeto com António Maçanita e apenas as uvas de qualidade superior são aproveitadas para a produção de vinho da Herdade da Maroteira, a maior parte das uvas são vendidas. Nesta visita, o nosso principal interlocutor foi o Anthony Kynaston Doody que nos levou num autêntico safari pela Quinta, pois é muito mais do que uma produtora de vinho, aliás, ocupa uma parte muito pequena da quinta e não será fácil de aumentar substancialmente devido aos inúmeros sobreiros protegidos dispersos por toda a área. Os vinhos apenas foram provados durante um almoço simples, mas muito saboroso e por isso não têm nota de prova. Todavia, devemos destacar dois vinhos que foram provados ainda antes da sua comercialização e sem rótulo:

- O Cem Reis 2015, que já estava muito bom, intenso mas elegante e com uma acidez que equilibra os 16% de álcool, factor que contribuiu para essa sensação, foi a temperatura a que foi servido, que diria ser à volta dos 15ºC, mais adequada na minha opinião do que os 17-18ºC, referidos pelo atual contra-rótulo.
- O Senhor Doutor Alvarinho 2016, que prova, que com uma viticultura/enologia cuidada, se consegue fazer bons alvarinhos em todo o país, mesmo no interior alentejano.

Duarte Silva (Wine Lover)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Radar do Vinho: Sir Júlio Bastos e os seus Dona Maria

Após a manhã na Tiago Cabaço Wines, a tarde do dia 12 de Abril, não foi nada inferior, pois os vinhos foram muito bons, com vários excepcionais e a boa disposição era tão grande que se prolongou inesperadamente para a noite, num jantar fenomenal na Mercearia Gadanha com a mesma equipa que nos recebeu (Raquel Fernandes, Sandra Tavares e o inconfundível Júlio Bastos). Confesso que para um senhor tão importante no mundo do Vinho, quanto é o Júlio Bastos, fiquei surpreendido com o facto de ser tão acessível e tão bem disposto (penso que as fotos dão uma ideia). Quanto aos vinhos propriamente ditos, segundo as minhas notas de prova (sintéticas e pessoais, mais úteis a pessoas com gostos semelhantes):

- Dona Maria Rosé 2016 – seco e com boa intensidade (16,5);

- Dona Maria Branco 2016 – equilibrado e só prejudicado um pouco para o meu paladar por uma ligeira sensação de doçura (16);

- Dona Maria Viognier 2015 – intenso e com acidez pronunciada (17);

- Dona Maria Amantis Branco 2014 – parecido com o anterior, ligeiramente mais volumoso (17);

- Dona Maria Amantis Branco 2012 – já com uns aromas de evolução que lhe dão um pouco mais de complexidade (17-17,5)

- Dona Maria Amantis Branco 2009 – intenso mas equilibrado com uma evolução fabulosa (18);

- Dona Maria Tinto 2014 – relativamente intenso e com acidez média/elevada que lhe dá uma boa frescura (16,5);

- Dona Maria Amantis Tinto 2012 – mais intenso mas mais quente (16,5);

 

- Dona Maria Touriga Nacional 2013 – floral e intenso mas elegante (17,5);

- Dona Maria Reserva 2005 – aroma e sabor muito bons (18);

- Dona Maria Reserva 2008 – muito parecido com o anterior em que apenas o aroma achei ligeiramente inferior (17,5-18);

- Dona Maria Reserva 2012 – sabor muito bom com classe (18);

- Júlio Bastos 2007 – sabor muito intenso e com grande classe (18,5)

- Quinta do Carmo Garrafeira 1986 – num bom estado de evolução face aos seus 31 anos, por exemplo, pela cor, diria bem menos (17,5)

- Quinta do Carmo Garrafeira 1985 – um pouco mais complexo do que o anterior (18).

Ainda voltamos no dia seguir para visitar a belíssima quinta, datada do princípio do Séc. XVIII, incluindo a adega e jardim e terminamos com uma compras.

Duarte Silva (Wine Lover)