sábado, 25 de março de 2017

Em Prova: Muralhas de Monção 2015


15/20. A Adega Cooperativa Regional de Monção, foi fundada a 11 de Outubro de 1958, por iniciativa de 25 viticultores. Situada em plena Região Demarcada dos Vinhos Verdes, na sub-região de Monção e Melgaço. É de lá que chega este Muralhas de Monção 2015, produzido das uvas Alvarinho e Trajadura. Este é um dos vinhos que não necessita apresentações e que mantém a sua consistência ano após ano. O de 2015 não foge à regra e num ano de excepção para vinhos brancos apresenta-se como um vinho fresco, crocante e muito bem feito capaz de agradar a gregos e troianos. Um vinho que se traduz sempre numa escolha segura dentro do seu segmento e com uma boa relação qualidade-preço. PVP: 3,80€. Disponibilidade: Everywhere.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 24 de março de 2017

Em Prova: Blog Tinto 2012

Confesso que, nos últimos anos, tenho andado um pouco de costas voltadas para o Alentejo. Os motivos foram sobretudo estar demasiado concentrado na Bairrada e ter o preconceito de que os vinhos alentejanos andavam demasiado certinhos, tecnicamente muito bem feitos, mas muito idênticos. Provavelmente era um preconceito infundado, mas adiante.

Há um par de meses provei um vinho curioso, que resultou duma parceria da Filipa Pato/William Wouters com Susana Esteban. E, porque já conhecia as criações bairradinas, surpreendeu-me o cariz “de pés assentes na terra” (neste caso, na vinha) da enóloga que também assina este BLOG ’12.

E é essa característica de regresso às origens, de privilégio da vinha e do terroir, em detrimento da Adega e da técnica, que me cativou neste tinto, que elegi como estrela maior do jantar vínico organizado pelo restaurante PEDRO DOS LEITÕES em parceria com os vinhos de Tiago Cabaço Winery.

Aromaticamente, este vinho é uma sinfonia de exuberância. Não maquilha a fruta e faz transparecer o chocolate que nos provoca um sorriso espontâneo de puro prazer. Na boca revela macieza, mas não descura os taninos vincados, o que o torna um vinho pleno de vigor e potência.

Escreviam-me há pouco que é um vinho que está na moda. Bom, que seja moderno e venha para ficar, porque o Alentejo precisa de vinhos com este carácter muito próprio. Este foi previamente decantado e, a mim, só me faltou levantar e aplaudir quem cria a perfeição.

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)

terça-feira, 21 de março de 2017

Em Prova: Sidónio de Sousa Reserva Tinto 2009


17/20. Numa das minhas incursões semanais a Lisboa, passei no Supercor e comprei este Sidónio de Sousa Reserva 2009. Os vinhos de topo deste produtor, consoante o ano serão reserva ou Garrafeira. Ora, os garrafeira são simplesmente sublimes e cada vez estão mais afinados (se bem que os antigos são deslumbrantes - por exemplo o raro 2005). Mas por menos de metade do preço, o reserva mostra-se igualmente delicioso e vale bem a pena comprar, beber umas quantas e guardar umas tantas outras garrafas. E este 2009 está no ponto. Cor bonita, aroma dominado por fruta silvestre e algum vegetal. Na boca taninos sedosos de uma baga já arredondada, mostrando-se encorpado , mas macio, Termina longo e muito saboroso. Acompanhou... nada, ou seja beberiquei-o a solo com ENORME prazer. PVP: 9€. Disponibilidade: El Corte Ingles.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 20 de março de 2017

Em Prova: Marquês de Marialva Espumante Bruto Extra Reserva Cuvée 2011


16,5/20. O espumante topo de gama da Adega de Cantanhede, produzido maioritariamente de Arinto, com um toque de baga. Um extra reserva bruto do ano de 2011 (36 meses de cave), com degorgement em 2015, feito pelas mãos do Sr. Bolhas (e não só), o grande enólogo Osvaldo Amado. O resultado é um espumante de grande complexidade, com notas aromáticas a citrinos e apontamentos florais. Boca com mousse delicada e algum brioche, bolha fina, mas "bruta", isto é bem presente a lembrar que estamos perante um Bairrada. Muito fresco e crocante, terminando num final bem longo. Gostei. PVP: 17,5€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

sábado, 18 de março de 2017

Arena de Baco: Prova cega de Alvarinho


Faz hoje precisamente uma semana que decorreu mais um evento na Charming House, no Porto. A Charming House é um alojamento de "charme" em pleno coração do Porto, que para além de oferecer dormidas, promove diversos eventos vínicos e enogastronómicos. O evento da semana passada consistiu em provar 13 vinhos da casta Alvarinho, completamente às cegas. A prova foi promovida e conduzida por Paulo Pimenta, administrador do grupo Wine & Stuff, que com a sua habitual paixão foi mexendo com as cabeças dos participantes, para que a prova fosse dinâmica e interactiva. Foram mais de 40 pessoas num grupo bastante heterogéneo composto por provadores experientes, provadores menos experientes, curiosos e até produtores de alguns dos vinhos em prova. Aqui ficam os resultados da prova cega:


Tivemos vários anos em prova e uma selecção de alguns dos melhores vinhos produzidos em Portugal, faltando muito poucos, tais como o Parcela Única e Curtimenta, de Anselmo Mendes, o Poeira de Jorge Moreira e talvez o Soalheiro Primeiras Vinhas. De qualquer das formas, o nivel dos vinhos em prova foi altíssimo. E todos os produtores cederam gentilmente os seus vinhos para a prova.

A nivel pessoal, destaco os seguintes vinhos. Para mim os vinhos que claramente mais gostei:

1 - Quinta do Regueiro Barricas
2 - Pequenos Rebentos Edição Limitada
3 - Quinta de Santiago Reserva e Valados de Melgaço

Também gostei bastante do Soalheiro "normal" num perfil mais contido e citrico do que o habitual. Pena alguns vinhos terem saído penalizados, como o Vale dos Ares, em que uma das garrafas tinha "rolha" ou o Expressões de Anselmo Mendes, um grande vinho e um dos alvarinho que mais gosto, a mostrar a sua juventude e caracter imberbe do ano 2015, e por isso, ainda muito fechado.

Deu também para perceber que o ano de 2014 não foi tão bom e por isso os vinhos devem ser bebidos e não vão usufruir da guarda. já o 2015 é outra história... todos os vinhos a apresentar uma acidez e profundidade formidáveis. Podemos beber e guardar os vinhos de 2015 por bastantes anos seguramente.

Aqui ficam mais fotos da "festa":

   
  
  

Sérgio Lopes

quinta-feira, 16 de março de 2017

Em Prova: Reguengo de Melgaço Alvarinho 2015


16/20. Em Paderne - Melgaço, fica situado o hotel rural Reguengo de Melgaço, uma casa senhorial do século XVII. Este hotel rural está rodeada por uma paisagem marcada pelo vinhedo Alvarinho, banhada pelo rio Minho e com o Parque Nacional da Peneda-Gerês bem perto. Produz igualmente o vinho alvarinho Reguengo de Melgaço, que foi um dos primeiros exemplares que provei da casta rainha da sub-região de Monção e Melgaço. já lã vão uns anos... A colheita de 2015 confirma a excelência do ano no que concerne a frescura e estrutura. De cor palha, apresenta um aroma bastante frutado com ligeira fruta tropical e notas citrinas, dominadas pela lima. Na boca, é fresco e com volume, elegante e muito saboroso, terminando com uma refrescante persistência. Um excelente exemplar de Alvarinho que mantém a qualidade de ano para ano. Uma compra sempre segura. PVP: 9€. Disponibilidade: Grandes Superfícies

Sérgio Lopes

quarta-feira, 15 de março de 2017

Em Prova: BD Open Minds

Tiago Cabaço é jovem, irreverente e muito bom comunicador. E como as criações tendem a imitar o criador, os vinhos que apresentou no jantar vínico organizado pelo Restaurante PEDRO DOS LEITÕES mostraram claramente esse cunho.
O produtor alentejano saiu da casca com dois vinhos apresentados logo no início. Um Encruzado do Alentejo, que criou em homenagem ao seu pai, pioneiro no plantio da casta oriunda do Dão, e um espumante muito aromático.
No entanto, a minha curiosidade foi despertada pelo vinho que desfilou ao lado do prato de Vieiras com Brunesa de Frutos Tropicais e Vinagreta, o BD BRANCO DOCE fruto duma colheita antecipada. No primeiro olhar e se formos petulantes ao colocar o vinho no nariz, podíamos cometer o erro de o chamar tardio, pelo impacto olfactivo que causa, com notas de pêssego e jasmim bem vincadas. Mas a especificidade do terroir de Estremoz gosta de nos pregar partidas e este BD nasce mesmo duma maturação antecipada pelos Verões bem quentes do Alentejo. 

E porque o vinho se faz de balanços e equilíbrios, este consegue a proeza de colocar em perfeita harmonia a fruta madura e a acidez na boca, sem perder a frescura e até mostrar um nervo e energia apreciáveis.

Feito para mentes inquietas, este Branco levemente doce harmonizou numa relação de igualdade com as Vieiras e a acidez das frutas tropicais da Brunesa.

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)