segunda-feira, 26 de junho de 2017

Vinho ao Vivo & Adegga WineMarket Summer, no próximo fim-de-semana!

O Adegga WineMarket Summer 2017, acontece no Lisbon Marriot Hotel no próximo dia 1 de Julho, entre as 14h e as 21h. O Adegga WineMarket é um conceito inovador, criado pelo Adegga e organizado por André Ribeirinho, André Cid e Daniel Matos, com o objectivo de aproximar consumidores e produtores de vinho. O visitante tem a possibilidade de provar e comprar, em ambiente descontraído, 500 vinhos, entre os 5€ e os 50€, de 60 produtores seleccionados pela equipa do Adegga.

Informações gerais:
Data: Sábado, 1 de Julho de 2017
Local: Lisbon Marriott Hotel
Horário: 14h às 21h
Bilhete Prova: 15€
Bilhete Loja: 40€ (inclui entrada e vale de compras de 40€)
Bilhete Loja Duplo: 60€ (inclui entrada para duas pessoas e vale de compras de 60€)


O Vinho ao Vivo é um encontro de 35 produtores de vinho europeus em Lisboa que vão dar a descobrir ao público os seus vinhos. Uma selecção muito especial de produtores independentes que trabalham os seus vinhos com respeito pelo local de origem, pela cultura, tradição e paisagem locais. 

Organizado pela garrafeira Os Goliardos, o evento, que vai na sua 8ª edição, ocorre dias 30 de Junho e 1 de Julho, das 19h00 às 24h00, ao ar livre, à beira do Tejo na esplanada À Margem em Belém. Os produtores estarão situados no cais, mesmo em frente à Esplanada À Margem. Cada participante circula de mesa em mesa de cada produtor para provar os seus vinhos, conhecer a sua história e o seu projeto. Ao longo do serão haverão concertos de música ao vivo de estilos variados, desde a música clássica, ao jazz, música do mundo. Cozinheiros de vários estilos e países prepararão ao vivo as suas especialidades, que acompanham o bom vinho que pode ser provado e comprado no local.

Os bilhetes podem ser adquiridos à entrada do evento ou na bilheteira on-line através do link http://goliardos.bol.pt/. Bilhete de 1 dia: 25€; Bilhete de 2 dias: 40€.

Site Oficial do evento: http://www.vinhoaovivo.com/


Sérgio Lopes

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A abertura do garrafão de Colares "Genuíno" (parte 2)

Retemperados com a visita às vinhas de chão-de-areia, em Fontanelas, chegámos a Almoçageme por volta das 19 h tendo o anfitrião José Baeta à nossa espera no Largo do Coreto. O calor apertava, pois a famosa brisa marítima estava de férias, mas o entusiasmo crescia à medida que os "felizardos" iam entrando para a monumental adega Viúva Gomes. O cenário estava preparado a preceito, com todas as velas dos candelabros gigantes acesas, com as mesas preparadas para o repasto e com os célebres garrafões - um de branco e um de tinto - perfilados lado a lado.

José Baeta não se tinha esquecido de nada. Havia decantadores, saca-rolhas de palhetas, saca-rolhas helicoidal, funil de rede fina, guardanapos e 60 copos de prova bem alinhados.O primeiro momento alto, com todos os felizardos a fazer meia-lua em frente aos garrafões, foi a extracção da rolha, do de vinho branco. Sabíamos que da facilidade com que a rolha fosse extraída e do seu estado de conservação dependeria grande parte do sucesso da noite. 

A tensão era, por isso, grande e a expectativa estava estampada nos olhares de todos. José Baeta, habituado a estes momentos, empunhou o saca-rolhas de palhetas e avançou resoluto para o garrafão de branco, disposto a sacar-lhe a rolha e a desvendar-lhe os segredos que tinha dentro. A primeira dificuldade surgiu quando constatou que as palhetas do saca-rolhas tinham sido feitas para garrafas e não para garrafões, não permitindo a extracção da rolha! José Baeta, que nunca tinha aberto um garrafão desta forma, contentou-se em tentar descolar a cortiça do vidro do gargalo, que conseguiu com alguma arte e ao som de alguns suspiros de admiração dos presentes. Foi, então, o momento para entrar em cena o outro saca-rolhas. 

A perfuração da cortiça fez-se com todo o cuidado, mas rapidamente se percebeu que não iria ser tarefa fácil, pois a rolha esfarelava devido à secura extrema que tinha à superfície. Cada pedaço de rolha que se destacava do conjunto causava burburinho na adega e as câmaras fotográficas e os telemóveis não paravam de registar esses momentos. Por fim, José Baeta tornou-se (ainda) mais afoito e perfurou a rolha de lado a lado, convicto que chegava para ela. Puxou e conseguiu vencê-la, brandindo-a, na ponta do saca-rolhas, à frente de todos como se de um troféu de caça se tratasse! Escusado será dizer que o entusiasmo cresceu exponencialmente na adega.

A segunda etapa do ritual consistia na decantação do vinho, pois desconhecíamos se tinha sedimentos. Foi a vez de VL pegar no garrafão, enquanto José Baeta segurava o decantador e o funil de rede fina. Logo que o vinho viu a luz do dia soltou-se uma exclamação, em uníssono, de todos os felizardos, pois apresentava um aspecto brilhante e uma linda cor acobreada. Tudo apontava, por isso, para uma noite de glória. A operação foi morosa e ocupou quatro decantadores, pois havia 5 L para decantar, numa operação que se pode chamar inédita, pelo menos para todos os presentes. Entretanto, começou a sentir-se o cheiro forte e delicioso que exalava do vinho, aumentando o entusiasmo de toda a gente.

Ao fim de muitos anos, que José Baeta estimou em cerca de oitenta, o vinho do garrafão ia começar a revelar os seus segredos...

<< Parte 1

Professor Virgilio Loureiro

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A abertura do garrafão de Colares "Genuíno" (parte 1)

Como estava aprazado há mais de um mês,cerca de metade dos felizardos inscritos no histórico evento apresentou-se no Parque Eduardo VII às 16 h, para rumarem a Colares. 

Não obstante a terrível canícula (de má memória para todos os portugueses) só dois chegaram ligeiramente atrasados, retidos nas filas da ponte 25 de Abril. O entusiasmo era, portanto, enorme e o calor não fazia desfalecer ninguém! Os restantes felizardos aguardavam em Almoçageme - cerca de 10 graus a menos do que em Lisboa - a chegada do autocarro. Criou-se, então, um grupo de 56 felizardos, que se dirigiu às vinhas de chão-de-areia, em Fontanelas. 

O objectivo era dar a conhecer a paisagem vitícola de Colares, todo o processo de produção de uvas e uma viticultura heróica, única no mundo, que teima em resistir aos efeitos devastadores da globalização. Havia a convicção que após esse périplo muitos dos presentes sentiriam, por certo, a alma do vinho de Colares e estariam emocionalmente preparados para o grande acontecimento na Adega Viúva Gomes. 

Muitos dos estrangeiros que nos acompanharam (americanos, ingleses, eslovenos e asiáticos) não conseguiram disfarçar a sua imensa surpresa com as "vinhas" de chão-de-areia, sorrindo, fotografando, filmando e chegando ao ponto de perguntar se "davam uvas"! Depois de vermos as vinhas velhas (e muito velhas), quiçá as produtoras das uvas que deram o vinho que estava no célebre garrafão, rumámos a Janas, onde visitámos a mais nova vinha de chão-de-areia da região, que vai dar uvas pela primeira vez este ano. 

O nosso guia foi o Nuno Ramilo, que eu convenci a deixar de projectar pontes e barragens para transformar os pinhais da família em vinhas de Colares! Os mais de dois hectares que plantou torná-lo-ão, em breve, o maior "latifundiário" de Colares e um dos guardiões de saberes antigos, pois já o avô dele era grande vinhateiro e famoso negociante de vinhos. Estava feito, com o agrado de todos e a surpresa de muitos, o trabalho de campo. Havia, pois, que rumar a Almoçageme, para mais emoções fortes.

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Professor Virgilio Loureiro

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Em Prova: Vila Real Touriga Nacional Rosé 2016

Mais uma aposta da Adega de Vila Real na recente linha de monovarietais. De cor salmão intensa, no nariz exprime-se com predominância de frutos vermelhos. 

Na boca é seco, mas os seus 13.5° de álcool proporcionam-lhe um agradável volume glicerinado deixando prevalecer agradáveis notas dos frutos vermelhos que ao mesmo tempo conferem uma remanescente sensação de doçura e acidez.

É vinho para a mesa. Por exemplo para sushi, saladas mais complexas (com proteína animal), pizza...

Tem a vantagem de não precisar de saca rolhas, pois a rolha de aglomerado de cortiça, é de abertura manual fácil!

Confesso-me surpreendido! Não sendo o meu estilo de rosé, revelou-se uma agradável surpresa! Um vinho muito bem feito, equilibrado, agradável, que dá prazer a beber e a preço cordato. Os meus parabéns à Adega de Vila Real que vinho após vinho, tem marcado presença com uma qualidade exemplar num segmento de mercado de afirmação extremamente difícil, e extremamente competitivo!

Jorge Neves (Wine Lover)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Em Prova: Quilate Branco 2016



15,5/20. Quilate do Douro é um projeto de Jorge Rufino, cujo branco vai apenas na 2ª edição. As uvas são provenientes da quinta do muro em Canelas-Peso da Régua a mais de 500 metros de altitude, das castas Viosinho, Gouveio e Cerceal. A ideia do produtor é fazer um vinho aromaticamente sedutor, mas seco na boca. Esta edição, a de 2016 é mesmo muito intensa de nariz, com forte predominância em ervas aromáticas e notas tropicais. Talvez até um pouco em demasia. Na boca é fresco e seco, com corpo médio e final com boa acidez. Vai ser um best seller nos restaurantes pela "facilidade" de prova e a um preço cordato. PVP: 5,95€; Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Da Minha Cave: Anselmo Mendes Alvarinho 2007

18/20. Anselmo Mendes, pioneiro na forma de trabalhar a casta Alvarinho, foi o primeiro na região a experimentar por exemplo a fermentação da casta e estágio em barrica ou o processo de "curtimenta" (“à moda antiga”). 

Este exemplar de 2007 foi a terceira incursão de Anselmo na curtimenta total (anteriores apenas 2001 e 2005), isto é, fermentação total das películas das uvas com o mosto (como se de um vinho tinto se tratasse), e posterior estágio em barricas usadas. Ao que parece este vinho era feito desta forma apenas em anos excepcionais. 

E percebe-se, porque provado hoje, ele está excepcional: A cor um pouco laranja até pode assustar. mas desenganem-se... É super complexo de nariz, mineral, laranja cristalizada, alguns toques petrolados. Na boca deslumbra. Apresenta uma estrutura e sobretudo uma frescura que carrega com tudo! Tem corpo, tem acidez, tem complexidade, tem... classe. Um grande branco! 

Sérgio Lopes

sábado, 17 de junho de 2017

Arena de Baco: Prova Vertical Soalheiro Primeiras Vinhas 2006-2016

Soalheiro, dispensa apresentações. É a primeira marca de Alvarinho (a primeira vinha foi plantada em 1974) da sub-região de Monção e Melgaço e provavelmente um dos produtores com maior responsabilidade em colocar a casta Alvarinho num patamar de excelência. Outros produtores seguiram os seus passos, mas o seu lugar no podium dos grandes da sub-região mantém-se inabalável. Para além da marca Soalheiro Clássico, produz diversas referências desde coisas mais sérias como o Reserva, passando por vinhos mais leves (Allo, feito de Alvarinho e Loureiro) ou espumantes.

Mas a referência que mais gosto é, de longe, para mim, o Soalheiro Primeiras Vinhas. Este vinho é produzido com as uvas das vinhas mais antigas plantadas na propriedade (com mais de 40 anos) e pretende captar a pureza, mineralidade e fruta de qualidade do Alvarinho. Foi, portanto, com enorme prazer que tive a oportunidade de participar numa prova vertical completa de Soalheiro Primeiras Vinhas, com todos os anos em prova, ou seja de 2006 a 2016. A prova decorreu na Garrafeira A.Dega, em Famalicão, acompanhada de uns petiscos deliciosos para dar maior brilho ao evento. 

Apenas 12 "almas" sortudas puderam participar nesta prova. Foi bastante restrito mas muito animado! A prova foi conduzida do mais mais recente 2016 (colheita actualmente no mercado), para o 2006 (primeiro ano). Escusado será dizer que TODOS os anos em prova se mostraram muito bem, diria em grande forma mesmo. Alguns dos anos em prova até surpreenderam pela sua jovialidade e potência. Para mim, enquadro os vinhos no patamar de 17 a 19 valores. Todos. O que demonstra como evolui bem em garrafa. Os meus destaques vão para o 2015, com todo aquele "nervo" e tensão tão característicos de um ano perfeito como foi o ano de 2015. O Primeiras Vinhas de 2015 vai durar muitos, muitos anos. Está ainda bem jovem e até um pouco "duro", mas muito apetecível. No outro oposto, o 2008, com uma acidez e frescura notáveis. A mostrar uma jovialidade tal que em prova cega ninguém lhe daria esta idade. Tão novo... Outro vinho que adorei, o 2011, num registo de enorme finesse, tão delicado e suave, quase de veludo. talvez não tão intenso como os restantes, mas muito equilibrado e a dar enorme prazer.

Os anos 2009 e 2012, num composto entre fruta já madura mas muita acidez, a prever igualmente grande longevidade. 2010, muito mineral e o mais herbáceo em prova, mas num momento de consumo muito interessante 2013 um pouco mais doce (um ano mais quente?), 2014 talvez um pouco mais curto (o ano não foi dos melhores). 2016, muito novo naturalmente mas deu uma boa prova desde já. 2006 e 2007, os primeiros a mostrar notas realmente de evolução. Não quer dizer que sejam más, mas a querer parecer que, nesta fase, a curva da complexidade estará a ultrapassar a da frescura.

Em suma, a confirmação de que são grandes vinhos brancos, capaz de se bater com os melhores quer nacional, quer internacionalmente. Por apenas 14,90€ é possível comprar este grande vinho. O problema é conseguir guardar algumas garrafas. Obrigado ao Eduardo Branca pela oportunidade proporcionada. Pena apenas não ter estado presente o produtor Luis Cerdeira. Teria sido muito bom partilhar e trocar ideias com o contexto do produtor.

Sérgio Lopes