terça-feira, 24 de março de 2020

Em Prova: Deslumbre Alvarinho 2019

Proveniente da freguesia de Figueiras, concelho de Lousada, o projeto do vinho "DESLUMBRE" nasceu à 8 anos numa "brincadeira" no sentido da criação de um vinho para consumo próprio, mas cedo Jorge Pinto se apaixonou pelo mesmo e decidiu criar e lançar a marca Deslumbre, apenas 2 anos depois, em 2014, com o objetivo de o comecializar. Para além do vinho que dá nome ao projecto, composto por Alvarinho, Loureiro e Arinto, o produtor aposta agora em dois vinhos produzidos 100% da casta Alvarinho, um sem madeira o Deslumbre Alvarinho 2019 e outro com passagem por barrica o Quinta D. Dores, de que falaremos mais tarde. O Deslumbre Alvarinho 2019 faz jus por um lado à casta, traduzindo-se num vinho aromático - exuberante até e refrescante, por outro lado, ao enólogo António Sousa, tornando-o bastante comercial com a adição de um pouquinho de gás - muito ligeiro. Um registo mais próximo do vinho verde tradicional, do que por exemplo de alguns exemplares mais sérios da casta, sobretudo na sub-região de Monção e Melgaço, apesar do bom equilíbrio do conjunto. PVP: 8,5€. Comprar Aqui. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 23 de março de 2020

Em Prova: Herdade do Rocim Sommelier Edition Arnaud Vallet 2015

O enólogo Pedro Ribeiro, da Herdade do Rocim, e o sommelier Arnaud Vallet. do Vila Joya, juntaram-se para criar um vinho onde pontuam as castas Alicante Bouschet, Tannat e Syrah, com estágio em madeira por 24 meses. O resultado, um belíssimo vinho Alentejano, cheio de garra. Com castas poderosas como o Alicante Bouschet e a Tannat, temos um vinho complexo e denso, onde fruta madura, pimentas e um lado vegetal, aliados a taninos verdes firmes, conferem enorme frescura ao vinho. Em suma, sente-se o calor do terroir Alentejano, mas o vinho nunca se torna chato. Pelo contrário, é seco, carnudo, elegante e com um óptimo volume de boca. Muito bem. Excelente à mesa. PVP: 20€. Comprar AQUI.

Sérgio Lopes

domingo, 22 de março de 2020

Em Prova: Casa de Paços Loureiro & Arinto 2019

Proveniente de Barcelos, trata-se de um vinho verde feito de Loureiro e Arinto, que conjuga fruta, o lado floral do Loureiro e a acidez do Arinto, num registo de grande tensão. A edição de 2018 aparece com uma nova imagem, mais "clean" e moderna, com as castas utilizadas, visíveis em primeiro plano. Quanto ao vinho, trata-se de um branco com textura, seco e muito refrescante, a bom preço, que pede algo para acompanhar à mesa. Parece-me mais pronto a beber do que em edições anteriores, dando já uma prova muito agradável. Mas pelo histórico da "coisa" ainda tem muito para crescer nobremente em garrafa. Disponível para todos, a preço cordato, em tempos difíceis onde um copo de um vinho branco de qualidade, certamente amenizará o ambiente. PVP: 4,5€. El Corte Ingles.

Sérgio Lopes

terça-feira, 17 de março de 2020

Em Prova: Marquês de Borba Branco 2019

Falo hoje de mais uma edição do Marquês de Borba Branco, o 2019, do produtor João Portugal Ramos, do Alentejo. Trata-se de um vinho muito bem conseguido, de enorme consistência ano após ano. Daqueles vinhos que não deixam ninguém ficar mal se a escolha recair nele, numa prateleira de uma grande superfície. Um vinho fresco, leve e citrino, com ligeiro tropical, com boca interessante e que poderá servir como um excelente aperitivo ou acompanhar refeições leves. "Tudo no sítio" com o plus dos 12,5º de álcool contribuírem para a leveza de conjunto, o que é uma mais valia. Numa época difícil, onde a quarentena é necessária, é bom saber que temos num supermercado perto de nós, um belíssimo vinho. PVP: 4,99€. Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 6 de março de 2020

Em Prova: Zagalos Reserva Branco 2017

Não conhecia este branco proveniente da Quinta do Mouro, que vem assim fazer companhia ao Zagalo tinto, completando a gama média dos vinhos do produtor. Alvarinho, Arinto, Gouveio, Verdelho, Rabigato. Maceração pelicular durante 8 horas. Fermentação e estágio em barricas usadas, com battonnage. O resultado: Um vinho surpreendentemente fresco e com muita tensão, sem perder o equilíbrio. Cor citrina carregada, nariz cheio de frescura, com notas florais, citrinas e alguns melados. Na boca, muita tensão, untuoso, elegante, com notas oxidativas muito giras a conferir-lhe originalidade. Termina longo e cheio de sabor, com os seus singelos 12 graus de álcool. Um branco com uma elevada acidez, que aposto, provado às cegas, dificilmente seria identificado como um branco do Alentejo. Bravo. PVP: 12€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 3 de março de 2020

Em Prova: Vinhos PGA (Pedro Guilherme Andrade)

Com formação em Engenharia Agrónoma e especialização em Enologia, Pedro Guilherme Andrade exerceu diversas funções no sector dos vinhos, desde meados da década de 1990. Como enólogo de várias empresas da Bairrada, contribuiu para o movimento de renovação dos vinhos da região, que hoje assumem um perfil mais moderno sem perderem as suas características matriciais. A sua actividade como produtor individual arrancou no final da década de 2000, aproveitando o know-how adquirido profissionalmente e as excelentes condições vitivinícolas da propriedade familiar., resultando na marca PGA

O PGA Heritage Colllection Bruto 2017 é um espumante feito de Bical, Cerceal e Chardonnay. Com estágio mínimo de 12 meses, antes de degorgement, trata-se de um espumante equilibrado, com uma mousse suave e crocante, capaz de ser consensual. Bem desenhado. 10€. 


O PGA Reserva Tinto 2018 feito de Baga e Touriga Nacional, com a barrica um pouco impositiva nesta fase, num conjunto estruturado e a mostrar que é possível beber um tinto com baga em novo. 10€. Finalmente, o meu favorito, o PGA Reserva Branco 2018, feito de Cerceal, Chardonnay e Arinto, um vinho algo exótico e fresco, com bom volume de boca e elegância de conjunto. 10€.

Um projecto, na minha opinião, a meio caminho entre a tradição e modernidade, com muito espaço para crescer.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Radar do Vinho: Prior Lucas

Rui Lucas, actualmente ao leme do projecto Prior Lucas dá continuidade à tradição familiar do seu bisavô - José Francisco Prior, pequeno agricultor da freguesia de Souselas, que cultivava a vinha e que no seu tempo vendia todo o seu Vinho nas tabernas boémias da academia de Coimbra, bem como de seu pai, José Prior Lucas, que foi cultivando as parcelas que eram do seu avô, produzindo vinho que partilhava à mesa com a família e os amigos. Hoje o desafio é o de manter a pequena produção, entre vinha antiga e vinha nova, reagrupando os cerca de 5ha divididos por 7 parcelas onde se preserva a identidade e o carácter das castas tradicionais como a Baga, Maria-Gomes e Bical, acrescentado um toque de modernidade com a Tinta-Roriz, Syrah, Merlot e Chardonnay.

O Prior Lucas Espumante Baga@Bairrada Rosé 2017 foi o meu preferido dos quatro vinhos provados. Um espumante com bolha suave, mousse envolvente, bom corpo e muita frescura, com uma acidez capaz de lhe conferir uma enorme versatilidade à mesa. Um espumante com um lado algo vinoso, capaz de acompanhar uma refeição de inicio ao fim, inclusive ombrear, sem qualquer problemas com o Leitão à Bairrada. Ou como welcome drink, ou até sobremesas. Adorei. 10,50€.
O Espumante Falala Bruto Blanc des Noirs 2017 trata-se de um espumante muito fácil de beber. Daqueles que "escorregam" muito bem. Tem uma bolha agradável, mousse boa, apresentando-se muito correto, de novo muito fresco e com aromas florais e maçã verde, com um final mais frutado, o que o torna bem apelativo. Ideal para quem pretende se iniciar no mundo dos espumantes, com um produto de qualidade. 9,90€ Falala é o nome da filha de Rui Lucas.
Prior Lucas Tinto 2016. Cada ano é diferente para este vinho que representa o blend das parcelas que o constituem, resultante do comportamento das castas naquele ano. Baga, Tinta Roriz e Syrah,  num vinho de introdução à Baga e à Bairrada. Tem uma acidez equilibrada e é bastante leve. Descomplicado e fácil de beber por qualquer um. Elegante, fresco e versátil à mesa. Um vinho para se ter sempre em casa. 8,90€
Prior Lucas Branco 2018. Bical, Maria Gomes e Chardonnay. Discreto de aroma, elegante, salino e com boa estrutura. Um branco para comida. Apenas lhe falta um pouco mais de nervo, que tanto caracterizam os brancos bairradinos de que tanto gosto. Contudo tem uma acidez boa e versatilidade para se comportar bem à mesa. 10€.

Sérgio Lopes