terça-feira, 25 de abril de 2017

Em Prova: Pai Chão Grande Reserva Tinto 2013

O Alentejo, região clássica de grandes vinhos, tem sabido sair da sua zona de conforto, arriscando em novas tendências, perfis e castas dos néctares que brotam das suas vinhas. Contudo, se nalgumas situações é necessário ganhar asas, noutras há que manter os pés firmes no solo e na tradição.

Recentemente, foi-me dada a oportunidade de provar dois vinhos oriundos da Adega Mayor, majestralmente representada por Rita Nabeiro, que saem naturalmente da casca - um espumante de Pinot Noir e Pinot Gris, com uns fresquíssimos 9 meses de estágio, e um Solista Rosé de Pinot Noir exuberante.

No entanto, foi um tinto que me encheu as medidas duma noite que teve todos os condimentos para ser perfeita. Este PAI CHÃO GRANDE RESERVA 2013 tem no bilhete de identidade todo o genoma do Alentejo. Intenso na cor, especiado, pleno de frutas negras, contém em si os verões indolentes. É pleno de estrutura, corpo e afinação. Vinho cheio, completo e, sem reservas, perfeito. Deitou por terra todos os preconceitos que nos últimos anos tive relativamente ao Alentejo e deleitou-me, proporcionando-me um sorriso tão longo quanto a persistência que o vinho apresentou na boca. PVP: 38€.

Vale cada euro que custa!

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Em Prova: Pardusco Escolha Tinto 2013



16/20. Depois de ter provado o Zafirah, o vinho de Constantino Ramos, totalmente fora do baralho, decidi regressar ao... outro vinho "verde tinto" de Constantino Ramos, vinho assinado por Anselmo Mendes (Constantino é enólogo de Anselmo Mendes) - Pardusco. Pardusco remonta aos vinhos tintos produzidos na região de Monção, no século XIV. Vinhos destinados à exportação e conhecidos por "parduscos", por apresentarem uma cor parda. Eram vinhos claretes, feitos à base de uvas tintas mas que incorporavam também uvas brancas. 

O Pardusco Escolha 2013, é produzido das uvas tintas Vinhão, Alvarelhão, Pedral, Brancelho e Borraçal. À semelhança do Zafirah trata-se de um vinho verde tinto civilizado, fresco e redondo, de cor aberta, de aroma mais contido e cheio de frescura. O estágio em barricas velhas de alvarinho conferiu-lhe este perfil mais redondo. Se o Pardusco tivesse a acidez do Zafirah seria um vinho de classe mundial. Ainda assim, é muito interessante e mostra bem o que a região pode fazer com uvas tintas: vinhos pouco alcoólicos, não muito extraídos e bastante frescos. PVP: 6,5€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

sábado, 22 de abril de 2017

Um copo com... Filipe Castela

Filipe Castela é o sommelier e responsável de compras do restaurante “Pedro dos Leitões” na Mealhada. Para além do leitão de excelente qualidade servido no restaurante, Pedro garante que também os melhores vinhos são disponibilizados e provados pelos seus clientes, tornando a refeição num momento de puro prazer. Natural de Santa Cruz, Coimbra. Vive na Mealhada.

Olá Filipe, há quantos anos trabalhas no Pedro dos Leitões? Sempre te interessaste por vinho? 
Olá Sérgio. Trabalho no Pedro dos Leitões há sensivelmente 15 anos. Sim, sempre achei piada ao mundo do vinho (andei a estudar Viticultura e Enologia) mas só há 7 anos para cá me comecei a inteirar mais pelo vinho mais ao pormenor.

Sendo um bairradino de “gema”, consideras esta a melhor região vitivinícola do país?
Certamente que tanto para mim, como para qualquer Bairradino a nossa terra será A TERRA!!! O nosso vinho será O VINHO, mas com a experiência de prova que tenho asquirido nos últimos anos, posso dizer mais politicamente correto que todas as regiões são óptimas, cada uma à sua maneira. Todas têm os seus ícones e as suas riquezas. Mas a Bairrada será sempre BAIRRADA, aqui e em qualquer parte do Mundo irei fazer questão de o dizer alto e bom som

O que gostas de fazer nos tempos livres?
Os meus tempos livres são passados com os amigos, filhas e muito dele também passado no meu restaurante. Mas gosto muito de andar de mota e ver jogos do meu Sporting... eh eh eh

Quantas referências de vinho existem no Pedro dos Leitões? 
O número de referências já perdi a conta, mas penso que ultrapassam as 1300 referências, incluindo Portos, Madeiras, Destilados e Licores.

Qual o teu prato preferido? Comes leitão todos os dias?
O meu prato preferido é Bife com Ovo estrelado batatas fritas e arroz... como isto todos os dias durante 20 anos... eh eh eh... até que o meu corpo criou alergia à gema do ovo... agora como igual, mas sem o ovo. Eh eh eh . Sim, tenho que comer nem que seja uma pata ou uma orelha de leitão todos os dias.

Já tiveste algum momento caricato no restaurante que possas partilhar connosco?
Tive uma vez um cliente que pediu espumante murganheira o mais novo que havia. A funcionária levou Reserva de 2012, que era o ano que estava no mercado... o sr olhou para o rótulo, depois de se servir e disse logo que o espumante estava passado... que estava velho e pediu para lhe levarem um murganheira mais novo, ao qual eu respondi que o mais novo era precisamente o de 2012. Depois como estava tão desejoso de beber espumante, pediu um automático branco do Carlos Lucas (caí no balcão aos risos) para acompanhar o leitão. No final no acto do pagamento ainda me foi perguntar como era possível eu não ter Murganheira de 2015, ao qual eu respondi que a Murganheira não lança espumantes assim para a rua. O mais novo era mesmo o Reserva de 2012... ficou indignado.

Qual a figura pública com a qual gostarias de comer um leitão à moda da Bairrada? E que vinho selecionarias?
A figura pública que gostaria de convidar para comer um leitão à moda da Bairrada seria Alvaro Pedro , mais conhecido pelo Pedro dos Leitões.. O meu AVÔ. Não tive tempo para o conhecer muito bem, mas por tudo o que ouço de amigos e dos mais velhos da terra, é que ele era um SR, um HOMEM COM H HIPER GRANDE. O vinho seria algo que fosse como ele. Um vinho simples mas que marcasse a região. Um bom BAGA... Branco ou Tinto, CHEIO. eh eh eh

O que te faz realmente tirar do sério?
O Sporting perder... fico perdido pá... nem como. Meu Deus

Momento: refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer.
Alive dos Pearl Jam. Qualquer sítio do Mundo desde que tivesse com os meus amigos, pois foi uma banda e uma música que nos marcou bastante na juventude. Vinho, um Baga Bairrada fresquinho e com bolhaaaaaaaas.

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste?
Não te consigo dizer qual o melhor pois não estaria a tratar todos de igual modo, mas o Qta do Soque 2008 VV... MEU DEUS

Sérgio Lopes

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Da minha cave: Quinta da Chocapalha Arinto 2009

16,5/20A Quinta de Chocapalha, está situada em Alenquer, na Região de Lisboa. Embora com tradições vinicolas seculares, começamos a ouvir falar mais do projecto quando a propriedade é adquirida pela família Tavares da Silva, nos anos 80 e mais tarde quando Sandra Tavares da Silva, produtora de renome no Douro, e filha do Casal Tavares da Silva, toma as rédeas da enologia da casa.

Na imagem à esquerda temos um vinho da Quinta da Chocapalha, feito 100% de Arinto, do ano de 2009. Pela cor parece que é mentira, ou seja que o vinho não pode ter 9 anos, dada a cor jovem e viva que apresenta. Mas tem. E tudo o resto lhe confirma essa juventude: O aroma mantém-se fresco e fiel ao Arinto nas notas citrinas e de macã verde. A boca é crocante e com complexidade. O final é refrescante e bem prazeroso.

E se eu acrescentar que foi o vinho branco preferido de um conjunto de consumidores de vinho pouco habituados a estes rituais de provas e provado em comparação com vinhos do ano 2016 e 2015? Dá que pensar...

Sérgio Lopes

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Novas colheitas de Loios e Marquês de Borba Branco chegam ao mercado




Chega ao mercado e disponível nas grandes superfícies mais uma nova edição dos vinhos brancos Loios e Marquês de Borba, ambos da colheita de 2016. Com a chancela de João Portugal Ramos, nome incontornável da mudança encetada no Alentejo moderno, os vinhos seguem o padrão de consistência apresentada ano após ano, contando com um novo restyling, mas mantendo os traços característicos de cada referencia, de identificação imediata em qualquer prateleira de uma grande superfície.

O Loios é um belíssimo entrada de gama que corresponde ao que dele esperamos, isto é, um vinho fresco e com notas citrinas, leve e perfeito para o verão, capaz de ser bebido de forma agradável como um aperitivo ou acompanhando pratos estivais. PVP: 3,9€

O Marquês de Borba almeja um posicionamento um pouco superior, situando-se em valores a rondar os 5,50€. Apresenta um aroma muito bonito e apelativo, com notas minerais e fruta citrina. A Boca tem um pouco mais de intensidade e corpo que o Loios , mas a diferença não é tão substancial assim.

Na minha opinião pessoal diria que o Loios apresenta uma excelente relação qualidade preço, enquanto que o Marquês de Borba está mais polido e um pouco (ligeiramente mais) complexo, mas nesse segmento de preço começa a ter concorrência de peso que lhe poderá fazer frente. 

Sérgio Lopes

terça-feira, 18 de abril de 2017

Em Prova: Kompassus Tinto Private Collection 2011

De tempos a tempos, é-nos dada a oportunidade de usufruir duma obra-prima. Daqueles vinhos pespontados com tanto detalhe que, por mais que procuremos, não lhe encontramos qualquer defeito.

Desde que deixou o projecto da Quinta de Baixo, João Póvoa dedicou-se a vinhos alta costura, onde nada é deixado ao acaso e o vinho que brota dessa arte é fino, perfeito, não deixando de ser poderoso, mostrando um rosto daquilo que pode ser uma Bairrada de excelência.

Neste PRIVATE COLLECTION 2011, encontrei tudo aquilo que desejo encontrar num tinto: opulência, perfume e complexidade.

Fruto dum ano de excelência para os tintos da região, surge duma vindima tardia - terceira semana de Outubro - realizada com tempo quente e seco, onde a ausência de chuva permitiu que se atingisse uma superlativa maturação. Fermentou com parte do engaço em lagar aberto com pisa a pé e foi ligeiramente domado com 22 de meses de estágio em barricas novas e usadas.

No nariz surge intenso, especiado e com a fruta vermelha e negra bem presente. Na boca, enche o corpo e alma com uma força poderosa, contida pela suavidade dos taninos bem lustrados, não perdendo o classicismo que nele se veste de gala.

É, sem hesitações, um dos gigantes tintos da Bairrada. PVP: 40€

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

"Dão Invicto" - O Dão está no Porto

De 14 a 30 de Abril, o Dão vem ao Porto. Em 24 restaurantes aderentes localizados no eixo Rua das Flores/Rua de Mouzinho da Silveira, será possível provar vinho a copo do Dão, numa operação de promoção dos vinhos da região, pela cidade do Porto. Mas o ponto alto da acção promocional decorre nos dias 21 e 22, quando o “Dão Invicto” invadir em força a Baixa do Porto.

Tanto na sexta-feira como no sábado, o Museu da Misericórdia, na Rua das Flores, é o anfitrião da “Grande Prova” que vai decorrer, em contínuo, das 15h às 21h, e que permitirá a quem por lá passar provar vinhos de 30 produtores, assim como queijos da serra da Estrela e enchidos da região. Haverá também pequenos concertos com Fingertips, Johnny Abbey e Pedro Duvalle, 12 horas de ilusionismo, viagens virtuais de bicicleta e apresentações de eventos como a Feira de São Mateus, que todos os anos leva milhares de visitantes da Viseu.

Já na Sala de Provas da Viniportugal, no Palácio da Bolsa, haverá duas "Provas Especiais", momentos que, além dos vinhos e dos sabores, contarão com oradores convidados como Manuel Carvalho (jornalista do PÚBLICO; dia 21, às 14h30) e Nuno Cancela de Abreu e Osvaldo Amado (ambos a 22 de Abril, às 17h30). Nestas provas estarão em destaque “as marcas diferenciadoras do Dão, através das suas castas-rainhas, a Touriga Nacional nos tintos e o Encruzado nos brancos”.

Imperdivel. Uma oportunidade única para os portuenses provarem os magníficos vinhos da região do Dão.

Sérgio Lopes