segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Em prova: Quilate Douro Reserva Tinto 2015

16/20. Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão e Touriga Franca. Fermentado em lagar, 50% do lote estagiou em barricas de carvalho francês. Vinhas de altitude.

Aroma muito fresco, com fruta igualmente fresca, muito puro e algum toque apimentado, embora muito leve. Grande mineralidade ou será frescura? 

Boca de corpo médio, focada na fruta, com a barrica bem integrada apenas a aportar os taninos suaves, certos, para limar arestas.

Termina agradável e de pendor gastronómico.

Completamente o oposto de um vinho extraído (felizmente). Aqui o que interessa é uma certa elegância de conjunto, o que se consegue.

Contudo, no campeonato dos vinhos a rondar os 10€, há inúmeras escolhas, pelo que sendo uma produção pequena, terá de encontrar o seu nicho de mercado. PVP: 9,90€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes




sábado, 12 de agosto de 2017

Radar do Vinho: Quinta do Tamariz

Quando penso em vinho verde, não é de Barcelos que me lembro em primeiro lugar, embora tenha grandes recordações dessa belíssima região, onde residem familiares e cujas memórias de infância remontam para os dias em que havia a matança do Porco e todo um ritual à volta do evento. Era um dia inteiro de comes e bebes, entre Rojões, papas de sarrabulho e claro... vinho verde. Contudo, sempre achei que a região de Barcelos era uma região do vinho verde de quantidade, aquele com gás e de venda à porta das adegas - fresco, frutado e ácido, mas sem muito mais para contar. Pois, na Quinta do Tamariz, não é assim. 

Na Quinta do Tamariz, localizada em Barcelos, há uma ampla tradição vinícola, sendo uma empresa de cariz familiar que se mantém na mesma família, hoje gerida pela 4.ª geração. António Nunes Borges foi o fundador em finais do século XIX, um banqueiro que decidiu expandir a sua atividade, inicialmente centrada no prestigiado banco Casa Borges & Irmão, para a exportação de vinhos feitos nas suas quintas. Mais tarde, em 1926, a sua filha Lúcia Vinagre investe num forte desenvolvimento vitivinicola, continuado pelo seu filho, sendo hoje conduzida pelo seu neto Dr. António Borges Vinagre, que tivemos o prazer de conhecer na visita.

Em finais do século XX, mais propriamente a partir da década de 80, começa o processo de reestruturação das vinhas, com particular incidência na casta Loureiro, tendo sido plantadas posteriormente as castas arinto e alvarinho, entre outras. Do seu portfolio constam vinhos, espumantes e aguardentes vínicas velhas. São 35 hectares de vinha e 90 anos de história!

Fomos recebidos pela simpática Sofia Lobo e pela enóloga Francisca Vinagre, na loja da quinta, onde ficamos a conhecer a história da quinta e da família. Por mero acaso e com grande felicidade juntou-se a nós o homem do leme, o patriarca da família, Dr. António Vinagre que logo nos acompanhou até à adega onde iríamos começar a prova. Mas antes, foi tempo de visitar a cave onde repousam as aguardentes velhíssimas.


Iniciamos então a prova do portfolio completo da Quinta do Tamariz. Todos os vinhos provados apresentaram um denominador comum: Acidez elevadíssima (as vezes até no limite), o que lhes confere enorme longevidade, frescura proveniente dos solos graníticos e pendor gastronómico. E nada de gás...ufa! Provamos as colheitas de 2015 e meus amigos, só agora estou a começar a beber os vinhos comprados (e com grande prazer).

Quinta do Tamariz Loureiro Escolha
A casta ex-libris da casa. Floral e cítrico, acidez marcante, corpo médio, pouco alcool (11,5) e muita frescura. Boa RQP. Um daqueles vinhos para se ter sempre no frigorifico. No entanto, não pensem que estarão na presença de um Loureiro frutadinho... nada disso. Aqui há alguma austeridade que lhe confere um pendor bem gastronómico. 16/20. 4,5€

Quinta do Tamariz Alvarinho
Muito delicado e leve, mas com um acidez por trás que lhe dá balanço. Diferente do que estaríamos à espera de um Alvarinho. mas também estamos em Barcelos. Gostei bastante do lado fino que este vinho apresenta. Mais uma vez apenas 12º de alcool. 16,5/20. 7,5€

Quinta do Tamariz Arinto
De novo notas citrinas e alguma fruta branca. Com corpo e final médios, mantém o registo de frescura comum a todos os vinhos. Um bom exemplar da casta Arinto, da região dos vinhos verdes 15,5/20. 6,5€

Quinta do Tamariz Grande Escolha 2013
Por algum motivo está no mercado o 2013... E porquê? Porque os vinhos da Quinta do Tamariz precisam de tempo e este blend das três castas acima mostra agora um vinho cheio, equilibrado, com acidez ajustada e final longo. Tipicidade de vinho verde sem ser agressivo. Muito bem. 16/20. 6,90€.

Provamos ainda dois espumantes, ambos brutos, o branco feito 100% de Arinto e o Rosé 100% de Touriga Nacional. O branco intenso e com muita frescura e mousse de qualidade (15,5/20); O Rosé mais leve e delicado como se pretende (15/20). Ambos bastante interessantes. PVP 10€.

Ficou a faltar provar o verde tinto, feito exclusivamente de vinhão, mas trouxe uma garrafa para casa para experimentar. E claro, as aguardentes, cujo destaque vai para a aguardente 100% de Loureiro, de 2001 com uma produção de apenas 500 garrafas. Algo a merecer por si só seguramente um comentário à parte. No final ainda trouxemos MUITA laranja boa do pomar da quinta, pois nem só de vinho reza a Quinta do Tamariz.


QUINTA DO TAMARIZ
Rua de Cantim, 106 ,
4775-091 Fonte Coberta | Barcelos

GPS 41º29’2.42N, 8º33’29.70W
Telefone: +351 252 960 140

Sérgio Lopes


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Em Prova: Areias Gordas Branco 2000



Proveniente de Salvaterra de Magos - Tejo e feito de Fernão Pires, Arinto e Trincadeira das Pratas, com apenas 12° álcool.

Cor dourada, aroma complexo e difícil de descrever a sugerir frutos secos e algumas notas terpénicas.

Na boca é gordo, expressivo, com uma vivacidade impressionante. Termina longo deixando uma remanescente frescura ácida no palato e língua. 

Belíssimo vinho! 

Que chega aos 17 anos com bela saúde e com previsões de se manter!




Jorge Neves (Wine Lover)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Em Prova: Vinha Formal Espumante Bruto 2009


16,5/20. Topo de gama do produtor Luís Pato, feito de Touriga Nacional (70%) e Bical (30%) criadas na vinha com o mesmo nome - Vinha Formal, da primeira vindima das suas vinhas. Com fermentação em barrica usada por um mês, passa 9 meses em garrafa antes do degorgment. Trata-se de um espumante muito bem feito e bem agradável. Notas de evolução (boas), bolha fina, vínico, boa mousse. Muito delicado e elegante. Tivesse um final mais longo e seria um caso MUITO sério! Ainda assim, vale bem a pena. PVP: 17,5€. Disponibilidade: Jumbo.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Radar do Vinho: Prova dos Vinhos A&D Wines

Conheci este projecto há uns anos atrás, ainda bem no inicio. Lembro-me perfeitamente. Foi na Essência do Vinho quando estes ilustres desconhecidos tinham há prova apenas dois vinhos, Casa de Arrabalde e Espinhosos. Hoje, já acrescentam ao seu portfolio 3 monocastas, Avesso, Arinto e Chardonnay, sob a insígnia Monólogo e o topo de gama denominado Singular, que reflecte exactamente as "singularidades" de cada colheita. A distribuição está a cargo da Decante.

Tive a oportunidade de provar recentemente todas as referências do produtor, do ano de 2015 (ano que muitos consideram perfeito na região dos vinhos verdes) e o resultado foi muito agradável. 

Contudo, aqui fica, em primeiro lugar um pouco de contexto sobre a A&D Wines: Em 1991, Alexandre Gomes planta em Baião a primeira vinha, com 5 hectares, privilegiando as castas autóctones da região. Apenas em 2005 cria a A&D Wines adquirindo a Quinta dos Espinhosos, com uma uma área de vinha de 7 ha que permitiria viabilizar o projeto de montagem de uma adega com todo o equipamento necessário à elaboração de vinhos brancos de quinta. O vinho Casa do Arrabalde é colocado no mercado em 2007 e em 2009 surge a primeira colheita de Espinhosos. O trajecto tem sido de crescimento passo a passo e de consolidação, quer nacional, quer internacionalmente, onde a sua presença é significativa. Assim, em 2015, a A&D Wines decide avançar para um projeto ainda mais ambicioso ao adquirir a Quinta de Santa Teresa, mais uma aposta na sub-região de Baião, com 33 ha de vinha a que se somam 5 ha da Casa do Arrabalde e 7 hectares da Quinta dos Espinhosos, o que perfaz um total de 45 ha. Surgem assim quatro novas referências a marca Monólogo para os três vinhos de casta e parcela única - Monólogo Arinto P24, Monólogo Avesso P67 e Monólogo Chardonnay P706, sendo esta proveniente da Quinta dos Espinhosos. É também apresentado o Singular, “blend” de escolha e gosto do Eng. Fernando Moura, enólogo da A&D Wines.


Mas vamos à prova dos vinhos A&D Wines. Começamos pelo Casa do Arrabalde, blend de Avesso, Arinto e Alvarinho, um vinho correto, equilibrado, com boa presença e frescura, de pendor gastronómico - competente. Na minha opinião, falta-lhe apenas um pouquinho mais de complexidade para se diferenciar entre os demais, na sua gama. O Espinhosos, blend de Avesso e Chardonnay, vinho de grande consistência onde fruta madura convive muito bem com frescura e mineralidade, apresentando um lado untoso bem interessante. Ambos a rondar 6,5€

Seguiram-se os monólogos, vinhos monovarietais produzidos em parcelas específicas da vinha, selecionadas pela sua consistência na produção, intervenção minimalista na adega e qualidade ano após ano. O Monólogo Arinto é um vinho monocasta produzido com uvas da parcela P24 da Quinta de Santa Teresa. Achei um arinto focado nos aromas florais, leve e delicado, sem aquele ataque de acidez que a casta aporta muitas vezes. Gostei deste lado mais contido da casta sem perder frescura e boa presença de boca. O Monólogo Chardonnay P706 com notas de fruta madura, alguns amanteigados, mostrando-se estruturado, envolvente e muito fresco. Sem passagem por madeira, mas a mostrar-se muito bem e nada enjoativo. Gostei bastante. O Monologo Avesso P67 com um lado citrino em evidência e um toque vegetal. Na boca tem nervo, volume e frescura, terminando longo e prazeroso. O meu preferido dos três Monologo. Por 7,5€ vale bem a pena provar estes monocastas.

Por fim, O singular que reflecte as escolha das castas e seu loteamento por parte do enólogo Fernando Moura.. Por apenas 9€, talvez o vinho mais sério, isto é, o mais complexo, encorpado e longo de todos os vinhos provados, fechando assim com chave de ouro a prova dos vinhos A&D Wines. 

A&D Wines um projecto de Baião para o mundo, que vale a pena conhecer. Situado na fronteira entre a região dos vinhos verdes e o Douro, talvez pela sua localização invulgar (como a Quinta da Covela), também se reflita no perfil de alguns dos seus vinhos. Destaque igualmente para os rótulos, modernos e apelativos, diferentes do habitual, que acrescentam essa diferenciação no mercado nacional e internacional.


Sérgio Lopes


domingo, 23 de julho de 2017

Moscatéis portugueses, abaixo de 15€, brilham em França....!


Este post vem a propósito do concurso "Muscats du Monde" que decorre em França todos os anos e no qual Portugal conseguiu 4 moscatéis no TOP 10 do certame! O primeiro lugar é inclusivé nosso com o Venâncio Costa Lima Moscatel Roxo 2013. Os restantes três são o Moscatel Roxo 5 anos da Bacalhôa e o Moscatel Roxo Pioneiro 2013, também da Venâncio da Costa Lima  o Adega de Favaios Moscatel 1980 que receberam a Medalha de Ouro e colocaram-se igualmente entre as 10 melhores classificações no concurso.

O concurso, que decorreu nos dias 5 e 6 de Julho, na cidade de Frontignan-la-Peyrade - França, teve em prova 214 moscatéis de 25 países. O júri internacional, composto por mais de 55 especialistas, atribuiu 71 medalhas, 38 de ouro e 33 de prata. Portugal é, a seguir à França, o país com mais medalhas, num total de 13 - 7 ouros e 6 pratas.

Gratificante e de louvar sem dúvida, que vinhos generosos abaixo de 15€ tenham sido tão bem recebidos. Só prova que o Moscatel Roxo, de Setúbal ou o do Douro produzem vinhos extraordinários. Mas será esse o target do concurso - vinhos extraordinários? Provavelmente não.

A questão surge pois não retirando o excelente mérito dos vinhos premiados, saltam-me à vista desde logo 2 ou 3 referências de produtores como José Maria da Fonseca ou Horácio Simões, de dimensão estratosfera, mas que provavelmente não fazem sentido neste concurso, face aos resultados. O próprio Bacalhoa 30 anos ficou abaixo dos 4 moscateis portugueses do top 10... Talvez os produtores nos possam esclarecer um pouco mais.

Sérgio Lopes

sábado, 22 de julho de 2017

Em Prova: Pouca Roupa Rosé 2016


15/20. Pouca Roupa é o projecto mais recente de João Portugal Ramos (vai na sua 2ª edição), desenvolvido com o seu filho, o enólogo João Maria, destinado a um público jovem, "à geração que vive online e constantemente ligados, que cria e vive experiências”. O nome da marca é também o nome do Monte Alentejano, onde está implantada a vinha que dá origem a este vinho, sendo ainda um “apelido comum no Alentejo”.

O Pouca Roupa Rosé de 2016, elaborado a partir das castas Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, é isso mesmo - um vinho despreocupado e descontraído, perfeito para o verão, com as notas típicas de um rosé, ou seja, fruta vermelha fresca, um lado vegetal e alguma secura a conferir um pouco mais de pendor gastronómico. Fresco, leve, directo, pronto para beber à piscina ou acompanhar algumas entradas. O Rosé, e já agora, o tinto e o branco - Pouca Roupa, encontram-se facilmente na grande distribuição a um PVP de 3,99€.