quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Um copo com... Ivone Ribeiro

Ivone Ribeiro é a proprietária da Garrafeira Garage Wines. No mundo vínico é uma cara bem conhecida de todos nós, com passagem por espaços como a Vinho e Coisas ou a Wine O’Clock. Após uma experiência na distribuição, abriu o seu espaço dedicado aos vinhos de garagem. As suas provas temáticas são já lendárias, sempre num ambiente descontraído e de partilha de sensações. Natural do Porto, licenciada em gestão de marketing, vive no Porto.

Olá Ivone. Tenho que começar pelas tuas provas vínicas, que continuam a ter casa cheia, e despertaram várias pessoas para este mundo dos vinhos, eu incluído. Foi o inicio, o despertar da paixão á volta do vinho. Como te sentes nesse papel pedagógico e de influência tão marcante para alguns de nós? O meu papel no mundo dos vinhos é simples…. Não sei se sou uma referência, a única coisa que sei é que adoro vinho, adoro o meu trabalho e adoro partilhar essas experiências com os meus clientes e amigos. O mundo do vinho é por defeito, para muitos consumidores, algo complicado, elitista… mas para mim o vinho tem que ser aquilo que tenho vindo a defender nos últimos anos: 1. Algo maravilhoso, que deve ser partilhado, com uma linguagem mais simplista e que permita com maior tranquilidade cativar mais e mais consumidores. 2. As provas GW e que temos vindo a fazer é criar experiências e momentos que representem o que defendemos… temos tido algum sucesso. 

Das dezenas de provas, qual a que destacarias por um motivo especial que te tenha marcado?  Não consigo destacar nenhuma… mas há que referir que o Aniversário da GW é sempre a grande prova do ano, onde não olhamos às marcas, aos vinhos que estamos a beber (bem… são todos bons claro..), mas sim ao momento que criamos para presentear todos os nossos clientes e amigos…

Lembras-te da primeira vez que pensaste “eu vou trabalhar nos vinhos”? Não imaginava que um dia chegaria até aqui…. Tudo foi acontecendo e a paixão começou a crescer… é um mundo apaixonante, ao mesmo tempo competitivo e sempre com novos desafios

O que gostas de fazer nos tempos livres? Estar com os meus filhos… eles sofrem com o facto de ter uma loja, horários muitos cheios e claro…. Estou sempre a ouvir frases como esta “mãe porque não tens um emprego normal?”.

Se tivesses possibilidade de jantar com uma personalidade, levando um vinho da Garage Wines, quem seria? Marcelo Rebelo de Sousa… gosto muito dele, acho-o um verdadeiro “SENHOR”, um homem muito inteligente e sei que gosta de bons vinhos!

Qual o teu prato preferido? Só um…. Gosto de tanta coisa…. Passando a publicidade, O Empadão de Carne da minha mãe, o Arroz de Pato uma bela Sopa de pedra…

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos.  Tenho muitas, mas estava eu à pouco mais de 1 ano a trabalhar na “Vinho & Coisas” a primeira garrafeira onde trabalhei e um cliente “homem” ali na meia idade recusava-se a aceitar as minhas sugestões, ao ponto de ter que ligar ao António Nora, na altura meu administrador e o Antonio recomendar os mesmos vinhos. Confesso… eu adorei… o cliente ficou um pouco à rasca!!!

O que consideras diferenciador no nosso país em termos vínicos, vs. resto do mundo? As nossas castas sem sombra de duvidas… o nosso terroir poderá em algumas regiões ter características próprias, as barricas são iguais em todo o mundo, a enologia, um toque ou outro, mas as nossas castas são nossas…

Momento: Refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer?  Estilo música: Chill Out; local: a minha casa; vinho: Champagne…. 

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? Não consigo dizer….  Todos os grandes vinhos que provei tiveram o seu momento e foram sempre partilhados, porque para mim os grandes vinhos têm de ser partilhados...

Sérgio Lopes

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Radar do Vinho: Quinta do Estanho

Localizada em Alijó, situada na margem esquerda do Rio Pinhão, a Quinta do Estanho deve o seu nome ao mineral que aí proliferava. Empresa de cariz e raízes familiares, há várias gerações, o seu proprietário, entretanto desaparecido, Jaime Acácio Queiroz Cardoso, tornou-se no segundo Produtor – Engarrafador – Exportador de todo o Douro, vendendo os seus vinhos diretamente para os mercados nacional e internacional. Hoje, 30 anos depois, a Quinta do Estanho caracteriza-se ainda pelo seu cariz familiar, sendo reconhecida sobretudo pelos belíssimos Vinhos do Porto - Colheitas, Tawnies e Vintage, que estagiam e amadurecem, alguns deles há décadas... Mas dos vinhos do Porto falaremos noutra altura.

Na atualiade, para além dos vinhos do Porto a empresa iniciou um enfoque mais assertivo nos vinhos de mesa. No mercado estão três vinhos tintos, Colheita, Reserva e Grande Reserva de Vinhas Velhas, de 2015, que provamos. A enologia é de Luís Leocádio, jovem que entre outros projectos é o enólogo da Quinta do Cardo, na Beira Interior.
São vinhos que provêm de uvas a uma altitude entre 150m a 400m, com a tipicidade duriense bem patente, encorpados, com poder, e a reflectir um pouco o calor da região, embora Luís Leocádio consiga sempre os tornar nada extraídos. Vinhos de pendor gastronómico que precisam nitidamente de comida.

O Colheita é um vinho equilibrado, com fruta vermelha bonita, algum floral, taninos macios e corpo e final médio/longo. Perfeito para o dia-a-dia, embora se posicione num campeonato difícil (5€). O Reserva já é um pouco mais complexo e com maior potência. Tem tudo o que o colheita proporciona, mas num registo de maior profundidade. Um vinho que embora esteja pronto a consumir, vai crescer em garrafa. Alguma rusticidade patente, típicamente histórica na região. (10€). Por fim, o meu destaque, um vinho que claramente me encheu as medidas, o Grande Reserva Vinhas Velhas, proveniente de parcelas de vinhas plantadas entre 1932 e 1970. Foram produzidas apenas 1333 garrafas. Vinho de enorme complexidade e profundidade aromática, cheio de fruta preta e vermelha madura, especiarias, algum cacau e um ligeiro balsâmico. Boca volumosa, mas com taninos aveludados. Simultaneamente denso mas elegante, terminando muito longo e persistente. Belo vinho. (20€)

Na minha opinião, o caminho está encontrado. Acredito que Luis Leocádio irá ainda afinar mais o projecto (afinal de contas o passado são os Vinhos do Porto) e tornar os vinhos ainda mais equilibrados e frescos, sem perder a potência bem patente da região Duriense e do terroir da Quinta do Estanho.

Quinta do Estanho
Av. Dr.Porfírio Teixeira Rebelo, 1
Cheires, 5070-342 Alijó

info@quintadoestanho.com
+ 351.259686377
+ 351.259686283
+ 351.259685054/5/6


Sérgio Lopes

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Arena de Baco: Prova Vertical dos vinhos Morgado Santa Catherina

No ano de 2017 tive a felicidade de beber várias vezes este vinho - Morgado de Santa Catherina, feito 100% de Arinto, proveniente da zona de Bucelas e que se encontra facilmente nas grandes superfícies comerciais. Um vinho que tem estágio em madeira nova e que aguenta bem a passagem do tempo, melhorando com 3 a 4 anos de garrafa (ou mais). Foi por isso natural que eu e o Amândio Cupido (Garficopo) tendo adquirido várias garrafas de anos diferentes e com a ajuda adicional do produtor, preparamos uma prova vertical, dos anos 2010 a 2016, com um vinho de 2004 de acréscimo, que o Cupido tinha comprado. 


Considero as provas verticais muito interessante, mas a condição de guarda de cada um dos vinhos é fundamental para haver justiça no veredicto final. E a maior parte das garrafas foram adquiridas na cadeia de supermercados do malogrado Belmiro de Azevedo, pelo que é importante efectuar esta ressalva. De qualquer das formas, à excepção do 2004 que já tinha passado o seu melhor momento, todos se apresentaram em boa forma. Alguns mesmo em belíssima forma.


Começamos a prova do mais novo, para o mais antigo (outra discussão sempre interessante neste tipo de prova), com o 2016 ainda bastante fechado (estágio de garrafa - enviada pelo produtor), mas a demonstrar que o uso da madeira está mais comedido. Vamos ver como evoluirá. 2015, um dos preferidos, com a madeira bem integrada, enorme frescura, elegante, a precisar de tempo, mas a dar já uma belíssima prova. Comprar, beber e guardar. 2014 e 2013 num registo um pouco abaixo do 2015. 2012, o mais consensual em prova e também o mais equilibrado. Estava fantástico, com "tudo no sítio". 2011 de novo um pouco abaixo do 2012, menos fresco. Por fim, o 2010, cheio de força, uma enorme surpresa, ainda com muito para dar. Provavelmente o primeiro vinho onde apanhamos realmente notas de evolução, mas das boas...

Uma prova vertical a demonstrar a qualidade e longevidade destes vinhos, provavelmente o branco mais "escolha segura" na casa dos 10€, nas grandes superfícies. Uma prova superiormente harmonizada pelos maravilhosos cozinhados do Cupido, que infelizmente não temos fotos! Um jantar que se prolongou pela noite fora em ambiente de grande confraternização.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Em Prova: Vida Nova Syrah Aragonês Tinto 2014

Provavelmente há quem não saiba, mas o cantor Cliff Richard, estrela da música do século passado é o homem por trás deste vinho. Proprietário da Quinta do Moinho, em Guia - Albufeira, no Algarve, tornou-se há mais de 10 anos produtor de vinhos naquela zona. 

O Vida Nova 2014 é um tinto produzido maioritariamente de Syrah (60%), conjugado de forma improvável com Aragonês (30%) e um toque de Alicante Bouschet (não mencionado no rótulo). O vinho estagia depois durante 14 meses em barricas de carvalho francês e americano. 

O resultado é agradavelmente satisfatório, com fruta preta fresca de qualidade, especiarias e alguma baunilha. A boca é de taninos redondos, com foco na fruta e uma boa acidez que lhe confere a frescura necessária para se beber um novo copo. Será um vinho consensual que não defraudará quem o levar para a mesa. Acompanhou muito bem um arrozinho de pato.  

PVP: 8€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Em Prova: Boango Tinto 2013

Vinho produzido pelo enólogo Hugo Oliveira e Silva, um jovem que lançou o seu projecto no Douro - Adega Artesanal - e que para além do Boango Tinto (de que aqui falo) e do branco, existe também o Oficios, um vinho de posicionamento superior. São sempre produções pequenas, com pouca intervenção por parte do enólogo, tentando privilegiar o terroir. A ideia será prolongar estas experiências para outras regiões.

Mas este Boango Tinto é um duriense de gema, com estágio de 24 meses em barrica. Foram produzidas apenas 2000 garrafas de um vinho guloso, cheio de taninos e algo rústico, a lembrar a região e o carácter tradicional da mesma. Um vinho para a mesa, a um preço combativo, para consumir sem pressas e ir acompanhando a evolução do projecto do jovem enólogo. 

PVP: 9€. Disponibilidade: info@adegaartesanal.com

Sérgio Lopes

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Da minha cave: Quinta do Boição Reserva Branco 2010

Situada em Bucelas, a Quinta do Boição espalha-se por uma área de 45 ha de solos argilo/calcários. destacando a presença da casta Arinto (naturalmente), nas castas brancas, que encontra em Bucelas o seu verdadeiro esplendor e a Touriga Nacional nas castas tintas. 

Gosto muito do arinto, e particularmente de arinto de Bucelas, sobretudo já com alguma idade. Foi por isso com muito agrado que provei o Quinta do Boição Reserva Branco 2010, um vinho com 8 anos, mas com uma grande frescura, onde pouco se notava a evolução do tempo em garrafa.

Mostrou-se untuoso, com citrinos maduros, complexo, mineral e persistente. Acompanhou um salmão grelhado com arroz de tomate na perfeição. 

Num dia que iria ser preenchido por vinhos de Bucelas (de que falarei mais tarde), pode-se dizer que foi um grande começo! PVP: 6,5€. Disponibilidade: Garrafeiras e Enoteca.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Em Prova: Chryseia 2015

Ultimamente tenho voltado aos tintos com maior regularidade, talvez até porque me têm tratado muitíssimo bem, dando-me a provar e beber com uma boa refeição, grandes vinhos, que não deixarão ninguém indiferente. É o caso de, por exemplo, o vinho Chryseia 2015, que foi degustado num jantar de amigos onde fomos tratados como reis, pelo anfitrião Otavio, acompanhando este vinho um cabrito divinal, entre outras iguarias superiores. O vinho, que resulta da parceria entre o enólogo de Bordéus Bruno Prats e a família Symington, a partir da emblemática Quinta de Roriz, é um icon da casa, um vinho de topo que confirma todos os seu pergaminhos: Nariz fino e sedutor, muito complexo, com notas de fruta fresca deliciosa, um lado balsâmico e alguma especiaria. Tudo num registo de enorme finesse que se confirma numa boca de taninos sedosos, boa estrutura e muita frescura, tornando-o profundo e extremamente saboroso. Um grande vinho, este ano "mais pronto" e elegante, mas com um poder de evolução tremendo. Seda pura! PVP: 54€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em Prova: Ultreia Valtuille Tinto


Tive o privilégio de beber este vinho, através do meu amigo André Antunes do restaurante Delicatum, em Braga. Um vinho do famoso enólogo espanhol Raul Perez, um dos mais inovadores da sua geração. Ultreia era, em tempos, uma espécie de saudação e forma de encorajamento entre peregrinos que faziam o caminho de Santiago, passando pela vinha que dá origem a este vinho, na zona de Bierzo, noroeste de Espanha. Feito 100% da casta Mencia, típica da região (em Portugal o Mencia dá-se pelo nome de Jaen e aparece no Dão), de vinhas velhas, plantadas em 1908, localizadas a 530 metros acima do nível do mar. A produção de vinho é feita sem muita intervenção, com 14 a 15 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês usadas e engarrafamento sem filtragem. Trata-se de um enorme vinho. Tem tudo aquilo que procuro num vinho tinto, isto é, uma frescura abismal, grande equilíbrio e um nariz sedutor, de enorme profundidade aromática. Muito complexo, tem uma boca com volume mas com extraordinária elegância, com taninos aveludados. Termina muito longo e a pedir novo copo. Que grande vinho! Por 30€ é difícil beber melhor. Disponibilidade: Vid' i

Sérgio Lopes

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Em prova: Grainha Reserva Tinto 2015

Proveniente da Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo, a referência Grainha resreva está algures entre os colheita e os topo da casa. São vinhos com complexidade acima da média, madeira bem integrada com a fruta típica do Douro, pendor gastronómico, corpo e final médios. Este 2015 aparece um pouco mais elegante que outras edições anteriores o que o torna ainda mais interessante. Uma boa opção nos tintos do Douro na gama 10€ - 15€. PVP: 12,5€. Onwine.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Em Prova: S. Caetano Arinto 2016


Proveniente da Quinta da Torre, em Marco de Canaveses, tive oportunidade de provar o vinho branco, feito totalmente da casta Arinto. Para além deste, a quinta produz monocastas S. Caetano Azal, Loureiro, Vinhão (tinto), espadeiro (Rosé ) e o branco colheita. O S. Caetano Arinto 2016, apresenta a acidez e frescura típica da casta que tão bons resultados dá um pouco por todo o país. Por outro lado, o açúcar residual que apresenta (6,7 g/l) aporta uma certa doçura, o que fará dele um vinho apelativo para muitos consumidores. Este ano aparece com um pouco mais de alcool que lhe confere mais volume, mas também o torna um pouco menos "verde". De saudar que se trata de um vinho da região dos vinhos verdes sem a desnecessária adição de gás. PVP: 5€. Loja do Produtor 

Sérgio Lopes

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Em prova: São Domingos Elpidio Espumante Bruto

Por vezes temos a tendência de escrever e falar apenas sobre vinhos e espumantes de topo e de certa forma negligenciamos alguns valores seguros (ainda que de forma inconsciente). É o caso deste espumante produzido pelas Caves São Domingos, feito em igual proporção de Chardonnay e Arinto, um espumante de bolha fina, fresco, complexo qb entre as notas de fruta branca e algum fruto seco, com o lado citrino que lhe confere a tal frescura e que o torna num excelente aperitivo. Por 8€ temos bolhinhas bem interessantes e que vão agradar de uma forma geral. PVP: 8€. Disponibilidade: OnWine.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Em Prova: VZ Tinto 2012


Cristiano Van Zeller é um dos nomes incontornáveis do Douro moderno, elevando a região à excelência com os seus Quinta Vale Dona Maria ou CV, vinhos potentes e longevos. Já há muito tempo que não provava outro dos seus vinhos, o VZ 2012 (2014 é o mais recente no mercado), feito de uvas de vinhas velhas e com estágio prolongado em madeira usada (17 meses). É um Douro "de caras", cheio de fruta preta madura,  potente, carnudo, um pouco "parkerizado", mas cuja estrutura e aromas aportados pelo estágio em madeira (cacau, chocolate, especiarias) estão mutio bem suportados por uma belíssima acidez que lhe confere grande frescura e por uns taninos de veludo absolutamente deliciosos. Gostei bastante, apesar dos seus 14 graus de alcool e do seu lado mais maduro, sem nunca ser "madurão ou "compotado".  Um tinto para a mesa, com certeza. PVP: 19,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Em Prova: Quinta Ribeiro da Vila Tinto 2014


Este vinho foi trazido pelo meu amigo Otávio, consumido em prova cega, aqui em casa. Foi um vinho de agrado geral. Proveniente do Douro, mais propriamente de Carrazeda de Ansiâes, trata-se de um projecto familiar - Lima´s Wine Douro, um local belíssimo com a Senhora da Ribeira ao horizonte.  Neste momento, apenas produzem um vinho, o Quinta Ribeiro da Vila, feito com as castas típicas do Douro, Touriga nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Um vnho com a fruta bem bonita, integrada com a madeira, notas especiadas, algum cacau, taninos redondos, final médio, num perfil consensual e de equilíbrio geral. Não se destaca dos demais durienses, mas está agradável e bem feito. PVP: 8,5€. Disponibilidade: Garrafeira Nacional ou loja online do produtor. 

Sérgio Lopes

sábado, 6 de janeiro de 2018

Fora do Baralho: Proibido à capela Tinto 2016


Começamos 2018 com a menção a um novo vinho de Márcio Lopes, um ensaio, no mínimo... curioso... Fruto de uvas de uma vinha com quase 50 anos (90%uvas tintas, 10%uvas brancas), localizada em VN Foz Côa, colhidas ao mesmo tempo, desengaçadas à mão, cujo vinho foi trasfegado a cantaro, propositadamente deixadas em vazio, para ganhar "flôr", não filtrado ou estabilizado, e engarrafado à mão, apenas com uma ligeira adição de SO2... Vinho com apenas 11º de alcool, leve mas com boa acidez e pendor gastronómico. Diferente. Em prova, atira-nos para um alvarelhão, por exemplo, ou para uma jaen, pouco extraido e com a componente mais vegetal (verde) em evidência. Um vinho produzido à moda do "Jerez", tentando replicar a fórmula. Foram produzidas 500 garrafas apenas. PVP: 18€. Garrafeiras

Sérgio Lopes

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Os meus vinhos em 2017 - Parte II

Continuando a partilha de sensações e provas experimentadas ao longo de 2017, debruço-me agora nos vinhos tintos, espumantes e generosos. Mais uma vez reforço que seria mais fácil mencionar os "colossos", mas vou me concentrar nos que consumi mais ao longo do ano (ainda que muito menos do que vinhos brancos) e aqueles que são diferenciadores, por este ou aquele motivo.

Começo obviamente por um dos vinhos mais desconcertantes provados em 2017, o Zafirah 2016, primeiro vinho de Constantino Ramos (enólogo residente de Anselmo Mendes). O propósito deste vinho é o de remontar às antigas tradições dos vinhos tintos produzidos na região de Monção. Sim, é um "verde tinto", produzido das castas típicas tintas da região com predominância de Alvarelhão, secundado por Borraçal, Pedral e apenas um pouco de Vinhão. provenientes de uma vinha com mais de 70 anos ainda com sistema de condução em latada procurando imitar esses vinhos, que há época eram comparados aos Borgonha. E o resultado é um vinho de cor violeta turva, pois não foi sujeito a qualquer filtração, para preservar todo o seu caracter. O aroma é fresco e frutado, mas de uma fruta vermelha bem fresca e pura (framboesa, morango). É, no entanto, na boca que deslumbra pela elegância e incrivel acidez que lhe aporta uma grande personalidade e versatilidade gastronómica. Termina longo e bem crocante a pedir novo copo. O facto de apresentar pouco mais do que 10º de alcool torna-o ainda mais viciante.


Da Quinta da Fata chegou provavelmente o melhor Touriga Nacional. Os seus Touriga Nacional costumam ser agrestes em novos, cheios de aromas a bosque e toques resinosos - tão típicos de um "Fata", apenas se mostrando civilizados com mais de 5 anos de garrafa pelo menos. Ora, este Grande Reserva 2014, feito 100% de Touriga Nacional, de uma vinha velha da quinta mostra-se, neste momento, com um conjunto tão complexo de sensações aromáticas que o levam para uma outra profundidade. Ao mesmo tempo, a boca tem uma estrutura impressionante, com frescura a rodos e muita elegância, fino até, tornado-se muito apelativo, a beber JÁ. Esta combinação de potência e elegância, torna-o um vinho enorme agora, mas crescerá ainda mais em garrafa seguramente. Não tenho dúvidas que é um dos melhores Tourigas da Fata de sempre e um grande vinho do Dão. Em 2015 venceu o prémio "Melhor Vinho do Produtor" do Dão. percebe-se porquê!


Da Casa da Passarela, onde efectuei uma visita memorável, destaco o Villa Oliveira - Vinha das Pedras Altas 2012, que já tinha tido o privilégio de provar na Casa da Passarela e me fascinou imediatamente. Continua a fascinar-me! Aqui estamos na presença de um blend de uma vinha velha, a Vinha das pedras Altas. O resultado é um vinho super elegante e fino, muito fresco e sedoso, delicioso e cheio de classe. Uma palavra também de apreço ao enólogo Paulo Nunes que tem efetuado um trabalho notável no Dão (não só na Passarela) e que é um dos jovens enólgos mais promissores da sua geração.


A Bairrada foi uma região onde provei tintos da casta Baga, de perfil "clássico" - embora o termo seja discutível - vinhos com taninos duros e boca potente, e outros de jovens produtores que apresentam uma baga mais "pronta a beber" sem deixar de apresentar longevidade e grande elegância e frescura. Do lado clássico, saúda-se o regresso (em grande forma) de Sidónio de Sousa, com o seu garrafeira 2011, grande complexidade, nariz marcado por frutas de bosque e especiarias, com nuances balsâmicas. Na boca apresenta-se volumoso e encorpado, novamente com a fruta de bosque a sobressair juntamente com algum herbáceo, as notas da madeira são discretas (os 24 meses de estágio foram feitos em tonéis velhos de carvalho português ), taninos imponentes e uma acidez refrescante a equilibrar o "todo", num final de boca intenso. Um vinho para crescer durante muitos anos, mas que não deixa de ser já um regalo para os nossos sentidos.


Do lado "menos clássico", junto a nomes como Filipa Pato com o seu Nossa, ou Mário Sérgio com o seu Avô Fausto, entre outros, destaco o Outrora, produzido a partir de uvas da casta Baga, de vinhas com idade superior a 100 anos, estagiou 2 anos em barricas de carvalho. Apresenta uma enorme profundidade e complexidade aromáticas, logo ao primeiro impacto olfactivo, com notas vegetais, especiaria e alguma fruta, que se confirma na boca Taninos poderosos, mas já amaciados, numa boca cheia e com muita tensão, mas ao mesmo sem se impor em demasia, aportando uma elegância que lhe confere classe. Termina muito longo e gastronómico. Um grande vinho.



Para finalizar... o Alentejo, uma região que (re)descobri e onde se comprova que é possível fazer vinhos magníficos. Entre visitas memoráveis e provas entre amigos, destaco: Quinta do Mouro Touriga Nacional 2014, um vinho a fazer jus à personalidade sui generis do produtor Miguel Louro, um Touriga cheio de força e frescura, jovem imberbe e mexido, perfumado, cheio de acidez. Magnífico. Dona Maria Grande Reserva 2012, outro grande vinho do Alentejo, com classe, potente e fresco em simultâneo, uma delícia para os sentidos. Blog 2011, de Tiago Cabaço. O jovem produtor do Alentejo que tem na marca .com talvez os seus vinhos mais conhecidos não brinca em serviço com os seus Blog. Este 2011 está magnifico, não só reflecte o ano fantástico de 2011 como demonstra o potencial do Alentejo (O Blog bivarietal 2012 foi eleito o melhor vinho de lote do mundo e é também soberbo). Avó Sabica 2011. Desconhecia este produtor. O Duarte Silva é que me deu a provar este vinho que ao que parece apenas é produzido em anos de excepção. Conjuga potência e elegância como ninguém. Que grande vinho! 


No que toca aos espumantes há que referir o Quinta de São Lourenço 2007 das Caves São Domingos que andou a circular um pouco por toda a parte, dada a sua qualidade para o preço que apresenta. Eu consumi bastante. Depois os Murganheira e Raposeira, sempre escolhas seguras para todos os bolsos e todos os gostos - consistência e qualidade directamente da região de Távora- Varosa. Os Vértice também dispensam apresentações. Pode se gostar mais do cuvee, do Gouveio, ou do Rosé, mas é impossivel não apreciar a qualidade bem acima da média dos bolhinhas de Celso Pereiria. Os Baga@Bairrada também cresceram em número e qualidade, pelo que é possível comprar um espumante com selo de qualidade desta região, a um preço bastante atractivo. Há muitos outros que poderia mencionar, pois Portugal está a produzir cada vez melhores espumantes (Quinta dos Abibes por exemplo), mas opto por destacar o Marquês de Marialva Cuvee 2011, o espumante topo de gama da Adega de Cantanhede, produzido maioritariamente de Arinto, com um toque de baga. Um extra reserva bruto do ano de 2011 (36 meses de cave), com degorgement em 2015, feito pelas mãos do Sr. Bolhas (e não só), o grande enólogo Osvaldo Amado. O resultado é um espumante de grande complexidade, com notas aromáticas a citrinos e apontamentos florais. Boca com mousse delicada e algum brioche, bolha fina, mas "bruta", isto é bem presente a lembrar que estamos perante um Bairrada. Muito fresco e crocante, terminando num final bem longo.


Num ano onde bebi muito poucos vinhos fortificados destaco claramente o que mais me impressionou, o produtor de vinhos da Madeira Blandy's. Não só a prova que decorreu na garrafeira Tio Pepe foi extremamente didáctica, como também se provaram vinhos extraordinários, do qual destaco (poderiam ser outros) o Terrantez 1980, um vinho do meu ano de nascimento, cheio de força, com uma acidez descomunal e uma boca deliciosa e cheia, com final interminável. Porra, que os vinhos da Madeira são do caraças!

Colossos:

1. Bussaco 1960, provado no mesmo dia que o branco de... 1958, nas caves do Bussaco, um vinho tinto que parece resistir à passagem do tempo, cheio de frescura e finesse. Uau!

2. Villa Oliveira Passarela 2014, blend de castas de vinhas muito velhas, maioritariamente Baga e Jaen, temperadas com Alvarelhão ou Tinta Carvalha, entre outras. Tudo castas que remonstam a primeira marca da casa Villa Oliveira, como homenagem à sua rica história, com 125 anos. O vinho é simplesmente descomunal aliando uma invulgar potência para a região, a uma desconcertante elegância. São 2000 garrafas apenas, a um PVP de 90€, das quais serão lançadas para o mercado apenas 200 garrafas por ano. Um vinho para ser apreciado nos próximos 10 anos.

3. Mouchão Tonel 3-4 2011, icon alentejano, apenas produzido em anos especiais, do "tal tonel". O sétimo da linhagem desde que começou a ser produzido, em 1996. 97 pontos por Robert Parker! Para beber daqui por uns bons anos!

4. Legado 2012 - Da Sogrape, “o testemunho do conhecimento e do saber” que Fernando Guedes recebeu de seu Pai, fundador da Empresa em 1942, e que agora pretende “deixar às gerações futuras da família”.Um vinho monumental, hiper complexo, elegante, fresco, de enorme profundidade e final longuíssimo, cheio, cheio de classe!


Sérgio Lopes

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Os meus vinhos em 2017 - Parte I - Brancos

2017 já passou e é tempo de partilhar um pouco daquilo que foram as (grandiosas) provas de vinho que tive o privilégio de efetuar, ao longo do ano, incluindo provas caseiras e em confraternizações várias com amigos, que tal como eu, apaixonados, pelo vinho, me ajudaram a aprender um pouco mais e a.  ter grande prazer! Seria fácil falar dos colossos que provei ao longo do ano e que seguramente figuram nos "mellhores do ano" - irei falar de alguns deles é inevitável - mas esta selecção privilegia vinhos diferentes e diferenciadores, ou noutros casos, que consumi com regularidade ao longo do ano. Foi um ano em que a minha garrafeira inverteu a tendência, isto é, passou a ter um racio de 70%/30% - Brancos / Tintos. Consumi pois muito mais vinho branco, algum dele com idade entre 5 a 10 anos, intervalo que aprecio particularmente. Bebi (muito) menos tintos, fortificados e até menos espumantes, talvez porque a "companhia" lá de casa não os privilégio, o que aconteceu por uma belíssima razão, a que tornou este ano, o ano mais feliz da minha (nossa) vida.

Se há vinho que branco que me surpreendeu em 2017 (e que consumi bastante) foi o Lisboa 2016 do enólogo Hugo Mendes. Este vinho não consensual foi a sua primeira aventura a solo (tem nos deliciado com os fabulosos Arintos da Quinta da Murta), a sua interpretação da casta Fernão Pires na região de Lisboa. Hugo trabalha como ninguém as redes sociais e conseguir vender todo o seu vinho através deste meio, inclusive, grande parte en primeur. O vinho não é barato, mas tem pouco alccool, muita elegância e um nervo que o torna delicioso. A crítica generalizada da especialidade recebeu o vinho muito bem.


Outro vinho surpreendente, Anselmo Mendes Beira Interior 2014. O mestre do Alvarinho não precisa de apresentações, delicia-nos com os fabulosos vinhos de Monção e Melgaço e mais uma vez foi um prazer beber ao longo do ano vinhos magníficos como Expressões, Curtimenta ou Parcela Única (o 2015 está assombroso) ou o Tempo, qualquer um deles poderia e deveria figurar como dos melhores brancos do ano. Mas o Beira Interior, feito 100% da casta Siria merece o destaque por elevar a região a um outro nível, num vinho elegante, mineral e gastronómico, com pouco álcool - delicioso.


Sem Igual 2015, vinho verde que nada tem de tradicional em relação à região. projecto de João Camizão, feito de Azal e Arinto de Amarante, deslumbrou-me ao primeiro contacto. A linha condutora ou perfil é o de pouca exuberância, bastante acidez, e muito secos, com o corpo do Arinto e o "nervo" do Azal. Neste momento começa a mostrar-se em todo o seu esplendor, com um nariz contido mas cheio de complexidade, uma boca vibrante, frescura ácida e final bem prolongado. Nada de frutinhas enjoativas. Pelo contrário um branco de classe internacional, com um lado amanteigado que agora começa a aparecer a lembrar a "borgonha".


Pormenor Reserva 2015, do jovem Pedro Coelho, com enologia de Luis Seabra, enólogo pouco consensual, mas que imprime um cunho muito especial aos vinhos que produz, aportando um lado mais elegante e mineral, mais primário. Produzido a partir de mistura de uvas de vinhas acima dos 90 anos, em altitude, Muito complexo, com notas herbáceas à mistura. Boca com grande finesse, enchendo por completo o palato. Termina muito longo e a pedir novo copo. Um branco ainda muito jovem, mas a dar grande prova, num registo de grande elegância e finura de conjunto. Adorei.


Pequenos Rebentos 'à moda antiga' 2016. Gosto muito do produtor Márcio Lopes. Faz vinhos do caraças apesar de não possuir vinhas próprias e trabalhar em diferentes regiões. Este ano produziu um dos seus melhores vinhos de sempre e seguramente o mais diferenciador, na minha opinião. Elaborado a partir de uvas de 40% Alvarinho, 30% Avesso e 30% Arinto, provenientes de Amarante, o vinho sofre uns dias de curtimenta e 9 meses em barricas usadas com as borras totais - 3 meses de fermentação, 6 meses de estágio. Totalmente fora do baralho, vinho algo rústico ('à moda antiga'), com aroma fortemente mineral e ligeiro toque citrino. A boca apresenta enorme frescura, corpo e uma acidez descomunal o que indicia uma grande longevidade. Apresenta-se poderoso, com final longo e refrescante, a pedir comidas que lhe possam dar luta à mesa. Vai durar anos!


Para finalizar, o Alvarinho, seguramente a casta que consumi com maior regularidade, destacando 4 vinhos para além dos de Anselmo Mendes mencionados acima (Expressões, Curtimenta ou Parcela Única). O Deu-la-Deu Terraços, Produzido a partir de vinhas velhas, fermentadas com leveduras autóctones. Trata-se de um vinho de grande pureza aromática. Acidez e frescura a rodos. Muito complexo e cheio de mineralidade, com notas de pedra molhada. Na boca é firme, austero, imponente e muito longo. Um caso sério. Regueiro Barricas, se o Regueiro Primitivo feito das uvas mais antigas da propriedade é fino e cheio de nervo, o "Barricas" é ainda mais mais preciso e delicado. São apenas 2000 garrafas de um branco que amadurece em barrica, como o próprio nome o sugere. A madeira aparece sempre superiormente integrada, conferindo-lhe apenas a complexidade e arredondamento extra, que o elevam a outro patamar de "finesse". Um exemplo claro de como utilizar a madeira de forma a potenciar a uva Alvarinho, sem marcar em demasia. Valados de Melgaço - Vinifcação Natural. O objectivo do produtor Artur Meleiro foi o de lançar para o mercado um Alvarinho que mostrasse a expressão genuína da região de Monção e Melgaço. Com estágio sobre borras finas em madeira, durante 8 meses, não foram utilizados sulfitos durante a vinificação. O resultado é um vinho complexo e fino, bem acima do seu Alvarinho colheita, já de si muito bom. O aroma é profundo com notas delicadas citrinas e um balsâmico que lhe dá um carácter bem interessante a potenciar a frescura. Na boca, é fresco e elegante, com madeira bem integrada e um bom corpo, terminando persistente. Com potencial de envelhecimento. JPR Reserva Alvarinho A incursão do produtor João Portugal Ramos pela região dos vinhos verdes. O JPR Alvarinho Reserva, fermentou em barricas de carvalho francês de 2 e 3 anos onde permaneceu sobre as borras durante 10 meses. É um vinho muito sério, complexo, fino e estruturado, com a madeira ainda em primeiro plano, mas sem massacrar. Mineral, com boa definição aromática e intenso, de final bem longo. A entrar directamente na primeira liga dos alvarinhos da região. 

Colossos

1. Buçaco 1958 - Todo ele surpreendente, desde a cor com evolução, mas nada de marcante, aos aromas complexos, à boca com uma acidez descomunal, a aportar enorme frescura. A mudar constantemente com o passar do tempo. Um branco memorável, divinal. 

2. Passarela Lote 2010 - 2014, lote proveniente de uma barrica por ano dos Vila Oliveira. O objectivo é fazer duas edições por década, sendo esta a primeira. Um vinho estruturado, longo, complexo, com classe. 

3. Clos des Mouches 2012, um vinho francês cheinho de classe, como só um Borgonha consegue ser.


Nesta selecção ficaram tantos vinhos de fora, tal é a qualidade dos vinhos brancos portugueses, o que é de saudar!




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Sérgio Lopes