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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Fora do Baralho:Terroir Al Limit Priorat Blanc Historic 2015

Terroir Al Limit Priorat Blanc Historic (2015) é um vinho branco raro da região de Priorat feito de garnacha blanca (75%) e macabeo (25%). Raro, não porque a uva seja rara, mas porque se trata de uma região emagadoramente produtora de vinhos tintos. 

O Priorat é uma região localizada na Catalunha de onde os vinhos mais conhecidos e famosos - tintos, são produzidos da variedade Grenache. A região tem muito sol, pouca chuva, os solo são ricos em ardósia e quartzo e as vinhas são geralmente velhas, o que lhe confere a tipicidade de "terroir"

Este vinho, o "Terroir Historic", é surpeendente, desde logo a começar pela cor amarelada dourada, a induzir algum carácter oxidativo. A vinificação é simples e tradicional com o uso de leveduras nativas, utilização mínima de SO2 e fermentação e estágio de seis meses em depósito de cimento, o que talvez explique em parte a cor? De qualquer forma é um vinho que faz lembra um light orange wine, ou seja, terá tido curtimenta muito ligeira? 

Como podem imaginar, pela descrição acima, o vinho mexeu com os meus sentidos e foi abrindo de copo para copo. No nariz focado na fruta - lado citrino, casca de laranja, leve favo de mel, muito fresco. A boca, muito fresca e com alguma austeridade, quase que um ligeiro "tanino", muita mineralidade - pedra e a fruta de novo - citrina. Com uma acidez crocante,  de corpo médio e um final de muito prazer, em constante mutação.

Uma verdadeira surpresa proporcionada mais uma vez, pelo meu amigo André Antunes. PVP: 15€. Disponibilidade: Online. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Em Prova: Paraje Mina 2016

Alberto Nanclares é um nome seriamente a reter entre os produtores de vinho da Galiza, mais propriamente das Rias Baixas. Mestre do Albariño, tem neste vinho Paraje Mina 2016, um vinho com uma força e acidez descomunais. 

As uvas provêm de uma parcela com mais de 30 anos. Estas fermentam com as suas proprias leveduras, sendo que uma parte vai a Inox e a restante metade passa por madeira usada. Finalmente fica cerca de 9 meses sobre borras, sujeito a battonage semanal.

O resultado é um vinho surpreendente em complexidade, profundidade e muita muita frescura. No copo, passou entre o citrino, o herbáceo, a fruta branca, mas sempre com um fundo super mineral e muita salinidade. A boca é super crocante, com uma acidez de "partir os dentes", untuosidade, belissimo corpo e um final que nunca mais acaba. Um vinho que me deixou completamente rendido. Provavelmente o melho exemplar de Albariño que bebi até à data. 

9,0 g/l de acidez total e um pH de 3,04 não é para "meninos". Cerca de 1300 garrafas produzidas. PVP: 15,90€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Fora do Baralho: Vulpes Vulpes Branco 2016

A adega Entre os Ríos localiza-se em Pobra do Caramiñal, nas encostas da península de Barbanza, no lado norte da Ria de Arosa, no centro geográfico das Rías Baixas. A filosofia é do máximo respeito pela paisagem e natureza, evitando o uso de tratamentos desnecessários, tais como herbicidas ou inseticidas. Também apenas são utilizadas leveduras indigenas, para preservar a autenticidade de cada ano de colheita. É por isso uma vitucultura totalmente natural e biológica, onde a influência do solo rochoso da peninsula de Barbanza, o clima e a enorme proximidade com o mar, marcam significativamente o perfil dos vinhos. 

Apesar do Albariño ser a casta dominante, nos vinhos produzidos por José Crusat, provamos um vinho produzido da uva 100% Raposo (também conhecidas por Blanco Legítimo ou Albarín) chamado Vulpes Vulpes. 

Quando abri a garrafa cheirava um pouco a enxofre, pois é  um vinho que para além de produzido em modo natural, apresenta um perfil reduzido. Confesso que guardei a garrafa do meio-dia para a noite. À noite o vinho abriu, perdendo aquele toque a enxofre, mas mantendo uma acidez desconcertante e um lado salino que pede comida, seguramente. Então apareceram notas florais, leve balsamico, canela, mas sempre com o lado "bio" a fazer-se sentir. Na boca, muito seco, cheio de garra e muito "fora do baralho". Um belíssimo vinho que se estranha no inicio e depois... entranha-se. Temos claro de estar "in the mood for it"...! PVP: 12,50€. Disponibilidade: V'Idi.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Em Prova: Albamar 2017

Albamar é um vinho 100% produzido da casta albariño proveniente de parcelas com mais de 25 anos. O nome provém da junção do sobrenome da família Alba com a proximidade das suas vinhas ao mar e pertence à D.O. Rias Baixas. As Rias Baixas são uma das grandes divisões geográficas do litoral da Galíza. As rías são um braço de mar que, como se fosse um vale, se adentra na costa. As rías da Galíza estão divididas em Rías Altas (aquelas que ficam ao norte do cabo de Finisterra) e Rías Bajas (ao sul do cabo). Ou se preferimos abaixo de Santiago de Compostela, para mais fácil localizarmos.

O vinho é de 2017 e esperava pela sua juventude  que se mostrasse tropical e exuberante. Nada disso. Mostrou-se mineral, citrino e com um toque salino que faz completamente jus ao nome. Está muito novo sim e beneficiará de mais um ou 2 anos em garrafa no mínimo. mas já dá muito prazer. À medida que o fomos bebendo foi ganhando mais estrutura, sempre se apresentando muito seco, fresco e fortemente mineral. Até austero, por vezes, com acidez como eu gosto. Um Albariño sem mariquices de exuberância e muito gastronómico. Fiquei fã. PVP:12,75€. Online.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Radar do Vinho: Son de Arrieiro

Son de Arrieiro é um produtor espanhol, localizado no Norte de Espanha, logo a seguir a Melgaço, na zona de Ribeiro, que é uma denominação de origem. Há inclusive uma Rota do Vinho do Ribeiro ao redor da zona ocidental da província de Ourense, na confluência dos vales formados pelos rios Minho, Ávia, Arnóia e Barbantinho. Adicionalmente, decorre todos os anos a Feira de Vinhos do Ribeiro, que coincide com a nossa Feira do Alvarinho, em Melgaço e que recomendo a visita. Contém vários vinhos à prova da região, de pequenos produtores (colleteros) e de outros maiores (adegas), petiscos diversos e música, tudo num ambiente muito informal e relaxado. Foi lá que conheci a carismática Xulia Bande, o rosto por trás do projeto e cujo tinto 2016, de castas autoctones (Sousón, brancellao, caiño tinto e ferrol) proveniente maioritariamente de vinhas velhas com mais de 90 anos, me impressionou bastante. 

  

Sobretudo por se tratar de uma zona maioritariamente de brancos e este tinto ter-se destacado, na minha opinião, quando o provei. O vinho tem uma certa rusticidade e arestas por limar, o que lhe dá um gozo acrescido, apresenta fruta bonita e muita frescura. Depois tem leveza, por isso, é mesmo apetecivel e deverá envelhecer muito bem. Faz lembrar tudo aquilo que gostamos num verde tinto civilizado. Existe também um branco, muito competente e mais recentemente um outro branco, este de produção muitissimo reduzida, que passa 14 meses em contacto com as borras e por isso se designa Son de Arriero << sobre lias 14 meses >> 2015. Um vinho belíssimo, com aroma complexo, muita mineralidade e cheio de frescura. Na boca, alguma fruta branca e certo lado austero, acidez elevada e uma estrutura que o torna gastronómico e de bom porte. termina longo, crocante e refrescante. Um vinho com produção de apenas 600 garrafas com preço à porta da Adega de apenas 11,5€ (O tinto é vendido a 10€)

Um produtor claramente de garagem, que produz vinho há 17 anos, mas que apenas em 2015 decidiu o comercializar de uma forma mais séria. Para ir acompanhando. Disponibilidade: No Produtor (não existe distribuidor em Portugal).

Sérgio Lopes 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em Prova: Ultreia Valtuille Tinto


Tive o privilégio de beber este vinho, através do meu amigo André Antunes do restaurante Delicatum, em Braga. Um vinho do famoso enólogo espanhol Raul Perez, um dos mais inovadores da sua geração. Ultreia era, em tempos, uma espécie de saudação e forma de encorajamento entre peregrinos que faziam o caminho de Santiago, passando pela vinha que dá origem a este vinho, na zona de Bierzo, noroeste de Espanha. Feito 100% da casta Mencia, típica da região (em Portugal o Mencia dá-se pelo nome de Jaen e aparece no Dão), de vinhas velhas, plantadas em 1908, localizadas a 530 metros acima do nível do mar. A produção de vinho é feita sem muita intervenção, com 14 a 15 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês usadas e engarrafamento sem filtragem. Trata-se de um enorme vinho. Tem tudo aquilo que procuro num vinho tinto, isto é, uma frescura abismal, grande equilíbrio e um nariz sedutor, de enorme profundidade aromática. Muito complexo, tem uma boca com volume mas com extraordinária elegância, com taninos aveludados. Termina muito longo e a pedir novo copo. Que grande vinho! Por 30€ é difícil beber melhor. Disponibilidade: Vid' i

Sérgio Lopes

sábado, 14 de outubro de 2017

Em prova: Estela do Val Godello 2015

Este vinho dos meus vizinhos de Monterrei, região Galega a norte de Chaves, situada nas imediações de Verin -Ourense, é produzido 100% da casta Godello.

Apresenta uma cor amarelo com laivos esverdeados. Nariz muito fresco, vegetal, a lembrar folha de cítrinos.

Na boca é muito expressivo! Com frescura cítrea intensa... deixando remanescente agradável sensação picante no palato e língua que prevalece alguns minutos!

Companhia ideal para petiscos, queijos e enchidos! Curiosamente é gordo e envolvente na boca, mas tem apenas 12.5° de álcool!

Um excelente vinho! Pode encontrar-se a preço entre 5.5€ e 8€! Pelo prazer que proporcionou... e pelo vinho que é, vale bem 7 a 8€.

Jorge Neves (Wine Lover)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Fora do Baralho: Toro Albalá (Don PX)

Toro Albalá é uma empresa centenária espanhola especialista na produção de vinhos doces da casta Pedro Jimenez. O processo consiste em secar a uva ao sol, até ficar em passa (desidratada). De seguida, envelhece em cascos de carvalho americano por longos anos até ao engarrafamento. Nunca tínhamos provado algo assim e é de facto totalmente "fora do baralho". Tivemos oportunidade de fazê-lo no evento da Direct Wine na Foz do Porto (que distribui os vinhos) onde estavam em prova os seguintes vinhos:

- Don PX Cosecha 2014
- Don PX Gran reserva 1987
- Don PX Seleccion 1973
- Don PX Seleccion 1965 (à esquerda)
- Don PX Seleccion 1955

O Don PX 1965, por exemplo, esteve quase 50 anos em barrica antes de ser engarrafado. Obteve 98 pontos pelo prestigiado crítico americano Robert Parker.

De uma forma geral, tratam-se de vinhos de sobremesa com uma concentração de boca abismal. Nunca provei nada assim. O teor de açúcar é muito alto, mas balanceado por uma boa acidez. Vinhos doces, mesmo. Fora de série, pela novidade. Mas penso que se tem de provar quase com um conta gotas (tal a concentração que exibem). E não são aconselháveis a diabéticos... A descobrir!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ladredo Ribeira Sacra Tinto 2008

Ano: 2008

Produtor: Pedro Rodriguez Perez

Tipo: Tinto

Região: Ribeira Sacra (Espanha)

Castas: Mencia, Grenacha Tinturera

Preço Aprox.: 45€

Veredicto: Ladredo é nome de vinha, de uma pequena vinha velha, com cerca de 50 anos, virada a nascente e debruçada vertiginosamente sobre o Rio Sil. A sua inclinação é tão acentuada que torna a vindima numa tarefa quase hérculea. Nesta, coabitam duas castas: A Mencia (em Portugal Jaen) e a Grenacha Tinturera, que se traduzem no lote em 60% e 40%, respectivamente.

O Ladredo 2008 fermentou em balseiro aberto com 30% de engaço. Uma parte macerou por 45 dias e a restante por 75 dias. Estagiou por 12 meses em barricas novas e usadas, de carvalho francês

Cor aberta. Aroma muito fresco e mineral com fruta vermelha, leve especiaria. Boca elegante, leve e cheia de frescura. Profundo com final em finesse. Realmente diferente.

Importado para Portugal por Dirk Niepoort. Este e outros tesouros podem ser descobertos em http://www.niepoort-projectos.com/

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor ao qual agradecemos a extrema amabilidade.



Classificação: 17


Sérgio Lopes