sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Em Prova: Regateiro Vinha d'Anita Tinto 2015

Invocando a proximidade do evento "Aqui na Bairrada – Beber & Saborear" que decorre amanhã e domingo, no pavilhão dos desportos da Anadia, onde será possível provar dezenas de grandes vinhos da Bairrada, destaco este tinto, feito da casta Baga, de entre outros, naturalmente que poderia destacar, tal é a qualidade dos vinhos produzidos na região. O Regateiro - Vinha d'Anita 2015 é feito 100% de Baga, pois claro e tem a particularidade de servir como homenagem à matriarca desta casa familiar. Trata-se de um tinto com pouca extracção, elegante, muito fresco e com boa acidez, com taninos polidos e apenas 12,5 graus de alcool. Com corpo médio é certo, mas  muito equilibrado e cheio de sabor, Na linha dos Baga mais prontos a beber, que se deixam beber com prazer. Produzido tal e qual Anita gostava e os antepassados bairradinos produziam - "à moda francesa". Belíssimo. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Em prova: Tiago Cabaço Verdelho 2018

Tiago Cabaço já deixou de ser um valor emergente do Alentejo para se afirmar hoje como um dos nomes mais sólidos e marcantes da nova geração dos produtores alentejanos. Os seus vinhos em nome próprio são assim designados por terem algum um significado especial para o produtor. Nos brancos tinha provado o Encruzado e o Vinhas Velhas, e agora o Tiago Cabaço Verdelho 2018, que o George do restaurante Villamar me serviu para acompanhar os seus petiscos. Um branco redondo, com predominância de notas florais, fresco qb, elegante e delicado, que se portou bem â mesa. Um branco alentejano equilibrado e bastante agradável que combina com comidas mais leves ou consumido por si só. Eu que estou mas numa "onda" de brancos com elevada acidez e "nervo" gostei do equilíbrio e leveza de conjunto. Está porreiro.  PVP: 9,90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Em Prova: Adega Mãe Chardonnay 2018

Pertencente ao grupo Riberalves, Adega Mãe trata-se de um projeto muito interessante, localizado em Torres Vedras, com enologia de Anselmo Mendes e Diogo Lopes. Produz várias referências, entre as quais diversos monocastas, tintos e brancos, procurando tirar partido da influência da proximidade atlântica. O Adega Mãe Chardonnay 2018 é assim um branco com fermentação em barrica ,apresentando leves notas amanteigadas, laivos citrinos e alguma marmelada. Tudo muito suave. Na boca tem bom corpo, é envolvente e cremoso, terminando fresco, harmonioso e apelativo. Um Chardonnay nada pesado, ao contrário de algumas imitações tugas que se veem por aí. Bem desenhado e a um preço porreiro. PVP: 8,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Fora do Baralho: Turra Tinto 2018

Deste projeto novo, localizado em Celorico de Basto , na região dos Vinhos Verdes, com enologia de Constantino Ramos (Anselmo Mendes, Zafirah, Afluente), nascem as marcas Fonte da Cobra (vinhos brancos colheita e Alvarinho) e Turra (tinto). A marca Turra foi a primeira a surgir em homenagem ao animal de estimação que tem acompanhado o projeto desde o início. Entretanto a cadelinha Turra faleceu e os proprietários decidiram doar os valores das garrafas estampando o simbolismo da acção numa raspadinha por cima da letra "A" indicando o valor da doação de forma subtil, homenageando assim a companheira Turra. Gesto bonito, ainda para com a doação ta ser efetuada para a associação Midas, uma associação sem fins lucrativos que alberga e cuida de animais abandonados, sobretudo cães.

Quanto ao vinho Turra Tinto 2018 é de facto fora do baralho. 100% produzido da casta Vinhão é a antítese daquilo que estamos habituados a provar neste tipo de vinho. A começar pela cor muito menos carregada do que o habitual nos verdes tintos, aliás bem discreta até. O nariz apresenta uma fruta fresca bonita, tipo morango ou cereja e apenas com o passar do tempo de copo para copo vai timidamente se aproximando dos aromas típicos da casta, de fruta vermelha mais intensa e próxima do lagar. Mas sem nunca chegar profundamente aos aromas típicos do vinhão. Na boca não esperem aspereza ou dureza, daqueles taninos de "arrancar pelos do peito" e "pintar malgas" dos verdes tintos. Nada disso, são taninos bem redondos, mas firmes e elegantes., numa boca fresca e de final médio. Um vinho sui generis, muito "giro" e de agradável consumo, para a mesa. PVP: 6,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Em Prova: Hugo Mendes Lisboa 2018

Nova edição do vinho Lisboa, do enólogo Hugo Mendes, acabadinha de chegar à minha mesa. Quem me segue nestas lides sabe que acompanho o projeto desde a sua génese, em 2016, com o lançamento do primeiro vinho (que adorei) ao contrário do ano seguinte, a edição de 2017, que não deixando de ser um vinho porreiro, mudou ligeiramente de perfil e apesar de genericamente mais afinado, não foi tanto do meu agrado, considerando-o um pouco mais "doce" e com menos tensão. Ora a terceira edição deste vinho, o Hugo Mendes Lisboa 2018 sofre nova afinação, desta feita, com 70% do lote a sofrer fermentação malolática e com a adição de 10% da uva vital ao lote usual de Fernão Pires - Arinto. O resultado é muito bom, num perfil algures entre a edição de 2016 e 2017.

Um vinho com apenas 11 graus de álcool, mas com estrutura suficiente proveniente da malolática para apresentar bom volume, bem como uma acidez crocante que nos transmite frescura e tensão no palato. Um vinho refrescante, onde a madeira utilizada apenas lhe confere um pouco mais de untuosidade e gordura de boca, sendo bastante versátil à mesa, e que me está a dar muito prazer e voltando a (re)conquistar-me. Provavelmente a melhor edição deste vinho e quiçá, aquela mais próxima do que o enólogo procura fazer nos seus clássicos da Quinta da Murta, em Bucelas. À terceira, foi de vez, ao que parece. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Em Prova: Covela Edição Nacional Avesso 2017

Localizada em Baião, coladinha ao Douro, mas ainda na região dos vinhos verdes, a Quinta da Covela consegue reunir o melhor das duas regiões, produzindo vinhos moldados pelo xisto duriense e pelo granito minhoto. 

Este já clássico Avesso da casa continua com o patamar de qualidade a que nos habituou. Mesmo num ano de 2017 que foi muito quente em Portugal, mantém o seu perfil fresco e cremoso, com apenas 12,5 graus de álcool. Talvez até tenha um pouco mais de corpo, nesta edição. 

Foi a escolha segura e de última hora para o almoço de sábado, quando de repente o telefone toca e a minha irmã tinha uns grelhados preparados para nós. Foi correr ao L.Eclerc (hiper mais próximo) e trazer este vinho (e o gelo para o refrescar) que foi de agrado geral. A mineralidade deste avesso, com alguns toques de fruta branca e a sua elevada frescura casaram perfeitamente à mesa, mostrando que este valor seguro é para se ter sempre à mão. PVP: 7,85€. Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Radar do Vinho: XXVI Talhas (Mestre Daniel)

Mestre Daniel Branco Lote X - O meu preferido
O projeto XXVI Talhas presta homenagem à tradição milenar da produção de vinho de talha, na pacata aldeia de Vila Alva.  XXVI talhas - porque é o número de talhas que existem na adega onde se produz o vinho, com as marcas "Vinho do Tareco" (vinho novo da talha) e Mestre Daniel em homenagem ao carpinteiro que construiu a adega e adquiriu as talhas há mais de 60 anos. O Mestre Daniel produziu nessa adega vinho de talha durante cerca de 30 anos, seguindo a tradição familiar que herdou de seus pais e avós. Após a sua morte seguiram-se ainda alguns anos de produção. Contudo, em 1990, a adega encerrou atividade. Em 2018, após quase trinta anos de interregno, a adega volta a funcionar, retomando a tradição local e familiar de produção de vinho de talha. O projeto é encabeçado hoje pela filha do Mestre Daniel e seus dois netos e ainda o enólogo Ricardo Santos (Malo Tojo), com ligações afetivas ao projeto. Das 26 talhas que dão nome ao projeto, 22 são de barro, algumas datadas do séc. XIX, e 4 são de cimento armado que, apesar de mais recentes (década de 1930), foram fabricadas por “mestres vilalvenses”.

As vinhas têm idades entre 20 a 50 anos e contêm castas do antigamente, que aí perduram. Os solos são pobres, carregados de xisto e saibro e com relevos atípicos para a região. A proximidade da pequena serra do Mendro tem influência na temperatura, o que tudo somado, torna este projeto um pouco fora do baralho para a região, permitindo produzir vinhos com enorme identidade e personalidade.
O Mestre Daniel Branco 2018 é feito de Antão Vaz, Perrum e Roupeiro, fermentado com maceração e contacto com as massas durante três meses em talhas de barro, sem controlo de temperatura e com leveduras indígenas. Resulta do lote de duas talhas, uma com capacidade fermentativa aproximada de 900 litros e outra com capacidade de 800 litros. Apresenta aroma com fruta branca madura e algum herbáceo. A boca tem um toque ceroso e untuoso, apresentando-se algo mineral, seco e muito fresco. De corpo médio e final médio/curto,  termina guloso. De beber e querer repetir. PVP: 15€. Garrafeiras.
O Mestre Daniel Tinto 2018 é feito de Trincadeira , Aragonês e Tinta Grossa. O nariz apresenta uma fruta muito bonita, quase como a lembrar geleia, mas sem qualquer sobrematuração. Antes pelo contrário, é apetecível. A boca apresenta um bom volume, focada na fruta, apesar de alguma rusticidade, o que lhe confere uma certa graça.  Termina-se seco, elegante e muito fresco, para se beber com muito prazer, com os seus moderados 12 graus de álcool. PVP: 15€. Garrafeiras
O Mestre Daniel Branco Lote X 2018 foi o meu preferido dos três vinhos provados. Feito de Diagalves, Manteúdo, Antão Vaz, Perrum e Roupeiro, é o produto da fermentação e estágio sobre borras de uma talha apenas. As uvas provêm da vinha mais velha, com cerca de 50 anos, plantadas num solo de saibro. O resultado é um vinho com muita mineralidade onde a curtimenta de 6 meses na talha lhe confere uma boca com alguma austeridade e um volume que provavelmente não estaríamos à espera encontrar, tratando-se de um branco de talha. Apesar dos seus 11,5 graus de álcool tem largura e uma excelente acidez que lhe confere grande frescura. Um branco com grande nervo e complexidade aromática a mostrar o que o terroir de Vila Alva pode produzir. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes