sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Em Prova: Covela Edição Nacional Avesso 2017

Localizada em Baião, coladinha ao Douro, mas ainda na região dos vinhos verdes, a Quinta da Covela consegue reunir o melhor das duas regiões, produzindo vinhos moldados pelo xisto duriense e pelo granito minhoto. 

Este já clássico Avesso da casa continua com o patamar de qualidade a que nos habituou. Mesmo num ano de 2017 que foi muito quente em Portugal, mantém o seu perfil fresco e cremoso, com apenas 12,5 graus de álcool. Talvez até tenha um pouco mais de corpo, nesta edição. 

Foi a escolha segura e de última hora para o almoço de sábado, quando de repente o telefone toca e a minha irmã tinha uns grelhados preparados para nós. Foi correr ao L.Eclerc (hiper mais próximo) e trazer este vinho (e o gelo para o refrescar) que foi de agrado geral. A mineralidade deste avesso, com alguns toques de fruta branca e a sua elevada frescura casaram perfeitamente à mesa, mostrando que este valor seguro é para se ter sempre à mão. PVP: 7,85€. Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Radar do Vinho: XXVI Talhas (Mestre Daniel)

Mestre Daniel Branco Lote X - O meu preferido
O projeto XXVI Talhas presta homenagem à tradição milenar da produção de vinho de talha, na pacata aldeia de Vila Alva.  XXVI talhas - porque é o número de talhas que existem na adega onde se produz o vinho, com as marcas "Vinho do Tareco" (vinho novo da talha) e Mestre Daniel em homenagem ao carpinteiro que construiu a adega e adquiriu as talhas há mais de 60 anos. O Mestre Daniel produziu nessa adega vinho de talha durante cerca de 30 anos, seguindo a tradição familiar que herdou de seus pais e avós. Após a sua morte seguiram-se ainda alguns anos de produção. Contudo, em 1990, a adega encerrou atividade. Em 2018, após quase trinta anos de interregno, a adega volta a funcionar, retomando a tradição local e familiar de produção de vinho de talha. O projeto é encabeçado hoje pela filha do Mestre Daniel e seus dois netos e ainda o enólogo Ricardo Santos (Malo Tojo), com ligações afetivas ao projeto. Das 26 talhas que dão nome ao projeto, 22 são de barro, algumas datadas do séc. XIX, e 4 são de cimento armado que, apesar de mais recentes (década de 1930), foram fabricadas por “mestres vilalvenses”.

As vinhas têm idades entre 20 a 50 anos e contêm castas do antigamente, que aí perduram. Os solos são pobres, carregados de xisto e saibro e com relevos atípicos para a região. A proximidade da pequena serra do Mendro tem influência na temperatura, o que tudo somado, torna este projeto um pouco fora do baralho para a região, permitindo produzir vinhos com enorme identidade e personalidade.
O Mestre Daniel Branco 2018 é feito de Antão Vaz, Perrum e Roupeiro, fermentado com maceração e contacto com as massas durante três meses em talhas de barro, sem controlo de temperatura e com leveduras indígenas. Resulta do lote de duas talhas, uma com capacidade fermentativa aproximada de 900 litros e outra com capacidade de 800 litros. Apresenta aroma com fruta branca madura e algum herbáceo. A boca tem um toque ceroso e untuoso, apresentando-se algo mineral, seco e muito fresco. De corpo médio e final médio/curto,  termina guloso. De beber e querer repetir. PVP: 15€. Garrafeiras.
O Mestre Daniel Tinto 2018 é feito de Trincadeira , Aragonês e Tinta Grossa. O nariz apresenta uma fruta muito bonita, quase como a lembrar geleia, mas sem qualquer sobrematuração. Antes pelo contrário, é apetecível. A boca apresenta um bom volume, focada na fruta, apesar de alguma rusticidade, o que lhe confere uma certa graça.  Termina-se seco, elegante e muito fresco, para se beber com muito prazer, com os seus moderados 12 graus de álcool. PVP: 15€. Garrafeiras
O Mestre Daniel Branco Lote X 2018 foi o meu preferido dos três vinhos provados. Feito de Diagalves, Manteúdo, Antão Vaz, Perrum e Roupeiro, é o produto da fermentação e estágio sobre borras de uma talha apenas. As uvas provêm da vinha mais velha, com cerca de 50 anos, plantadas num solo de saibro. O resultado é um vinho com muita mineralidade onde a curtimenta de 6 meses na talha lhe confere uma boca com alguma austeridade e um volume que provavelmente não estaríamos à espera encontrar, tratando-se de um branco de talha. Apesar dos seus 11,5 graus de álcool tem largura e uma excelente acidez que lhe confere grande frescura. Um branco com grande nervo e complexidade aromática a mostrar o que o terroir de Vila Alva pode produzir. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Em Prova: Pacheca Grande Reserva Branco 2017

Num jantar recente em Lisboa tive o privilégio de provar este vinho, trazido por um dos comensais. 

Trata-se do vinho branco topo de gama do produtor duriense Quinta da Pacheca, Pacheca Grande Reserva Branco 2017, produzido de Viosinho e Rabigato a 350 metros de altitude, de uma vinha com quase 60 anos.

Fermenta em barricas novas de carvalho francês e estagia sobre borras finas por 12 meses.

Nariz complexo, com madeira de enorme qualidade, ainda assim discreta, apesar de se notar nesta fase. Notas citrinas muito giras a acompanhar e leve especiaria. Boca untuosa, mas com frescura para lhe conferir uma leveza de conjunto muito interessante. Termina atrativo e longo, mas a precisar de tempo de garrafa. A acompanhar a sua evolução nos próximos anos.

Ao beber este vinho, surgiu de imediato à memória, outros brancos Durienses, do mesmo estilo, provados recentemente, como o Quinta da Sequeira Grande Reserva, Extrema Edição I ou o Soulmate, por exemplo. Vinhos onde a madeira está em primeiro plano, mas de alguma forma discreta, num estilo untuoso e apelativo que tem os seus adeptos. Eu procuro por este preço mais nervo e tensão, mas admito que estamos na presença de um belíssimo vinho, neste registo. PVP: 30€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Em Prova: Rosa da Mata Alfrocheiro 2017

Segunda edição do vinho que é o projeto pessoal da enóloga Patrícia Santos, que colabora com Anselmo Mendes nos projetos dois.ponto.cinco (Beira Interior) e Quinta da Silvares (Dão). Trata-se do Rosa da Mata 2017, um vinho tinto, do Dão, feito 100% de Alfrocheiro. Quem figura no rótulo é a sua avó Rosa, em seu tempo de vida conhecida como Rosa da Mata, por na mata ter a sua casa e lá cuidar da sua neta, "uma criança irrequieta que aí se ligou à terra e às árvores".

É um vinho claramente de vigneron, sem artifícios de qualquer espécie, aparecendo na edição de 2017 com um nariz complexo e muito apelativo, com notas abundantes de mata, pinho e eucalipto, tão típicas do Dão, apoiadas por uma fruta vermelha fresca muito bonita e delicada- A boca é toda ela fresca, com taninos macios, mas presentes e um bom volume e acidez. Cheira e sabe mesmo a vinho !, sem cacaus e baunilhas e outros aromas que tantas vezes nada fazem lembrar vinho. Sempre com elegância e leveza - mas corpo, termina persistente e com uma certa rusticidade que lhe confere um carácter muito próprio. Gostei muito É gastronómico e muito versátil à mesa, tendo acompanhado ao almoço um bacalhau confitado e ao jantar uns filetes de polvo. Muito bem. Uma justa e certeira homenagem à avó Rosa da Mata. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Em Prova: Casa da Passarela 'O Enólogo' Encruzado 2017

A Casa da Passarella é uma propriedade histórica da região do Dão, cuja origem remonta ao final do século XIX. São 100 hectares, dos quais 45 hectares são de vinha, localizados na frescura do sopé da Serra da Estrela. Após muitos anos de estagnação, em 2008 assiste-se ao renascer do projeto com a entrada de novos proprietários e do enólogo Paulo Nunes, primeiro como enólogo consultor, depois como residente (a partir de 2012). 

O Casa da Passarella 'O Enólogo' 2017 é um vinho branco feito da casta rainha da região, o Encruzado. Trata-se provavelmente de um dos melhores brancos na faixa de preço até 15€. O nariz pauta-se por contenção, com notas citrinas delicadas e muita mineralidade. Na boca é muito fresco, sentindo-se ainda mais essa mineralidade, amparada por um lado herbáceo que lhe confere um caráter muito interessante. A boca tem volume e ligeira untuosidade dada pela passagem em madeira usada, impercetível. Termina longo, tenso e seco, com uma acidez claramente a pedir comida. Belo branco. PVP: 12,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 3 de agosto de 2019

Em Prova: Tretas Tinto 2018

Mais um tinto com pouco alcool perfeito para ser degustado este Verão. Trata-se do novo vinho de João Tavares de Pina, o Tretas Tinto 2018. O rótulo é giríssimo, como podemos constatar pela foto acima. O vinho é feito de 70% Jaen e 30% Touriga Nacional, de vinhas jovens e foi provado pela primeira vez no simplesmente... Vinho! Segundo o produtor o nome advém de se tratar de um vinho "produzido sem tretas", ou seja, tudo o mais natural possível - fermentação espontânea, cuba fechada com remontagem, estagio sobre borras 6 meses, sulfuroso ao engarrafamento.

O resultado: um vinho com um lado vegetal e de fruta bem bonita, amparado por uma boa acidez que o torna muito fresco e perfeito para a mesa. Muito equilibrado, de corpo médio e seco como deve ser, para se beber despreocupadamente com os seus moderados 12 graus de álcool. Bem porreiro! PVP: 8,75€. Disponibilidade: Goliardos

Sérgio Lopes

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Em Prova: Fonte da Cobra Alvarinho 2018

Fonte da Cobra é o um projeto novo, localizado em Celorico de Basto , na região dos Vinhos Verdes, com enologia de Constantino Ramos (Anselmo Mendes, Zafirah, Afluente). Trata-se de um projeto familiar que dispõe de 11 hectares de vinha de Azal, Arinto, Loureiro, Alvarinho, Fernão Pires e Vinhão, vinha essa a uma altitude média de 500 metros.

O Fonte da Cobra Alvarinho 2018 é da vinha 100% Alvarinho que se encontra na cota mais alta. As uvas foram fermentadas a uma temperatura mais baixa e estagiaram sobre as borras finas durante 4 meses com battonage regular. O resultado é um vinho que no primeiro impacto se mostrou super tropical, fruto da sua juventude. Carregado de maracujá, mas sempre com um pendor mineral lá no fundo. À medida que foi abrindo foi acalmando a tropicalidade - mais citrina e sobressaindo a grande mineralidade. Na boca apresenta um bom volume, profundidade e alguma untuosidade, fruto da battonage, terminando super fresco e com uma acidez que seca totalmente a boca, como é apanágio dos vinhos feitos por Constantino Ramos. Um excelente exemplar da casta Alvarinho e sua plasticidade, no terroir da sub-região de Basto. Vai crescer em garrafa. PVP: 7€ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Em Prova: Zafirah Tinto 2018

Terceira edição de Zafirah, o vinho de Constantino Ramos, enólogo de Anselmo Mendes. Trata-se de um "verde tinto", produzido das castas típicas tintas da região de Monção, com predominância de Alvarelhão, secundado por Borraçal, Pedral e apenas um pouco de Vinhão. provenientes de uma vinha com mais de 70 anos ainda com sistema de condução em latada procurando imitar esses vinhos, que há época eram comparados aos Borgonha. 

Depois de um primeiro ano - 2016, disruptivo e de um segundo ano - 2017, mais polido, surge agora na terceira edição, num perfil intermédio entre as edições de 2016 e 2017, mostrando-se muito equilibrado e guloso. Talvez com uma acidez mais próxima do 2016, de que tanto gostei. O resultado, um tinto super fresco, com uma concentração de fruta fresca balanceada na medida certa, uma belíssima acidez e uma atracção no copo tão grande, que corremos o risco de a garrafa acabar num ápice. Pouco álcool e muito sabor num tinto da região dos vinhos verdes que é obrigatório conhecer. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Radar do Vinho: Quinta Seara d'Ordens

A Quinta Seara d’Ordens existe desde finais do século XVIII e está situada no coração do Douro a 9 kms de Peso da Régua. A partir dos anos 60, João Leite Moreira, proprietário da Quinta, iniciou uma forte dinâmica de modernização que viria a ser concluída anos mais tarde pelos seus três filhos: António, José e Fernando. Em 1988, os três irmãos, incentivados pelo seu pai, formaram a Sociedade Agrícola Quinta Seara d’Ordens, abraçando todo o projeto. Quatro anos mais tarde, deram início à comercialização de vinhos com marca própria (1992).

O nome provém do facto do filho do fundador ter sido militar e quando os soldados visitavam a Quinta era para "receber ordens do comandante", daí ter ficado o nome "Quinta Seara D'Ordens". Atualmente, com 60ha de área e uma tradição vitivinícola centenária, são produzidos vinhos Doc Douro sob as marcas Carqueijal (entrada de gama) e Quinta Seara D'Ordens, para além de Vinho do Porto de elevada qualidade e de todos os tipos - Tawnies/Rubys, Reserva, Colheitas, LBV e Vintage, também sob a marca Quinta Seara D'ordens, que vale bem a pena provar. Tivemos a oportunidade de provar à mesa, alguns vinhos Doc Douro, de entre as várias referências da casa, comprovando o perfil clássico duriense patente nos mesmos, mantendo sempre o selo de qualidade.
O Quinta Seara d'Ordens Reserva Branco 2016 (7,5€) feito de Malvasia Fina, Rabigato, Fernão Pires e Viosinho, fermenta em barricas de carvalho francês durante 6 meses. É um branco untuoso qb e bastante equilibrado, mas sem grandes ponto de destaque. Já o Quinta Seara d'Ordens Reserva Tinto 2016 feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca apresenta um equilíbrio notável, entre fruta, taninos macios e madeira bem integrada. De corpo médio, boa acidez e um final eminentemente gastronómico, mostra claramente que estamos na presença de um Douro Clássico, que dá muito prazer à mesa. E com um preço fantástico (7,5€).

O Quinta Seara d'Ordens Vinhas Velhas 2015 (22€) é feito das mesmas castas que o reserva mas passa mais tempo em madeira. É um vinho poderoso, de recorte clássico, bastante complexo de aroma, com a fruta vermelha e preta em primeiro plano, especiarias e alguma madeira ainda em integração. Na boca é volumoso, com taninos firmes e final longo. Nunca cai no entanto em sobrematurações, o que é ótimo. A precisar de tempo em garrafa, mas com um elevado potencial de guarda.. 
Recentemente começaram a explorar vinifcar em separado as 3 castas rainhas do Douro - Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, lançando assim vinhos monocastas para o mercado, com produções a rondar as 2000 garrafas por referência, para tentar mostrar o perfil de cada uma e quiçá demonstrar-nos também o que poderão aportar individualmente quando em lote.

O Quinta Seara d'Ordens Touriga Nacional 2017 (18€) é um vinho leve, elegante e que procura mostrar o lado mais puro e floral da casta. É um vinho muito fácil de beber, fresco, de corpo manos volumoso do que se espera de um Douro, mas carregado de sabor. Sem qualquer exagero aromático e com muita frescura.Gostei particularmente deste vinho. O Quinta Seara d'Ordens Tinta Roriz 2016 (18€) está mais próximo do Vinhas Velhas, mas sendo menos opulente e poderoso. Tem contudo a marca duriense da fruta tão característica do terroir e da casta em particular, bem como um lado vinoso muito interessante. Os taninos são firmes mas civillzados e nunca se apresenta sobremaduro. Termina muito fresco e mais uma vez a pedir comida.

Falta ainda falar sobre o topo de gama Quinta Seara d'Ordens TalentVs Grande Escolha 2015, mas isso fiacrá para outro post...

Sérgio Lopes

terça-feira, 23 de julho de 2019

Em Prova: Quinta Vale D'Aldeia Espumante Bruto 2015

O Quinta Vale D'Aldeia Espumante Bruto 2015 é feito de 50% Viosinho e 50% Rabigato, de vinhas plantadas a 550 metros de altitude. Com fermentação efetuada parcialmente em barricas de carvalho francês, estagia sobre borra fina durante 6 meses, com batônnage periódica, ocorrendo a segunda fermentação em garrafa pelo método clássico.

Trata-se de um espumante muito equilibrado, com alguma fruta e biscoito presentes no nariz. Na boca a bolha é fina e com uma mousse agradável. Termina fresco, com boa acidez e com uma leve sensação de doçura que o torna versátil de principio ao fim da refeição, inclusive quiçá acompanhando sobremesas. Um espumante do Douro Superior bastante competente. PVP: 14,50€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes




sábado, 20 de julho de 2019

Em Prova: São João Espumante Bruto Reserva 2016

Depois de muito pensar num espumante para celebrar o batizado do meu filho, acabei por selecionar este bairradino São João Espumante Bruto Reserva 2016. Precisava de um espumante que fosse complexo o suficiente, sem ser em demasia, para poder agradar a enófilos e a bebedores tradicionais, deste tipo de cerimónias. E foi isso mesmo conseguido. Um espumante constituído pelas castas Bical (35%), Chardonnay (20%), Arinto (10%) e Maria Gomes (35%), com 20 meses de estágio em garrafa, sobre borras. O resultado é um espumante muito equilibrado, com um ataque super fresco e alguma complexidade, com ligeira tosta, muita fruta citrina e algum leve floral. Mousse boa, bolha porreira, acidez no ponto, boa estrutura e final super fresco e crocante. Por pouco menos que 6€ estamos na presença de uma extraordinária escolha a um preço de arromba. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Em Prova: 3 Tintos da Quinta Vale D'Aldeia

A Quinta Vale D’Aldeia tem cerca de 200 hectares – sendo 120ha de vinha, 40ha de olival e 10ha de amendoal, na freguesia de Longroiva, na Meda, e a produção atual ronda os 700 a 800 mil litros. O projeto, que tem hoje 21 colaboradores, nasce em 2004 quando os irmãos José e João Amado, apaixonados pela agricultura e com vontade de investirem na sua terra, decidem comprar um hectare de terreno com vinha. A partir daí entusiasmaram-se, foram comprando mais terrenos à volta e investindo na plantação de vinha, olival e amendoal. Em 2009, apostaram na construção de uma moderna adega, com capacidade para cerca de um milhão de litros. O portfolio é vasto e assenta na premissa de vinhos de qualidade, provenientes de um Douro Superior, de vinhas de altitude.

Provamos à mesa 3 vinhos tintos deste produtor (há mais referências) que espelham o perfil do nível de preço e consequente posicionamento de cada um, de forma muito competente. O Infiel 2015 é produzido 100% de Touriga Nacional e trata-se de um vinho muito equilibrado nas componentes fruta - madeira - acidez, de taninos suaves, em harmonia de conjunto. Bastante apelativo e ótimo para o dia-a-dia (6€). O Xaino Selection 2015 produzido com um blend Touriga Nacional - Touriga Franca e com maior passagem por madeira já é mais complexo, com mais corpo, mas mantendo a matriz de equilíbrio, e a frescura, sobretudo sem sobre maturações. Excelente para a mesa e resultando numa boa escolha quando procuramos um vinho a rondar os 10€. 
O grande ex-libris da casa é talvez o Quinta Vale D'Aldeia Grande Reserva Tinto 2014, que recentemente foi agraciado com o prémio Revelação Portugal no Concours Mondial de Bruxelles de 2019, sendo inclusive considerado o melhor vinho português, no conjunto dos vinhos distinguidos com a Grande Medalha de Ouro. Feito de 55% Touriga Franca, 30% Touriga Nacional, 5% Tinta Roriz, 5% Sousão e 5% Tinta Amarela, tem passagem por madeira nova por 18 meses. Trata-se de um vinho de grande potência e complexidade. Os seus 15 graus de alcool obrigam a uma temperatura de serviço acertada e a decantação é obrigatória. Foi um vinho que provado à mesa foi abrindo lentamente e apenas no dia seguinte estava mais equilibrado e a dar tudo o que se esperava dele. Um vinho super complexo, mas que com toda essa potência e algum pendor alcoólico necessita de tempo e algum cuidado, também no pairing certo à mesa. Contudo, não apresenta sobrematuração e tem a elegância e frescura suficientes para se manter equilibrado. Belíssimo vinho para quem aprecia este estilo mais opulento. PVP: 30€. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Em Prova: 1000 Curvas Chardonnay Alvarinho 2016

1000 Curvas é um projeto familiar, localizado em Baião. Nasce da vontade de fazer vinho branco invulgar na região dos vinhos verdes, através da utilização do blend Chardonnay / Alvarinho, em vinhas plantadas a mais de 250 metros de altitude, numa região de transição mesmo na fronteira entre a região demarcada do Douro e a região dos vinhos verdes, rica em solo granítico, aproveitando assim o melhor destes dois mundos: o solo granítico típico da região dos verdes e a influência do rio Douro ali mesmo a 2 km. 

O resultado é um vinho de facto invulgar para a região. No nariz, demorou a abrir, mas quando ocorreu mostrou a sua complexidade, com fruta citrina e de pomar (ameixa) muito bonita, notas vegetais e muita mineralidade. A boca é carregada de mineralidade o que lhe confere uma frescura imensa. Austero até, mas muito gastronómico. Fresco e de corpo médio, termina com um amargor do lado vegetal que pede comida. Um vinho diferente, irreverente e que precisa de tempo. Aposto que em novo estava bem difícil de provar! PVP: 10€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Em Prova: Quinta da Vegia Solo Franco Tinto 2015

A Quinta da Vegia situa-se no Dão e juntamente com a Quinta de San Joanne, esta última localizada em Amarante, constituem a Casa de Cello, de João Pedro Araújo. No Dão, João Pedro priveligia também a tradição e o terroir, criando vinhos de recorte mais clássico. Este vinho, o Quinta da Vegia Solo Franco Tinto 2015 prima pela simplicidade, mas uma simplicidade que não é simplória. "Solo Franco" pois pretende ser um vinho direto ao solo, franco, honesto e respeitador do terroir a que pertence. Feito de Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Amarela, não vai a madeira. O resultado é um vinho muito agradável, com fruta fresca e um lado vegetal, tudo num registo de juventude que é o seu propósito. De corpo médio e taninos macios, termina com uma belíssima acidez. Apesar dos seus 14,5º de alcool, essa acidez mantém o vinho muito fresco e equilibrado, sendo perfeito para acompanhar a nossa gastronomia portuguesa. Eu bebi-o com umas bochechas de porco estufadas e ligou lindamente. PVP: 7€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Em Prova: Afluente Alvarinho 2017

Depois do Zafirah, um tinto da região dos vinhos verdes, temos finalmente o lançamento do branco feito de Alvarinho por Constantino Ramos. Chama-se Afluente e as uvas de alvarinho são provenientes de uma vinha em Monção plantada a cerca de 250 metros, da colheita de 2017, fermentadas em barrica usada e estagiadas nas mesmas barricas durante 9 meses, ao qual se seguiu mais 9 meses de estágio em garrafa. O homem que assina os vinhos de Alvarinho de Anselmo Mendes (Parcela Única, Expressões, Curtimenta, Muros de Melgaço) e colabora em alguns projetos muito interessantes na região, só podia fazer um grande vinho da casta Alvarinho. 

O resultado é um vinho de aroma extremamente contido, mas muito complexo, com notas citrinas muito bonitas, conjugadas com mineralidade e muita profundidade. Mesmo aberto no dia anterior, foi-se mostrando muito lentamente ao almoço, abrindo para o jantar (onde já havia muito pouco). Na boca confirma esse lado citrino, impressionando pela acidez acutilante e vibrante que saliva completamente na boca. A madeira está perfeitamente integrada - impercetível quase, conferindo apenas o volume e untuosidade pretendidas para lhe conferir a textura necessária. De corpo médio, com toque salino e muita, muita frescura, termina longo. Um crime bebê-lo tão novo pois precisa de tempo de garrafa para se desprender e mostrar todo o seu potencial. Grande estreia! PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 2 de julho de 2019

Em Prova: Casa Santa Eulália Superior Alvarinho 2018 e Avesso 2018

A região dos vinhos verdes cada vez se posiciona mais na linha da frente no que concerne à qualidade e frescura dos seus vinhos, independente da sub-região de onde os mesmos provêm. A Casa Santa Eulália, fundada no séc. XVII, situa-se em Atei, no Concelho de Mondim de Basto, constituída por 38 hectares de vinha, de solos graníticos, entretanto recuperada. Produz as marcas Plainas e Casa de Santa Eulália, esta última com brancos monocasta (Alvarinho, Avesso e Sauvignon Blanc).

Tanto o Alvarinho como o Avesso, ambos de 2018, que tivemos oportunidade de provar são muito frescos e cheios de tensão, devido sobretudo à região e aos solos graníticos. O Casa de Santa Eulália Superior Alvarinho apresenta um lado citrino muito bonito, delicado, quase a fazer lembrar laranja pouco madura ou tangerina e uma boca deliciosamente fresca, elegante e crocante. Gostei muito pois apresenta o lado citrino da casta que se encontra em Monção & Melgaço, mas aqui digamos que um citrino diferente, mais para o lado da tangerina. Depois é muitíssimo equilibrado e dá muito prazer a beber. Boa. O Casa de Santa Eulália Superior Avesso é mais austero, tem também um lado limonado e citrino, mas mais de lima e toranja. È mais ácido e por isso menos direto que o alvarinho. Mais difícil na prova, pelo menos nesta fase. Um avesso a mostrar como a casta pode aportar vinhos cheios de tensão e carácter, a necessitar de tempo em garrafa para acalmar a sua acidez demasiado vibrante agora. Dois belíssimos vinhos para o Verão, curiosamente bebidos nas minhas férias, no inicio e final das mesmas, respetivamente. Enologia por Anselmo Mendes, who else? PVP:8€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Radar do Vinho: Quinta da Extrema (Colinas do Douro)

O projeto intitula-se Colinas do Douro contemplando quase 500 hectares na sub-região do Douro Superior, 106 dos quais são de vinha, em colinas e socalcos situados na transição dos granitos da Beira Alta para os solos de xisto do Douro, a 650 metros de altitude. É um projeto recente, resultado do investimento do empresário angolano Kelson Giovetti, nascido apenas em 2010, com o inicio da plantação das vinhas, com uvas distribuídas em 90 hectares de tinto com a maioria a ser de Touriga Nacional - cerca de 33hectares , seguido de Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Roriz, Tinta Francisca , Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon ,e Syrah. De branco são 15 hectares, com Gouveio, Viosinho, Rabigato, Encruzado, Alvarinho e Chenin Blanc. Um investimento assinalável que inclui, ainda, a construção de uma adega, dos arquitetos Souto de Moura e Ricardo Rosa Santos, a ser inaugurada no final deste ano.

A vinha situa-se, portanto, em solos de transição entre a Beira Interior e o Douro, tendo por isso solos graníticos e Xisto na sua constituição. A cota varia entre 650mts e os 450mts , imprimindo uma frescura e mineralidade que caracterizam os seus vinhos. O projeto contempla as marcas Colinas do Douro e Quinta da Extrema, esta última, a marca de topo do projeto. A enologia encontra-se a cargo de Rui Lopes (Somnium) e Jorge Granate Santos (Casal Santa Maria), que juntos são também os autores do seu projeto pessoal Lés-a-Lés, que interessa descobrir.

O Quinta da Extrema Reserva Tinto é um vinho com uma enorme frescura, com uma fruta vermelha muito bonita e que apetece beber copo atrás de copo. muito elegante e sem uma ponta de extração, com a madeira muito bem integrada. muito equilibrado e prazeroso. O Quinta da Extrema Reserva Branco é de pendor mineral e citrino, mais para o lado do limão, com a madeira bem integrada a conferir-lhe apenas a untuosidade e volume qb, num conjunto onde tal como o tinto, impera o equilíbrio. Ambos com o PVP recomendado de 12,5€.
O Quinta da Extrema Tinto - Edição I é feito de Touriga Nacional (40%) e Touriga Franca (60%), com estágio de 24 meses em barrica de carvalho francês (12 meses em barrica usada de segundo ano e mais 12 meses em barrica nova). Trata-se de um vinho super complexo, com um nariz muito profundo e fresco. Ao primeiro impacto surgem fruta negra, especiarias e algum vegetal. A boca apresenta taninos redondos mas firmes, mostrando-se com grande volume e um lado aveludado simplesmente delicioso. Termina longo, apelativo e muito fino, apesar dos 14,5º de álcool, com grande frescura. Adorei. Finalmente, o Quinta da Extrema Branco - Edição I é feito de Rabigato (60%) e Encruzado (40%), com passagem por madeira nova por 12 meses. No nariz, temos de novo um aroma muito complexo, agora mais contido, com notas de barrica de enorme qualidade, e alguma fruta verde. A boca é untuosa, com excelente volume, notas minerais e um conjunto texturado, com uma acidez bem vibrante e fina . Termina longo. Vai crescer em garrafa, mas é já um belo branco para quem gosta deste estilo. PVP de ambos: 39€

Um projeto cujo primeiro ano se traduz em vinhos de extrema qualidade. Ficamos a aguardar pacientemente as novidades que aí vêm, sobretudo as Edição II, da Quinta da Extrema!

Sérgio Lopes

terça-feira, 25 de junho de 2019

Em Prova: Sem Igual Ramadas Wood e Metal 2017

Sem Igual é já uma marca implantada nos vinhos verdes, apesar de ser um projecto muito recente. A génese do mesmo tem por base o grande desafio de mostrar a versatilidade de castas autóctones da região dos Vinhos Verdes (Amarante), tentando sempre contornar o preconceito de vinho barato. Assim com as castas Arinto (Pedernã, como é chamado na região) e Azal, surge o Sem Igual 2012, com apenas 600 garrafas produzidas, que se tornou de imediato uma referência de nicho em restauração e garrafeiras de referência na cidade do Porto. O "segredo" está no Arinto a contribuir com o corpo e estrutura, e o Azal com a elegância e o nervo. 

Em 2017 decidem explorar o património das suas vinhas em ramada, nascendo assim as referencias Sem Igual Ramadas Wood 2017 e Sem Igual Ramadas Metal 2017, ambas provenientes das vinhas velhas (com cerca de 50-60 anos) com uma forma de condução em ramadas, que se caracterizam pela sua estrutura aérea com postes em granito e bancas em madeira. Este sistema de condução era utilizado antigamente, por toda a região, na bordadura dos campos de milho, para vinho de consumo próprio dos pequenos produtores/lavradores. Como tal, é um sistema muito sombrio e húmido, onde dificulta a maturação das uvas. E antigamente, quando colhidas cedo, ainda estavam "verdes", daí o nome vinho verde.
Em 2017, um ano extremamente quente e seco, especialmente, nos meses de Julho, Agosto e Setembro foi assim possivel fazer vinhos equilibrados com as uvas vindas das ramadas e colhe-las com a maturação mais correta possível. Nascem assim dois grandes vinhos para enriquecer o portfolio Sem Igual, mantendo a matriz Arinto / Azal na sua composição. O Metal, como o próprio nome indica, não passa por madeira e eleva a outro nivel o nervo e tensão que o seu irmão Sem Igual normalmente apresenta. Um vinho com uma boca super fresca, com uma enorme acidez e crocância. Super longo. Adoro. O Wood é o primeiro vinho de Camizão a passar por madeira. A madeira, que se encontra bem integrada no conjunto, aporta ao vinho maior volume de boca, grande untuosidade e gordura, mantendo contudo a frescura e tensão caracteristica do projecto, mas aportando uma maior complexidade. São dois grandes vinhos, que vão crescer muito em garrafa. Produções muito reduzidas que rondam os 25€ PVP e que estão disponiveis apenas em garrafeiras seleccionadas.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Novidade: Quinta do Cardo Rosé 2018

Novidade absoluta o Quinta do Cardo Rosé 2018, feito 100% de Touriga Franca, que chega agora às nossas mesas. Mesas, sim, pois na minha opinião é um rosé para a mesa. Com o equilíbrio característico, que o enólogo Luís Leocádio coloca nos vinhos que faz, temos aqui um rosé que no aroma cheira mesmo ao que é´(até me podiam vendar os olhos), apresentando notas de framboesa e florais a pétalas de rosa. A boca é super fresca e mineral, com um equilíbrio entre a sensação de doçura apresentada no nariz, que é compensada por uma acidez vibrante que torna o vinho super seco e gastronómico, sem deixar de ser apelativo, a pedir um peixinho, umas entradas ou até uma carne branca. Termina de média intensidade e com muito sabor. Acompanhou um sushi brilhantemente. Mais uma adição que se saúda ao portfolio, já de si excelente da Quinta do Cardo. Se tiverem oportunidade provem também o Rosé topo de gama da casa feito da casta Caladoc, provado AQUI. PVP: 6,99€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Em Prova: Marquês de Marialva Reserva Branco Bical 2017

A Adega de Cantanhede tem evoluído de forma significativa, com o aparecimento de novos vinhos, todos eles com muita qualidade e excelente relação qualidade de preço, sob a batuta do conceituado enólogo Osvaldo Amado. Assim, a referência Marquês de Marialva Reserva Branco, cujo Arinto é excelente e provado aqui, ganhou agora um "irmão" desta feita o Bical. O conceito é o mesmo - ligeira passagem por madeira para o arredondar e dar-lhe mais complexidade. O resultado, um conjunto equilibrado, fino, com notas florais e algum cereal. Madeira bem integrada, com uma boca untuosa e que preenche o palato, com final muito apetecivel. O bical resulta mais em untuosidade e um pouco mais sério que o arinto, que tem mais tensão e crocância. Estilos diferentes, 2 vinhos com muito sabor, a um preço porreiro. PVP: 6,99€. Disponibilidade: Loja da Rota da Bairada, uma vez que grande parte do vinho segue para a exportação.

Sérgio Lopes