sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Em Prova: Pacheca Grande Reserva Branco 2017

Num jantar recente em Lisboa tive o privilégio de provar este vinho, trazido por um dos comensais. 

Trata-se do vinho branco topo de gama do produtor duriense Quinta da Pacheca, Pacheca Grande Reserva Branco 2017, produzido de Viosinho e Rabigato a 350 metros de altitude, de uma vinha com quase 60 anos.

Fermenta em barricas novas de carvalho francês e estagia sobre borras finas por 12 meses.

Nariz complexo, com madeira de enorme qualidade, ainda assim discreta, apesar de se notar nesta fase. Notas citrinas muito giras a acompanhar e leve especiaria. Boca untuosa, mas com frescura para lhe conferir uma leveza de conjunto muito interessante. Termina atrativo e longo, mas a precisar de tempo de garrafa. A acompanhar a sua evolução nos próximos anos.

Ao beber este vinho, surgiu de imediato à memória, outros brancos Durienses, do mesmo estilo, provados recentemente, como o Quinta da Sequeira Grande Reserva, Extrema Edição I ou o Soulmate, por exemplo. Vinhos onde a madeira está em primeiro plano, mas de alguma forma discreta, num estilo untuoso e apelativo que tem os seus adeptos. Eu procuro por este preço mais nervo e tensão, mas admito que estamos na presença de um belíssimo vinho, neste registo. PVP: 30€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Em Prova: Rosa da Mata Alfrocheiro 2017

Segunda edição do vinho que é o projeto pessoal da enóloga Patrícia Santos, que colabora com Anselmo Mendes nos projetos dois.ponto.cinco (Beira Interior) e Quinta da Silvares (Dão). Trata-se do Rosa da Mata 2017, um vinho tinto, do Dão, feito 100% de Alfrocheiro. Quem figura no rótulo é a sua avó Rosa, em seu tempo de vida conhecida como Rosa da Mata, por na mata ter a sua casa e lá cuidar da sua neta, "uma criança irrequieta que aí se ligou à terra e às árvores".

É um vinho claramente de vigneron, sem artifícios de qualquer espécie, aparecendo na edição de 2017 com um nariz complexo e muito apelativo, com notas abundantes de mata, pinho e eucalipto, tão típicas do Dão, apoiadas por uma fruta vermelha fresca muito bonita e delicada- A boca é toda ela fresca, com taninos macios, mas presentes e um bom volume e acidez. Cheira e sabe mesmo a vinho !, sem cacaus e baunilhas e outros aromas que tantas vezes nada fazem lembrar vinho. Sempre com elegância e leveza - mas corpo, termina persistente e com uma certa rusticidade que lhe confere um carácter muito próprio. Gostei muito É gastronómico e muito versátil à mesa, tendo acompanhado ao almoço um bacalhau confitado e ao jantar uns filetes de polvo. Muito bem. Uma justa e certeira homenagem à avó Rosa da Mata. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Em Prova: Casa da Passarela 'O Enólogo' Encruzado 2017

A Casa da Passarella é uma propriedade histórica da região do Dão, cuja origem remonta ao final do século XIX. São 100 hectares, dos quais 45 hectares são de vinha, localizados na frescura do sopé da Serra da Estrela. Após muitos anos de estagnação, em 2008 assiste-se ao renascer do projeto com a entrada de novos proprietários e do enólogo Paulo Nunes, primeiro como enólogo consultor, depois como residente (a partir de 2012). 

O Casa da Passarella 'O Enólogo' 2017 é um vinho branco feito da casta rainha da região, o Encruzado. Trata-se provavelmente de um dos melhores brancos na faixa de preço até 15€. O nariz pauta-se por contenção, com notas citrinas delicadas e muita mineralidade. Na boca é muito fresco, sentindo-se ainda mais essa mineralidade, amparada por um lado herbáceo que lhe confere um caráter muito interessante. A boca tem volume e ligeira untuosidade dada pela passagem em madeira usada, impercetível. Termina longo, tenso e seco, com uma acidez claramente a pedir comida. Belo branco. PVP: 12,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 3 de agosto de 2019

Em Prova: Tretas Tinto 2018

Mais um tinto com pouco alcool perfeito para ser degustado este Verão. Trata-se do novo vinho de João Tavares de Pina, o Tretas Tinto 2018. O rótulo é giríssimo, como podemos constatar pela foto acima. O vinho é feito de 70% Jaen e 30% Touriga Nacional, de vinhas jovens e foi provado pela primeira vez no simplesmente... Vinho! Segundo o produtor o nome advém de se tratar de um vinho "produzido sem tretas", ou seja, tudo o mais natural possível - fermentação espontânea, cuba fechada com remontagem, estagio sobre borras 6 meses, sulfuroso ao engarrafamento.

O resultado: um vinho com um lado vegetal e de fruta bem bonita, amparado por uma boa acidez que o torna muito fresco e perfeito para a mesa. Muito equilibrado, de corpo médio e seco como deve ser, para se beber despreocupadamente com os seus moderados 12 graus de álcool. Bem porreiro! PVP: 8,75€. Disponibilidade: Goliardos

Sérgio Lopes

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Em Prova: Fonte da Cobra Alvarinho 2018

Fonte da Cobra é o um projeto novo, localizado em Celorico de Basto , na região dos Vinhos Verdes, com enologia de Constantino Ramos (Anselmo Mendes, Zafirah, Afluente). Trata-se de um projeto familiar que dispõe de 11 hectares de vinha de Azal, Arinto, Loureiro, Alvarinho, Fernão Pires e Vinhão, vinha essa a uma altitude média de 500 metros.

O Fonte da Cobra Alvarinho 2018 é da vinha 100% Alvarinho que se encontra na cota mais alta. As uvas foram fermentadas a uma temperatura mais baixa e estagiaram sobre as borras finas durante 4 meses com battonage regular. O resultado é um vinho que no primeiro impacto se mostrou super tropical, fruto da sua juventude. Carregado de maracujá, mas sempre com um pendor mineral lá no fundo. À medida que foi abrindo foi acalmando a tropicalidade - mais citrina e sobressaindo a grande mineralidade. Na boca apresenta um bom volume, profundidade e alguma untuosidade, fruto da battonage, terminando super fresco e com uma acidez que seca totalmente a boca, como é apanágio dos vinhos feitos por Constantino Ramos. Um excelente exemplar da casta Alvarinho e sua plasticidade, no terroir da sub-região de Basto. Vai crescer em garrafa. PVP: 7€ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Em Prova: Zafirah Tinto 2018

Terceira edição de Zafirah, o vinho de Constantino Ramos, enólogo de Anselmo Mendes. Trata-se de um "verde tinto", produzido das castas típicas tintas da região de Monção, com predominância de Alvarelhão, secundado por Borraçal, Pedral e apenas um pouco de Vinhão. provenientes de uma vinha com mais de 70 anos ainda com sistema de condução em latada procurando imitar esses vinhos, que há época eram comparados aos Borgonha. 

Depois de um primeiro ano - 2016, disruptivo e de um segundo ano - 2017, mais polido, surge agora na terceira edição, num perfil intermédio entre as edições de 2016 e 2017, mostrando-se muito equilibrado e guloso. Talvez com uma acidez mais próxima do 2016, de que tanto gostei. O resultado, um tinto super fresco, com uma concentração de fruta fresca balanceada na medida certa, uma belíssima acidez e uma atracção no copo tão grande, que corremos o risco de a garrafa acabar num ápice. Pouco álcool e muito sabor num tinto da região dos vinhos verdes que é obrigatório conhecer. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Radar do Vinho: Quinta Seara d'Ordens

A Quinta Seara d’Ordens existe desde finais do século XVIII e está situada no coração do Douro a 9 kms de Peso da Régua. A partir dos anos 60, João Leite Moreira, proprietário da Quinta, iniciou uma forte dinâmica de modernização que viria a ser concluída anos mais tarde pelos seus três filhos: António, José e Fernando. Em 1988, os três irmãos, incentivados pelo seu pai, formaram a Sociedade Agrícola Quinta Seara d’Ordens, abraçando todo o projeto. Quatro anos mais tarde, deram início à comercialização de vinhos com marca própria (1992).

O nome provém do facto do filho do fundador ter sido militar e quando os soldados visitavam a Quinta era para "receber ordens do comandante", daí ter ficado o nome "Quinta Seara D'Ordens". Atualmente, com 60ha de área e uma tradição vitivinícola centenária, são produzidos vinhos Doc Douro sob as marcas Carqueijal (entrada de gama) e Quinta Seara D'Ordens, para além de Vinho do Porto de elevada qualidade e de todos os tipos - Tawnies/Rubys, Reserva, Colheitas, LBV e Vintage, também sob a marca Quinta Seara D'ordens, que vale bem a pena provar. Tivemos a oportunidade de provar à mesa, alguns vinhos Doc Douro, de entre as várias referências da casa, comprovando o perfil clássico duriense patente nos mesmos, mantendo sempre o selo de qualidade.
O Quinta Seara d'Ordens Reserva Branco 2016 (7,5€) feito de Malvasia Fina, Rabigato, Fernão Pires e Viosinho, fermenta em barricas de carvalho francês durante 6 meses. É um branco untuoso qb e bastante equilibrado, mas sem grandes ponto de destaque. Já o Quinta Seara d'Ordens Reserva Tinto 2016 feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca apresenta um equilíbrio notável, entre fruta, taninos macios e madeira bem integrada. De corpo médio, boa acidez e um final eminentemente gastronómico, mostra claramente que estamos na presença de um Douro Clássico, que dá muito prazer à mesa. E com um preço fantástico (7,5€).

O Quinta Seara d'Ordens Vinhas Velhas 2015 (22€) é feito das mesmas castas que o reserva mas passa mais tempo em madeira. É um vinho poderoso, de recorte clássico, bastante complexo de aroma, com a fruta vermelha e preta em primeiro plano, especiarias e alguma madeira ainda em integração. Na boca é volumoso, com taninos firmes e final longo. Nunca cai no entanto em sobrematurações, o que é ótimo. A precisar de tempo em garrafa, mas com um elevado potencial de guarda.. 
Recentemente começaram a explorar vinifcar em separado as 3 castas rainhas do Douro - Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, lançando assim vinhos monocastas para o mercado, com produções a rondar as 2000 garrafas por referência, para tentar mostrar o perfil de cada uma e quiçá demonstrar-nos também o que poderão aportar individualmente quando em lote.

O Quinta Seara d'Ordens Touriga Nacional 2017 (18€) é um vinho leve, elegante e que procura mostrar o lado mais puro e floral da casta. É um vinho muito fácil de beber, fresco, de corpo manos volumoso do que se espera de um Douro, mas carregado de sabor. Sem qualquer exagero aromático e com muita frescura.Gostei particularmente deste vinho. O Quinta Seara d'Ordens Tinta Roriz 2016 (18€) está mais próximo do Vinhas Velhas, mas sendo menos opulente e poderoso. Tem contudo a marca duriense da fruta tão característica do terroir e da casta em particular, bem como um lado vinoso muito interessante. Os taninos são firmes mas civillzados e nunca se apresenta sobremaduro. Termina muito fresco e mais uma vez a pedir comida.

Falta ainda falar sobre o topo de gama Quinta Seara d'Ordens TalentVs Grande Escolha 2015, mas isso fiacrá para outro post...

Sérgio Lopes