sábado, 3 de agosto de 2019

Em Prova: Tretas Tinto 2018

Mais um tinto com pouco alcool perfeito para ser degustado este Verão. Trata-se do novo vinho de João Tavares de Pina, o Tretas Tinto 2018. O rótulo é giríssimo, como podemos constatar pela foto acima. O vinho é feito de 70% Jaen e 30% Touriga Nacional, de vinhas jovens e foi provado pela primeira vez no simplesmente... Vinho! Segundo o produtor o nome advém de se tratar de um vinho "produzido sem tretas", ou seja, tudo o mais natural possível - fermentação espontânea, cuba fechada com remontagem, estagio sobre borras 6 meses, sulfuroso ao engarrafamento.

O resultado: um vinho com um lado vegetal e de fruta bem bonita, amparado por uma boa acidez que o torna muito fresco e perfeito para a mesa. Muito equilibrado, de corpo médio e seco como deve ser, para se beber despreocupadamente com os seus moderados 12 graus de álcool. Bem porreiro! PVP: 8,75€. Disponibilidade: Goliardos

Sérgio Lopes

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Em Prova: Fonte da Cobra Alvarinho 2018

Fonte da Cobra é o um projeto novo, localizado em Celorico de Basto , na região dos Vinhos Verdes, com enologia de Constantino Ramos (Anselmo Mendes, Zafirah, Afluente). Trata-se de um projeto familiar que dispõe de 11 hectares de vinha de Azal, Arinto, Loureiro, Alvarinho, Fernão Pires e Vinhão, vinha essa a uma altitude média de 500 metros.

O Fonte da Cobra Alvarinho 2018 é da vinha 100% Alvarinho que se encontra na cota mais alta. As uvas foram fermentadas a uma temperatura mais baixa e estagiaram sobre as borras finas durante 4 meses com battonage regular. O resultado é um vinho que no primeiro impacto se mostrou super tropical, fruto da sua juventude. Carregado de maracujá, mas sempre com um pendor mineral lá no fundo. À medida que foi abrindo foi acalmando a tropicalidade - mais citrina e sobressaindo a grande mineralidade. Na boca apresenta um bom volume, profundidade e alguma untuosidade, fruto da battonage, terminando super fresco e com uma acidez que seca totalmente a boca, como é apanágio dos vinhos feitos por Constantino Ramos. Um excelente exemplar da casta Alvarinho e sua plasticidade, no terroir da sub-região de Basto. Vai crescer em garrafa. PVP: 7€ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Em Prova: Zafirah Tinto 2018

Terceira edição de Zafirah, o vinho de Constantino Ramos, enólogo de Anselmo Mendes. Trata-se de um "verde tinto", produzido das castas típicas tintas da região de Monção, com predominância de Alvarelhão, secundado por Borraçal, Pedral e apenas um pouco de Vinhão. provenientes de uma vinha com mais de 70 anos ainda com sistema de condução em latada procurando imitar esses vinhos, que há época eram comparados aos Borgonha. 

Depois de um primeiro ano - 2016, disruptivo e de um segundo ano - 2017, mais polido, surge agora na terceira edição, num perfil intermédio entre as edições de 2016 e 2017, mostrando-se muito equilibrado e guloso. Talvez com uma acidez mais próxima do 2016, de que tanto gostei. O resultado, um tinto super fresco, com uma concentração de fruta fresca balanceada na medida certa, uma belíssima acidez e uma atracção no copo tão grande, que corremos o risco de a garrafa acabar num ápice. Pouco álcool e muito sabor num tinto da região dos vinhos verdes que é obrigatório conhecer. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Radar do Vinho: Quinta Seara d'Ordens

A Quinta Seara d’Ordens existe desde finais do século XVIII e está situada no coração do Douro a 9 kms de Peso da Régua. A partir dos anos 60, João Leite Moreira, proprietário da Quinta, iniciou uma forte dinâmica de modernização que viria a ser concluída anos mais tarde pelos seus três filhos: António, José e Fernando. Em 1988, os três irmãos, incentivados pelo seu pai, formaram a Sociedade Agrícola Quinta Seara d’Ordens, abraçando todo o projeto. Quatro anos mais tarde, deram início à comercialização de vinhos com marca própria (1992).

O nome provém do facto do filho do fundador ter sido militar e quando os soldados visitavam a Quinta era para "receber ordens do comandante", daí ter ficado o nome "Quinta Seara D'Ordens". Atualmente, com 60ha de área e uma tradição vitivinícola centenária, são produzidos vinhos Doc Douro sob as marcas Carqueijal (entrada de gama) e Quinta Seara D'Ordens, para além de Vinho do Porto de elevada qualidade e de todos os tipos - Tawnies/Rubys, Reserva, Colheitas, LBV e Vintage, também sob a marca Quinta Seara D'ordens, que vale bem a pena provar. Tivemos a oportunidade de provar à mesa, alguns vinhos Doc Douro, de entre as várias referências da casa, comprovando o perfil clássico duriense patente nos mesmos, mantendo sempre o selo de qualidade.
O Quinta Seara d'Ordens Reserva Branco 2016 (7,5€) feito de Malvasia Fina, Rabigato, Fernão Pires e Viosinho, fermenta em barricas de carvalho francês durante 6 meses. É um branco untuoso qb e bastante equilibrado, mas sem grandes ponto de destaque. Já o Quinta Seara d'Ordens Reserva Tinto 2016 feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca apresenta um equilíbrio notável, entre fruta, taninos macios e madeira bem integrada. De corpo médio, boa acidez e um final eminentemente gastronómico, mostra claramente que estamos na presença de um Douro Clássico, que dá muito prazer à mesa. E com um preço fantástico (7,5€).

O Quinta Seara d'Ordens Vinhas Velhas 2015 (22€) é feito das mesmas castas que o reserva mas passa mais tempo em madeira. É um vinho poderoso, de recorte clássico, bastante complexo de aroma, com a fruta vermelha e preta em primeiro plano, especiarias e alguma madeira ainda em integração. Na boca é volumoso, com taninos firmes e final longo. Nunca cai no entanto em sobrematurações, o que é ótimo. A precisar de tempo em garrafa, mas com um elevado potencial de guarda.. 
Recentemente começaram a explorar vinifcar em separado as 3 castas rainhas do Douro - Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, lançando assim vinhos monocastas para o mercado, com produções a rondar as 2000 garrafas por referência, para tentar mostrar o perfil de cada uma e quiçá demonstrar-nos também o que poderão aportar individualmente quando em lote.

O Quinta Seara d'Ordens Touriga Nacional 2017 (18€) é um vinho leve, elegante e que procura mostrar o lado mais puro e floral da casta. É um vinho muito fácil de beber, fresco, de corpo manos volumoso do que se espera de um Douro, mas carregado de sabor. Sem qualquer exagero aromático e com muita frescura.Gostei particularmente deste vinho. O Quinta Seara d'Ordens Tinta Roriz 2016 (18€) está mais próximo do Vinhas Velhas, mas sendo menos opulente e poderoso. Tem contudo a marca duriense da fruta tão característica do terroir e da casta em particular, bem como um lado vinoso muito interessante. Os taninos são firmes mas civillzados e nunca se apresenta sobremaduro. Termina muito fresco e mais uma vez a pedir comida.

Falta ainda falar sobre o topo de gama Quinta Seara d'Ordens TalentVs Grande Escolha 2015, mas isso fiacrá para outro post...

Sérgio Lopes

terça-feira, 23 de julho de 2019

Em Prova: Quinta Vale D'Aldeia Espumante Bruto 2015

O Quinta Vale D'Aldeia Espumante Bruto 2015 é feito de 50% Viosinho e 50% Rabigato, de vinhas plantadas a 550 metros de altitude. Com fermentação efetuada parcialmente em barricas de carvalho francês, estagia sobre borra fina durante 6 meses, com batônnage periódica, ocorrendo a segunda fermentação em garrafa pelo método clássico.

Trata-se de um espumante muito equilibrado, com alguma fruta e biscoito presentes no nariz. Na boca a bolha é fina e com uma mousse agradável. Termina fresco, com boa acidez e com uma leve sensação de doçura que o torna versátil de principio ao fim da refeição, inclusive quiçá acompanhando sobremesas. Um espumante do Douro Superior bastante competente. PVP: 14,50€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes




sábado, 20 de julho de 2019

Em Prova: São João Espumante Bruto Reserva 2016

Depois de muito pensar num espumante para celebrar o batizado do meu filho, acabei por selecionar este bairradino São João Espumante Bruto Reserva 2016. Precisava de um espumante que fosse complexo o suficiente, sem ser em demasia, para poder agradar a enófilos e a bebedores tradicionais, deste tipo de cerimónias. E foi isso mesmo conseguido. Um espumante constituído pelas castas Bical (35%), Chardonnay (20%), Arinto (10%) e Maria Gomes (35%), com 20 meses de estágio em garrafa, sobre borras. O resultado é um espumante muito equilibrado, com um ataque super fresco e alguma complexidade, com ligeira tosta, muita fruta citrina e algum leve floral. Mousse boa, bolha porreira, acidez no ponto, boa estrutura e final super fresco e crocante. Por pouco menos que 6€ estamos na presença de uma extraordinária escolha a um preço de arromba. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Em Prova: 3 Tintos da Quinta Vale D'Aldeia

A Quinta Vale D’Aldeia tem cerca de 200 hectares – sendo 120ha de vinha, 40ha de olival e 10ha de amendoal, na freguesia de Longroiva, na Meda, e a produção atual ronda os 700 a 800 mil litros. O projeto, que tem hoje 21 colaboradores, nasce em 2004 quando os irmãos José e João Amado, apaixonados pela agricultura e com vontade de investirem na sua terra, decidem comprar um hectare de terreno com vinha. A partir daí entusiasmaram-se, foram comprando mais terrenos à volta e investindo na plantação de vinha, olival e amendoal. Em 2009, apostaram na construção de uma moderna adega, com capacidade para cerca de um milhão de litros. O portfolio é vasto e assenta na premissa de vinhos de qualidade, provenientes de um Douro Superior, de vinhas de altitude.

Provamos à mesa 3 vinhos tintos deste produtor (há mais referências) que espelham o perfil do nível de preço e consequente posicionamento de cada um, de forma muito competente. O Infiel 2015 é produzido 100% de Touriga Nacional e trata-se de um vinho muito equilibrado nas componentes fruta - madeira - acidez, de taninos suaves, em harmonia de conjunto. Bastante apelativo e ótimo para o dia-a-dia (6€). O Xaino Selection 2015 produzido com um blend Touriga Nacional - Touriga Franca e com maior passagem por madeira já é mais complexo, com mais corpo, mas mantendo a matriz de equilíbrio, e a frescura, sobretudo sem sobre maturações. Excelente para a mesa e resultando numa boa escolha quando procuramos um vinho a rondar os 10€. 
O grande ex-libris da casa é talvez o Quinta Vale D'Aldeia Grande Reserva Tinto 2014, que recentemente foi agraciado com o prémio Revelação Portugal no Concours Mondial de Bruxelles de 2019, sendo inclusive considerado o melhor vinho português, no conjunto dos vinhos distinguidos com a Grande Medalha de Ouro. Feito de 55% Touriga Franca, 30% Touriga Nacional, 5% Tinta Roriz, 5% Sousão e 5% Tinta Amarela, tem passagem por madeira nova por 18 meses. Trata-se de um vinho de grande potência e complexidade. Os seus 15 graus de alcool obrigam a uma temperatura de serviço acertada e a decantação é obrigatória. Foi um vinho que provado à mesa foi abrindo lentamente e apenas no dia seguinte estava mais equilibrado e a dar tudo o que se esperava dele. Um vinho super complexo, mas que com toda essa potência e algum pendor alcoólico necessita de tempo e algum cuidado, também no pairing certo à mesa. Contudo, não apresenta sobrematuração e tem a elegância e frescura suficientes para se manter equilibrado. Belíssimo vinho para quem aprecia este estilo mais opulento. PVP: 30€. 

Sérgio Lopes