quarta-feira, 19 de junho de 2019

Em Prova: Marquês de Marialva Reserva Branco Bical 2017

A Adega de Cantanhede tem evoluído de forma significativa, com o aparecimento de novos vinhos, todos eles com muita qualidade e excelente relação qualidade de preço, sob a batuta do conceituado enólogo Osvaldo Amado. Assim, a referência Marquês de Marialva Reserva Branco, cujo Arinto é excelente e provado aqui, ganhou agora um "irmão" desta feita o Bical. O conceito é o mesmo - ligeira passagem por madeira para o arredondar e dar-lhe mais complexidade. O resultado, um conjunto equilibrado, fino, com notas florais e algum cereal. Madeira bem integrada, com uma boca untuosa e que preenche o palato, com final muito apetecivel. O bical resulta mais em untuosidade e um pouco mais sério que o arinto, que tem mais tensão e crocância. Estilos diferentes, 2 vinhos com muito sabor, a um preço porreiro. PVP: 6,99€. Disponibilidade: Loja da Rota da Bairada, uma vez que grande parte do vinho segue para a exportação.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Em Prova: Herdade do Rocim Amphora Tinto 2018

Este vinho alentejano é uma novidade absoluta para mim. Nunca o tinha provado. Feito das castas Moreto (50%) e Tinta Grossa (30%) - portanto castas associadas a vinhos mais magros, com ainda um toque das "clássicas" Trincadeira (15%) e Aragonez (15%), para equilibrar o conjunto. Como o próprio nome indica, o Herdade do Rocim Amphora 2018 é um tinto que tem fermetação e passagem por ânfora de barro, sendo por isso um vinho de talha certificado. Trata-se de um vinho de aroma delicado e suave, com alguma fruta também ela suave, ligeiro toque a barro e muita leveza de conjunto. É de corpo médio, taninos suaves, equilibrado e apesar de não ter uma grande tensão é um vinho diferente e com acidez suficiente para ligar na perfeição com uns queijinhos de entrada ou por exemplo um peixe no forno. Apenas 12º de alcool, num tinto que se consome com muita facilidade, sobretudo no Verão. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Em Prova: Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2015

Chega o Verão e gosto sempre de ter umas garrafas deste clássico da Bairrada, o Luis Pato Vinhas Velhas Branco. Se possivel, com alguns anos de garrafa, pois evolui muito bem. Consegui comprar o 2015 e está num momento excecional para quem gosta de vinhos tensos e minerais. O vinho é um misto de uvas de 3 castas - Bical (50%) em solo argilo-calcário, Cerceal (25%) e Sercialinho (25%), em solos arenosos. Fermentou em cubas de inox durante 4 meses. Em tempos passou por madeira, mas nos útlimos anos, por razões comerciais, só vai ao Inox. É um branco de aroma complexo e profundo, focado nas notas citrinas já um pouco maduras, mas sobretudo é muito mineral. A boca é marcada por uma belíssima acidez, que lhe confere muita frescura. Muita garra e nervo aportam-lhe um caracter gastronómico e dão um gozo enorme a beber assim. Vai crescer em garrafa. mas para já está fantástico em tensão e com um final bem prolongado, com apenas 12,5º de alcool. Um belo vinho. PVP:8€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Radar do Vinho: Casa da Carvalha

Casa da Carvalha encontra-se localizada no concelho de Arganil, estando as suas vinhas situadas na zona mais a Sul da região do Dão. São três hectares de vinha, com exposição Sul e solo predominatemente xistoso, o que lhe confere um caracter peculiar, sobretudo numa zona onde reina o granito. As castas utilizadas são as típicas da região, nomeadamente Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz e Alfrocheiro. Trata-se de uma vinha replantada em 2000, com o primeiro ano de produção apenas a ocorrer em 2005. O rosto por trás do projecto é Rita Andrade que trabalha em Lisboa, mas que aplica, juntamente com o seu marido, todo o o empenho no marketing e divulgação do seu querido projecto. 

Tivemos oportunidade de fazer uma mini-vertical dos vinhos Casa de Carvalha Tinto 2006, 2010, 2013 e 2014, para além da novidade 100% Jaen de 2015. Para além do tinto, está na forja o lançamento de um reserva titno e já no mercado, encontra-se disponivel, o primeiro rosé.
Da prova vertical, conclui-se que se tratam de vinhos muito elegantes e equilibrados, de corpo médio, e com uma longevidade comprovada. Vinhos que não apresentam um final muito longo (talvez seja o único ponto menos forte), mas plenos de sabor, que brilham à mesa e onde o solo xistoso do Dão lhes confere uma identidade peculiar. O Casa da Carvalha 2006 já com aromas terciários, mais complexo, mas mantendo a frescura; O 2010 (o meu favorito) um tinto na idade adulta, com todos os elementos em equilibrio, os 2013 e 2014 a entrarem na idade adulta, mas com vida pela frente, cada um reflectindo o ano - um com mais estrutura que o outro; e finalmente, na lógica de diversificação do projecto, o Jaen 2015 de uma vinha com 15 anos , também um dos meus favoritos, cheio de frescura, balsâmico e mentolado, com uma fruta muito bonita, mas também algum vegetal, a lembrar um pouco o estilo praticado no bierzo. Muito bem.
Os vinhos encointram-se disponiveis no El Corte Ingles a rondar os 7€, à excepção do Jaen que se aproxima dos 15€ e do qual foram produzidos apenas 1000 litros.
Sérgio Lopes

terça-feira, 11 de junho de 2019

Novidade: Sem Mal 2018

Segunda edição deste vinho peculiar de João Camizão, cujo projeto Sem Igual é já uma das novas referências na região dos Vinhos Verdes. Com este vinho, Camizão procura a experimentação e quase como um agitar a região com o seu "Sem Mal". Sem Mal é uma abreviatura de Sem Málico, pois neste vinho o ácido málico que é transformado em ácido lático, por via da fermentação Malolatica, desenrola-se na garrafa, com o gás a surgir assim naturalmente dessa fermentação. (Não há adição de CO2). Acresce o facto de os niveis de sulfuroso acrescentados serem muito reduzidos. No fundo, Camizão tenta replicar provavelmente como o Vinho Verde seria feito antigamente (na década de 70) com o gás a surgir naturalmente e sem filtração e minima intervenção.

A nova edição repete a fórmula do ano anterior: Vinho de aspeto turvo, devido a não ser filtrado. Muito leve no nariz, com notas de panificação quase que a lembrar um espumante. A boca tem leve gás, uma espécie de "mousse" crocante e uma belíssima acidez limonada como é apanágio dos vinhos do produtor. De corpo médio, o final não é muito longo, mas é seco e com um alcool a rondar os 11º, o nectar desaparece num instante.

1000 garrafas produzidas de um vinho leve, seco e fresco. Um vinho muito peculiar e que foi o inicio de um dia de Portugal maravilhoso, na companhia de amigos e que se prolongou até à noite. PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Fora do Baralho: Vinho da Ordem

A Aldeia de Valhelhas situa-se no coração da Região da Beira Interior e do Parque Natural da Serra da Estrela e é o berço da Vinha da Ordem, num escondido vale na margem esquerda do Rio Zêzere. Os monges de várias ordens religiosas aqui produziram vinho, ao longo dos séculos, desde a fundação de Portugal, justificando o nome por que é conhecida a “Vinha da Ordem” que deu origem a um vinho peculiar, um clarete (ou rosado), que foi o grande mote para este projecto peculiar, entretanto adicionando um tinto e um branco de curtimenta. Todos os vinhos têm uma intervenção minimalista e a utilização mínima de sulfuroso, sendo por isso, o mais naturais possivel. A vinha é centenária e resulta numa mistura de castas tão diversificadas – brancas, tintas e rosadas, precoces e tardias, temporãs e serôdias, de onde se destacam as mais conhecidas: rufete, folgosão rosado, síria, fonte cal, baga....entre outras. A enologia encontra-se a cargo do professor Virgilio Loureiro, que muito tem contribuido para a identificação das castas presentes na vinha muito antiga.

O Vinho da Ordem era feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”.
O Vinha da Ordem Rosado foi o vinho que Pedro Jeronimo, o homem por trás do projecto me sugeriu provar primeiro e que nas suas palavras "melhor faz jus ao projecto". Totalmente de acordo. Trata-se de um desconcertante clarete feito com uvas de cepas centenárias com 50% Tintas (Rufete, Marufo) e as restantes Brancas (Síria, Fonte Cal) e Rosadas (Folgosão Rosado). A cor do vinho é vermelho (como feito no tempo dos templários - Sangue de Cristo) No nariz apresenta fruta vermelha fresca, com destaque para a cereja e a romã. Na boca é sedoso, fresco e envolvente, com alguma rusticidade, mas uma facilidade de prova e um sabor delicioso que é impossivel não se gostar! . Um vinho diferente, original, invulgar. Viciante. Produzidas apenas 1200 garrafas.


O Vinho da Ordem Tinto segue a mesma linha do rosado, ou seja, intervenção minimalista e pouquíssima adição de sulfuroso. Feito a partir da tal mistura de castas tintas do antigamente, tais como Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco, entre outras. Na linha do Rosado é um vinho de aroma moderado, com uma fruta muito bonita e um caracter mineral, A boca apresenta taninos macios, mas firmes e envolventes. A acidez que contém confere-lhe uma tensão muito interessante que o faz brilhar à mesa. Um tinto muito elegante e sui-generis com uma boca muito fresca e com pouca extracção, mas com um lado rústico que lhe confere essa diferenciação acentuada. Adorei também. 700 garrafas produzidas. 

O Vinho da Ordem Branco é um "orange wine", como se pode ver pela sua cor, ou seja, um branco de curtimenta. As uvas brancas fermentam 7 dias em lagar aberto apenas com movimentação manual duas vezes ao dia com um rodo, das massas do topo para o fundo, para permitir controlo de temperatura e alguma oxigenação - daí a cor laranja. É um vinho também ele original, onde predomina por um lado a laranja cristalizada e algum fruto seco ao primeiro impacto. A boca é poderosa, com grande volume e algum "peso" devido ao ano quente, mas não quer dizer com isso que o vinho não seja fresco. Um branco para apreciar com calma e se provar pela sua diferenciação. Um belo orange wine. menos de 600 garrafas produzidas.


Os vinhos encontram-se à venda em garrafeiras seleccionadas (Garrafeira Nacional, Wines 9297,  Garrafeira Campo de Ourique, entre outras) a um PVP de 19€.


Um projecto dos mais desconcertantes que conheci recentemente. O facto de serem quase vinhos naturais permite apreciá-los ainda melhor!


Sérgio Lopes

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Em Prova: Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon SS 2015

A Quinta de Pancas está localizada a 45 km a noroeste da cidade de Lisboa, na freguesia de Santo Estevão e Triana, no chamado “Alto Concelho de Alenquer” junto ao lugar de Pancas. A propriedade tem cerca de 50 hectares de vinha. As referências Special Selection dos anos 90 são lendárias, sobretudo os vinhos feitos de Cabernet Sauvignon, que ainda hoje fazem o deleite dos enófilos mais esclarecidos. Foi por isso com enorme agrado que assistimos à reedição deste grande icon da casa, sob o comando do enólogo Gilberto Marques - o Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 2015

Após passagem de 18 meses por barrica e algum tempo mais em garrafa, chega ao mercado para nos deliciar. De cor bem carregada, apresenta um aroma evidente à casta, carregado de pimento verde, em primeiro plano. Logo seguido por outras especiarias e algum cacau. Na boca apresenta taninos firmes, mas aveludados, com madeira bem integrada que não se sente, mas confere ao vinho um volume muito interessante, preenchendo a boca por completo. O lado especiado e até algo balsamico confere-lhe uma frescura ímpar. Termina seco, longo, equilibrado e com uma acidez vibrante, a pedir um belo naco de carne. Um digno exemplar dos grandes CS de Pancas, de outrora. Bravo. PVP: 19,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes