terça-feira, 11 de junho de 2019

Novidade: Sem Mal 2018

Segunda edição deste vinho peculiar de João Camizão, cujo projeto Sem Igual é já uma das novas referências na região dos Vinhos Verdes. Com este vinho, Camizão procura a experimentação e quase como um agitar a região com o seu "Sem Mal". Sem Mal é uma abreviatura de Sem Málico, pois neste vinho o ácido málico que é transformado em ácido lático, por via da fermentação Malolatica, desenrola-se na garrafa, com o gás a surgir assim naturalmente dessa fermentação. (Não há adição de CO2). Acresce o facto de os niveis de sulfuroso acrescentados serem muito reduzidos. No fundo, Camizão tenta replicar provavelmente como o Vinho Verde seria feito antigamente (na década de 70) com o gás a surgir naturalmente e sem filtração e minima intervenção.

A nova edição repete a fórmula do ano anterior: Vinho de aspeto turvo, devido a não ser filtrado. Muito leve no nariz, com notas de panificação quase que a lembrar um espumante. A boca tem leve gás, uma espécie de "mousse" crocante e uma belíssima acidez limonada como é apanágio dos vinhos do produtor. De corpo médio, o final não é muito longo, mas é seco e com um alcool a rondar os 11º, o nectar desaparece num instante.

1000 garrafas produzidas de um vinho leve, seco e fresco. Um vinho muito peculiar e que foi o inicio de um dia de Portugal maravilhoso, na companhia de amigos e que se prolongou até à noite. PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Fora do Baralho: Vinho da Ordem

A Aldeia de Valhelhas situa-se no coração da Região da Beira Interior e do Parque Natural da Serra da Estrela e é o berço da Vinha da Ordem, num escondido vale na margem esquerda do Rio Zêzere. Os monges de várias ordens religiosas aqui produziram vinho, ao longo dos séculos, desde a fundação de Portugal, justificando o nome por que é conhecida a “Vinha da Ordem” que deu origem a um vinho peculiar, um clarete (ou rosado), que foi o grande mote para este projecto peculiar, entretanto adicionando um tinto e um branco de curtimenta. Todos os vinhos têm uma intervenção minimalista e a utilização mínima de sulfuroso, sendo por isso, o mais naturais possivel. A vinha é centenária e resulta numa mistura de castas tão diversificadas – brancas, tintas e rosadas, precoces e tardias, temporãs e serôdias, de onde se destacam as mais conhecidas: rufete, folgosão rosado, síria, fonte cal, baga....entre outras. A enologia encontra-se a cargo do professor Virgilio Loureiro, que muito tem contribuido para a identificação das castas presentes na vinha muito antiga.

O Vinho da Ordem era feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”.
O Vinha da Ordem Rosado foi o vinho que Pedro Jeronimo, o homem por trás do projecto me sugeriu provar primeiro e que nas suas palavras "melhor faz jus ao projecto". Totalmente de acordo. Trata-se de um desconcertante clarete feito com uvas de cepas centenárias com 50% Tintas (Rufete, Marufo) e as restantes Brancas (Síria, Fonte Cal) e Rosadas (Folgosão Rosado). A cor do vinho é vermelho (como feito no tempo dos templários - Sangue de Cristo) No nariz apresenta fruta vermelha fresca, com destaque para a cereja e a romã. Na boca é sedoso, fresco e envolvente, com alguma rusticidade, mas uma facilidade de prova e um sabor delicioso que é impossivel não se gostar! . Um vinho diferente, original, invulgar. Viciante. Produzidas apenas 1200 garrafas.


O Vinho da Ordem Tinto segue a mesma linha do rosado, ou seja, intervenção minimalista e pouquíssima adição de sulfuroso. Feito a partir da tal mistura de castas tintas do antigamente, tais como Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco, entre outras. Na linha do Rosado é um vinho de aroma moderado, com uma fruta muito bonita e um caracter mineral, A boca apresenta taninos macios, mas firmes e envolventes. A acidez que contém confere-lhe uma tensão muito interessante que o faz brilhar à mesa. Um tinto muito elegante e sui-generis com uma boca muito fresca e com pouca extracção, mas com um lado rústico que lhe confere essa diferenciação acentuada. Adorei também. 700 garrafas produzidas. 

O Vinho da Ordem Branco é um "orange wine", como se pode ver pela sua cor, ou seja, um branco de curtimenta. As uvas brancas fermentam 7 dias em lagar aberto apenas com movimentação manual duas vezes ao dia com um rodo, das massas do topo para o fundo, para permitir controlo de temperatura e alguma oxigenação - daí a cor laranja. É um vinho também ele original, onde predomina por um lado a laranja cristalizada e algum fruto seco ao primeiro impacto. A boca é poderosa, com grande volume e algum "peso" devido ao ano quente, mas não quer dizer com isso que o vinho não seja fresco. Um branco para apreciar com calma e se provar pela sua diferenciação. Um belo orange wine. menos de 600 garrafas produzidas.


Os vinhos encontram-se à venda em garrafeiras seleccionadas (Garrafeira Nacional, Wines 9297,  Garrafeira Campo de Ourique, entre outras) a um PVP de 19€.


Um projecto dos mais desconcertantes que conheci recentemente. O facto de serem quase vinhos naturais permite apreciá-los ainda melhor!


Sérgio Lopes

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Em Prova: Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon SS 2015

A Quinta de Pancas está localizada a 45 km a noroeste da cidade de Lisboa, na freguesia de Santo Estevão e Triana, no chamado “Alto Concelho de Alenquer” junto ao lugar de Pancas. A propriedade tem cerca de 50 hectares de vinha. As referências Special Selection dos anos 90 são lendárias, sobretudo os vinhos feitos de Cabernet Sauvignon, que ainda hoje fazem o deleite dos enófilos mais esclarecidos. Foi por isso com enorme agrado que assistimos à reedição deste grande icon da casa, sob o comando do enólogo Gilberto Marques - o Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 2015

Após passagem de 18 meses por barrica e algum tempo mais em garrafa, chega ao mercado para nos deliciar. De cor bem carregada, apresenta um aroma evidente à casta, carregado de pimento verde, em primeiro plano. Logo seguido por outras especiarias e algum cacau. Na boca apresenta taninos firmes, mas aveludados, com madeira bem integrada que não se sente, mas confere ao vinho um volume muito interessante, preenchendo a boca por completo. O lado especiado e até algo balsamico confere-lhe uma frescura ímpar. Termina seco, longo, equilibrado e com uma acidez vibrante, a pedir um belo naco de carne. Um digno exemplar dos grandes CS de Pancas, de outrora. Bravo. PVP: 19,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Em prova: Altas Quintas Crescendo Branco 2017

O projecto Altas Quintas está(va) localizado no Alentejo, nomeadamente em Portalegre e sempre foi um projecto bem cotado na comunidade enófila, sobretudo pela frescura da Serra de São Mamede e capacidade de guarda dos vinhos produzidos, nomeadamente os tintos, que conjugavam essa frescura com uma potência, invulgares. A localização continua a mesma, mas a quinta onde eram produzidos os vinhos está agora nas mãos da Symington que acaba de lançar as novas marcas Florão -entrada de gama, Quinta da Fonte Souto e o Grande Reserva tinto QFS Vinha do Souto..

Entretanto e a propósito recupero aqui o Altas Quintas Crescendo Branco 2017 que, por um acaso bebi num restaurante, no Guincho, a acompanhar um robalo de mar, superiormente escalado. O vinho é equilibrado, com notas citrinas e tropicais, corpo médio, acidez também média e final a condizer. Equilibrado e com acidez suficiente para aguentar o robalo. Talvez este branco, de 2017, seja o último ano antes da mudança para a Symington. Curioso. PVP: 9€. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Em Prova: Quinta Vale D' Aldeia Grande Reserva Branco 2015

A Quinta Vale D’Aldeia tem cerca de 200 hectares – sendo 120ha de vinha, 40ha de olival e 10ha de amendoal, na freguesia de Longroiva, na Meda, e a produção atual ronda os 700 a 800 mil litros. O projeto, que tem hoje 21 colaboradores, nasce em 2004 quando os irmãos José e João Amado, apaixonados pela agricultura e com vontade de investirem na sua terra, decidem comprar um hectare de terreno com vinha. A partir daí entusiasmaram-se, foram comprando mais terrenos à volta e investindo na plantação de vinha, olival e amendoal. Em 2009, apostaram na construção de uma moderna adega, com capacidade para cerca de um milhão de litros. O portfolio é vasto e assenta na premissa de vinhos de qualidade, provenientes de um Douro Superior, de vinhas de altitude.

O Quinta Vale D' Aldeia Grande Reserva Branco 2015 é produzido a partir das castas Viosinho, Rabigato, Gouveio e Malvasia Fina, a cerca de 550 metros de altitude. Tem passagem por madeira nova de carvalho francês. De cor citrina, no nariz apresenta em primeiro plano notas de madeira de qualidade e apontamentos citrinos, já bem harmonizados. A boca é untuosa, com acidez equillibrada, bom volume de boca, alguma cremosidade e uma belíssima acidez, terminando com um bom final de boca. Um vinho com acidez suficiente e versatilidade, que permitiu acompanhar à mesa, um anho assado na Brasa ao jantar e no dia seguinte um robalo do mar grelhado. Um vinho muito bem desenhado e que agradará a quem procurar um perfil de untuosidade e alguma madeira. PVP: 20€. Garrafeiras.


Sergio Lopes

terça-feira, 28 de maio de 2019

Em Prova: Casa do Capitão-Mor Alvarinho 2018

Continua a prova dos brancos de 2018, mais ou menos a chegarem ao mercado, alguns resultando num verdadeiro "infanticidio" no copo... Desta feita, de um produtor que gosto muito - Quinta de Paços, do meu amigo Paulo Ramos e cujo Reserva de 2015 tem sido o meu porto seguro durante este ano. Aliás, qualquer bom vinho branco, em particular, de Alvarinho, só benefeciará com alguns anos de garrafa.

Contudo, este Casa do Capitão-Mor Alvarinho 2018 aparece surpreendentemente com uma prova já muito interessante, dada a sua juventude. Proveniente da sub-região de Monção e Melgaço, mantém o perfil clássico da casa, com notas tropicais, mineralidade e algum pendor austero, mas na minha opinião está mais fresco que o 2017, com grande gordura de boca, mas menos volumoso, quiçá mais afinado e daí, mais pronto a beber. Vai evoluir seguramente muito bem nos próximos tempos. A garrafa voou num ápice! PVP: 9€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Em Prova: Ameal Loureiro 2018

Situada em Ponte de Lima, a Quinta do Ameal há muito que é pioneira na aposta da casta Loureiro, produzindo vinhos de extrema qualidade, longevos e que elevam a casta e a região dos Vinhos Verdes a um outro patamar. De facto, a casta Loureiro quando trabalhada com respeito, paixao e foco é capaz de produzir grandes vinhos. Exemplos como Anselmo Mendes (Muros Antigos), Márcio Lopes (Pequenos Rebentos Vinhas Velhas), ou José Domingues (Valle da Fonte), entre outros, são de prova obrigatória.

O Ameal Loureiro de 2018, mostra a consistência habitual ano após ano - Aromaticamente limpo e muito bonito, com notas florais e citrinas;  muito fresco, elegante e preciso; Seco, crocante e com final refrescante. Muito novo, claro está, mas já a dar uma belíssima prova. Já não o bebia há algum tempo e esteve óptimo a mesa! PVP: 7,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes