segunda-feira, 3 de junho de 2019

Em Prova: Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon SS 2015

A Quinta de Pancas está localizada a 45 km a noroeste da cidade de Lisboa, na freguesia de Santo Estevão e Triana, no chamado “Alto Concelho de Alenquer” junto ao lugar de Pancas. A propriedade tem cerca de 50 hectares de vinha. As referências Special Selection dos anos 90 são lendárias, sobretudo os vinhos feitos de Cabernet Sauvignon, que ainda hoje fazem o deleite dos enófilos mais esclarecidos. Foi por isso com enorme agrado que assistimos à reedição deste grande icon da casa, sob o comando do enólogo Gilberto Marques - o Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 2015

Após passagem de 18 meses por barrica e algum tempo mais em garrafa, chega ao mercado para nos deliciar. De cor bem carregada, apresenta um aroma evidente à casta, carregado de pimento verde, em primeiro plano. Logo seguido por outras especiarias e algum cacau. Na boca apresenta taninos firmes, mas aveludados, com madeira bem integrada que não se sente, mas confere ao vinho um volume muito interessante, preenchendo a boca por completo. O lado especiado e até algo balsamico confere-lhe uma frescura ímpar. Termina seco, longo, equilibrado e com uma acidez vibrante, a pedir um belo naco de carne. Um digno exemplar dos grandes CS de Pancas, de outrora. Bravo. PVP: 19,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Em prova: Altas Quintas Crescendo Branco 2017

O projecto Altas Quintas está(va) localizado no Alentejo, nomeadamente em Portalegre e sempre foi um projecto bem cotado na comunidade enófila, sobretudo pela frescura da Serra de São Mamede e capacidade de guarda dos vinhos produzidos, nomeadamente os tintos, que conjugavam essa frescura com uma potência, invulgares. A localização continua a mesma, mas a quinta onde eram produzidos os vinhos está agora nas mãos da Symington que acaba de lançar as novas marcas Florão -entrada de gama, Quinta da Fonte Souto e o Grande Reserva tinto QFS Vinha do Souto..

Entretanto e a propósito recupero aqui o Altas Quintas Crescendo Branco 2017 que, por um acaso bebi num restaurante, no Guincho, a acompanhar um robalo de mar, superiormente escalado. O vinho é equilibrado, com notas citrinas e tropicais, corpo médio, acidez também média e final a condizer. Equilibrado e com acidez suficiente para aguentar o robalo. Talvez este branco, de 2017, seja o último ano antes da mudança para a Symington. Curioso. PVP: 9€. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Em Prova: Quinta Vale D' Aldeia Grande Reserva Branco 2015

A Quinta Vale D’Aldeia tem cerca de 200 hectares – sendo 120ha de vinha, 40ha de olival e 10ha de amendoal, na freguesia de Longroiva, na Meda, e a produção atual ronda os 700 a 800 mil litros. O projeto, que tem hoje 21 colaboradores, nasce em 2004 quando os irmãos José e João Amado, apaixonados pela agricultura e com vontade de investirem na sua terra, decidem comprar um hectare de terreno com vinha. A partir daí entusiasmaram-se, foram comprando mais terrenos à volta e investindo na plantação de vinha, olival e amendoal. Em 2009, apostaram na construção de uma moderna adega, com capacidade para cerca de um milhão de litros. O portfolio é vasto e assenta na premissa de vinhos de qualidade, provenientes de um Douro Superior, de vinhas de altitude.

O Quinta Vale D' Aldeia Grande Reserva Branco 2015 é produzido a partir das castas Viosinho, Rabigato, Gouveio e Malvasia Fina, a cerca de 550 metros de altitude. Tem passagem por madeira nova de carvalho francês. De cor citrina, no nariz apresenta em primeiro plano notas de madeira de qualidade e apontamentos citrinos, já bem harmonizados. A boca é untuosa, com acidez equillibrada, bom volume de boca, alguma cremosidade e uma belíssima acidez, terminando com um bom final de boca. Um vinho com acidez suficiente e versatilidade, que permitiu acompanhar à mesa, um anho assado na Brasa ao jantar e no dia seguinte um robalo do mar grelhado. Um vinho muito bem desenhado e que agradará a quem procurar um perfil de untuosidade e alguma madeira. PVP: 20€. Garrafeiras.


Sergio Lopes

terça-feira, 28 de maio de 2019

Em Prova: Casa do Capitão-Mor Alvarinho 2018

Continua a prova dos brancos de 2018, mais ou menos a chegarem ao mercado, alguns resultando num verdadeiro "infanticidio" no copo... Desta feita, de um produtor que gosto muito - Quinta de Paços, do meu amigo Paulo Ramos e cujo Reserva de 2015 tem sido o meu porto seguro durante este ano. Aliás, qualquer bom vinho branco, em particular, de Alvarinho, só benefeciará com alguns anos de garrafa.

Contudo, este Casa do Capitão-Mor Alvarinho 2018 aparece surpreendentemente com uma prova já muito interessante, dada a sua juventude. Proveniente da sub-região de Monção e Melgaço, mantém o perfil clássico da casa, com notas tropicais, mineralidade e algum pendor austero, mas na minha opinião está mais fresco que o 2017, com grande gordura de boca, mas menos volumoso, quiçá mais afinado e daí, mais pronto a beber. Vai evoluir seguramente muito bem nos próximos tempos. A garrafa voou num ápice! PVP: 9€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Em Prova: Ameal Loureiro 2018

Situada em Ponte de Lima, a Quinta do Ameal há muito que é pioneira na aposta da casta Loureiro, produzindo vinhos de extrema qualidade, longevos e que elevam a casta e a região dos Vinhos Verdes a um outro patamar. De facto, a casta Loureiro quando trabalhada com respeito, paixao e foco é capaz de produzir grandes vinhos. Exemplos como Anselmo Mendes (Muros Antigos), Márcio Lopes (Pequenos Rebentos Vinhas Velhas), ou José Domingues (Valle da Fonte), entre outros, são de prova obrigatória.

O Ameal Loureiro de 2018, mostra a consistência habitual ano após ano - Aromaticamente limpo e muito bonito, com notas florais e citrinas;  muito fresco, elegante e preciso; Seco, crocante e com final refrescante. Muito novo, claro está, mas já a dar uma belíssima prova. Já não o bebia há algum tempo e esteve óptimo a mesa! PVP: 7,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Já diz o ditado popular mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, isto é, a passagem do tempo vai-nos encarregando de moldar (afinar?) as nossas preferências, ao longo dos anos. E isto também se aplica ao vinho. A vida é feita de ciclos e de modas e olhando para trás no tempo, recuando – nem será necessário mais do que 10 anos - muita coisa mudou no perfil dos vinhos e do consumidor. E eu também mudei. Quando comecei a gostar realmente de vinho estavam na moda os tintos perfilados bombas alcoólicas e com passagem por madeira em fartura. Poder, concentração, ou fruta sobre maturada eram marcadores evidentes. Confesso que com o tempo fui progressivamente me afastando desse perfil, apaixonei-me, entretanto, pelo vinho branco e virei brancófilo… Mas sobre os brancos falaremos noutra crónica pois também evoluíram e mudaram de perfil bastante nos últimos 10 anos.

Voltando aos tintos, na primeira década deste século, vivíamos uma época em que Robert Parker, um dos mais proeminentes críticos de vinhos, entre outros, tinha alguma preferência na defesa desse perfil mais concentrado dos vinhos e consequentemente o consumidor ia um pouco atrás. Hoje até Robert Parker procura mais elegância, menos extração, menos madeira e menos álcool – tintos que deem prazer a beber e que sejam bons companheiros à mesa, com acidez suficiente para fazer brilhar o prato, mas sem se sobrepor. Qual é a lógica de beber uma bomba alcoólica e cheia de madeira, acompanhando por exemplo um assado? Não faz sentido a combinação de uma comida mais pesada com um vinho também ele concentrado, creio eu.

O paradigma da elegância
Nos anos mais recentes tem crescido a aposta por parte quer dos produtores mais clássicos, quer de produtores mais recentes no lançamento de vinhos mais elegantes e com menos álcool. Com menos corpo também é certo, mas com muito sabor. E tem sido um pouco transversal a todas as regiões. Não sendo ainda evidente a mudança, é claramente uma tendência.  Vinhos como o Quinta da Carolina 2015 do Douro, o Quinta das Bageiras Garrafeira ou Luis Pato Vinha Barrosa – ambos da Bairrada ou até mesmo os tintos da Quinta do Mouro, do Alentejo, todos se mostraram com menos extracção, menos utilização de madeira, elegantes e com uma belíssima acidez. 3 regiões icónicas de Portugal a apresentarem vinhos neste estilo, provados na última edição do simplesmente… Vinho, no final de Fevereiro.
Os meus destaques
Mas há mais protagonistas que merecem destaque no que toca a este perfil de vinhos tintos, desde logo o enólogo Luis Seabra cujo seu projeto pessoal Xisto Cru / Xisto ilimitado, bem como o apoio que presta em Muxagat, ao projeto Pormenor de Pedro Coelho e na Quinta da Costa do Pinhão resultam em vinhos num estilo Duriense fora do comum, muito mais focado na pureza, pouca extracção e muita elegância e frescura; na Bairrada Luis Gomes e o seu projeto Giz, de onde sobressai o aveludado e cheio de classe tinto Vinha das Cavaleiras; o enólogo Paulo Nunes que na Casa da Passarela (Dão) ou mais recentemente na histórica Casa de Saima (Bairrada) imprime o seu cunho muito pessoal respeitando o terroir de cada casa e intervindo de forma minimalista;  Ainda no Dão, António Madeira, urge descobrir. Luis Leocádio, na Quinta do Cardo (Beira Interior), mas também no seu projeto pessoal Titan of Douro – obrigatório conhecer o trabalho deste jovem e talentoso enólogo; Da Beira Interior, atenção ao projecto Vinha da Ordem, de uma vinha centenária (para além do tinto, há um palhete deliciosso); Vitor Clara e o seu Dominó, tintos do Alentejo, totalmente fora da caixa; Até na região dos vinhos verdes aparecem vinhos tintos neste estilo, de projetos de Constantino Ramos (Pardusco / Zafirah) ou Márcio Lopes, com o seu Pequenos Rebentos Atlântico. Entre tantos outros, que vão emergindo

Um brinde à elegância e à pureza. Uma tendência que terá vindo para ficar?

Sérgio Lopes (in Revista Paixão Pelo Vinho #77)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Em Prova: Mãos Branco 2017

Mãos (R4 vinhos) trata-se de um projecto familiar, com sede em Mesão Frio, no Baixo Corgo, embora com propriedades espalhadas por sete quintas na Região Demarcada do Douro, que totalizam cerca de 150 hectares, tendo lançado o primeiro vinho apenas em finais de 2011. Projecto de facto de cariz totalmente familiar, pois os 4 irmãos que encabeçam o projecto, decidiram dar continuidade ao legado do seu pai, que produzia vinho maioritariamente para consumo próprio, criando assim uma empresa produtora de vinhos, na região Duriense. 

Nas minhas incursões semanais na capital Lisboa, dei por mim a entrar num restaurante simpático, ao lado do Campo Pequeno - o Ti Lurdes, onde o Mãos Branco 2017 foi o par ideal para uma (enorme e fresca) posta de garoupa grelhadinha na brasa, como documenta a foto acima.

Feito de Gouveio, Rabigato e Viosinho é um bom exemplar Duriense, pois apesar de denunciar que provém de um terroir quente apresenta-se bastante equilibrado. Predominantemente floral (mas nada de exuberâncias), com notas de chá e citrinas, é gastronómico e com uma boa acidez, contribuindo para uma refeição prazerosa. Muito bem para o preço que apresenta. 7,5€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes