sexta-feira, 17 de maio de 2019

Em prova: Quinta da Ponte Pedrinha Touriga Nacional 2015

A região do Dão é constituída maioritariamente por produtores de pequena e média dimensão, cada um com a sua autenticidade e identidade, face a um terroir de eleição para vinhos elgantes, ácidos e longevos. A Quinta da Ponte Pedrinha é um projecto talvez dos menos conhecidos, mas com grande qualidade. O seus colheita são excelentes relação qualidade-preço, dando prazer, por vinhos a rondar os 5€ e este Touriga Nacional, 100%, abaixo de 10€ é também um belo exemplar da casta rainha na região e do perfil do produtor: Aroma complexo e profundo, com fruta madura bonita em primeiro plano, especiaria e algum floral. Boca com taninos firmes, mas redondos, corpo médio e belíssima acidez, a terminar longo e para a mesa, dada a sua vocação gastronómica.

Foi no retaurante Páteo do Guincho que o apreciei com um pica-pau à maneira, entre outros petiscos deliciosos. PVP: 9€. garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Radar do Vinho: Quinta da Cuca

A Quinta da Cuca está localizada na margem Sul do Rio Douro, em pleno Douro Superior, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, entre as freguesias de Custóias e Numão, mais propriamente no Vale da Teja. A quinta tem cerca de 22ha dos quais 20ha são vinha, plantados entre 1980 e 2011, praticamente planos e divididos em talhões. As castas dominantes são as castas durienses Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Viosinho, Rabigato e Gouveio. 
Em 2014 iniciou-se o processo de vinificação, com a criação de seis vinhos, Tinto Colheita, Branco Colheita, Tinto Monovarietal Touriga Nacional, Banco Monovarietal Viosinho, Tinto Reserva e Branco Reserva. O projecto é encabeçado por Fernando Alonso (não é o da Fórmula 1) e com enologia de Luís Leocádio (Quinta do Cardo, Titan do Douro, Quinta do Estanho). Tivemos a oportunidade de provar alguns vinhos provenientes deste microclima do Vale da Teja.
Os Quinta da Cuca Tinto 2014 e 2015 poderiam ser classificados como reserva na opinião do produtor Fernando Alonso, que optou por não o fazer para começar o projecto num patamar incicial de "colheitas" superior. São ambos vinhos com a tipica fruta duriense, com taninos redondos, vinhos gastronómicos, que apesar de denunciarem provir de uma zona quente como o Douro Superior apresentam-se frescos e minerais, sobretudo sem excessos de sobrematuração. Vão crescer em garrafa,  (PVP 13,99€). O Quinta da Cuca Branco Reserva 2017 feito de Viosinho, rabigato e Gouveio de vinhas de altitude, passa ligeiramente por madeira e estagia sobre borras por 10 meses o que lhe confere mais complexidade. Com o dedo de Luis Leocádio, estamos na presença de um branco muito afinado, com a madeira bem integrada e um equilibrio entre untuosidade, acidez e fruta muito interessantes. Para a mesa, também. (PVP 13,99€). O Quinta da Cuca Touriga Nacional 2016, que foi o meu preferido dos três, produzido das vinhas de Touriga mais antigas e com passagem por barrica nova de carvalho francês por 12 meses. É um vinho de cor carregada e grande complexidade aromática. A boca é densa, carnuda, onde se sente a fruta poderosa madura e uns tanino sedosos e envolventes. É um vinho que perdura, com um belo corpo e uma acidez vibrante. Um belíssimo exemplar da região, sem extremos da casta. PVP (16,99€).

Em suma, um projecto que demonstra o potencial da região do Vale da Teja. Para acompanhar. Apenas uma nota pessoal para o PVP dos vinhos que os posiciona num segmento que apesar da sua inegável qualidade, poderá trazer dificuldades face a outras referências do mesmo patamar de preço.

Sérgio Lopes

terça-feira, 14 de maio de 2019

Novidade: Herdade do Rocim Rosé 2018

Mais uma novidade de 2018 acabadinha de sair, o Herdade do Rocim Rosé 2018. Feito na Vidigueira (Alentejo), 100% de Touriga Nacional e com passagem apenas por Inox. O rótulo é muito bonito e simples, representando a imagem da ‘Linaria Ricardoi’, que é uma pequena planta alentejana que está em vias de extinção por causa dos pesticidas e da pressão dos rebanhos de pequenos ruminantes. 

O vinho apresenta com uma bonita cor rosa aberta, a fazer lembrar os grandes rosés da provence. Aromas florais da Touriga semtem-se no nariz  (contidos). A boca é seca, elegante, fresca , com pouco alcool, mas com tensão e corpo mais do que suficientes, para ser uma boa escolha para a mesa. Um rosé a precisar de mais alguns meses de garrafa, quiçá até ao Verão para começar a brilhar verdadeiramente à mesa. Gostei bastante e penso que evoluirá muito bem por mais um ou 2 anos. PVP: 8€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Fora do Baralho: Gradual Marufo Tinto 2015

A Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios,  é um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. É precisamente o vinho Gradual de 2014 que tenho bebido com frequência e que comentei AQUI

Desta feita, falo-vos de uma novidade totalmente fora da caixa, nomedamente o Gradual Marufo 2015, um tinto feito com a casta Mourisco, que o IVDP chama agora de Marufo. Trata-se de uma experiência com uma casta que todos rejeitam na região, para fazer vinho, uma vez que é uma das castas recomendadas para Porto e está presente nas vinhas velhas. O mourisco fermentou com cacho inteiro, teve pisa a pé e estagiou 8 meses numa barrica de 500 litros usada. Foi por isso um ensaio - uma experiência de apenas uma barrica que necessitou de 2 anos para ser aprovado como Douro Doc. O primeiro Mourisco tinto com selo. 

O resultado é um vinho desconcertante a começar desde logo pela cor, a parecer um rosa escuro  acastanhado (?). O aroma é de fruta fresca e muita profundidade. A boca é elegante, leve mas com taninos redondos, de corpo médio, acidez vibrante e muito sabor. Um vinho que se bebe com enorme prazer, num registo elegante e com pouco alcool, como é apanágio na casa, com uma leveza desconcertante, mas sério e com complexidade suficiente para se tornar viciante, copo após copo! PVP: 15€. Disponibilidade muito reduzida.

PS: Rótulo provisório. Mas o vinho é tão bom que merece definitivamente este preview.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Em Prova: Anel Branco 2017

Nunca tinha provado este branco do produtor e enólogo Márcio Lopes (Permitido, Proibido, Pequenos Rebentos). Trata-se de uma referência produzida no Douro, cujo tinto tinha provado no ano passado e agora chegou à minha mesa o Anel Branco 2017, feito de castas plantadas a 350 metros de altitude, com passagem apenas por Inox e estágio sobre borras. É um vinho à semelhança do que Márcio nos habituou, muito fresco com uma belíssima acidez e a precisar de algum tempo de garrafa, para se mostrar na sua plenitude. Focado na fruta branca e algumas notas florais, apresenta corpo médio, é bem estruturado e com o "nervo" caracteristico do enólogo. Interesante verificar a sua evolução. O ponto que menos me agradou foram os 14 graus de alcool que obrigam a ter algum cuidado com a temperatura de serviço, mas por outro lado, confere-lhe uma estrtura que irá agradar a quem gostar deste tipo de brancos, um pouco mais alcoolicos. PVP: 9,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Radar do Vinho: Bojador (Os colheita)

Bojador é um projecto pessoal de Pedro Ribeiro (Herdade do Rocim) que materializa um sonho antigo - transformar em vinho a ligação que tem ao Alentejo. Começou a dar os primeiros passos em 2010, tendo seleccionado a Vidigueira para o fazer, com o objetivo de produzir vinhos que transportem a alma do Baixo Alentejo, desenhados a partir de vinhas velhas seleccionadas e acompanhadas ao pormenor. Do portfolio constam as seguintes referências: Bojador Colheita Branco, Tinto e Rosé; Bojador Tinto Reserva, Bojador Espumante Brut, Bojador Vinho de Talha Branco, e Bojador Vinho de Talha Tinto. Os vinhos de talha têm tido um protagonismo mais evidente neste projecto embora representem apenas 10% do volume produzido. É um projecto e uma marca muito focada nos mercados externos mas começa agora também a ter alguma expressão no mercado português. 

Provamos os colheita, todos de 2018. O Bojador Branco 2018 é produzido das castas Antão Vaz (50%), Arinto (30%) e Alvarinho (20%), resultando esta combinação de castas num conjunto, muito equilibrado, frutado na medida certa e com final muito refrescante. Um branco com  apenas 12,5º de alccol e uma acidez bem interessante para um Alentejano. Gostei particularmente! O Bojador Rosé 2018 é feito de Aragonez (55%) e Touriga Nacional (45%). Mostra-se com uma cor rosa pálida, num conjunto muito suave e delicado, com fruta fresca vermelha. Um rosé para entradas, num registo contido, seco e algo mineral. De novo, apenas 12,5º de alcool. O Bojador Tinto 2018 é produzido de Aragonez (50%), Touriga Nacional (30%) e Trincadeira (20%). Estagia 6 meses em barrica usada de carvalho francês. Apresenta uma fruta preta e vermelha muito bonita, exuberante e apelativa que apetece beber, logo quando encostamos o nariz. Na boca é fresco, com taninos macios e corpo médio, terminando focado na fruta, cheio de sabor. Muito bem.

Pela prova dos colheita, que surpreenderam, como serão as restantes referências da casa... PVP:7€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Em Prova: D. Graça Espumante Bruto Natural 2015


Este espumante, o D. Graça Bruto Natural Viosinho, produzido pela Vinilourenço é proveniente do Douro Superior. Este produtor lança todos os anos um branco reserva feito precisamente da casta Viosinho plantada a 700m de altitude, que é de grande qualidade, pelo que foi natural explorar esta casta um pouco mais e ver qual seria o resultado em espumantizá-la. Foi o primeiro produtor a utilizar o Viosinho para espumante e o resultado é bem agradável.

Bruto natural, o que significa sem adição de açúcar, é um espumante com um aroma delicado e simultaneamente complexo. Notas de brioche e panificação, juntamente com laivos citrinos. A boca tem alguma austeridade a pender para o lado mineral, mas a bolha é fina e a mousse cremosa, mostrando-se seco e muito refrescante, crocante, com pendor gatsronómico. Gostei e recomendo. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes