segunda-feira, 13 de maio de 2019

Fora do Baralho: Gradual Marufo Tinto 2015

A Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios,  é um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. É precisamente o vinho Gradual de 2014 que tenho bebido com frequência e que comentei AQUI

Desta feita, falo-vos de uma novidade totalmente fora da caixa, nomedamente o Gradual Marufo 2015, um tinto feito com a casta Mourisco, que o IVDP chama agora de Marufo. Trata-se de uma experiência com uma casta que todos rejeitam na região, para fazer vinho, uma vez que é uma das castas recomendadas para Porto e está presente nas vinhas velhas. O mourisco fermentou com cacho inteiro, teve pisa a pé e estagiou 8 meses numa barrica de 500 litros usada. Foi por isso um ensaio - uma experiência de apenas uma barrica que necessitou de 2 anos para ser aprovado como Douro Doc. O primeiro Mourisco tinto com selo. 

O resultado é um vinho desconcertante a começar desde logo pela cor, a parecer um rosa escuro  acastanhado (?). O aroma é de fruta fresca e muita profundidade. A boca é elegante, leve mas com taninos redondos, de corpo médio, acidez vibrante e muito sabor. Um vinho que se bebe com enorme prazer, num registo elegante e com pouco alcool, como é apanágio na casa, com uma leveza desconcertante, mas sério e com complexidade suficiente para se tornar viciante, copo após copo! PVP: 15€. Disponibilidade muito reduzida.

PS: Rótulo provisório. Mas o vinho é tão bom que merece definitivamente este preview.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Em Prova: Anel Branco 2017

Nunca tinha provado este branco do produtor e enólogo Márcio Lopes (Permitido, Proibido, Pequenos Rebentos). Trata-se de uma referência produzida no Douro, cujo tinto tinha provado no ano passado e agora chegou à minha mesa o Anel Branco 2017, feito de castas plantadas a 350 metros de altitude, com passagem apenas por Inox e estágio sobre borras. É um vinho à semelhança do que Márcio nos habituou, muito fresco com uma belíssima acidez e a precisar de algum tempo de garrafa, para se mostrar na sua plenitude. Focado na fruta branca e algumas notas florais, apresenta corpo médio, é bem estruturado e com o "nervo" caracteristico do enólogo. Interesante verificar a sua evolução. O ponto que menos me agradou foram os 14 graus de alcool que obrigam a ter algum cuidado com a temperatura de serviço, mas por outro lado, confere-lhe uma estrtura que irá agradar a quem gostar deste tipo de brancos, um pouco mais alcoolicos. PVP: 9,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Radar do Vinho: Bojador (Os colheita)

Bojador é um projecto pessoal de Pedro Ribeiro (Herdade do Rocim) que materializa um sonho antigo - transformar em vinho a ligação que tem ao Alentejo. Começou a dar os primeiros passos em 2010, tendo seleccionado a Vidigueira para o fazer, com o objetivo de produzir vinhos que transportem a alma do Baixo Alentejo, desenhados a partir de vinhas velhas seleccionadas e acompanhadas ao pormenor. Do portfolio constam as seguintes referências: Bojador Colheita Branco, Tinto e Rosé; Bojador Tinto Reserva, Bojador Espumante Brut, Bojador Vinho de Talha Branco, e Bojador Vinho de Talha Tinto. Os vinhos de talha têm tido um protagonismo mais evidente neste projecto embora representem apenas 10% do volume produzido. É um projecto e uma marca muito focada nos mercados externos mas começa agora também a ter alguma expressão no mercado português. 

Provamos os colheita, todos de 2018. O Bojador Branco 2018 é produzido das castas Antão Vaz (50%), Arinto (30%) e Alvarinho (20%), resultando esta combinação de castas num conjunto, muito equilibrado, frutado na medida certa e com final muito refrescante. Um branco com  apenas 12,5º de alccol e uma acidez bem interessante para um Alentejano. Gostei particularmente! O Bojador Rosé 2018 é feito de Aragonez (55%) e Touriga Nacional (45%). Mostra-se com uma cor rosa pálida, num conjunto muito suave e delicado, com fruta fresca vermelha. Um rosé para entradas, num registo contido, seco e algo mineral. De novo, apenas 12,5º de alcool. O Bojador Tinto 2018 é produzido de Aragonez (50%), Touriga Nacional (30%) e Trincadeira (20%). Estagia 6 meses em barrica usada de carvalho francês. Apresenta uma fruta preta e vermelha muito bonita, exuberante e apelativa que apetece beber, logo quando encostamos o nariz. Na boca é fresco, com taninos macios e corpo médio, terminando focado na fruta, cheio de sabor. Muito bem.

Pela prova dos colheita, que surpreenderam, como serão as restantes referências da casa... PVP:7€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Em Prova: D. Graça Espumante Bruto Natural 2015


Este espumante, o D. Graça Bruto Natural Viosinho, produzido pela Vinilourenço é proveniente do Douro Superior. Este produtor lança todos os anos um branco reserva feito precisamente da casta Viosinho plantada a 700m de altitude, que é de grande qualidade, pelo que foi natural explorar esta casta um pouco mais e ver qual seria o resultado em espumantizá-la. Foi o primeiro produtor a utilizar o Viosinho para espumante e o resultado é bem agradável.

Bruto natural, o que significa sem adição de açúcar, é um espumante com um aroma delicado e simultaneamente complexo. Notas de brioche e panificação, juntamente com laivos citrinos. A boca tem alguma austeridade a pender para o lado mineral, mas a bolha é fina e a mousse cremosa, mostrando-se seco e muito refrescante, crocante, com pendor gatsronómico. Gostei e recomendo. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Em Prova: D. Graça Donzelinho Branco 2016

Dona Graça é uma marca de vinhos do produtor Vinilourenço, projecto situado do Douro Superior, mais propriamente na Meda. Com enologia do professor Virgilio Loureiro, o projecto tem um portfolio vasto de referências, apostando em também apresentar o que cada casta pode aportar em termos de identidade aos vinhos produzidos. É assim no D. Graça Viosinho ou no D. Graça Rabigato, por exemplo, brancos que são escolha frequente cá em casa e que demonstram bem o terroir da Meda - com muita frescura e mineralidade.

Tive a oportunidade de provar dois brancos desta casa, feitos com castas de "antigamente", agora recuperadas, o fantástico D. Graça Samarinho provado AQUI e o D. Graça Donzelinho 2016, que a foto acima documenta. Trata-se de um branco muito subtil de aroma, talvez levemente floral, com toques de fruta citrina. Na boca, no entanto, tem corpo qb, embora mantendo sempre um registo mais contido, apresentando acidez suficiente para se aguentar bem à mesa. Não é tão explosivo como o Samarrinho que apresenta uma acidez fabulosa, mostrando este, um registo mais recatado, em equilibrio de conjunto. Eu começaria a refeição com o Donzelinho e seguiria a mesma com o Samarrinho! PVP: 13€ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Em Prova: Identidade IM espumante Bruto Natural 2016

Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos (Identidade AM e OM) e mais recentemente, na sua esposa Inga Martin, uma mulher beirã, que adora espumantes, por isso designado Identidade IM

Se os vinhos anteriores eram um tinto e um branco respectivamente, neste caso, temos assim um espumante bruto natural, feito na bairrada, mais propriamente nas Caves São João.

Feito de Arinto (40%), Bical (40%) e Chardonnay (20%), estagia em garrafa por 20 meses. 

O resultado é uma bonita e acertada homenagem à sua esposa, seguindo a linha dos vinhos anteriormente feitos, ou seja, cheio de personalidade e traduzindo essa identidade que o próprio nome sugere. Um espumante que mal cai no copo e se olha para a mousse bonita e espessa, se prevê que estamos na presença de algo bom. Com notas de maçã verde, a bolha é fina e delicada qb, a mousse confirma-se na boca muito cremosa, resultando num conjunto fresco, seco, elegante, mas com estrutura. De perfil algo "champanhês", mas com alguma austeridade bairradina, perfeito para a mesa. Apenas produzidas 1000 garrafas. 

PVP 20€. Disponibilidade: Martin Boutique Wineries

Sérgio Lopes

terça-feira, 23 de abril de 2019

Novidade: Bone, by Pedro Martin

Depois do sucesso dos Identidade AM (Tinto do Dão), OM (Branco da Bairrada) e mais recentemente IM (espumante da Bairrada), vinhos feitos em homenagem aos membros da familia Martin, eis que chegam ao mercado os rótulos "Bone". O objetivo desta referência é o de produzir vinhos secos - "dry as a bone", que funcionem como um instrumento seguro para qualquer sommelier poder aconselhá-los à mesa, sem hesitação. São produções pequenas, de apenas 2000 garrafas de um branco e um tinto, ambos feitos na Bairrada, nas Caves Messias, com o blend seleccionado por Pedro Martin. O Bone Branco 2017 é produzido das "castas típicas da bairrada" e tem apenas uns singelos 11,5º de alcool. Fresco, leve, mas com corpo, seco - é claro e refrescante.  O Bone Tinto 2016 é feito de Syrah (40%), Baga (20%), Touriga Nacional (30%) e Cabernet Saub«vignon (10%). Tem fruta madura na medida certa, complexidade qb e pendor gastronómico, como se pretende com estas referências. Seco, é claro e muito equilibrado. Os Bone não deslumbram como os Identidade (também não seria esse o propósito), mas traduzem-se em apostas seguras, num registo mais fácil e consensual. Para a mesa. PVP: 9€.

Sérgio Lopes