sexta-feira, 8 de março de 2019

Em Prova: Quinta da Costa do Pinhão Tinto 2014


A Quinta da Costa do Pinhão fica às portas de Favaios. Um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. O Quinta da Costa do Pinhão Tinto precisamente de 2014 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. À primeira vista, pela composição de castas, parece uma cópia do Gradual, provado aqui. Mas não é. A percentagem de cada casta é diferente (O Quinta da Costa do Pinhão tem mais Tinta Roriz e o Gradual mais Touriga Nacional). Depois, há também mais um pouco de extracção e consequentemente tempo de barrica e posteriormente Inox para arredondar os taninos naturais das castas utilizadas.

Assim, o perfil deste vinho é ligeiramente diferente, sendo mais próximo de um Douro clássico, sem nunca perder elegancia, mostrando-se também mais sério. E sobretudo muito complexo. É um vinho com fruta vermelha, mas também notas mais terrosas e um lado vegetal mais em evidência. Especiado, mineral, fresco e com taninos frimes, mas elegantes e cheios de textura. Com corpo cheio, termina longo e com um belíssima acidez e profundidade,  pedindo decantação. Um jovem de 2014, cheio de vida, num perfil a meio caminho entre o clássico e a modernidade, sempre com o toque de elegância que é a imagem de marca do produtor. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de março de 2019

Em Prova: Gradual Tinto 2014

O fim-de-semana de carnaval terminou com uma passagem e visita pela Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios. Um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. O Quinta da Costa do Pinhão Gradual precisamente de 2014 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. 

Com enologia de Luis Seabra, é um vinho com uma fruta fresca muito bonita, especiarias, um toque balsãmico e um lado mineral dos solos de xisto com laivos de quartzo. Na boca apresenta meio corpo, com taninos redondos, mas firmes. Um vinho elegante e "easy drinking" mas que é complexo e algo sério, com amplitude e profundidade, apesar da sua aparente facilidade de prova.  

È o "entrada de gama" do produtor, um DOC Douro com apenas 12,5% ,que é uma delicia, não cansa, sendo super versátil à mesa. PVP 12.90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de março de 2019

Fora do Baralho: D. Graça Samarrinho Branco 2016

Dona Graça é uma marca de vinhos do produtor Vinilourenço, projecto situado do Douro Superior, mais propriamente na Meda. Com enologia do professor Virgilio Loureiro o projecto tem um portfolio vasto de referências, apostando em também apresentar o que cada casta pode aportar em termos de identidade aos vinhos produzidos. É assim no D. Graça Viosinho ou no D. Graça Rabigato, por exemplo, brancos que são escolha frequente cá em casa e que demonstram bem o terroir da Meda - com muita frescura e mineralidade. 

O D. Graça Samarrinho Branco 2016 é um branco que pretende homenagear uma uva branca do antigamente e que embora pouco conhecida e trabalhada hoje em dia produziu aqui um vinho que de facto é diferenciador. Um vinho de aroma contido mas muito mineral e com algum perfume suave. Boca cheia de acidez, sensação de lousa molhada, muito texturado e crocante. Termina muito fresco, cítrico, longo e de enorme aptidão gastronómica. Um branco de altitude, seco e com muito "nervo". mesmo ao nosso gosto. Apenas 900 garrafas produzidas! PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 1 de março de 2019

Novidade: Pardusco PRVT. Escolha Tinto 2015


Destacar um vinho tinto do mestre dos brancos de Alvarinho, Anselmo Mendes, não seria óbvio. Mas esta nova edição do Pardusco Private 2015 merece realmente destaque. Pardusco era o nome dado aos primeiros vinhos tintos da sub-região de Monção e Melgaço que eram exportados para Inglaterra, no século XIV - sim a região já foi de tintos!. Existe uma versão deste vinho que ronda os 6€ que apenas vai a Inox e é um exdelente vinho fresco para o verão. O Private já é mais sério, pois passa 2 anos por madeira usada mais um ano de estágio em garrafa.

Eu apenas conhecia a edição de 2012 (penso que terá sido a primeira) e chega agora a segunda edição, do ano 2015. Um tinto dos "verdes" lançado 4 anos após a colheita! O resultado é excelente. Ao primeiro impacto encontrei muitas similaridades com o vinho Zafirah do discípulo de Anselmo Mendes - Constantino Ramos, que também participa neste vinho. Semelhanças sobretudo na fruta bonita e no toque a cedro da madeira e um lado até ceroso. É também um vinho com fruta fresca vermelha, muita frescura de boca, algo aveludado e personalizado. Elegante, com pouca extração, mas estrutura suficente para aguentar um bom arroz de pato ou carnes brancas, por exemplo. Eu bebi-o com uma carne de porco à Alentejana e esteve muito bem. 

Um vinho tinto feito segundo as antigas tradições Portuguesas, ou seja, um vinho de lote com estágio prolongado em barricas usadas que está uns bons furos acima da edição de 2012 na minha opinião. Pena o preço - 20€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Em prova: Almeida Garrett Espumante Super Reserva Bruto Natural 2014


O projeto Almeida Garret é proveniente de Tortosendo, Covilhã e são pioneiros na aposta em Chardonnay, com vinhas com mais de 35 anos. Se os brancos produzidos desta casta já nos tinham deixado impressionados AQUI, o espumante também não ficou atrás! Antes pelo contrário. O Almeida Garrett Espumante Super Reserva 2014 é um bruto natural (sem adição de açúcar), feito 100% da uva Chardonnay. 

A fermentação em barricas de carvalho francês e os 36 meses em garrafa resultam num conjunto complexo e fino. Aroma a panificação e notas amanteigadas, com maçã madura. Boca com mousse delicada, bolha finíssima, apontamentos de brioche e frutos secos, amparados de novo pelas notas manateigadas da casta chardonnay. Final muito refrescante e longo. 

Um espumante com classe ao bom estilo champanhês, proveniente da... Beira Interior. Muito bem! PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Novidade: Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016

A Quinta e Hotel Rural Madre de Água situam-se em Vinhó, Gouveia em plena Serra da Estrela, um projeto recente, iniciado em 2008, com abertura do Hotel em Janeiro de 2013 que pretende reavivar as artes e tradições da região.
Os vinhos são por isso também recentes e contam com a enologia de Paulo Nunes (Casa da Passarela, Casa de Saima) que tem feito um trabalho notável também em Madre de Água, projetando os seus vinhos para a ribalta.

Da gama completa falaremos num outro texto, pois hoje venho destacar a mais recente "estrela da companhia", o Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016.

Proveniente de uma vinha com 50 anos, é naturalmente um blend de castas entre as quais se destacam por exemplo a Tinta-Pinheira, Jaen ou Baga... entre outras. É vinificado em lagar de granito, com engaço parcial e estagia em barrica usada por um ano.

Esta conjugação de castas muito frescas de uma vinha velha e a passagem comedida por madeira usada, resultam num vinho muito elegante e distinto, bem ao jeito de Paulo Nunes. Aqui temos claramente assinatura do enólogo.

Muito focado na fruta vermelha fresca, com alguns apontamentos florais e especiados, impressiona pelo equilibrio e finesse de boca, com uma fruta muito suculenta. Taninos macios, mas firmes, meio corpo, belíssima acidez seca e final longo e guloso. Altamente versátil à mesa. Uma grande surpresa! PVP: 13,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Em Prova: Gouvyas Clarete Seco 2016

Clarete é um tipo de vinho que costuma ser considerado um vinho ligeiro. Tradicionalmente era um produto da fermentação de uvas tintas de pele mais escura com uvas tintas de pele mais clara (blend de Bordéus), mas hoje em dia há quem adicione uma percentagem de uvas brancas para aligeirar a cor e tornar o vinho mais macio, criando na verdade um palhete, mas designando-o na mesma como Clarete. 

É o caso deste Gouvyas Clarete Seco de 2016 da dupla Luis Soares Duarte / João Roseira (este último, o homem por trás do evento simplesmente... Vinho!) que contém 55% de uvas tintas e 45% de uvas brancas, do Douro, co-fermentadas em conjunto, com passagem apenas por  Inox.

Apesar de pertencer aos "tintos", a cor é muito aberta devido à elevada percentagem de uvas brancas no blend. É um vinho deliciosamente perfumado, cheio de fruta fresca vermelha (cereja, framboesa). Na boca, apresenta pouca extração, ou seja, com corpo ligeiro, mas muita frecsura e a tal fruta sumarenta a dar muita graça a todo o conjunto. Leve, mas sem ser em demasia, até com alguma "gordura" de boca, tem um final médio e pouco alcool como é apanágio neste tipo de vinhos  - 12º, o que faz com que o liquido na garrafa desapareça rapidamente. Trata-se de uma produção pequena e dificl de encontrar. Mas eu vou tentar arranjar mais, até porque com o calor a aproximar-se, é para ter umas caixitas deste vinho! PVP: 14€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes