quarta-feira, 6 de março de 2019

Em Prova: Gradual Tinto 2014

O fim-de-semana de carnaval terminou com uma passagem e visita pela Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios. Um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. O Quinta da Costa do Pinhão Gradual precisamente de 2014 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. 

Com enologia de Luis Seabra, é um vinho com uma fruta fresca muito bonita, especiarias, um toque balsãmico e um lado mineral dos solos de xisto com laivos de quartzo. Na boca apresenta meio corpo, com taninos redondos, mas firmes. Um vinho elegante e "easy drinking" mas que é complexo e algo sério, com amplitude e profundidade, apesar da sua aparente facilidade de prova.  

È o "entrada de gama" do produtor, um DOC Douro com apenas 12,5% ,que é uma delicia, não cansa, sendo super versátil à mesa. PVP 12.90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de março de 2019

Fora do Baralho: D. Graça Samarrinho Branco 2016

Dona Graça é uma marca de vinhos do produtor Vinilourenço, projecto situado do Douro Superior, mais propriamente na Meda. Com enologia do professor Virgilio Loureiro o projecto tem um portfolio vasto de referências, apostando em também apresentar o que cada casta pode aportar em termos de identidade aos vinhos produzidos. É assim no D. Graça Viosinho ou no D. Graça Rabigato, por exemplo, brancos que são escolha frequente cá em casa e que demonstram bem o terroir da Meda - com muita frescura e mineralidade. 

O D. Graça Samarrinho Branco 2016 é um branco que pretende homenagear uma uva branca do antigamente e que embora pouco conhecida e trabalhada hoje em dia produziu aqui um vinho que de facto é diferenciador. Um vinho de aroma contido mas muito mineral e com algum perfume suave. Boca cheia de acidez, sensação de lousa molhada, muito texturado e crocante. Termina muito fresco, cítrico, longo e de enorme aptidão gastronómica. Um branco de altitude, seco e com muito "nervo". mesmo ao nosso gosto. Apenas 900 garrafas produzidas! PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 1 de março de 2019

Novidade: Pardusco PRVT. Escolha Tinto 2015


Destacar um vinho tinto do mestre dos brancos de Alvarinho, Anselmo Mendes, não seria óbvio. Mas esta nova edição do Pardusco Private 2015 merece realmente destaque. Pardusco era o nome dado aos primeiros vinhos tintos da sub-região de Monção e Melgaço que eram exportados para Inglaterra, no século XIV - sim a região já foi de tintos!. Existe uma versão deste vinho que ronda os 6€ que apenas vai a Inox e é um exdelente vinho fresco para o verão. O Private já é mais sério, pois passa 2 anos por madeira usada mais um ano de estágio em garrafa.

Eu apenas conhecia a edição de 2012 (penso que terá sido a primeira) e chega agora a segunda edição, do ano 2015. Um tinto dos "verdes" lançado 4 anos após a colheita! O resultado é excelente. Ao primeiro impacto encontrei muitas similaridades com o vinho Zafirah do discípulo de Anselmo Mendes - Constantino Ramos, que também participa neste vinho. Semelhanças sobretudo na fruta bonita e no toque a cedro da madeira e um lado até ceroso. É também um vinho com fruta fresca vermelha, muita frescura de boca, algo aveludado e personalizado. Elegante, com pouca extração, mas estrutura suficente para aguentar um bom arroz de pato ou carnes brancas, por exemplo. Eu bebi-o com uma carne de porco à Alentejana e esteve muito bem. 

Um vinho tinto feito segundo as antigas tradições Portuguesas, ou seja, um vinho de lote com estágio prolongado em barricas usadas que está uns bons furos acima da edição de 2012 na minha opinião. Pena o preço - 20€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Em prova: Almeida Garrett Espumante Super Reserva Bruto Natural 2014


O projeto Almeida Garret é proveniente de Tortosendo, Covilhã e são pioneiros na aposta em Chardonnay, com vinhas com mais de 35 anos. Se os brancos produzidos desta casta já nos tinham deixado impressionados AQUI, o espumante também não ficou atrás! Antes pelo contrário. O Almeida Garrett Espumante Super Reserva 2014 é um bruto natural (sem adição de açúcar), feito 100% da uva Chardonnay. 

A fermentação em barricas de carvalho francês e os 36 meses em garrafa resultam num conjunto complexo e fino. Aroma a panificação e notas amanteigadas, com maçã madura. Boca com mousse delicada, bolha finíssima, apontamentos de brioche e frutos secos, amparados de novo pelas notas manateigadas da casta chardonnay. Final muito refrescante e longo. 

Um espumante com classe ao bom estilo champanhês, proveniente da... Beira Interior. Muito bem! PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Novidade: Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016

A Quinta e Hotel Rural Madre de Água situam-se em Vinhó, Gouveia em plena Serra da Estrela, um projeto recente, iniciado em 2008, com abertura do Hotel em Janeiro de 2013 que pretende reavivar as artes e tradições da região.
Os vinhos são por isso também recentes e contam com a enologia de Paulo Nunes (Casa da Passarela, Casa de Saima) que tem feito um trabalho notável também em Madre de Água, projetando os seus vinhos para a ribalta.

Da gama completa falaremos num outro texto, pois hoje venho destacar a mais recente "estrela da companhia", o Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016.

Proveniente de uma vinha com 50 anos, é naturalmente um blend de castas entre as quais se destacam por exemplo a Tinta-Pinheira, Jaen ou Baga... entre outras. É vinificado em lagar de granito, com engaço parcial e estagia em barrica usada por um ano.

Esta conjugação de castas muito frescas de uma vinha velha e a passagem comedida por madeira usada, resultam num vinho muito elegante e distinto, bem ao jeito de Paulo Nunes. Aqui temos claramente assinatura do enólogo.

Muito focado na fruta vermelha fresca, com alguns apontamentos florais e especiados, impressiona pelo equilibrio e finesse de boca, com uma fruta muito suculenta. Taninos macios, mas firmes, meio corpo, belíssima acidez seca e final longo e guloso. Altamente versátil à mesa. Uma grande surpresa! PVP: 13,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Em Prova: Gouvyas Clarete Seco 2016

Clarete é um tipo de vinho que costuma ser considerado um vinho ligeiro. Tradicionalmente era um produto da fermentação de uvas tintas de pele mais escura com uvas tintas de pele mais clara (blend de Bordéus), mas hoje em dia há quem adicione uma percentagem de uvas brancas para aligeirar a cor e tornar o vinho mais macio, criando na verdade um palhete, mas designando-o na mesma como Clarete. 

É o caso deste Gouvyas Clarete Seco de 2016 da dupla Luis Soares Duarte / João Roseira (este último, o homem por trás do evento simplesmente... Vinho!) que contém 55% de uvas tintas e 45% de uvas brancas, do Douro, co-fermentadas em conjunto, com passagem apenas por  Inox.

Apesar de pertencer aos "tintos", a cor é muito aberta devido à elevada percentagem de uvas brancas no blend. É um vinho deliciosamente perfumado, cheio de fruta fresca vermelha (cereja, framboesa). Na boca, apresenta pouca extração, ou seja, com corpo ligeiro, mas muita frecsura e a tal fruta sumarenta a dar muita graça a todo o conjunto. Leve, mas sem ser em demasia, até com alguma "gordura" de boca, tem um final médio e pouco alcool como é apanágio neste tipo de vinhos  - 12º, o que faz com que o liquido na garrafa desapareça rapidamente. Trata-se de uma produção pequena e dificl de encontrar. Mas eu vou tentar arranjar mais, até porque com o calor a aproximar-se, é para ter umas caixitas deste vinho! PVP: 14€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Radar do Vinho: Titan of Douro

Luis Leocádio é um jovem e talentoso enólogo cuja notoriedade se começou a mostrar sobretudo no excelente trabalho desenvolvido na Quinta do Cardo, onde conseguiu colocar a Beira Interior com o merecido destaque, desenhando um conjunto de vinhos surpreendentes e de extrema qualidade. E diferenciadores. Adicionalmente Luis atua também como consultor em vários projetos (Quinta do Estanho, Quinta da Cuca, entre outros) onde o seu cunho pessoal qualitativo é evidente por onde passa, sempre respeitando as particularidades do terroir.
Recentemente, decidiu lançar o seu projecto pessoal intitulado Titan of Douro, em homenagem ao seu fiel cão, cuja imagem se encontra bem marcada sobretudo nos vinhos colheita do projecto. A ideia por trás do mesmo foi desde o início o foco pela procura de vinhas velhas nos lugares mais genuínos e menos explorados no Douro, onde existissem novas histórias para contar em forma de vinho. O local escolhido foi o Sopé da Serra do Reboredo (1.000 mts Alt), em Paredes da Beira, no ponto a maior altitude do Douro. Rodeada com abundância de afloramentos graníticos, a zona tem solos de granito areno entremeados por filões de quartzo, altitude entre 700 - 1.000 mts, encontra-se nas encostas do Rio Távora e possui um invejável património de vinhas centenárias, intocáveis ao longo do tempo e mantidas pelas mãos curtidas de anos de trabalho duro durante gerações. Resultam por isso vinhos de grande frescura, caracter e identidade!
Para além dos Titan colheita tinto e branco (PVP 9,90€), muito equilibrados e agradáveis, o projeto contempla os  singulares Vale dos Mil Single Vineyard Branco e Tinto (PVP 29€), provenientes de uma vinha muito velha e ainda um tinto fermentado e estagiado parcialmente em ânfora de barro, o Titan of Douro Estágio em Barro (PVP 35€). 

O Vale dos Mil Single Vineyard Branco 2016 é feito de vinhas velhas, logo, com uma enorme diversidade de castas brancas do antigamente. Essa diversidade (mais de 30 castas diferentes), a altitude e maturidade de uma vinha tão velha aportam a este vinho uma potencia contida invejável. Complexo, intenso, profundo, fresco e vibrante, dá já uma grande prova, mas crescerá muito em garrafa. A boca é untuosa, sem que a madeira se note, resultando num conjunto elegante e harmonioso. Notas citrinas e minerais complementam um vinho riquíssimo aromaticamente e que deve ser bebido com muito atenção. Termina longo. Um grande branco. Para a mesa. 1600 garrafas produzidas.

O Vale dos Mil Single Vineyard Tinto 2016 provém de uma vinha com mais de 180 anos, plantada em pé franco. Pisado em lagares, foi feito para respeitar os grandes tintos clássicos durienses, mas com o polimento característico que Luis Leocádio imprime nos seus vinhos. Muito complexo, cheio de fruta vermelha, alguma especiaria, um lado balsãmico a conferir enorme frescura. Na boca é potente, com taninos firmes mas macios. Aqui não há espaço para extrações. Termina longo e muito fresco. Um digno exemplar de um vinhas velhas duriense de altitude! 1000 garrafas produzidas.


Finalmente, o Titan of Douro Estágio em Barro 2016, elaborado com uma variedade de castas de uma parcela da vinha centenária. Pisadas em lagar de pedra onde decorre dois terços da fermentação, sendo que o último terço fermenta e estagia em pequenas talhas de barro, por 16 meses. O resultado é um vinho sui-generis, super fresco e puro. O que perde em potência e corpo para o Vale dos Mil ganha em elegância, mantendo uma invejável complexidade. Eu achei-o delicioso e acompanhou de forma brilhante um risotto de cogumelos selvagens. Um daqueles vinhos que se bebe com muito prazer. Talvez o menos consensual do projeto, mas seguramente o mais diferenciador. Apenas 890 garrafas produzidas.

Um projecto de vigneron, de terroir e de paixão que mostra a (primeira) aventura a solo de Luis Leocádio, distinguido enólogo revelação do ano by revista de vinhos!

Sérgio Lopes