sábado, 9 de fevereiro de 2019

Em Prova: Chapeleiro

Originário de Marco de Canaveses, o projeto Chapeleiro nasce de forma descomprometida em 2007 com a plantação da primeira vinha. Inicialmente tudo se tratou de reestruturar património rural, não havendo tradição familiar na vinha, nem no vinho. Começaram por plantar um pouco de tudo: Azal, Trajadura, Fernão Pires e Alvarinho. Mas o Chapeleiro plantou em 90% da área disponível Arinto e Loureiro, tudo num patamar com pouco mais do que meio hectare. Hoje há mais área de vinha com Avesso, e também mais duas parcelas de Loureiro. Por trás deste jovem projeto está Carlos Gabriel Fernandes que foi buscar o nome do vinho ao Avô Belmiro, conhecido como “Chapeleiro”. A enologia está a cargo de António Sousa.

Neste momento existem dois vinhos no mercado, o Chapeleiro Arinto-Loureiro 2017 (5€), um vinho fresco, com notas tropicais, um pouco de gás, ainda que não em demasia e algum açúcar residual, num perfil que ainda representa a região e que é extremamente comercial; E o Chapeleiro Reserva 2016 (14€), feito de Avesso (70%) e Alvarinho (30%) e com um ano de estágio em barrica nova de carvalho francês. Este perfil é mais sério e mais do meu agrado, num vinho de aroma contido, com a barrica ainda em primeiro plano, mas já muito mais integrada. A boca tem untuosidade, frescura e termina longo e bom companheiro à mesa. Abri pela altura das festividades de fim-de-ano e acompanhou um bacalhau na perfeição. Vai crescer ainda em garrafa. Apenas 650 garrafas produzidas, numa experiência que tem pernas para continuar. Aiás, espera-se um ano cheio de novidades com o lançamento de um 100% avesso, entre outars surpresas...

Sérgio Lopes

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Em Prova: Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017

Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. 

O Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017, "partiu do carácter intenso, aguerrido e doce do seu filho António Martin". 

São 1300 garrafas de um vinho feito na Magnum Wines de Carlos Lucas, no Dão, composto por 50% Touriga Nacional, Tinta Roriz 20%, Alfrocheiro 20% e Jaen 10%.

O blend típico do Dão mostra um vinho repleto de fruta fresca, algum toque floral, e leve especiaria. Todo o conjunto transpira jovialidade e frrescura. 

A boca é macia, o corpo é médio e o final sumarento e focado na fruta. Sempre com a frescura em pano de fundo e uma certa contenção a mostrar que o tempo de garrafa lhe vai fazer bem. Excelente companheiro à mesa. 

Mais um vinho desenhado para se beber com prazer. 

Menos impactante que o irmão branco (Identidade OM), mas muito prazeroso e um digno exemplar da região, onde frescura e jovialidade imperam. 

PVP: 13,50€. Dipsonibilidade: Martin Boutique Wines.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Em Prova: Identidade OM Grande Reserva Branco 2017


Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. O Identidade OM Grande Reserva Branco 2017 é em homenagem ao seu filho Oliver Martin e reflecte a sua personalidade -  "sorriso fácil e longevidade". É uma edição muito limtada de apenas 1000 garrafas de um lote de 85% Arinto e o restante Chardonnay, de solos argilo-calcários, feito na Quinta do Poço do Lobo, na Bairrada. 

Trata-se de um vinho de aroma contido, com nuances citrinas, mas com uma boca vibrante, onde as notas calcárias e de maresia são evidentes. A boca tem volume, é fresca, crocante e com um final longo. E com apenas 11º de alcool e pendor gastronómico. Um vinho desenhado para se gostar de beber. Um vinho de sommelier? Pois, adorei. E logo na sua primeira edição, com selo de Grande reserva. Muito bem.  PVP: 15€. Disponibilidade: Martin Boutique Wine

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Em Prova: Quinta do Todão

A Quinta do Todão situa-se em frente à localidade de Gouvinhas, na sub-região do Cima Corgo. Trata-se de uma quinta histórica, com referências seculares no vinho do Porto. A sua área de vinha estende-se por 50 hectares, tendo sido uma grande parte reconvertida sob a orientação da equipa de viticultura da Quinta do Crasto. Durante muitos anos as uvas eram vendidas às casas clássicas do Vinho do Porto, mas mais recentemente decidiram produzir o seu próprio vinho, o que tem acontecido com alguma frequência nos últimos anos, no Douro, onde produtores de dimensão mais pequena, investem no seu próprio projeto. No ano passado provei pela primeira vez o Quinta do Todão Reserva Tinto 2012, produzido desde 2006, embora em quantidades muito reduzidas (único vinho até então). Este ano, o meu amigo Filipe Leonardo quis-me apresentar para além da nova colheita do reserva tinto, também os recentes Todão branco, rosé e tinto que vêm alargar o portfolio da casa.

O Todão Branco 2017, produzido das castas Viosinho, Rabigato e Códega de Larinho, mostra-se um vinho equilibrado, com notas citrinas, algum pendor mineral, fresco, com boa acidez, redondo e bom companheiro à mesa. O Todão Rosé 2017 é feito de Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. O resultado é um Rosé Duriense com uma bonita cor e de aspeto cristalino. Mostra-se elegante, introvertido de aroma (bouquet de rosas), fresco e seco, de pendor gastronómico. Com corpo médio e final refrescante e seco. O Todão Tinto 2015 produzido de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca é um vinho com uma fruta fresca bonita que nos remonta imediatamente para o Douro. Os taninos são macios, com uma boca média e muito equilibrada, a fazer lembrar aqueles vinhos a meio caminho entre o terroir rustico do Douro, mas com um polimento muito interessante. Foi um sucesso à mesa. 



Todos os vinho da gama Todão são produzidos com uvas de terceiros, criteriosamente seleccionadas pelo enólogo Jean-Hughes Gross (Odisseia, Quinta da Casa Amarela)a um PVP recomendado de 6,99€. Para o ano está na calha, esta gama ser também produzida com uvas próprias, à excepção do branco, por limitação de altitude.

Finalmente, a nova edição do Quinta do Todão Melhores Vinhas Reserva 2013. Este vinho é feito na Quinta do Crasto, com enologia a cargo de Manuel Lobo. Feito com as melhores vinhas de castas durienses (60% Touriga Nacional+ 30% Touriga Franca+ 10% vinhas velhas - castas misturadas), apresenta o perfil típico dos vinhos com o dedo de Manuel Lobo, do vizinho Crasto: Aroma perfumado com fruta de qualidade, barrica bem integrada, vertente de elegância em vez da concentração, muita frescura, e uma boca sedosa, algum grafite e final longo de pendor gastronómico. Um belíssimo exemplar a precisar ainda de tempo. PVP: 12,99€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Em prova: Sem Igual 2017


Chegada ao mercado da novíssima colheita do vinho Sem Igual a de 2017, do meu amigo João Camizão. Numa altura em que as principais casas da região dos vinhos verdes estão a comercializar a colheita de 2018, João lançou o 2017 há poucos meses. É natural, pois normalmente os seus vinhos são totalmente diferenciadores, feitos para guarda e crescerem em garrafa, precisando de 3 a 4 anos para se mostrarem na sua plenitude. 

O "mix" de Arinto a contribuir com o corpo e estrutura, e o Azal com a elegância são a base deste vinho. Por agora, como habitual o vinho está a precisar de assentar, mostra-se um pouco fechado, muito mineral, com apontamentos citrinos e alguma fruta branca, mas muito tenso e cheio de poder contido. A boca é até um pouco austera, super fresca e com uma belíssima acidez refrescante. Dá já uma boa prova, mas precisa de tempo. Eu gosto por vezes de vinhos nesta fase, cheios do tal poder contido, mas esperando o tempo que é necessário, como por exemplo a colheita de 2016 que João ainda comercializa e está espetacular nesta fase, vale bem a pena! Prevê-se uma colheita de 2017, de novo sem igual! PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Em Prova: Deslumbre 2017


O projeto do vinho "DESLUMBRE" nasceu à 7 anos numa "brincadeira" no sentido da criação de um vinho para consumo próprio, mas cedo Jorge Pinto se apaixonou pelo mesmo e decidiu criar e lançar o vinho Deslumbre, apenas 2 anos depois,  em 2014, com o objetivo de o comecializar. 

Proveniente da freguesia de Figueiras, concelho de Lousada, o Deslumbre 2017 é composto por: 40% Alvarinho, 40% Loureiro, 10% de Arinto e 10% Trajadura. Vinho com enologia António Sousa apresenta-se com um aroma com apontamentos citrinos e florais, muito fresco e apetecivel. Na boca apresenta um pouquinho de gás, típico do perfil de muitos vinhos da região e um ligeiro açúcar residual que não se sente em demasia, fruto talvez das castas Alvarinho e Arinto que tornam o vinho muito equilibrado e refrescante. Confesso que gostei do vinho e que dada a sua leveza, é vinho para desaparecer copo a copo, sobretudo quando o calor aperta. Um perfil típico da região, como a conhecemos. Sem exageros de doçura, no entanto, o que se aplaude.  PVP:4,5€. Disponibilidade: FB.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Em Prova: Quinta de Sanjoanne Terroir Mineral 2016

Só faltava este vinho (quer dizer ainda há o belíssimo Sanjoanne Superior), mas das minhas compras recentes, faltava falar do Terroir Mineral 2016, um dos vinhos do João Pedro Araújo que consumo com regularidade. 

Produzido das castas Avesso e Loureiro, em Amarante, trata-se de um vinho que faz jus à designação de "mineral" - com alguma austeridade e um traço acentuado a "pedra molhada" (bem sei que o descritivo "mineral" não é consensual - mas é mesmo o que parece!). 

Sente-se também alguma fruta branca e um travo limonado com alguma intensidade que lhe confere uma grande frescura. 

O conjunto é bem afinado e até com alguma delicadeza, com apenas 12,5º de alccol e que dá muito prazer a beber já. 

Mas esperemos mais um par de anos e então, esta referência ganha outra dimensão.  
Uma boa porta de entrada para os restantes vinhos que João Pedro Araújo produz na sua Quinta de SanJoanne. 

Um vinho que está sempre na porta do meu frigorífico. 

PVP: 7€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes