segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Em Prova: Quinta do Todão

A Quinta do Todão situa-se em frente à localidade de Gouvinhas, na sub-região do Cima Corgo. Trata-se de uma quinta histórica, com referências seculares no vinho do Porto. A sua área de vinha estende-se por 50 hectares, tendo sido uma grande parte reconvertida sob a orientação da equipa de viticultura da Quinta do Crasto. Durante muitos anos as uvas eram vendidas às casas clássicas do Vinho do Porto, mas mais recentemente decidiram produzir o seu próprio vinho, o que tem acontecido com alguma frequência nos últimos anos, no Douro, onde produtores de dimensão mais pequena, investem no seu próprio projeto. No ano passado provei pela primeira vez o Quinta do Todão Reserva Tinto 2012, produzido desde 2006, embora em quantidades muito reduzidas (único vinho até então). Este ano, o meu amigo Filipe Leonardo quis-me apresentar para além da nova colheita do reserva tinto, também os recentes Todão branco, rosé e tinto que vêm alargar o portfolio da casa.

O Todão Branco 2017, produzido das castas Viosinho, Rabigato e Códega de Larinho, mostra-se um vinho equilibrado, com notas citrinas, algum pendor mineral, fresco, com boa acidez, redondo e bom companheiro à mesa. O Todão Rosé 2017 é feito de Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. O resultado é um Rosé Duriense com uma bonita cor e de aspeto cristalino. Mostra-se elegante, introvertido de aroma (bouquet de rosas), fresco e seco, de pendor gastronómico. Com corpo médio e final refrescante e seco. O Todão Tinto 2015 produzido de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca é um vinho com uma fruta fresca bonita que nos remonta imediatamente para o Douro. Os taninos são macios, com uma boca média e muito equilibrada, a fazer lembrar aqueles vinhos a meio caminho entre o terroir rustico do Douro, mas com um polimento muito interessante. Foi um sucesso à mesa. 



Todos os vinho da gama Todão são produzidos com uvas de terceiros, criteriosamente seleccionadas pelo enólogo Jean-Hughes Gross (Odisseia, Quinta da Casa Amarela)a um PVP recomendado de 6,99€. Para o ano está na calha, esta gama ser também produzida com uvas próprias, à excepção do branco, por limitação de altitude.

Finalmente, a nova edição do Quinta do Todão Melhores Vinhas Reserva 2013. Este vinho é feito na Quinta do Crasto, com enologia a cargo de Manuel Lobo. Feito com as melhores vinhas de castas durienses (60% Touriga Nacional+ 30% Touriga Franca+ 10% vinhas velhas - castas misturadas), apresenta o perfil típico dos vinhos com o dedo de Manuel Lobo, do vizinho Crasto: Aroma perfumado com fruta de qualidade, barrica bem integrada, vertente de elegância em vez da concentração, muita frescura, e uma boca sedosa, algum grafite e final longo de pendor gastronómico. Um belíssimo exemplar a precisar ainda de tempo. PVP: 12,99€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Em prova: Sem Igual 2017


Chegada ao mercado da novíssima colheita do vinho Sem Igual a de 2017, do meu amigo João Camizão. Numa altura em que as principais casas da região dos vinhos verdes estão a comercializar a colheita de 2018, João lançou o 2017 há poucos meses. É natural, pois normalmente os seus vinhos são totalmente diferenciadores, feitos para guarda e crescerem em garrafa, precisando de 3 a 4 anos para se mostrarem na sua plenitude. 

O "mix" de Arinto a contribuir com o corpo e estrutura, e o Azal com a elegância são a base deste vinho. Por agora, como habitual o vinho está a precisar de assentar, mostra-se um pouco fechado, muito mineral, com apontamentos citrinos e alguma fruta branca, mas muito tenso e cheio de poder contido. A boca é até um pouco austera, super fresca e com uma belíssima acidez refrescante. Dá já uma boa prova, mas precisa de tempo. Eu gosto por vezes de vinhos nesta fase, cheios do tal poder contido, mas esperando o tempo que é necessário, como por exemplo a colheita de 2016 que João ainda comercializa e está espetacular nesta fase, vale bem a pena! Prevê-se uma colheita de 2017, de novo sem igual! PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Em Prova: Deslumbre 2017


O projeto do vinho "DESLUMBRE" nasceu à 7 anos numa "brincadeira" no sentido da criação de um vinho para consumo próprio, mas cedo Jorge Pinto se apaixonou pelo mesmo e decidiu criar e lançar o vinho Deslumbre, apenas 2 anos depois,  em 2014, com o objetivo de o comecializar. 

Proveniente da freguesia de Figueiras, concelho de Lousada, o Deslumbre 2017 é composto por: 40% Alvarinho, 40% Loureiro, 10% de Arinto e 10% Trajadura. Vinho com enologia António Sousa apresenta-se com um aroma com apontamentos citrinos e florais, muito fresco e apetecivel. Na boca apresenta um pouquinho de gás, típico do perfil de muitos vinhos da região e um ligeiro açúcar residual que não se sente em demasia, fruto talvez das castas Alvarinho e Arinto que tornam o vinho muito equilibrado e refrescante. Confesso que gostei do vinho e que dada a sua leveza, é vinho para desaparecer copo a copo, sobretudo quando o calor aperta. Um perfil típico da região, como a conhecemos. Sem exageros de doçura, no entanto, o que se aplaude.  PVP:4,5€. Disponibilidade: FB.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Em Prova: Quinta de Sanjoanne Terroir Mineral 2016

Só faltava este vinho (quer dizer ainda há o belíssimo Sanjoanne Superior), mas das minhas compras recentes, faltava falar do Terroir Mineral 2016, um dos vinhos do João Pedro Araújo que consumo com regularidade. 

Produzido das castas Avesso e Loureiro, em Amarante, trata-se de um vinho que faz jus à designação de "mineral" - com alguma austeridade e um traço acentuado a "pedra molhada" (bem sei que o descritivo "mineral" não é consensual - mas é mesmo o que parece!). 

Sente-se também alguma fruta branca e um travo limonado com alguma intensidade que lhe confere uma grande frescura. 

O conjunto é bem afinado e até com alguma delicadeza, com apenas 12,5º de alccol e que dá muito prazer a beber já. 

Mas esperemos mais um par de anos e então, esta referência ganha outra dimensão.  
Uma boa porta de entrada para os restantes vinhos que João Pedro Araújo produz na sua Quinta de SanJoanne. 

Um vinho que está sempre na porta do meu frigorífico. 

PVP: 7€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 26 de janeiro de 2019

Em prova: Quinta de Sanjoanne Alvarinho 2016


A Quinta de Sanjoanne de João Pedro Araújo desde cedo apostou na produção de vinhos diferenciadors na região dos "verdes". Até pela escolha das castas, onde por exemplo, Alvarinho (o berço de origem é Monção e Melgaço como sabemos) ou Malvasia Fina, por exemplo. São vinhos que aguentam a passagem do tempo como poucos na região, não me canso de repetir.

Este Quinta de Sanjoanne Alvarinho de 2016 está, como habitual, super novo, mas já a dar grande prazer. A componente citrina da casta está bem evidente, num conjunto cremoso, delicado, sedoso e cheio de frescura com um toque de mineralidade. A plasticidade da casta Alvarinho a mostrar-se no terroir particular de Amarante de uma forma original e muito prazerosa. PVP:10,90€ . Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Deu-la-Deu Colheita 2015


A Adega de Monção é uma produtora de vinhos de referência na região dos vinhos verdes, em particular da sub-região de Monção e Melgaço, quer pela relação preço/qualidade, quer pela quantidade que consegue atingir anualmente. Marcas como Muralhas de Monção ou Deu-la-Deu são já "clássicos" em qualquer grande superfície e escolhas seguras para o dia-a-dia. E as colheitas do ano "desaparecem" rápido (deve estar a sair a 2018), pois são vinhos de alta rotação nas grandes superficies.

Por sorte "esqueci-me" de uma Deu-la-Deu do ano de 2015 na minha garrafeira e pude apreciá-la agora. Ainda extremamente jovem, surpreendeu pela sua pureza de citrino (um dos marcadores da casta), a sua frescura e acidez crocante, para além de corpo médio e um final bem refrescante. Um digno exemplar de Alvarinho. Vindo de uma Adega Cooperativa, cada vez mais com o selo de qualidade. Muito bem.

Sérgio Lopes

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Aneto Grande Reserva Tinto 2007


Este vinho é o topo de gama do produtor / enólogo Francisco Montenegro, que para além de diversos trabalhos como consultor (Quinta do Pôpa, Quinta do Arcossó, entre vários outros) tem o seu próprio projeto com a marca Aneto, e que já é uma referência no que de melhor se faz no Douro. Creio que as principais características de todos os seus vinhos são a harmonia e a finesse. A paixão que emprega na feitura dos seus vinhos, está completamente espelhada nos mesmos. O Aneto Grande Reserva Tinto 2007 é um vinho composto pelas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, em iguais partes, que estagia em barricas novas de carvalho cerca de 18 meses em 6 meses em garrafa. 

Foi seguramente dos primeiros projetos que me fez transportar para o univeros dos vinhos, corria o ano de 2011. E foi por isso com muitissimo agrado que bebei esta garrafa no passado sábado no restaurante Vilamar. Que belo regresso! Está um vinho na idade adulta, cheio de taninos amaciados pelo tempo, ainda com fruta, mas também com aromas terciários, que em nada aborrecem, antes enaltecem o vinho. A boca é envolvente, cheia de finura e seda. Termina longo e deliciosso. Acompanhou 3 harmonizações muitíssimo bem: Bacalhau com puré de grão, uma carne maturada e ainda uma coxa de pato assada. Elevando cada um dos pratos. Foi até à última gota. Bravo Francisco Montenegro. 

Sérgio Lopes