sábado, 26 de janeiro de 2019

Em prova: Quinta de Sanjoanne Alvarinho 2016


A Quinta de Sanjoanne de João Pedro Araújo desde cedo apostou na produção de vinhos diferenciadors na região dos "verdes". Até pela escolha das castas, onde por exemplo, Alvarinho (o berço de origem é Monção e Melgaço como sabemos) ou Malvasia Fina, por exemplo. São vinhos que aguentam a passagem do tempo como poucos na região, não me canso de repetir.

Este Quinta de Sanjoanne Alvarinho de 2016 está, como habitual, super novo, mas já a dar grande prazer. A componente citrina da casta está bem evidente, num conjunto cremoso, delicado, sedoso e cheio de frescura com um toque de mineralidade. A plasticidade da casta Alvarinho a mostrar-se no terroir particular de Amarante de uma forma original e muito prazerosa. PVP:10,90€ . Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Deu-la-Deu Colheita 2015


A Adega de Monção é uma produtora de vinhos de referência na região dos vinhos verdes, em particular da sub-região de Monção e Melgaço, quer pela relação preço/qualidade, quer pela quantidade que consegue atingir anualmente. Marcas como Muralhas de Monção ou Deu-la-Deu são já "clássicos" em qualquer grande superfície e escolhas seguras para o dia-a-dia. E as colheitas do ano "desaparecem" rápido (deve estar a sair a 2018), pois são vinhos de alta rotação nas grandes superficies.

Por sorte "esqueci-me" de uma Deu-la-Deu do ano de 2015 na minha garrafeira e pude apreciá-la agora. Ainda extremamente jovem, surpreendeu pela sua pureza de citrino (um dos marcadores da casta), a sua frescura e acidez crocante, para além de corpo médio e um final bem refrescante. Um digno exemplar de Alvarinho. Vindo de uma Adega Cooperativa, cada vez mais com o selo de qualidade. Muito bem.

Sérgio Lopes

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Aneto Grande Reserva Tinto 2007


Este vinho é o topo de gama do produtor / enólogo Francisco Montenegro, que para além de diversos trabalhos como consultor (Quinta do Pôpa, Quinta do Arcossó, entre vários outros) tem o seu próprio projeto com a marca Aneto, e que já é uma referência no que de melhor se faz no Douro. Creio que as principais características de todos os seus vinhos são a harmonia e a finesse. A paixão que emprega na feitura dos seus vinhos, está completamente espelhada nos mesmos. O Aneto Grande Reserva Tinto 2007 é um vinho composto pelas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, em iguais partes, que estagia em barricas novas de carvalho cerca de 18 meses em 6 meses em garrafa. 

Foi seguramente dos primeiros projetos que me fez transportar para o univeros dos vinhos, corria o ano de 2011. E foi por isso com muitissimo agrado que bebei esta garrafa no passado sábado no restaurante Vilamar. Que belo regresso! Está um vinho na idade adulta, cheio de taninos amaciados pelo tempo, ainda com fruta, mas também com aromas terciários, que em nada aborrecem, antes enaltecem o vinho. A boca é envolvente, cheia de finura e seda. Termina longo e deliciosso. Acompanhou 3 harmonizações muitíssimo bem: Bacalhau com puré de grão, uma carne maturada e ainda uma coxa de pato assada. Elevando cada um dos pratos. Foi até à última gota. Bravo Francisco Montenegro. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Em Prova: Quinta de Sanjoanne Escolha 2014


Os vinhos Quinta de San Joanne são provenientes de Amarante. João Pedro Araújo é o produtor que também produz no Dão, sob a chancela Quinta da Vegia. João é um dos incorfomados da região dos vinhos verdes e daqueles que desde o inicio defendeu (e provou) que a região dos vinhos verdes é capaz de produzir grandes vinhos brancos, que desafiam a passagem dos tempos. A referência Escolha é como o próprio nome indica a selecção das castas que melhor se expressaram naquele ano. 

O Escolha 2014 é feito de Alvarinho e Avesso. Com apenas 11,5º de alcóol é um vinho que neste momento está incrivelmente jovem, apesar dos seus quase 5 anos. A nota dominante é uma fruta citrina (lima, limão, toranja), quase que parecem aquelas frutas que ao "trincar" fazemos "cara feia" tal a acidez que manifestam. O que neste caso é espetacular! 

Extremente seco, austero, com uma boca imensamente fresca, crocante, de final longo que só apetece beber. E já disse que apenas tem 11,5º de alccol? WOW. Ah e sem adição de gás carbónico... naturalmente 

PVP: 10,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Radar do Vinho: Quinta de S. Sebastião

Arruda dos Vinhos, como o próprio nome indica, é região de tradição vinícola,  e a Quinta de S. Sebastião é provavelmente o projecto mais identificativo desta sub-região de Lisboa. Propriedade de António Parente que se enamorou pelo local e decidiu "colocar no mapa a região de Arruda dos Vinhos". Para além do vinho, António tem uma outra paixão, os cavalos, que também podem ser vistos serenamente na Quinta. Trata-se de um projecto recente (as vinhas foram plantadas no inicio do século), sendo que o primeiro vinho nasce em 2007. A partir de 2012, o projecto entra em velocidade de cruzeiro, chegando este ano a ultrapassar o milhão de garrafas. São 80 hectares de vinha exterior à Quinta de S. Sebastião com diferentes solos e exposições, que permitem ter perfis de vinhos distintos. Que somam aos 10 hectares de vinha plantada na Quinta.

O projecto comporta as marcas Mina Velha (entrada), S. Sebastião (normalmente um lote contendo uma casta nacional e uma internacional) e Quinta de S. Sebastião, esta última com vinhos feitos exclusivamente com as uvas da quinta. O clima temperado e a proximidade com o mar conferem aos vinhos uma frescura e pendor gastronómico evidentes. 

A primeira vez que provei os vinhos da Quinta de S. Sebastião foi no Restaurante "O Fuso" precisamente na Arruda dos Vinhos, um restaurante onde se come uma bela (e gigante) posta de Bacalhau na Brasa... Recomendo! Os copos nem foram os melhores, onde foi servido o vinho, penso que branco, mas comportou-se muito bem. Isto no (já) longinquo ano de 2011...


Foi por isso com agrado que tive oportunidade de provar algumas das novas colheitas em comercialização. Da gama Quinta de S. Sebastião, o colheita branco 2017 (arinto, cerceal e sauvignon blanc) é um vinho focado nos citrinos, muito fresco, equilibrado, refrescante e que vai bem à mesa. O Rosé também de 2017 acompanhou bem uma pizza, mostrando-se um vinho com alguma fruta exótica e notas florais, corpo médio e de perfil comercial. Atenção apenas à temperatuta de serviço, para não induzir alguma sensação de doçura. O Quinta de S. Sebastião colheita tinto (Touriga Nacional e Roriz) é um vinho super equlibrado, daqueles vinhos da região de Lisboa, que são consensuais, numa conjugação perfeita entre fruta, algumas notas balsãmicas que lhe conferem complexidade acrescida e uma elegância de conjunto. Os 3 vinhos com PVP a rondar os 8€. Finalmente provamos os Quinta S. Sebastião Reserva Tinto 2016 e 2015 (PVP 12€ - Merlot, Syrah e Touriga; Syrah e Touriga, respetivamente), ambos provados em momentos e com pessoas diferentes. Foram ambos um sucesso - vinhos afinados, equilibrados, polidos e que agradam de uma forma geral. Um verdadeiro upgrade em relação aos colheita e daqueles vinhos que devemos ter por casa dada a sua versatilidade gastronómica.

Ficamos com vontade de provar os restantes vinhos, sobretudos os diversos monocastas, mas isso ficará para uma outra oportunidade.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Em Prova: Beyra Reserva Tinto 2016

Rui Roboredo Madeira é o nome por trás dos projectos Castello D´Alba - no Douro, marca sobejamente conhecida e disponivel nas grandes superficies, com inegável qualidade a um belo preço - e Beyra - na Beira Interior, também de fácil acesso nos hipermercados, mas talvez não tão difundido, embora igualmente de grande mérito. 

Assim trouxe, de novo, de uma grande superfície o vinho Beyra Reserva Tinto 2016 para acompanhar um cozido à portuguesa. Feito de Tinta Roriz (80%) e Jaen (20%) estagia 8 meses em barricas de carvalho francês (1/3) e americano (2/3). 

Trata-se de um vinho fresco e elegante, resultado dos solos xistosos de altitude, com uma cor intensa e focado na fruta silvestre, coadjudavo com alguma especiaria. 

Na boca apresenta taninos macios, presentes, mas redondos, em perfeito equilibrio de acidez. Termina de final médio, gastronómico e sempre com elegância. 13º de alcool.

Ligou muito bem com o cozido à portuguesa.

Por cerca de 8€, estamos na presença de um belo exemplar da região da Beira Interior.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Em Prova: Marquês de Marialva Reserva Branco 2016

Idealizado por Osvaldo Amado, na Adega de Cantanhede, voltei a este Marquês de Marialva Arinto Reserva 2016 que tinha provado a meio do ano de 2018. 

Fácil de encontrar, por exemplo no hipermercado Jumbo, trata-se de um vinho branco da Bairrada, que mantém a chancela de qualidade ano após ano. Feito 100% de arinto, passa por madeira (25% do lote), que se sente, mas não aborrece. Ele está lá mas arredonda o vinho, combinando o lado citrino da casta com uma untuosidade muito interessante em boca. 

Mostra-se portanto um conjunto fresco, com toques minerais, os citrinos do Arinto e alguma fruta exótica. É fresco, com volume e final prazeroso - equilibrado. 

Um vinho muito bem conseguido, perfeito para a mesa, a um preço interessante. Muito versátil, acompanhou uma massa com carne.

É um vinho que normalmente precisa de algum tempo para se mostrar e só vai melhorando com a passagem do mesmo. Com 4 a 5 anos de garrafa estará provavelmente no melhor momento de consumo, mas já está muito equilibrado. Para se ir consumindo, portanto, com prazer.

PVP: 6,90€. Garrafeiras / Jumbo.

Sérgio Lopes