segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Arena de Baco: QM, QM Nature e QM Vinhas Velhas

A Quintas de Melgaço nasce em 1990, personificada por um melgacense emigrado no Brasil, Amadeu Abílio Lopes, cuja capacidade financeira foi suficientemente forte para congregar à volta deste projecto o interesse de algumas centenas de produtores do concelho de Melgaço, que haviam de se tornar accionistas. Actualmente são mais de 400 os accionistas. 

O Alvarinho é naturalmente o centro da empresa e a grande dsitribuição sempre foi uma aposta. Quem não conhece o entrada de gama Torre de Menagem, onde o Alvarinho combina com a Trajadura, disponível em qualquer superfície comercial, a um preço de arromba? 

No entanto, a diversificação foi um caminho seguido nos últimos anos, produzindo também espumantes e até um colheita tardia, todos de alvarinho e diferentes referências de vinho Alvarinho que com a chegada do enólogo Jorge Sousa Pinto (Regueiro, Sem Igual) elevou a qualidade geral de uma forma evidente. 

Provamos a gama de vinhos brancos QM, à excepção do topo de gama Homenagem, que brinda os 20 anos de existência da Quintas de Melgaço: 

QM Alvarinho, clássico vinho branco com as notas tropicais misturadas com alguns citrinos, mostrando-se fresco e muito equilibrado, sem excessos de doçura. Um excelente exemplar de um branco da região, agora ainda mais afinado sob a batuta de Jorge Sousa Pinto. Um valor seguro que pode ser encontrado facilmente nos hipermercados Continente a rondar os 8,50€.


QM Nature, a pretender mostrar uma vertente mais pura e natural da casta, como o proprio nome o indicia. Um vinho com nariz muito complexo com as notas minerais em primeiro plano, a conferir-lhe uma certa austeridade, fugindo dos aromas exuberantes primários, sem deixar de apresentar fruta citrica e de caroço, mas num registo mais contido. Boca tensa, seca e muito fresca, com final longo e prazenteiro. Confesso que gostei bastante.Muito nervo e acidez, mesmo a meu gosto. . 17,50€. Garrafeiras.


QM Vinhas Velhas, Oriundo de vinhas de encosta, em solos graníticos, das vinhas mais antigas, com mais de 20 anos. É um vinho muito complexo e fino, com fruta citrina muito precisa e definida. Boca com muita elegância, toque mineral, de novo fruta muito apetecivel, leve floral, denso e muito longo. Uma delicia. E com enorme potencial de envelhecimento. Um belíssimo alvarinho. 15,95€. Garrafeiras.

Em suma, um projeto consolidado e que com a adição dos QM Nature e Vinhas Velhas ganhou uma outra notoriedade e deu um salto qualitativo. Por um lado, Jorge Sousa Pinto tornou o Torre de Mengem ainda bem mais abrangente e comercial (volume), enquanto que por outro lado, elevou em muito a qualidade da gama QM - gama mais alta, o que naturalmente se saúda.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Radar do Vinho: Bota Velha

O projeto Bota Velha marca o lançamento dos primeiros vinhos a solo do enólogo João Silva e Sousa. Com quase 30 anos de carreira, João Silva e Sousa foi antigo produtor do vinho do Porto Offley, Director Técnico de todas as Vinhas da Sogrape em Portugal e criou a empresa de vinhos, a VDS, que vendeu em 2005, para além de sempre ter dado apoio e consultoria a várias empresas do setor. Em 2017, decide montar a sua própria adega na Penajoia e contactou produtores de uvas no Douro Superior e Cima-Corgo, seus conhecidos de sempre, que o apoiaram neste seu novo projecto. 

A imagem dos vinhos é muito apelativa e o nome tem tudo a ver com o Douro, ou seja, o mote de gastar as botas “à procura das vinhas antigas do Douro”. Botas, deliberadamente velhas, porque João sabia da rudeza do terreno – à procura de vinhas antigas, repletas de castas de outrora e dos donos, seus conhecidos. O ContraRotulo provou os vinhos:


Bota Velha Colheita Branco 2017, Malvasia Fina, Viosinho, Gouveio, Rabigato, Códega do Larinho, Arinto. Nariz mineral, fruta de caroço tipo maçã verde, algum herbáceo e floral. Fresco. A Boca confirma o nariz. Corpo médio. Final correto. Muito equilibrado. €6,90

Bota Velha Colheita Tinto 2017, Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Amarela e Tinto Cão. Fruta vermelha e preta. Especiado. Balsãmico. Cheira a Douro! Na boca apresenta alguma rusticidade, boa definição de fruta fresca, corpo e final médio. Equilibrado, fresco e leve. 6,90€


Vinhas Antigas Branco 2017, Maior intensidade e complexidade aromatica que o colheita, com notas frutadas e florais. Nariz muito mineral. Bom volume de boca, de corpo médio e com muita frescura. Acidez crocante. Final longo. Um vinho que apetece beber. Muito bem. 13,90€.

Vinhas Antigas Tinto 2017, fresco com notas lácteas e muita fruta preta de bosque. Boa estrutura, com densidade, mas sempre com pouca extração e taninos firmes, mas finos o que o torna fácil de beber com prazer. Intenso, apesar de lhe faltar aquela maior estrutura que muitas vezes associamos a vinhas velhas duriense. Excelente companheiro à mesa. 13,90€.

Em suma, um belo projeto a solo de João Silva e Sousa, onde os Bota Velha colheita se mostram vinhos muito corretos, enquanto os Vinhas Antigas são as verdadeiras "estrelas da companhia" e creio que crescerão em garrafa.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Novidade: Terrunho Alvarinho 2017


José Domingues é um enólogo da região de Monção e Melgaço, que há vários anos tem créditos firmados na região, trabalhando com mestria a casta Alvarinho. Projetos como a Provam (Portal do Fidalgo; Vinha Antiga), a Quinta de Santiago, onde esteve na génese do projeto, ou mais recentemente o Solar de Serrade, onde aceitou o desafio de potenciar esta marca tradicional da região, dando ainda apoio a pequenos produtores, aqui ou ali. É um homem generoso, humilde e que sempre teve o sonho de lançar o seu vinho  em nome próprio.

Ora, ele aqui está - o Terrunho "land & soul" 2017, feito exclusivamente de alvarinho e que pretende ser a visão do enólogo sobre o terroir (Terrunho) da sub-região de Melgaço e Monção. As uvas provêm de parcelas plantadas em encosta a 225 metros de altitude, com influência marítima, exposição protegida entre dois vales e o terroir singular de Monção. Apenas 10% do vinho passa por madeira, com 7 meses de estágio sobre as borras totais e 5 meses de battonage.

O resultado é um vinho branco, alvarinho, que entra diretamente para o grupo do que de melhor se faz na região. Nariz muito mineral, puro e afinado, complexo, com notas frutadas citrinas, algum vegetal, salinidade e muita frescura. Boca séria, com precisao, madeira superiormente integrada que eleva a casta Alvarinho e lhe confere um optimo volume de boca, apesar de elegante. Acidez crocante e untuosidade, num final seco e longo. Grande estreia! Apenas 3000 garrafas e 50 magnums produzidas. PVP: 22€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Em Prova: Vale dos Ares Alvarinho 2017

Integrado no grupo Vinho Verde Young Projects, juntamente com os vinhos Quinta de Santiago, Sem Igual e Cazas Novas, o projeto Vale dos Ares encabeçado por Miguel Queimado é proveniente da região de Monção, sendo que naturalmente aposta na casta Alvarinho, casta de excelência da sub-região de Monçao e Melgaço. 

Lançado o primeiro vinho apenas em 2012 e depois de alguma afinação e consolidação do projeto, Miguel Queimado lança o que é, na minha opinião, o seu mais bem conseguido Vale dos Ares, o de 2017.

Nariz predominantemente mineral e focado no lado citrino da casta Alvarinho, com notas de casca de laranja e toranja, muito frescas. A boca tem uma acidez crocante, mesmo ao meu gosto, com cremosidade e o tal lado citrino em evidência. Com bom volume de boca, é seco, de final longo, intenso e sério, sem deixar de ser deliciosamente apelativo e equilibrado. Muito bem. PVP: 9,90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Arena de Baco: Almoço #Murgafriends

O mote era provar um espumante muitissimo especial, criado pela Murganheira, uma produção limitada a apenas 500 garrafas, que sairá mais próximo do Natal e será um produto Super Premium. Para já, não podemos divulgar muito sobre o mesmo, pois encontra-se no "segredo dos deuses". Mas tivemos o privilégio de o provar "en primeur" este passado sábado e está tão fino, guloso e cheio de classe, que efetivamente promete! Mas antes de falarmos do almoço do passado sábado, contextualizemos os #Murgafriends - um grupo de enófilos esclarecidos que visitou as Caves Murganheira, tendo em comum a enorme admiração pelo projeto e os seus fabulosos  e consistentes espumantes,  e desde então tem-se juntado para diversos eventos e visitas. Assim, com o privilégio de degustar o espumante Super Premium da Murganheira, decidimos marcar um almoço onde se também se provaram outros espumantes, de grande nível. Às cegas, pois claro.


O almoço decorreu no restaurante Dona Júlia, em Braga, onde o serviço foi exemplar. É um restaurante com nível, intimista, family friendly e onde os produtos são bem tratados, bem como o vinho, o espumante e muito champanhe, que se pode ver exposto um pouco pelas paredes. A vista também é lindíssima, para além de possuir 3 salas distintas, a sala principal - airosa, outra no primeiro andar, com foco no Sushi e uma última mais recatada e intimista, talvez mais propicia para um jantar ou evento privado. O menu que foi seleccionado para acompanhar os espumantes continha uma série de entradas tradicionais, em modo petisco, tais como favas com grão, pataniscas de bacalhau, tripas à moda do porto ou folhado de queijo de cabra com doce. Para pratos principais, um bem conseguido Bacalhau à Braga e um Naco de carne grelhadinho na perfeição. Para a sobremesa, naturalmente... Pudim Abade de Priscos, que estava delicioso.


Para além do Murganheira Super Premium (não posso revelar a designação oficial), houve 7 espumantes às cegas e 3 vinhos brancos no inicio , o Sem Mal 2017 de João Camizão, de que gosto muito e 2 vinhos da Herdade Papa Leite, do Alentejo, totalmente novidade para mim. Neste fartote de espumantes de qualidade que se seguiu, reinou a qualidade: Para começar, um Afros Loureiro 2009, um espumante dos vinhos verdes que foi uma surpresa, apresentando notas meladas de evolução, mas com muita frescura ainda, Ninguém estava à espera, às cegas que fosse este espumante. Os Kompassus Rosé 2011 e 2012, um pouco abaixo do que haviamos provado recentemente, mas a mostrarem ser espumantes rosés bem feitos e amigos da mesa; O São Domingos Velha Reserva Vintage 2004, impressionou pela sua juventude, apesar de alguma rusticidade típica desta referência, bem conhecida e que consumimos com regularidade cá em casa. Com 14 anos e ainda cheio de vida pela frente. Sem Igual 2015, ainda não saíu para o mercado mas apresenta a acidez, frescura e lado seco que João Camizão tanto gosta nos seus vinhos. Um espumante diferenciador da região dos vinhos verdes. Vértice Milésime 2009, com 4 anos de estágio antes de degorgement, mais 4 anos de estágio em garrafa, fizeram deste espumante distinto um dos preferidos em prova; Finalmente, o meu espumante preferido e que me encheu totalmente as medidas, o Familia Hehn Velha Reserva 2006, tem tudo aquilo que aprecio num grande espumante, com alguma evolução, cheio de fruto seco, notas de panificação, mousse cheia de classe, muita frescura . Uma delicia. Está num momento de prova extraordinário. Um produtor que tal como a Murganheira pertence à sub-região da Távora Varosa. 


Foi de facto um grande almoço que se prolongou pela tarde fora e culminou com uma visita à nova loja de Agostinho Peixoto, a Espumanteria Portuguesa onde se podem comprar mais de 100 referências de espumantes. Bravo!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Em Prova: Kompassus Branco 2017

Há felizes coincidências... Na segunda-feira passada assisti à apresentação dos novos vinhos Kompassus, com o mote do lançamento do super topo tinto Kompassus Gene. Foi uma grande apresentação, confirmando a qualidade dos vinhos de João Póvoa, sob a chancela do enólogo Anselmo Mendes

Pois, hoje, em trabalho em Lisboa, acabei por jantar num restaurante chamado Masstige, que combina tapas com pratos de autor, num conceito um pouco estranho (pelo menos no resultado. De entre as 2 ou 3 opções a copo, tinha este Kompassus branco 2017 (anteriormente chamava-se eskuadro kompassu), o "entrada" de gama da casa e que ligou brilhantemente com as tapas que escolhi - Ovos rotos e uns mirabolantes e estranhos croquetes de risoto de bacalhau (!). 

Este vinho (que não esteve em prova na paasada 2ª feira), feito de Maria Gomes, Bical, Arinto e Cerceal, fermenta com leveduras indigenas e tem apenas 12º de alcool. É um vinho muito mineral, citrico e vibrante, com alguma salinidade, bastante fresco, seco, com acidez crocante, volume e finais médios e que dá prazer a beber. Vai seguramente crescer em garrafa. Uma extraordinária relação qualidade-preço, para um vinho a ter em casa. PVP: 5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Em Prova: Quinta do Cardo Caladoc Rosé Reserva 2015

Na "ressaca" da festa do quinto aniversário da garrafeira Garage Wines, trouxe este rosé, que gosto particularmente, para acompanhar uma noite de sushi. O sushi era competente. O vinho, superior. 

Caladoc é uma uva tinta resultante da mistura entre a Grenache e a Malbec, produzida em pequena quantidade, especialmente na região francesa da Provence, região de excelência na produção de Rosés. 

E esta casta na Beira Interior, cultivada em dois hectares experimentais na vinha da Encosta, na Quinta do Cardo, a 770 metros de altitude, deu origem a um rosé desconcertante, nas sábias mãos do jovem e promissor enólogo Luis Leocádio.

De cor salmão, é um vinho muito fino aromaticamente, com fruta vermelha e rosas, mas tudo num registo muito suave. Tão leve e mineral que até poderia passar por um branco. A boca então pode nos levar a isso mesmo, pois o estágio de dez meses em carvalho deu-lhe, estrutura, untuosidade e muita profundidade. Aliado a uma cor  bonita e pouco marcada. Poderia ser um branco às cegas! È rosé distinto, gastronómico, fresco e muito seco, cheio de classe. Delicioso. E acredito que possa ser de guarda...  PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes