terça-feira, 16 de outubro de 2018

Em Prova: Quinta do Cardo Caladoc Rosé Reserva 2015

Na "ressaca" da festa do quinto aniversário da garrafeira Garage Wines, trouxe este rosé, que gosto particularmente, para acompanhar uma noite de sushi. O sushi era competente. O vinho, superior. 

Caladoc é uma uva tinta resultante da mistura entre a Grenache e a Malbec, produzida em pequena quantidade, especialmente na região francesa da Provence, região de excelência na produção de Rosés. 

E esta casta na Beira Interior, cultivada em dois hectares experimentais na vinha da Encosta, na Quinta do Cardo, a 770 metros de altitude, deu origem a um rosé desconcertante, nas sábias mãos do jovem e promissor enólogo Luis Leocádio.

De cor salmão, é um vinho muito fino aromaticamente, com fruta vermelha e rosas, mas tudo num registo muito suave. Tão leve e mineral que até poderia passar por um branco. A boca então pode nos levar a isso mesmo, pois o estágio de dez meses em carvalho deu-lhe, estrutura, untuosidade e muita profundidade. Aliado a uma cor  bonita e pouco marcada. Poderia ser um branco às cegas! È rosé distinto, gastronómico, fresco e muito seco, cheio de classe. Delicioso. E acredito que possa ser de guarda...  PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Da Minha Cave: Quinta das Bageiras Reserva Tinto 2011

Este vinho veio literalmente da minha cave em Foz Coa, onde o descobri este fim-de-semana e decidi trazer. Era garrafa única, guardada antes de o Diogo nascer. É verdade que compro muito mais a referência Garrafeira das Bageiras, (branco e tinto), e menos o Reserva Tinto, mas comprovei que mesmo sendo produzido para um consumo mais imediato, o vinho evolui de forma agradável. 

O Quinta das Bageiras Reserva 2011 é feito de Baga 60% e Touriga Nacional 40%, fermentado em pequenos lagares, sem desengace e com posterior estágio em tonel de madeira avinhada. 

Apanhei-o numa fase determinante da sua evolução, onde a fruta primária começa a dar lugar a aromas terciários. Continua com uma boca com óptimo volume, bastante frescura e aquele lado calcário tão giro que os solos aportam aos vinhos bairradinos. Parece-me que entre a Baga e a Touriga anda aqui uma luta, nesta fase, na garrafa, o que deu um gozo enorme a beber. Penso ter sido consumido no momento certo, quiçá, até um ou 2 anos mais cedo fosse melhor. 

De qualquer das formas, acompanhou muito bem a feijoada de casulas e deu muito gozo a beber. PVP: 8,50€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Em Prova: Tazem Encruzado 2016

As Adegas Cooperativas estão cada vez mais apostadas em aumentar o nivel qualitativo dos seus vinhos. Isso tem-se visto com maior relevo em casas como a Adega de Cantanhede na Bairrada ou a Adega de Monção na região dos vinhos verdes, através da criação de novas referências, uma nova imagem e muita qualidade nos seus vinhos, sobretudo nos topos de gama. 

A Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem, da região do Dão é lendária sobretudo em tintos antigos, como por exemplo os garrafeira Jaen do principio dos anos 2000, entre outros e agora também procura se modernizar e criar uma imagem mais apelativa e atual. 

Provei recentemente não um topo de gama da casa (nem sei se existem), mas sim o Tazem Encruzado 2016, um vinho feito 100% da casta branca rainha da região, sem passagem por madeira, e que prouxe para casa abaixo dos 5€. 

Por esse valor, é um vinho muito correto, seco, boa acidez, com volume de boca médio, gastronómico qb e que dá gozo beber. Vale a pena. PVP: 4,5€. Garrafeira Vinigandra.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Em Prova: Murganheira Espumante Vintage 2007

Por qualquer razão, nunca tinha escrito umas palavras sobre este espumante; talvez por ter tanta classe que é dificil de descrever, assemelhando-se claramente a um (bom) champagne. Melhor do que muitos!

É feito 100% de Pinot Noir, na Távora Varosa, região onde se localizam as Caves Murganheira. O método de vinificação champanhês recolhe da casta Pinot Noir o "le coueur de cuvée", ou seja literalmente, o coração da primeira prensagem, a porção de maior qualidade do meio da prensagem, excluindo a primeira e última prensagem. Depois repousa em cave por cerca de 10 anos, antes de degorgment.

O resultado é um espumante cheio de classe, muito complexo e fino, com mousse perfeita e as notas de panificação e frutos secos tão apelativas de um bom champanhe - perdão grande espumante. Tudo num equilibrio e com um finesse, impressionantes. Nas garrafeiras encontra-se disponivel entre os 25€ a 30€. Apenas 15.000 garrafas produzidas. Imperativo ter em casa para, no minimo, brindar a uma celebração especial. Destaquei o Murganheira Vintage 2007 apenas porque é o que tenho em casa, mas bebi às cegas recentemente o 2006 e estava igualmente fabuloso, pois estes espumantes aguentam largos anos em garrafa.


Fabulosa e inacreditável foi a prova que a foto acima documenta - uma prova vertical desta referência, dos anos 2000 a 2012 e com uma qualidade monumental, impossivel de descrever por palavras. A prova foi proporcionada por Marta Lourenço, enóloga da Murganheira, e que desde que se encontra à frente dos destinos enológicos da companhia, revolucionou a Murganheira, garantindo a entrada de novas referências e um elevado standard de qualidade e consistência, ano após ano. 

A mais recente colheita no mercado do Murganheira Vintage é o 2009 (2008 esgotou no produtor), mas ainda se encontram os anos 2008 e 2007 em algumas garrafeiras. Eu sugiro, começem por comprar (e beber) o 2007 e depois seguindo para os outros, pois só ganhamc om o tempod e garrafa!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Este país é (também e cada vez mais) de vinhos brancos

Durante muitos anos, Portugal foi um país de vinhos tintos, com pouca preocupação pelos métodos de vinificação, cuidado com as vinhas, etc., logo, resultando em vinhos de qualidade muito duvidosa. 

A partir dos anos 90, assistimos a uma verdadeira revolução em Portugal na forma cuidada, moderna e profissional de fazer vinho, transportando Portugal para um patamar de vinhos de qualidade inegável, sobretudo produzindo, tintos. Felizmente, nas duas últimas décadas e, sobretudo, nos últimos anos, temos assistido a um crescimento elevado de qualidade também nos vinhos brancos em Portugal, o que é excelente. Isto deve-se não só à aposta dos produtores nos tais métodos mais controlados de produção, mas sobretudo às castas que dispomos em Portugal, capazes de produzir brancos de enorme qualidade! França tem o Chardonnay ou o Sauvignon Blanc; Alemanha o Riesling, mas nós temos uvas como o Rabigato, Maria Gomes, Alvarinho, Encruzado ou Arinto, entre outras, que conferem uma identidade ao vinho de acordo com o local onde são plantadas. 
A Maria Gomes (ou Fernão Pires), é uma dessas castas que resulta em vinhos de características muito variadas, que espelham as condições locais chegando a parecer de castas diferentes. Mas é na Bairrada que atinge o seu esplendor sendo parte integrante dos grandes brancos de casas como Quinta das Bágeiras, ou Luís Pato, entre outras, brancos que aguentam o passar dos tempos de forma exemplar. O Rabigato, no Douro Superior, origina brancos minerais e muito crocantes em vinhos como D. Graça, Dona Berta ou Permitido, espelhando esse poder contido da casta. O Alvarinho, cuja região de origem, Monção e Melgaço, produz vinhos de aromas citrinos e tropicais, onde referências como Soalheiro, Regueiro ou os vinhos de Anselmo Mendes - Curtimenta, Expressões ou Muros de Melgaço, elevam a região dos vinhos verdes para uma dimensão mundial. E esta casta, o Alvarinho, começa a dar-se bem um pouco por todo o país, originando brancos soberbos, como o Poeira de Jorge Moreira, um branco duriense aclamado internacionalmente feito 100% de uvas Alvarinho! Ainda nos verdes, o pendor floral do Loureiro (Quinta do Ameal, Pequenos Rebentos VV) e o lado mais sério das castas Avesso ou Azal (Covela, Sem Igual), originam grandes vinhos brancos.
No Dão, o encruzado, origina brancos de classe, com notas florais e muita finesse, capazes de melhorar com os anos, quer passem por madeira ou não. São vinhos gastronómicos e de enorme prazer. Quinta dos Maias, Quinta das Marias, ou Fata, entre tantos outros, são obrigatórios à mesa e na nossa garrafeira. O Arinto, plantado um pouco por todo Portugal mas cujo expoente máximo ocorre em Bucelas, às portas de Lisboa. Confesso que esta casta me tem surpreendido em vinhos como Quinta da Murta ou Morgado Sta Catherina, pois quer com estágio em madeira ou não origina brancos com muita acidez e vertente citrina, que com o tempo desenvolve aromas terciários simplesmente deliciosos. E a Siria na Beira Interior que começa a entra na primeira liga do que melhor se faz em brancos...!

Definitivamente, Portugal é (também) um país de vinhos brancos, que devemos apreciar durante todo o ano! 

Sérgio Lopes
In Revista Paixão pelo Vinho

sábado, 6 de outubro de 2018

Fora do baralho: Alberto Nanclares Albariño 2015

Mais um Albariño que conheci, graças ao meu amigo André Antunes. Mas não é um Albariño qualquer... Impressionou-me pela elevada acidez, estrema salinidade e muita complexidade e frescura. 

Trata-se de um vinho, das Rias Baixas, proveniente de vinhedos de Val de Salnes, de vinhas com idades entre os 30 a 40 anos. A proximidade com o mar e a intervenção minimalista tornam este vinho realmente sui-generis. Confesso, que às cegas não o identificaria como Albariño sobretudo, por se tratar de um vinho tão vivo e com tanta frescura e salinidade (elevada mesmo) que não é propriamente para todos os gostos. 

A passagem de 9 meses em barrica usada, com battonage constante ainda contribui mais para lhe dar complexidade e muito gozo, a beber copo após copo. 

Fiquei mesmo fã. Muito mineral e salgado! Totalmente fora do baralho! PVP: 15€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Harmonizações: Quinta da Pedra Escrita 2016 e Pizza @VilaMar Restaurante e Pizzaria

Vinho provado às cegas, no restaurante Vila Mar, do meu amigo George Carvalho. É um restaurante que, para além da vista priveligiada sobre a praia de Salgueiros, em Vila Nova de Gaia, é um local onde se come muito bem e  no qual George trata (muito) bem o vinho. E George gosta de nos surpreender, muitas vezes às cegas, com as suas harmonizações...

Para além da Pizza que comemos nesse dia, há inúmeros pratos que vale a pena experimentar. Nesse dia, provamos alguns, com outros tantos vinhos a acompanhar. 

Destaco, no entanto, o Quinta da Pedra Escrita, branco de 2016, produzido por Rui Roboredo Madeira, com uvas provenientes da quinta com o mesmo nome, localizada em Freixo de Numão, no Douro Superior, a uma altitude média de 575 metros. Os solos graníticos fazem-se sentir de imediato, conferindo ao vinho grande mineralidade. Nariz com algum citrino, notas de pedra e mineralidade a predominar. A boca é muito fresca, crocante, com bom volume e final longo e refrescante. Seco.
              

Um belíssimo branco, cheio de garra e que brilha à mesa. Foi uma surpresa muito agradável nesse dia e passará a fazer parte das minhas escolhas, seguramente. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes