segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Em Prova: Albamar 2017

Albamar é um vinho 100% produzido da casta albariño proveniente de parcelas com mais de 25 anos. O nome provém da junção do sobrenome da família Alba com a proximidade das suas vinhas ao mar e pertence à D.O. Rias Baixas. As Rias Baixas são uma das grandes divisões geográficas do litoral da Galíza. As rías são um braço de mar que, como se fosse um vale, se adentra na costa. As rías da Galíza estão divididas em Rías Altas (aquelas que ficam ao norte do cabo de Finisterra) e Rías Bajas (ao sul do cabo). Ou se preferimos abaixo de Santiago de Compostela, para mais fácil localizarmos.

O vinho é de 2017 e esperava pela sua juventude  que se mostrasse tropical e exuberante. Nada disso. Mostrou-se mineral, citrino e com um toque salino que faz completamente jus ao nome. Está muito novo sim e beneficiará de mais um ou 2 anos em garrafa no mínimo. mas já dá muito prazer. À medida que o fomos bebendo foi ganhando mais estrutura, sempre se apresentando muito seco, fresco e fortemente mineral. Até austero, por vezes, com acidez como eu gosto. Um Albariño sem mariquices de exuberância e muito gastronómico. Fiquei fã. PVP:12,75€. Online.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Da minha cave: Quinta do Vesúvio Vintage 2003

A Quinta do Vesúvio, na posse actualmente da família Symington, é uma daquelas quintas lendárias do Douro Superior. Não só pela sua beleza ímpar, mas pelo carácter único que empresta aos seus Porto vintage, cuja fruta de qualidade é imagem de marca e os torna desconcertantes. 

Em tempo de Verão, é comum falar de brancos e rosés, mas este Porto serviu para fechar em grande um jantar onde estive com o meu amigo Hildérico Coutinho, de férias por cá. E fechou o jantar com chave de ouro!

Ele decidiu abri-lo quando vislumbrou o delicioso bolo de chocolate húmido que a foto documenta...

Quanto ao vinho, está num grande momento, aos 15 anos de vida. Com muita fruta vermelha e preta, fresca, de qualidade, como é apanágio dos vintage do Vesúvio. Quase uma imagem de marca. Também o lado balsâmico / mentolado em grande evidencia, que lhe confere uma frescura ímpar. Termina longo e dá grande prova!

Deliciosamente frutado, redondo, equilibrado, a dar muito prazer agora e a mostrar ter muitos anos de vida em garrafa pela frente. Diretamente da cave do Hildérico e não da minha. Obrigado meu "kamba". Ah e do ano 2003 que nem foi como os lendários 2007 ou 2011, por exemplo. Mas é um Vesúvio...! PVP: 60€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes


terça-feira, 31 de julho de 2018

Um copo com... Ana Urbano

Ana Urbano é a winemaker das caves Messias no que a vinhos do Porto diz respeito. Foi das primeiras pessoas que recebeu de braços abertos um grupo de winelovers em Vila Nova de Gaia para dar a provar as maravilhas que repousam nesta casa familiar e secular, repleta de tesouros em Gaia, mas também na sua sede na Mealhada, onde está a ser terminado um magnifico centro de visitas. Natural de Sangalhos, licenciada em Engenharia Agrícola, vive em Vila Nova de Gaia. 

Olá Ana, temos-te visto em provas nacionais e internacionais, onde tens provado muita coisa diferente, presumo. Inclusive provas de café… Como têm sido essas experiências? Têm sido experiencias incríveis, são oportunidades únicas de perceber perfis completamente diferentes, castas diferentes, terroirs diferentes e até perceber o perfil de alguns consumidores. Ficamos com a ideia dos vinhos que se fazem por esse mundo fora e ficamos também a conhecer melhor algumas das regiões do nosso país que é tão diverso no panorama vínico. 

Como caracterizas o vinho do Porto como bebida? Achas que poderia estar mais democratizado o seu consumo? O vinho do Porto é uma bebida de excelência, por vezes o que acontece é que está muito associado a elites e não existe um conhecimento grande das várias categorias de vinho do porto, nem o hábito de consumo está enraizado nos portugueses, é muito comum estar num restaurante, em que as únicas pessoas que consomem o vinho do porto são estrangeiras. 

Lembras-te da primeira vez que pensaste “eu quero trabalhar nos vinhos”. Sinceramente não, acho que foi um processo natural. 

O que gostas de fazer nos tempos livres? Gosto de viajar, de conhecer novos lugares, estar com a família, amigos, gosto basicamente de estar descontraída. 

Qual o estilo de vinho do Porto que mais aprecias? Gosto imenso de Colheitas, mas gosto de beber um bom Vintage. 

Qual a região do país que consideras possuir maior potencial para se fazer vinho? Existem grandes tantas e tão diferentes regiões vitícolas, algumas com mais aptidão para brancos outras com mais aptidão para tintos, acho que uma região que tem imensa aptidão é a Bairrada, não fosse eu de lá. 

E qual o vinho que te falta fazer, de alguma região, casta, ou estilo, por exemplo? Aí muitos, gostaria muito de fazer um Madeira, mas existem tantos estilos de vinho que gostaria de experimentar. 

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos. Lembro-me que numa apresentação de Vinho, um senhor dirigiu-se a mim antes da prova ter começado a dizer que não gostava de vinhos de lote, porque achava que os vinhos de lote eram de qualidade inferior, só comprava monocasta, gostava de ter a expressão de uma só variedade e não entendia porque os portugueses misturavam tantas variedades que era uma confusão, agradeci a opinião e expliquei que Portugal era conhecido essencialmente pelas regiões e não só pelas variedades e como temos um grande património vitícola, utilizamos as diversas variedades e ele muito cético dizia que era porque as nossas uvas eram muito más, eu perdi os argumentos e disse vamos então começar a prova, a prova foi decorrendo com os vinhos da Messias e pelas DO’s onde temos propriedades e no final ele veio ter comigo e pediu desculpa, mas realmente eram muito melhores os vinhos de lote e que tinha entendido a filosofia de usar várias variedades de uvas além de ter ganho um cliente, ganhei também um amigo. 

Momento: Refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer… Agora como estamos à espera do verão, nada como um fantástico pôr-do-sol na praia com um chill out, na companhia dos amigos a beber um champanhe, assim algo bem tranquilo. 

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? Não sei se será o melhor vinho do Mundo, mas foi com certeza o vinho que mais me marcou, um borgonha Gran Cru de Richebourg, pela frescura e elegância, tinha um perfume e uma boca inesquecível, mas existem outros que me foram marcando ao longo da vida.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Em Prova: Zafirah Tinto 2017

Segunda edição de Zafirah, o vinho de Constantino Ramos, enólogo de Anselmo Mendes."verde tinto", produzido das castas típicas tintas da região de Monção, com predominância de Alvarelhão, secundado por Borraçal, Pedral e apenas um pouco de Vinhão. provenientes de uma vinha com mais de 70 anos ainda com sistema de condução em latada procurando imitar esses vinhos, que há época eram comparados aos Borgonha. 

O vinho do ano passado era disruptivo, cheio de acidez e frescura e com imperfeições deliciosas que o atiravam para uma certa rusticidade, que apreciei particularmente. A colheita de 2017 aparece mais polida, um pouco mais consensual e "limpa" para agradar a um público mais alargado. Entendo a mudança. Inevitável. Abandonou também o lacre.

Continua, contudo, a ser um tinto diferente do habitual, fresco, perfeito para o Verão, com menos fruta é certo,  mas mais redondo e untuoso qb e a manter uma boa versatilidade à mesa.  Com apenas 12.5 de alcool (o de 2016 tinha ainda menos -  10º), o que também é ótimo. PVP: 8€. Disponibilidade: Garrafeiras e Restauração.

Sérgio Lopes

sábado, 28 de julho de 2018

Um Branco, um Tinto e um Rosé, para esta "espécie" de Verão

Neste Verão tão atípico, que teima em trazer o calor (e já estamos em final de Julho) deixo a sugestão de 3 vinhos - um branco, um tinto e um rosé, que me têm acompanhado nas últimas semanas. Vinhos mais frescos e menos alcoólicos, todos abaixo dos 10€.
Anselmo Mendes Contacto 2017. Sendo um vinho sempre muito bem feito, aparece este ano super equilibrado, com exuberância, claro, própria da sua juventude, mas com enorme frescura, o que para um ano quente como foi o de 2017 é de louvar. Tem um bom volume e termina bem crocante e refrescante. Depois a mineralidade e o lado vegetal dá-lhe uma certa graça. Eu acredito que este vinho é para ir bebendo e... guardar sobretudo alguns anos. Talvez uma das melhores edições de sempre na minha opinião. PVP: 9,90€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.



Quinta de Santiago Rosé 2017. Bela "malha" de Joana Santiago. De cor salmão, e muito delicado no aroma, com bonitas notas de fruta silvestre fresca. A boca confirma essa frescura e elegância de conjunto. Tem um bom corpo, é seco, equilibrado e cheio de sabor. Muito apelativo.. Talvez o alvarinho seja um pouco a chave para o equilibrio e uma maior intensidade de sabor. "Escorrega" rápido. PVP: 9,50€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Muxagat Tinta Barroca 2015. Elegante, fresco e leve, mas tem uma estrutura capaz de aguentar uma boa refeição. Feito a partir de uma parcela da Meda (Douro Superior) a 600 metros de altitude virada a norte em solos de transição do xisto para o granito, estagia 9 meses em cuba de cimento. Este estagio confere-lhe uma complexidade acrescida, resultando num conjunto muito equilibrado, focado na fruta vermelha fresca e algum toque vegetal. Um tinto para beber com muito prazer, com apenas 12,5 graus de alcool e cuja versatilidade e leveza, o torna extremamente apetecivel. PVP: 7,80€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes



sexta-feira, 27 de julho de 2018

Da Minha Cave: Quinta da Fata Touriga Nacional 2009

A Quinta da Fata situa-se às portas de Nelas, concelho de Viseu, epicentro da região vinícola do Dão. Trata-se de uma casa secular, um projecto liderado por Eurico Ponces de Amaral, que aposta nas castas autóctones da região, sendo que nos tintos a Touriga Nacional é rainha, enquanto que nos brancos reina, como não podia deixar de ser, o Encruzado.

Este monovarietal de Touriga Nacional, de 2009, foi a última sobrevivente da visita que efetuamos há uns anso atrás e onde fomos tão bem recebidos, como sempre, por sir Eurico Ponces de Amaral.

Neste momento está delicioso, com taninos sedosos, notas de pinho e resina, mas também florais e alguma fruta. Muita frescura na boca, bom corpo e final longo, com os taninos macios e envolventes. 

Acompanhou muito bem um perú estufado. Um vinho que expressa o seu "terroir", mais rústico, mas tão típico da Fata. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Em Prova: Soalheiro Granit 2015

Este vinho, denominado de Soalheiro Granit, mostra o lado mais mineral da casta Alavrinho, através da interpretação do enólogo Luis Cerdeira. 

Tive a felicidade de provar a colheita do ano de 2015 no passado fim-de-semana e está absolutamente deliciosa.

Trata-se de um Alvarinho que sai de uma seleção específca de vinhas plantadas acima dos 150 metros de altitude, revelando a mineralidade que relaciona o solo de origem granítica do terroir de Monção e Melgaço e a casta Alvarinho, aprimorado com a batonage e o estágio nas borras fnas. A fermentação ocorre em cubas de inox a temperatura mais elevada que a usual em vinhos brancos, mostrando aroma elegante e mais mineral com um fnal seco e persistente. 

Um Soalheiro menos tropical, mais seco e gastronómico, incisivo e tenso, mesmo ao meu gosto. Muito bom. Pela amostra do 2015, evoluirá naturalmente muito bem. 

PVP: 10,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes