segunda-feira, 14 de maio de 2018

Em prova: Quinta do Poço do Lobo Branco Reserva 2016

Depois de muitos de nós, enófilos mais estreme, andarmos a consumir o stock dos belissimos brancos dos anos 90 das Caves São João, dos quais ainda vão existindo no produtor algumas garrafas, de alguns anos, eis que me deparo com o remake, desse tão afamado Quinta do Poço do Lobo Branco, restyled para o século XXI. Já não é produzido 100% de arinto, como os famosos 90s, mas sim de arinto e chardonnay em partes iguais. Tem ligeira passagem por madeira, ´Battonage´ durante 5 meses e estágio sobre borras durante 8 meses. 

O resultado é um vinho que faz jus aos grandes brancos desta casa. Embora muito novo, aparece bastante contido de aroma, mas muito complexo, com notas minerais, vegetais e citricas. Na boca é untuoso, com a madeira impercetivel e também muita frescura. Apresenta bom volume de boca e termina refrescante e persistente. Os seus apenas 12º de alcool ainda elevam mais o conjunto. Gostei muito. PS: A garrafa é muito mais pesada que o normal! PVP: 13€. Disponibilidade: Loja da Rota da Bairrada.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Em Prova: Messias Grand Cuvée Brut Millésime 2014


Messias Grand Cuvée Brut Millesime 2014 é um espumante com um nome champanhês, proveniente das Caves Messias. Feito de Arinto, Bical e Chardonnay e com alguns anos de garrafa em cima, aparece muito equilibrado e prazeroso. Tem muita qualidade para o preço que apresenta (6€ na loja do produtor) e dá prazer. Apresenta-se versátil, fresco com citrinos, mas também alguma panificação o que lhe confere uma complexidade bem interessante. Bolha fina, cremosidade e final refrescante e longo, num espumante para beber durante todo o ano. Daqueles bolhinhas para ter lá por casa. Mesmo com o rótulo encarnado... ;-)

Sérgio Lopes


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Em Prova: Anselmo Mendes Contacto 2017

Anselmo Mendes Contacto é um vinho feito de Alvarinho. As vinhas, em Monção, são junto ao rio, a baixa altitude, e os solos são profundos com elevado teor de pedra rolada. O nome vem doamaceração pelicular que o vinho sofre, ou seja do contacto com as borras finas, que lhe confere um pouco mais de exuberância aromática. Sendo um vinho sempre muito bem feito, aparece este ano super equilibrado, com exuberância, claro, própria da sua juventude, mas com enorme frescura, o que para um ano quente como foi o de 2017 é de louvar. Tem um bom volume e termina bem crocante e refrescante. Depois a mineralidade e o lado vegetal dá-lhe uma certa graça. Eu acredito que este vinho é para ir bebendo e... guardar sobretudo alguns anos. Talvez uma das melhores edições de sempre na minha opinião. PVP: 9,90€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Os brancos dos anos 90 das Caves São João

As Caves São João estão recheadas de preciosidades. Vinhos antigos guardados nas "catacumbas" e cuja (boa) guarda e o facto de serem provenientes da região da Bairrada, fazem com que bebidos agora, demonstrem todo o potencial da região. Sim, vinhos brancos que desafiam a passagem do tempo e que mais de 20 anos depois se mostram em grande, grande forma, dando enorme prazer. 

Tive oportunidade de provar os Poço do Lobo Branco dos anos 91, 93 e 95 e estão fantásticos. Feitos 100% de arinto a provar que esta casta apresenta uma longevidade invejável. Mesmo as referências Frei João, um blend de várias uvas brancas, mostram uma forma invejável. São vinhos que ainda apresentam à data de hoje uma acidez / frescura desconcertantes. 

A imagem da esquerda fala por si: A cor do vinho demonstra a sua jovialidade - não parece estarmos na presença de um vinho com mais de 20 anos! E um vinho branco. Estamos pois, num país formidável, capaz de nos proporcionar experiências à mesa, incomparáveis. E mais, estes vinhos encontram-se à venda por apenas 10€. Outstanding.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Radar do Vinho: Son de Arrieiro

Son de Arrieiro é um produtor espanhol, localizado no Norte de Espanha, logo a seguir a Melgaço, na zona de Ribeiro, que é uma denominação de origem. Há inclusive uma Rota do Vinho do Ribeiro ao redor da zona ocidental da província de Ourense, na confluência dos vales formados pelos rios Minho, Ávia, Arnóia e Barbantinho. Adicionalmente, decorre todos os anos a Feira de Vinhos do Ribeiro, que coincide com a nossa Feira do Alvarinho, em Melgaço e que recomendo a visita. Contém vários vinhos à prova da região, de pequenos produtores (colleteros) e de outros maiores (adegas), petiscos diversos e música, tudo num ambiente muito informal e relaxado. Foi lá que conheci a carismática Xulia Bande, o rosto por trás do projeto e cujo tinto 2016, de castas autoctones (Sousón, brancellao, caiño tinto e ferrol) proveniente maioritariamente de vinhas velhas com mais de 90 anos, me impressionou bastante. 

  

Sobretudo por se tratar de uma zona maioritariamente de brancos e este tinto ter-se destacado, na minha opinião, quando o provei. O vinho tem uma certa rusticidade e arestas por limar, o que lhe dá um gozo acrescido, apresenta fruta bonita e muita frescura. Depois tem leveza, por isso, é mesmo apetecivel e deverá envelhecer muito bem. Faz lembrar tudo aquilo que gostamos num verde tinto civilizado. Existe também um branco, muito competente e mais recentemente um outro branco, este de produção muitissimo reduzida, que passa 14 meses em contacto com as borras e por isso se designa Son de Arriero << sobre lias 14 meses >> 2015. Um vinho belíssimo, com aroma complexo, muita mineralidade e cheio de frescura. Na boca, alguma fruta branca e certo lado austero, acidez elevada e uma estrutura que o torna gastronómico e de bom porte. termina longo, crocante e refrescante. Um vinho com produção de apenas 600 garrafas com preço à porta da Adega de apenas 11,5€ (O tinto é vendido a 10€)

Um produtor claramente de garagem, que produz vinho há 17 anos, mas que apenas em 2015 decidiu o comercializar de uma forma mais séria. Para ir acompanhando. Disponibilidade: No Produtor (não existe distribuidor em Portugal).

Sérgio Lopes 

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Da minha cave: Lima Mayer Petit Verdot 2008


Lima Mayer é um produtor proveniente do Alentejo, mais propriamente localizado em Monforte - Portalegre, do qual poucos vinhos conheço ou tenho provado - confesso. Tive, contudo, a oportunidade de degustar o seu topo de gama, recentemente e às cegas num jantar proporcionado pelo meu amigo Duarte, que também serviu o vinho. Trata-se do Lima Mayer Petit Verdot, no caso específico, de 2008. Penso que este vinho é apenas produzido em anos excepcionais e quando produzido, será sempre em poucas quantidades. Adorei o vinho. Numa combinação de frescura e potência, a reflectir por um lado o ano de 2008, fresco, por outro lado a casta Petit Verdot no terroir Alentejano .Cor carregada, aroma super complexo entre fruta madura, algum balsâmico e especiaria. Boca cheia, com taninos maduros e os seus 10 anos de garrafa a dar-lhe um equilibiro notável. Termina fresco, muito longo e naturalmente gastronómico. Um exemplar do melhor que o Alentejo pode produzir. Grande vinho. PVP: 33€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Em Prova: Quinta do Poço do Lobo Rosé 2016 Baga & Pinot Noir

A Primavera está aí, mas timida no que concerne aos dias mais quentes, que tanto precisamos para que o humor se eleve. Mas o bom tempo vem aí - esperamos - e com o calor aumenta o consumo de brancos e rosés. Falo hoje, por isso, de um rosé que gosto particularmente, o Quinta do Poço do Lobo 2016, feito de Baga e Pinot Noir. A combinação das duas castas confere-lhe por um lado a delizadeza e suavidade do Pinot, por outro, a combinação do corpo da Baga. Por isso, estamos na presença de um rosé muito bonito, com notas florais suaves, boca de bom porte, com fruta vermelha fresca e o estágio parcial da barrica a dar-lhe mais volume. Apenas isso. É seco e com um final longo e refrescante, pensado para a mesa. Destes tipo de rosés, eu gosto. E bastante. PVP: 13,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes