quarta-feira, 11 de abril de 2018

Em Prova: Quinta da Murta Clássico 2013


O Arinto é uma casta cuja expressão máxima ocorre em Bucelas (Lisboa), embora se porte igualmente muitíssimo bem em quase todo o país, originando vinhos com elevada acidez, e longevidade, seja com ou sem passagem por madeira. O Quinta da Murta Clássico é um dos belos exemplos disso mesmo.  100% feito de Arinto, é lançado apenas nos anos em que a qualidade é inegável, sendo a colheita mais recente no mercado a de 2013. A enologia está a cargo de Hugo Mendes e como é habitual o vinho reflecte o seu cunho pessoal, isto é madeira bem integrada (praticamente imperceptivel), elegância, perfil seco, com alguma austeridade e pendor gastronómico. Neste momento, com 5 anos - sim, 5 anos, começa a "abrir" e a mostrar todas as suas características, aparecendo deliciosas notas citrinas , mais maduras, um corpo mais composto, muita frescura, untuosidade e um final crocante e que dá muito prazer. Um vinho para esperar por ele e depois de lhe tirar a rolha, apreciar a sua evolução de copo para copo. PVP: 12€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Em Prova: Apaixonado Reserva Tinto 2015

Proveniente do Douro Superior, mais propriamente de Torre de Moncorvo, chega este vinho com um nome impactante - Apaixonado reserva tinto 2015. Feito de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela e Tinta Roriz e com estágio de 16 meses em barricas de carvalho francês de segundo ano.

O nome do projeto é Àvidos e resulta da paixão de dois brasileiros pelo Douro Superior, e que aí encontraram o local de eleição para a produção de grandes vinhos, capazes de despertar prazeres e emoções especiais em todos que os experimentam. Mas do projeto, falaremos em detalhe noutra oportunidade.

Quanto ao Apaixonado é um vinho sedutor, bastante perfumado e complexo no nariz. com a Touriga Nacional a dominar, nesta fase e com notas de especiarias, do contacto com a madeira. O estágio em madeira usada amaciou o vinho, pelo que na boca os taninos são aveludados, macios, sem deixar de mostrar a garra do Douro Superior. Termina bem longo, potente e com a fruta em evidência. No dia seguinte estava muito mais ligado, pelo que necessita de tempo de garrafa, na minha opinião. 

A enologia está a cargo de Diogo Frey Ramos, tendo como enologo assistente, Afonso Magalhães, que também se encarrega da distribuição, extremamente selectiva. Deste vinho foram produzidas menos de 10.000 garrafas. PVP: 18,80€. Disponibilidade: Garrafeiras Selecionadas.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Radar do Vinho: Quinta do Carvalhão Torto

Bem à entrada de Nelas, na estrada que liga a Canas de Senhorim, está localizada a Quinta do Carvalhão Torto, esta quinta de pequena dimensão (7 hectares) que se espalha dos dois lados da mesma, visitada na semana da Páscoa. A receção foi feita pelo Luís Oliveira, atual mentor do projeto e pela sua irmã Maria João. Esta quinta chegou às suas mãos através de herança, a qual a família tende em conservar e dinamizar, sendo disso exemplo a vinha de Encruzado que no ano de 2018 completou apenas a sua quarta colheita.

A adega é um espaço funcional, adaptado à dimensão do projeto, sem grandes artifícios, e onde se estaca a total ausência de um elemento que para as adegas modernas é quase indispensável… madeira… barricas… Sim, os vinhos do Carvalhão Torto são produto de uma adega em que a madeira não tem lugar... As explicações que o Luís nos apresentou são simples, para além da tentativa de poupança pois estes depósitos como todos sabemos custam por vezes pequenas fortunas, é sua crença que a diferenciação do seu produto assenta na tentativa de se manter fiel aos grandes vinhos do Dão, vinhos esses que não sabiam o que era madeira… principalmente novinha a estrear…. No interior da adega ficamos também a saber que os vinhos do Carvalhão Torto são produto de quatro castas tintas (Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro) e uma branca (Encruzado), estando neste momento estabelecidos para os tintos dois blend’s que ao contrário da prática habitue na maioria das adegas são fermentados em conjunto e não em separado, originando assim um Touriga Nacional/Tinta Roriz e um Jaen/Alfrocheiro, sendo as percentagens normalmente muito próximas de 50/50.

Chegando à zona das barricas … perdão dos depósitos de inox fomos presenteados com seis vinhos, três de cada um dos blend’s anteriormente referidos. Começando pelos Touriga Nacional/Tinta Roriz, o 2016 apresentou uma fruta muito viva e com um comportamento de boca a demostrar que pouco tempo passou por este jovem e paciência ainda vai ser a palavra-chave. O 2012 e o 2010 achei-os bastante próximos, apesar da diferença e distância dos anos, no entanto já se começam a aproximar do patamar que conhecemos nos vinhos desta casa, com as diversas notas de floresta a começar a assentar e a tomar conta do vinho. Passando para os Jaen/Alfrocheiro, provamos as colheitas de 2016, 2010 e 2009, estando os dois últimos numa posição semelhante aos dois últimos Touriga Nacional/Tinta Roriz referidos, quase no ponto, já a dar uma boa prova. A grande surpresa foi mesmo o 2016, surpresa geral ao grupo diga-se de passagem, com uma prontidão impressionante em comparação com os restantes até aqui provados. Fresco, com uma fruta deliciosa e um comportamento bem soft na boca deixando-nos a pensar… Luís por favor engarrafa já isto…

Já com a noite bem adiantada e depois destas surpresas seguimos para o restaurante “Zé Pataco” em Canas de Senhorim, onde fomos presenteados com uma excelente refeição de cozinha tradicional portuguesa, onde para mim se destacaram as favas com entrecosto e um belo cabrito. Para acompanhar… a gama completa de vinhos do Carvalhão Torto. Começando pelo Encruzado 2015, um excelente exemplar de branco sem barrica, fresco, floral, com uma mineralidade que vai pela boca fora e deixa qualquer provador feliz por se “cruzar” com ele.

De seguida o Touriga Nacional/Tinta Roriz 2008, vinho que estou bastante familiarizado, mas que das provas que me foi dando mostra bem que quanto mais tempo ele tem em cima mais refinado vai ficar. Aroma bem soft e discreto mas com um conjunto herbáceo seco a dar um conforto que se estende para a prova de boca. Logo a seguir chegou à prova o Jaen/Alfrocheiro 2007, último vinho que esta casa lançou para o mercado. Apresenta-se diferente do 2005, bem mais contido e com uma evolução algo surpreendente se compararmos com o irmão mais velho.  Para fechar com chave de ouro ainda tivemos o prazer de provar, os já esgotados na adega, Jaen/Alfrocheiro 2005 e o Reserva Touriga Nacional/Tinta Roriz 2007. Sobre o 2005 pouco há a dizer que muitos de vós já não saibam, que grande vinho!! Que surpresa!! O nariz que ainda tem! Os mentolados que deixa na boca… fantástico!! O Reserva a primeira vez que o provei há uns bons três anos não me deixou de queixo caído… Mas bem, ele agora já deixa cair tudo ao chão, está fantástico, sem notas de evolução e com uma boca elegantíssima e sedosa… quase que parece que levou barrica…
Fica na memória uma refeição fantástica com vinhos fora do baralho do Dão habitual, que mostram exemplarmente o terroir de onde vem. Em suma o que retiro desta prova…? Bem… acho que o nome “Dão Clássico” assenta que nem uma luva a esta casa, a resistência destes vinhos é impressionante, são vinhos que requerem a paciência do enófilo (para esperar por eles e para os compreender no momento da prova) e por fim a conclusão que já há muito tinha chegado… foi esta casa que me fez compreender que o vinho tem de respeitar a sua história… se não… sujeita-se a não ser mais que uma bebida banal. 

Luís, bom amigo… em nome de todos os “Cegos por Provas” um muito obrigado!

Fernando Costa (Cegos por Provas)

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Em Prova: Tons de Duorum Tinto 2016


Acaba de chegar ao mercado a nova colheita do Tons de Duorum Tinto, da dupla João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco, dois enólogos que marcam a história do vinho em Portugal nas últimas décadas. Produzido a partir de uvas de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, de vinhas entre os 400m e os 600m de altitude no Douro Superior. Trata-se de um vinho que ano após ano tem mantido o seu perfil, um tinto bem arrumado, com nariz focado na fruta fresca, bem bonita. A boca é macia, jovem, leve e com taninos polidos, prontissimo a beber e a dar prazer no verão que se avizinha. Uma ótima opção para o dia-a-dia, com boa rqp e disponivel everywhere. PVP: 4,49€. Disponivel: Grandes Superficies.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Arena de Baco: Prova Vertical Quinta dos Roques Malvasia Fina

Na Quinta dos Roques fomos recebidos para uma inédita prova: uma vertical de uma casta pouco ou nada trabalhada em estreme - Malvasia Fina, mas é de algumas invulgaridades de que é feita a história do Dão e também desta quinta, que já vem lançando este vinho (com uma única interrupção), pelas mãos de Luís Lourenço e agora também do seu filho José, desde 1996.

Esta é uma casta muito utilizada em lote, pois suaviza a acidez e o corpo que outras apresentam; dir-se-ia então delicada, com acidez moderada e aromas que vão desde o marmelo, o alperce seco, ou o pêssego, até aos florais mais intensos, e a especiarias como a pimenta branca ou a mostarda... pelo menos foi o que os anos mais marcantes nos transmitiram, contrariando mesmo essa ideia de que a casta seria pouco resistente ao passar do tempo. Por outro lado é a prova de como anos tão diferentes podem transportar o vinho até ao aqui e mais além...

Andando “da frente para trás”, aparece logo a acidez do 2017, com as colheitas de 15, 14 e 13 a revelarem o lado (bem) conhecido da Malvasia, vinhos sóbrios, com algum volume, acidez moderada mas presente. Conforme se ia descendo na linha temporal, as primeiras notas oxidativas e apetroladas, como no 2010, às vezes mais florais e a plástico como o 2008 - a mim parecia-me um Gewurztraminer - ou a chá como no admirável 2007 iam aparecendo, mas com o serviço do 2004 achámos todos que dali para a frente (andando para trás...) já nada haveria a assinalar. Puro engano: já o 2002 aparentou uma frescura e côr bem mais “saudável” que outros mais recentes; e depois vieram outros dois que para muitos foram os melhores vinhos em prova, o 1999 e o 2000, finos, secos, com notas de açúcar queimado e caramelo compensados por uma acidez e persistência notáveis.

Assim que se ainda os virem por aí... não esperem para abrir!

Marco Lourenço (Cegos Por Provas)

sábado, 31 de março de 2018

Um copo com... Paulo Ramos

A Quinta de Paços é uma empresa familiar detida pela mesma família há mais de 500 anos que explora um património agrícola de 200 hectares, dos quais cerca de 20 ha de vinhas. Procura produzir vinhos de alta qualidade com uma personalidade distinta, colocando um especial ênfase no seu caracter natural e autêntico. As suas duas principais explorações são a Quinta de Paços (Barcelos) e a Casa do Capitão-mor (Monção). Paulo Ramos é um dos rostos por trás do projecto, em conjunto com o seu pai.. Natural do Porto, mas minhoto de coração, licenciado em Relações Internacionais. Vive entre o Porto e Barcelos. 

Olá Paulo, o que consideras diferenciador nos vinhos da Casa de Paços?  O nosso lema é fazer “Vinhos autênticos com uma personalidade distinta”. Aliamos isso a alguma inovação, como termos sido um dos pioneiros no uso de barricas na fermentação e estágio de técnicas como a batonnage na região ainda nos anos 90. Fizemos, em 1996, o primeiro lote de Alvarinho e Loureiro na região, agora muito em voga. Mas o nosso ainda é diferenciado por ser um blend de Alvarinho de Monção com Loureiro de Barcelos. Fazemos um monocasta de Fernão Pires no Minho, e um vinho verde Loureiro “novo” para o Japão. Este ano teremos algumas novidades de que falaremos mais à frente. 

E na região dos Vinhos Verdes? Nós produzimos vinho desde o séc. XVI e ganhamos prémios internacionais (1876, EUA dos vinhos de Barcelos e em 1888 na Alemanha dos vinhos de Monção) antes de sequer existir a designação “Vinho Verde”. Esta é das poucas regiões que adoptam uma designação de um tipo/perfil de vinho por oposição a um nome de um território. Isto ainda é difícil de explicar a muitos estrangeiros. Na DOC Vinho Verde, o que se tem proposto é um conceito de vinho leve, jovem, para beber cedo, que é a antítese da maior parte dos vinhos da Quinta de Paços. Os vinhos verdes têm uma boa notoriedade e posicionamento claro em muitos mercados, mas que leva a que se esperem da região, vinhos baratos de consumo rápido. Isso torna-os perigosamente próximos de vinhos como o Lambrusco. Seria bom vermos o que aconteceu com os vinhos brancos alemães e austríacos em termos de posicionamento de qualidade/preço para vinhos com perfis semelhantes aos nossos. O grande desafio é a criação de valor e o aumento progressivo e sustentado dos preços. Acho que a CVRVV já assumiu que esse é o caminho. Mas já existe um bom número de produtores que tentam acrescentar valor aos vinhos da região. A recente valorização da sub-região Monção-Melgaço é igualmente um excelente exemplo. Espero que possa ser esse o caminho, agora alargado às demais sub-regiões. Até porque em regiões como Bordéus, o que aparece no rótulo são as suas sub-regiões. Um Chateau Mouton-Rothschild apenas indica “Paulliac” (a sub-região) no rótulo. 

Os teus vinhos assentam também em monocastas. Qual a casta rainha em Portugal, na tua opinião? Só para falar das brancas, temos várias “Rainhas” e muitas “Princesas”, mas depende da região, ou do território (ou terroir). Obviamente que em Monção-Melgaço será a Alvarinho. No resto do Minho para além desta temos a Loureiro, a Avesso em Baião, só para nomear algumas. Temos também excelentes castas como a Antão Vaz no Alentejo ou o Encruzado no Dão. Depois algumas são transversais a quase todo o país quase sempre com bons resultados como a Arinto, a Fernão Pires/Maria Gomes. Uma casta de que gosto muito e que é, por vezes, pouco valorizada é a Moscatel Galego Branco da qual vou lançar dois vinhos este ano (um branco seco e uma vindima tardia). Vão ter de sair com selo do IVV porque, apesar de ser uma casta portuguesa, não é admissível nem para “Vinho Regional Minho” (enquanto que a Sauvignon Blanc e a Semillon são permitidas). 

Os teus vinhos são quase todos gastronómicos, sem gás e com uma acidez elevada. Belos brancos. Como coabitam numa região que produz também vinhos fáceis, leves e por vezes muito baratos? Por vezes com dificuldade. Tentamos explicar que são “verdes” diferentes, com outra abordagem. Por isso classificamos muitos dos vinhos que até podiam ser “DOC Vinho Verde” como “Vinho Regional Minho”. A questão do gás é das poucas coisas em que não transijo. Já nos anos 70 os nossos vinhos que eram feitos para consumo familiar não tinham gás. Adicionar gás artificial é que não faz sentido para nós. Em relação à acidez dos nossos vinhos, esta até nem pode ser considerada elevada. Os nossos vinhos andam entre os 5.5g a maior parte anda nos 6.5g e é raro ultrapassarem os 7g de acidez fixa. Temos inclusive vinhos com uma acidez mais baixa, como o Fernão Pires, dirigido para um mercado que prefere vinhos mais macios. Até porque existe a falsa noção que os vinhos verdes são muito ácidos, o que já não é assim. Temos sim é características de frescura e mineralidade dadas pelos solos graníticos (ricos em quartzo em Barcelos e de Calhau rolado em Monção). Os nossos vinhos são gastronómicos, e pensados enquanto tal. A maior parte do consumo de um vinho ainda é feito para acompanhar uma refeição. Mas também fazemos uma linha de vinhos que se bebem bem sozinhos, como o Rosé, o Fernão Pires, e o a que chamamos o Loureiro “Novo”. Este vinho foi feito inicialmente só para o Japão para chegar lá na altura do Beaujolais Nouveau, e que sido agora alargado a outros mercados. 

O que gostas de fazer nos tempos livres?  Responder a perguntas interessantes como estas sobre os nossos vinhos (aqui estou a dar graxa ;-) . Mas igualmente sou um melómano e cinéfilo e também adoro ler romances (por oposição ao que tenho de ler para preparar aulas). 

Se tivesses possibilidade de jantar com uma personalidade, levando um vinho dos teus, quem seria? Talvez o Francis Ford Coppola, assim falava de vinho e de cinema ao mesmo tempo (e a ver se me dá dicas de como passar de produtor de vinho/professor universitário a realizador de cinema). 

Qual o melhor vinho que alguma vez provaste? É sempre difícil dizer. Os que bebi enquanto adolescente que me marcaram: Barca Velha ou Vega Sicilia Único. Nos finais dos anos 90 fui algumas vezes com o meu pai à Vinexpo em visita de estudo só para provar coisas diferentes e abrir horizontes. Depois tenho a sorte de, na Pós-Graduação em Enologia da UCP-ESB onde dou aulas, me “colar” às sessões de provas do meu colega e amigo Bento Amaral onde se provam coisas muito interessantes. 

Bebes vinho de outras regiões? Não sou “enoxenófobo”. Bebo sobretudo para experimentar coisas diferentes, não só de Portugal, mas também estrangeiros. 

Conta-nos uma peripécia que tenhas vivido no mundo dos vinhos. A minha iniciação ao mundo do álcool. Foi feita pelo meu padrinho e tio-avô, que era o dono da Quinta de Paços, que me disse para molhar o dedo e provar a aguardente acabada de destilar. Obviamente não quis dar parte de fraco, fiz uma expressão de satisfação, e tentei logo voltar a molhar o dedo… mas ouvi logo um “nem penses!!!”. E nem vou revelar que idade tinha. 

Momento: Refere uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer. Música: não consigo escolher uma, gosto demasiado de música para escolher só uma. Local: na Quinta de Paços. Companhia: família e amigos e convidados nossos. Vinho: os meus porque é sempre bom poder explicar a abordagem por detrás de cada um deles e ouvir a opinião sobre os mesmos. 

O vinho verde é só para beber no Verão ;-) ? O “Verão” é quando o homem quiser… Mas bebam Vinho Verde, Vinho Regional Minho, Monção-Melgaço, Cávado… Quando lhes apetecer e souber bem, e com a comida que acharem melhor!

Sérgio Lopes

sexta-feira, 30 de março de 2018

Radar do Vinho: 100 Hectares

100 Hectares é uma marca recente que surgiu no mercado em 2009, fruto da vontade dos irmãos Filipe e André Bras em produzir vinhos de elevada qualidade. O nome provém da dimensão de vinha que a familia possui, cerca de 100 hectares distribuidos por várias propriedades à volta do Peso da Régua (Douro). 

Há muito que as suas uvas eram vendidas a grandes empresas produtoras de vinho de mesa e vinho do Porto, da região, mas como tantos outros produtores, decidiram criar a sua marca própria. Contrataram o enólogo Francisco Montenegro (Aneto, Quinta da Chinchorra, Quinta do Arcossó) e criaram a marca 100 Hectares, conseguindo logo no 1º ano de produção grande hype com um reserva branco, um tinto guloso e um grande reserva, cuja produção foi vendida exclusivamente a um restaurante de Vila Real. Para além da qualidade do vinho, que temos tido a oportunidade de provar, é também curiosa a escolha da fonte tipográfica, nada usual e dos elementos gráficos e cores utilizadas, criando rótulos diferentees e muito apelativos. 

9 anos depois o portfolio da marca é já muito abrangente, entre colheita branco, tinto e rosé, monocastas Códega de Larinho, Viosinho, Touriga Nacional e Sousão, 100 Hectares Filigrana, Superior, Collection, Vinhas Velhas e Grande Reserva. Um extenso portfolio, com cada referência representando um perfil de acordo com o gosto dos irmãos Bras.

Os vinhos são de uma qualidade irreprensivel, e daqueles que provei no conforto do lar (não foram todos), com uma boa comida a acompanhar (sim, são gastronómicos e precisam de comida), destacaria os seguintes:


100 Hectares Filigrana. A menção refere-se à tradição familiar que existe na arte filigrana e uma homenagem à mesma. E nesse sentido, temos um vinho muito bonito, de cor rubi definido, com um aroma intenso e imediatamente apelativo, cheio de fruta preta madura e algum tostado. Apetece logo beber. Na boca é guloso, focado na fruta, complexo, com especiarias e chocolate, tudo num registo fresco e muito sumarento. delicioso. Foi um sucesso ao almoço em casa dos meus pais. Todos adoraram o vinho! PVP: 15,50€.

100 Hectares Sousão. 100 % feito de Sousão, que na região dos vinhos verdes se denomina Vinhão. E de facto, lembro-me perfeitamente quando o provei, da cor carregada que apresentava (como os verdes tintos) e do aroma intenso, de novo, imediatamente apelativo, cheio de fruta fresca. Depois, na boca é exuberante,  jovem e com uma belíssima acidez, apetecendo beber mais um copo. Um vinho com um belo corpo e uma grande frescura, mas uma "leveza" aparente, que o torna desconcertante. PVP: 13,60€.


100 Hectares Grande Reserva. Aqui temos um vinho mais próximo do que o Douro normalmente produz, nos grandes vinhos. Ou seja, estamos num registo mais clássico, mas sem descurar a componente da fruta "bonita", comum a todos os vinhos 100 Hectares. Um vinho que precisa de mais alguns anos para se mostrar em pleno. Complexo, com aromas entre especiarias, fruta vermelha e preta, algum chocolate. Boca com taninos firmes, corpo potente e final longo. Companheiro perfeito de um belo assado no forno, por exemplo. Grande potencial de envelhecimento. PVP: 17,60€.



100 Hectares Collection. O Collection reflecte a selecção das melhores uvas de cada ano. Na colheita de 2013 a escolha recai no blend Touriga Nacional e Tinta Amarela, com estágio de 18 meses em barrica de carvalho francês. O resultado é um vinho extremamente complexo, de cor carregada e aroma onde predominam especiarias, fruta preta e vermelha e algum cacau. A boca é imponente, mas com finesse. Apesar de se sentir o calor duriense, a frescura nunca deixa de estar à frente. Termina bem longo. A precisar de tempo para se mostrar em toda a sua plenitude. Menos de 3000 garrafas produzidas. PVP: 20,90€

Um projeto a reter e acompanhar bem de perto!

Sérgio Lopes