sexta-feira, 16 de março de 2018

Em prova: Curvos Avesso 2016


Na minha aventura em terras Angolanas, onde estive por 2 anos, os vinhos Curvos foram companhia constante, pois num país onde tudo é hiper inflacionado, era possivel comprar estes vinhos a preços aceitáveis (supermercado Martal). Vinhos bem feitos, que dão prazer. Enfim, memórias... 

Provei, muito recentemente, de novo, o Avesso, um dos vários Curvos no mercado, feito 100% desta casta menos conhecida, mas que produz belos vinhos. O resultado é um vinho mais austero do que se espera de um "verde", isto é, com uma belíssima acidez, um bom corpo / estrutura, muito focado na fruta branca, seco e sem gás (ainda bem!). Bom companheiro, portanto à mesa. Acompanhou no restaurante Dourum, a tábua de queijos e enchidos e o bacalhau, com grande versatilidade. Disponibilidade: Garrafeiras. PVP: 4,50€

Sérgio Lopes

quarta-feira, 14 de março de 2018

Fora do Baralho: Bajardão Reserva Branco 2013


Proveniente de Sabrosa, nas margens do Rio Pinhão chega um vinho "fora do baralho", a começar pelo nome - Bajardão e pelo rótulo, ambos disruptivos. Em termos de vinificação, é produzido com uvas das tipicas castas durienses Viosinho, Rabigato, Gouveio e Malvasia Fina, fermenta sobre borras, com batonage e estagia em barricas novas de Carvalho Francês, durante 12 meses. Depois, seguem-se mais 12 meses de estágio de garrafa antes de ser comercializado. 

Neste momento, com 4 anos de idade apresenta uma cor palha e mostra um nariz extremamente mineral, floral com boa evolução, com complexidade. Na boca surpreende pela enorme acidez, que lhe confere frescura e mostra também um lado untuoso muito interessante. Com apenas 12,5º de alcool, termina longo e persistente. Um vinho cuja acidez e diferença entre nariz e boca não é para todos os palatos, mas que se traduz num vinho muito interessante de descobrir, situando-se fora do registo habitual na região do Douro. PVP: 13€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 12 de março de 2018

Em Prova: Pombal do Vesúvio Tinto 2014

A Quinta do Vesúvio, na posse actualmente da família Symington, é uma daquelas quintas lendárias do Douro Superior. Não só pela sua beleza ímpar, mas pelo carácter único que empresta aos seus Porto vintage, cuja fruta de qualidade é imagem de marca e os torna desconcertantes. Da mesma quinta saem igualmente dois vinhos tintos, o topo de gama com o mesmo nome da quinta e um patamar abaixo o Pombal do Vesúvio.

O nome deste vinho provém de um pombal de pedra na quinta do Vesúvio que se insere numa vinha que o rodeia e ao qual emprestou o nome. Passa por um estágio de 10 meses em madeira.

Trata-se de um vinho focado numa fruta gulosa, complexo, com um nariz entre fruta silvestre, notas florais e especiarias. Boca deliciosa, com notas apimentadas e foco na fruta, taninos sedosos. Termina longo e viciante. 

O 2014 acrescenta um toque lácteo e um perfil menos extraido do que o habitual, o que me agrada particularmente. 

PVP: 12,5€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 9 de março de 2018

Em prova: Desnivel Colheita Seleccionada Tinto 2016

Projecto pessoal de João Lopes Pinto, enólogo da Quinta da Covada. Vinho composto por 50% Touriga Franca e Rufete (Vinhas Velhas), em socalcos, a 500 metros de altitude e exposição Norte e 50% Touriga Nacional (vinhas Novas) em patamares, a 350 metros de altitude, com exposição Noroeste, daí a designação Desnível, tão apropriada para os vinhos Durienses. Estágio de 15 meses em barrica de carvalho que não marcam o vinho, antes lhe aportam a dose de complexidade certa. 

Vinho de forte cunho pessoal, por exemplo, onde os cachos das uvas das vinhas velhas são meticulosamente seleccionados à mão, daí a menção a "colheita selleccionada" (podia ter a designação de grande reserva). 

Vinho focado na fruta vermelha e preta de grande qualidade, deliciosa, fresca por vezes, madura, outras, alguma especiaria, um toque de rusticidade, mas muita elegância e nada de extração ou perfil "madurão" o que se saáda. Bom volume de boca e final de grande persistência, embora ainda vá mostrar muito mais com o tempo em garrafa. 

1200 garrafas apenas produzidas de um verdadeiro "vinho de garagem", muito interessante. PVP: 15€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 7 de março de 2018

Em prova: Quinta das Carrafouchas Branco 2015

Por um motivo ou outro, nunca tinha provado os vinhos da Quinta das Carrafouchas. Nem sei se existe na zona Norte quem os comercialize. Consegui provar através do enólogo Hugo Mendes (Quinta da Murta, HM Lisboa) que faz estes vinhos.

O branco, de 2015 é um vinho Regional Lisboa, com 13% de álcool, feito 100% de arinto, com estágio parcial (30%) em barrica de carvalho francês, sendo o restante vinificado em inox.

Engraçado que ao primeiro contacto, o aroma não me fez lembrar um arinto, sobretudo pela lado herbáceo mais dominante de uma qualquer erva aromática (eu dizia hortelã - o Hugo Mendes, poejo). Às vezes notas de chã também. Fresco, cremoso, com toques citrinos, untuosidade da madeira (imperceptivel, como é hábito do enólogo) e bem harmonioso.

Um vinho equilibrado, seco e gastronómico, fora das doçuras e frutinhas "chatas".

PVP:8€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fora do baralho: Post-Quercus Baga 2015


Post-Quercus significa, “depois do carvalho” e é um vinho de Filipa Pato, produzido da casta Baga, em modo biodinâmico e cuja fermentação e estágio acontece em ânforas de barro.  Segundo Filipa Pato, defensora do mínimo de intervenção possivel nos vinhos, isto é, "sem maquilhagem", se a Bairrada é terra de solos argilo-calcários, nada melhor do que colocá-la em contacto com ânforas de  barro de 300 litros. O resultado é um vinho onde a baga aparece bem amaciada, mais delicada, focada na fruta fresca e com uma boca mais suculenta, onde se vai bebendo copo após copo, com muito prazer. Um vinho que se bebe "sem dar conta", com bom volume de boca, final persistente e totalmente fora da caixa, no que à baga diz respeito. E à região. Apresentado em garrafas de meio litro e 1 litro. PVP: 10,90€ (garrafas de meio litro). Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 2 de março de 2018

Em prova: Quinta da Covada Reserva Tinto 2015


O vinho Quinta da Covada Reserva 2015 é um tinto proveniente do Douro, mais concretamente de Tabuaço, com enologia de João Lopes Pinto, que também tem o seu projecto pessoal "Desnivel" de que falaremos muito em breve. É constituído por uvas provenientes 60% de vinhas velhas (com predominância de Rufete e Tinta Roriz) e o restante de duas outras vinhas, 20% Touriga Nacional , 20% Tinto Cão. Estagia 14 meses em barrica. 

O vinho mostra nesta fase um lado de fruta fresca muito interessante, com um toque balsâmico e  um lado vegetal, que lhe confere alguma tensao, como que a pedir mais algum tempo para se equilibrar. A boca é de taninos firmes, "de barba rija" - como diz o enólogo, mas bastante civilizados, digo eu, embora se manifestem plenamente com comida (à mesa). Pode ser bebido desde já, mas beneficiará de alguma guarda. Dificil de encontrar, pelo menos na zona do Grande Porto. PVP: 14€. Disponibilidade: Restauração (maioritariamente).

Sérgio Lopes