sábado, 24 de fevereiro de 2018

Em prova: Vinhas Improváveis Reserva Tinto 2014


Vinho produzido por Raul Riba D'Ave, da Direct Wine, proveniente do Douro Superior, de vinhas novas. O nome provém do facto de estas vinhas novas serem improváveis, na medida em que é pouco explicável que uma primeira colheita de uma vinha dê um vinho pleno de fruta de qualidade e que alie uma surpreendente concentração e potência. Provado às cegas a seguir a um Chriseia 2015, deu luta e surpreendeu todos os presentes. Gastronómico, tem 15º de alcool mas a sua acidez não o faz o sentir. O resto, o tempo vai equilibrar. Desde já, dá um enorme prazer e mostra-se surpreendente. PVP. 13,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Da minha cave: 2 tintos, duas Tourigas, de António Narciso

          

Recupero, com este post, a memória de dois tintos produzidos pelo enólogo António Narciso, de dois produtores do Dão, que são por ventura menos conhecidos, mas que quem tiver a oportunidade de provar, vai ficar agradavelmente surpreendido. O projecto Fonte de Gonçalvinho, de Paranhos da Beira, foi precocemente interrompido devido a uma tragédia familiar. Este Touriga Nacional, de 2010 é a imagem da produtora, Christelle, que sempre procurou um Touriga Nacional "bonito" e perfumado. Não sendo muito estruturado, é-o qb, capaz de agradar de uma forma geral, com uma complexidade acima da média e cujo lado aromático o torna extremamente apelativo. Está num excelente momento de prova. O Barão de Nelas ainda disponivel no mercado, com colheitas mais recentes, mostra nesta colheita de 2007, uma saúde invejável, cheio de frescura, elegante, com fruta e um toque vegetal e especiado. De corpo médio, porta-se muito bem à mesa e dá muito prazer, mais de 10 anos depois. Dois exemplos de vinhos longevos, de dois vinhos produzidos no Dão, com Touriga Nacional, a preços convidativos e capazes de agradar de uma forma geral. 

Sérgio Lopes

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Em Prova: Anselmo Mendes Parcela Única 2015


Poduzido por Anselmo Mendes, o Sr. Alvarinho, é portanto, um branco 100% feito de alvarinho, proveniente de uma só parcela (com mais de 20 anos de idade), com o objectivo de produzir um vinho, que revele a pureza da casta. Fermenta em barricas novas de carvalho francês, de 400 litros e estagia nas mesmas, durante 9 meses, sobre borras totais.

Aspetos técnicos à parte, dizer que estamos na presença de um vinho branco de nivel mundial. Muito fino e cheio de classe, forte mineralidade, com uma grande estrutura e acidez que lhe conferem uma enorme profundidade. É muito elegante e longo, conjugando a delicadeza sublime com uma boca enorme. Precisa de tempo, mas este 2015 está tão, tão bom, que é difícil resistir desde já. Repito, um vinho de nível mundial, capaz de se bater lá fora de igual para igual. Tem coleccionado menções honrosas cá dentro e lá fora e percebe-se o porquê. A apologia da elegância, com um nervo impressionante. PVP: 24€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Em prova: Casa de Paços Loureiro 2017

É o primeiro vinho que provo de 2017. Um branco, feito totalmente da casta Loureiro, proveniente da Casa de Paços. Trata-se de um vinho que em Portugal é maioritariamente vendido na restauração e cuja quase totalidade da produção é destinada à exportação, sendo o mercado prioritário o Japão, para onde foi concebido para chegar a tempo do Beaujolais Nouveau e também para o mercado Alemão. 

Em termos de vinficação, a fermentação é interrompida mais cedo, o que corresponde, na prática, quantidade de açúcar residual maior do que o normal. 

O resultado é um vinho onde existe alguma sensação de doçura, mas surpreendentemente balanceado por uma grande acidez, que o torna muito equilibrado. O resto é dado pela casta Loureiro, com os aromas florais, sobretudo de flor de laranjeira, a tornar o vinho extremamente apelativo. Uma curiosidade, muito saborosa! 

PVP: 5€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Em Prova: Herdade do Cebolal Branco 2016

A Herdade do Cebolal está localizada na costa Alentejana, a 10 km do mar e a 20km da histórica cidade de Santiago do Cacém. Luís Mota Capitão é o enólogo responsável pelo projeto e quando herdou a propriedade, onde já se produzia vinho há cerca de 120 anos, quis honrar a memória do seu avô e retomar a produção do vinho. Os brancos dos anos 90 que orgulhosamente apresenta em provas, mostram a longevidade do projecto e da região. O Herdade do Cebolal 2016 é um branco, produzido de Fernão Fires e Arinto e nas palavras do jovem produtor, pretende ter essa longeviadade Para já mostra-se fresco e floral, ainda muito jovem, com um lado salino que lhe confere uma certa graça. Gastronómico qb, precisa de tempo para as duas castas se casarem. Comprar, beber e ir guardando. Um vinho da costa vicentina, (que curiosamente pertence à região demarcada da Peninsula de Setúbal) com a frescura e maresia característica da zona. Interessante. PVP: 8,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Em Prova: Vila Rachel Reserva Tinto 2011


A Quinta Vila Rachel é uma propriedade familiar fundada em 1880 pelo famoso escultor Teixeira Lopes, casado com Rachel de Meireles, que dá assim o nome à quinta. Apesar da escrita muito anterior ao acordo ortográfico, lê-se "Raquel". 

A quinta situa-se sobre o Vale do Tua, muito próximo das margens do rio Douro, sendo constituída por 5 vinhas em altitudes diferentes, que produzem uvas, em modo de agricultura biodinâmica. 

Provamos o Vila Rachel Reserva Tinto, de 2011, ano mítico no Douro.

Trata-se de um vinho bem desenhado, com aromas ricos e complexos, onde predominam a fruta vernelha e preta, algum chocolate e um toque leve especiado. A boca é elegante e aveludada, com taninos suaves. Tem corpo e uma belíssima acidez e um certo polimento que o atira para um lado duriense menos extraido e quiçá, mais internacional. Enologia a cargo de Jean-Hugues Gros, num vinho tinto bastante atractivo.

PVP: 13,5€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Da minha cave: Valdarcos Garrafeira Tinto 1990

As caves Valdarcos são uma instituição, entretanto desaparecida, que na segunda metade do século passado constituiu uma referência na Bairrada, produtor de vinhos, clássicos da região, da casta Baga, é claro. 

Tive a felicidade de provar, há uns dias, o Caves Valdarcos Garrafeira 1990, que me foi oferecido, no meu aniversário. Estamos a falar de um vinho com quase 30 anos... E se há casta que aguenta a passagem do tempo é a Baga. 

O vinho ainda está vivo e pasmem-se, até tem alguma fruta. Decantei-o e com o passar do tempo foi evoluindo rapidamente, como é apanágio dos vinhos com bastante idade. Mas sempre diferente de copo para copo, com as consequentes notas de evolução (couro, algum animal, terroso), contudo elegante e com frescura. 2500 garrafas de um vinho com apenas 12º de alcool.

Foi o melhor vinho que provei? Não. Mas estava em forma e acompanhou muito bem uns grelhadinhos.  Foi uma bela experiência. 

Sérgio Lopes