terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Da minha cave: Valdarcos Garrafeira Tinto 1990

As caves Valdarcos são uma instituição, entretanto desaparecida, que na segunda metade do século passado constituiu uma referência na Bairrada, produtor de vinhos, clássicos da região, da casta Baga, é claro. 

Tive a felicidade de provar, há uns dias, o Caves Valdarcos Garrafeira 1990, que me foi oferecido, no meu aniversário. Estamos a falar de um vinho com quase 30 anos... E se há casta que aguenta a passagem do tempo é a Baga. 

O vinho ainda está vivo e pasmem-se, até tem alguma fruta. Decantei-o e com o passar do tempo foi evoluindo rapidamente, como é apanágio dos vinhos com bastante idade. Mas sempre diferente de copo para copo, com as consequentes notas de evolução (couro, algum animal, terroso), contudo elegante e com frescura. 2500 garrafas de um vinho com apenas 12º de alcool.

Foi o melhor vinho que provei? Não. Mas estava em forma e acompanhou muito bem uns grelhadinhos.  Foi uma bela experiência. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Arena de Baco: Prova vertical dos vinhos Sem Igual e Vale dos Ares

Decorreu no passado dia 03 de Fevereiro, uma prova vertical 2012 a 2016, dos vinhos Sem Igual e Vale dos Ares, vinhos de João Camizão e Miguel Queimado, respetivamente. Para quem não conhece, ambos fazem parte dos Vinho Verde Young Projects, grupo constituído por 4 jovens produtores (os restantes dois são Cazas Novas e Quinta de Santiago) que juntam esforços e pretendem demonstrar que a região dos vinhos verdes é uma região, sobretudo, de grandes brancos! E como previsto, esta prova veio confirmar a qualidade de ambos os projectos, com todos os vinhos a darem boa prova, com naturalmente alguns destaques. Os vinhos foram sendo servidos dois a dois, do mais recente para o mais antigo, sempre superiormente harmonizados pela fantástica comida de conforto do restaurante o Brasão, em Felgueiras.



O projecto Sem Igual faz jus ao seu nome, pois produz vinhos verdes diferentes, desde logo a começar pela combinação de castas - Azal e Arinto, que conferem ao vinho uma generosa dose em partes iguais de nervo e corpo, sempre amparados por uma enorme frescura. São vinhos que quando novos apresentam-se até um pouco austeros, mas que com o tempo vão crescendo imenso, demonstrando grande longevidade - capacidade de evolução bem patente na prova vertical que tivemos o privilégio de fazer. Destaco o 2012, com uma evolução deliciosa e que acompanhou perfeitamente a sobremesa, o 2015, que aprecio particularmente pelo lado contido e alguma untuosidade e finalmente o 2016, que está cheio de nervo e força, com uma garra enorme e a prever-se provavelmente como uma das melhores colheitas de sempre. Muito novo, lá está, mas a dar grande prova desde já.

        

 O projecto Vale dos Ares é proveniente da sub-região de Monção e Melgaço, feito 100% de Alvarinho, naturalmente, onde tem a sua expressão máxima. Embora num registo um pouco mais frutado que o Sem Igual, são Alvarinhos sérios, fiéis à casta, procurando ser mais frescos e minerais, vinhos com nervo e personalidade. Da prova vertical, percebeu-se a influência do ano em ambos os projectos e a procura da definição do perfil, em particular no Vale dos Ares. Contudo, 2012, a primeira colheita, foi também um dos meus destaques - o exemplo perfeito de um Alvarinho com boa evolução, mas sem perder a frescura. Adorei. Destaco igualmente o 2016, num perfil mais consensual, mas nunca se socorrendo da tropicalidasde fácil. Pelo contrário, é fiel à casta, sério qb, citrino e muito agradável. Finalmente o Vale dos Ares Limited Edition, 2015, único vinho com estágio em barrica. Muito interessante, com a madeira ainda em evidência, mas cheio de nervo. Para guardar mais um par de anos. 

        

Para breve, estão preparadas algumas novidades por parte de ambos os produtores, como um espumante Sem Igual, de bolha muito fina, ainda a ganhar complexidade com o tempo de estágio em cave, e a nova aposta, no Vale dos Ares, por "vinhos de parcela" com estágio em barrica usada. O Single Vineyard que sairá no final deste ano e do qual serão produzidas apenas 600 garrafas está maravilhoso, cheio de classe, entrando directamente para a primeira liga dos Alvarinhos!

Sérgio Lopes

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Em Prova: Casa de Paços Arinto Reserva 2016

Vinho branco 100% composto da casta Arinto, proveniente da Quinta da Cotovia, em Barcelos. Criado em 1999, contudo, só é produzido nos anos em que se reconhece a elevada qualidade da casta. Fermenta e estagia em barrica  nova, por 8 meses, sobre borras finas. Provada a colheita mais recente no mercado, a de 2016, o vinho está ainda bastante jovem. 

Nariz fresco, cítrico e com notória presença da madeira (alguma baunilha). Na boca é untuoso e com uma belíssima acidez que lhe confere frescura, Precisa de tempo para se encontrar em todas as suas componentes, sobretudo na integração da madeira. 

Um vinho verde de registo diferente, com bom corpo e aptidão para a mesa, a um preço competitivo.  Para beber e guardar. PVP: 6,5€. Disponibilidade: Restauração

Sérgio Lopes

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Em Prova: Soalheiro Primeiras Vinhas 2016


Tenho bebido muitos brancos da casta Alvarinho, que é uma casta maravilhosa, e que atinge o seu expoente máximo em Monção e Melgaço. Soalheiro, é seguramente sinónimo de Alvarinho (foi a primeira marca de Alvarinho em Melgaço e um dos primeiros produtores portugueses de Alvarinho) sendo que o Soalheiro Primeiras Vinhas é proveniente das vinhas mais antigas da propriedade (com mais de 40 anos). Honra lhe seja feita à consistência ano após ano e enorme qualidade. Aroma elegante, fino e complexo, corpo untuoso, mineral e fresco, final delicioso, longo e que apetece repetir. Um vinho que evolui muito bem em garrafa. O 2016 está particularmente fresco (fruto do ano) e algo contido, mas já a dar muito prazer. Para ir bebendo. PVP: 15€ Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Em Prova: Muros Antigos Escolha 2016


No passado fim-de-semana, aproveitando a promoção de 25% no hipermercado Continente, voltei a este vinho. Decidi trazer uma garrafa para casa. Não é que o desconheça, pelo contrário, mas as escolhas são tantas que por vezes fica difícil focar em determinados vinhos de qualidade comprovada. É o caso deste vinho, Muros Antigos Escolha 2016 é um "verde" de Anselmo Mendes na sua concepção e de Constantino Ramos na execução. Tem tudo aquilo que esperamos de um vinho para consumo regular, dia-a-dia: Leve, fresco, frutado, equilibrado - com uma leve doçura amparada por uma belíssima acidez, pouco alcool (12º) e ainda é companheiro à mesa, se assim o entendermos. Tudo isto abaixo de 5€. Nice!. PVP: 4,60€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Em Prova: Sem Igual Branco 2016

Não é segredo para ninguém que sou um fã incondicional do trabalho de João Camizão, de quem tenho o privilégio de ser amigo. 

Nova colheita no mercado, a de 2016 do seu vinho Sem Igual (chama-se mesmo assim) embora o produtor ainda esteja a vender a colheita de 2015, pois este vinho precisa de tempo de garrafa para se encontrar.  

Contudo, tenho de destacar a colheita de 2016 que começa agora a mostrar-se, timidamente, é certo, mas prevendo um futuro promissor. 

O tal "mix" de Arinto a contribuir com o corpo e estrutura, e o Azal com a elegância e o nervo está agora a aparecer. 

Provei-o de novo no passado fim-de-semana e está cheio de força, mineral, tenso, longo, muito muito fresco. Vou reforçar o stock, para ir bebendo e guardando. tal como fiz com a colheita de 2015. 

Prevê-se uma colheita de 2016, de facto sem igual! PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Em Prova: Meandro Tinto 2015


O cartão de visita da Quinta do Vale Meão, o Meandro, muitas vezes é secundarizado, face ao vinho emblemático da Quinta, que é um dos mais conceituados quer dentro de portas, quer lá fora. O certo é que o Quinta do Vale Meão tem subido de preço vertiginosamente (fruto dessa qualidade), enquanto o Meandro se continua a posicionar ali a rondar os 10€, mantendo a consistência ano após ano e permitindo uma boa guarda. O 2015 provado este fim-de-semana tem fruta, o calor do Pocinho (Douro Superior), o carácter gastronómico, mas também uma acidez e elegância que o tornam muito apelativo desde já. Desapareceu num ápice. Para comprar, beber e guardar. PVP: 12€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes