segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Arena de Baco: Prova Vertical dos vinhos Morgado Santa Catherina

No ano de 2017 tive a felicidade de beber várias vezes este vinho - Morgado de Santa Catherina, feito 100% de Arinto, proveniente da zona de Bucelas e que se encontra facilmente nas grandes superfícies comerciais. Um vinho que tem estágio em madeira nova e que aguenta bem a passagem do tempo, melhorando com 3 a 4 anos de garrafa (ou mais). Foi por isso natural que eu e o Amândio Cupido (Garficopo) tendo adquirido várias garrafas de anos diferentes e com a ajuda adicional do produtor, preparamos uma prova vertical, dos anos 2010 a 2016, com um vinho de 2004 de acréscimo, que o Cupido tinha comprado. 


Considero as provas verticais muito interessante, mas a condição de guarda de cada um dos vinhos é fundamental para haver justiça no veredicto final. E a maior parte das garrafas foram adquiridas na cadeia de supermercados do malogrado Belmiro de Azevedo, pelo que é importante efectuar esta ressalva. De qualquer das formas, à excepção do 2004 que já tinha passado o seu melhor momento, todos se apresentaram em boa forma. Alguns mesmo em belíssima forma.


Começamos a prova do mais novo, para o mais antigo (outra discussão sempre interessante neste tipo de prova), com o 2016 ainda bastante fechado (estágio de garrafa - enviada pelo produtor), mas a demonstrar que o uso da madeira está mais comedido. Vamos ver como evoluirá. 2015, um dos preferidos, com a madeira bem integrada, enorme frescura, elegante, a precisar de tempo, mas a dar já uma belíssima prova. Comprar, beber e guardar. 2014 e 2013 num registo um pouco abaixo do 2015. 2012, o mais consensual em prova e também o mais equilibrado. Estava fantástico, com "tudo no sítio". 2011 de novo um pouco abaixo do 2012, menos fresco. Por fim, o 2010, cheio de força, uma enorme surpresa, ainda com muito para dar. Provavelmente o primeiro vinho onde apanhamos realmente notas de evolução, mas das boas...

Uma prova vertical a demonstrar a qualidade e longevidade destes vinhos, provavelmente o branco mais "escolha segura" na casa dos 10€, nas grandes superfícies. Uma prova superiormente harmonizada pelos maravilhosos cozinhados do Cupido, que infelizmente não temos fotos! Um jantar que se prolongou pela noite fora em ambiente de grande confraternização.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Em Prova: Vida Nova Syrah Aragonês Tinto 2014

Provavelmente há quem não saiba, mas o cantor Cliff Richard, estrela da música do século passado é o homem por trás deste vinho. Proprietário da Quinta do Moinho, em Guia - Albufeira, no Algarve, tornou-se há mais de 10 anos produtor de vinhos naquela zona. 

O Vida Nova 2014 é um tinto produzido maioritariamente de Syrah (60%), conjugado de forma improvável com Aragonês (30%) e um toque de Alicante Bouschet (não mencionado no rótulo). O vinho estagia depois durante 14 meses em barricas de carvalho francês e americano. 

O resultado é agradavelmente satisfatório, com fruta preta fresca de qualidade, especiarias e alguma baunilha. A boca é de taninos redondos, com foco na fruta e uma boa acidez que lhe confere a frescura necessária para se beber um novo copo. Será um vinho consensual que não defraudará quem o levar para a mesa. Acompanhou muito bem um arrozinho de pato.  

PVP: 8€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Em Prova: Boango Tinto 2013

Vinho produzido pelo enólogo Hugo Oliveira e Silva, um jovem que lançou o seu projecto no Douro - Adega Artesanal - e que para além do Boango Tinto (de que aqui falo) e do branco, existe também o Oficios, um vinho de posicionamento superior. São sempre produções pequenas, com pouca intervenção por parte do enólogo, tentando privilegiar o terroir. A ideia será prolongar estas experiências para outras regiões.

Mas este Boango Tinto é um duriense de gema, com estágio de 24 meses em barrica. Foram produzidas apenas 2000 garrafas de um vinho guloso, cheio de taninos e algo rústico, a lembrar a região e o carácter tradicional da mesma. Um vinho para a mesa, a um preço combativo, para consumir sem pressas e ir acompanhando a evolução do projecto do jovem enólogo. 

PVP: 9€. Disponibilidade: info@adegaartesanal.com

Sérgio Lopes

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Da minha cave: Quinta do Boição Reserva Branco 2010

Situada em Bucelas, a Quinta do Boição espalha-se por uma área de 45 ha de solos argilo/calcários. destacando a presença da casta Arinto (naturalmente), nas castas brancas, que encontra em Bucelas o seu verdadeiro esplendor e a Touriga Nacional nas castas tintas. 

Gosto muito do arinto, e particularmente de arinto de Bucelas, sobretudo já com alguma idade. Foi por isso com muito agrado que provei o Quinta do Boição Reserva Branco 2010, um vinho com 8 anos, mas com uma grande frescura, onde pouco se notava a evolução do tempo em garrafa.

Mostrou-se untuoso, com citrinos maduros, complexo, mineral e persistente. Acompanhou um salmão grelhado com arroz de tomate na perfeição. 

Num dia que iria ser preenchido por vinhos de Bucelas (de que falarei mais tarde), pode-se dizer que foi um grande começo! PVP: 6,5€. Disponibilidade: Garrafeiras e Enoteca.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Em Prova: Chryseia 2015

Ultimamente tenho voltado aos tintos com maior regularidade, talvez até porque me têm tratado muitíssimo bem, dando-me a provar e beber com uma boa refeição, grandes vinhos, que não deixarão ninguém indiferente. É o caso de, por exemplo, o vinho Chryseia 2015, que foi degustado num jantar de amigos onde fomos tratados como reis, pelo anfitrião Otavio, acompanhando este vinho um cabrito divinal, entre outras iguarias superiores. O vinho, que resulta da parceria entre o enólogo de Bordéus Bruno Prats e a família Symington, a partir da emblemática Quinta de Roriz, é um icon da casa, um vinho de topo que confirma todos os seu pergaminhos: Nariz fino e sedutor, muito complexo, com notas de fruta fresca deliciosa, um lado balsâmico e alguma especiaria. Tudo num registo de enorme finesse que se confirma numa boca de taninos sedosos, boa estrutura e muita frescura, tornando-o profundo e extremamente saboroso. Um grande vinho, este ano "mais pronto" e elegante, mas com um poder de evolução tremendo. Seda pura! PVP: 54€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Em Prova: Ultreia Valtuille Tinto


Tive o privilégio de beber este vinho, através do meu amigo André Antunes do restaurante Delicatum, em Braga. Um vinho do famoso enólogo espanhol Raul Perez, um dos mais inovadores da sua geração. Ultreia era, em tempos, uma espécie de saudação e forma de encorajamento entre peregrinos que faziam o caminho de Santiago, passando pela vinha que dá origem a este vinho, na zona de Bierzo, noroeste de Espanha. Feito 100% da casta Mencia, típica da região (em Portugal o Mencia dá-se pelo nome de Jaen e aparece no Dão), de vinhas velhas, plantadas em 1908, localizadas a 530 metros acima do nível do mar. A produção de vinho é feita sem muita intervenção, com 14 a 15 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês usadas e engarrafamento sem filtragem. Trata-se de um enorme vinho. Tem tudo aquilo que procuro num vinho tinto, isto é, uma frescura abismal, grande equilíbrio e um nariz sedutor, de enorme profundidade aromática. Muito complexo, tem uma boca com volume mas com extraordinária elegância, com taninos aveludados. Termina muito longo e a pedir novo copo. Que grande vinho! Por 30€ é difícil beber melhor. Disponibilidade: Vid' i

Sérgio Lopes

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Em prova: Grainha Reserva Tinto 2015

Proveniente da Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo, a referência Grainha resreva está algures entre os colheita e os topo da casa. São vinhos com complexidade acima da média, madeira bem integrada com a fruta típica do Douro, pendor gastronómico, corpo e final médios. Este 2015 aparece um pouco mais elegante que outras edições anteriores o que o torna ainda mais interessante. Uma boa opção nos tintos do Douro na gama 10€ - 15€. PVP: 12,5€. Onwine.

Sérgio Lopes