terça-feira, 28 de novembro de 2017

Feriado em grande: Adegga Wine Market em Lisboa e Christmas Wine Experience em Vila Nova de Gaia

O Adegga WineMarket, regressa a Lisboa no próximo dia 1 de Dezembro, ao Lisbon Marriott Hotel. O Adegga WineMarket é um conceito inovador, criado pelo Adegga, com o objectivo de aproximar consumidores e produtores. O visitante tem a possibilidade de descobrir, num ambiente descontraído, 500 vinhos, entre os 5€ e os 50€, de 70 produtores seleccionados pela equipa do Adegga.

Para além da magnífica, mas também exclusiva sala Premium, onde se proporciona como é habitual uma prova de 50 Grandes Vinhos, nesta edição, será possível fazer visitas guiadas e experimentar os melhores vinhos de Portugal, através das Adegga WineWalks, que são acompanhadas por um enólogo, sommelier, wineblogger ou winelover e têm a duração de 30 minutos e participação máxima de 12 pessoas (inscrição à porta do evento).

IInformações gerais:
Data: Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2017
Local: Lisbon Marriott Hotel
Horário: 14h às 21h
Bilhete Prova: 15€
Bilhete Loja: 40€ (inclui entrada e vale de compras de 40€)
Bilhete Loja Duplo: 60€ (inclui entrada para duas pessoas e vale de compras de 60€)

Cumprindo a tradição, o The Yeatman inaugura a quadra natalícia na cidade do Porto, reunindo o melhor dos vinhos e da gastronomia nacional. A 7ª edição do Christmas Wine Experience ocorre já neste fim-de-semana de 1 e 2 de dezembro entre as 14h00 às 19h00, celebrando o início da época natalícias.

As várias regiões vitivinícolas do país estão representadas pelos melhores produtores nacionais, que apresentam dois vinhos ideais para a quadra natalícia. São mais de 50 produtores (wine partners), num total de mais de 100 vinhos à prova. No final, os vinhos estão disponíveis para compra, por um preço especial.


Sérgio Lopes (in Press Release)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Prova Vertical Quinta Nova Grande Reserva

Decorreu na passada 5ª feira, na garrafeira do Tio Pepe a prova vertical dos vinhos Quinta Nova Grande Reserva. Prova rara, diria, de uma das casas do Douro que se tornou rapidamente numa referência na região e cujo espaço vale a bem a pena visitar e pernoitar por lá, no belíssimo hotel com vista para os vinhedos e rio Douro. Em 1999 a família Amorim adquiriu a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Em 2017, 18 anos passados, a empresa assinalou a data com a organização de uma grande prova vertical de 10 anos dos seus Grande Reserva Tinto. 

Mas vamos à prova: Quinta Nova Grande Reserva 2005, já com taninos totalmente redondos e prontissimo a beber.  2006, com algum calor quer no nariz, quer na boca, a reflectir um ano de si bem quente. Mais vivo que o 2005 em termos de boca, mas pouco mais "morno" na prova. 2007, como seria de esperar pelo ano, mostrou-se um grande vinho, conjugando potencia e elegância. Muito bem. 2008, bastante fresco e apelativo. Um pouco abaixo do 2007 que apresenta mais complexidade, naturalmente, mas mostrou-se muito interessante. 2009, num registo com menor acidez, talvez reflexo de outro ano bastante quente no Douro, tal como o 2006. 2011, um vinho de enorme classe, com uma grande profundidade aromática, muito complexo, fresco, cheio de taninos e com um final interminável. 2011 foi um ano do caraças no Douro! Seguiram-se 2012 e 2013, vinhos competentes e corretos, onde se nota cada vez mais a utilização menos marcada da madeira, o que se saúda. Por fim, Quinta Nova Grande Reserva 2015, apresentando uma fruta fresca muito bonita e apelativa, um lado balsâmico a aportar grande frescura e bastante elegante a dar já uma belíssima prova, Foi dos que também gostei mais, por estar tão apetecível tão cedo, sem deixar de se mostrar complexo e com pernas para andar. 

Uma belíssima prova a mostrar a qualidade da casa e em particular os Grande Resrevas Tintos. Nota, o Quinta Nova Grande Reserva Tinto apenas é produzido em anos que tenha qualidade para tal, não tendo sido produzido em 2010 e 2014.

Sérgio Lopes



sábado, 25 de novembro de 2017

WIne Fest Porto 2017 - 2ª edição e a repetir

Organizado pelo Wine Club Portugal, de Luis Gradissimo (http://avinhar.blogspot.pt/), o WINE FEST 2017 PORTO voltou para a sua segunda edição, no passado sábado dia 18 de Novembro. Perto de 1000 pessoas encheram o Salão Nobre do edifício da Alfândega do Porto, para provar os mais de 200 vinhos disponíveis.
O belíssimo cenário da Alfândega e a escolha criteriosa de produtores contribuiu decisivamente para o sucesso do evento. Pequenos produtores, com identidade,  muitos deles foras dos grandes circuitos comerciais, provenientes de quase todas as regiões vinicolas do país.

Foram mais de 30 produtores cujos vinhos estiveram à prova, desde os alvarinhos puros da Quinta do Regueiro, os brancos modernos e irreverentes dos Vinho Verde Young Projects, a frescura do Douro Superior, dos D. Graça da Vinilourenço; a diversidade dos Maçanita Vinhos, os vinhos Casal Faria e Alto do Joa, da emergente região de Trás-os-Montes. Pela Bairrada, os vinhos e espumantes da Casa de Saima e das Bageiras, com os seus desconcertantes Garrafeiras da casta Baga, a elegância do Dão com a Quinta de Lemos e a Casa da Passarella. A Quinta do Cardo e a Quinta de Pancas fizeram as honras pela Beira Interior. Joaquim Arnaud, com o seu Alentejo completamente "fora do baralho" e o vinho generoso DOC Carcavelos Villa Oeiras, entre muitos outros, que fizeram as delicias dos participantes.

E claro as fabulosas provas especiais, das quais tive a oportunidade de participar em duas delas, a da Casa da Passarela e a dos moscatéis de Horácio Simões.

Casa da Passarela - 125 anos de História

Nesta prova conduzida pelo enólogo Paulo Nunes provamos os topos da casa, Villa Oliveira, numa mini vertical. Nos brancos, Villa Oliveira 2012, Vinha do Provincio, um blend (nem sempre é 100% feito de encruzado - depende dos anos), fino, elegante e complexo, num momento delicioso de prova. Vila Oliveira Encruzado 2015, com 10% de curtimenta (que não se sente) reflecte bem o ano, com um nervo e uma acidez bem vincadas. Tão diferentes e tão bons! No final Villa Oliveira L2010-2015, lote proveniente de uma barrica por ano dos Vila Oliveira. O objectivo é fazer duas edições por década, sendo esta a primeira. Um vinho estruturado, longo, complexo, com classe. a um PVP de 45€

Nos tintos. Villa Oliveira Touriga Nacional 2009, vegetal e com taninos ainda bem firmes, um pouco fechado, mas bastante fresco. Villa Oliveira Touriga Nacional 2011, menos vegetal mas mais concentrado e com a sensação de alcool mais evidente, reflectindo o ano que foi quente na região do Dão. Villa Oliveira 2012 - Vinha das Pedras Altas, que já tinha tido o privilégio de provar na Casa da Passarela e me fascinou imediatamente. Continua a fascinar-me! Ao contrário dos vinhos provados anteriormente, constituídos 100% de Touriga Nacional, aqui estamos na presença de um blend de uma vinha velha, a Vinha das pedras Altas. O resultado é um vinho super elegante e fino, muito fresco e sedoso, delicioso e cheio de classe. Depois provamos o Villa Oliveira Touriga Nacional 2014, que ainda não está no mercado, a demonstrar um elevado potencial, com as notas vegetais mas também uma fruta primária muito interessante. Irá evoluir bem. O final da prova dos tintos estava reservado para aquele que pretende ser o ex-libris da casa, o Villa Oliveira Passarela 2014, blend de castas de vinhas muito velhas, maioritariamente Baga e Jaen, temperadas com Alvarelhão ou Tinta Carvalha, entre outras. Tudo castas que remonstam a primeira marca da casa Villa Oliveira, como homenagem à sua rica história, com 125 anos. O vinho é simplesmente descomunal aliando uma invulgar potência para a região, a uma desconcertante elegância. São 2000 garrafas apenas, a um PVP de 90€, das quais serão lançadas para o mercado apenas 200 garrafas por ano. Um vinho para ser apreciado nos próximos 10 anos. Uma prova de antologia.


Os Moscatéis de Horácio Simões


Da casa agrícola Horácio Simões fizemos uma pequena viagem pelos deliciosos moscatéis roxos de Setúbal. Vou começar pela ordem contrária à que foram servidos, isto é do mais novo para o mais velho. Começamos com duas versões do Moscatel Roxo 2010, aquele que se encontra atualmente no mercado e o que navega e estagia no porão do barco Évora, renovando a tradição do vinho "Embarcado". Este último mostrou-se um pouco mais evoluído e por isso valeu a pena a experiência. O Moscatel Roxo Superior 2005, distinto por ser usada aguardente da região de Armagnac (tal como Domingos Soares Franco faz no seu JMF colecção privada). O Moscatel Roxo 2003 num registo intermédio, passou um pouco despercebido. Para o final dois grandes vinhos, o Moscatel Roxo 1999 que iniciou tímido e foi crescendo com o tempo no copo e o Moscatel Colheita 1974, com guarda em tonéis mais garrafão de vidro, a revelar-se um vinho enorme, com frescura, notas aromáticas de "garrafa", muito complexo e com um longo final. Adorei. Deste último vinho sairá uma edição limitada para este Natal de apenas 300 garrafas. Os moscateis podem não ter a acidez dos Madeira ou a fama dos Porto, mas têm um encanto muito próprio.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Em Prova: Valados de Melgaço Vinificação Natural 2016


Chegou ao mercado a nova referência Valados de Melgaço, com a designação Vinificação Natural. O objectivo do produtor Artur Meleiro foi o de lançar para o mercado um Alvarinho que mostrasse a expressão genuína da região de Monção e Melgaço. Com estágio sobre borras finas em madeira, durante 8 meses, não foram utilizados sulfitos durante a vinificação. O resultado é um vinho complexo e fino, bem acima do seu Alvarinho colheita, já de si muito bom. O aroma é profundo com notas delicadas citrinas e um balsâmico que lhe dá um carácter bem interessante a potenciar a frescura. Na boca, é fresco e elegante, com madeira bem integrada e um bom corpo, terminando persistente. Com potencial de envelhecimento. PVP: 15€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Em Prova: Triunvirato Nº 4


Messias não é apenas sinónimo de vinhos do Porto. Longe disso. Cada vez produz mais e melhores vinhos de mesa. A empresa está presente em 3 das mais importantes regiões vitivinicolas do país, Bairrada, Dão e Douro. Triunvirato significa Aliança e a quarta edição deste vinho alia as melhores uvas das 3 regiões, Baga (da Bairrada), Alfrocheiro (do Dão) e Tinto Cão (do Douro). Feita a aliança (blend), o vinho estagia 24 meses em barricas novas de carvalho francês. O aroma é imediatamente sedutor e extremamente complexo, fino, vegetal e muito fresco. A boca enche completamente com taninos firmes e potentes, mas com muito requinte. O final é muito prolongado. Ainda muito novo e com muito para mostrar. Um grande vinho. PVP: 30€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Em Prova: Anselmo Mendes Não Convencional Tinto 2012


A menção "não convencional" advém, por um lado, do teor alcoólico que apresenta, mais baixo que o habitual no Douro (12,5º), por outro lado, da escolha das castas, também pouco usual para a região. O mais comum encontrar é o blend TTT - Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz. Ora, este vinho é produzido de uvas de cepas seleccionadas provenientes de uma vinha centenária, onde sim podem ser encontradas com frequência as castas que lhe deram origem, nomeadamente Tinta Carvalha, Tinta da Barca, Rufete, Tinta Francisca, ou Cornifesto, entre outras. Em vinhas velhas é assim... O estilo do vinho é pois o reflexo dessas características, um vinho simultaneamente leve mas com tensão, isto é, sem quaisquer excessos, antes fresco, elegante, com alguma "rusticidade" da tipicidade duriense das vinhas velhas que lhe confere carácter. Sem maquilhagem e claramente um estilo diferente para a região. PVP: 16€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Radar do Vinho: Quinta do Mouro

O final da tarde do 4.º dia do grupo (meu 2.º) no Alentejo foi passado na Quinta do Mouro com o Miguel Louro, produtor excêntrico e um inigualável contador de histórias. Atualmente conta com a ajuda dos filhos, principalmente do Luís Louro, na enologia mas por vezes não lhes liga nenhuma e aparecem vinhos fantásticos como os Erros, fruto do acaso ou da teimosia do produtor. 

Já agora, os Erros da Quinta do Mouro são para quem gosta de vinhos diferentes e os que mais dizem da personalidade do seu produtor, não serão do agrado de todos, tal como o Miguel Louro, mas para mim, são dos mais interessantes que há no Alentejo.

A visita do nosso grupo ocorreu em simultâneo com a visita de um pequeno grupo de belgas e que até foi interessante, aumentando a interação, e se por um lado para eles foi um pouco mais difícil, pois às vezes, o Miguel Louro começava a falar em inglês mas depois entusiasmava-se e acabava a falar em Português, para desespero da sua assistente. 

Por outro lado, a dinâmica que se estabeleceu, fez que em vez de se abrir meia dúzia de vinhos, acabou por abrir todos os vinhos que estavam disponíveis ;) A adega é pequena e artesanal mas não impede de saírem grandes vinhos de lá, à imagem do Miguel Louro, muito irreverentes, completamente fora da caixa, mas de grande qualidade. Quando me dizem que não gostam de vinhos alentejanos porque são muito redondinhos e com pouca acidez, eu digo sempre, já provaste um Quinta do Mouro?

Bem, seguem as minhas notas de prova (sintéticas e pessoais, mais úteis a pessoas com gostos semelhantes):


- Vinha do Mouro Branco 2015 – equilibrado e seco (15,5);
- Apelido 2015 – mais intenso e ácido (16);
- 1.º Nome 2015 – com mais estrutura e equilibrado (17);
- Erro B 2015 – muito intenso e com grande acidez, precisando desesperadamente de comida e devendo melhorar com a idade, vinho de curtimenta total por causa de uma prensa avariada e que depois foi loteado com arinto para o tornar um pouco mais leve e fresco (17, por agora);
- Vinha do Mouro Tinto 2013 – um pouco adstringente e com acidez pronunciada que requer comida, é um bom vinho mas não é um entrada de gama fácil (16);
- Zagalos 2012 – mais elegante e do agrado geral (16,5);
- Quinta do Mouro 2010 – Encorpado e com taninos notórios mas já suficientemente polidos para dar uma boa prova (17,5);


- Erro 2 2011 – encorpado, muito intenso e com acidez a condizer e um sabor fabuloso, este é proveniente de umas barricas que deviam ir para o Rótulo Dourado mas ficaram esquecidas (18);
- Erro 3 2013 – meio corpo mas muito exuberante quer de aroma quer de sabor, com acidez elevada que resultou de um lote com Brett (que no produto final não se nota) de uma casta híbrida que um professor trouxe de Espanha, combinado com 50% de Trincadeira (18-18,5);
- Quinta do Mouro Touriga Nacional 2014 – aroma e sabor fabulosos com taninos ainda muito notórios e boa acidez, um vinho que diria que com mais uns 3 anos de garrafa pode bater-se com qualquer Touriga Nacional, mesmo agora, se decantada com tempo e acompanhar comida, já dá uma grande prova (18-18,5);
- Quinta do Mouro Cabernet Sauvignon 2011 – encorpado e muito intenso, com um aroma intrigante e um dos melhores Cabernets de Portugal, só perdeu por estar no meio de vinhos fabulosos (17,5);
- Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2011 – encorpado, muito intenso com taninos já domados, com madeira de qualidade, aroma e sabor fabulosos (18,5).

Duarte Silva (Wine Lover)